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Reconhecido
em 21/08/1968
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Agência
Brasil, 31 de maio de 2009
Trabalhadores informais poderão
virar empreendedores individuais
Manicures, costureiras, carpinteiros, pipoqueiros, vendedores ambulantes e todo
tipo de trabalhador autônomo vão poder passar a ser microempreendedores
reconhecidos formalmente, com base na Lei Complementar 128/08.
Um programa lançado, nesta sexta-feira (29), pelo Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae),
durante a abertura do seminário de avaliação
da Agenda 2009, vai estimular os trabalhadores informais a se tornarem
empreendedores individuais.
Nessa categoria, os trabalhadores poderão pagar menos impostos
do que como pessoas físicas, ter acesso a crédito
nos bancos públicos e a benefícios da Previdência
Social, como aposentadoria.
A possibilidade de se tornar Empreendedor Individual foi criada
por uma lei de 2008 que aprimorou a legislação de
pequenas empresas.
"Nosso objetivo não é arrecadar, e sim incluir
essas pessoas na formalidade para que nós possamos ter mais
informações sobre elas", explicou o ministro
da Previdência, José Pimentel.
O programa conta com a parceria da Receita Federal, do Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e da Federação
Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacom).
O primeiro passo para ser um empreendedor individual é se
cadastrar, a partir de 1º de julho, pela internet no endereço
www.portaldoempreendedor.gov.br e, em seguida, procurar uma empresa
de contabilidade que estará no site para atender gratuitamente
esses trabalhadores.
Esse trabalho é uma contrapartida das mais de 20 mil empresas
de contabilidade que aderiram ao Simples Nacional e são
obrigadas a prestar orientação e providenciar todo
o processo de formalização do empreendedor, incluindo
criação do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica
(CNPJ) e inscrição na Junta Comercial.
"Depois de formalizado, esse empreendedor pode procurar o
Banco do Brasil e abrir uma conta como empreendedor individual.
A partir daí ele terá no mínimo R$ 1 mil de
crédito que poderá ser dividido entre o cheque especial
e o cartão de crédito. A fatura do cartão
poderá ser dividida em até 18 vezes com juro mínimo
de 2,2% ao mês", explicou o gerente executivo do Banco
do Brasil, Antônio Sérgio Rocha.
Os empreendedores na área de comércio e indústria,
como vendedores ambulantes e artesãos, pagarão um
valor fixo mensal de 11% do salário mínimo - hoje
R$ 51,15 - como contribuição à Previdência
Social, mais R$ 1 de Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS).
Os prestadores de serviços pagarão também
R$ 51,15 de Previdência, mais R$ 5 de Imposto Sobre Serviço
(ISS). Os que atuam em atividades mistas (tanto vende produtos
quanto presta serviços) pagarão os três valores
de Previdência, ICMS e ISS. Nenhum empreendedor de qualquer
categoria pagará impostos federais.
"Essas pessoas vão poder vender [seus produtos] para
outras empresas e para as prefeituras, terão acesso à assistência
técnica do Sebrae, ao sistema bancário público,
serão empreendedores muito mais preparados", avaliou
o presidente do Sebrae, Paulo Okamoto.
O Sebrae vai fazer mutirões para formar empreendedores
individuais. Quem quiser aderir ao programa precisa ter renda de
até R$ 36 mil por ano - em torno de R$ 3 mil por mês.
Contudo, não pode se formalizar como Empreendedor Individual
quem presta serviços em profissões regulamentadas
por lei.
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Folha
de S.Paulo, 31 de maio de 2009
Vantagem de Serra sobre Dilma cai oito
pontos, diz Datafolha
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), encurtou consideravelmente a distância
nas pesquisas entre a sua pré-candidatura a presidente e a do governador
de São Paulo, José Serra (PSDB). A diferença do tucano,
ainda líder, para a petista — que estava em 30 pontos percentuais
em março — e agora caiu para 22 pontos, conforme o mais recente
levantamento do Datafolha.
