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Reconhecido
em 21/08/1968
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Agência Diap, 28 de fevereiro de 2010
MPT se reúne para discutir diversos
temas com dirigentes das centrais
Dirigentes das seis centrais sindicais se reúnem, na próxima
terça-feira (2), com membros do Ministério Público
do Trabalho (MPT) para discutir sobre temas como desconto assistencial/taxa
negocial, interdito proibitório, representação dos
trabalhadores nas empresas com mais de 200 empregados - dispositivo da
Constituição ainda não regulamentado, práticas
anti-sindicais e estabilidade de dirigente sindical.
No encontro dia 10 de fevereiro, porém, os sindicalistas
reunidos na sede do MPT, em Brasília, decidiram não
assinar o TAC ao debateram a contribuição assistencial
e negocial.
Em novembro de 2009, as entidades sindicais denunciaram à OIT,
em Genebra, as ingerências do MPT nos sindicatos em
diversos municípios e estados.
No mês de dezembro, dirigentes das centrais foram
recebidos pelo procurador geral Otávio Brito, quando
foi definida a necessidade de se buscar um consenso para
construção de um Termo de Ajustamento de Conduta
(TAC).
"O sindicato exerce um papel importante no Brasil e
no regime democrático. É importante o fortalecimento
das entidades e a participação ativa dos trabalhadores
na vida dos sindicatos", afirmou o ministro.
O TAC é um instrumento extrajudicial, onde as partes
se comprometem, perante os promotores de Justiça e
procuradores da República, a cumprir determinadas
condições, sobre um assunto específico.
O MPT expedia o TAC, tentando coibir a contribuição
assistencial dos trabalhadores não associados aos
sindicatos.
Segundo o coordenador nacional do Fórum Sindical
dos Trabalhadores (FST), José Augusto da Silva Filho,
o procedimento do TAC é um verdadeiro desastre para
os sindicatos de trabalhadores de todo País.
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Vermelho, 28 de fevereiro
de 2010
Datafolha: Diferença entre
Dilma e Serra é de apenas 4 pontos
Pesquisa Datafolha publicada na edição de domingo do jornal
Folha de S.Paulo, mostra que a ministra petista Dilma Rousseff (Casa
Civil) cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de
voto de dezembro para janeiro, atingindo 28%.
No mesmo período, a taxa de intenção
de voto no governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), recuou de 37% para 32%. Com isso, a diferença
entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para
4 pontos de dezembro para cá.
De acordo com a nova sondagem do Datafolha, o deputado federal
Ciro Gomes, pré-candidato do PSB, tem 12% das intenções
de voto; e a pré-candidata do PV, senadora Marina
Silva, tem 8%. Na pesquisa anterior, Ciro aparecia com 13%
e Marina já possuía 8%.
A margem de erro da pesquisa divulgada neste sábado
(27) é de dois pontos percentuais para mais ou para
menos. Ela foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro.
Foram ouvidas 2.623 pessoas com idades maiores de 16 anos.
Destas, 9% disseram que vão votar branco, nulo ou
em nenhum dos candidatos e 10% informaram que estão
indecisos.
A sondagem confirma resultados de pesquisas de outros institutos,
que já refletiam uma tendência de crescimento
rápido da candidatura Dilma Rousseff e uma estagnação
- e até mesmo queda - do pré-candidato José Serra.
Cenários
A pesquisa também apresentou um cenário sem
a presença de Ciro Gomes. Nessa simulação,
as intenções de voto em Serra ficam em 38%
(ante 40% na pesquisa realizada entre 14 e 18 de dezembro);
Dilma atinge 31% (ante 26% da pesquisa anterior); e Marina
Silva fica com 10% (11% no levantamento de dezembro).
No cenário de um segundo turno, numa eventual disputa
entre Serra e Dilma, o tucano aparece com 45% das intenções
de voto e a petista com 41%. Ou seja, também em um
eventual segunda etapa do pleito, Dilma encosta no tucano,
apresentando uma diferença de apenas quatro pontos
novamente. O levantamento realizado em dezembro apontava
que, nessa situação, Serra teria 49% das intenções
de voto e Dilma, 34%. Em outro cenário de segundo
turno, Dilma vence com 48%, contra 26% de Aécio.
Rejeição de Serra e aprovação
recorde de Lula
De acordo com o Datafolha, o pré-candidato Serra
registra o maior índice de rejeição
entre os presidenciáveis, com 25%; seguido de Dilma
com 23%; Ciro, com 21%; Aécio, com 20%; e Marina,
com 19%.
A pesquisa avaliou também o índice de aprovação
do presidente Lula. Na mostra, a aprovação
ficou em 73% (de ótimo e bom). Na pesquisa de dezembro,
este índice foi de 72%, o mais alto patamar de popularidade
apurado pelo Datafolha.
Com agências
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Rede Brasil Atual,
28 de fevereiro de 2010
Flavio Aguiar: Euro, um cavalo
de Troia na (ou da?) Grécia...
É conhecida a legenda de como
os gregos derrotaram os troianos, na guerra cantada no poema
de Homero (Ilíada/Odisseía), introduzindo dentro
de suas muralhas um cavalo de madeira oco e cheio de soldados.
Essa “tropa de elite” abriu as portas durante a
noite, e o exército grego numa única noite conseguiu
o que não conseguira durante dez anos de guerra.
Por Flávio Aguiar, em Rede
Brasil Atual
Agora quem tem dentro de suas “muralhas” um cavalo de Troia é a
própria Grécia, e ele se chama euro, a moeda única
da União Européia. Ou será que é o contrário?
A Grécia e sua crise do déficit público seria
um novo cavalo de Troia dentro da Zona do Euro? Diga-se de passagem:
trata-se de uma crise anunciada (V. post neste blog, "União
Européia: Arca de Noé ou Titanic", de 04/01/2010).
Na quarta-feira (24/02) a Grécia parou: uma greve
geral no setor público e outros setores paralisou
transportes, escolas, cidades, aeroportos, ferrovias, tudo.
Uma multidão de 500 mil pessoas manifestou em Atenas
contra medidas chamadas de “austeridade” propostas
pelo relativamente novo governo dos socialistas, que, liderados
por George Papendreau, assumiu depois da eleição
de outubro do ano passado.
Nessa eleição, o governo conservador anterior,
liderado por Kostas Karamanlis do partido Nova Democracia,
perdeu a maioria. A ND caiu 8,38 % em sua votação,
indo para 33 %. Já os socialistas subiram 5,82%, indo
a 43 % e não tiveram dificuldade para formar o novo
governo, já que os partidos à esquerda no espectro
político obtiveram cerca de 57 % dos votos.
Mas aí começaram as dificuldades. Aparentemente
os conservadores, enquanto no poder, tinham maquiado dados
para fixar o déficit público do país
numa estimativa de 4 % ou 5 % do Produto Interno Bruto (PIB).
Quando os socialistas assumiram, o novo cálculo catapultou
a dívida pública para 12,7 % do PIB. Isso tornou
a Grécia um país na prática à beira
da bancarrota.
Os "investidores estrangeiros", essa praga que
já devastou o México, a Rússia, Dubai
e fez estragos enormes no Brasil do passado, ameaçaram/começaram
a retirar seus investimentos, além de recusarem a
comprar letras do Tesouro grego. Além disso, a Grécia
tem uma dívida com bancos estrangeiros orçada
em 300 bilhões de euros (mais de 800 bilhões
de reais). Um terço dessa dívida pertence a
bancos alemães e franceses.
Resultado: a Grécia se viu na contingência
de pedir socorro internacional. Aonde? Só há duas
fontes: a própria União Européia, de
que a Grécia faz parte desde 1981, ou o FMI. A segunda
hipótese arrepiou os cabelos dos demais países
da UE, sobretudo a Alemanha e a França, porque isso
significaria a possibilidade de ingerência direta (a
indireta já é uma indigesta realidade) dos
Estados Unidos (que são, na verdade, o “boss” na
instituição...) na economia do continente.
Teoricamente até o Brasil, que de devedor passou a
credor do FMI, poderia dar o seu teco de palpite na economia
européia...
Resta a primeira hipótese, ampliada porque a bancarrota
da Grécia poderia arrastar o euro, a moeda única
continental criada a partir do Tratado de Maastricht, de
1992 e adotada por 16 países da União Européia
(a chamada Zona do Euro) a partir de 2002, a uma crise sem
precedentes em sua ainda curta vida.
A fuga de capitais da Grécia já vem provocando
uma desvalorização da moeda frente ao dólar
e uma ameaça sobre os países da “periferia
do euro”, cujas economias estão também
na berlinda e não podem (como a Grécia) desvalorizar
suas moedas para tornarem-se competitivas no mercado internacional,
porque elas não mais existem. Essa contingência
atinge duramente Portugal, Espanha e Itália, pelo
menos.
A presente desvalorização do euro, por outro
lado, não traz vantagens adicionais para a zona da
moeda, em estagnação econômica: simplesmente
capitais entram em refluxo, migrando para moedas e mercados
mais rentáveis e seguros, uma vez que a “saúde
monetária” geral está ameaçada.
A perspectiva de uma ajuda européia, liderada, sobretudo,
pela Alemanha, que é a “irmã rica” do
bloco, introduziu uma cunha, ou um amargo veneno na economia
grega, onde a presença estatal é grande. O
governo alemão, às voltas com uma economia
estagnada, aumento da pobreza, concordatas ou falências
entre médias e pequenas empresas, e despendendo bilhões
para socorrer as grandes e o sistema financeiro, vai ter
de dar muitas explicações internas e externas
para justificar empréstimos bilionários a um
país que, aos olhos hegemônicos na União
Européia, “não fez a lição
de casa”, isto é, não privatizou o suficiente
nem enxugou o Estado a um nível aceitável para
os demais, além de ter de reduzir a relação
déficit público/PIB a 3%. Resultado: o governo
alemão e a UE aumentaram a pressão para que
o governo grego fizesse exatamente o contrário do
que parte do seu eleitorado esperava que fizesse, quando
o elegeu.
Essa “lição de casa” que agora
está sendo exigida para que a ajuda se concretize
visa reduzir no curto prazo o déficit público
para 8,7% do PIB. Ela compreende (exige): aumento de impostos,
aumento da idade para aposentadoria e congelamento dos salários
no setor público.
Seu resultado imediato foi a greve de quarta-feira e a manifestação
de 500 mil, embora seu alcance tenha sido menor do que o
esperado pelos organizadores. Por outro lado, além
das contas sobre PIB e déficit, a pressão que
ora se faz, sobre a Grécia e os socialistas gregos,
visa estrategicamente “enquadra-los” na moldura
e nas balizas da UE que são hegemonicamente herdeiras
do Consenso de Washington, ainda que mitigado. As exigências
mais dramáticas deste foram reservadas para os países
da América Latina no passado, antes da vaga de esquerda
que cresceu no continente no século XXI.
Algumas quase certezas apontam no horizonte. Apesar de sua
extraordinária capacidade de mobilização,
dificilmente os sindicatos do setor público grego
terão forças para impedir as duras medidas
que o governo anuncia e, pelo visto, sem outra alternativa,
vai implementar. Por outro lado, o governo socialista terá de,
nelas, fazer algumas concessões, porque não
só não conseguirá impedir os sindicatos
de se mobilizarem, mas se não o fizer, estará se
suicidando com um tiro no próprio pé, já que
está batendo de frente com uma de suas mais importantes
bases eleitorais.
A União Européia, Alemanha à frente,
vai continuar batendo pé nas suas exigências;
mas terá também de fazer concessões,
porque um divórcio da Grécia com a Zona do
Euro seria catastrófica para a moeda e os outros membros,
podendo ser o estopim de uma corrida “para trás” em
outro países. Até mesmo, pelas razões
já expostas, um “flirt”, ainda que momentâneo,
da Grécia com o FMI seria também uma catástrofe,
pelo golpe na auto-segurança monetária da Europa
e pelo “mau exemplo” para os demais países
que acabam de entrar ou estão pleiteando a entrada
na UE.
Todo mundo vai fazer de tudo para que a corda não
arrebente. Mas enquanto isso, os trabalhadores, os aposentados
e os pobres de um modo geral continuarão pagando a
maior parte pesada da conta, em termos de suas expectativas
de sonhos e de aspirações na vida.
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Gazeta do Povo, 28
de fevereiro de 2010
Mercado interno
O Brasil que dá trabalho
Setores ligados ao mercado interno,
como serviços e construção civil, foram
responsáveis por 8 de cada 10 contratações
nos últimos cinco anos
O desempenho do mercado de trabalho em 2009 foi memorável. É fato
que o país criou apenas 995 mil vagas formais, número
mais baixo em seis anos, o que fez o saldo de empregados
com carteira assinada crescer pouco mais de 3%, segundo o
Ministério do Trabalho. Mas é justamente esse
pequeno crescimento que surpreende, pois se deu na contramão
da atividade econômica – que, sob impacto da
crise, provavelmente fechou o ano no vermelho ou com leve
crescimento, na melhor das hipóteses. Para efeito
de comparação, na última vez em que
o Produto Interno Bruto (PIB) foi tão mal, ao crescer
0,25% em 1999, o país fechou quase 200 mil postos
de trabalho.
O responsável por essa aparente contradição
foi o mercado interno, que ajudou o país a contornar
o buraco que engoliu o comércio exterior. Basta conferir
quem gerou quase todos os empregos no ano passado. A construção
civil abriu 177 mil vagas (18% do total), o comércio
contratou 297 mil pessoas (30%) e o setor de serviços – maior
empregador do país, que reúne motoboys, bancários,
motoristas, corretores, professores e várias outras
profissões – admitiu meio milhão de trabalhadores,
metade de todos os contratados.
Em resumo, de cada 100 empregos, 98 foram gerados por algum
desses três setores, intimamente ligados ao consumo
doméstico. Essa proporção foi inflada
pela paralisia da indústria, mas serviu para dar ênfase
a um fenômeno que já se manifestava havia alguns
anos. De 2000 a 2004, comércio, serviços e
construção responderam por 68% dos 4,2 milhões
de novos empregos; nos últimos cinco anos, quando
o mercado abriu 6,5 milhões de postos de trabalho,
a participação dos três subiu a 82%.
Os dados de janeiro de 2010 mostraram uma forte recuperação
da indústria, a maior contratadora no mês, mas
nem por isso construção, serviços e
comércio perderam ritmo. Se em janeiro de 2009 os
três setores haviam fechado 37 mil vagas, neste ano
eles já contrataram, juntos, 105 mil pessoas. E há outros
indícios positivos.
Após perder vigor em 2009, o crédito deve
voltar a crescer perto de 20%. Aquecida, a construção
civil contratará 180 mil pessoas, se confirmada a
previsão de que o PIB do setor avançará cerca
de 9%. As vendas do comércio, que em 2009 cresceram
6% e completaram seis anos de avanço superior ao do
PIB, tendem a continuar em alta – a não ser
que os principais grupos varejistas do país, que planejam
investir R$ 15 bilhões até 2013, estejam um
tanto equivocados. Por extensão, aguarda-se mais um
ano favorável para os prestadores de serviços,
assim como para segmentos industriais mais voltados à demanda
interna.
Uma demanda crescente, que está convertendo o país
em um dos maiores mercados de consumo do mundo, segundo o
economista Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia
de São Paulo da Fundação Getulio Vargas
(FGV/EESP). Em artigo no jornal Valor Econômico, Nakano
afirmou que a ascensão da classe C – que reunia
um terço dos brasileiros há 15 anos, e hoje
representa pouco mais da metade deles – foi “quase
uma revolução”, e alimenta um “dinamismo
doméstico” capaz de levar o Brasil a uma trajetória
de crescimento mais acelerado e duradouro.
Redescobrimento
A tese de que o país só avançava “puxado” pelo
crescimento mundial começou a virar fumaça
mais ou menos em 2006, diz Cláudio Amitrano, técnico
de pesquisa e planejamento do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea). “O saldo do comércio exterior
vem diminuindo, puxando o PIB para baixo. No sentido contrário,
a maior contribuição positiva para o crescimento
vem da demanda doméstica”, diz Amitrano,
para quem dois “blocos” de fatores explicam a
expansão do consumo das famílias. “De
um lado, temos o aumento da massa salarial, vinculado ao
crescimento do emprego e da própria economia. E também
os reajustes do salário mínimo e sua repercussão
no mercado formal e nas aposentadorias, assim como os programas
de transferência de renda. O segundo bloco é o
da expansão do crédito, na qual o consignado
teve papel muito importante.”
Para o economista Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), o patamar do câmbio – tido
como desfavorável para as exportações – e
o desmoronamento da demanda internacional provocado pela
crise acabaram por dar um estímulo a mais para esse
movimento. “As empresas estão redescobrindo
o mercado interno”, diz. “Quem já trabalhava
nele intensifica sua atuação sobre as classes
C e D. E as companhias exportadoras estão revendo
suas estratégias, migrando para uma agenda que contemple
também as vendas no Brasil.”
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Folha de S.Paulo,
28 de fevereiro de 2010
Desgaste de Serra ajuda crescimento
de Dilma
MAURO PAULINO
DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
ALESSANDRO JANONI
DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA
A pesquisa Datafolha divulgada hoje revela que o crescimento
de Dilma Rousseff reflete não só a transferência
da popularidade de Lula como eventuais arranhões na
imagem do governador José Serra. Uma análise
dos resultados permite supor que a oficialização
da candidatura do PT e a maior exposição do
apoio do presidente a Dilma não são os únicos
fatores que explicam as mudanças. O desgaste da candidatura
de Serra em estratos importantes do eleitorado também
compõe o cenário.
O conhecimento de Dilma como candidata apoiada por Lula cresceu de
52% para 59%. Nos segmentos de menor renda e menor escolaridade, a
taxa subiu oito pontos percentuais, mas ainda não é majoritária.
Há, aproximadamente, 14% de brasileiros que querem votar no
candidato de Lula, mas não o fazem por desconhecê-lo.
Em dezembro, eram 15%. Já Serra perdeu cinco pontos percentuais
-o prejuízo foi maior onde a aprovação do governo
federal é expressiva.
Mas a perda de três pontos percentuais do tucano na região
Sudeste talvez seja mais relevante, não só pelo peso
político, como também estatístico. O Sudeste responde
por aproximadamente 42% da população adulta do país.
A vantagem de Serra para Dilma na região caiu de 22 para 14
pontos.
A taxa de rejeição é outro dado que pode confirmar
o desgaste do tucano. Em dezembro, 19% diziam que não votariam
em Serra de jeito nenhum. Agora, esse percentual é de 25%.
Neste momento, Serra e Dilma estão no mesmo patamar de intenções
de voto. A partir do início da campanha, os eleitores irão
compará-los, assim como farão com a imagem de Dilma e
os atributos de Lula. Dessa empatia dependerá a concretização
do potencial de transferência de votos de Lula.
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Agência Câmara, 27 de fevereiro de 2010
Projeto permite saque de FGTS para quem
tem 35 anos de contribuição
A Câmara examina o Projeto de Lei 6768/10, do Senado, que
permite a movimentação da conta do Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS) quando o trabalhador completar 35 anos
de contribuição previdenciária, se homem; e 30 anos,
no caso das mulheres.
De acordo com o autor, senador Paulo Paim (PT-RS), a proposta
foi elaborada tendo em vista o objetivo da Lei do FGTS (8.306/90)
de garantir a segurança ao trabalhador em momentos
complexos de sua vida.
"Com essa poupança forçada, o trabalhador
terá um suporte para momentos cruciais de sua vida.
Eu acredito que permitir ao trabalhador o saque do saldo
de sua conta vinculada, nesses momentos, é uma questão
de grande justiça social", afirma.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivoRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O
projeto perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por
51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser
votado pelo Plenário. e será analisado pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
de Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Agência Câmara,
27 de fevereiro de 2010
Projeto proíbe terceirização
de atividade-fim no setor público
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 6762/10, do Senado,
que proíbe a contratação de empresas
para prestar serviços relativos à atividade
principal dos órgãos e entidades da administração
pública. Embora alguns tribunais já reconheçam
a impossibilidade da terceirização de área-fim
no serviço público, essa vedação
ainda não está prevista na Lei de Licitações
(8.666/93).
Pela proposta, ficam de fora da proibição
as empresas de prestação de serviços
de limpeza, de operação de elevadores e de
conservação, vigilância e manutenção
de prédios. Também será permitida a
contratação de firmas especializadas em pesquisa
e inovação tecnológica, desde que não
haja mão-de-obra disponível no quadro técnico
de servidores.
No caso de contratação dessas empresas, o órgão
público responderá subsidiariamente pelos encargos
trabalhistas sonegados ao trabalhador pela empresa empregadora.
O autor da proposta, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ),
espera evitar prejuízos aos cofres públicos
em virtude de contratos de terceirização desnecessários
e de problemas judiciais trabalhistas e previdenciários.
"Sobram denúncias sobre abusos nessas contratações,
que têm se estendido à realização
de serviços inerentes à atividade-fim da administração
pública, como saúde e educação",
afirma Crivella.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo e em regime de
prioridade, será analisado pelas comissões de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; de
Finanças e Tributação; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Agência Câmara,
27 de fevereiro de 2010
Projeto prevê indenização
para trabalhador que sofrer coação moral
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6757/10, do
Senado, que inclui na Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43) a indenização
por coação moral no trabalho.
Pela proposta, o empregado poderá considerar rescindido
o contrato e pleitear indenização quando o
empregador ou superior hierárquico praticar "coação
moral, por meio de atos ou expressões que tenham por
objetivo ou efeito atingir sua dignidade e/ou criar condições
de trabalho humilhantes ou degradantes, abusando da autoridade
que lhes conferem suas funções". O texto
prevê também que o juiz deverá dobrar
o valor dessa indenização nos casos em que
a culpa for exclusiva do empregador.
Assédio moral
O autor, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), afirma que a evolução
recente das condições de trabalho tem se dado sob o influxo
de condições nem sempre favoráveis ao trabalhador.
Segundo ele, o problema do chamado, na França, "assédio
moral" e, nos EUA, "tirania no local de trabalho", mas
que ele prefere denominar pela expressão coação
moral, vem se agravando dentro e fora do País.
Arruda cita pesquisa realizada na União Europeia,
em 1996, segundo a qual 4% dos trabalhadores (6 milhões
de trabalhadores) tinham sido submetidos a violência
física no ambiente de trabalho no ano precedente,
2% a assédio sexual e 8% a intimidações
e a coação moral.
Ele lembra que a Constituição Federal já garante
ao trabalhador uma relação de trabalho protegida
contra despedida arbitrária ou sem justa causa, mas
ainda deixa de fora a proteção para os casos
em que o trabalhador é forçado a pedir sua
própria demissão.
"A falta de condições para permanecer
no trabalho pode ocorrer pela perseguição sistemática
e pela sua submissão a comportamentos vexatórios,
humilhantes e degradantes", explica.
Tramitação
O projeto tem regime de prioridadeDispensa das exigências regimentais
para que determinada proposição seja incluída
na Ordem do Dia da sessão seguinte, logo após as que
tramitam em regime de urgência e será analisado em caráter
conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não
precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões
designadas para analisá-lo.
O projeto perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por
51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser
votado pelo Plenário. pelas comissões de Trabalho, de
Administração e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Gazeta do Povo, 27
de fevereiro de 2010
Sucessão
Para Ciro, Serra não
sai candidato à Presidência
Fortaleza - O deputado federal Ciro Gomes (PSB) diz
acreditar que o governador de São Paulo, José Serra
(PSDB), desistirá da disputa presidencial. O parlamentar
estabeleceu o dia 2 de abril como a data a partir da qual a
disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva começará a ser esclarecida. “O
Serra vai ter de mostrar a carta. Vai renunciar ao governo
de São Paulo ou não. Eu acho que ele vai correr
da briga. Acho que ele vai disputar o governo de São
Paulo”, disse Ciro.
Ainda, segundo o deputado, com Serra fora do páreo,
o PSDB vai procurar o governador de Minas Gerais, Aécio
Neves. Desenhando várias implicações
num cenário com o mineiro candidato dos tucanos, Ciro
afirmou: “Aí, barata voa. Geral”. É que,
de acordo com ele, Aécio convidaria o PMDB para ocupar
o governo de Minas, com o atual ministro (das Comunicações)
Hélio Costa. “O PMDB, que não é essa
firmeza toda, pode deixar a Dilma conversando só”,
analisa o deputado.
Outra consequência apontada por Ciro com Aécio
candidato seria no dilema enfrentado por ele, que é o
de escolher entre disputar o governo paulista ou a Presidência
da República. “Aí inverte. O PT, que
está doido para eu ser candidato a governador de São
Paulo, vai pedir para eu ser candidato a presidente, porque
o Aécio vira imediatamente o favorito. Isso porque
se ele for (candidato a presidente) vai ser com o apoio do
Serra. Ganha em São Paulo. Tira 70% de Minas. Entra
melhor no Rio de Janeiro do que o Serra. O Sul está hostil
para nós (base aliada do Lula). O Centro-Oeste está um
pouco hostil para nós. E o Nordeste não tem
voto suficiente para tirar 6 milhões de votos de maioria,
que essa maioria do Sudeste e do Sul sempre foi”, avalia
Ciro.
Outra implicação seria o tucano mineiro convidá-lo
para vice, o que Ciro disse que não aceitará. “O
Aécio, que é muito meu amigo, vai me convidar
para vice. Vou dizer: meu irmão, eu não posso.
Sou candidato a presidente”, descartou. Ciro e Aécio,
que têm conversado frequentemente, vão se encontrar
mais uma vez no dia 4 de março, em Minas Gerais, nos
festejos do centenário de nascimento do ex-presidente
Tancredo Neves, avô do governador mineiro.
Ainda durante a entrevista, Ciro condenou duramente a aliança
do PT com o PMDB como forma de questionar a tese de eleições
plebiscitárias. “Se o grande debate seria a
disputa da turma do Lula contra a do Fernando Henrique, e
o PMDB está nas duas. Aí tem alguma coisa errada. É um
plebiscito falso”, criticou. Sobre a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata
petista, Ciro elogiou, reconheceu que ela é “uma
mulher de grande valor” e que votaria nela em outras
circunstâncias.
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Gazeta do Povo, 27
de fevereiro de 2010
Internacional
PIB dos EUA cresce 5,9% no 4.º trimestre
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no
quarto trimestre cresceu 5,9% (dado anualizado), acima dos
5,7% vistos na estimativa inicial, divulgada no último
dia 29. Este é o melhor desempenho trimestral desde
o período de julho a setembro de 2003, quando houve
expansão de 6,9%. Os dados foram divulgados pelo Departamento
do Comércio norte-americano.
No ano passado como um todo a economia americana recuou
2,4%. É o pior resultado desde 1946 – quando
a queda foi de 10,9% –, contra leve alta de 0,4% em
2008.
Previsões
Na última segunda-feira a Nabe (Associação
Nacional de Economistas Empresariais, na sigla em inglês)
divulgou pesquisa na qual mostrou que os economistas de empresas
dos EUA elevaram suas projeções para o crescimento
econômico do país neste ano, dizendo que a recuperação
está firmemente nos trilhos.
A associação previu uma expansão do
PIB de 3,1% em 2010, acima do prognóstico de 2,9%
na sondagem anterior, feita em novembro. Para 2011, a estimativa é de
um crescimento de 3,2%.
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FOLHA DE SÃO
PAULO, 26 de fevereiro de 2010 | Dinheiro
Desemprego tem a menor taxa para
janeiro
Índice de 7,2% registrado pelo
IBGE no mês passado é o menor para esse período
do ano na série histórica iniciada em 2002 | Apesar
de o período ser caracterizado pela dispensa dos temporários
de Natal, índice ficou abaixo dos 8,2% de janeiro de 2009
DENISE MENCHEN
DA SUCURSAL DO RIO
A taxa de desemprego nas
seis principais regiões metropolitanas do país ficou
em 7,2% em janeiro, o menor patamar já registrado nesse
mês desde o início da série histórica
do IBGE, em 2002.
O aumento de 0,4 ponto percentual em relação aos
6,8% verificados em dezembro também é o menor já
visto em uma passagem de ano -o período é caracterizado
pela demissão de parte dos temporários contratados
para o Natal.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
a dispensa desses trabalhadores foi menor neste ano devido à
retomada da economia. A indústria e o comércio foram
os que mais demitiram.
Responsável pela pesquisa, Cimar Azeredo, do IBGE, diz
que o resultado indica que o mercado de trabalho "deslanchou".
Em 2009, por causa da crise que afetou principalmente a indústria,
a taxa de desemprego fechou o ano em 8,1%, acima dos 7,9% de 2008.
Em janeiro deste ano, o desemprego já foi um ponto percentual
menor do que o de janeiro do ano passado, quando bateu 8,2%. O
aumento no número de trabalhadores com carteira assinada
chegou a 3,5% sobre janeiro de 2009 e a 0,7% sobre dezembro.
O comportamento histórico do índice, porém,
aponta para o crescimento do desemprego nos próximos meses
-nas cidades turísticas, os temporários só
costumam ser dispensados após a temporada de férias,
o que é um dos fatores de pressão sobre a taxa.
Desta vez, outro componente deverá contribuir para isso:
o fim do desalento provocado pela crise, que fez com que muitos
desistissem de procurar emprego nos últimos meses.
Na sua pesquisa, o IBGE registra como desempregada apenas a pessoa
que procura trabalho ativamente.
"Com perspectivas mais favoráveis no mercado de trabalho,
as pessoas voltam a buscar uma atividade e a população
economicamente ativa cresce. A gente esperava já ver isso
em janeiro, mas ainda não aconteceu. A expectativa é
que apareça nos próximos meses", diz o economista
Rafael Baccioti, da consultoria Tendências.
Em janeiro, a população economicamente ativa (soma
dos ocupados e desocupados) manteve-se praticamente estável
(-0,5%) em relação a dezembro, totalizando 23,3
milhões de pessoas.
O número de desocupados (1,7 milhão), mesmo com
aumento de 6% sobre dezembro, foi o menor já registrado
em um mês de janeiro em toda a série. Já o
de ocupados (21,6 milhões, queda de -1,0% em relação
a dezembro) foi o maior para o período. O nível
de ocupação chegou a 52,4% da população
em idade ativa, outro recorde para janeiro.
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AGÊNCIA DIAP,
26 de fevereiro de 2010
Artigos
Exame do mínimo
João Guilherme Vargas Netto*
A revista Exame, de 27
de janeiro, publicou uma grande matéria sobre o salário
mínimo demonstrando como a política de aumento acima
da inflação nos últimos anos o fez atingir
o maior patamar da história aumentando o consumo dos trabalhadores
e aposentados pobres.
Além do gráfico
que ilustra a evolução do salário mínimo
e indica que o valor de R$ 510 vigentes é o mais alto desde
1940, a reportagem indica quantas cestas básicas é
possível comprar com ele (0,97 em janeiro/2003 e 1,81 em
jan/2010, por exemplo).
Estes ganhos são
diretamente apropriados por 26 milhões de pessoas, entre
trabalhadores da ativa (8,7 milhões) e aposentados (17,2
milhões), segundo a revista.
Imediatamente após
a matéria há a coluna de J.R. Guzzo, diretor editorial
da revista, com o sugestivo título "a razão,
afinal, venceu".
O jornalista escreve,
com todas as letras, que "durante décadas ouvimos
dizer que os salários não poderiam aumentar sem
trazer o caos na economia. Mas eis que o valor do mínimo
bate recorde e a inflação só cai".
Mesmo comentando que um
mínimo de R$ 510 (US$ 300) é equivalente a 1/6 do
mínimo legal vigente nas principais economias da Europa,
Guzzo afirma que "o problema, enfim, está sendo resolvido.
Já é um feito a comemorar".
A única grande
falha da reportagem e da coluna é que se comemora o milagre,
mas se omite o santo.
A unidade das centrais
sindicais em torno do objetivo de aumentar o valor do mínimo
e a persistência com que perseguiram este objetivo (ano
passado, por exemplo, em fevereiro garantindo 12,05% de aumento
em plena histeria da crise) não são reconhecidas.
E mereciam ter sido, dadas
a qualidade da matéria e da coluna.
Os avanços do salário
mínimo têm garantido as maiores vitórias sindicais
dos trabalhadores brasileiros.
Alicerçados nas
iniciativas positivas e anticíclicas do Governo e principalmente
do presidente Lula, as centrais, assumindo o protagonismo da luta
pelo salário mínimo confirmam seu grande papel social
e uma concepção sindical generosa e não corporativa.
O salário mínimo
é o piso salarial nacional de todos aqueles trabalhadores
e aposentados que não participam ativamente da vida sindical,
através de sindicatos de categorias organizadas e fortes,
que têm pisos profissionais superiores ao mínimo.
Ao se orgulharem de seu
papel na luta pelo mínimo, o "feito a comemorar",
as centrais demonstram, na unidade, sua preocupação
e atuação sociais amplas.
É hora de o Supremo
Tribunal Federal reconhecer isto!
(*) Membro do corpo técnico
do Diap, é consultor de diversas entidades sindicais em
São Paulo
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de fevereiro de 2010 | Economia
Brasil não será uma
potência sem redução drástica da pobreza
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje (25) que
para o Brasil ser a quinta economia do mundo até 2030 precisa
resolver o problema histórico da desigualdade social.
"O Brasil não
será uma potência sem promover uma redução
drástica na pobreza. Apesar de 30 milhões de pessoas
deixarem a linha da pobreza, ainda temos uma das maiores disparidades
do mundo", afirmou o ministro (25), durante palestra na sede
da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino Superior (Andifes).