No principal cenário do novo levantamento sobre a sucessão
presidencial de 2010, Dilma tem 16% das intenções
de voto, contra 38% de Serra. Em relação à pesquisa
anterior, a ministra subiu cinco pontos percentuais, enquanto
o tucano paulista perdeu três. O crescimento levou Dilma à segunda
colocação, empatada tecnicamente com o deputado
federal Ciro Gomes (PSB), que oscilou de 16% para 15%.
É o melhor resultado de Dilma na série histórica
do levantamento. Em março do ano passado, no cenário
com a presença de Serra, ela tinha apenas 3% contra os
mesmos 38% do pré-candidato do PSDB. Sem o governador
paulista na disputa, a petista alcança 19%, apenas cinco
pontos atrás de Ciro, líder desse cenário
com 24%.
"Mais uma vez, a pré-candidatura de Dilma é a única
que ganha pontos. Ela está em ascensão", afirma
Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. Segundo Paulino, as
intenções de voto da ministra crescem na medida
em que o eleitor vai se familiarizando com seu nome. Em março,
53% afirmavam conhecer Dilma. O índice agora está em
65%, quatro pontos a mais que o apresentado por Aécio
nesse quesito.
Nas respostas espontâneas — quando não são
apresentados nomes de candidato ao eleitor —, Serra tem
5%, Dilma, 4%, Ciro, 1%, e Aécio Neves (PSDB), governador
de Minas Gerais, 2%. A margem de erro da pesquisa é de
dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Disputa tucana
Apesar de ter perdido três pontos, Serra ainda é o
nome eleitoralmente mais forte da oposição ao presidente
Lula. O PSDB estuda escolher seu candidato a por uma prévia.
Aécio fica apenas na quarta colocação quando é apresentado
como o único pré-candidato do PSDB. Nesse cenário,
o mineiro alcança 14% e está empatado tecnicamente
com Heloísa Helena (PSOL), com 15%.
Aécio perdeu três pontos em relação
ao levantamento anterior no cenário sem seu colega de
partido José Serra. Heloísa oscilou dois pontos
para baixo (de 17% para 15%), enquanto Dilma subiu de 12% para
19%. Num cenário com a presença simultânea
dos governadores paulista e mineiro, Serra teria 35%, Ciro, 14%,
Dilma, 14%, Heloísa, 10%, e Aécio, 9%.
O melhor desempenho de Serra ocorre quando o ministro do Desenvolvimento
Social, Patrus Ananias, surge como pré-candidato do PT.
O tucano paulista chega a 42%, enquanto o petista fica com 2%.
O Datafolha também apresentou ao eleitor os nomes do
ministro da Educação, Fernando Haddad, e do deputado
federal Antonio Palocci como pré-candidatos do PT. O primeiro
atingiu os mesmos 2% de Patrus, enquanto o ex-ministro da Fazenda
teve 3%. Nos dois cenários José Serra tem 41%.
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Vermelho,
31 de maio de 2009
Economia dos EUA recuou 5,7%
no 1º trimestre
A economia norte-americana recuou mais 5,7% (taxa anualizada)
durante o primeiro trimestre de 2009. Foi o terceiro trimestre consecutivo
com taxa negativa, segundo relatório do?Departamento de Comércio
divulgado nesta sexta-feira (29).
Os otimistas profissionais do mercado comemoraram o fato da
recessão ter sido menos severa que os 6,1% estimados pelo
governo no mês passado. No entanto, o número superou
a expectativa do mercado, que era de 5,5%.
Comparada com o desastroso quarto trimestre de 2008, que marcou
o início da fase aguda da crise econômica, houve
uma redução de 0,6 ponto na velocidade da queda
(veja o gráfico). O sentido porém continua a ser
de retração da economia americana.
O Departamento de Comércio divulgou em seu relatório
preliminar que os lucros corporativos depois de impostos subiram
1,1% no primeiro trimestre. Foi o primeiro avanço em um
ano, após queda de 10,7% no quatro trimestre.