Em janeiro, a consultoria
Pricewaterhousecoopers divulgou um estudo mostrando que o Brasil,
em 2030, deverá ser a quinta economia mundial, após
a China, os Estados Unidos, a Índia e o Japão. De
acordo com o estudo, o desempenho brasileiro será melhor
do que o da Alemanha, o do Reino Unido e o da França.
Sobre o superávit
primário do setor público, divulgado hoje pelo Banco
Central, Paulo Bernardo disse que considerou bom o resultado,
mas que a meta do governo é outra.
"São bons
resultados, mas a nossa meta é fechar o ano com 3,3% [do
PIB] e é isto que vamos perseguir, afirmou. O superávit
primário acumulado em 12 meses, completados em janeiro
(anualizado), atingiu 2,32% do PIB.
O ministro informou
que o governo deve criar, em 30 dias, uma estrutura para cuidar
especificamente da área logística. Ele não
explicou se ela seria uma nova empresa, disse apenas ficará
responsável por fazer a supervisão dos projetos
do governo e que será ligada ao Ministério do Planejamento.
"O presidente Lula quer um reforço na área
de engenharia em projetos. Precisamos produzir e executar melhor
nossos projetos", destacou.
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VERMELHO, 26 de fevereiro
de 2010
Centrais sindicais combatem ação
do DEM no STF contra imposto
O Supremo Tribunal Federal adiou, nesta quarta-feira (24), o julgamento
da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4067
movida pelo DEM contra a destinação de imposto sindical
às centrais sindicais. A pedido do ministro Eros Grau,
o processo não foi à votação e segue
em análise. Em junho de 2009, o julgamento já havia
sido interrompido em razão de um pedido de vista do processo
formulado pelo próprio Eros Grau.
Na ação, o DEM questiona a constitucionalidade a
atribuição das centrais e a destinação
de 10% dos recursos arrecadados pela contribuição
sindical (ou imposto sindical) prevista no artigo 589 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), alterada pela lei 11.648/2008, que
reconhece as centrais. As centrais sindicais ouvidas pela Rede
Brasil Atual consideram a ação do partido uma tentativa
de criminalização dos movimentos sociais e de desmobilização
dos trabalhadores.
“Querem acabar com
a nossa raça e impedir a atuação do movimento
social”, dispara o presidente nacional da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos. A alusão
é a uma declaração de Jorge Bornhausen, atual
presidente de honra do DEM, em 2005, quando disse que esperava
“ficar livre dessa raça”, em referência
ao PT e a setores da sociedade ligados ao partido.
“É só
ver as várias atitudes tomadas pelos Democratas desde 2005
contra o MST, a CUT, a UNE”, insiste Artur. O presidente
da CUT ainda critica o DEM porque tinha apenas um governador (José
Roberto Arruda, no Distrito Federal) e um prefeito de capital
(Gilberto Kassab, em São Paulo), mas ambos “enfrentam
ações na Justiça”.
CTB
A Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB) classifica a ação
de ingerência. “Eles não têm legitimidade
para propor qualquer coisa ao movimento sindical. É uma
ingerência com o objetivo de criminalizar o movimento sindical
e inibir a tomada de posição dos movimentos sociais
que incomodam”, afirma Eduardo Navarro, secretário
de Imprensa e Comunicação da central sindical.
Para o presidente da União
Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, retroceder na regulamentação
das centrais pode implicar em grandes perdas para os trabalhadores.
Por isso, o sindicalista também critica o DEM. “(Eles)
não enxergam na sociedade as questões mais importantes
que nascem dos trabalhadores, as necessidades dos trabalhadores”,
condena.
João Carlos Gonçalves
(Juruna), secretário-geral da Força Sindical, defende
a manutenção dos recursos do imposto sindical às
centrais para dar respaldo à luta social dos trabalhadores.
“Os sindicatos, federações e confederações
trabalham as questões das categorias, enquanto as centrais
focam-se em questões sociais e ações que
interessam ao conjunto dos trabalhadores na saúde, educação,
políticas sociais... As grandes mobilizações
em defesa dos direitos sociais são encabeçadas pelas
centrais”, aponta.
Mérito
Para o presidente da CUT,
o relator da ADI, ministro Joaquim Barbosa, parte de um pressuposto
equivocado para se posicionar a respeito. Segundo Santos, não
deveria estar em análise o reconhecimento das centrais
sindicais na estrutura sindical, como relatou Barbosa. “Ninguém
está dizendo que as centrais sindicais foram reconhecidas
para substituir os sindicatos”, argumenta. “A base
de voto do ministro é uma base falsa. Quem negocia pautas
específicas das categorias são sindicatos, federações
e confederações e não as centrais.”
Durante a análise
em junho do ano passado, os ministros Joaquim Barbosa (relator),
Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski votaram pelo provimento parcial
da ADI, porém pela impossibilidade da destinação
de parcela da contribuição sindical às centrais.
Isso significa que os ministros aceitaram a argumentação
da Adin.
O ministro Marco Aurélio
abriu a divergência, votando pela improcedência, enquanto
a ministra Cármen Lúcia se manifestou pelo provimento
parcial — mas pelo cabimento da destinação
de parte da contribuição sindical às centrais.
Faltam votar os ministros Gilmar Mendes, presidente do STF, Ellen
Gracie, Carlos Britto, Eros Grau e Celso de Mello. O ministro
José Antonio Dias Toffoli se declarou impedido de votar,
pois se posicionou contrário à Adin quando era advogado-geral
da União.
Da Redação,
com informações da Rede Brasil Atual
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AGÊNCIA DIAP,
26 de fevereiro de 2010
Polêmica na redefinição
do número de deputados estaduais e federais
Em audiência pública realizada, nesta quarta-feira
(24), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deputados e senadores
representando diversos estados se manifestaram contra e a favor
à possibilidade de redefinição do número
de representantes na Câmara dos Deputados, nas assembleias
legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Essa possibilidade está
prevista na minuta de resolução relatada pelo ministro
Arnaldo Versiani e que deverá ser analisada pelo Plenário
da Corte na próxima terça-feira (2).
A audiência pública
também discutiu o voto em trânsito, que permite aos
eleitores brasileiros escolherem seu candidato a presidente da
República votando a partir de qualquer capital do país,
ainda que fora do seu domicílio eleitoral.
Essas duas novas regras
poderão valer para as eleições deste ano
e, por isso, estão sendo discutidas e aguardam aprovação
dos ministros do TSE até o próximo dia 5 de março.
Alteração
da minuta da TSE
Ao abrir a audiência pública, o ministro Versiani
explicou que a cada eleição a Justiça Eleitoral
publica uma resolução referente às cadeiras
que serão preenchidas no Poder Legislativo. Nos últimos
anos, no entanto, a mesma minuta foi republicada sem alterações.
A partir de um pedido
da Assembleia Legislativa do Amazonas no sentido de fazer a revisão
do número de deputados que cada estado tem direito, o TSE
decidiu fazer o novo cálculo já para as eleições
deste ano. Para isso, se baseou nos cálculos do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Censo populacional
de 2000 e também em atualização estatística
feita pelo órgão em 2009.
Parte dos deputados que
compareceram, se posicionaram contra a proposta de resolução
do TSE, alegando que, para a regra valer para as próximas
eleições, deveria ser aprovada no ano anterior,
ou seja, 2009.
Os
contrários
O deputado Beto Albuquerque (PSB/RS), por exemplo, se manifestou
contra a alteração, uma vez que seu estado perde
uma vaga na Câmara dos Deputados. Para ele, o TSE deveria
estabelecer a regra com base no Censo que será realizado
em 2010, e assim, a alteração teria validade somente
para as eleições de 2014.
Representantes de outros
estados que perdem vaga, como o Maranhão e Piauí,
sustentaram também que a mudança, se aplicada para
as eleições deste ano, vai causar demandas nos tribunais.
Os
favoráveis
Em defesa da proposta do Amazonas, a deputada federal Rebeca Garcia
(PP/AM) se manifestou a favor da minuta do TSE dizendo que a revisão
é necessária porque existem estados com população
menor que o Amazonas e que tem doze vagas de deputados federais,
enquanto seu estado tem apenas oito.
"Está claramente
havendo uma distorção nessa representatividade e
a população está perdendo com isso",
justificou. Para a deputada, não aplicar a regra para este
ano seria "esperar mais quatro anos com a população
sendo representada aquém do que é justo e correto".
As sugestões serão
consideradas pelo ministro Versiani que pretende levar na próxima
sessão plenária do TSE sua posição
sobre a minuta. Para o ministro, os argumentos trazidos na audiência
foram oportunos e serão considerados pelo Plenário
"tanto no seu aspecto positivo quanto no seu aspecto negativo".
Cerca de 100 pessoas
participaram da audiência, sendo que 21 parlamentares se
manifestaram contra e a favor da proposta. (Fonte: TSE)
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CONGRESSO EM FOCO,
26 de fevereiro de 2010
Câmara distribui comissões
entre os partidos
Rodolfo Torres
Líderes partidários
se reuniram com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP),
e definiram a distribuição das presidências
das 20 comissões permanentes da Casa. Seguindo o critério
da proporcionalidade partidária, PMDB, PT e DEM comandarão,
cada um, três comissões.
Já o PP, PSDB e
PSB terão direito, cada um, a duas comissões. Por
sua vez, PDT, PPS, PR, PSC e PTB ficarão, cada um, no controle
de uma comissão.
Até agora, apenas
o PSB, PDT e PPS definiram os indicados para as presidências
das comissões. São eles: Dr. Ubiali (PSB-SP) para
a Comissão de Desenvolvimento Econômico e Marcelo
Serafim (PSB-AM) para a Comissão da Amazônia; Humberto
Souto (PPS-MG) para a Comissão de Desenvolvimento Urbano;
e Vieira da Cunha (PDT-RS) para a Comissão de Seguridade
Social e Família.
Confira a distribuição
das comissões na Câmara
Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural – DEM
Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento
Regional – PSB
Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática
– PMDB
Constituição e Justiça e Cidadania –
PMDB
Defesa do Consumidor – DEM
Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio
– PSB
Desenvolvimento Urbano – PPS
Direitos Humanos e Minorias – PTB
Educação e Cultura - PT
Finanças e Tributação – PT
Fiscalização Financeira e Controle – PT
Legislação Participativa – PP
Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – DEM
Minas e Energia – PMDB
Relações Exteriores e Defesa Nacional – PSDB
Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado
– PSC
Seguridade Social e Família – PDT
Trabalho – PR
Turismo e Desporto – PSDB
Viação e Transportes – PP
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FOLHA DE SÃO
PAULO, 26 de fevereiro de 2010 | Brasil
PROCURADORIA
Suposto uso eleitoral do
PAC é investigado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério Público
Federal abriu inquérito civil público para investigar
se o presidente Lula e a ministra e pré-candidata petista
ao Planalto, Dilma Rousseff, usaram inaugurações
e eventos do PAC para promoção pessoal.
O inquérito foi motivado por representação
do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Caso a Procuradoria entenda
que houve uso de dinheiro público para a propaganda pessoal,
o inquérito será transformado em ação
à Justiça, que, em tese, pode tornar Dilma inelegível.
A Presidência e da Casa Civil não comentaram o caso.
Ontem à noite, um pedido de vista suspendeu no TSE a votação
de uma ação protocolada por PSDB, DEM e PPS que
acusa Lula e Dilma de fazer propaganda antecipada ao discursarem
numa inauguração em Minas Gerais. Votaram pelo arquivamento
3 dos 7 ministros.
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AGÊNCIA CÂMARA,
26 de fevereiro de 2010
Idosos poderão receber 5%
das moradias do Minha Casa, Minha Vida
Rodolfo Stuckert
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 6743/10, do deputado
Silas Brasileiro (PMDB-MG), que destina a pessoas idosas 5% das
moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.
O projeto acrescenta a medida ao Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03),
que já reserva para os idosos 3% das unidades residenciais
dos programas habitacionais públicos ou subsidiados com
recursos públicos.
Silas Brasileiro diz que
esse percentual deve ser maior no caso do Minha Casa, Minha Vida,
por ele ser atualmente o principal programa do governo direcionado
à habitação popular.
"A população
com idade mais avançada costuma ser afastada dos financiamentos
habitacionais tradicionais. Se os agentes financeiros estão
mais preocupados com a garantia de pagamento das prestações
da casa própria ao longo dos anos, o governo deve fazer
a sua parte e assegurar subsídio e financiamento em condições
especiais para os idosos", afirma o deputado.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivoRito de tramitação
pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário,
apenas pelas comissões designadas para analisá-lo.
O projeto perderá esse caráter em duas situações:
- se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição
por uma, aprovação por outra); - se, depois de aprovado
pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado
por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará
ser votado pelo Plenário. e será analisado pelas
comissões de Desenvolvimento Urbano; de Seguridade Social
e Família; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
Reportagem - Noéli
Nobre
Edição - Pierre Triboli
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AGÊNCIA DIAP,
26 de fevereiro de 2010
Mudança no fator previdenciário:
este é o momento*
Alternativa razoável seria a aprovação
da flexibilização do fator, nos termos do substitutivo
do deputado Pepe Vargas (PT/RS), ainda sob exame da Comissão
de Finanças e Tributação da Câmara
Antônio Augusto de Queiroz**
A tese de extinção
do fator previdenciário, defendida por entidades sindicais,
é a mais justa e correta, porém não há
ambiente no atual Governo nem tampouco haverá nos futuros,
por razões objetivas e subjetivas.
Umas das razões
objetivas é que as receitas da seguridade, com a perda
da CPMF e as renúncias fiscais durante a crise, sofreram
grande redução, e aquela ampla folga que existia,
que assegurava superávits colossais, vem se reduzindo.
Por exemplo, se fossem
incluídas na conta da seguridade as despesas com aposentadorias
e pensões dos servidores públicos em 2009, segundo
dados da Secretaria do Tesouro Nacional, ela já teria sido
deficitária.
Outra razão, esta
de natureza política e subjetiva, é que há
vontade política do atual governo em amenizar as perdas
do fator e não existe resistência intransponível
da oposição, conjuntura que certamente não
se repetirá nos próximos anos.
E, por último, há fortes indícios de que
a extinção pura e simples do fator, o que seria
mais justo, precipitaria a introdução da idade mínima,
um retrocesso maior do que o próprio fator previdenciário.
Desse modo, uma alternativa
razoável seria a aprovação da flexibilização
do fator, nos termos do substitutivo do deputado Pepe Vargas (PT/RS),
ainda sob exame da Comissão de Finanças e Tributação
da Câmara.
O substitutivo mantém
o fator previdenciário (que reduz o valor do benefício)
para quem desejar aposentar-se, sem exigência de idade mínima,
assim que completar o tempo, mas institui como alternativa as
fórmulas 95 e 85 (soma da idade com o tempo de contribuição),
respectivamente para homens e mulheres, que garantem uma aposentadoria
sem o redutor.
Além disto, oferece
outras vantagens, que favorecem o segurado, especialmente aquele
que começou a trabalhar mais cedo, conforme segue:
1) congela a expectativa
de sobrevida quando o segurado atingir 35 anos de contribuição,
se homem, ou 30, se mulher, permitindo uma redução
da incidência do fator, caso resolva aposentar-se antes
de alcançar as exigências das fórmulas 95
e 85;
2) inclui na contagem
do tempo de serviço para efeito de aposentadoria o tempo
de aviso prévio e do seguro desemprego;
3) garante o emprego nos
12 meses anteriores à aposentadoria;
4) exclui da aplicação
do fator previdenciário o segurado deficiente;
5) considera no cálculo
do benefício 70% das maiores contribuições
a partir de 1994, em lugar de 80%, como é atualmente; e
6) amplia a transparência
da seguridade social ao explicitar as fontes de receita do regime
geral de previdência social, com a divulgação
do montante arrecadado sobre a folha, do empregador e do empregado,
das contribuições sociais, bem como das renúncias
e isenções fiscais, além dos repasses ou
aportados da União para suprir eventuais insuficiências
de recursos.
Entretanto, se por razões
políticas, não for possível criar as condições
para um acordo em torno do referido substitutivo ainda durante
o Governo Lula, dificilmente se terá outra oportunidade,
mesmo num eventual Governo Dilma.
(**) Jornalista, analista
político e diretor de Documentação do Diap
(*) Editorial do Boletim
do DIAP, fevereiro de 2010, Ano XVII, Nº 235
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AGÊNCIA CÂMARA,
26 de fevereiro de 2010
Projeto torna obrigatório
o desconto da contribuição assistencial
Tramita na Câmara
o Projeto de Lei 6708/09, do Senado, que torna compulsória
e universal o desconto da contribuição assistencial
em folha de pagamento.
Essa contribuição
é um pagamento efetuado pelo trabalhador de uma categoria
profissional ou econômica ao respectivo sindicato da categoria,
em virtude de participação deste nas negociações
coletivas, hoje em caráter espontâneo e não
obrigatório.
A sua previsão
de pagamento é estabelecida através de convenções
coletivas, acordos coletivos ou em sentenças normativas,
para o custeio de atividades assistenciais dos sindicatos, das
colônias de férias, ambulatórios, hospitais
e semelhantes.
Entidades
sindicais
O projeto cria um capítulo na Consolidação
das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5452/43). De acordo com o autor
da proposta, senador Paulo Paim (PT-RS), inúmeras entidades
sindicais pediram ao Congresso que votasse um projeto que tornasse
obrigatório o desconto e punisse quem evitasse o cumprimento
da norma. Paim afirma que o desconto é fundamental para
a manutenção dos sindicatos.
O Normativo 119 do Tribunal
Superior do Trabalho (TST) considera inconstitucional a cobrança
da contribuição de trabalhadores não sindicalizados.
De acordo com o senador, porém, isso não é
justo porque todos os trabalhadores se beneficiam dos serviços
prestados pelo sindicado. Hoje, portanto, o desconto pode ser
rejeitado pelo trabalhador não-sindicalizado. Muitas empresas,
acrescenta o senador, também não fazem o recolhimento.
Pela proposta, o percentual
de desconto deve ser decidido em assembléia da categoria
e não poderá ultrapassar 1% da remuneração
bruta anual do trabalhador. Caso a empresa fraude a arrecadação,
poderá ser impedida de participar de licitações
públicas e de receber empréstimos ou financiamentos
de instituições públicas.
Tramitação
A proposta, sujeita a votação em Plenário,
tramita em regime de prioridadeDispensa das exigências regimentais
para que determinada proposição seja incluída
na Ordem do Dia da sessão seguinte, logo após as
que tramitam em regime de urgência e será analisada
pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Reportagem - Vania Alves
Edição - Newton Araújo
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
26/02/2010
Autorização
do Ministério do Trabalho para reduzir intervalo não
tem efeito em jornada superior à legal
Ao rejeitar (não conhecer) recurso da Chocolates Garoto,
a Seção I Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho manteve o entendimento
da Quinta Turma de que a autorização do Ministério
do Trabalho para redução do intervalo de uma hora
de descanso diário perde o efeito quando os empregados
são submetidos à jornada superior ao previsto
em lei.
A empresa pretendia reverter
sentença do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região
(ES) que a condenou a pagar horas extras devido à redução
do intervalo de seus empregados. Em sua defesa, a Garoto alegou
que tinha autorização do Ministério do Trabalho
para isso, o que não foi aceito pelos ministros da Quinta
Turma.
O artigo 71 da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) veta a redução desse
intervalo por autorização do Ministério quando
o empregado tiver “jornada superior ao que está previsto
em lei, pois essa situação gera maior desgaste físico,
colocando em risco a sua saúde”, como ressaltou a
decisão da Quinta Turma.
A Turma também
não acolheu o argumento de que a redução
de intervalo constava no acordo coletivo com o sindicato da categoria
dos empregados. A Orientação Jurisprudencial nº
342-SDI-2 torna inválida a redução de intervalo
por norma coletiva. Isso porque o descanso constitui “medida
de higiene, saúde e segurança do trabalho”.
No final, o ministro Horácio
Senna Pires, relator do processo na SDI-1, não conheceu
o recurso da Garoto pelo fato de a empresa não ter trazido
cópias de julgamentos anteriores do TST (conhecidas como
arestos) que se mostrassem contrários à decisão
da Quinta Turma. (E-RR-173200-03.2006.5.17.014)
(Augusto Fontenele)
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26/02/2010
Culpa presumida não afasta
responsabilidade em acidente de trabalho
A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a condenação
do Tribunal Regional da 12ª Região à Construtora
Fetz Ltda., por responsabilidade em um acidente de trabalho ocorrido
no ano de 2002, afastando o argumento apresentado pela empresa
de que inexistia a responsabilidade, pois a culpa teria sido exclusiva
do ex-empregado.
Um ex-empregado da construtora
sofreu um acidente de trabalho em 2002, que resultou na amputação
parcial de três dedos da mão direita, causando a
redução de sua capacidade de trabalho. Ele executava
a manutenção e lubrificação no interior
de uma “bomba de mandar concreto”com a máquina
em ponto morto e ainda mantinha as mãos dentro do equipamento,
quando um outro empregado da empresa, sem a devida atenção,
acionou a máquina causando o acidente e a consequente lesão.
O Tribunal Regional do
Trabalho da 12ª Região entendeu estarem presentes
os requisitos da responsabilidade civil com base na Súmula
341 do STF na qual “é presumida a culpa do patrão
ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto”,
condenando a empresa “ao pagamento de indenizações
por danos morais, estéticos e materiais, despesas de tratamento
e pensão mensal”. Confirmou, portanto, a sentença
da Vara do Trabalho.
A empresa recorreu dessa
decisão ao TST alegando que “o acidente de trabalho
efetivamente ocorreu, mas por culpa exclusiva do recorrido”,
afirmando ainda inexistir qualquer motivo para que o ex-empregado
realizasse a manutenção e lubrificação
da máquina com ela em ponto morto quando o correto seria
desligá-la totalmente, e que o fato do preposto (empregado
da empresa) ter acionado a alavanca de funcionamento e causado
o acidente, seria causa secundária do ocorrido, pedindo
portanto a exclusão da responsabilidade pelo acidente.
Apontou violação ao artigo 159 do Código
Civil de 1916.
A relatora do recurso
de revista, ministra Rosa Maria Weber, ao analisar o caso na Terceira
Turma, observou que o artigo 159 do Código Civil de 1916,
vigente à época do acidente , “não
estabelece a exclusão da culpa da reclamada na hipótese
de suposta causa primária do acidente ser imputada unicamente
à vítima do infortúnio”, entendendo,
portanto, que o empregador é responsável pela reparação
civil de danos causados por seus prepostos no exercício
do trabalho, não afastando a responsabilidade da empresa.
(RR-138200-93.2005.5.12.0020)
(Dirceu Arcoverde)
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FOLHA DE LONDRINA,
25 de fevereiro de 2010 | Economia
País oferece mais vagas de
trabalho
Segundo pesquisa do Dieese, crescimento
da indústria derruba índice de desemprego
São Paulo - A taxa de desemprego no país ficou em
12,6% no mês passado, registrando o menor índice
para janeiro desde 1998, início da série histórica,
segundo pesquisa realizada pela Fundação Seade e
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) em seis regiões metropolitanas
e divulgada ontem.
Em janeiro de 2009, a
taxa havia sido de 13,1%. Já em dezembro, 12,5%. O índice
em São Paulo ficou estável, passando de 11,9% em
dezembro para 11,8% em janeiro. Em Belo Horizonte, o desemprego
caiu de 9,8% para 9,6%. Em Recife e Porto Alegre, as taxas subiram
de 17,5% para 17,9% e de 9,4% para 9,7%, respectivamente. No Distrito
Federal, passou de 14,5% para 14,7% e, em Salvador, de 17,0% para
17,7%.
O contingente de desempregados
nas seis regiões analisadas foi estimado em 2,528 milhões
de pessoas no mês passado, 4 mil a menos do que em dezembro.
Esse número é resultante do fechamento de 139 mil
vagas e da saída de 143 mil pessoas na força de
trabalho.
Nesse mesmo comparativo,
o nível de ocupação, na média nacional,
caiu 0,8%. O total de ocupados nas seis regiões pesquisadas
foi estimado em 17,535 milhões de pessoas, para uma População
Economicamente Ativa (PEA) de 20,063 milhões.
Na divisão por
atividade, o nível de ocupação nas seis regiões
metropolitanas caiu em todos os setores no comparativo com dezembro:
construção civil (-36 mil), serviços (-64
mil), comércio (-42 mil) e outros setores (-17 mil). No
sentido contrário, a indústria teve geração
de 20 mil postos nesse período.
Rendimento
Em dezembro, o rendimento
médio real dos ocupados no país subiu 1,2%, equivalendo
a R$ 1.251. Já o dos assalariados ficou em R$ 1.318 -alta
de 1,1%.
O rendimento médio
dos ocupados subiu 2,3% em São Paulo, para R$ 1.288, e
também em Porto Alegre (1,1%, para R$ 1.244). Em Belo Horizonte,
houve queda de 0,3%, para R$ 1.265 e, em Salvador, a redução
foi de 0,4%, para R$ 1.004. Já em Recife e no Distrito
Federal, o rendimento médio caiu em 0,6%, para R$ 795,
e em 0,6%, para R$ 1.830.
Giuliana Vallone
Folhapress
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Congresso em Foco, 25
de fevereiro de 2010
Jornada de 40 horas: é
preciso ampliar a pressão
“Quem pode ser contra uma proposta
de redução da jornada, sem redução
de salário, cujo impacto na sociedade é a abertura
de novos postos de trabalho?”
Marcos Verlaine*
Na segunda semana de retomada
de trabalhos do Congresso, o movimento sindical compareceu ao
Parlamento para reivindicar a votação da proposta
que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
A pauta foi definida e
a proposta não entrou na agenda de votações
do plenário da Câmara.
O presidente da Casa,
deputado Michel Temer (PMDB/SP), atuando como um magistrado, chamou
empresários e trabalhadores para apresentar o que batizou
de proposta mediada – reduzir a jornada para 42 horas: uma
hora em 2011, e outra em 2012.
Os empresários
não gostaram da proposta, são contra, não
querem redução de jeito nenhum. Os trabalhadores
ficaram desconfiados.
Os donos do capital até
topam reduzir a jornada, mas querem "compensações
fiscais", leia-se redução de impostos, e, também,
que não se inclua na proposta o aumento da hora extra normal
para 75%.
Há um impasse objetivo
que precisa ser enfrentado. Não se trata apenas de ser
uma matéria complexa, como se diz no jargão parlamentar.
O impasse reside no fato
de os deputados estarem no dilema de ter de enfrentar "os
que votam e os que financiam a campanha eleitoral", como
disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP), presidente da
Força Sindical, na segunda comissão geral que debateu
o tema em 2009, na Câmara.
É isso, concretamente,
que está "pegando".
Na Câmara, os que
são contra a proposta se escudam na aparente apatia popular
para não terem que se expor diante do eleitorado neste
momento. Esperam não ter que ser julgados, diante da grande
simpatia que a proposta de reduzir a jornada causa na sociedade.
Pergunte a qualquer trabalhador
sua opinião sobre a redução da jornada, sem
redução de salário, e o impacto na sociedade,
que é a abertura de novos postos de trabalho.
Quem pode ser contra uma
proposta dessas?
Então é
preciso perguntar isso aos deputados e mostrar ao povo a opinião
de cada um dos 513 representantes do povo.
Dirão alguns: isto
já foi feito; é verdade, mas sem a repercussão
e visibilidade que o debate precisa e merece.
Diante da quase 'indiferença'
da mídia em relação ao tema, é preciso
ampliar a pressão, pois parece que as formas mais convencionais
de mobilização sobre os deputados não estão
surtindo efeito.
Assim, é preciso
organizar manifestações mais criativas que chamem
atenção da mídia, da sociedade e dos deputados
para o assunto.
O movimento sindical está
organizado em quase todos os municípios do país.
É imprescindível que os sindicatos atuem aí,
principalmente, pois os deputados são eleitos nas cidades.
Os deputados são
eleitos com votos de cinco, dez cidades, no máximo. Assim,
é preciso procurar o padre, o vereador, o sindicato, a
rádio local, e cobrar dos deputados, em suas bases, o compromisso
com a votação da matéria.
O que acham de apresentar
aos parlamentares – deputados e senadores – e também
àqueles que irão disputar uma cadeira no Congresso
uma enquete que, entre outras perguntas, questione sobre a redução
da jornada de trabalho?
O tema exige atitude do
movimento sindical. Com a proximidade das eleições
de 3 de outubro, o tempo conspira contra os trabalhadores, já
que o Congresso só funcionará pra valer no primeiro
semestre.
Então, mãos
à obra.
* Analista político
e assessor parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar (Diap)
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de fevereiro de 2010 | Economia
Serra lança banco de dados
sobre salários no Brasil
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lançou
hoje uma página na internet para os trabalhadores consultarem
salários pagos em todo o País. O Salariômetro
(www.salariometro.sp.gov.br)
reúne informações do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho.
Serra classificou a ideia
como um "ovo de Colombo" e lembrou que, mesmo os dados
federais existindo desde 1965, ninguém tomou a iniciativa.
"Não sei por que não fizeram antes. Nós
fizemos", disse o secretário estadual do Trabalho,
Guilherme Afif Domingos. "O Caged é muito mais rico
do que emprego e desemprego. Estamos garimpando essa riqueza.
O dado só não vale nada."
Questionado sobre a razão
de estender para todo o País uma ferramenta criada e custeada
pelo governo de São Paulo, Serra justificou: "Porque
tem os dados. Não custa nada." O desenvolvimento do
site custou R$ 200 mil e levou três meses. Segundo Afif,
o custo de manutenção da ferramenta está
incluso em contrato com a Fundação Instituto de
Pesquisas Econômicas (Fipe) para projetos da pasta.
Serra espera que as informações
ajudem a melhorar as condições de trabalho. "Com
isso, a gente desenvolve o mercado de trabalho em São Paulo
e no Brasil", disse o governador. "É um ganho
que se dá aos trabalhadores, aos sindicatos e aos empresários."
Para Serra, os trabalhadores poderão reivindicar remunerações
maiores ou mudarem de cidade em busca de rendimentos mais altos.
O Salariômetro
permite a busca por ocupação, Estado, faixa etária,
gênero, cor e escolaridade. No Estado de São Paulo,
as informações são detalhadas por município.
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Gazeta do Povo,
25 de fevereiro de 2010
Dinheiro público
Paraná está ameaçado
de perder R$ 442 mi de repasses federais
STF determinou que o Congresso aprove,
até 2012, novos critérios para a distribuição
dos recursos do Fundo de Participação dos Estados
O Paraná está
ameaçado de perder, a partir de 2013, 42,3% dos repasses
a que têm direito atualmente do Fundo de Participação
dos Estados (FPE) – o equivalente a R$ 442 milhões
anuais, levando em conta os valores recebidos em 2009. Na divisão
atual do bolo do FPE, hoje o Paraná fica com 2,88% dos
recursos. Passaria a ter apenas 1,66%.
A perda dos recursos
pode ocorrer porque o Congresso Nacional terá de aprovar,
até 31 de dezembro de 2012, uma lei para estabelecer
novas regras do FPE. O prazo foi determinado ontem pelo Supremo
Tribunal Federal (STF), que decidiu que a divisão atual
dos recursos do fundo entre as unidades federativas é
inconstitucional. Enquanto isso, porém, as atuais regras
continuam em vigência.
Segundo projeções
feitas pelo pesquisador Sérgio Gobetti, do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), há dois
cenários possíveis para o Paraná em uma
nova divisão do bolo do FPE, tudo dependendo das regras
que venham a passar no Congresso. Um deles seria prejudicial
ao estado (a perda dos R$ 442 milhões). Outro cenário
seria benéfico, com um aumento de 30% dos repasses anuais
(do atual R$ 1 bilhão para R$ 1,3 bilhão). Mas,
diante do jogo de forças dentro do Congresso e da pouca
influência dos paranaenses no Parlamento, o risco que
o Paraná saia perdendo é grande.
Regras congeladas
A Lei Federal n.º
62, que define as atuais normas do FPE, estabelece como regra
geral para a divisão dos recursos do fundo a proporcionalidade
entre população e renda per capita de cada estado.
Mas os dados usados para o cálculo do bolo do FPE ficaram
congelados desde a promulgação da lei, em 1989.
“Não há nada que justifique manter congelado
um índice por tanto tempo. É preciso fazer a modificação”,
afirma Sérgio Gobetti, do Ipea.
No entendimento do ministro-relator
do processo, Gilmar Mendes, era preciso, portanto, promover
revisões periódicas dos coeficientes que determinam
a partilha. É aí que o Paraná sairia perdendo
na divisão do novo bolo, diante das mudanças populacionais
e de renda desde então.
Além disso, a
legislação prevê que as unidades da federação
das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm
direito a 85% do total do fundo. Os 15% restante são
distribuídos entre os estados do Sul e Sudeste. O objetivo
era promover a diminuição das desigualdades entre
os estados. Os porcentuais que a lei definiu, porém,
só valeriam até 1991. A partir de 1992, novos
critérios teriam de ser definidos por uma legislação
específica com base no censo populacional de 1990 –
lei que nunca foi aprovada pelo Congresso. Isso também
foi considerado irregular pelo STF.
Em tese, o Congresso
poderá eliminar, a partir de 2013, o benefício
extra que é dado às regiões Norte, Nordeste
e Centro-Oeste. Esse seria o cenário que faria com que
o Paraná ganhasse mais do que hoje. Mas o fim da regra
dos 85% é politicamente complicado de ser aprovada em
virtude da força política dos parlamentares dessas
regiões.
De acordo com projeções
feitas pelo pesquisador Sérgio Gobetti, do Ipea, se a
cláusula dos 85% cair, os estados do Sul e do Sudeste,
junto com Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, seriam os mais
beneficiados.