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Folha
de S.Paulo, 31 de maio de 2009
Hipótese de 3º mandato
de Lula divide eleitorado
Pesquisa Datafolha revela que 47% apoiam
proposta contra 49% de reprovação
Em 2007, ideia era rejeitada por 65% dos entrevistados;
para Mauro Paulino, do Datafolha, mudança reflete popularidade
do presidente
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Objeto de debate no Congresso, a possibilidade de um terceiro
mandato para presidente da República divide o país,
revela o Datafolha. Segundo pesquisa realizada de terça
feira a quinta-feira passada, a emenda que permitiria ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorrer, mais uma vez, à Presidência
tem hoje apoio de 47%dos entrevistados contra 49% de desaprovação.
Em novembro de 2007, a proposta era rejeitada por 65% dos brasileiros e tinha
o aval de 31%, números compatíveis, à época, com
as respostas sobre um terceiro mandato para governadores e prefeitos.
Além do caso específico de Lula, o Datafolha perguntou sobre
a hipótese de presidentes concorrerem a um terceiro mandato no Brasil:
49% disseram ser a favor e 48%, contra. Hoje, um ano e meio depois, esse índice
de apoio a um terceiro mandato para presidentes -de 49%- é bem maior
do que para governadores (38%) e prefeitos (35%).
Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, os números refletem
a popularidade de Lula -também expressa nas intenções
de voto. Garantido o direito a disputar o terceiro mandato, o petista seria
reeleito em primeiro turno se a eleição fosse hoje.
Nessa disputa hipotética, Lula teria 47%dos votos contra 25% do governador
de São Paulo, José Serra (PSDB). Sem Lula, Serra lidera todos
os cenários da corrida presidencial. A instituição do
terceiro mandato dependeria de aprovação na Câmara e no
Senado.
Como altera a Constituição, requer quórum qualificado:
três quintos dos votos. Na quinta-feira, o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE)
protocolou proposta que institui o direito a mais uma reeleição
no país, desde que aprovada num referendo em setembro. Barreto reuniu
183 assinaturas.
Mas, como democratas e tucanos retiraram apoio à emenda, o número
de signatários caiu para 170, uma menos do que o exigido para tramitar.
Ele pode reapresentar a proposta, caso conquiste um novo adepto. Nesse caso,
a base do governo teria três meses e dez dias para sua aprovação.
Resistência Lula tem resistido à proposta não só porque
fragilizaria a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff mas também
porque desgastaria sua própria imagem.
Para Paulino, o indício de desgaste está na pesquisa, já que
a taxa de aprovação ao governo Lula (69%) é 22 pontos
maior que o apoio ao terceiro mandato. Ainda segundo o Datafolha, 37% dos que
consideram o governo ótimo/bom se opõem à mudança.
Mais: 30% dos que se dizem eleitores de Lula são contrários à proposta.
" Dos que aprovam o governo, 37% são contra o terceiro mandato. Há resistência
ao terceiro mandato mesmo entre os eleitores de Lula, um indício de que
pode ser desgastante", disse. Entre petistas contrários à proposta,
vigora a avaliação de que,em um ano,Lula seria submetido duas vezes
ao voto: no plebiscito e na eleição.
Entre os apoiadores da emenda, o argumento é que o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso conquistou seu segundo mandato em primeiro turno (1998) mesmo
com toda a polêmica em torno da aprovação da reeleição.
Segundo o Datafolha, a nova reeleição de Lula tem a simpatia
de 53% dos entrevistados com renda familiar mensal inferior a dois salários
mínimos.
A rejeição à proposta chega a 67% entre aqueles com renda
superior a dez mínimos. Enfrenta a resistência de 68% dos com
nível superior de escolaridade, tendo apoio de 53% dos que têm
nível fundamental. No Nordeste, a emenda tem 60% de apoio. No Sul, é rejeitada
por 56%. No Sudeste, 54% reprovam o terceiro mandato e 43%são favoráveis.Nas
regiões Norte e Centro-Oeste, a proposta enfrenta rejeição
de 51% contra 43% de apoio.
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Consultor
Jurídico, 31 de maio de 2009
Cultura conciliatória
Empregados e patrões ainda
resistem a acordos
Por Lilian Matsuura e Gabriela Galvêz
O Supremo Tribunal Federal julgou, na semana passada, que a Justiça do
Trabalho não tem competência para interferir no processo de recuperação
de empresas em dificuldade, mesmo nos casos em que estas dificuldades estejam
atreladas a dividas trabalhistas. Dias antes, o Tribunal Superior do Tabalho,
contrariando decisão de segunda instância, confirmou sob determinadas
condições a demissão de 4.200 trabalhadores da Embraer,
uma das maiores fabricantes de aviões do mundo.
Trata-se de decisões definitórias, num cenário
de aceleradas transformações no campo das relações
de trabalho. O entendimento do Supremo é de que o mais importante
no caso da recuperação judicial, é a preservação
da empresa, para se psosa também preservar a fonte de empregos.
O desembargador Decio Sebastião Daidone, que desde setembro
passado preside o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região,
que abrange a região metropolitana de São Paulo e a
Baixada Santista, também entende que não é recomendável
que a Justiça do Trabalho intervenha de alguma forma na administração
das empresas. Até mesmo razões de ordem prática,
desaconselham a intervenção do judiciário. "Não
temos estrutura para fazer isso", diz ele.
Como contrapartida, o TRT-2, o mesmo que suspendeu as demissões
na Embraer, oferece às empresas em dificuldade o Programa
Juízo Auxiliar de Conciliação em Execução,
no qual peritos da Justiça analisam a situação
das empresas que aderem ao plano e avaliam se elas têm condições
de pagar as dívidas e de superar as dificuldades. A partir
disso, buscam um acordo entre a empresa e os empregados em litígio.
O resultado para as partes é sempre melhor do que uma greve
ou do que um corte de vagas. “O ideal é manter a empresa
em atividade, para que os credores recebam, mesmo que aos poucos”,
defende.
O apreço do TRT-2 pela conciliação ficou claro
pelos resultados obtidos na Semana de Conciliação,
em dezembro passado. No período, foram feitos 11.194 acordos,
cujos valores atingiram a cifra de R$ 162 milhões, o que deixou
o TRT-2 entre os 56 tribunais de todo o país e de todas os
ramos da Justiça que participaram da Semana. Apesar do sucesso
da conciliação, o desembargador conta que, muitas vezes,
as partes continuam resistentes ao acordo. “Tem reclamante
que quer ver o patrão condenado e tem patrão que promete
levar até o fim o processo porque não quer pagar o
ex-funcionário”, diz.
O TRT-2 tem dado lições também nos campo da
informatização e da sistematização dos
processos. Em 2002, o TRT implantou o sistema de numeração única
de processos, que indicava a data em que a ação foi
ajuizada, o tipo de ação, além de que vara e
instância tramita. Só no início de 2009, o Conselho
Nacional de Justiça aprovou resolução que fixou
a numeração única a nível nacional, abrangendo
todos os ramos da Justiça. Alertado pela experiência
exitosa já implantada na Justiça Trabalhista de São
Paulo, o CNJ prometeu estudar uma forma de o novo sistema aproveitar
o que já estava sendo feito.
Formado pela Universidade do Vale do Paraíba na turma de
1967, o presidente do TRT-2 queria, inicialmente, atuar na área
criminal. Ingressou na Justiça do Trabalho em 1979. Atuou
como juiz trabalhista no Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul e em diversas cidades do interior de São Paulo. Mas,
mas não esconde sua preferência pela capital paulista.
Leia a entrevista:
ConJur — A atuação do TRT de Campinas
no caso da demissão de 4.200 funcionários da Embraer,
levantou uma questão: até onde a Justiça do
Trabalho pode interferir na administração de uma
empresa?
Décio Daidone — A Justiça
não pode interferir na administração da empresa.
A unica exceção admitida, é no caso de empresas
que não pagaram seus devedores. Nesse caso, a Justiça
pode chegar lá e dizer que eles estão escondendo
dinheiro: 'Então, saiam vocês e nós vamos nomear
um interventor'. Isso a justiça pode fazer, embora eu não
aconselhe.