Mas, para garantir esse
aumento, seria preciso derrotar as bancadas das demais regiões
do país – que costumam trabalhar unidas quando
se trata de garantir recursos federais. Maranhão, Pernambuco,
Ceará e Bahia seriam os maiores prejudicados se a regra
dos 85% cair. Além disso, mesmo que ela seja mantida,
São Paulo seria um dos estados que aumentaria o índice
de recebimento de recursos do FPE – o que poderia levar
a bancada paulista a apoiar estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste,
tornando inviável uma mudança que beneficie o
Paraná.
Desprestígio
A possibilidade de o
Paraná perder recursos do FPE é mais um revés
na briga por recursos federais. O estado costuma ser preterido
na distribuição do orçamento da União.
Do total dos recursos de custeio destinados pelo governo federal
aos estados, o Paraná tem previsão de receber
apenas 3,8% – apesar de representar 5,6% da população
nacional e 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Os repasses federais
viraram motivo de briga política entre o governador Roberto
Requião (PMDB) e o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo. O ministro disse que outros estados ganham mais
recursos porque há mais empenho do governo estadual.
Requião alegou que tem boas relações com
o Planalto e iniciou uma série de ataques a Paulo Bernardo.
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UOL, 25 de fevereiro
de 2010 | Política
Texto final do projeto Ficha Limpa
será entregue até 17 de março, diz relator
Edemilson Paraná
Do UOL Notícias
Em BrasíliaO deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ),
relator do projeto Ficha Limpa, disse nesta quarta-feira (24)
que o texto final da matéria será entregue ao presidente
da Câmara dos Deputados, Michel Temer, até o dia
17 de março.
Após receber o
projeto, Temer deverá convocar reunião com os líderes
partidários para definir quando a matéria será
apreciada no plenário. A expectativa é de que o
texto seja votado na Câmara até o fim do mesmo mês.
O cronograma das atividades
relacionadas ao projeto foi apresentado hoje pelo relator ao grupo
parlamentar formado para debater o assunto. De acordo com a programação,
os deputados terão até o próximo dia 3 para
apresentar propostas de emenda. No dia 10, a versão final
do texto será debatida pelo grupo e será entregue
à Presidência da Câmara sete dias depois.
O grupo de trabalho, formado
por 18 deputados indicados pelos blocos partidários, aprovou
ainda requerimento para realização de audiência
pública com os ministros Carlos Ayres de Britto, do TSE
(Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes, presidente do STF(Supremo
Tribunal Federal) e o procurador geral da república, Roberto
Gurgel. A audiência está marcada para o próximo
dia 2.
Aplicação
em outubro
Em audiência pública ontem, com a presença
de deputados e representantes do movimento Ficha Limpa, o presidente
da Associação Brasileira de Magistrados, Procuradores
e Promotores Eleitorais (Abramppe), Marlon Jacinto Reis, propôs
que o texto final da proposta deixe claro que as mudanças
já valerão nas eleições deste ano.
A ideia também
foi defendida pelo líder dos Democratas, deputado Paulo
Bornhausen (SC), e pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB), Ophir Cavalcante.
Para o relator, há
grandes chances da nova lei entrar em vigor já este ano.
“Estamos otimistas e trabalhando para isso. O projeto será
aprovado até lá”, disse o deputado.
Polêmica
O projeto de iniciativa popular Ficha Limpa, com mais de 1,3 milhão
de assinaturas, foi entregue em setembro de 2009 ao presidente
da Câmara. Ele foi organizado pelo Movimento de Combate
à Corrupção Eleitoral (MCCE) –composto
por 43 entidades da sociedade civil.
O projeto original barra
o registro de candidatos condenados em primeira instância
por crimes graves ou contra a administração pública.
Também prevê que quem tem denúncia do Ministério
Público aceita em um tribunal não pode concorrer
nas eleições.
Vários deputados
defendem que sejam inelegíveis apenas os candidatos condenados
em segunda instância, ou em instância colegiada, com
a presença de mais de um juiz. Entidades como a OAB aprovam
a alteração. “Somos seres humanos e, como
tais, somos falíveis. O juiz também é um
ser humano. Para isso é que existem os órgãos
colegiados, onde muitas cabeças vão pensar juntas
sobre aquela decisão”, disse o presidente nacional
da entidade, Ophir Cavalcante. A alteração deste
ponto é tida como quase certa pelos deputados.
As entidades se articulam
para que os deputados mantenham o texto original, mas já
aceitam algumas mudanças. “Queremos preservar o máximo
possível do projeto original, mas estamos em uma posição
de diálogo e construção para que tenhamos
os melhores resultados”, disse Daniel Seidel, um dos representantes
do Movimento Ficha Limpa.
Outro ponto de tensão
é a tipificação dos crimes. O líder
do PSOL, deputado Ivan Valente, defende que sejam delimitados
exatamente quais crimes geram inelegibilidade. Segundo ele, isso
evitaria que integrantes de movimentos sociais, que participam
de protestos políticos, como invasões de terras
e greves, sejam penalizados com a nova lei. “Somos totalmente
favoráveis ao projeto. Queremos apenas garantir que não
haja injustiças”, disse Valente.
Os integrantes do
Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral
discordaram da necessidade de mudar o texto. “Se o preço
for esse, é preferível aprovar o Ficha Limpa e dividir
o movimento social: os que ocupam órgãos públicos
não se candidatam”, disse o representante da Comissão
Brasileira Justiça e Paz, Marcello Lavenère Machado.
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BEM PARANÁ,
25 de fevereiro de 2010 | Política
Denúncia
Atraso de salários e obras
paradas na Cohapar
Com salários atrasados há
duas semanas, operários contratados para a construção
de 153 casas populares em Cafelândia cruzaram os braços
Da Redação
O líder da bancada de oposição na Assembleia
Legislativa, deputado estadual Élio Rusch (DEM), cobrou
ontem explicações do governo Requião sobre
atrasos nos salários de pedreiros e no repasse de material
de construção, pela Companhia de Habitação
do Paraná (Cohapar), para obras no interior. De acordo
com denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de Cascavel (Sintrivel), os operários contratados
para a construção de 153 casas populares em Cafelândia
cruzaram os braços na última sexta-feira. Eles estariam
com os salários atrasados há duas semanas. Antes,
os operários recebiam em cheques para compensação
no dia 26 de cada mês, mas o pagamento estava disponível
apenas no dia 12 do mês seguinte. As obras do Residencial
Cafelândia I iniciaram há três anos, com previsão
de entrega em um ano e meio, e, segundo o Sintrivel, há
dois meses o Estado deixou de repassar materiais para o acabamento.
As denúncias de
atraso nos salários dos operários se estendem a
obras da Cohapar em outros municípios: Assis Chateaubriand,
Braganey, Iguatu, Ibema, Maripá e Vera Cruz do Oeste. “Parceria
de um lado só não existe. O município cumpre
a parte dele, que é doar o terreno e arcar com a infraestrutura.
E o governo do Estado, como de costume, promete e não cumpre
a parte que lhe cabe. Anuncia o lançamento, assina contrato,
faz a festa, mas não entrega a obra e ainda deixa os trabalhadores
na mão”, disse Rusch.
O deputado destacou que
as obras são financiadas pelo Fundo de Garantia por Tempo
de Serviço (FGTS) e que a Cohapar tem contratado profissionais
autônomos. “A Cohapar se beneficia dos recursos do
FGTS, mas ela própria não recolhe o FGTS dos funcionários
das obras porque eles trabalham como autônomos. É
contraditório empregar esses profissionais sem as garantias
do registro em carteira”, relatou.
Rusch lembrou que em 2002,
durante campanha para o governo do Paraná, o então
candidato Roberto Requião prometeu construir 200 mil casas
em quatro anos. “Mais de sete anos de mandato se passaram
e pouco mais de 30 mil moradias foram entregues. Muitos projetos
não saíram do papel e aqueles que estavam em execução
agora estão com as obras paradas devido à falta
de pagamento”.
A bancada da oposição
apresentou um pedido de informações à Cohapar
sobre esses atrasos, tanto das obras quanto dos salários
dos trabalhadores. A votação do requerimento foi
adiada para segunda-feira, por manobra do líder do governo
Requião na Casa, deputado Luiz Cláudio Romanelli
(PMDB).
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/02/2010
Papel timbrado de sindicato comprovou
assistência sindical
Uma procuração
em papel timbrado do sindicato de classe de um empregado do Sistema
Norte de Rádio e Televisão, do Espírito Santo,
possibilitou à Seção I Especializada em Dissídios
Individuais do Tribunal Superior do Trabalho considerar que ele
estava sendo assistido pelo sindicato, motivo pelo qual rejeitou
recurso da empresa sustentando que faltava credenciamento formal
do advogado da instituição.
A empresa insistiu que
aquela procuração não servia legalmente para
atestar a assistência ao trabalhador. Mas contrariamente
às suas expectativas, o relator na SDI-1, ministro Lelio
Bentes Corrêa, entendeu que se trata de matéria interpretativa,
uma vez que o ordenamento jurídico não disciplina
a forma pela qual se deva comprovar a referida assistência.
É o que se depreende do disposto na Lei 5.584/70, que apenas
“arrola os requisitos necessários ao deferimento
dos honorários advocatícios na Justiça do
Trabalho”, afirmou.
O fato é que o
17º Tribunal Regional chegou à conclusão de
que todos os requisitos necessários à concessão
dos honorários advocatícios ao sindicato –
condição de hipossuficiência econômica
e assistência sindical – estavam preenchidos, informou
o relator. Esclareceu ainda que a instância de provas declarou
que o timbre da entidade sindical estampada na petição
inicial gera presunção relativa da assistência
sindical e que a empresa deveria mas não conseguiu demonstrar
que o empregado não estava assistido pelo sindicato.
A SDI-1 decidiu por maioria
de votos. O voto divergente foi do ministro João Batista
Brito Pereira. (RR-22600-87.2001.5.17.0161 – Fase atual:
E)
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Gazeta do Povo, 24
de fevereiro de 2010
Piso regional
Assembleia marca audiências
sobre o mínimo para março
O projeto do governo do estado que reajusta em até 21,5%
o salário mínimo regional no Paraná só
será votado depois da realização de quatro
audiências públicas: em Curitiba, Foz do Iguaçu,
Londrina e Maringá. Os debates ainda não têm
data marcada, mas devem ser realizados na primeira quinzena de
março. Além do aumento do piso, também serão
discutidas outras duas propostas do governador Roberto Requião
(PMDB), obrigando reajustes anuais no mês de maio e proibindo
que as empresas terceirizadas que prestam serviços ao estado
paguem salário menor que o mínimo regional.
A decisão de adiar
a votação da mensagem, que deveria ser apreciada
ontem na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ), foi do líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli
(PMDB), relator do projeto.
Além dos protestos
da classe empresarial, que reclama do aumento acima da inflação
e das dificuldades que teria para se adequar à nova lei,
o governo começou a enfrentar resistência na própria
Assembleia Legislativa.
Romanelli disse que o
governo não quer “fugir do debate” e que as
discussões com empresários e sindicatos de trabalhadores
poderão “desmistificar” informações
de que haveria risco de demissões.
O aumento para as empregadas
domésticas, segundo ele, é o ponto que levanta maior
divergência. A categoria terá um reajuste de 11,9%,
passando de R$ 615,10 para R$ 688,50.
A presidente do Sindicato
dos Trabalhadores Estaduais em Saúde (SindSaúde),
Elaine Rodella, prevê que se o novo piso entrar em vigor
categorias do quadro próprio do Executivo vão receber
menos que o salário pago pela iniciativa privada. “Hoje,
o salário inicial de servidores públicos de 10 secretarias
de estado é R$ 690,00. Com o reajuste, vão ganhar
menos que o piso”, calcula.
Os sindicatos reivindicam
que o mesmo o mesmo porcentual definido por Requião
para a iniciativa privada seja aplicado ao salário do funcionalismo.
No caso de empresas terceirizadas
que prestam serviços ao governo, Elaine Rodella diz que
boa parte dos trabalhadores recebe em torno de R$ 300,00 por mês
e que o governo está correto em fixar o piso como referência
salarial.
Fim dos feriados
Projeto pode ser engavetado
A pressão dos servidores
públicos pode fazer a Assembleia Legislativa engavetar
o projeto do governador Roberto Requião (PMDB) que acaba
com os feriados municipais para o funcionalismo estadual. A mensagem
deveria ser votada ontem na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ), mas foi adiada por tempo indeterminado.
O projeto recebeu parecer
contrário há 15 dias do relator na CCJ, Reni Pereira
(PSB), que argumentou inconstitucionalidade porque não
seria prerrogativa do governo do estado alterar o calendário
de feriados religiosos e datas comemorativas.
O líder do governo,
Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), pediu vista e levantou a
possibilidade de apresentar um voto em separado na reunião
de ontem, contestando o parecer do relator. Mas o projeto acabou
nem entrando na pauta.
O Fórum dos Servidores
Públicos Estaduais se reúne hoje para redigir um
documento reivindicando o arquivamento da mensagem. (KC)
|
Agência Câmara,
24 de fevereiro de 2010
Empresários pedem
que redução da jornada só seja votada em
2011
Empresários da indústria e do comércio peregrinaram
pela Câmara, nesta terça-feira, pedindo o adiamento
para 2011 da discussão e votação da Proposta
de Emenda à Constituição 231/95, que reduz
a carga de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A PEC está
pronta para o Plenário e tem o apoio dos sindicalistas
— que, nas últimas semanas, vêm pressionando
os deputados a votá-la o mais rapidamente possível.
Já os empresários dizem temer que as eleições
de 2010 contaminem a negociação entre patrões
e empregados.
À frente de um
grupo de dezenas de empresários, o presidente da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro
(PTB-PE), se reuniu com líderes partidários e com
o presidente da Câmara, Michel Temer. De acordo com Monteiro,
o setor mal se recuperou da crise financeira mundial e não
tem condições de arcar com os custos da redução
da jornada de trabalho.
"A posição
da CNI é contrária a qualquer negociação
dessa questão neste momento. O Brasil está saindo
de uma crise e ainda há muitas incertezas no ambiente externo.
Nós perdemos empregos na indústria fortemente no
último ano e, antes de nos recuperarmos, não pode
ser imposto um aumento nos custos de produção. Isso,
ao final, vai ser cobrado do próprio trabalhador, por meio
do aumento de custo dos produtos", afirmou o deputado.
Efeitos
A Confederação Nacional das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) também marcou
presença contra a PEC. O novo presidente da entidade, José
Paulo Cairoli, afirmou que, ao contrário do que dizem os
sindicalistas, a redução da jornada vai aumentar
o desemprego e a informalidade no mercado de trabalho.
Por enquanto, Cairoli
também é contra a proposta intermediária,
apresentada por Michel Temer, de adoção de 42 horas
semanais. "Nós temos de viabilizar uma fórmula
melhor para que se consiga competir no mercado internacional”,
ressaltou. Segundo ele, a discussão sobre o assunto pode
ocorrer a partir de 2011, mas não agora.
A confederação
reúne 4 mil associações comerciais que representam
2 milhões de empresas. A exemplo do que fez a CNI, Cairoli
pretende organizar uma agenda de mobilização para
convencer os parlamentares a adiar o debate para o próximo
ano.
Sindicatos querem aprovação
A Força Sindical
fez manifestações nos corredores da Câmara
para pressionar os parlamentares a aprovar a jornada de trabalho
de 40 horas semanais. No início deste mês, líderes
de sindicatos trabalhistas, como os presidentes da CUT, Artur
Henrique; e da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da
Silva (PDT-SP), pediram a votação da proposta ao
presidente Michel Temer. Na ocasião, Temer propôs
aos sindicatos a redução de 44 para 42 horas.
Íntegra
da proposta:
PEC-231/1995
|
O Estado de S.Paulo,
24 de fevereiro de 2010
Construtoras temem fim do
”Minha Casa, Minha Vida”
Otimistas com os primeiros resultados do programa habitacional
Minha Casa, Minha Vida, entidades e empresas da área já
se preocupam com a sua continuidade após as eleições
que acontecem neste ano. O setor espera que, independentemente
do candidato vencedor da corrida presidencial, o governo indique
que existem recursos e faça os ajustes necessários
para que o programa federal avance.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção
de São Paulo (SindusCon), Sérgio Watanabe, diz que
os empresários esperam esse sinal de que devem continuar
investindo no setor. “O Minha Casa, Minha Vida é
importante, mas é pontual. O que a sociedade quer é
um programa que torne esse processo perene”, destaca Watanabe.
Na sua avaliação,
a chance de a Caixa Econômica Federal atingir a contratação
de 1 milhão de casas através do programa até
o final de 2010 é factível: “Demanda existe,
o nosso déficit habitacional está em aproximadamente
5,5 milhões de unidades, sendo que a maior parte se concentra
na faixa de até cinco salários mínimos.”
“É preciso
chegar a uma política de habitação perene,
de Estado e não de governo. Para suprir o atual déficit
habitacional seria necessário um programa como esse a cada
dois anos”, concorda João Crestana, presidente do
Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP),
ao avaliar que esse é apenas o primeiro passo para resolver
o problema em até 20 anos.
Crestana também
avalia que é primordial garantir os recursos para a continuidade
do programa que, segundo ele, ainda precisa de alguns ajustes.
Crestana calcula que seriam necessários mais R$ 20 bilhões
para sua continuidade. “É preciso fortalecer as empresas
para produção em escala, criar massa crítica,
treinar a mão de obra. Assim chegaremos a um produto de
qualidade, com custo menor”, defende o executivo.
Crestana pede ainda o
fortalecimento do aspecto jurídico do programa. “Se
um projeto é aprovado é fundamental termos a garantia
que essa autorização será mantida”,
ressalta, ao considerar que essa insegurança atrapalha
muito o Minha Casa, Minha Vida.
Baixa renda
Também satisfeito
com os resultados iniciais do programa, o diretor-presidente da
Rodobens, Eduardo Gorayeb, destaca que o setor pleiteia, na verdade,
um instrumento que oficialize a obrigatoriedade de sua manutenção:
“Esse programa habitacional foi tão importante que
mudou o foco das construtoras, que hoje, em sua maioria, estão
atuando no segmento de baixa renda. Temos certeza que ele continuará
mesmo se houver mudanças no cenário político,
pois envolve um planejamento de longo prazo. O que foi contratado
em 2010, por exemplo, será concluído em 2011, 2012.”
Antonio Fernando Guedes,
diretor geral da Living, divisão da Cyrela que atende o
segmento de baixa renda, defende um debate conjunto com o governo
para que o programa seja aprimorado. “Sua continuidade é
esperada e necessária não só para as construtoras,
mas para o público consumidor. Essa primeira fase foi importante
para a adaptação ao sistema, acredito que agora
ganharemos mais velocidade no processo”, acrescenta Guedes.
André Sampaio,
diretor da ASA Incorporadora, braço de baixa renda da Agre
— empresa criada a partir da combinação da
Agra, Abyara e Klabin Segall — avalia que “o melhor
ainda está por vir” no que se refere ao programa
habitacional. “A Caixa precisou de um tempo para implantar
o programa e tem conseguido cumprir o prometido. Passada essa
fase, a perspectiva é que nos próximos meses veremos
mais agilidade no processo”, afirma Sampaio.
Boom imobiliário
O brasileiro nunca financiou
tanto imóvel como em 2009, e a tendência é
de que novos recordes sejam batidos neste ano. Para alguns, o
país está em pleno boom imobiliário. Para
outros, é só o início desse processo, uma
vez que o déficit habitacional, entre 6 milhões
e 8 milhões de unidades, conforme o cálculo, ainda
é elevado.
Avaliações
distintas à parte, o fato é que o setor vive seu
melhor momento na história recente, que já leva
os bancos a discutir alternativas de recursos para bancar a expansão.
Hoje, a maior parte do dinheiro (cerca de 70%) vem da caderneta
de poupança, mas, segundo especialistas, essa fonte deve
se esgotar, dependendo da instituição financeira,
já em 2011.
No ano passado, 302,7
mil unidades foram financiadas com os depósitos da caderneta,
em um total de R$ 34 bilhões. Nem na época do finado
Banco Nacional da Habitação (BNH), no início
dos anos 80, tantos imóveis foram vendidos por meio de
empréstimos no País. “O Brasil é a
bola da vez como mercado relevante para experimentar uma forte
expansão do crédito imobiliário”, define
o diretor-geral da Montreal Informática, Luís Antônio
Santos.
Alienação
A empresa vende soluções
tecnológicas para diversos setores da economia, entre eles
o imobiliário. Os principais bancos que atuam no País
fazem parte de sua clientela. O diretor de Crédito Imobiliário
do Itaú Unibanco, Luiz França, que também
preside a Associação Brasileira das Entidades de
Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip),
lista os fatores que explicam o desempenho recente e as boas perspectivas.
Em primeiro lugar, a segurança jurídica, obtida
com a mudança da legislação promovida em
2004.
Foi ali que se instituiu
o mecanismo de alienação fiduciária, que
facilita a retomada do imóvel em caso de inadimplência.
Em segundo lugar, França cita o alongamento dos prazos
de financiamento para até 30 anos, que permitiu a redução
das prestações mensais. Em terceiro lugar, o executivo
destaca a estabilidade da economia.
De um lado, essas condições
mais estáveis abriram caminho para a queda dos juros. De
outro, elevaram o poder aquisitivo da população
(como mostra a ascensão de milhões de brasileiros
à classe C), o que reduz o calote. Um fator mais recente
é o programa do governo Minha Casa, Minha Vida.
Média
Nesse ambiente, os bancos
privados, que sempre foram reticentes em investir no mercado imobiliário,
mostram grande apetite. Na média, preveem alta de 30% a
40% nos empréstimos este ano. Em 2009, segundo o Banco
Central, o crédito para a habitação avançou
41,5%, ante 14,9% do crédito total. “Vemos o crédito
imobiliário como motor da expansão do crédito
geral (no País)”, diz o diretor executivo de Negócios
Imobiliários do Santander Brasil, José Roberto Machado.
Segundo ele, no mundo,
o financiamento imobiliário responde, em média,
por 65% da carteira de crédito do banco. No Brasil, são
5%. O diretor de Crédito Imobiliário do HSBC, Antonio
Barbosa, afirma que a meta da instituição é
aumentar a participação no segmento nos próximos
anos.
“Queremos crescer
acima da média do mercado”, explica. A aposta do
banco é no que Barbosa classifica de “serviço
diferenciado”.No Bradesco, o discurso é parecido.
“Queremos mais mercado”, diz o diretor do Departamento
de Empréstimos e Financiamentos, Nilton Pellegrino. O objetivo
é aproveitar que “não há cidadão
no Brasil que não queira ter imóvel próprio”.
As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo
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BEM PARANÁ, 24
de fevereiro de 2010 | Consumidor
No bolso
Comer fora em Curitiba custa, em
média, R$ 13,20
Valor está abaixo da média
nacional, que ficou em R$ 18,20, segundo estudo da Assert
Josianne Ritz
A refeição
para quem trabalha em Curitiba e almoça em restaurantes
custa, em média, R$ 13,20. É o que revela levantamento
nacional da Associação das Empresas de Refeição
e Alimentação Convênio para o Trabalhador
(Assert), que reúne empresas do sistema de vouchers e cartões
refeição. O valor fica abaixo da média nacional,
que é de R$ 18,20 é e o segundo menor entre as capitais
brasileiras, só perdendo para Campo Grande, onde a refeição
sai por R$ 11,50. A pesquisa avaliou os preços da refeição
composta por prato principal, bebida não alcoólica,
sobremesa e cafezinho.
Foram realizadas 3.224 entrevistas pessoais, de Norte a Sul do
país, com donos ou responsáveis por estabelecimentos
para verificar os preços do prato feito ou comercial; autosserviço
(refeição a quilo/preço fixo); prato executivo
e a la carte. O estudo foi conduzido pelo Instituto Análise
entre os dias 23 de novembro e 18 de dezembro de 2009.
O presidente da Assert,
Artur Almeida, considera o preço médio nacional
da refeição elevado para os padrões brasileiros,
assim como muito superior ao benefício concedido pela maioria
das empresas, que varia conforme a categoria profissional, acordos
sindicais e a região do País, mas, na média,
é de R$ 10,00. Almeida acredita que fatores do custo Brasil,
como a alta carga tributária e as elevadas tarifas públicas,
influenciam os preços nos estabelecimentos. “O setor
de restaurantes tem grande valor social, gera empregos e riquezas
para o Brasil. Mas, ao mesmo tempo, é um segmento muito
sensível a alterações na economia”,
analisa.
A pesquisa está em sintonia com o IPCA do IBGE, que mede
os preços para famílias de 01 a 40 salários
mínimos e é o indicador oficial de preços,
usado pelo governo federal para definir as metas de inflação.
A refeição fora do domicílio (um dos itens
que compõe o índice) teve grande participação
no cálculo da inflação do ano passado: subiu
9,05%, apesar de o IPCA ter ficado em apenas 4,31% nos 12 meses
de 2009.
As regiões Sudeste e Centro-Oeste são as que oferecem
preços médios mais altos, depois se destaca o Norte
do país. As demais regiões registram valores inferiores.
Para este ano, a previsão do presidente da Assert é
de que o preço da refeição em restaurante
permaneça em R$ 18,20 ou até aumente. Ele citou
entre os motivos as fortes chuvas, que contribuem para o aumento
dos preços de verduras e legumes, e o crescimento da economia
brasileira.
Veja os preços
das refeições no Brasil
Sudeste
R$ 19,10
Grande São Paulo R$ 19,00
Rio de Janeiro R$ 20,40
Belo Horizonte R$ 15,80
Grande Vitória R$ 20,40
Santos R$ 20,80
Ribeirão Preto R$ 18,10
São José dos Campos R$ 16,80
Campinas R$ 19,10
Região Norte R$ 16,90
Manaus R$ 15,50
Belém R$ 18,90
Região
Nordeste R$ 15,60
Fortaleza R$ 13,90
Salvador R$ 17,20
Recife R$ 15,70
Região Sul R$
15,40
Curitiba R$ 13,20
Joinville R$ 16,70
Porto Alegre R$ 16,60
Florianópolis R$ 17,90
Blumenau R$ 12,40
Centro–Oeste R$ 19,10
Brasília R$ 20,10
Goiânia R$ 16,08
Campo Grande R$ 11,50
Cuiabá R$ 16,70
PREÇO MÉDIO BRASIL R$ 18,20
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Folha
de S.Paulo, 24 de fevereiro de 2010
Centrais tentam adiar no STF
votação sobre imposto sindical
Ação em trâmite pede
fim do repasse às entidades de parte dos recursos recolhidos
dos trabalhadores
JULIANNA SOFIA
LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As centrais sindicais poderão ficar
de fora da partilha dos recursos do imposto sindical e perder
uma receita anual superior a R$ 60 milhões. Essa é
a perspectiva caso o STF (Supremo Tribunal Federal) conclua hoje
o julgamento de uma ação de inconstitucionalidade
contra o repasse do dinheiro e a atuação das entidades
no movimento sindical.
A tendência é que o tribunal proíba a transferência
da receita do imposto para as centrais.
Ontem, sindicalistas pressionavam os ministros do Supremo a adiar
para abril a conclusão do caso, mas o assunto foi mantido
na pauta de hoje.
O argumento oficial das entidades é que até abril
estão em campanha pela redução da jornada
de trabalho e não querem desmobilizar suas estruturas para
tratar de outros assuntos. A estratégia, no entanto, pode
garantir o recebimento pelo menos mais este ano.
Embora haja recolhimento do dinheiro ao longo de todo o ano, o
maior volume é arrecadado pela Caixa Econômica Federal
em abril. Assim, se até lá a legislação
não for alterada, as centrais podem alegar que têm
direito ao dinheiro já recolhido.
"Essa é uma tese maldosa. Há apenas uma coincidência
de datas. O imposto é pago pelo trabalhador no início
de abril e repassado pela Caixa ao Ministério do Trabalho
até o dia 30. Só vai para o caixa dos sindicatos
em maio", disse o presidente da UGT (União Geral dos
Trabalhadores), Ricardo Patah.
A contribuição sindical, equivalente a um dia de
trabalho, é descontada uma vez por ano do salário
referente a março. O valor é rateado entre governo
(10%), centrais sindicais (10%), confederações (5%),
federações (15%) e sindicatos (60%).
A UGT é uma das seis centrais beneficiadas com o imposto
sindical desde 2008. Além dela, recebem os recursos a CUT
(Central Única dos Trabalhadores), a Força Sindical,
a NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), a CGTB (Central
Geral dos Trabalhadores do Brasil) e a CTB (Central de Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil).
A ação de inconstitucionalidade foi movida pelo
DEM, que questiona a legalidade do repasse do imposto sindical
às centrais e ainda a possibilidade de as entidades substituírem
ou representarem os sindicatos em negociações.
O STF iniciou o julgamento do caso no ano passado. Cinco ministros
chegaram a votar, mas houve um pedido de vistas do ministro Eros
Grau. "Estamos conversando, estamos conversando. O placar
está três a dois contra a gente, mas vamos ver o
que conseguimos fazer", afirmou ontem o presidente da Força,
deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).
O relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, acolheu a tese dos
democratas, que prevê a contribuição para
confederações representativas dos sindicatos, e
não para instituições que tenham viés
mais "político" do que "trabalhista".
O voto de Barbosa foi seguido pelos ministros Cezar Peluso e Ricardo
Lewandowski. Marco Aurélio Mello julgou o pedido do DEM
improcedente. Para Cármen Lúcia, as centrais não
podem participar das negociações trabalhistas, mas
podem receber a contribuição.
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Folha de S.Paulo,
24 de fevereiro de 2010
Presidente diz que entra
para valer na campanha em julho
DA REDAÇÃO
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou ontem, em entrevista à CNN em espanhol,
que manterá sua agenda intensa de viagens internacionais.
"Somente a partir de julho vou me dedicar à questão
interna da campanha", disse.
Lula também afirmou que espera eleger como sucessora Dilma
Rousseff, ministra da Casa Civil. "Para ser muito sincero,
eu acho que nós não vamos perder as eleições."
Em janeiro, ele teve uma crise de pressão alta, ficou internado
e teve de diminuir sua agenda de inaugurações, em
que pretende dar visibilidade e palanque à pré-candidata.
O presidente, que participou ontem da Cúpula da América
Latina e do Caribe, em Cancún, no México, negou
que a viagem pela América Latina seja a despedida no cenário
internacional. Segundo ele, será um ano "com muita
política externa", incluindo visitas a Irã
e China.
Sobre o "pós-Lula", afirmou que o país
está numa "rota de desenvolvimento que não
tem retorno". Questionado sobre sua alta popularidade, disse
que construiu uma relação de amizade com a sociedade
brasileira e os dirigentes mundiais. "Nem eu cansei do povo
nem eles se cansaram de mim."
A respeito da proposta de criação de um organismo
internacional com países americanos sem a participação
de EUA e Canadá, Lula falou que é importante existir
um órgão que defenda interesses regionais. Mas descartou
"liquidar" a OEA (Organização dos Estados
Americanos) e a ONU (Organizações das Nações
Unidas).
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Agência Diap,
24 de fevereiro de 2010
Terceirização:
projeto de lei; polêmica entre empresários e trabalhadores
As novas regras da terceirização, que estão
sendo discutidas no Congresso Nacional a partir de um anteprojeto
elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego é
tema de reportagem especial da TV do Tribunal Superior do Trabalho.
No vídeo, o tema
é discutido por diversas autoridades e especialistas, como
os ministros Aloysio Correa da Veiga e Vantuil Abdala, do TST,
e o ministro Trabalho e Emprego, Carlos Lupi; os deputados federais
Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) e Sandro Mabel (PR/GO), e o economista
José Pastore.
Em outro vídeo,
é apresentada uma decisão da Quarta Turma que, ao
aprovar voto do ministro Barros Levenhagen, negou recurso de uma
empresa tomadora de serviços, mantendo o reconhecimento
de vínculo direto de um empregado terceirizado.
Vídeo
reportagem sobre a regulamentação dos serviços
terceirizados
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Gazeta do Povo, 23
de fevereiro de 2010
Trabalho
Baixo salário e desinteresse
criam sobra de vagas
Na tentativa de preencher as ofertas de
trabalho, prefeitura de Curitiba e governo estadual realizam amanhã
o “Mutirão do Emprego”
Falta de qualificação,
baixos salários e até desinteresse por algumas ocupações
estão entre os motivos apontados para a sobra de mais de
6 mil oportunidades de emprego em Curitiba e região metropolitana.
Esse é o número de vagas do Sistema
Nacional do Emprego (Sine) que as secretarias do trabalho de Curitiba
e do Paraná tentarão preencher amanhã, no
chamado “Mutirão do Emprego”, que será
realizado na Praça Rui Barbosa, no centro da capital. O
total de vagas disponíveis é ligeiramente menor
que o de pessoas contratadas no mês passado na região
– cerca de 7 mil, já descontadas as demissões.
Em todo o país,
a retomada econômica tem evidenciado a lacuna que existe
entre a especialização que as empresas exigem e
a que os trabalhadores têm, assim como a diferença
entre o salário esperado pelos candidatos e o oferecido
pelos empregadores. Em Curitiba, por exemplo, apenas uma
em cada cinco vagas abertas em janeiro por intermédio do
Sine foi preenchida. Quase 15 mil trabalhadores se inscreveram
e havia um total de 9,7 mil ofertas, mas apenas 1,8 mil pessoas
foram contratadas.
“Além da
baixa qualificação, também há um desinteresse
por determinadas ocupações. Uma das funções
mais ofertadas é a de operador de caixa de supermercado,
mas é difícil encontrar candidatos”, conta
Paulo Rossi, superintendente da Secretaria Municipal de Trabalho.