ConJur — Por que o senhor não aconselha?
Décio Daidone — Porque não
temos um plano adequado para fazer isso. Podemos ajudar através
do Programa Juízo Auxiliar de Conciliação
em Execução, no qual as empresas são analisadas
para constatar se têm condições de pagar suas
dívidas. Feito isso, juízes auxiliares de conciliação
estabelecem o acordo. O objetivo é manter a empresa em atividade,
para que os credores recebam, mesmo que aos poucos.
ConJur — E o empregador não tem limites para
dispensar o empregado?
Décio Daidone — O empregador tem
todo direito de dispensar seu empregado. Mas, é diferente
dispensar um empregado e dispensar 400 funcionários, ou
4 mil, como no caso da Embraer. As demissões vão
causar impactos na sociedade: se colocarmos uma média de
três pessoas atrás de cada trabalhador, são
16 mil afetados pelas demissões. Nesses casos, a própria
Constituição dá margem para que a Justiça
do Trabalho intervenha. O Código Civil é construído
em cima da visão social do contrato. Em muitos casos, determinamos
ao empregador: 'Os senhores podem dispensar, desde que seja uma
dispensa programada, com o acompanhamento do sindicato. Em vez
de fazer a dispensa hoje, faça em trinta dias, para que
os funcionários preparem o espírito e pensem no que
vão fazer daí para frente'. Porque não é só o
dinheiro que traz a felicidade. Para muita gente, o que traz a
felicidade é o próprio trabalho.
ConJur — A ministra Ellen Gracie, do STF, entende
que órgãos internacionais não estão
submetidos à CLT. O TST tem posição divergente.
Qual sua opinião?
Décio Daidone — A competência
de julgar é da Justiça do Trabalho: prestou serviços
aqui, aplica-se a CLT. Houve o caso de um brasileiro que estava
trabalhando no Consulado Americano, foi demitido e o órgão
não pagou seus dieitos. Julgamos, condenamos e mandamos
notificar o Consulado. Se não pagam, o que podemos fazer?
Vou mandar invadir o Consulado ou prender quem se opõe à determinação?
A questão vai para o Itamaraty, que manda a cobrança.
Em muitos casos que julgamos e executamos, os orgnaismos pagaram
espontaneamente. Quando há recusa em pagar, a cobrança
vai para o Itamaraty.
ConJur — A crise econômica mundial trouxe mudanças
na demanda do TRT-2?
Décio Daidone — Eu mandei fazer um
levantamento dos dissídios individuais e coletivos, comparando
o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. Quanto
aos dissídios individuais, no último trimestre, recebemos
74 mil e, de janeiro a março, 84 mil. Os números
de dissídios coletivos também aumentaram de 45 mil,
no último trimestre de 2008, para 56 mil no primeiro trimestre
desse ano.
ConJur — As empresas usaram a desculpa da crise para
demitir?
Décio Daidone — Muitas usaram.
Segundo os dados do aumento de demanda na Justiça do Trabalho,
posso dizer que a maioria das ações é de
empresas médias e grandes. A Embraer, por exemplo, logo
depois do julgamento, ganhou licitação de aviões
e está produzindo até hoje.
ConJur — Súmula vinculante, repercussão
geral, lei dos recursos repetitivos. Na Justiça do Trabalho,
esses instrumentos trouxeram algum impacto?
Décio Daidone — Evidentemente, na
primeira instância, as medidas têm grande impacto,
em razão do direito de peticionar. A nossa cultura ainda
está ligada à jurisprudência antiga, à súmula
antiga que não era vinculante. Quando eu estava na primeira
instância, muitas vezes julguei sem atentar para a Súmula.
E, muitos juízes da primeira instância ainda pensam
assim. Quando passei pela segunda instância e pelo TST, percebi
que era bobagem julgar assim, porque quando o processo chega na
instância superior, a Súmula é aplicada. Essa
demanda ainda não foi refreada na primeira instância.
Já da primeira instância, para a segunda, muitos juízes
se conscientizaram e estão julgando de acordo com a súmula.