Ele também cita o caso do Plano Setorial de Qualificação
(PlanSeq) da construção civil, iniciativa do governo
federal executada por estados e prefeituras, exclusiva para beneficiários
do Bolsa Família. “As aulas de quatro turmas começaram
hoje [ontem]. São 120 alunos no total. Mas tínhamos
mais de mil vagas disponíveis.”
O economista Cid Cordeiro,
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese-PR), aponta mais razões
para o descompasso entre oferta e demanda de empregos. “Há
casos em que não houve o estímulo à formação.
Na construção civil, que ficou pelo menos uma década
estagnada, houve perda de empregos, pessoas migraram para outras
ocupações ou se aposentaram. Na retomada, o setor
conseguiu recontratar parte desse pessoal, mas agora realmente
há poucos trabalhadores disponíveis.”
Novos setores
Para Cordeiro, setores
mais novos, como os da área de tecnologia, sofrem porque
não houve tempo hábil para a formação
de novos profissionais. E o desinteresse do trabalhador estaria
ligado também aos baixos salários. “Se quiser
reter profissionais, o mercado terá que pagar melhor. Com
a economia crescendo, é natural que o trabalhador escolha
a melhor oportunidade.”
Em muitos casos, a vontade
ao candidato não é suficiente para compensar a falta
de experiência. “Já distribuí ‘milhares’
de currículos, mas, como todas as vagas exigem experiência
prévia, me descartam logo de cara”, lamenta Michaela
Barbosa Cruz, de 18 anos, que busca o primeiro emprego, como auxiliar
administrativa. Sem ele, não conseguirá retomar
a faculdade – ela chegou a cursar um semestre de Engenharia
de Produção, mas teve de trancar a matrícula
por causa do custo da mensalidade.
Serviço:
Mutirão do Emprego – Amanhã, das
9 às 17 horas, na Praça Rui Barbosa, em Curitiba.
Candidatos devem levar carteiras de identidade e de trabalho e
CPF.
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O ESTADO DO PARANÁ,
23 de fevereiro de 2010 | Economia
Infraestrutura terá investimentos
de R$ 274 bilhões até 2013
Os grandes projetos nas áreas de energia elétrica
e de telecomunicações continuarão a liderar
a expansão da infraestrutura do País, que deve receber
R$ 274 bilhões em investimentos nos próximos quatro
anos. A maioria dos recursos será aplicada durante a administração
do próximo governo.
A projeção
é de um novo estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), que prevê aumento de 37,3%
nos investimentos do setor entre 2010 e 2013 comparado com os
R$ 199 bilhões entre 2005 a 2008. O ano de 2009 ficou fora
da comparação, porque os dados não estão
fechados.
Do total de investimentos
para o atual quadriênio, 33,6% virá de projetos de
geração, transmissão e distribuição
de energia. Os R$ 92 bilhões previstos até 2013
com grandes obras, como as hidrelétricas na Região
Norte e a terceira usina nuclear de Angra dos Reis, vão
significar aumento de 35,7% no setor em relação
ao período entre 2005 e 2008.
Para os técnicos do BNDES, o volume pode ser ainda maior,
já que novos projetos poderão surgir nos próximos
anos, consolidando a liderança da energia elétrica
na expansão da infraestrutura. O lugar foi das telecomunicações
entre 1997 e 2001 e vinha sendo dividido pelos dois setores.
O banco considerou
que as duas usinas em construção no Rio Madeira
(Jirau e Santo Antônio) devem receber R$ 20 bilhões
nos próximos quatro anos. A usina de Belo Monte, cujo leilão
está previsto para abril, deve ter nesse período
R$ 8 bilhões consumidos do seu orçamento. Eles também
consideraram R$ 8 bilhões previstos em 70 projetos de energia
eólica.
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Gazeta do Povo, 23
de fevereiro de 2010
Rebelião” na base
Líder de Requião desobedece
o chefe e adia votação do piso
Deputado Romanelli descumpre determinação
do governador de acelerar a aprovação do projeto
e decide realizar audiências sobre o mínimo regional
Diante da pressão
dos empresários, que estão organizando um levante
contra a proposta do governo do estado que reajusta o piso salarial
regional entre 11,9% e 21,5%, os deputados aliados do governador
Roberto Requião (PMDB) resolveram desacelerar a votação
do projeto, que seria apreciado hoje, durante a reunião
da Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ). A medida também indica uma tentativa de os parlamentares
mostrarem independência em relação a Requião,
que irá deixar o governo em abril para participar das eleições.
O líder do governo
na Assembleia, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), anunciou
que vai promover cinco audiências públicas em diferentes
municípios para debater o reajuste com a classe empresarial
e sindicados de trabalhadores. Relator da mensagem na CCJ, Romanelli
havia sido orientado pelo governador a trabalhar pela aprovação
urgente do projeto, o que garantiria que o aumento fosse concedido
antes do tradicional 1.º de maio.
Temendo desgaste em ano
eleitoral por “acionar o rolo compressor” e aprovar
a proposta a toque de caixa, Romanelli disse que não dará
parecer ao projeto enquanto não realizar as audiências.
A ideia de Romanelli é
organizar todos os debates numa única semana, que devem
ocorrer em Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá e
Foz do Iguaçu. “Os empresários não
querem pagar o reajuste e queremos que os trabalhadores recebam”,
disse o líder do governo.
Um dos pontos de maior
divergência no projeto é o reajuste do salário
das empregadas domésticas, que vão ter um aumento
de 11,9%, passando de R$ 615,10 para R$ 688,50. “Se o salário
não melhorar, daqui a 5 ou 6 anos não vão
existir mais domésticas”, prevê o deputado.
Além disso, o ano de 2009, segundo dados do governo, teria
fechado com mais de 2,2 milhões de trabalhadores com carteira
assinada, uma taxa de crescimento de 3,23%, acima da média
nacional (3,11%).
A interpretação
dos patrões é outra. Para os empresários,
o índice de reajuste de até 21,5 % está fora
da realidade porque extrapola o índice da inflação
no período, medida pelo INPC, que foi de 4,18%.
O reajuste atinge diretamente
cerca de 350 mil trabalhadores. O piso mais alto será para
técnicos de nível médio, que passa de R$
629,45 a R$ 765.
Para a oposição,
não há clima para votar o projeto do governo sem
consultar a iniciativa privada, que vai ter de arcar com a obrigação.
O deputado estadual Reni
Pereira (PSB), um dos únicos que se manifestou contra o
reajuste na CCJ, disse que tentaria uma manobra para adiar a votação,
mas as audiências públicas amenizam a situação.
“Pelo menos todos – trabalhadores e patrões
– terão oportunidade de se pronunciar”, afirmou.
“O governo não fez estudo nenhum do impacto financeiro
que esse aumento vai causar para a iniciativa privada e para o
próprio Executivo, já que outra proposta obriga
as empresas terceirizadas contratadas pelo estado a pagar o piso”,
emendou Pereira.
Para o líder do
DEM, Plauto Miró Guimarães, o diálogo é
importante para se encontrar um ponto de equilíbrio e evitar
demissões.
Depois das audiências
e durante votação no plenário, o projeto
deve receber várias emendas. O presidente da Comissão
de Constituição e Justiça da Assembleia,
Durval Amaral (DEM), adiantou que vai apresentar uma emenda proibindo
que pensionistas e aposentados da Paranaprevidência recebam
menos que o mínimo regional. O líder da oposição,
Élio Rusch (DEM), defende que seja incluído na lei
que nenhum servidor do estado ganhe salário inferior ao
piso.
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Gazeta do Povo, 23
de fevereiro de 2010
Constituição estadual
PEC “eterniza” água
e luz mais baratas
A Assembleia Legislativa deu o passo final ontem para “eternizar”
os programas sociais Luz Fraterna da Copel e a tarifa social da
Sanepar, criados pelo governador Roberto Requião. Os deputados
estaduais aprovaram em redação final e sem debate
a proposta de emenda à Constituição Estadual
(PEC) que torna os dois programas permanentes no Paraná
nos próximos governos.
Para virar lei, a emenda
constitucional agora só precisa ser promulgada pela Mesa
Executiva da Assembleia. O autor do projeto, Elton Welter (PT),
argumenta que os dois programas são “ferramentas
indiretas de transferência de renda”, que serão
usadas pelos futuros governantes “para administrar a distribuição
de renda no estado”.
No projeto, o deputado
não trouxe cálculos do impacto financeiro que a
constitucionalização dos programas pode provocar
nos cofres públicos no longo prazo.
Especialistas avaliam
que é arriscado carimbar recursos para administrações
futuras sem saber as prioridades da época, a situação
financeira do caixa do estado ou ainda se os administradores terão
interesse em manter os mesmos programas.
Apesar da importância
do assunto, a PEC foi aprovada por unanimidade nas três
votações.
O programa Luz Fraterna
atende atualmente 1,4 milhão de pessoas e garante isenção
da tarifa da luz até o consumo de 100 quilowatts/mês.
Foi criado em 2003 e fornece energia elétrica gratuita
para 251 mil famílias. A tarifa social da Sanepar oferece
às famílias de baixa renda o pagamento mínimo
de R$ 5,00 na conta de água e R$ 2,50 para o serviço
de esgoto para o consumo de até 10 mil litros por mês.
(KC)
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Congresso em Foco,
23 de fevereiro de 2010
TSE deverá mudar número
de deputados federais e estaduais
Na quarta-feira (24), tribunal
realizará audiência pública para discutir
modificação que deverá fazer com que estados
como Rio de Janeiro e Paraíba percam dois deputados e que
o Pará tenha três parlamentares a mais | Ministro
Arnaldo Versiani, do TSE, propõe mudança que fará
com que Rio perca dois deputados e o Pará ganhe três
Rudolfo Lago
As mudanças verificadas
na população dos estados brasileiros nos últimos
anos deverão provocar uma alteração importante
na formação das bancadas. O TSE publicou nesta quarta-feira
(17) em seu site, a minuta de uma resolução que
redefine o número de deputados federais e estaduais a partir
das eleições de outubro deste ano. De acordo com
a minuta, de autoria do ministro Arnaldo Versiani, para se readequadar
aos atuais tamanhos das populações estaduais, o
Rio de Janeiro e a Paraíba passarão a ter dois deputados
federais a menos. Rio Grande do Sul, Paraná, Maranhão,
Goiás, Pernambuco e Piauí perderão um deputado
federal. Em contrapartida, a bancada do Pará passar a ter
três deputados a mais. Minas Gerais crescerá sua
bancada com mais dois. E Amazonas, Rio Grande do Norte, Ceará,
Bahia e Santa catarina terão, cada um, mais um parlamentar
na Câmara.As representações dos demais estados
(São Paulo, Espírito Santo, Alagoas, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Sergipe, Rondônia,
Tocantins, Acre, Amapá e Roraima) permanecem inalteradas.
Antes de fazer valer de
fato a nova regra, o TSE quer discutí-la. E, para isso,
marcou uma audiência pública para a próxima
quarta-feira (24), a partir das 15h, no auditório do tribunal.
Também será discutida na mesma audiência a
possibilidade de voto para presidente da República do eleitor
em trânsito, ou seja, que não esteja na sua cidade
no dia da eleição.
Se o texto da minuta do
TSE passar a valer, São Paulo continuará tendo a
maior bancada, com 70 deputados federais. O número total
de parlamentares na Câmara também continuará
o mesmo, 513. Minas Gerais passará a ter 55 deputados,
seguido do Rio (44), Bahia (40), Rio Grande do Sul (30), Paraná
(29), Pernambuco (24), Ceará (23), Pará (20), Maranhão
(17), Santa Catarina (17), Goiás (16), Paraíba (10),
Espírito Santo (10), Piauí (9), Alagoas (9), Rio
Grande do Norte (9), Amazonas (9), Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul, Distrito Federal, Sergipe, Rondônia, Tocantins, Acre,
Amapá e Roraima, todos esses com oito deputados cada um.
A minuta também
altera os tamanhos das Assembleias Legislativas e da Câmara
Legislativa do Distrito Federal. No total, serão 1.057
parlamentares, assim distribuídos: São Paulo (94),
Minas Gerais (79), Rio de Janeiro (68), Bahia (64), Rio Grande
do Sul (54), Paraná (53), Pernambuco (48), Ceará
(47), Pará (44), Maranhão (41), Santa Catarina (41),
Goiás (40), Paraíba (30), Espírito Santo
(30), Piauí (27), Alagoas (27), Rio Grande do Norte (27),
Amazonas (27), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal,
Sergipe, Rondônia, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima,
todos esses com 24 deputados estaduais ou distritais cada um.
Para o debate da próxima
quarta-feira, estão convidados representantes de partidos
políticos, da Ordem dos Advogados do Brasil e do Ministério
Público. As mudanças propostas por Versiani buscam
adequar as bancadas ao que prevê o artigo 45, parágrafo
1º da Constituição, e a Lei Complementar 78/93,
que disciplinam que a quantidade de deputados federais deve ser
proporcional à população dos estados e do
Distrito Federal, desde que a maior bancada não ultrapasse
o número de 70 deputados e a menor não tenha menos
que oito.A proposta de mudança foi provocada por uma ação
da Assembleia Legislativa do Amazonas.
|
Agência Diap,
23 de fevereiro de 2010
Senado: FGTS, trabalho rural
e contribuição sindical nas comissões
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) se reúne,
nesta terça-feira (23), às 10 horas, e consta na
pauta o PLS 466/09, do senador Paulo Paim (PT/RS), que autoriza
os titulares de contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) a aplicarem até 10% de seu saldo em fundos de investimento
que aplicam seus recursos em projetos de exploração
de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos
líquidos situados na área do pré-sal.
O texto do projeto de
lei modifica a Lei 8.036, de 11 de maio de 1990, que dispõe
sobre o FGTS.
O projeto é uma
alternativa ao trabalhador para participar da capitalização
da Petrobras com o FGTS, que foi rejeitado no dia 11 de novembro
de 2009 por comissão especial da Câmara dos Deputados
criada para tratar do assunto.
A matéria, não
terminativa, está sob a relataria do senador Garibaldi
Alves Filho (PMDB/RN), que apresentou parecer favorável
ao texto. A proposição ainda será apreciada
pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI),
com decisão terminativa.
Trabalhadores
informais
Também está na pauta da CAE, o PLS 584/07, do senador
Marcelo Crivella (PRB/RJ), que dispõe sobre a regularização
e formalização do contrato de trabalho de trabalhadores
informais e o parcelamento de débitos perante o Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) e o Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS).
O projeto tem parecer
pela aprovação, do senador João Vicente Claudino
(PTB/PI).
Depois de ser apreciada
na CAE, a matéria será examinada na Comissão
de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa.
A reunião na CAE
acontecerá no plenário 19, Ala Alexandre Costa.
Trabalho
rural
A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA)
tem marcada para as 9h30 dessa terça-feira (23), audiência
pública para debater a modernização e adequação
das normas que regem o trabalho no campo.
Parlamentares e representantes
do setor rural vão discutir o projeto de lei do Senado
(PLS) 458/09, do senador Gilberto Goellner (DEM/MT), que altera
a Lei 5.889/73.
O senador Raimundo Colombo
(DEM/SC), relator da matéria na CRA, apresentou voto pela
sua aprovação. Caso seja aprovado na CRA, o projeto
segue para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde será
examinado em decisão terminativa.
Foram convidados para
participar da audiência pública o ministro do Tribunal
Superior do Trabalho (TST) Guilherme Caputo Bastos; representantes
do Ministério do Trabalho e Emprego (MET); da Confederação
Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); e da
Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura
(Contag).
O debate na CRA será
no plenário 7, ala Senador Alexandre Costa, Anexo II.
Contribuição
sindical
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) pode votar na reunião
desta quarta-feira (24), o projeto de lei que determina reduzir
os percentuais de multa e juros de mora em caso de recolhimento
da contribuição sindical fora do prazo, e dá
outras providências.
Trata-se do PLS 168/09,
do senador Heráclito Fortes (DEM/PI), que altera a redação
do artigo 600 da CLT. O projeto tramita em decisão terminativa
na CAS.
De acordo com o projeto,
o recolhimento espontâneo da contribuição
sindical, efetuado fora do prazo, ficará isento de outras
penalidades quando efetuado com acréscimo de multa de 10%,
depois de transcorridos 30 contados da data do seu vencimento,
além de juros de mora de 1% mensais e atualizados pela
taxa apurada no Sistema Especial de Liquidação e
Custódia (taxa SELIC), em se tratando de contribuição
do empregado, descontada do salário pelo empregador,
Em se tratando de categoria
econômica ou profissional liberal, o acréscimo de
multa será de 5% , após transcorridos 30 contados
da data de seu vencimento, acrescidos de juros de mora de 0,5%
mensais e atualizados pela taxa Selic, em se tratando de categoria
O relator, senador Adelmir
Santana (DEM/DF), apresentou parecer pela aprovação
do Projeto, com substitutivo.
Fundo
de Garantia
O PLS 255/07, do senador Neuto de Conto (PMDB/SC), disciplina
a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
FGTS, para os aposentados que voltam a trabalhar é outro
projeto que está na pauta da CAS nessa semana.
A matéria, que
tem decisão terminativa nesta comissão, acrescenta
inciso XVIII ao art. 20 da Lei 8.036, de 11 de maio de 1990.
O relator do projeto,
senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), deu parecer pela aprovação
do PLS 255/07, com emenda substitutiva, e pela prejudicialidade
do PLS 263/07 e do PLS 55/09, ambos tramitavam apensados ao primeiro.
Caso a emenda substitutiva
seja aprovada, ela será submetida a votação
em turno suplementar.
Licença
para capacitação
A CAS pode votar ainda nessa semana o PLS 28/08, do senador Cristovam
Buarque (PDT/DF), que altera a Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT), para instituir a licença para capacitação
profissional.
De acordo o projeto, a
cada triênio de trabalho, o empregado poderá afastar-se
das suas atividades, sem prejuízo do emprego e do salário,
por no mínimo 120 (cento e vinte horas) para freqüentar
cursos de capacitação profissional.
O relator da matéria
na CAS, senador Gim Argello (PTB/DF), apresentou parecer pela
aprovação com substitutivo.
Se o substitutivo for
aprovado, ele será submetido a votação em
turno suplementar.
Historiador
Na pauta da CAS o projeto de lei que regula o exercício
da profissão de Historiador e dá outras providências.
O projeto, PLS 368/09,
do senador Paulo Paim, tem decisão terminativa na CAS e
está sendo relatado pelo senador Cristovam Buarque (PDT/DF),
que ofereceu parecer pela aprovação. A votação
da matéria é nominal.
PIS-Pasep
Na ordem do dia da CAS está o PLS 117/09, também
do senador Paulo Paim, que permite que o trabalhador desempregado
saque seus recursos acumulados no Fundo de Participação.
A matéria tramita
em caráter terminativo na comissão. O relator, senador
Raimundo Colombo (DEM/SC), apresentou parecer pela aprovação
do projeto.
A reunião na CAS
acontece no plenário 9, ala Alexandre Costa.
Pedagogo
Está na pauta da CAS o projeto que dispõe sobre
o exercício da profissão de Pedagogo e dá
outras providências.
De autoria do deputado
Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP)), o PLC 196/09, terminativo,
está sob a relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT/DF),
que emitiu relatório pela aprovação do projeto.
A reunião na CAS
começa às 11h, no plenário 9, ala Alexandre
Costa.
Terceirização
do trabalho no campo
Está na pauta da Comissão de Constituição
e Justiça e Cidadania (CCJ), que se reúne nesta
quarta-feira (24), às 10h, está o projeto que permite
a atividade de empresas de trabalho temporário no meio
rural. Trata-se do PLS 171/04, do senador Ramez Tebet (PMDB/MS).
O projeto dispõe
sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e dá
outras providências, para permitir a utilização
do trabalho temporário na área rural.
A alteração
na lei abre brecha para a terceirização indiscriminada
do trabalho no meio rural. A mudança pode facilitar a ação
dos "gatos", como vulgarmente são conhecidos
os aliciadores que atuam no campo brasileiro.
A senadora Kátia
Abreu (DEM/TO) apresentou parecer pela aprovação,
com a emenda apresentada na Comissão de Agricultura e Reforma
Agrária (CRA). A senadora Marina Silva (PV/AC) apresentou
voto em separado pela rejeição da matéria,
por inconstitucionalidade e injuridicidade.
Em seguida, a matéria
será apreciada também pela Comissão de Assuntos
Sociais (CAS), em decisão terminativa.
Adicional
de insalubridade
Está na pauta da CCJ o PLS 484/08, do senador Marconi Perillo
(PSDB/GO), que altera o artigo 192 da Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT), modificando a base de cálculo
do adicional de insalubridade.
O objetivo do projeto
é adequar o artigo à Súmula Vinculante nº
4 do Supremo Tribunal Federal, de 9 de maio de 2008, cujo o teor
é: "Salvo nos casos previstos na Constituição,
o salário mínimo não pode ser usado como
indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público
ou de empregado, nem ser substituído por decisão
judicial".
O relator da matéria
é o senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA), que apresentou relatório
pela aprovação do texto, com duas emendas.
A seguir, a proposição
será apreciada pela Comissão de Assuntos Sociais
(CAS), em decisão terminativa.
Os trabalhos da CCJ serão
realizados no plenário 3, na Ala Alexandre Costa.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/02/2010
Terceirização: a polêmica
sobre as novas regras
As novas regras da terceirização,
que estão sendo discutidas no Congresso Nacional a partir
de um anteprojeto elaborado pelo Ministério do Trabalho
e Emprego, é o tema de reportagem especial da equipe de
TV do Tribunal Superior do Trabalho. No vídeo, o tema é
discutido por diversas autoridades e especialistas, como os ministros
Aloysio Correa da Veiga e Vantuil Abdala, do TST, e Carlos Lupi
(Trabalho e Emprego); os deputados federais Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP) e Sandro Mabel (PR-GO), e o economista José Pastore.
Em outro vídeo,
é apresentada uma decisão da Quarta Turma que, ao
aprovar voto do ministro Barros Levenhagen, negou recurso de uma
empresa tomadora de serviços, mantendo o reconhecimento
de vínculo direto de um empregado terceirizado.
Veja o vídeo
com a matéria especial
http://www.tst.jus.br/ASCS/webtv/terceirizacao/terceirizacao.html
|
O ESTADO DO PARANÁ,
22 de fevereiro de 2010 | Economia
Páscoa deve criar 61,5 mil
vagas temporárias no País
A Associação Brasileira das Empresas de Serviços
Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem)
prevê um aumento de 2,5% no número de vagas temporárias
para esta Páscoa em relação à mesma
data do ano passado.
Segundo o levantamento,
encomendado pelo Instituto de Pesquisa Manager, deverão
ser abertas 61,5 mil vagas temporárias, sendo que deste
total 13% podem ser efetivadas após a Páscoa.
De acordo com a Asserttem,
a perspectiva de efetivações dos temporários
supera em 60% as do ano passado. A indústria será
responsável por 60% das vagas, em funções
como auxiliar de produção, auxiliar de expedição,
motorista, entregador, auxiliar de cozinha, promotor de venda,
estoquista e operador de empilhadeira. Já o comércio
absorverá o restante das vagas, como balconista, vendedor,
degustador, demonstrador e repositor.
A remuneração
média deverá variar entre R$ 550 e R$ 850. A associação
destaca que aproximadamente 25% das vagas temporárias serão
ocupadas por pessoas sem experiência anterior profissional.
No ano passado, o primeiro emprego respondeu por 21,4% das contratações
temporárias.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
22 de fevereiro de 2010 | Economia
Classe A ganha mais 303 mil famílias
O seleto grupo dos ricos brasileiros ganhou 303 mil novas famílias
nos últimos sete anos. O crescimento da classe C tornou-se
a vedete do comércio e da propaganda - até mesmo
a governamental -, mas a classe A mantém-se acima da marca
de 1 milhão de famílias desde 2006 e continua crescendo.
Integram o topo da pirâmide
pessoas com rendimento domiciliar mensal acima de 20 salários
mínimos (R$ 10,2 mil). É um grupo de perfil diversificado:
reúne desde profissionais liberais até consumidores
de artigos de luxo, como Porsches e helicópteros.
Dados compilados pela
MB Associados, com base nas estatísticas do IBGE, a pedido
do jornal O Estado de S. Paulo, mostram que o rendimento médio
da classe A é hoje 48% maior que em 2002.
Mas, apesar desse crescimento,
a participação da classe A em relação
ao total da população não mudou - ainda representa
apenas 1,9% das famílias brasileiras. Como base de comparação,
do fim de 2002 até 2009, 1,146 milhão de famílias
passaram à classe B (renda de 10 a 20 salários mínimos)
e 7,772 milhões à classe C (renda de 3 a 10 salários
mínimos).
O crescimento da renda
não foi muito diferente entre as categorias: dobrou na
classe A, cresceu 116% na classe B e 142% para a C. O ano de crise
de 2009 foi ruim para a Classe A. A estimativa da MB Associados
é que cerca de 10 mil famílias tenham descido um
degrau.
Mas essa oscilação
não foi suficiente para tirar do grupo a marca de 1 milhão
de famílias (alcançada antes, pontualmente, em 1996
e 1998). A expectativa é de que, passado o pior da crise,
o consumo nessa faixa de renda volte a crescer muito em 2010.
|
FOLHA DE SÃO
PAULO, 22 de fevereiro de 2010 | Brasil
Governo não atingirá
metas para jovens
Não por acaso, tema é uma
das prioridades da campanha de Dilma; eleitores entre 15 e 29
anos são um quarto do total | Jovem Aprendiz deve chegar
ao final do ano com 25% dos novos empregos previstos; Projovem
baterá, na melhor das hipóteses, 70% da meta
DIMMI AMORA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Candidata do PT
à Presidência, Dilma Rousseff escolheu como primeiro
compromisso eleitoral justamente uma das fragilidades do governo
que ela defenderá na campanha: a política para a
juventude. Depois do fracasso do Primeiro Emprego, Lula caminha
para fechar o segundo mandato com resultados aquém das
metas estabelecidas para os outros principais programas federais
voltados para jovens.
O Jovem Aprendiz deverá chegar ao final do ano com menos
de 25% do número prometido de novos empregos para estudantes.
Já o Projovem, um guarda-chuva de projetos da Secretaria
Nacional da Juventude, estima que, na melhor das hipóteses,
atenderá 70% do público-alvo de 4,2 milhões
de desempregados de 15 a 29 anos sem o ensino básico.
A estratégia de Dilma segue uma lógica eleitoral,
uma vez que, pelas projeções demográficas,
a faixa etária entre 15 e 29 anos representará neste
ano mais de um quarto da população. Mas servirá
também para que a candidatura do PT se antecipe à
previsível frustração dos números
esperados para este ano nas principais políticas para o
setor.
No começo de 2008, o Planalto firmou como meta empregar
800 mil pessoas por meio do Jovem Aprendiz -dez vezes o número
de vagas que o programa tinha à época. No final
de 2009, no entanto, esse total de contratados era de 155.864.
Se mantida a média dos últimos dois anos, o número
de beneficiados chegará em 2010 à casa de 190 mil
vagas.
Mas o programa desacelerou no ano passado. Gerou 21.891 vagas,
quase a metade do ano anterior. Persistindo o ritmo de contratações
em 2009, a meta de 800 mil atendidos só será alcançada
daqui a 30 anos.
O Jovem Aprendiz, baseado em lei aprovada em 2000 e regulamentada
cinco anos depois, não envolve dinheiro público.
As empresas médias e grandes são obrigadas a contratar
entre 5% e 15% da sua força de trabalho nesse tipo de contrato.
Os jovens recebem um salário mínimo/hora e têm
obrigatoriamente de estar cursando uma escola técnica.
Já o Projovem, que custou no ano passado R$ 1,2 bilhão,
alcançou no final do ano passado 1,7 milhão de adolescentes
e jovens adultos. A previsão da Secretaria da Juventude
é que o programa ganhe velocidade e atenda mais 1,3 milhão
de estudantes em 2010. Tal cenário é bastante otimista.
Em 2008 e 2009, o Projovem cresceu a um ritmo de 500 mil novos
beneficiados por ano.
Ainda assim, se a previsão da secretaria se confirmar,
terão sido atendidos 3 milhões de jovens -abaixo
dos 4,2 milhões que em 2008 o governo havia estipulado
como meta.
O Projovem é dividido em quatro modalidades: Trabalhador,
Urbano, Campo e Adolescente. Em todas, os jovens de 15 a 29 anos
com frequência escolar acima de 75% recebem uma bolsa mensal
de R$ 100.
O Ministério do Trabalho não se pronunciou sobre
o mau desempenho do Jovem Aprendiz. O secretário da Juventude,
Beto Cury, destacou "os avanços" do Projovem.
Alega que o programa tem como alvo "a parte mais vulnerável"
da juventude: os sem ensino fundamental e desempregados.
Carlos Lupi, ministro do Trabalho, tem defendido que o governo
turbine o Jovem Aprendiz reduzindo encargos trabalhistas para
as empresas. Essa estratégia não surtiu efeito no
Primeiro Emprego.
Wanda Engel, superintendente do Instituto Unibanco, que desenvolve
projetos para ONGs que atuam na formação profissional,
diz que as empresas têm dificuldade de achar jovens capacitados
para exercer as funções no nível de aprendizagem.
"Só 16% dos jovens têm ensino médio completo
no país. Deveríamos ter 10 milhões de jovens
no ensino médio. Mas hoje só existem 3,6 milhões
e, destes, metade vai abandonar. Por isso temos um apagão
de recursos humanos."
Na opinião de Raí Oliveira, ex-jogador de futebol
e hoje diretor de a ONG Atletas Pela Cidadania, há entraves
para a contratação de aprendizes, que, segundo ele,
podem ser resolvidos por meio de um projeto de lei elaborado após
a Conferência para a Juventude de 2008. Mas, segundo Raí,
o projeto está parado na Casa Civil, o ministério
da candidata Dilma.
|
FOLHA DE SÃO
PAULO, 22 de fevereiro de 2010 | Dinheiro
Infraestrutura vai investir R$ 274
bi até 2013, diz BNDES
Cifra é 37% maior do que a do período
entre 2005 e 2008, que antecedeu a crise | Segundo autor do estudo,
investimento produtivo é mais resiliente por ser de longo
prazo; banco não sabe qual será sua parte no total
SAMANTHA LIMA
DA SUCURSAL DO RIO
Os investimentos em infraestrutura
previstos para o país entre 2010 e 2013 superarão
os realizados nos quatro anos anteriores à crise (2005-2008),
prevê o BNDES. Os projetos para energia elétrica,
portos, telefonia, estradas e ferrovias chegarão a R$ 274
bilhões -37,3% a mais que os R$ 199 bilhões investidos
entre 2005 e 2008. Esse valor equivale a 14,7% do Orçamento
federal estimado para este ano, de R$ 1,86 trilhão.
Entre as locomotivas do pacote, estão as hidrelétricas
de Santo Antônio e Jirau, cujas obras já foram iniciadas,
e a de Belo Monte, que vai a leilão para concessão
neste ano.
Também entraram na conta obras de saneamento, portos, ferrovias
(como o trem-bala, que ligará Rio e São Paulo, com
custo estimado em R$ 34,6 bilhões em dez anos) e investimentos
para ampliação da estrutura de telecomunicações,
englobando acesso a banda larga e TV digital.
Muitos dos projetos estarão encampados pelo PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento), como alguns de portos,
energia e saneamento. O banco não soube informar quantos
são nem o valor de tais projetos.
O levantamento considera investimentos públicos e privados.
Foram computados projetos ainda não lançados, mas
que o banco, por sua proximidade com investidores e participação
na economia, consegue identificar.
Competitividade
Para Fernando Puga, chefe do departamento de acompanhamento econômico
do BNDES e um dos responsáveis pelo levantamento, o crescimento
do investimento em infraestrutura é importante e bem-vindo.
"Esse investimento traz maior competitividade ao sistema
e impulsiona outros projetos no país, em outras áreas."
Segundo o banco de fomento, não foi possível mapear
quanto desses R$ 274 bilhões sairá de seu cofre.
"Quem determinará isso serão os investidores.
O BNDES vai atender à medida que os pedidos chegarem."
O banco diz não saber, por exemplo, quanto será
demandado no projeto de Belo Monte. A iniciativa privada calcula
em R$ 30 bilhões o valor da usina, enquanto o governo federal
estima o projeto entre R$ 17 bilhões e R$ 20 bilhões.
O BNDES disse que não tem os dados referentes a 2009 e,
por isso, não pôde avaliar o impacto dos piores momentos
da crise nas decisões de investimento na infraestrutura.
Mas não o considera relevante.
"Os investimentos em infraestrutura são mais resilientes
à crise, e percebemos que foram mantidos, de forma geral,
porque são de longo prazo."
Além disso, trata-se de decisões baseadas em contratos
firmados com o governo -como no caso do setor elétrico
e nas concessões de rodovias e saneamentos-, segundo Puga,
e por isso não podem ser postergadas nem suspensas.
No caso da telefonia, a dura concorrência impede que os
investidores deem passos para trás, sob pena de ficarem
tecnologicamente ultrapassados.
Embora considere os investimentos em infraestrutura resistentes
à crise, o banco diz que eles não estão livres
de riscos, diz o banco. Nos portos e nas rodovias, os projetos
estão condicionados à confiança dos investidores
nas regras de concessão pública. O governo prepara
um novo marco regulatório para os portos.
Já nas ferrovias e no saneamento, segundo o BNDES, o fator
crítico é a dependência do orçamento
fiscal. Na energia elétrica, o risco é o ritmo de
concessão de licenças ambientais, problema que trouxe
atraso às três grandes hidrelétricas que entrarão
em funcionamento nos próximos anos.