ConJur — O senhor está há 8 meses na
presidência do tribunal. Quais foram as principais mudanças
de sua gestão?
Décio Daidone — Houve muitas mudanças,
como o atendimento aos assessores. Como o prédio do TRT-2
não comporta mais a parte administrativa, que está agora
no Fórum Ruy Barbosa, na Barra Funda, eu reservo um horário
de atendimento para despachar processos administrativos. Também
trato da vida do Fórum em si, como férias, licença-saúde
de servidores, a reforma do Fórum e designação
de juízes substitutos. Atendo também advogados e
juízes que me procuram para esclarecimentos sobre seus casos.
Estou tentando voltar com a cultura da conciliação
entre as partes, que considero estar um pouco esquecida. Também
tenho participação ativa no Colégio de Presidentes,
visto que sou vice-coordenador.
ConJur — Quais as principais questões levantadas
pelo Colégio de Presidentes? Êxistem problemas ou
soluções que permeiam todos os tribunais?
Décio Daidone — Lá, levantamos
muitos problemas comuns. O último, da numeração única
de processos, foi levantado por mim. O TRT-2 implantou, em 2003,
a numeração única nos processos. Antigamente
era usado um número para a primeira instância, um
número para a segunda. Hoje, ao ver o número do processo,
tem como saber a data em que foi ajuizado, o tipo de ação
e em que vara e instância ela tramita. Surgiu um problema,
no início do ano: o Conselho Nacional de Justiça
instituiu uma outra numeração única para todo
Brasil e esqueceu o sistema já implantado pelo TRT, que
está funcionando bem. A Justiça do Trabalho já fez
esse trabalho de casa. Percebemos que a implantação
da numeração única na Justiça demandaria
muito tempo, dinheiro e servidores. Só aqui no TRT, teríamos
que mexer em 6.580 pontos de informática, o que custaria
por volta de um R$ 1,7 milhão de reais.
ConJur — Depois do problema ser levado ao Colégio
de Presidentes, qual foi a atitude do CNJ?
Décio Daidone — Eles fizeram mea-culpa. “Poxa,
nós fizemos e não pensamos nem consultamos a Justiça
do Trabalho. Em seguida, eles suspenderam o trabalho da numeração única
para nos consultar. Mandamos nossas informações
para eles e talvez se ajustem com a numeração daqui,
para acabar com a disparidade.
ConJur — Quais foram os resultados da semana de conciliação,
realizada em dezembro do ano passado?
Décio Daidone — Aqui na 2ª Região,
fizemos um evento monstruoso e o resultado foi muito bom. Posso
dizer que salvamos 2008 com a Semana da conciliação.
Se continuássemos naquele patamar de julgamentos – naquela
estatística de 1% a mais, 1% a menos – não
teríamos o número de acordos realizados durante só uma
semana, que elevou a nossa produção. A conciliação é melhor
para as partes: o empregador sabe que não vai mais precisar
aparecer na Justiça, e o empregado termina o processo, pega
seu dinheirinho, vai embora e acabou. O resultado foi satisfatório,
tanto que vamos fazer uma outra Semana de Conciliação
em junho.
ConJur — Quantas audiências foram realizadas
na última Semana de Conciliação?
Décio Daidone — O TRT de São
Paulo ficou em primeiro lugar, com 33% de todo o movimento nacional
de audiências realizadas. Ficamos também em primeiro
lugar em acordos realizados, com 27,85%. Sem contar contribuição
previdenciária e imposto de renda, nós entregamos
R$ 162 milhões para os reclamantes naquela semana. Enquanto
isso, todo o Judiciário nacional, 56 tribunais, entregou
R$ 974 milhões.
ConJur — O que é o SUAP e quando será implantado?
Décio Daidone — É o Sistema
Unificado de Administração de Processos informatizado,
a implantação do processo virtual. Nasceu em São
Paulo, tanto que nós já temos uma parte dos nossos
processos informatizados, mas ele é informatizado até ser
distribuído, pois, a partir daí, vira papel. Com
o SUAP, o processo vai caminhar informatizado até o fim.
Através do sistema Precad, onde o advogado faz um pré-cadastramento
da ação que ele vai propor na Justiça do Trabalho,
ele poderá acessar o sistema, scannear e mandar os documentos,
e tudo isso ficará informatizado. A partir daí, ele
vai saber para que vara seu processo foi distribuído, além
do horário, data e local da audiência. Está previsto
para começar a funcionar em agosto, provavelmente em São
Caetano do Sul, que é a nossa primeira cidade e que tem
uma comarca maior.
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Última
Instância, 30 de maio de 2009
NOVA JURISPRUDÊNCIA
Ação trabalhista
não depende de conciliação prévia, diz
TST
A ausência de tentativas prévias de conciliação do
conflito não impede o ingresso com ação na Justiça
do Trabalho. O entendimento consolidado nesta quinta-feira (28/5) é do
TST (Tribunal Superior do Trabalho).
A decisão da SDI-1 (Seção Especializada
em Dissídios Individuais) uniformiza a jurisprudência
das oito turmas do Tribunal, seguindo orientação
apontada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento liminar
de duas Adins (ações diretas de inconstitucionalidade),
ocorrido em 13 de maio.
De acordo com informações do TST, o caso específico
analisado ontem envolvia uma ação extinta sem análise
de mérito pela 4ª Turma, que considerou que uma ex-funcionária
da multinacional Danisco não poderia ter acionado a empresa
sem ter submetido a demanda a uma comissão de conciliação.
A trabalhadora então interpôs os embargos à SDI-1
alegando divergência com decisões contrárias
da 2ªTurma do TST —que entendia a passagem pela comissão
como facultativa, não configurando condição
ou pressuposto da ação.
No início do julgamento dos embargos, em maio de 2007,
o relator, ministro Vieira de Mello Filho, argumentou que a exigência
de conciliação prévia se caracteriza com
um obstáculo ao princípio constitucional do acesso
ao Judiciário.
Para o relator, o artigo 625-D da CLT, alterado pela Lei nº 9.958/2000 —que
instituiu as comissões de conciliação— não
tem “o caráter imperativo que se lhe quer emprestar,
nem é causa da extinção do processo sem
resolução do mérito apenas porque a certidão
da negociação frustrada não acompanha a
petição da ação”.
Vieira de Mello observou que, no caso julgado, as partes recusaram,
sucessivamente, duas propostas de conciliação feitas
pelo juiz de primeiro grau, e até então não
haviam demonstrado interesse algum na conciliação. “O
que se tenta com a comissão de conciliação
prévia é a solução extrajudicial
dos conflitos, mediante a negociação”, explicou. “No
momento em que se estabelece a audiência e há recusa
em negociar, a utilidade da remessa do processo novamente à comissão
não teria sentido”.
Ressalvas
Ao trazer de volta o processo à sessão de ontem, o ministro Vantuil
Abdala votou no mesmo sentido, uma vez que o STF já se manifestou sobre
o tema, mas fez ressalvas de entendimento pessoal.
Para Vantuil, a comprovação de tentativa frustrada
de conciliação perante a comissão é pressuposto
processual para o ingresso da reclamação na Justiça
do Trabalho e não afronta o princípio de livre
acesso ao Judiciário porque não impede o ajuizamento
da ação. "A CCP é um excelente instrumento
de composição rápida e eficaz dos conflitos,
em observância aos princípios da economia e da celeridade
processuais", afirmou. "Espero que o STF ainda reveja
essa posição."
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Última
Instância, 30 de maio de 2009
12% AO ANO
Súmula do STJ reforça
barreira para coibir ações contra taxas de juros
Daniella Dolme
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) aprovou na última
quarta-feira (27/5) a edição da Súmula 382,
que ratifica o entendimento de que a cobrança de juros superiores
a 12% ao ano, por si só, não caracteriza abuso. Os
ministros da 2ª Seção entenderam que os casos
de abuso por parte de instituições financeiras devem
ser analisados individualmente.