Apesar dos riscos reconhecidos, os responsáveis pelo estudo
dizem acreditar que o nível de investimentos deverá
crescer além do previsto. "A metodologia é
conservadora. Trata-se de retrato do fim de 2009, e devem entrar
novos projetos. Em 2006, por exemplo, previmos crescimento de
11% e foram ainda maiores", diz Puga.
|
FOLHA DE SÃO
PAULO, 22 de fevereiro de 2010 | Dinheiro
País é o que menos
investe entre as maiores economias
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Os investimentos em infraestrutura
no Brasil ainda são menores do que os verificados em países
desenvolvidos ou com altas taxas de crescimento, segundo o economista
Júlio César Gomes de Almeida, professor da Unicamp
e ex-secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda.
O setor público aplica pouco mais de 1% do PIB em infraestrutura.
No setor privado, o percentual sobe para 2%. Em muito países
desenvolvidos ou com altas taxas de crescimento, o percentual
chega a 5%.
Segundo a OCDE (Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico), entre as 11 maiores economias,
o Brasil tinha, em 2007, a menor taxa de investimento (percentual
do PIB destinado à construção e à
ampliação de capacidade de produção):
17,52%. Na China, era de 40%.
Para Almeida, o país ficou muitos anos sem exercitar suas
ferramentas de planejamento e desaprendeu a investir. Nos anos
70, diz, o governo investia 4% do PIB.
Uma das principais causas do baixo investimento público
é o elevado gasto com custeio, diz o economista Carlos
Thadeu Filho, do grupo de Conjuntura da UFRJ. "Ao dar prioridade
ao custeio, o governo desestimula o investimento privado."
Primeiro, de acordo com Thadeu Filho, porque, ao gastar, o governo
cria pressão inflacionária, o que induz o BC a elevar
o juro. Taxas mais altas encarecem o investimento, desmotivando
empresários e investidores no setor produtivo.
Além disso, juros mais altos pressionam as taxas de retorno
pagas pelo Tesouro para rolar a dívida pública.
"O resultado é que os títulos públicos
se tornam mais atraentes, em termos de rentabilidade, que o investimento
no setor produtivo." Na prática, o investidor faz
as contas e conclui que vai ter retorno maior comprando título
do que investindo em projeto.
Para Almeida, o PAC foi apenas um "primeiro passo":
"Muito ainda tem de ser feito." Ele identifica duas
necessidades: azeitar o planejamento estatal -para realizar novos
investimentos em infraestrutura e melhorar a gestão e execução
dos projetos- e equacionar a falta de financiamento ao setor.
O apoio do BNDES, diz Almeida, é importante, mas não
basta. "É fundamental incentivar o mercado de capitais
[ações e títulos de dívidas, como
debêntures], para que as empresas tenham nele uma fonte
barata de recursos para investir."
Colaboraram SAMANTHA LIMA e CLÁUDIA
ANTUNES, da Sucursal do Rio
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AGÊNCIA DIAP,
22 de fevereiro de 2010
Senado: FGTS, trabalho rural e contribuição
sindical nas comissões
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) se reúne,
nesta terça-feira (23), às 10 horas, e consta na
pauta o PLS 466/09, do senador Paulo Paim (PT/RS), que autoriza
os titulares de contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS) a aplicarem até 10% de seu saldo em fundos de investimento
que aplicam seus recursos em projetos de exploração
de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos
líquidos situados na área do pré-sal.
O texto do projeto de
lei modifica a Lei 8.036, de 11 de maio de 1990, que dispõe
sobre o FGTS.
O projeto é uma
alternativa ao trabalhador para participar da capitalização
da Petrobras com o FGTS, que foi rejeitado no dia 11 de novembro
de 2009 por comissão especial da Câmara dos Deputados
criada para tratar do assunto.
A matéria, não
terminativa, está sob a relataria do senador Garibaldi
Alves Filho (PMDB/RN), que apresentou parecer favorável
ao texto. A proposição ainda será apreciada
pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI),
com decisão terminativa.
Trabalhadores
informais
Também está na pauta da CAE, o PLS 584/07, do senador
Marcelo Crivella (PRB/RJ), que dispõe sobre a regularização
e formalização do contrato de trabalho de trabalhadores
informais e o parcelamento de débitos perante o Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) e o Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS).
O projeto tem parecer
pela aprovação, do senador João Vicente Claudino
(PTB/PI).
Depois de ser apreciada
na CAE, a matéria será examinada na Comissão
de Assuntos Sociais (CAS), em decisão terminativa.
A reunião na CAE
acontecerá no plenário 19, Ala Alexandre Costa.
Trabalho
rural
A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA)
tem marcada para as 9h30 dessa terça-feira (23), audiência
pública para debater a modernização e adequação
das normas que regem o trabalho no campo.
Parlamentares e representantes
do setor rural vão discutir o projeto de lei do Senado
(PLS) 458/09, do senador Gilberto Goellner (DEM/MT), que altera
a Lei 5.889/73.
O senador Raimundo Colombo
(DEM/SC), relator da matéria na CRA, apresentou voto pela
sua aprovação. Caso seja aprovado na CRA, o projeto
segue para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde será
examinado em decisão terminativa.
Foram convidados para
participar da audiência pública o ministro do Tribunal
Superior do Trabalho (TST) Guilherme Caputo Bastos; representantes
do Ministério do Trabalho e Emprego (MET); da Confederação
Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); e da
Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura
(Contag).
O debate na CRA será
no plenário 7, ala Senador Alexandre Costa, Anexo II.
Contribuição
sindical
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) pode votar na reunião
desta quarta-feira (24), o projeto de lei que determina reduzir
os percentuais de multa e juros de mora em caso de recolhimento
da contribuição sindical fora do prazo, e dá
outras providências.
Trata-se do PLS 168/09,
do senador Heráclito Fortes (DEM/PI), que altera a redação
do artigo 600 da CLT. O projeto tramita em decisão terminativa
na CAS.
De acordo com o projeto,
o recolhimento espontâneo da contribuição
sindical, efetuado fora do prazo, ficará isento de outras
penalidades quando efetuado com acréscimo de multa de 10%,
depois de transcorridos 30 contados da data do seu vencimento,
além de juros de mora de 1% mensais e atualizados pela
taxa apurada no Sistema Especial de Liquidação e
Custódia (taxa SELIC), em se tratando de contribuição
do empregado, descontada do salário pelo empregador,
Em se tratando de categoria
econômica ou profissional liberal, o acréscimo de
multa será de 5% , após transcorridos 30 contados
da data de seu vencimento, acrescidos de juros de mora de 0,5%
mensais e atualizados pela taxa Selic, em se tratando de categoria
O relator, senador Adelmir
Santana (DEM/DF), apresentou parecer pela aprovação
do Projeto, com substitutivo.
Fundo
de Garantia
O PLS 255/07, do senador Neuto de Conto (PMDB/SC), disciplina
a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
FGTS, para os aposentados que voltam a trabalhar é outro
projeto que está na pauta da CAS nessa semana.
A matéria, que
tem decisão terminativa nesta comissão, acrescenta
inciso XVIII ao art. 20 da Lei 8.036, de 11 de maio de 1990.
O relator do projeto,
senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), deu parecer pela aprovação
do PLS 255/07, com emenda substitutiva, e pela prejudicialidade
do PLS 263/07 e do PLS 55/09, ambos tramitavam apensados ao primeiro.
Caso a emenda substitutiva
seja aprovada, ela será submetida a votação
em turno suplementar.
Licença
para capacitação
A CAS pode votar ainda nessa semana o PLS 28/08, do senador Cristovam
Buarque (PDT/DF), que altera a Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT), para instituir a licença para capacitação
profissional.
De acordo o projeto, a
cada triênio de trabalho, o empregado poderá afastar-se
das suas atividades, sem prejuízo do emprego e do salário,
por no mínimo 120 (cento e vinte horas) para freqüentar
cursos de capacitação profissional.
O relator da matéria
na CAS, senador Gim Argello (PTB/DF), apresentou parecer pela
aprovação com substitutivo.
Se o substitutivo for
aprovado, ele será submetido a votação em
turno suplementar.
Historiador
Na pauta da CAS o projeto de lei que regula o exercício
da profissão de Historiador e dá outras providências.
O projeto, PLS 368/09,
do senador Paulo Paim, tem decisão terminativa na CAS e
está sendo relatado pelo senador Cristovam Buarque (PDT/DF),
que ofereceu parecer pela aprovação. A votação
da matéria é nominal.
PIS-Pasep
Na ordem do dia da CAS está o PLS 117/09, também
do senador Paulo Paim, que permite que o trabalhador desempregado
saque seus recursos acumulados no Fundo de Participação.
A matéria tramita
em caráter terminativo na comissão. O relator, senador
Raimundo Colombo (DEM/SC), apresentou parecer pela aprovação
do projeto.
A reunião na CAS
acontece no plenário 9, ala Alexandre Costa.
Pedagogo
Está na pauta da CAS o projeto que dispõe sobre
o exercício da profissão de Pedagogo e dá
outras providências.
De autoria do deputado
Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP)), o PLC 196/09, terminativo,
está sob a relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT/DF),
que emitiu relatório pela aprovação do projeto.
A reunião na CAS
começa às 11h, no plenário 9, ala Alexandre
Costa.
Terceirização
do trabalho no campo
Está na pauta da Comissão de Constituição
e Justiça e Cidadania (CCJ), que se reúne nesta
quarta-feira (24), às 10h, está o projeto que permite
a atividade de empresas de trabalho temporário no meio
rural. Trata-se do PLS 171/04, do senador Ramez Tebet (PMDB/MS).
O projeto dispõe
sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e dá
outras providências, para permitir a utilização
do trabalho temporário na área rural.
A alteração
na lei abre brecha para a terceirização indiscriminada
do trabalho no meio rural. A mudança pode facilitar a ação
dos "gatos", como vulgarmente são conhecidos
os aliciadores que atuam no campo brasileiro.
A senadora Kátia
Abreu (DEM/TO) apresentou parecer pela aprovação,
com a emenda apresentada na Comissão de Agricultura e Reforma
Agrária (CRA). A senadora Marina Silva (PV/AC) apresentou
voto em separado pela rejeição da matéria,
por inconstitucionalidade e injuridicidade.
Em seguida, a matéria
será apreciada também pela Comissão de Assuntos
Sociais (CAS), em decisão terminativa.
Adicional
de insalubridade
Está na pauta da CCJ o PLS 484/08, do senador Marconi Perillo
(PSDB/GO), que altera o artigo 192 da Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT), modificando a base de cálculo
do adicional de insalubridade.
O objetivo do projeto
é adequar o artigo à Súmula Vinculante nº
4 do Supremo Tribunal Federal, de 9 de maio de 2008, cujo o teor
é: "Salvo nos casos previstos na Constituição,
o salário mínimo não pode ser usado como
indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público
ou de empregado, nem ser substituído por decisão
judicial".
O relator da matéria
é o senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA), que apresentou relatório
pela aprovação do texto, com duas emendas.
A seguir, a proposição
será apreciada pela Comissão de Assuntos Sociais
(CAS), em decisão terminativa.
Os trabalhos da
CCJ serão realizados no plenário 3, na Ala Alexandre
Costa.
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BEM PARANÁ, 22 de fevereiro de
2010 | Política
Piso regional
Requião quer reajuste antes
de deixar governo
Oposição garante que o aumento
será uma das bandeiras de campanha do peemedebista
O governador Roberto Requião (PMDB) quer sancionar o reajuste
do salário mínimo regional antes de deixar o cargo
no dia 3 de abril para disputar cadeira no Senado nas eleições
de outubro. A oposição garante que o aumento será
uma das principais bandeiras de campanha do peemedebista.
O próprio líder da bancada governista na Assembleia
Legislativa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), confirma
que a “tropa de choque” irá trabalhar para
que o texto seja votado na Casa até o dia 15 de março.
A estratégia de Requião põe por terra a pretensão
de empresários e parte dos parlamentares que defendem que
a proposta seja amplamente debatida antes de ir à votação.
Coincidência ou não com a disputa eleitoral, o percentual
de reajuste de 2010 (chega até 21,5%) é o maior
dos anos de governo Requião. No ano passado, o mínimo
regional foi reajustado em 14,9% e em 2008 o índice ficou
em 15,27%.
“Não tem muito o que discutir o mérito da
proposta. Não precisa ficar enrolando. Temos que votar
de uma vez. Até o dia 15 de março quero estar com
isso votado. O mínimo regional é um fabuloso instrumento
para superar a desigualdade social, melhorando a distribuição
de renda”, afirma Romanelli.
Na semana que antecedeu o carnaval, as Federações
das Indústrias dos três estados do Sul do país
(Fiep, Fiergs e Fiesc) encaminharam um documento à Confederação
Nacional da Indústria (CNI) manifestando insatisfação
com a influência política sobre as discussões
que envolvem os pisos salariais nos estados. “Os empresários
não são contra esse piso regional. O que questionamos
são os índices de reajuste que estão sendo
propostos pelo governo”, afirma o coordenador do Conselho
Temático de Relações do Trabalho da Fiep,
Amilton Stival.
Rolo compressor — O líder da oposição,
deputado Élio Rusch (DEM), acusa Requião de querer
colher frutos eleitorais a partir do aumento exagerado do mínimo
regional. “Não sei porque tanta pressa se o reajuste
só vai entrar em vigor a partir de maio. Ainda estamos
em fevereiro. O governador já mandou logo a proposta para
a Assembleia por uma questão política, já
que será candidato. Ele (Requião) quer eternizar
algumas coisas que fez. Esse texto tem que ser bem discutido.
Espero que os parlamentares tenham bom senso, já que eles
também irão se submeter as urnas neste ano”,
argumenta Rusch.
O deputado Reni Pereira (PSB) diz ter informações
de que os seguidos reajustes do piso paranaense têm gerado
desemprego. “Não vou permitir que o rolo compressor
governista passe por cima de questão tão importante.
Tenho recebido informações sobre a diminuição
da oferta de empregos. O certo é ouvir todos os segmentos
que serão afetados pelo aumento. Precisamos saber se este
aumento não vai se transformar em cartas de demissão.
Quem vai pagar pela pressa não é o empresariado,
mas sim os trabalhadores”, comenta. (AB)
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AGÊNCIA DIAP,
22 de fevereiro de 2010
Eleições 2010: Serra
(PSDB) quer neutralizar discurso social do PT
Na corrida pela conquista do eleitor de baixa renda, maior parte
do eleitorado e fiel da balança na disputa presidencial,
as principais vitrines sociais do governo do tucano José
Serra serão encorpadas e servirão de arma na campanha
eleitoral deste ano.
A ideia no PSDB é
usar iniciativas de cunho popular no estado para neutralizar o
discurso social do Governo e do PT, principalmente na campanha
eleitoral no rádio e na TV.
A contabilidade tucana
para este ano prevê a expansão do programa de microcrédito,
o anúncio da liberação dos créditos
da Nota Fiscal Paulista numa frequência maior, a duplicação
dos Ambulatórios Médicos de Especialidades e até
a abertura de restaurantes populares em comunidades carentes.
Tudo casado com uma maratona
de inaugurações, antes do prazo para a desincompatibilização
de quem ocupa cargos no Executivo, em 3 de abril.
A ação dos
tucanos ocorre no momento em que o Governo Federal prepara uma
série de eventos para relacionar a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff, a projetos sociais.
Até abril, a petista
terá o nome vinculado, por patrocínio do Governo,
aos lançamentos do PAC 2, do Plano Nacional de Banda Larga
e do projeto de Consolidação das Leis Sociais, que
Lula quer deixar como legado na área.
As vitrines tucanas não
só municiarão o futuro candidato no debate eleitoral,
como devem ilustrar e balizar o programa de governo do partido.
Somam-se a elas outras iniciativas de Serra que o PSDB aposta
que terão repercussão nacional, como o recente anúncio
do novo salário mínimo regional, de R$ 560.
Depois de debates
internos entre integrantes da equipe econômica de Serra,
o governo resolveu mudar o critério de reajuste para conceder
neste ano um aumento acima do que estava previsto. (Fonte: O Estado
de S.Paulo, na Agência Estado)
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BEM PARANÁ,
22 de fevereiro de 2010 | Brasil
Eleições
TSE discute possibilidade de preso
votar
Os jovens infratores, com idade entre
16 e 21 anos, que cumprem medidas socioeducativas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) discutirá na tarde
de hoje em audiência pública, a resolução
que traçará as diretrizes para os Tribunais Regionais
Eleitorais (TREs) assegurarem, em outubro próximo, o exercício
do direito de voto pelos cerca de 170 mil presos provisórios
e adolescentes em medida socioeducativa.
Pela Constituição,
só presos com condenação definitiva perdem
os direitos políticos e o direito a votar. Os jovens infratores,
com idade entre 16 e 21 anos, que cumprem medidas socioeducativas,
como não foram condenados, não perderam os direitos
políticos e devem participar normalmente das votações.
Na eleição de 2008, os TREs de 11 estados promoveram
a coleta de votos de presos provisórios. Houve casos como
o do Rio de Janeiro em que a votação foi somente
em uma delegacia.
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FOLHA DE LONDRINA,
22 de fevereiro de 2010 | Política
Beto Richa é o pré-candidato
do PSDB ao governo do PR
Anúncio será feito hoje
durante reunião do diretório estadual em Curitiba;
definição dá novo impulso nas negociações
de alianças para as eleições
Curitiba - O prefeito de Curitiba, Beto Richa, deverá ser
anunciado o pré-candidato do PSDB ao governo do Paraná.
O partido realiza reunião hoje em Curitiba para definir
a escolha, até então entre Beto e Alvaro Dias. ''Após
a reunião, que terá votação secreta,
vão anunciar o candidato de prefência do diretório
estadual, que todos deduzem que será o Beto Richa'', disse
Valdir Rossoni, presidente estadual do partido. A definição
deve dar um novo impulso nas negociações de alianças
para as eleições 2010.
A intenção
do PSDB é trabalhar pela manutenção da aliança
com o PDT, DEM e PPS, que apoiou o senador Osmar Dias (PDT) no
segundo turno das eleições de 2006 e Beto nas eleições
municipais de 2008. A confirmação ou não
dessa aliança deve balizar o comportamento tanto de partidos
da coligação quanto de alguns que ainda estão
de fora. É o caso do PPS. ''Nós lutamos pela manutenção
da aliança'', adianta o presidente do partido, Rubens Bueno.
Mas se o acordo não for mantido? ''Aí vamos discutir
que rumo o PPS vai tomar'', diz.
Entre as opções,
adianta Bueno, está até mesmo o lançamento
de uma candidatura própria ao governo do Estado. ''Temos
bons nomes. Se for necessário nos colocamos à disposição'',
apontou, já indicando que ele próprio poderá
ser candidato do partido ao Palácio Iguaçu. Entre
os outros nomes do PPS para a disputa estão o deputado
estadual Marcelo Rangel e o deputado federal Cézar Silvestri.
No DEM, o presidente da
legenda no Paraná, deputado federal Abelardo Lupion - e
pré-candidato ao Senado - se declara favorável a
uma aliança com o PDT de Osmar Dias. Mas outros representantes
do partido estão trabalhando pelo apoio da legenda a Beto
Richa. O problema é que enquanto Lupion trabalha para se
eleger senador, o PSDB já lançou dois candidatos
ao Senado, os deputados federais Gustavo Fruet e Alfredo Kaefer.
Além disso, entre
os tucanos também está o ex-petista e senador Flávio
Arns, cujo mandato termina este ano. A princípio Arns não
estava cotado para a chapa de senadores do PSDB, mas como sobrinho
da fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, o senador
voltou a ganhar visibilidade nos últimos meses. Segundo
a assessoria de comunicação do PSDB, Arns ainda
não se manifestou a respeito de uma possível candidatura.
No PP, a decisão
tucana não terá nenhuma repercussão, avisa
o deputado federal Ricardo Barros. ''Somos aliados do Beto, do
Osmar, conversamos com o (Orlando) Pessuti (PMDB)'', declarou.
O partido, disse, deve definir alianças só depois
do fim das ''caravanas progressistas''. ''Vamos visitar todos
os 399 municípios paranaenses para elaborar nosso plano
de governo'', adiantou. Só em maio, quando o plano estiver
pronto, o partido pretende conversar ''mais a sério'' com
outras legendas.
O PTB já decidiu
que não terá candidato próprio na eleição
majoritária. ''Nosso foco é aumentar a bancada do
partido na Assembleia e na Câmara'', adiantou o deputado
estadual Alex Canziani. Na disputa pelo governo, o partido pode
optar tanto por Osmar Dias, quanto por Beto Richa ou Orlando Pessuti.
''É a partir da decisão do PSDB que a coisa começa
a afunilar'', previu.
No outro lado do expectro
eleitoral, o PT está confiante na aproximação
com o senador Osmar Dias. ''É uma conversa que está
avançando. Definimos uma equipe com integrantes dos dois
partidos que irão trabalhar as diretrizes básicas
do governo'', contou o deputado estadual Ênio Verri, que
é presidente do PT-PR. Nessa semana de Carnaval, integrantes
do PT e do PDT estiveram reunidos no apartamento de Osmar Dias
em Brasília para conversar sobre a aliança.
Segundo Verri, o PT tabém
continua trabalhando pela adesão do PMDB a essa aliança.
''Nosso foco é consolidar o palanque único dos partidos
da base do governo Lula no Paraná'', apontou. Mas se nenhuma
dessas alianças se concretizarem, diz Verri, o partido
tem nomes para a disputa do governo, como a secretária
estadual de Ciência e Tecnologia, Lygia Pupatto e o ex-prefeito
de Londrina, Nedson Micheletti.
Desonestidade política
Ontem Alvaro Dias anunciou
que não participará da reunião do partido,
marcada para hoje. Ele defende que a ''pré-convenção''
é ilegal por desrespeitar o calendário eleitoral
estabelecido e considera que ''o colégio eleitoral constituído
para a ilegal escolha é um prêmio à desonestidade
política''. O texto foi publicado ontem no blog do senador.
Ele, inclusive, já
aposta na escolha. ''A imposição do nome do prefeito
Beto Richa, de forma antecipada e ilegal, arma o palanque adversário''.
No entanto, alega que não estaria se ''posicionando contra
quem quer que seja os meus companheiros''. ''O que vale mesmo
é o interesse coletivo. Devemos buscar a estratégia
que mais nos aproxime da vitória e não dela nos
distancie como alguns querem''.
O presidente do partido,
Valdir Rossoni, argumenta que a reunião não vale
como convenção partidária, que ocorre em
junho. No entanto, a escolha - que será feita mediante
voto secreto - apenas segue a tendência de outros partidos,
que já anunciaram seus pré-candidatos. Beto Richa
não foi encontrado pela reportagem para comentar as declarações
de Dias e Rossoni.
Rosiane Correia de
Freitas e Marcela Rocha Mendes
Equipe da Folha
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GAZETA DO POVO, 22 de fevereiro de 2010
| Vida Pública
Eleição
Doações ilegais levam
Justiça a cassar o prefeito de São Paulo
Gilberto Kassab e a vice-prefeita da capital
paulista são acusados de receber recursos de empresas ligadas
à administração municipal na campanha de
2008
Os mandatos do prefeito
de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e de sua vice, Alda
Marco Antonio (PMDB), foram cassados por decisão do juiz
da 1.ª Zona Eleitoral, Aloísio Sérgio Resende
Silveira. O motivo da cassação seria o recebimento
de doações consideradas ilegais na campanha de 2008.
O recurso tem efeito suspensivo imediato e os dois podem recorrer
da sentença sem ter de deixar os cargos.
Além de Kassab
e Alda Marco Antonio, pelo menos oito vereadores tiveram o mandato
cassado. Gilberto Kassab afirmou que confia na Justiça
e não teme perder o cargo. “Nossa campanha foi feita
corretamente, em todas as suas ações. Evidentemente,
agora nossos advogados terão oportunidade de expor tudo
o que foi feito mais uma vez. Nossas contas já foram aprovadas
pelo Tribunal Regional Eleitoral e, mais uma vez, será
demonstrada a correção da campanha”, disse
Kassab.
Questionado se teme perder o mandato, Kassab afirmou que confia
na Justiça, que, em sua avaliação, verá
que as contas de campanha estão corretas.
O prefeito disse ainda
que nas últimas eleições, de vereadores à
Presidência, foram realizados procedimentos semelhantes,
aprovados pela Justiça.
A defesa de Kassab também
negou ontem, por meio de nota, que haja irregularidade nas doações
e informou que vai recorrer da decisão.
“As contribuições
foram feitas seguindo estritamente os mandamentos da lei –
que é a mesma desde 1997 – e já foram analisadas
e aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral”,
diz um trecho da nota.
Ainda segundo a defesa
de Kassab, a decisão “causa perplexidade e insegurança
jurídica”, uma vez que contraria jurisprudência
do TRE e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A sentença do juiz
da 1.ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio
Sérgio Resende Silveira, será publicada no Diário
Oficial de amanhã, quando passa a contar o prazo de três
dias para o recurso no TRE. O recurso tem efeito suspensivo imediato
e os dois podem recorrer da decisão sem ter de deixar os
cargos.
O processo por recebimento
de doações irregulares durante a campanha, no âmbito
da Justiça Eleitoral, não é o único
movido contra o Kassab. O site do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo (TJ-SP) apresenta 19 processos em nome
do prefeito, sendo que 10 deles correm em segredo de Justiça.
Dos nove informados, três
são ações civis públicas, quatro são
ações populares – duas em fase de recurso
–, uma notificação extrajudicial e um agravo
de instrumento.
Ligação
Cinco empreiteiras responsáveis
pelas doações na campanha de 2008 somam R$ 243 milhões
em contratos com a prefeitura paulistana desde 2009, início
da atual gestão. Os negócios das empreiteiras com
a administração correspondem a 12% de todo o investimento
feito pelo município no ano passado: R$ 1,98 bilhão.
Os dados estão disponíveis no site De Olho nas Contas,
da prefeitura.
Juntas, Camargo
Corrêa, OAS, Carioca Christiani Nielsen, Engeform e S/A
Paulista doaram R$ 6,8 milhões para a campanha de Kassab
à reeleição. No último ano, elas obtiveram
contratos com secretarias da administração municipal
que superam o valor doado em 3.400%, segundo levantamento feito
no site.
Partido
DEM critica decisão
Folhapress
O DEM criticou a decisão
do juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio
Silveira, de cassar o mandato do prefeito de São Paulo,
Gilberto Kassab, por suposto recebimento de doações
ilegais na campanha de 2008.
Para o partido, a decisão
é “incoerente”, “eleitoral”, “irresponsável”
e “criminosa”. Mesmo assim, de acordo com o líder
da legenda no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN), o DEM
está tranquilo e confia na Justiça. Ele preferiu
não politizar a decisão, porém ressaltou
que as “as decisões judiciais tem que ser coerentes”.
O deputado Ronaldo Caiado
(DEM-GO), por outro lado, considera a decisão “100%
eleitoral, irresponsável e criminosa”. Segundo ele,
a cassação visa a criar desconforto e instabilidade
ao partido e “sem dúvida” atingir a eventual
candidatura à Presidência do governador José
Serra (PSDB-SP), principal aliado político de Kassab.
Caiado avalia que se a
decisão for levada adiante mostrará que a Justiça
Eleitoral “tem dois pesos e duas medidas”. Isso porque,
segundo o partido, há jurisprudência que permite
a doação de empresas que são sócias
de concessionárias de serviços públicos sob
gestão dos cargos em disputa eleitoral. O presidente nacional
do Democratas (DEM), deputado federal Rodrigo Maia (RJ), disse
ontem acreditar que a decisão judicial que cassou o mandato
de Gilberto Kassab será anulada pelas instâncias
superiores. “Estamos 100% tranquilos com relação
às contas da campanha. ”

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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/02/2010
Unicidade contratual entre empresas
de mesmo grupo afasta prescrição total
Demitido de uma empresa
e contratado por outra do mesmo grupo econômico, um trabalhador
obteve no Tribunal Superior do Trabalho o reconhecimento da unicidade
contratual, o que fez com que fosse aplicada, em seu caso, a prescrição
quinquenal, e não a prescrição bienal. Assim,
seus pedidos decorrentes do que seria o primeiro contrato poderão
ser analisados pela Justiça do Trabalho no período
relativo a até cinco anos antes da data de ajuizamento
da reclamação. Os empregadores não obtiveram
sucesso no recurso de embargos apresentados à Seção
Especializada em Dissídios Individuais I (SDI-1), que manteve
a decisão da Quinta Turma.
O segundo contrato teve
início em 1991 e a reclamação foi proposta
em 1995. Assim, segundo o TST, o período de 1990 a 1991
deve ser apreciado pela Justiça do Trabalho. Porém,
o tempo anterior a 1990, não, pois está fora dos
cinco anos anteriores à ação previstos na
CLT. Ao reconhecer a unicidade contratual, a Quinta Turma determinou
o retorno do processo à primeira instância para que
sejam examinados os pedidos relativos ao primeiro contrato - pagamento
de reflexos de diárias, passagens aéreas e salário
in natura-veículo - não alcançados pela prescrição
parcial quinquenal.
As empresas alegaram,
em seus embargos à SDI-1, que o funcionário recebeu
a indenização legal pelo primeiro contrato e que
não houve dispensa e recontratação por uma
mesma pessoa jurídica. Para poder examinar os embargos,
o ministro Lelio Bentes Corrêa, relator, considerou haver
divergência jurisprudencial entre as Turmas do TST, devido
à decisão juntada ao recurso, em que a Segunda Turma
julgou que, tendo sido o contrato rescindido legalmente e o trabalhador
admitido por empresa com personalidade jurídica própria,
não há direito à contagem do tempo anterior
nem aos benefícios pagos pelo antigo empregador.
Quanto ao mérito
da questão, no entanto, o relator adotou entendimento de
nova corrente doutrinária. Por esse posicionamento, o artigo
2º, parágrafo 2º, da CLT, que prevê a responsabilidade
solidária das empresas componentes de grupo econômico,
deve ser interpretado no sentido de reconhecer a responsabilidade
ampla das empresas quanto às obrigações derivadas
do contrato de emprego, considerados, assim, como empregador único.
O ministro Lelio Bentes
ressalta que o novo entendimento “decorre do princípio
de simetria, que prevê a correspondência entre direitos
e deveres”. O relator esclarece que a lei atribui às
empresas do mesmo grupo econômico o dever da responsabilidade
solidária pelos efeitos da relação de emprego;
por outro lado, cabe às empresas o direito de se valer
do trabalho do empregado e, a este, o dever de prestar seus serviços
para o grupo. Assim, ao ser designado para atuar em outra empresa
do grupo, não ficou caracterizado o término do contrato
de emprego do trabalhador, “impondo-se a contagem dos períodos
sucessivamente laborados, no âmbito do mesmo grupo econômico”,
conclui o ministro.
A decisão da Quinta
Turma de reconhecer a unicidade contratual - diante da prestação
de serviços do empregado em períodos sucessivos
a duas empresas do mesmo grupo – e, consequentemente, afastar
a prescrição total está, segundo o ministro
Lelio Bentes, em conformidade com o artigo 2º, parágrafo
2º, da CLT. Ressaltou, ainda, que esse resultado está
amparado no artigo 9º da CLT, que considera nulos os atos
praticados com o objetivo de desvirtuar a aplicação
dos preceitos da norma trabalhista. A respeito disso, o ministro
lembra um antigo direito, não mais vigente, à indenização
pela estabilidade decenal, obtida após dez anos do contrato
de trabalho e que seria perdida com a interrupção.
O relator observou, também,
que a falta de registro, no acórdão do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região, a respeito do pagamento
de verbas rescisórias do “primeiro contrato”,
impede o exame sob esse prisma, de acordo com a Súmula
297 do TST. A SDI-1, então, seguiu o voto do ministro Lelio
Bentes Corrêa e negou provimento aos embargos empresariais.
(E-RR - 619969-29.1999.5.02.5555)
(Lourdes Tavares)
|
Agência
Diap, 21 de fevereiro de 2010
Empresários atuam contra redução
da jornada de trabalho (PEC 231/95)
Os empresários não estão parados vendo as centrais
atuarem na Câmara pela aprovação da redução
da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Os donos do
capital atuam em sentido oposto, agora num movimento vigoroso dentro
e fora da Câmara dos Deputados.
Na próxima terça-feira (23), o presidente da Confederação
das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil
(CACB), José Paulo Cairoli vai dizer ao presidente da Câmara
dos Deputados, Michel Temer (PMDB/SP), que "a redução
da jornada de trabalho em discussão pelos deputados, prejudica
as micro e pequenas empresas, gera desemprego e incentiva a informalidade".
Cairoli se encontra com o deputado Rodrigo Rocha Loures e antes
da reunião com o presidente da Câmara, ele almoça
com líderes partidários onde falará sobre
o mesmo tema.
A entidade argumenta que "a discussão da redução
da jornada deve ser evitada em função do ano eleitoral
porque contamina a agenda do Congresso". "Não
podemos tratar um assunto tão sério somente com
o viés político", enfatizou Cairoli.
Antes da crise que solapou a economia em 2009, os empresários
argumentavam, entre outros aspectos, que a redução
da jornada tinha que ser debatida "caso a caso" e não
determinada pela Constituição, como querem os trabalhadores.
Em meio à crise, o argumento mudou, porque o País
estava em crise e a redução da jornada poderia fazer
as empresas brasileiras perderem "competitividade".
Agora, são as eleições que "atrapalham"
a discussão do tema no Congresso.
O encontro do presidente da CACB com Temer está marcado
para terça-feira (23) às 15h30, pela manhã.
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CNTM,
21 de fevereiro de 2010
Centrais voltam à Brasília
nos dias 23 e 24 para pressionar deputados
Nos próximos dias 23 e 24 de fevereiro (terça e quarta-feira),
as centrais sindicais - CUT, Força Sindical, Nova Central,
UGT, CGTB e CTB - vem à Brasília para continuar a
luta pela redução da jornada de trabalho de 44 para
40 horas semanais, sem redução de salários.
Desde que foi aprovada pela Comissão Especial da Câmara
em 30 de junho do ano passado, a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 231/95, que trata do assunto, aguarda votação
em Plenário.
O objetivo da manifestação é pressionar
os deputados para que a redução seja colocada em
votação imediatamente.
A mobilização está marcada para 9h, no Anexo
2 da Câmara dos Deputados. Além das centrais, participam
do ato em Brasília, sindicatos, federações
e confederações de trabalhadores de todo País.
No início desse mês, os representantes da classe
trabalhadora estiveram no Congresso fazendo uma grande manifestação
pelas 40 horas. Na ocasião, os sindicalistas fizeram uma
vigília na casa pedindo a votação imediata
da redução.
Para o presidente do SMC e da Força Sindical do Paraná,
Sérgio Butka, a aprovação da PEC que reduz
a jornada é de extrema urgência.
"Não podemos mais aceitar enrolação.
Estamos em ano eleitoral e esta é uma grande oportunidade
para que as 40 horas sejam aprovadas, pois quem não votar
a favor da redução, claramente se posicionará
contra os trabalhadores", afirma o líder sindical.
Ainda segundo Butka, a redução da jornada de trabalho
irá ajudar a impulsionar a economia do país, pois
irá gerar mais empregos aumentando o poder de compra do
trabalhador.
"Além disso, a qualidade de vida dos trabalhadores
do Brasil irá aumentar, pois com a jornada reduzida eles
terão mais tempo para atividades de lazer e para passar
com a família", afirma.
Temer propõe redução para 42 horas
As centrais sindicais estão consultando suas entidades
filiadas - sindicatos, federações e confederações
- sobre a proposta feita pelo presidente da Câmara dos Deputados,
Michel Temer (PMDB/SP), de reduzir a jornada de trabalho gradativamente,
para 43 horas em 2011 até chegar às 42 horas em
2012.
A proposta está em discussão.
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Jornal
da Tarde, 21 de fevereiro de 2010
Há falta de mão de obra;
economia cresce e muda cenário ‘desolador’
Por Cleide Silva,
No Jornal da Tarde
Há um ano, o cenário era desolador na Ergomat,
empresa fabricante de tornos para o setor metalúrgico.
"Sem horizonte", define o diretor-presidente da companhia,
Andreas Meister, após ficar quatro meses sem receber pedidos,
inclusive externos. Na ocasião, a empresa demitiu muitos
funcionários.
Em janeiro, chamou vários deles de volta, ao confirmar
que a retomada do mercado verificada em meados do ano passado.
A metalúrgica emprega hoje 225 trabalhadores, número
ainda inferior ao de 2008, mas os planos são de continuidade
de abertura de vagas.
"A tendência para este ano é mais para contratar
do que demitir", afirma Meister. Segundo ele, a maioria dos
funcionários recolocados estava sem trabalho desde que
deixaram a empresa.
O grupo Valeo, fabricante de autopeças, ampliou seu quadro
em cerca de 100 pessoas no mês passado e hoje tem 4,2 mil
funcionários. Há vagas, porém, que não
foram preenchidas por falta de mão de obra disponível.
Segundo o diretor de Recursos Humanos, Francisco Cuesta, desde
dezembro a empresa procura por engenheiros especializados em métodos
e processos de fabricação de componentes, sem sucesso.
O salário para o cargo gira em torno de R$ 5 mil a R$ 6,5
mil.
Só as montadoras de veículos contrataram em janeiro
1,8 mil trabalhadores, somando quadro total de 126,2 mil pessoas,
300 a mais do que tinha no mesmo mês do ano passado.
Enquanto a geração de empregos no segmento cresceu
menos de 1% na comparação mensal, a produção
de carros aumentou 31,6%.
No grupo das que contrataram estão a PSA Peugeot Citroën,
que abriu 700 vagas para iniciar o terceiro turno de trabalho
na fábrica de Porto Real (RJ); a MAN/Volkswagen, com 700
novos postos para ampliar a produção de caminhões
e ônibus em 25% na fábrica de Resende (RJ) e a Mercedes-Benz,
com 250 novas vagas em São Bernardo (SP).
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Reuters,
21 de fevereiro de 2010
Programa: PT quer jornada de trabalho
menor, mas sem perda de salário
Por Fernando Exman,
Na Reuters
O congresso nacional do PT aprovou, na sexta-feira (19), emenda
às diretrizes do programa de governo do partido que defende
a redução da jornada de trabalho sem redução
de salários.
Tema que tem gerado preocupação no empresariado,
a proposta de redução da jornada de trabalho tornou-se
um assunto polêmico no evento.
A proposta original da Executiva Nacional da legenda propunha
a "construção de um consenso para lograr a
jornada de trabalho de 40 horas", ante as atuais 44 horas
semanais.
Alguns líderes do partido tentaram alterar tal passagem
do texto a fim de amenizar seu tom. No entanto, a maioria dos
delegados petistas aprovou emenda que adicionou ao texto uma passagem
que criou o "compromisso com a defesa da jornada de trabalho
de 40 horas semanais sem a redução de salário".
"Só tem viabilidade se for acompanhado de uma negociação
com o setor produtivo, como por exemplo com redução
tributária", argumentou à Reuters a líder
do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT/SC), antes
da votação.
"Aprovar neste congresso (do PT) não será
grande dificuldade, mas tem que aprovar no outro Congresso (Nacional)".
Uma proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o tema tramita
na Câmara, mas ainda não há consenso para
sua votação.
As diretrizes do programa de governo do PT são as propostas
que serão apresentadas pelo partido às outras legendas
que integrarão a campanha à Presidência da
República da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), para
montarem o programa de governo da coalizão.
O governador do Sergipe, Marcelo Déda (PT), nega que as
propostas da sigla apontem para um eventual governo de Dilma mais
à esquerda que a administração Luiz Inácio
Lula da Silva. Para ele, as diretrizes a serem aprovadas pelo
congresso do PT sinalizam que a campanha da ministra defenderá
a continuidade com avanços.
"Esse programa de governo não reflete a Dilma, reflete
o PT. Não é um bolo que a Dilma oferece ao PT, é
um bolo que o PT oferece à Dilma," explicou o governador.
"Dilma é a expressão desse governo e o que
ele tem de compromisso".
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Revista
Amanhã, 21 de fevereiro de 2010
Capital versus Trabalho: patronato
combate bandeiras dos trabalhadores
O representante dos empresários brasileiros na Organização
Internacional do Trabalho (OIT), Dagoberto Lima Godoy, enumerou
em um artigo como o patronato pretende combater as reivindicações
dos trabalhadores.
Os argumentos são baseados nas surradas teses de que o
negociado deve prevalecer sobre o legislado ou arbitrado por algum
poder.
São teses liberais antigas, que pareciam mortas, mas sempre
ressuscitadas para combater a luta dos trabalhadores.
Na "era neoliberal", essas bandeiras tremularam no
Palácio do Planalto.
Hoje, lá estão outras bandeiras. Mas a luta continua.
E dura como sempre.
Leia o artigo:
Sindicalismo que não ajuda
Por Dagoberto Lima Godoy*,
Na revista Amanhã
O brasileiro que acompanha a mídia internacional deve
andar impressionado com a visão positiva que o mundo lá
fora tem da economia do Brasil e do desempenho do seu presidente.
Muito mais estou eu, ao ouvir os rasgados elogios dos representantes
dos 180 países com quem convivo na Organização
Internacional do Trabalho (OIT), na Suíça.
Claro que, como patriota, me alegro com tanta aprovação.
É muito melhor do que sermos vistos, como até há
pouco tempo, como uma república de bananas. Mas vejo bom
senso na ponderação de Paul Krugman (Nobel de Economia),
em entrevista a um jornal paulista: "Está na hora
de o brasileiro dizer: estamos melhores do que estávamos,
mas não tão bem assim. Não amem tanto a gente".
O fato é que, lá de fora, observam o Brasil como
uma experiência diferenciada, inclusive na forma de tratar
as relações entre "capital e trabalho"
(para utilizar a expressão costumeira, embora já
não reflita toda a complexidade do relacionamento da empresa
com seus empregados).
Destoando da maior parte do mundo, onde os sindicatos vêm
perdendo prestígio e poder, o Brasil pôs um líder
sindical no seu mais alto comando.
Por vontade dele, o país já deve ter, de longe,
o maior número de sindicalistas ocupando cargos governamentais
em todo o mundo.
Sim, somos um "case" digno de atenção,
considerando que até mesmo a Europa Ocidental - forçada
pela competição internacional e assolada pelo desemprego
e pelos déficits da seguridade social - vem sendo obrigada
a rever as normas trabalhistas que inspiraram a nossa CLT.
E, apesar disso, a crise financeira, que desencadeou uma terrível
onda de desemprego mundial, teve impacto muito menor no Brasil.
Na verdade, o Brasil passou bem pela crise graças a uma
bem conhecida conjugação de fatores, que permitiram
ao governo a adoção de medidas contracíclicas,
sem incorrer nos tremendos desequilíbrios fiscais de outros
países.
Não obstante, nada de substancial foi feito, nos últimos
dez anos, para remover as deficiências estruturais que põem
em sério risco um crescimento sustentável a taxas
de 5% ao ano ou mais, como o Brasil quer e precisa.
No campo da regulação trabalhista, a pressão
das centrais sindicais coloca de volta à pauta velhos "pontos
de luta" desafinados com o mundo das novas tecnologias e
da competição implacável da economia globalizada.
Como muitos outros, tenho procurado esclarecer os nossos legisladores
sobre as nefastas consequências da eventual aprovação
dessas propostas. Refiro-me, especialmente, a três: a redução
da jornada legal de trabalho, a ratificação da Convenção
158 da OIT e a proibição da terceirização.
A primeira é a menos perigosa. A redução
da jornada, por lei, é desnecessária (pode e já
está acontecendo em negociações com setores
econômicos), é onerosa (desorganiza a produção,
aumenta custos e baixa a competitividade), não cria novos
empregos (estimula a automação), mas seu impacto
é administrável, se - como se cogita - for dado
tempo para as empresas se adaptarem.
Já as outras duas "bandeiras" interferem diretamente
na liberdade de gestão, indispensável à competitividade
das empresas. A Convenção 158 remete, na prática,
à volta da estabilidade no emprego (que não protege
o trabalhador, ao prejudicar a eficiência da empresa), anulando
a bem-sucedida fórmula do FGTS e da sua multa por demissão
arbitrária.
E impedir a terceirização é barrar a desverticalização
das empresas e a formação das cadeias ou redes produtivas,
hoje um instrumento indispensável para a participação
no mercado global.
Afirmo que, quando se esboça um novo ciclo de crescimento
econômico, bloquear esses "avanços" (que
têm o poderoso bafejo do presidente) passa a ser um dos
condicionantes do nosso desenvolvimento.
(*) Representante dos empresários brasileiros
na Organização Internacional do Trabalho (OIT)
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Conjur,
20 de fevereiro de 2010
Teto furado
Escrivão do TJ-PR recebeu R$
100 mil em dezembro
Apesar de o teto constitucional de vencimentos do funcionalismo
público ser de R$ 25.725,00 em dezembro do ano passado, o
Tribunal de Justiça do Paraná pagou, naquele mês,
valor superior a R$ 100 mil. Essa foi a remuneração
de um escrivão cível (R$ 67.254,85 como remuneração
base e R$ 33.627,42 como vantagens pessoais), de acordo com lista
contendo 6.953 registros, sem nomes dos servidores, publicada no
site do tribunal após orientação do Conselho
Nacional de Justiça.
Reportagem de Evandro Fadel, do jornal O Estado de S. Paulo,
também revela a remuneração base de um oficial
de Justiça — R$ 42.950,22. Somadas as vantagens,
ele recebeu R$ 62.378,82. A lista mostra, ainda, que algumas atividades
no TJ paranaense têm remuneração superior
à que se pratica no mercado. Um motorista, por exemplo,
recebeu R$ 9.655,44 (R$ 5.313,18 como base), enquanto um copeiro
foi remunerado, em dezembro, com R$ 8.499,15. Para um porteiro
de auditório foi pago R$ 8.279,00 e um ascensorista recebeu
R$ 6.647,00.
No caso de desembargadores, a Constituição Federal
determina que as remunerações não ultrapassem
a 90,25% do teto de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Na
estrutura paranaense divulgada na internet, cinco magistrados
têm remuneração base superior a esse teto,
mas tiveram retenção do valor. A maioria dos desembargadores
recebeu R$ 23.216,81 como base. No entanto, 23 receberam, em dezembro,
a título de vantagens eventuais, R$ 10.059,84, o que elevou
o total bruto para R$ 33.276,65, sem que houvesse retenção.
O presidente do TJ-PR, desembargador Carlos Augusto Hoffmann,
afirmou ao Estado que "nenhum servidor e nenhum magistrado
recebe mais que o teto e, quando eventualmente supera o limite,
há a retenção". Segundo ele, entre as
vantagens estão o terço de férias e o abono
de permanência, que não estão sujeitas ao
limite constitucional. "A folha de dezembro é atípica",
justificou.
Se somadas as vantagens às remunerações
base, 146 servidores do Judiciário paranaense receberam
valores superiores ao teto estabelecido para os funcionários
públicos naquele mês. Mas apenas 39 tiveram retenção
de valores. A legislação permite que se ultrapasse
o teto em casos específicos como verba indenizatória
e 13º salário, mas na lista publicada pelo TJ-PR isso
não é especificado, aparecendo apenas rubricas como
"vantagens pessoais" e "vantagens eventuais".
O presidente da corte afirmou, ainda, que os dois servidores
que receberam valores elevados foram beneficiados por decisões
judiciais. "Elas se referem a pagamentos de salários
atrasados acumulados e não representam ganhos mensais",
acentuou. Em relação a salários não
compatíveis com as mesmas funções exercidas
na iniciativa privada, Hoffmann salientou que "não
se pode comparar" os dois setores.
"No setor público, há vencimentos que são
um pouco elevados, talvez decorrente de tempo de serviço
ou de uma situação funcional momentânea",
disse. "Mas isto é uma situação que
vem há tempos, atualmente não existe mais."
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Folha
de S.Paulo, 20 de fevereiro de 2010
SDE quer barrar brasileiras na Cimpor
Secretaria sugere ao Cade medida cautelar
para evitar concentração de mercado por parte de Camargo
Corrêa e Votorantim
SDE suspeita que objetivo de Camargo e Votorantim
em relação à cimenteira portuguesa seja barrar
o avanço da CSN no setor
MARIANA BARBOSA
DA REPORTAGEM LOCAL
A Secretaria de Direito Econômico (SDE) considera "de
grave potencial lesivo à concorrência" a aquisição
de participação acionária da cimenteira portuguesa
Cimpor pelas brasileiras Camargo Corrêa e Votorantim. Diante
disso, recomendou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)
que adote medida cautelar para impedir os efeitos das operações
no Brasil.
Entretanto, a Votorantim passou a tarde de ontem negociando com
o conselheiro Vinícius Carvalho, relator do caso no Cade,
um acordo voluntário que atende em parte as recomendações
da SDE -e que tornaria desnecessária a adoção
da cautelar. A reunião da Camargo com o Cade deve ocorrer
na semana que vem. A Folha apurou que, no lugar de medida cautelar,
a tendência é que seja negociado um acordo de reversibilidade
da operação com Votorantim e Camargo Corrêa.
Pela sugestão da SDE, Camargo, Votorantim e Lafarge -cimenteira
francesa que vendeu sua fatia de 17,3% na Cimpor à Votorantim-
ficariam impedidas de realizar transferências no Brasil.
Camargo e Votorantim também ficariam impedidas de "exercer
influência na Cimpor" no que diz respeito às
atividades da cimenteira no Brasil. Isso inclui abster-se de participar
de reuniões do conselho de administração
quando questões estratégicas sobre a operação
brasileira estiverem na pauta.
O fato de Camargo e Votorantim terem iniciado um movimento de
compra de ações da Cimpor pouco depois de a CSN
anunciar ao mercado uma oferta pública de aquisição
da cimenteira, no final do ano passado, motivou a SDE a instaurar,
no dia 22 de janeiro, um procedimento administrativo.
A suspeita é que as duas estariam atuando para barrar o
crescimento da CSN no setor. "Essas preocupações
se devem ao fato de que tanto a Cimpor quanto a Camargo Corrêa
e a Votorantim são empresas investigadas no processo que
apura a formação de suposto cartel no mercado de
cimento para, dentre outros objetivos, eliminar concorrentes não
alinhados, o que pode ser o caso da CSN", diz a SDE no parecer.
O parecer da SDE atende a um ofício do Cade, após
pedido de liminar feito pela CSN para tentar suspender as operações
de compra da Cimpor pela Votorantim e pela Camargo.
Ontem à noite, Votorantim e Camargo divulgaram comunicados
à CVM portuguesa, que pediu esclarecimentos após
a manifestação da SDE. As duas empresas afirmam
que o parecer da SDE não afeta as operações
de aquisição de participação acionária.
Apesar disso, a Votorantim diz ter proposto, "voluntária
e temporariamente, não exercer seus direitos enquanto acionista
da Cimpor no que diz respeito à venda de ativos, abertura
ou encerramento de fábricas, fusão, etc.".
A Camargo informou que vai aguardar a decisão final do
Cade sobre o caso. Os acionistas da Cimpor têm até
segunda-feira para decidir se aceitam a oferta da CSN.
Colaborou a Sucursal de Brasília
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InfoMoney,
20 de fevereiro de 2010
Brasileiro com renda entre 5 e 10
mínimos é o mais satisfeito com a vida
Brasileiros com renda familiar entre cinco e dez salários
mínimos são os mais satisfeitos com a vida que levam,
revelou uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, a
pedido do Diário do Comércio, com mais de 2 mil pessoas
neste mês.
De acordo com os dados, 87% dos brasileiros nesta faixa de renda
familiar estão no mínimo satisfeitos com a vida
que levam, proporção maior do que a da população
que ganha mais do que dez salários mínimos, na qual
83% estão no mínimo satisfeitos.
A proporção vai para 85% entre a população
que ganha entre dois e cinco salários mínimos como
renda familiar, para 79% entre os brasileiros que recebem entre
um e dois salários mínimos e para 72% entre aqueles
com renda até um mínimo.
Perfil dos satisfeitos
Quando analisado o sexo, os dados mostram que os homens estão
mais felizes com a vida que levam, com 83% que responderam estar
muito ou apenas satisfeitos. Entre as mulheres, a proporção
cai para 78%.
Em relação à idade, a população
entre 16 e 24 anos, entre 30 e 39 anos e entre 40 e 49 anos apresenta
o mesmo número de pessoas no mínimo satisfeitas
com a vida que levam, em uma proporção de 82%.
Aquelas entre 25 e 29 anos estão menos satisfeitas, com
76% que deram essa resposta, bem como aquelas com 50 anos ou mais
(79%).
Pessoas com Ensino Superior são as mais satisfeitas (86%),
enquanto aquelas com até a 4ª série e com Ensino
Médio são as menos satisfeitas, com 79% de respostas
cada grupo.
Os brasileiros mais felizes com a vida que levam estão
no Sudeste, onde 82% das pessoas disseram estar satisfeitas ou
muito satisfeitas, ante 80% no Norte/Centro-Oeste e no Nordeste
e 79% no Sul.
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Valor
Econômico, 20 de fevereiro de 2010
Brasil pode crescer 7%, diz O'Neill,
criador do Bric
Demanda doméstica pode fazer Brasil
crescer 7% este ano, diz criador do conceito do Bric - Brasil, Rússia,
Índia e China - devido à força "excepcional"
da demanda doméstica, avalia chefe de pesquisa econômica
global do Goldman Sachs, Jim O'Neill
Por Sergio Lamucci,
No Valor Econômico
O Brasil pode alcançar um crescimento próximo a
7% em 2010, devido à força "excepcional"
da demanda doméstica, avalia o chefe de pesquisa econômica
global do Goldman Sachs, Jim O'Neill. "O Brasil está
se aproveitando das políticas fortes adotadas durante a
crise e dos benefícios acumulados por ter mantido a inflação
baixa nos anos recentes", disse O'Neill, criador do conceito
do Bric (que reúne também Rússia, Índia
e China).
O economista inglês não considera motivo de grande
preocupação a recente turbulência no mercado
internacional, causada pelo temor de um calote da Grécia
e de seus efeitos sobre outros países da Europa, mantendo
as previsões de que a economia global terá um crescimento
robusto em 2010, puxada pelo Bric.
Em entrevista concedida por e-mail na quinta-feira, dia 11, véspera
de embarcar para o Rio, onde deveria passar o Carnaval, O'Neill
disse ver como "altamente provável" um crescimento
na casa de 6% neste ano, "possivelmente próximo de
7%".
Formada pelo consumo das famílias, o consumo do governo
e o investimento, a demanda doméstica será o grande
motor da expansão brasileira neste ano, segundo ele. O'Neill
participará da abertura do seminário "Uma agenda
para os Brics", que vai ocorrer no Rio nos dias 22 e 23,
organizado pela prefeitura carioca.
O'Neill disse que o principal motivo para o seu otimismo em relação
às perspectivas econômicas do Brasil nos próximos
anos é a inflação baixa e estável.
"Esse é realmente um fenômeno novo para o Brasil
e está transformando as vidas de 200 milhões de
pessoas no país. É algo que tem levado ao desenvolvimento
de uma classe média rapidamente em ascensão".
O economista minimizou a volatilidade que tomou conta dos mercados
nas últimas semanas.
"Acho que o que vai ocorrer com a política monetária
chinesa e com a economia americana é muito mais importante
para os mercados globais do que a questão do calote grego.
A Grécia é apenas 2,5% da zona do euro. A questão
do contágio é importante para União Monetária
Europeia, mas não tão importante para o mundo como
as políticas chinesas e os EUA".
Para O'Neill, a valorização do dólar e depreciação
do euro em curso não têm muita importância
para o Bric. Deve ocorrer alguma saída rápida de
dinheiro das moedas e mercados desses países, o que, para
ele, abre "oportunidades para comprar". Ele aponta outro
ponto que lhe parece mais importante.
"Acho que a China pode estar perto de permitir alguma valorização
de sua moeda." Se isso ocorrer, pode ser positivo para o
Brasil e os mercados do Bric de dois modos, avalia O'Neill. Primeiro,
pode fazer o aperto monetário na China acabar mais cedo
- afinal, a valorização da moeda ajuda a segurar
a inflação - e é positivo para os consumidores
chineses, ao aumentar o seu poder de compra.
O Goldman Sachs prevê expansão global de 4,4% em
2010 e de 4,5% em 2011, nos dois casos acima do que o banco considera
o nível de crescimento potencial do planeta (aquele que
não leva à aceleração da inflação),
de 4%.
O'Neill disse que, no período de volatilidade nos mercados
das últimas semanas, surgiram "vários indicadores
globais excepcionalmente fortes". Se há alguma possibilidade
de mudança nas previsões do Goldman Sachs no momento,
é para cima, e não para baixo, afirmou ele.
Em janeiro, por exemplo, as exportações da China
cresceram 21% em relação ao mesmo período
do ano passado, enquanto as importações chinesas
avançaram 85,5%. Para alguns analistas, o ritmo de expansão
das vendas externas chinesas indica a recuperação
global, enquanto a alta expressiva das compras feitas pelo país
asiático confirmam a pujança da atividade econômica
na China, ainda que a base de comparação seja fraca.
As previsões positivas de O'Neill para a economia global
se baseiam no cenário róseo projetado para os mercados
emergentes, especialmente para os países do Bric, mesmo
num quadro de fraqueza na zona do euro e de dúvidas sobre
a recuperação americana.
"A força do consumo e da demanda doméstica
como um todo nos países do Bric é excepcionalmente
clara. Eu acabei de passar uma semana na Ásia e está
claro para mim que China e Índia passam por um boom. É
possível que a demanda interna dos dois países cresça
por vários anos a 10%", disse ele, que também
chama a atenção para o crescimento expressivo da
Indonésia.
E no mundo desenvolvido, chegou a hora de os países colocarem
em prática estratégias de saída, com a reversão
dos estímulos fiscais e monetários? "É
muito cedo para que sejam removidas as políticas de estímulo
nos EUA, no Reino Unido, na zona do euro ou no Japão. Talvez
quando houver uma virada no desemprego, mas não antes disso."
Bastante otimista em relação ao Brasil, O'Neill
recomendou ao ao país um aperto fiscal no próximo
governo. Em 2009, as despesas correntes (como pessoal, aposentadorias
e custeio da máquina) cresceram 15% em relação
ao ano anterior.
Para ele, a questão fiscal é um dos maiores riscos
que podem atrapalhar o país nos próximos anos, assim
como a "doença holandesa", o fenômeno pelo
qual as receitas obtidas com a exportações de commodities
valorizam o câmbio e prejudicam os setores industriais.
É importante, segundo ele, evitar a dependência excessiva
em commodities.
O'Neill disse ainda que não vê problemas no déficit
em conta corrente brasileiro desde que ele não seja muito
maior que 3% do Produto Interno Bruto (PIB). "Mas isso significa
que vocês vão ter que tomar um pouco de cuidado com
o real", afirmou ele.
Para este ano, alguns analistas já projetam um rombo nas
transações comerciais, de serviços e rendas
com o exterior um pouco superior a 3% do PIB, devido à
combinação de forte crescimento da demanda doméstica
e câmbio valorizado. Em 2009, o déficit ficou em
1,5% do PIB.
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O
Estado de S.Paulo, 20 de fevereiro de 2010
Ciro confirma disputa à Presidência
da República
Em rede nacional, o deputado Ciro Gomes
(PSB/CE) diz ser o melhor para continuar o Governo Lula. Sua situação
ainda está indefinida, pois Lula deseja que ele dispute o
governo do estado de São Paulo
No programa gratuito do Partido Socialista Brasileiro (PSB)
apresentado nesta quinta-feira (18) à noite em rede nacional
de TV, o deputado federal Ciro Gomes (CE), fez questão
de explicitar duas mensagens políticas.
A primeira foi a confirmação de que está
presente, com os dois pés, na corrida sucessória
para a Presidência da República. A segunda foi um
recado para a pré-candidata petista, Dilma Rousseff. Disse
que ninguém é melhor que ele para dar continuidade
ao Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nada foi explícito, porque a legislação
eleitoral ainda não permite fazer campanha. Mas os sinais
estavam lá, bem claros. Escolhido para fazer a apresentação
do programa, no lugar do presidente do partido, Eduardo Campos
(PE), Ciro entrou em cena, com seu estilo decidido, elogiando
o Governo.
"Sob a liderança extraordinária do presidente
Lula, o Brasil conquistou grandes avanços", afirmou.
"Pela primeira vez o governo federal dedicou a atenção
e os recursos necessários para atender o nosso povo que
mais precisa. E assim nasceram, por exemplo, a política
de aumento real do salário mínimo, a ampliação
do crédito popular e o Bolsa-Família".
Na opinião de Ciro, as mudanças foram possíveis
graças, sobretudo, à vontade do presidente Lula,
que muitas vezes teria sido abandonado por amigos e aliados. Mas
nunca por ele, ex-ministro da Integração Nacional
do Governo: "Eu e o meu partido sempre estivemos firmes ao
lado desse projeto liderado por Lula, principalmente nos momentos
mais difíceis".
Feito esse alinhamento com Lula, que, segundo pesquisas de opinião
pública, tem um índice pessoal de aprovação
em torno de 80%, Ciro enfatizou que o desafio do País agora
é "consolidar as conquistas" e encarar as tarefas
que ainda precisam ser cumpridas. Dito isso, apresentou o PSB,
representado por ele, como "a opção do futuro",
com boas ideias para "preservar o legado de Lula".
Além de tentar arrebatar a bandeira de Dilma, apresentada
como sucessora oficial de Lula, o ex-ministro também criticou
o tom de plebiscito que o PT tenta imprimir à disputa presidencial.
"Esse clima de Corinthians e Palmeiras, de Fla-Flu partidário,
que leva o cidadão e eleitor a votar no partido A com medo
do partido B e não pelas suas propostas, e vice versa,
é ruim para o Brasil e muito arriscado para o projeto que
estamos construindo", disse.
No papel de mestre de cerimônias, Ciro apresentou as experiências
de governo conduzidas pelo PSB em Pernambuco, Ceará e Rio
Grande do Norte. Falou de São Paulo apenas de maneira indireta,
lembrando que, uma vez que a Região Nordeste cresce num
ritmo superior à média nacional, diminui o número
de pessoas que saem de lá em busca de emprego no Sul e
Sudeste.
No fim, disse que, entre olhar para o passado e elogiar o presente,
prefere encarar o futuro. Em outras palavras: se vê como
terceira via.
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Agência Diap,
19 de fevereiro de 2010
Caged: geração
de empregos é recorde em janeiro de 2010, mostra MTE
No primeiro mês de 2010, o Brasil gerou 181.419 novos empregos
formais, segundo demonstram os dados do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged). O número superou a expectativa
do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, que previa a criação
de cerca de 100 mil postos.
O resultado equivale a
um crescimento de 0,55% em relação ao estoque de
empregos do mês anterior e supera em 27% o recorde anterior
de janeiro de 2008 (+142.921). Os números foram divulgados,
nesta quinta-feira (18), pelo ministro Carlos Lupi, no Rio de
Janeiro.
O balanço favorável
da geração de empregos de janeiro de 2010 vai ao
encontro da expectativa do crescimento da economia e conforme
o ministro Lupi, a meta é criar dois milhões de
postos de trabalho este ano.
Setores
A Indústria de Transformação, após
queda de emrpegos em dezembro de 2009, apresentou uma geração
recorde, ao responder pelo aumento de 68.920 postos de trabalho
(0,93%), saldo superior em 17% ao recorde anterior para o mês,
ocorrido em janeiro de 2008 (+59.045 postos).
"A Indústria
forte é sinal de recuperação total da economia.
Esta é a demonstração de que o ano começa
muito bem e mais uma vez digo que teremos o melhor ano na geração
de empregos na história do país", afirmou o
ministro Lupi durante coletiva.
O setor de Serviços
também obteve resultado recorde para o período em
toda a série do Caged, ao gerar 57.889 empregos (+0,44%).
A Construção
Civil destacou-se com 54.330 postos criados (2,40%), registrando
o melhor resultado absoluto para todos os meses da série
histórica e a maior taxa de crescimento do emprego, dentre
todos os subsetores da atividade.
Os únicos setores
a registrarem redução no emprego foram o Comércio
(-6.787 postos), por razões sazonais vinculadas ao término
de contrato realizado para atender o aumento das demandas do final
de ano, e a Administração Pública (-806 postos),
desempenho, em parte, associado ao ciclo escolar.
"Todos os setores
estão apresentando crescimento homogêneo e contínuo.
O crescimento da renda acima da inflação faz com
que todos os setores cresçam. Quanto maior a renda, maior
o consumo e maior o número de empregos gerados", falou
Lupi.
Nos últimos 12
meses, verificou-se a criação de 1.278.277 postos
de trabalho, correspondente à expansão de 4,01%
no contigente de empregados celetistas do país. De janeiro
de 2003 a janeiro de 2010 foram gerados 8.897.501 postos de trabalho,
segundo o Caged.
Regiões
As cinco regiões do país obtiveram resultados recordes
para o período: Sudeste (+79.652 postos), Sul (+52.078
postos), Centro-Oeste (+24.271), Nordeste (+18.397) e Norte (+7.021).
Estados
Os estados que mais se destacaram na criação de
empregos em janeiro foram: São Paulo (+51.159), Minas Gerais
(+20.492), Santa Catarina (+19.290) e Rio Grande do Sul (+18.877).
"Não há
melhor mecanismo para medir o desemprenho da economia do que o
emprego. Se a economia vai bem, empregos são gerados. E
se vai mal, são perdidos", conclui o ministro. (Fonte:
MTE)
Clique aqui
para ver os números do Caged
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Gazeta
do Povo, 19 de fevereiro de 2010
Emprego
Criação de vagas no
Paraná bate o recorde para janeiro
Recuperação da indústria
ajudou o estado a abrir quase 14 mil oportunidades no mês
passado, número 9 vezes maior do que o mesmo período
de 2009
A combinação entre a recuperação
da indústria e o persistente aquecimento dos setores de
serviços e construção civil fez do mês
passado o melhor janeiro da história do mercado formal
de trabalho. No saldo entre contratações e demissões,
o Paraná criou 13,9 mil empregos, elevando em 0,63% o total
de empregados com carteira assinada, segundo dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em todo o Brasil,
foram mais de 180 mil novas vagas.
No Paraná, os números de janeiro foram
quase nove vezes superiores aos registrados no mesmo mês
de 2009 – quando, sob pressão da crise, o mercado
abriu 1,6 mil vagas – e superaram em 13% o resultado de
2008, até então recorde para meses de janeiro.
“De agosto a novembro, o Paraná
criou quase 58 mil vagas, mas esse movimento foi interrompido
em dezembro. Ao que parece, o mercado já retomou aquele
ritmo mais forte”, avalia o economista Sandro Silva, do
escritório paranaense do Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PR).
Segundo ele, no último mês de 2009 o movimento de
demissões – normal para a época – foi
pouco mais forte que o esperado, com o fechamento de quase 36
mil vagas no estado.
Os setores de serviços e construção
civil exibiram no mês passado o mesmo vigor demonstrado
ao longo de 2009. No ano passado, já descontando as demissões,
as prestadoras de serviços contrataram 27,4 mil pessoas
e as construtoras, 8,3 mil; em janeiro, as admissões foram
de 4,8 mil e 3,4 mil, respectivamente.
Indústria
Mas o principal responsável pelo
recorde de janeiro foi mesmo o setor industrial, que criou 5,1
mil postos de trabalho. Quem mais contratou foi o segmento têxtil
e de vestuário, que abriu quase 1,2 mil vagas. O único
ramo industrial que demitiu mais do que contratou no mês
passado foi o de alimentos e bebidas (saldo negativo de 1,1 mil).

A indústria metal-mecânica
ficou no positivo em janeiro. Mas, segundo o presidente do Sindimetal-PR,
Roberto Karam, as empresas ainda não reabriram todos os
postos fechados após a crise. Pesquisa do sindicato com
35 empresas filiadas mostra quase 1,4 mil demissões após
a crise e 369 admissões em janeiro.
Embora ainda haja terreno
a recuperar em vários segmentos, a perspectiva para 2010
é bastante positiva, diz o economista Roberto Zürcher,
da Federação das Indústrias do Paraná
(Fiep). “As sondagens que fazemos com empresários
mostram índices de confiança maiores a cada mês,
o que indica que temos boas chances de retomar os níveis
de atividade do período pré-crise.”
João Paulo Zanona,
proprietário da Danka Bolsas, de Curitiba, está
entre os mais confiantes. Em 2009, o quadro de funcionários
de sua empresa, fabricante de mochilas e capas para notebooks,
subiu de 120 para 160. No mês passado, foram contratadas
16 pessoas, e ainda há 23 vagas em aberto. A lamentar,
apenas a dificuldade de encontrar profissionais qualificados.
“Temos dificuldade em preencher vagas, e também é
comum termos de dispensar funcionários por não atenderem
às nossas necessidades. Parte das contratações
é para ampliar o quadro, mas parte é para substituição”,
diz Zanona.

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Agência Diap,
19 de fevereiro de 2010
Segundo Dieese, salário
mínimo deveria ser de mais de R$ 1.900
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) estima em R$ 1.987,26 o salário mínimo
adequado, com base no maior valor apurado para a cesta básica.
Este valor leva em consideração
a determinação constitucional que estabelece que
o piso nacional deveria suprir as despesas de um trabalhador e
sua família com alimentação, moradia, saúde,
educação, vestuário, higiene, transporte,
lazer e previdência.
Esse valor representa
3,90 vezes o mínimo em vigor em janeiro (R$ 510).
Em dezembro, quando o
salário mínimo era de R$ 465, o menor salário
deveria ser de R$ 1.995,91, ou R$ 8,65 a mais do que no mês
seguinte.
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O Estado de S.Paulo,
19 de fevereiro de 2010
Crise e corte de impostos
reduzem tributação pela 1ª vez desde 2003
Por Marcelo Rehder,
N'O Estado de S.Paulo
Os efeitos recessivos
da crise global e os incentivos ao consumo no ano passado reduziram
a carga tributária brasileira a 35,2% do Produto Interno
Bruto (PIB), ante 35,8% em 2008 (menos 0,6 ponto porcentual),
segundo o consultor na área fiscal Amir Khair.
Será a primeira
queda desde 2003. O número oficial será conhecido
só quando for divulgado o PIB de 2009. Para 2010, porém,
a tendência é de aumento da carga.
A carga tributária
(ou fiscal) é a soma de todos os tributos (impostos, taxas
e contribuições) pagos pela sociedade aos três
níveis de governo, em relação ao PIB.
Assim, segundo o consultor,
de cada R$ 100 produzidos pelo País no ano passado, R$
35,2 viraram tributos recolhidos pelos governos federal, estaduais
e municipais.
Para calcular a carga
do ano passado, Khair usou a metodologia de cálculo da
Receita Federal e considerou uma variação nula para
a soma das riquezas produzidas no País, estimada em R$
3,005 trilhões.
Se o resultado oficial
do PIB de 2009, a ser divulgado no dia 11 de março pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
for positivo, a queda da carga tributária será maior
que a estimada pelo consultor. No caso de retração
do PIB, a carga pode ter aumentado.
"A redução
da carga tributária no ano passado se deve exclusivamente
às perdas da União", afirma Khair.
Com a economia em recessão,
explica o consultor, a arrecadação cai acompanhando
as menores vendas e lucros nas empresas. Além disso, ocorre
aumento da inadimplência, sonegação e compensação
tributária.
Ele pondera que, para
atenuar o impacto da crise global sobre a economia brasileira,
que implica queda da própria arrecadação,
o Governo Federal adotou medidas temporárias de desoneração
fiscal que beneficiaram vários setores.
A mais visível
foi a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) dos automóveis, eletrodomésticos da linha
branca (geladeiras e fogões) e móveis.
Para o consultor, a queda
da carga tributária só não foi maior por
causa do crescimento da massa salarial, que elevou a arrecadação
acima do crescimento do PIB para a Previdência Social, Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Salário
Educação e Sistema S (conjunto de entidades voltadas
para o treinamento profissional, assistência social, consultoria,
pesquisa e assistência técnica, que têm em
comum seu nome iniciado com a letra S, como Sesi, Senai e Senac).
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Valor Econômico,
19 de fevereiro de 2010
Delfim Netto: Brasil pode
crescer sem problemas a 7% ao ano
Déficit em transações
correntes não assusta o ex-ministro, conselheiro informal
do governo. Para Delfim Netto, o governo Lula tem muitas virtudes,
mas não é uma coisa perfeita e tem as suas idiossincrasias”
João Villaverde, no jornal Valor
Econômico
A política cambial brasileira é um desastre, mas
sua consequência mais imediata – o aumento do déficit
em transações correntes – não assusta.
O país pode crescer 7% ao ano com endividamento externo
nos próximos cinco anos e, antes que se torne um problema,
o déficit poderá ser resolvido com a entrada dos
dólares oriundos das exportações do petróleo
do pré-sal, que começarão a fluir a partir
de 2015.
O que assusta nesse cenário
otimista de crescimento elevado são os efeitos do câmbio
valorizado sobre a indústria nacional. Essa é a
avaliação do economista Antônio Delfim Netto,
professor emérito da Universidade de São Paulo (USP)
e ex-ministro da Fazenda e do Planejamento.
O petróleo da camada
do pré-sal, para Delfim, é a grande saída
para evitar os dois entraves que “sempre limitaram nosso
crescimento”: o déficit em conta corrente e a falta
de energia. O pré-sal, no entanto, pode chegar atrasado.
Graças ao câmbio valorizado, que, segundo ele, “está
destruindo o que tínhamos de mais precioso, que era uma
indústria extremamente sofisticada e diversificada”,
a atividade industrial pode alcançar 2015 fragilizada.
Segundo Delfim, um dos
conselheiros econômicos do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e sua equipe, o governo agiu de maneira “razoavelmente
correta”. A estratégia de fundir e fortalecer grandes
grupos nacionais em diferentes setores por meio de operações
financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) é acertada, diz Delfim. “Frequentemente
ouvimos certas pessoas criticando essa estratégia com aquela
história de que ‘o Estado escolhe os vencedores’.
Fazem isso porque eles são perdedores, não foram
escolhidos, como gostariam ser.”
Delfim reconhece que os
investimentos públicos melhoraram um pouco, mas critica
outros gastos do governo federal, como os aumentos dados ao funcionalismo
público. “É muito mais fácil gastar
em custeio que em investimento. Investimento dá trabalho.
Precisa de projeto, administração. Custeio é
uma alegria, distribui-se empregos, aumenta salário, algo
que dá grande prestígio ao governo”, diz.
Para ele, é preciso aproveitar as eleições
de outubro deste ano para conscientizar a sociedade de que “existem
limites físicos ao crescimento”, que para ocorrer
no longo prazo prescinde de um consumo menos acelerado no presente.
A seguir, os principais
trechos da entrevista de Delfim Netto:
____________
Valor: A crise
mundial acabou?
Antonio Delfim Netto :
O pior passou, mas temos resquícios, embora isso não
signifique uma crise em forma de “W” ou “L”.
O nível de atividade na economia real está com um
sentimento de entusiasmo, porque voltou a crescer, mas continua
um resíduo no sistema financeiro. Agora, o equilíbrio
fiscal de alguns países, que tinham razoável equilíbrio
antes da crise, piorou demais por causa da ação
anticíclica feita no ano passado.
O problema mais importante
hoje é o risco que se estabeleceu sobre o euro. No fundo,
na minha opinião, nenhum daqueles países mais enrascados,
como Grécia, Espanha, Portugal ou Itália vai quebrar.
Eles vão ter de fazer um ajuste que vai depender da política
de cada país, da qualidade de sua administração,
mas todos têm um interesse medonho de permanecer no euro.
A questão é que esses países já estavam
quebrados há muito tempo, mas não era algo visível,
porque eles se beneficiavam do euro, que reduziu as taxas de juros
dos papéis desses países dramaticamente.
Em lugar de aproveitar
os juros baixos da moeda única para melhorar sua situação
fiscal, reduzindo sua dívida, eles continuaram em situações
dramáticas. No caso da Espanha, você tem país
robusto, grande, com investimentos externos importantes, mas com
uma taxa de desemprego gigantesca e de composição
crítica, porque ocorre na faixa entre 20 e 30 anos de idade.
Valor: A situação
fiscal dos países europeus é a grande preocupação
deste 2010?
Delfim : Todo mundo sempre
imaginou que a Europa fosse uma área monetária ótima.
Agora está provado que não é possível
ter uma área monetária ótima sem ter um governo,
sem uma política fiscal ou uma política monetária.
Esses países abdicaram de seus poderes. Lá os presidentes
e primeiro-ministros são como os prefeitos de regiões
dentro de um só país.
Os presidentes da Grécia,
da Espanha, da Itália são prefeitos para administrar
saúde, educação. Essa área monetária
ótima para a qual estão caminhando na comunidade
europeia chegou num ponto crítico. Bateram no teto. Daqui
para frente, precisarão instituir um controle muito maior
da parte fiscal dos países membros. Agora é um problema
sério.
Valor: Há
um ano, havia certo consenso de que o Estado deveria ampliar gastos
e incorrer em déficits fiscais, se preciso, para estimular
a economia. Hoje, o debate se dá quanto à retirada
desses estímulos. O cenário mudou rapidamente?
Delfim : Quando se está
em processo recessivo é natural que se use a política
fiscal para reduzir os efeitos negativos. Mas é natural
que se use a política fiscal no sentido correto. Ninguém
propõe aumento de custeio. O ideal seria que cada país
tivesse um estoque de projetos de infraestrutura com taxas de
retorno baixas – porque se fossem altas o setor privado
os faria – que poderia ser rolado pelo Estado num momento
de crise.
Quando termina a crise,
a situação fiscal volta para o equilíbrio.
Só que é muito mais fácil gastar em custeio
que em investimento. Investimento dá trabalho. Precisa
de projeto, administração. Custeio é uma
alegria, distribui-se empregos, aumenta salário, algo que
dá grande prestígio ao governo.
Valor: É
o que tem acontecido no Brasil?
Delfim : Em parte é,
mas no caso brasileiro houve um aumento do investimento um pouquinho
maior do que as pessoas dizem. É claro que tudo isso é
medido em relação ao PIB e essas medidas são
terrivelmente enganosas, porque quando se diz que a despesa de
custeio do governo está constante em 5% do PIB, as pessoas
esquecem que o PIB está crescendo, então se ela
permanece constante significa que a despesa aumentou também.
É um truque impressionístico.
Valor: O
estímulo do consumo foi a estratégia correta?
Delfim : Claro, mas o
nível de consumo não cresceu em relação
ao PIB, permanecendo constante na casa dos 65% do PIB mesmo depois
das medidas. Essa foi uma medida anticíclica de verdade,
porque ela vai terminar. Aumento de funcionalismo público
não é medida anticíclica.
Valor: Mas
isso também não aconteceu?
Delfim : Aconteceu. Acho
o governo Lula com muitas virtudes, mas não é uma
coisa perfeita. Como todo governo, tem suas idiossincrasias, suas
preferências. É um Estado onde o sindicalismo tem
um poder muito maior do que tinha, apesar da participação
dos sindicatos ter diminuído. O verdadeiro trabalhador
teme o sindicato.
Mas tudo isso são
pequenas coisas dentro de um grande projeto. É uma ilusão
tentar diminuir o governo Lula, como é uma ilusão
tentar diminuir o governo Fernando Henrique, que cometeu seus
erros. Desde 1988 o país foi encontrando seu caminho com
um sistema político organizado. Talvez seja o único
país subdesenvolvido que não tem nenhum problema
maior.
Valor: O que
o sr. achou da ação do Banco Central no período?
Delfim : O governo entrou
na crise no dia 16 de setembro de 2008 [um dia depois da falência
do Lehman Brothers nos EUA]. Por quê? Porque o sistema bancário
brasileiro não poderia ficar em tom de deselegância
com o resto do mundo. O sistema bancário do mundo parou,
o sistema bancário brasileiro tinha de parar também.
O Banco Central poderia
ter agido mais rapidamente, mas também há justificativas
para seu conservadorismo. O funcionário do BC é
um homem temeroso, porque está vendo aqueles que fizeram
o Proer, que com custo de 3% do PIB higienizou o sistema bancário
brasileiro, respondendo a processos do Ministério Público,
com bens indisponíveis e tudo o mais. Isso assusta o funcionário.
Como é que ele vai tomar risco, se não tem proteção?
Acho que isso torna a ação do BC sempre lenta e
homeopática.
Valor: O sr.
percebe uma ressureição do consenso acerca do Estado
grande?
Delfim : É preciso
separar as coisas. Estado balofo é um equívoco.
A economia de mercado não é o sistema financeiro.
A economia de mercado é o sistema produtivo, a economia
real. Esse foi vítima, tendo sido encoleirado pelo sistema
financeiro, que deveria ser servo do sistema produtivo. Foi uma
farra em que todo mundo ganhou e é visível que esse
sistema não pode continuar sem um controle eficaz das operações
financeiras.
Mas isso nada tem a ver
com o sistema produtivo. O Estado produtor é uma tragédia,
mas Estado indutor é fundamental. Não há
desenvolvimento econômico no mundo que não tenha
sido feito sem o apoio de um Estado indutor. A maior ilusão
é pensar que o desenvolvimento inglês, na revolução
industrial, não tinha o Estado por trás. Os americanos
então nem se fala. Algumas pessoas imaginam que os EUA
sempre foram liberais. Não tem nada disso.
Valor: O sr.
vê gente no governo defendendo o Estado balofo?
Delfim : Honestamente,
não. É preciso distinguir o partido do governo.
O PT tem isso no sangue, não adianta ficar com ilusão.
É o Estado que convém ao estamento sindical. Não
acredito que algum dos dois candidatos [do PT e do PSDB] tenha
uma ideia de Estado balofo. Os dois, acredito, defendem um Estado
indutor forte, mas isso nada tem a ver com o Estado cheio de funcionário
público fingindo que está trabalhando.
Valor: A oposição
critica o governo Lula por, segundo entende, promover um retorno
do Estado interventor. O que o sr. acha?
Delfim : Nenhum tijolo
do Minha Casa, Minha Vida foi feito pelo Estado. Tudo tem participação
do setor privado. Este é o efeito típico do Estado
indutor. É uma crítica indevida. O absurdo seria
o Estado fazer as usinas de Santo Antônio e Jirau, mas o
Estado criar condições para essas usinas é
algo fundamental. Acho que o governo tem agido de maneira razoavelmente
correta. Frequentemente ouvimos certas pessoas criticando o governo
com aquela história de que “o Estado escolhe os vencedores”.
Fazem isso porque eles são perdedores, não foram
escolhidos, como gostariam ser.
Valor: O cenário
pós-2010 é de continuidade?
Delfim : O Brasil é
o ‘avant-garde’ do mundo. A situação
brasileira melhorou muito mesmo, mas o Lula soube vender isso
como ninguém, ele é um ótimo marqueteiro.
É claro que os investidores estrangeiros enxergam o Brasil
com muitos bons olhos e veem isso porque as perspectivas de crescimento
são importantes e são reais.
Valor: O que
o sr. mudaria?
Delfim : Estou velho demais
para isso. Vejo o Brasil com grande otimismo. Temos todas as condições
para engrenar um crescimento de 6% ou 7% ao ano. Com o crescimento
populacional diminuindo, isso nos colocará numa situação
muito interessante, com consciência ecológica e desenvolvimento
dos combustíveis renováveis. O Brasil tem tudo para
chegar na metade do século XXI como um país desenvolvido,
democrático, um mercado interno com proporções
extraordinárias e importante participação
política no mundo.
Não vejo nenhuma
restrição. O pré-sal é uma garantia,
que vai aparecer entre 2014 e 2015. Até lá o câmbio
flutuante e as reservas que temos vão dar conta desse processo
de endividamento nas transações correntes. Não
vamos voltar a nos endividar nos níveis que nos endividamos
no passado, quando ocorreram crises nos anos 80 e 90. Isso dá
uma perspectiva nova para o nosso crescimento. O pré-sal
é uma espécie de seguro contra os riscos do passado.
Valor: A aposta
nesta década que se inicia deve ser o petróleo?
Delfim : O petróleo
é século XX, temos de reservá-lo para seu
uso mais nobre, que é a indústria química.
O Brasil tem tudo para ser um participante extraordinário
nisso. Sem o comércio exterior robusto, nenhuma indústria
brasileira consegue a dimensão ótima. O comércio
exterior é um complemento fundamental do mercado interno.
Valor: O que
o sr. acha da queda na balança comercial, que sai de US$
25 bilhões no ano passado para pouco acima de zero, como
prevê o governo, neste ano?
Delfim : A política
cambial brasileira é um desastre. É uma ilusão
em um país pobre como o Brasil, cujo câmbio é
um ativo financeiro manipulado por forças que ele não
conhece, ficar defendendo a ideia de que é o mercado quem
produz o equilíbrio cambial adequado. Essa ilusão
é dirigida por esse mito do fundamentalismo mercadista
de que a taxa de câmbio é um fenômeno natural,
que intervir é um pecado capital, uma violação
às leis divinas.
O real valorizado está
destruindo nossas cadeias produtivas. Isso está destruindo
o que tínhamos de mais precioso, que era uma indústria
extremamente sofisticada e diversificada. Nós temos que
continuar insistindo na diversificação das exportações,
no aperfeiçoamento dos ganhos de valor adicionado interno.
Valor: Como
isso pode ser feito com câmbio valorizado?
Delfim: Fico espantado
de ver as mesmas pessoas que diziam que o câmbio de R$ 1,60
era ruim, agora pedindo para o BC vender dólar a fim de
evitar que a cotação alcance R$ 2,00. Sabe qual
é a explicação disso? É que as mesmas
experiências de derivativos tóxicos realizadas por
empresas no período pré-crise estão sendo
realizadas agora. Acho que o governo deveria explodi-los mesmo.
Nós já fizemos o que podíamos fazer por eles.
Daqui para frente é usar o regime iraquiano, que é
a limpeza do sistema.
Valor: Das
empresas que operam com derivativos de câmbio?
Delfim : O hedge é
a coisa mais perfeita que existe. Mas quem usou hedge para especular
com a cotação não pode continuar. Não
tem nenhuma importância, o patrimônio está
aí. Arranja-se um comprador, o BNDES dá um dinheiro,
substitui-se a gestão e pronto, melhora.
Valor: A China,
com seu câmbio desvalorizado praticamente fixo ao dólar,
é um exemplo?
Delfim : Não, e,
aliás, do jeito que está, se a China não
fechar um acordo razoável de valorização
de sua moeda veremos aumento do protecionismo e redução
do movimento de capitais. Só um país descerebrado
pode pensar que o yuan [a moeda chinesa] vai ser uma moeda internacional.
Moeda é confiança. Quem confia no Partido Comunista
chinês? Nem os comunistas confiam.
Valor: O que
o sr. acha dos candidatos a presidente?
Delfim : A gente só
vai julgar os candidatos com seus programas. A coisa mais fundamental
é chamar a atenção dos eleitores para um
debate novo. Há uns candidatos que chamo de “vendedor
de óleo de cobra”, que era aquele sujeito do Velho
Oeste que vendia uma solução para qualquer problema,
de unha do pé encravada a tumor cerebral. Tem outros que
vão vender as coisas possíveis. Temos de insistir
em determinados assuntos.
O eleitor precisa entender
que existem sim limites físicos que não são
manipuláveis por nenhum vendedor de óleo de cobra.
Que crescimento rápido hoje exige menor consumo. Aumento
do consumo hoje significa redução do crescimento
amanhã. Portanto, por maior que seja o desejo de redistribuir
e crescer, existe um limite físico para isso.
Valor: Algum
candidato vai defender consumo menor?
Delfim : Essa é
a tarefa da mídia. Não é o candidato que
vai dizer isso – embora espere que digam.
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VEJA.COM, 19 de fevereiro
de 2010
Política
Lula nega que queira voltar em 2014
e diz que 'Dilma não é vaca de presépio'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que tenha
escolhido a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff para ser
candidata à Presidência este ano como parte de uma
estratégia para que ele possa voltar ao governo em 2014.
Em entrevista publicada na edição desta sexta-feira
do jornal O Estado de S. Paulo, Lula diz que "ninguém
aceita ser vaca de presépio e muito menos eu iria escolher
uma pessoa para ser vaca de presépio".
"Todo político
que tentou eleger alguém manipulado quebrou a cara",
disse o presidente. Segundo ele, o único papel que exercerá
em um eventual governo de Dilma é o de "torcedor".
"Minha tese é a seguinte: rei morto, rei posto. A
Dilma tem de criar o estilo dela, a cara dela e fazer as coisas
dela. E a mim cabe, como torcedor de arquibancada, ficar batendo
palmas para os acertos dela. E torcendo para que dê certo
e faça o melhor", afirmou.
Ainda assim, o presidente
fez questão de negar que, se Dilma vencer as eleições,
o governo dela será mais à esquerda do seu. Para
Lula, as diretrizes do programa petista podem ser mais "progressistas":
"O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas
que o governo não pode defender". Ele acredita que
a ministra terá "o ritmo dela, o estilo dela".
Além de afirmar
que não pretende concorrer à Presidência em
2014, Lula disse ao jornal que já não defende mais
o fim da reeleição, com mandato único de
cinco anos, como fez no passado. "Não vou porque quando
quis defender ninguém quis", disse o presidente. "Eu
fui defensor da ideia de cinco anos sem reeleição.
Hoje, com a minha experiência de presidente, eu queria dizer
uma coisa para vocês: ninguém, nenhum presidente
da República, num mandato de quatro anos, concluirá
uma única obra estruturante no país", completou.
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Vermelho,
19 de fevereiro de 2010
Ibope: Dilma passou Serra no
Nordeste e no Norte
Entre dezembro último e este mês,
a presidenciável Dilma Rousseff, do PT, ultrapassou José
Serra, do PSDB, tanto do Nordeste como no Norte/Centro-Oeste, conforme
a pesquisa Ibope/Diário do Comércio divulgada nesta
quinta-feira (18). A informação não foi dada
nem pelo diário que promoveu a pesquisa e nem pela grande
mídia que a comentou. Mas está disponível no
relatório do Ibope e você pode conferi-la no mapa que
ilustra esta matéria.
Por Bernardo Joffily

Com informações do Ibope
Os dados regionais –
e os sociais – ajudam a entender a pesquisa. Olhe o mapa
ao lado. Ele mostra aonde Dilma foi buscar sua alta de oito pontos
nacionalmente, bem acima da margem de erro, de dois pontos para
cima ou para baixo; e aonde Serra perdeu dois pontos, dentro da
margem de erro.
Os cenários regionais
Nem tudo são boas
notícias para Dilma, que o PT deve lançar oficialmente
como sua candidata no sábado. No Sul, a candidata do presidente
Lula perdeu um ponto e seu adversário ganhou dois –
ambos dentro da margem de erro. A vantagem de Serra, que já
era de 17 pontos, aumentou para 20.
O resto foram boas notícias.
No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, a vantagem
de Serra permanece grande, 22 pontos, mas caíu seis pontos.
Já no Nordeste
e no Norte/Centro-Oeste ocorreu uma virada, segundo o Ibope. No
fim do ano passado, segundo o Ibope, Serra tinha 16 pontos de
vantagem no Nordeste e 11 pontos no Norte/Centro-Oeste. Agora
está perdendo por cinco pontos numa região e por
dois na outra.
Ciro Gomes, presidenciável
do PSB – veja o mapa – segurou-se bem no Nordeste
e até cresceu no Sul. Oscilou para baixo na contagem nacional
devido essencialmente aos quatro pontos que perdeu no populoso
Sudeste. Já Marina Silva, do PV, oscilou positivamente
em todas as regiões, dentro da margem de erro. Seu melhor
desempenho é no Norte, onde chegou a 11%.
Dilma caíu nos mais
ricos... e subiu no resto
O relatório do
Ibope também traz outras informações. Dilma
subiu das capitais, de 18% para 27%, na periferia, de 16% para
23%, e no interior, de 17% para 25%. Avançou nas pequenas,
médias e grandes cidades.
A petista perdeu dois
pontos percentuais, de 25% para 23%, na faixa que ganha mais de
dez salários mínimos por mês (que segundo
o Ibope equivale a 3,6% do eleitorado brasileiro). Mas ganhou
oito (de 21% para 29%) na camada seguinte, de cinco a dez mínimos.
Outros oito na de dois a cinco. Ganhou seis pontos na de um a
dois mínimos (a mais numerosa). E subiu 14 pontos, de 11%
para 25%, na camada que ganha menos de um mínimo, a "faixa
do Bolsa Família".
Ainda assim, o desempenho
de Dilma nesta faixa repete a sua média: 25%. O que indica
que há muito para crescer aí quando começar
a campanha, já que é nas faixas mais pobres que
a popularidade de Lula é maior.
José Serra, o virtual
candidato da oposição conservadora (embora não
tenha ainda assumido a candidatura), descreveu uma trajetória
inversa. Consolidou-se na camada mais rica, passando de 43% para
44%. Mas teve seu maior tombo na faixa seguinte, de cinco a dez
mínimos: uma perda de oito pontos, de 42% para 34%.
Por que Ciro sair é
bom para Dilma
A pesquisa testou apenas
dois cenários: um com Ciro – que comentamos até
aqui – e outro sem Ciro. Neste último, Serra aparece
com cinco ponto a mais (41%) e Dilma com três a mais (28%).
Dez entre dez analistas
e jornalistas da grande mídia que comentaram estes números
concluiram que, portanto, uma retirada de Ciro favoreceria Serra.
Um dos mais enfáticos foi Sergio Kapustan, do próprio
Diário do Comércio. "A retirada da candidatura
de Ciro Gomes causaria um efeito exatamente oposto ao que espera
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva", escreveu
Kapustan.
Divirjo humildemente dessa
impressionante unanimidade e fico com Lula. Esta é uma
análise que não pode se contentar com os dados quantitativos
globais, tem que entrar no detalhe.
Primeiro, porque o reduto
de Ciro é no Nordeste, e é no Nordeste (por exemplo
no Ceará, que elegeu o deputado do PSB com retumbante votação)
que a avenida para o crescimento de Dilma está mais desimpedida:
apenas um governador, o de Alagoas, está no palanque de
Serra.
Segundo, porque durante
a campanha Ciro teria que se diferenciar para crescer além
dos 11% que o Ibope lhe atribui. E não poderia faze-lo
com elogios ao governo Lula, que só ajudariam Dilma, e
sim com críticas e/ou ataques.
Terceiro, porque os eleitores
que não escolheram candidatos segundo o Ibope (disseram
que votariam em branco, nulo ou não souberam escolher um
candidato) somaram 20% no primeiro cenário (chegando a
23% na camada mais pobre) e 21% no segundo (25% na mais pobre).
Estes indecisos, que possivelmente decidirão a eleição
presidencial tendem a ser os mais disponíveis para ouvir
o pedido de voto de Lula, cuja popularidade o Ibope confirmou,
em um cenário polarizado; mas é mais fácil
que dispersem suas escolhas em um quadro menos nítido.
Seria ingênuo acreditar
que Luiz Inácio – um reconhecido prodígio
em matéria eleitoral – esteja redondamente enganado
em uma questão como esta. E mais ingênuo ainda supor
que a cabala do "fica Ciro" tomou conta da mídia
hegemônica com o intuito de ajudar Dilma.
Isto, mais até
que os dois pontos perdidos desde dezembro e os seis desde setembro,
deve estar frequentando as reflexões de Ciro Gomes depois
deste Ibope. E também os de seu partido, que ele promete
obedecer "docilmente".
Na espontânea, empate:
9% a 10%
Os números da pesquisa
espontânea també merecem um comentário. Há
empate técnico entre Serra (10%) e Dilma (9%), seguidos
de longe pelo Tucano Aécio Neves (3%), enquanto os outros
presidenciáveis não passam de 1%. Porém Lula
lidera a espontânea, com 23%. E os que não escolheram
ninguém chegam a 52% no Brasil e 63% na Região Sul,
onde são mais numerosos.
Na espontânea Dilma
tem seu pico nos homens (11%), na faixa entre 30 e 39 anos (11%),
e sobe de 6% na faixa com escolaridade até a quarta série
para 14% na de nível superior. Oscila entre 7% no Sul e
10% no Nordeste e Norte/Centro-Oeste.
Serra vai melhor nos homens
(12%), nas faixas com mais de 40 e de 50 anos (11%), e também
melhora de preformance conforme a escolaridade, de 8% para 15%.
Vai de 5% no Nordeste a 12% no Sudeste e Norte/Centro-Oeste.
Quanto à renda,
Dilma na espontânea tem seu pico nas faixas de mais de 10
salários mínimos (13%) e em especial de cinco a
dez (14%), caindo para 10% e 8%, até chegar a 6% na faixa
de até um salário mínimo. Serra alcança
espetaculares 24% na votação espontânea dos
que têm renda acima de dez salários mínimos;
depois decresce escalonadamente, até chegar a 7% na vaixa
que ganha menos de um mínimo.
E Lula, o campeão
da espontânea? Ele segue o caminho inverso de Serra... e
também de Dilma. Tem 13% na faixa de mais de dez mínimos,
e sobe para 15%, 21%, 26%, até chegar a 29% na "faixa
do Bolsa Família". O que confirma que, conforme os
analistas já estão reconhecendo, não existe
a mais ínfima base para profetizar que Dilma Rousseff "bateu
no seu teto".
A pesquisa foi realizada
com 2.002 eleitores a partir dos 16 anos entre os dias 6 a 9 de
fevereiro, em 144 municípios de todo o Brasil. O intervalo
de confiança estimado é de 95% e a margem de erro
é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Esta
pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral,
sob o protocolo nº 3196/2010.
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de fevereiro de 2010 | Política
TSE deve reduzir número de
deputados do Paraná
Roger Pereira
O Paraná pode perder um deputado federal e um estadual
já nas eleições de outubro deste ano. O Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) prepara resolução para
redefinir o número de vagas na Câmara Federal, o
que afeta diretamente as Assembleias Legislativas, cujos números
de deputados é determinado pelos de deputados federais
de cada estado.
A minuta, elaborada pelo
ministro Arnaldo Versiani, relator das instruções
das Eleições 2010, prevê a redução
de 30 para 29 nas cadeiras do Paraná na Câmara Federal,
automaticamente, o número de deputados estaduais cairia
de 54 para 53. A minuta será debatida em audiência
pública, marcada para o próximo dia 24, antes de
ser votada pelo pleno do TSE.
De acordo com a Constituição
de 1988, a proporcionalidade de deputados na Câmara Federal
deve respeitar a proporcionalidade das populações
de cada estado. Assim, revisões devem ocorrer de acordo
com variações populacionais.
Para se adequar a essas
exigências constitucionais e atualizar os quantitativos
de deputados federais para a próxima legislatura, o TSE
tomou como base a estimativa populacional do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), atualizada em 1º
de julho de 2009.
A última mudança
na representação de um estado na Câmara dos
Deputados ocorreu em 1994, com o aumento da bancada de São
Paulo para 70 parlamentares. Desta vez, o TSE foi provocado pela
Assembleia Legislativa do Amazonas.
Se aprovadas as mudanças,
os estados do Rio de Janeiro e da Paraíba perderão
duas vagas de deputados federais cada um na próxima legislatura.
Além do Paraná, Rio Grande do Sul, Maranhão,
Goiás, Pernambuco e Piauí perderiam uma cadeira
na Câmara cada um.
O Pará é
o estado que mais ganha em vagas com a minuta, sobe de 17 para
20 deputados federais a partir de 2011. Minas Gerais vem em seguida,
com aumento de duas cadeiras em sua bancada. Já Amazonas,
Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Santa Catarina ganhariam
um deputado cada um.
Permanecem inalteradas
as representações de São Paulo, Espírito
Santo, Alagoas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal,
Sergipe, Rondônia, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima.
A mudança reflete
nas Assembleias Legislativas porque, pela legislação,
o número de deputados estaduais é determinado pela
representação na Câmara Federal. Os estados
têm o direito do triplo de deputados federais em suas assembleias
até o número de 12 federais.
A partir daí,
as vagas no legislativo estadual aumentam um a um em relação
à Câmara. Assim, o Paraná, que tem 54 deputados
(36 para 12 federais, mais um para cada um dos 18 restantes),
perde, também um parlamentar estadual. Pelo calendário
eleitoral, todas as resoluções das Eleições
2010 devem estar aprovadas pelo plenário do TSE até
5 de março.

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Agência Diap,
19 de fevereiro de 2010
Dirigentes sindicais se lançam
na disputa pela representação popular
Carlos Alberto Grana (PT), presidente da Confederação
Nacional dos Metalúrgicos da CUT, e Tadeu Morais de Sousa
(PDT), vice do Sindicato dos Metalúrgicos de SP e presidente
do Dieese, são as duas apostas do mundo sindical para a
eleição à Assembleia Legislativa paulista.
Um dos grandes desafios
do movimento sindical para este ano é fazer grandes bancadas
nas assembleias legislativas Brasil afora e, sobretudo, no Congresso
Nacional, hoje dominado por uma maioria de empresários
ou seus representantes.
Para entender melhor a
necessidade imperiosa de os trabalhadores elegerem seus representantes
para as casas políticas, em 2006 os empresários
elegeram 219 representantes para a Câmara dos Deputados
e 27 para o Senado.
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
19/02/2010
Terceirização: convênio
desvirtuado caracteriza fraude à legislação
trabalhista
Existência de relação
de emprego entre os operadores de telemarketing e a Telerj S/A,
“mascarada” pela utilização formal de
cooperativa, caracterizaram fraude à legislação
trabalhista. Assim o ministro Emmanoel Pereira, relator do recurso
de revista julgado pela Quinta Turma de Tribunal Superior do Trabalho,
resumiu o que aconteceu no convênio firmado entre a concessionária
de telefonia e a Fundação Universidade Estadual
do Rio de Janeiro, que previa consultoria especializada e assessoria
técnica, mas que se constituiu apenas em intermediação
de mão de obra barata, sem reconhecimento de direitos trabalhistas.
Uma operadora de telemarketing,
contratada naquelas condições, tem tido decisões
favoráveis em todas as instâncias da Justiça
do Trabalho. Ela conseguiu o reconhecimento de vínculo
de emprego diretamente com a Telerj, beneficiária da prestação
de serviços. A sentença inclui, ainda, o enquadramento
sindical da trabalhadora para que sejam aplicadas as normas coletivas
da categoria dos empregados da Telerj. Agora, a Vivo S.A. - sucessora
da Telerj – vai ter que arcar com o resultado do artifício
utilizado para contratação.
Apesar de o convênio
entre Telerj S.A. e Fundação UERJ prever consultoria
especializada e assessoria técnica, não foi isso
que ocorreu na prática. O Tribunal Regional do Trabalho
da 1ª Região (RJ) verificou um desvirtuamento do contrato,
pois não foi produzida nenhuma atividade de pesquisa ou
desenvolvimento de tecnologia. O atendimento a reclamações
de clientes, que era o trabalho da operadora, não tem qualquer
natureza comercial e sim operacional. Essa avaliação,
feita pelo TRT/RJ, demonstra o entendimento de que problemas de
natureza operacional refletem a interligação do
setor de telemarketing com setores operacionais da Telerj S.A.
O Regional relata que
houve recrutamento de trabalhadores para atividades diretamente
inseridas na relação cliente-concessionária,
resolvendo questões relacionadas à atividade operacional
da empregadora, como problemas de linhas com ruído, linhas
sem sinal, cobranças exorbitantes, dificuldades de conexão
e clonagem. Ficou, ainda, comprovada a total subordinação
dos operadores às ordens dos supervisores da Telerj.
A Vivo recorreu ao TST,
argumentando com a licitude do contrato e afirmando que a contratação
de terceiros para implementação de projetos associados
é autorizada pelo artigo 94 da Lei 9.472/97. Acrescenta,
ainda, que o teleantendimento não está entre suas
atividades essenciais. Segundo o ministro Emmanoel Pereira, porém,
“não há qualquer pertinência na invocação
do artigo 94 da Lei 9.472/97”. O relator ressalta que a
lei “apenas prevê a possibilidade de a concessionária
dos serviços públicos contratar com terceiros atividades
inerentes ao serviço e a implantação de projetos
associados, passando ao largo da definição dos contornos
relativos à relação de emprego”.
Destaca ainda, o ministro
Emmanoel, que o Regional verificou que os operadores eram meros
intermediários entre os setores técnicos da Telerj,
sendo incumbidos de apresentar soluções e respostas
em nome da concessionária. Além disso, enfatiza
a subordinação aos supervisores da empresa. Em seguida,
salienta o relator, “tudo conduziu à inevitável
conclusão de que houve inequívoca atuação
da Fundação UERJ como intermediária de mão
de obra para a Telerj, ao invés do alegado contrato sofisticado
para implantação, desenvolvimento e avaliação
de novas tecnologias”.
A Quinta Turma não
conheceu do recurso da empresa, que pretendia afastar o vínculo
de trabalho, por haver impossibilidade de revolver fatos e provas
na instância do TST. Com entendimento divergente do ministro
Brito Pereira, que considera que o telemarketing é atividade
inerente – e não essencial - ao setor de telecomunicações,
a votação foi por maioria dos componentes da Turma.
(RR – 879/2001-012-01-00.3)
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19/02/2010
Norma coletiva pode reduzir, mas não
suprimir intervalo intrajornada
Converter o período
destinado ao intervalo não usufruído de 30 minutos
diários em remuneração através de
pagamento de bonificação-lanche não é
um ajuste coletivo que possa ser reconhecido pela Justiça
do Trabalho, mesmo se tratando de categorias cujas atividades
ocorram em condições especiais, como as relacionadas
a transporte coletivo urbano. A Seção I Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do
Trabalho restabeleceu sentença que manda pagar, acrescido
de 50%, o valor referente ao tempo de intervalo para descanso
não usufruído.
Para a SDI-1, o acordo
colocado em prática pela empresa Executiva Transportes
Urbanos Ltda. representa uma ofensa à proteção
da saúde e da segurança do trabalhador, considerados
princípios irrenunciáveis, conforme o novo entendimento
expresso na Orientação Jurisprudencial 342. O ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, relator do recurso de embargos,
esclarece que a atual orientação, revisada recentemente,
em novembro de 2009, “apenas possibilita dar validade a
um intervalo menor para a categoria, mas não admitiu a
supressão”.
Direito irrenunciável
O cobrador reclamou e
conseguiu que a 2ª Vara do Trabalho de Santos atendesse a
seu pedido quanto ao intervalo. Além disso, ele ainda pretendia,
mas não conseguiu, reconhecimento de rescisão indireta,
porque a empresa o havia desviado de função, colocando-o
como vendedor de bilhetes, em local inseguro, com grande quantidade
de assaltos, sem nenhum treinamento ou proteção,
e sujeito a intempéries. Para o trabalhador, a mudança
representava falta grave patronal. Para a Vara de Santos, porém,
não era caso de rescisão indireta, pois a transferência
foi prevista em negociação coletiva da categoria.
No entanto, após
recurso da empregadora, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª
Região (SP) retirou o pagamento com acréscimo da
condenação imposta à empresa. Com recurso
ao Tribunal Superior do Trabalho para reverter a situação,
o trabalhador inicialmente não obteve êxito, pois
a Terceira Turma manteve o posicionamento do Tribunal Regional,
considerando válida a cláusula coletiva que prevê,
em jornada ininterrupta de sete horas e 33 minutos, a supressão
do intervalo intrajornada - convertido em remuneração,
devido às peculiaridades das atividades desenvolvidas pela
categoria.
O trabalhador, então,
interpôs embargos à SDI-1. Em sua análise
do recurso, o ministro Corrêa da Veiga, apesar de ressaltar
que a jurisprudência do TST tem prestigiado os itens pactuados
em norma coletiva, invocando o princípio da autonomia da
vontade coletiva, em que as partes estabelecem condições
de trabalho compatíveis com a necessidade da categoria
profissional e a possibilidade da classe empresarial, destacou
que a jurisprudência tem também traçado limites
à interpretação a ser dada, “com o
fim de garantir o respeito a princípios inafastáveis
de proteção à saúde e à segurança
do trabalhador, como no caso do intervalo para descanso intrajornada”.
A OJ 342 pressupõe
que, diante da natureza do serviço e em virtude das condições
especiais de trabalho dos condutores e cobradores de transporte
público coletivo urbano rodoviário, é válido
acordo que estipule redução do intervalo intrajornada,
desde que garantida a redução da jornada para, no
mínimo, sete horas diárias ou quarenta e duas semanais,
não prorrogada, e com intervalos para descanso menores
e fracionados ao final de cada viagem, não descontados
da jornada. Quanto ao cobrador da Executiva Transportes, porém,
o caso foi de supressão total do intervalo, e não
de redução. Diante disso, o relator concluiu não
ter como reconhecer o ajuste, “por representar ofensa a
princípio irrenunciável trabalhista” e a SDI-1
restabeleceu a sentença.
(RR
- 67800-96.2003.5.02.0442 - Fase Atual: E-ED Numeração
antiga: E-ED-RR - 678/2003-442-02-00.7)
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19/02/2010
Sem atestado médico do
INSS, trabalhador com perda auditiva obtém indenização
pela estabilidade
O não cumprimento
da exigência de apresentação de atestado médico
do INSS para a concessão de estabilidade provisória
em decorrência de doença profissional, prevista em
convenção coletiva de trabalho, não impediu
que um trabalhador obtivesse o reconhecimento do direito à
indenização correspondente aos salários do
período da estabilidade provisória, após
decisão favorável da Seção I Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do
Trabalho.
A SDI-1 condenou a Colins
& Aikman do Brasil Ltda. a pagar o valor referente aos salários
devidos pela reintegração de trabalhador, em razão
da estabilidade advinda de doença profissional –
perda auditiva. A reforma da decisão aconteceu devido ao
cancelamento da Orientação Jurisprudencial 154,
que considerava que a ausência do atestado, exigido por
convenção coletiva, importava o não reconhecimento
do direito à estabilidade.
O trabalhador foi empregado
da Collins por doze anos e, nos locais em que prestava serviços,
o nível de ruído era normalmente superior a 85 dB,
chegando até 92 dB, conforme constatado por laudo pericial.
Segundo o perito, o empregado sofreu grande perda auditiva, resultado
do ruído acima dos limites legais. Por ser uma doença
desenvolvida pelo tipo de trabalho exercido, o especialista caracterizou-a
como doença profissional. No entanto, o acidentado não
tinha o atestado fornecido por médico do órgão
previdenciário.
Em sua reclamação,
o trabalhador alegou que estavam preenchidas as condições
da convenção coletiva de trabalho para a concessão
da estabilidade provisória. Porém, para a empresa,
faltava cumprir o requisito da convenção que estabelecia
que as condições “da doença profissional
deverão, sempre que exigido, serem atestadas pelo INSS”.
Em primeira instância, o ex-funcionário da Collins
& Aikman conseguiu o reconhecimento da doença profissional,
a estabilidade e, consequentemente, a reintegração.
Ao analisar o recurso
da empresa, o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(SP) manteve a sentença. Em seus fundamentos, o Regional,
além de considerar atendidas as exigências da convenção,
observou que uma cláusula dispunha que, quando houvesse
divergência de qualquer das partes quanto ao resultado do
atestado, era facultado valer-se da prerrogativa judicial. Um
recurso de revista da Colins, porém, mudou o resultado,
pois, ao julgá-lo, a Primeira Turma do TST excluiu a reintegração
da condenação a que tinha sido submetida a empresa,
devido à existência da OJ 154.
Agora, a decisão
na SDI-1, analisando os embargos interpostos pelo trabalhador,
reformou o acórdão da Turma. O ministro Brito Pereira,
relator, esclareceu que o atestado médico é meio
de prova de enfermidade, mas que, para o processo judicial, todos
os meios de prova são admissíveis. Ressaltou, ainda,
a importância do laudo pericial: “Ao contrário
do atestado médico, o laudo pericial sofreu participação
ativa das partes na formulação de quesitos e indicação
de assistentes técnicos, submetido, portanto, ao crivo
contraditório na sua formação”.
Após as considerações
do relator, a SDI-1, por maioria, restabeleceu a decisão
regional quanto à estabilidade, devido ao cancelamento
da Orientação Jurisprudencial 154, e determinou
a conversão da reintegração em pagamento
de salários do período correspondente à estabilidade
provisória. Ficaram vencidos os ministros Vantuil Abdala
e Maria Cristina Peduzzi. (RR
- 104200-90.1999.5.15.0021 - Fase Atual: E-ED - Numeração
antiga: E-ED-RR - 1042/1999-021-15-00.0)
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O GLOBO, 18 de fevereiro
de 2010 | Economia
Construção
civil permanece em alta, mostra sondagem da CNI
Valor Online
BRASÍLIA - A Sondagem
da Construção Civil lançada pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
revela que a atividade mantém em alta o aquecimento verificado
nos últimos três anos e que as grandes empresas "
estão mais do que satisfeitas com a margem de lucro operacional.
"
A pesquisa, que será
divulgada mensalmente pela CNI, abrange três grandes ramos
do setor que representa 18% do PIB brasileiro: obras públicas
(infraestrutura, edificações e saneamento); imobiliário
(obras comerciais, habitação de cunho social e para
média e alta renda) e prestadores de serviço (construtoras,
por exemplo).
Realizada entre os dias
4 e 22 de janeiro de 2010 com 283 empresas, sendo 143 pequenas,
105 médias e 35 grandes, o levantamento envolve quase a
totalidade representativa do setor, segundo a CBIC. Ele tem o
objetivo de avaliar a situação financeira, produção,
investimentos, principais problemas e expectativas dos empresários
para o semestre seguinte.
O economista da CNI, Renato
da Fonseca, chamou a atenção para as diversas peculiaridades
do setor, que exigiram um levantamento à parte, em relação
às pesquisas que a entidade já faz para a indústria
de transformação como um todo.
" É uma indústria
em que a fábrica anda e o produto fica " , definiu
o vice-presidente da CBIC, José Carlos Martins.
Os primeiros dados apontaram
que os empresários da construção civil confiam
no aumento de atividade. O indicador que mede esse sentimento
ficou em 70,6 pontos, com destaque de confiança maior entre
os grandes empresários do setor (78,8 pontos). Também
apostam em novos empreendimentos e serviços (média
de 70 pontos), em aumento na compra de matéria-prima (69,7
pontos) e na contratação de mais trabalhadores (66,8
pontos).
Números apurados
sobre dezembro apontam que o índice de nível de
atividade efetivo em relação ao usual foi de 53,2
pontos, enquanto o indicador referente à evolução
no universo de empregados ficou em 53,6 pontos. A situação
financeira foi satisfatória, com marca de 56,9 pontos.
Os problemas enfrentados
pelo setor foram apontados de forma espontânea, sem lista
prévia, de forma que a carga tributária vem em primeiro
lugar, com 60,7% das empresas apontando esse fator. Mas, segundo
a CBIC, cerca de 30% do custo final da obra imobiliária
são impostos.
O segundo destaque foi
a falta de mão de obra qualificada, assinalado por 53%
das empresas consultadas, seguida pelas dificuldades criadas por
condições climáticas, como as chuvas ininterruptas
em São Paulo, por exemplo.
Ao contrário de
boa parte dos setores da economia brasileira, para a construção
civil o crédito deixou de estar entre as preocupações
de destaque. O indicador relativo ao acesso ao crédito
no quatro trimestre de 2009, por exemplo, ficou com 54,6 pontos
na média geral.
Martins chegou a dizer
que marcos regulatórios recentes, que criaram garantias
adicionais, tornaram o financiamento imobiliário "
o melhor crédito para os bancos, mesmo sendo de longo prazo,
porque fideliza o cliente " .
O crescimento geral do
crédito no país acelerou a oferta de crédito
habitacional nos últimos anos. O executivo da CBIC destacou
que, nesse setor, " o crédito sempre vem junto com
a realização do investimento imobiliário.
"
Vale notar que os indicadores
variam de zero a 100. O ponto de equilíbrio é 50.
Assim sendo, a leitura acima dessa marca significa uma quadro
mais favorável; abaixo, uma situação menos
satisfatória.
(Azelma Rodrigues |
Valor)
|
ESTADÃO.COM/
SÃO PAULO, 18 de fevereiro de 2010 | Economia
Construção civil sofre
com falta de empregados, diz CNI
FABIO GRANER Agencia Estado
BRASÍLIA - O problema
da falta de trabalhadores qualificados, o segundo mais citado
na Sondagem da Construção Civil, divulgada hoje
pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),
é mais significativo entre as grandes empresas. Segundo
o gerente executivo de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, o
fato de as grandes companhias estarem crescendo mais gera maior
demanda por mão de obra. A dificuldade para encontrar profissionais
qualificados, no entanto, surpreende a CNI, já que é
bem maior que a normalmente citada pela indústria de transformação.
De acordo com a Sondagem,
a falta de trabalhador qualificado fica atrás apenas da
elevada carga tributária entre os principais problemas
enfrentados pelo setor no quarto trimestre de 2009. Os empresários
citaram ainda as condições climáticas adversas
e as taxas de juros elevadas.
O vice-presidente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC),
José Carlos Martins, afirmou que a questão da mão
de obra qualificada está ligada ao fato de que a indústria
da construção está inovando mais. Ele ressaltou,
porém, que estão sendo desenvolvidos trabalhos de
treinamento, como o programa de capacitação, para
a construção civil, de 180 mil pessoas oriundas
do Bolsa Família.
Programa habitacional
Martins afirmou ainda
que o grande propulsor do otimismo do setor de construção
é o programa do governo federal "Minha Casa, Minha
Vida". De acordo com a Sondagem, os empresários do
setor estão com o otimismo elevado para os próximos
seis meses.
Segundo Martins, o programa
representou uma mudança de paradigma na forma de atacar
o déficit habitacional, estimulando o crescimento da indústria
da construção em 2009. O vice-presidente da CBIC
disse que o otimismo da indústria está relacionado
também aos estímulos ao investimento, proporcionados
pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
e à redução dos juros.
De acordo com Martins,
desde 2003 o setor tem contado com maior volume de financiamentos,
que cresceu dez vezes. Para ele, isso ocorreu porque, ao longo
dos últimos anos, foram adotadas medidas para dar maior
segurança jurídica aos financiamentos imobiliários.
|
Monitor Mercantil,
18 de fevereiro de 2010
Economista alerta que, para reduzir
desemprego, é preciso crescer mais
De acordo com pesquisa da Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp) junto a empresários,
a recuperação da atividade industrial não
está sendo acompanhada pela criação de empregos
na mesma proporção e velocidade.
Diferentemente, a expansão
da produção, em boa parte, é sustentada pelo
aumento da produtividade dos trabalhadores no período de
recuperação, somada ao esforço dos empregados
que permaneceram no mercado.
De acordo com o economista
Cláudio Salm, professor da UFRJ, a produção
tem de crescer mais que a produtividade para gerar empregos:
"Essa discussão
é antiga. É verdade que a produtividade joga contra
o emprego, por isso, a produção tem de crescer mais
que a ela. A teoria do comércio internacional, que tem
origem em David Ricardo, grande teórico das vantagens comparativas,
dizia que aumento da produtividade só é bom se houver
crescimento. Caso contrário, resulta em desemprego e miséria",
lembra.
Salm disse, ainda, que
o crescimento não precisa, necessariamente, se dar no setor
que apresenta aumento da produtividade e lembrou que, em alguns
casos específicos, quando há renovação
total de um parque industrial, a situação pode ficar
"dramática".
Segundo a Fiesp, de um
total de 365 empresas consultadas, 76% disseram esperar aumento
de produção no primeiro semestre deste ano e só
6% falaram em queda.
Entre os empresários
ouvidos, 81% pretendem realizar, este ano, investimentos capazes
de aumentar em 15%, na média, a sua capacidade produtiva.
Em contrapartida, os empresários
estão divididos em relação à contratação
de empregados: 51% pretendem fazê-lo e 49%, não.
Em média, as empresas têm expectativa de ampliar
em 7,36% o seu quadro de pessoal no semestre.
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Folha de S.Paulo,
18 de fevereiro de 2010
Mulheres trabalham menos tempo em
casa
Com mercado de trabalho feminino aquecido
e renda em alta, tempo semanal gasto em tarefas domésticas
cai 5 horas desde 2001 | Vagas em setores como comércio
e serviços ganham participação no mercado,
e acesso a bens de consumo agiliza trabalho no domicílio
VERENA FORNETTI
DA REDAÇÃO
O número de horas
que as mulheres dedicam aos afazeres domésticos está
diminuindo. A carga horária média empregada em tarefas
como a limpeza da casa e o cuidado das crianças e dos idosos
passou de 28,9 horas por semana em 2001 para 23,9 horas em 2008,
segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A mudança se relaciona com o crescimento da participação
das mulheres no mercado de trabalho, com o avanço da renda,
que permite a compra de bens que agilizam o cuidado com a casa
-como o micro-ondas, o liquidificador e a máquina de lavar-
e com a melhora, ainda que modesta, da divisão de tarefas
domésticas entre os homens e as mulheres.
Ana Lúcia Sabóia, gerente do IBGE, destaca que,
com a melhora na renda nos últimos anos, mais famílias
têm acesso a eletrodomésticos. "A cada ano,
cresce o acesso a bens de consumo. A máquina de lavar,
por exemplo, é um dos itens mais libertadores da mulher
e ainda não é um bem universal no país, como
a geladeira já é."
O acesso a serviços públicos também contribui
para a queda no tempo gasto nas tarefas relacionadas à
casa, uma vez que a matrícula dos filhos em creches e escolas
permite que a mulher exerça outras atividades. E o aumento
da renda possibilita a contratação de empregadas
ou diaristas para exercer essas atividades dentro da casa.
"As mulheres foram para a rua", afirma Hildete de Araújo,
especialista da Universidade Federal Fluminense, que destaca o
aumento da participação das mulheres na População
Economicamente Ativa. Segundo o IBGE, em 2008, 47,2% das mulheres
com dez anos ou mais no país estavam ocupadas. Em 1992,
eram 43,4%.
Ela diz que o IBGE fez antes da piora da crise as entrevistas
para a Pnad 2008, que apontou a diminuição do tempo
gasto na realização das tarefas domésticas.
Na ocasião, cresciam os setores que empregam boa parte
da mão de obra feminina, como comércio e serviços.
Em 2009, apesar do impacto da recessão econômica,
esses segmentos também estiveram aquecidos, o que indica
que continua crescendo a participação das mulheres
no mercado de trabalho. A Pnad 2009 será divulgada no fim
deste ano.
Número
subestimado
A pesquisadora afirma que o número de horas dedicadas à
casa apontado pela pesquisa está subestimado. Segundo Araújo,
os dados referentes ao trabalho realizado pelo homem dentro do
domicílio também podem estar distorcidos. "Existe
o preconceito de que trabalho doméstico é coisa
de mulher e, portanto, não é valorizado."
O professor da Unicamp Claudio Dedecca reforça essa percepção:
"Os homens podem responder ao pesquisador do IBGE que o tempo
para lavar o carro conta como afazer doméstico. E, por
outro lado, a mulher pode não considerar atividades como
a de levar os filhos à escola porque acha que são
coisas normais do dia a dia".
O IBGE incluiu a pergunta sobre dedicação a essas
tarefas em 2001. Mas, mesmo com a ressalva de que o número
do IBGE pode estar aquém do real e de que a pesquisa é
recente -e, portanto, a base de dados para a análise ainda
é limitada-, Dedecca diz que a diminuição
das horas dedicadas ao lar revela avanço na sociedade.
"Uma parte do trabalho doméstico não se pode
exteriorizar -por exemplo, a atenção dedicada à
formação dos filhos. Mas outra parte espero que
o poder público assuma, com escola integral, creches etc."
Classes
sociais
Os números do IBGE também revelam que, quanto menor
é a escolaridade -e, por conseguinte, a renda-, maior é
o tempo dedicado à casa. Mulheres que estudaram 15 ou mais
anos empregam quase a metade do tempo nessas tarefas do que o
gasto pelas que frequentaram a escola por até um ano.
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Agência Estado,
18 de fevereiro de 2010
Ibope mostra crescimento de Dilma
(PT) e Serra (PSDB) estagnado
Por Gustavo Uribe e Elizabeth Lopes,
Na Agência Estado
Pesquisa Ibope/Diário
do Comércio, encomendada pela Associação
Comercial de São Paulo e realizada entre os dias 6 a 9
deste mês, indica que a corrida à sucessão
presidencial de outubro continua polarizada pelos pré-candidatos
do PSDB e do PT, respectivamente o governador de São Paulo,
José Serra, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Nesta mostra, Serra tem
36% das intenções de voto e Dilma 25%. Em terceiro
lugar está o deputado federal Ciro Gomes (PSB) com 11%,
seguido da senadora Marina Silva (PV) com 8%. O porcentual de
votos brancos e nulos somou 11% e dos que disseram não
saber em quem votar atingiu 9%.
A última pesquisa
divulgada pelo Ibope foi no dia 7 de dezembro do ano passado.
Na mostra, encomendada pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI), José Serra registrava 38% das
intenções de voto, seguido de Dilma Rousseff com
17%, Ciro Gomes com 13% e Marina Silva com 6%.
Naquela pesquisa, o porcentual
de votos brancos e nulos atingiu 13% e dos que disseram não
saber em quem votar ou não quiseram responder somou 12%.
No cenário sem
Ciro Gomes, a pesquisa Ibope/Diário do Comércio
aponta José Serra com 41%, Dilma Rousseff com 28%, Marina
Silva com 10%, brancos e nulos 12% e não sabem ou não
opinaram 9%.
Na simulação
de um eventual segundo turno entre José Serra e Dilma Rousseff,
o tucano lidera com 47% e Dilma registra 33%.
A maior rejeição
apontada pela pesquisa é de Ciro Gomes, com 41%, seguido
de Marina Silva com 39%, Dilma Rousseff com 35% e José
Serra com 29%.
Continuidade
A pesquisa Ibope/Diário do Comércio avaliou também
o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para
47% dos entrevistados, a administração de Lula é
boa, para 29% é ótima, para 19% é regular,
para 3% é péssima e para 2% é ruim.
A mostra indagou ainda
o que os eleitores gostariam que o próximo presidente fizesse.
Do total de entrevistados, 34% querem a total continuidade do
atual governo, 29% querem pequenas mudanças com continuidade,
25% querem a manutenção de apenas alguns programas
com muitas mudanças e 10% querem a mudança total
do governo do País.
Para 78% dos entrevistados,
o presidente Lula é confiável, enquanto 18% disseram
não confiar no presidente.
A pesquisa, que será
divulgada amanhã pelo Diário do Comércio,
foi realizada com 2.002 eleitores em 144 municípios de
todo o Brasil. O intervalo de confiança estimado é
de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para
mais ou para menos.
Esta pesquisa está
registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o protocolo 3196/2010.
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Gazeta do Povo, 18
de fevereiro de 2010
Financiamento político:
Especialistas elogiam; partidos criticam
São Paulo - Especialistas
em Direito Eleitoral ouvidos pela reportagem manifestaram-se favoráveis
às regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pretendem
acabar com as doações ocultas. Mas tesoureiros dos
partidos afirmam que a medida só vai aumentar o caixa 2
eleitoral.
Para o secretário-geral
do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus
Vinícius Furtado Coelho, é “lamentável
que os partidos não tenham consciência de que a moralização
das campanhas é melhor para eles próprios”.
Segundo ele, brechas como as que permitem as doações
ocultas “impedem que pessoas de bem tenham viabilidade eleitoral”,
pois favorecem os políticos “que se deixam levar
por esse tipo de prática”.
O advogado contesta o
argumento de que o veto às doações ocultas
pode intensificar o uso do chamado “caixa 2” nas campanhas.
“Não se combate o crime fazendo com que a atividade
ilícita deixe de ser crime.” O professor de direito
constitucional da Universidade de São Paulo (USP) Elival
da Silva Ramos concorda. “Sempre haverá maneiras
de burlar a lei. Mas o TSE está fazendo a coisa certa,
localizando as brechas e tentando resolvê-las.”
Porém, para Paulo
Ferreira, tesoureiro do PT, o endurecimento nas regras de prestação
de contas pode aumentar o volume de doações ilegais.
“Sabe o que isso vai fazer? Vai incentivar o caixa 2.”
Ferreira nega que as doações a candidatos feitas
por meio dos partidos sejam ocultas. “As doações
estão na prestação de contas dos partidos,
não são ocultas”, diz. “A empresa que
doa para o partido quer uma relação institucional.”
Ferreira chama de “irrealizável”
a determinação do TSE que obriga os partidos a prestar
contas em ano de eleição, da mesma forma que os
candidatos. Para ele, a minuta de prestação de contas
contraria a legislação eleitoral. “Existe
uma lei votada pelo Congresso. O TSE não pode contrariar
a lei.”
Hélio Silveira,
advogado do PT, diz que a minuta do TSE pode “dar um ar
de irregularidade” a um tipo de doação que
ele considera legítima. “O que o TSE está
fazendo é deixar mais claro uma coisa que já estava
clara.”
As posições
petistas são reproduzidas do lado tucano. Ricardo Penteado,
advogado do PSDB, considera difícil relacionar a origem
dos recursos ao seu destino. “É como se você
tivesse uma caixa d’água em casa que recebe água
da chuva e da fonte. Na hora de tomar banho, não dá
para saber que água você usou.” O secretário
executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, afirma que os partidos
“não têm como saber para quem prestar contas”.
Ele também disse não ver imoralidade na forma como
as doações são feitas atualmente.

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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/02/2010
Demitido após período
de estabilidade não tem direito à reintegração
O trabalhador demitido
após o período de estabilidade por ser membro da
Comissão Interna de Prevenção de Acidente,
não tem direito à reintegração mas
somente ao pagamento da indenização dos meses não
trabalhados. Com esse entendimento, a Seção I Especializada
em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho
(SDI 1) rejeitou (não conheceu) recurso de ex-funcionário
da TV SBT Canal 4 de São Paulo S.A.
A SDI-1 manteve a decisão
da Oitava Turma do TST, contrária à intenção
do trabalhador de conseguir a reintegração na empresa,
mesmo após ter recebido os valores referentes aos meses
compreendidos entre a sua dispensa e o final do período
de estabilidade. Em sua defesa, ele alegou que não poderia
haver a demissão, pois a estabilidade não pertence
à empresa, mas à categoria funcional. Como também
não seria “vantagem pessoal”, mas “trata-se,
pois, de direito não patrimonial”.
Para o ministro Horácio
Sena Pires, relator do processo, “consoante os termos da
Súmula 396 do TST, esgotado o período de estabilidade,
não é assegurada a reintegração, mas
tão somente a indenização do período”
de estabilidade, que foi plenamente quitado pela empresa. “No
caso concreto, a estabilidade findou-se, pelo que não há
mais falar em reintegração”, concluiu o relator.
(E-ED-RR-158600-27.2001.5.02.0383)
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18/02/2010
Transporte público inadequado
faz empresa pagar horas “in itinere”
Na contagem de horas à
disposição da empresa, no caso de trabalhador rural,
só pode ser considerada a existência de transporte
público se este for apropriado à locomoção
com segurança de suas ferramentas de trabalho. Com essa
fundamentação, a Seção I Especializada
em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho
(SDI-1) rejeitou (não conheceu), por maioria, recurso pelo
qual a Klabin S/A pretendia isentar-se de pagar horas “in
intinere” a um trabalhador rural, referentes ao seu tempo
de deslocamento até a empresa, sob alegação
da existência de transporte coletivo no percurso.
Como, de acordo com a
súmula 90 do TST, só há a obrigação
de pagar esse período como “jornada de trabalho”
se o percurso em questão não for suprido de “transporte
público regular”, três ministros votaram contrário
à decisão vencedora da
maioria na SDI-1 – entre eles a ministra Maria Cristina
Irigoyen, relatora do processo. “As condições
de higiene do trabalhador rural, quando do final de uma jornada
de trabalho, agregadas à condução de ferramentas,
não autorizam o pagamento de horas in itinere”, alegava
a ministra em seu voto. Para ela não se pode impedir “a
presença de tais trabalhadores” no transporte público,
sob pena de admitir-se “odiosa intolerância e discriminação”.
No entanto, o ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, que foi nomeado relator do processo
após a derrota do voto da relatora original, não
aceitou a existência de transporte público no caso
por não ser adequado à locomoção segura
das ferramentas de trabalho – no caso, enxadas e foices.
“O cuidado de acomodar as ferramentas, como enxadas e foices,
visa a preservar a segurança do trabalhador, se tornando
o transporte público inviável para tanto”,
afirmou o ministro.
Para ele, “o empregado
rural, com suas ferramentas, não tem condições
de adentrar num ônibus urbano, o que equivale a não
ter transporte coletivo regular que pudesse absorver tais trabalhadores”.
Com esse entendimento, a SDI-1 não conheceu o recurso da
Klabin e, na prática, manteve decisão anterior da
Sexta Turma do TST. (RR-47500-42.2005.5.09.0671)
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FST, 17 de fevereiro de 2010
Ministério Público
do Trabalho não expedirá mais TAC
Segundo José Augusto, do
FST, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) é um verdadeiro
desastre para sindicatos de trabalhadores do País. O TAC
tem causado muitos transtornos financeiros às entidades
Durante a reunião realizada, na última quinta-feira
(10), na sede do Ministério Público do Trabalho,
em Brasília, com o movimento sindical brasileiro, foi debatido
o tema contribuição assistencial/negocial, tendo
os representantes sindicais ali presentes afirmado que o famigerado
TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) não será assinado.
Na opinião do Coordenador do FST Nacional José
Augusto, tal procedimento (TAC) é um verdadeiro desastre
para os sindicatos de trabalhadores de todo País.
Nova reunião está marcada para o próximo
dia 2 de março, quando serão analisados os seguintes
temas:
1) Desconto assistencial/taxa negocial;
2) Interditos proibitórios;
3) Representação dos trabalhadores nas
empresas com mais de 200 empregados - dispositivo da Constituição
ainda não regulamentado;
4) Práticas antisindicais; e
5) Estabilidade de dirigentes sindicais.
TAC: o que é
É um Instrument | |