De acordo com o advogado tributarista Marcelo Prado, a aprovação
da súmula “é uma maneira de frear os recursos
em processos bancários envolvendo juros”.
Conforme a Lei 4.595/64 do Sistema Financeiro Nacional, é de
responsabilidade do CMN (Conselho Monetário Nacional) limitar
ou não a porcentagem da taxa de juros. “Salvo as exceções
já determinadas, como a do microcrédito, do crédito
rural e do imobiliário, o que predomina é a livre
iniciativa [livre mercado]”, esclarece a assessoria de imprensa
do Banco Central.
Vale ressaltar que a legislação imposta pelo CDC
(Código de Defesa do Consumidor), cujas normas também
se aplicam aos contratos firmados por instituições
bancárias, não altera o entendimento da Súmula
596 do STF (Supremo Tribunal Federal), que reforça o papel
do Conselho na limitação dos juros, estabelecido
na lei mencionada acima.
Segundo Prado, “se uma limitação fosse verdadeiramente
estabelecida [pelo CMN], isso engessaria a economia”. Além
disso, ele afirma que “a Súmula 382 não chega
a ser uma inovação, já que mantém a
jurisprudência prevista pelo Supremo”.
Para a aprovação, a Seção tomou por
base inúmeros casos precedentes, entre eles dois processos
já julgados que envolviam o banco Itaú e a instituição
BV Financeira. O teor do texto final diz que: “A estipulação
de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si
só, não indica abusividade”.
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Consultor
Jurídico, 30 de maio de 2009
Justiça social
Danos morais deve efetivar justiça
social
Por Osvaldo Marchini Filho
A questão envolvendo o pagamento ou não de indenização
por danos morais pela ausência de pagamento de verbas rescisórias
aos trabalhadores é um assunto que vem sendo muito discutido nos Tribunais
do Trabalho do Brasil, mormente cumulada com a crise mundial vivida nos dias
atuais.
Inicialmente precisamos verificar o conceito de dano. Na visão
de Mauro Schiavi(1), "dano", do latim “damnum”, é um
termo bastante amplo para significar qualquer prejuízo material
ou moral causado a uma pessoa. Em síntese, pode-se dizer que
o dano é a lesão a um bem jurídico. É a
lesão a um patrimônio (2). Segundo Maria Helena Diniz(3): “é um
dos pressupostos da responsabilidade civil, contratual ou extracontratual,
pois não pode haver ação de indenização
sem a existência de um prejuízo. Consiste na lesão
(diminuição ou destruição) que, devido
a certo evento, sofre uma pessoa, contra a sua vontade, em qualquer
bem ou interesse jurídico, patrimonial ou moral”.
O artigo 186 do Código Civil imputa o dever de reparação àquele
que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano
a outrem, ainda que exclusivamente moral. Daí podemos extrair
os pressupostos a compor a definição do que seja ato
ilícito passível de indenização, como
sendo a ação ou a omissão, advindas da culpa
ou dolo, que tenham relação de causalidade com o dano
experimentado pela vítima.
Tarefa não muito fácil é definir o conceito
de dano moral, posto que se passa na esfera íntima do ser
humano, não sendo, portanto, visível e, não
obstante a tamanha dificuldade em se defini-lo, doutrinadores traçam
conceitos objetivos, a fim de diferenciá-lo do dano patrimonial.
Muitos conceitos partem da definição por exclusão
do dano patrimonial, vale dizer: todo dano que não é patrimonial, é moral,
ou extrapatrimonial. Não obstante, nem tudo que não é dano
patrimonial pode ser encarado como dano moral.
Já está amplamente pacificado o entendimento de que
o dano moral é indenizável, podendo ser cumulado com
a indenização pelo dano patrimonial. Para tanto, o
STJ editou a Súmula 37, que dispõe: “São
cumuláveis as indenizações por dano material
e dano moral oriundos do mesmo fato”.
O mestre Yussef Cahali(4), assim definiu: “no dano patrimonial,
busca-se a reposição em espécie ou em dinheiro
pelo valor equivalente, de modo a poder-se indenizar plenamente o
ofendido, reconduzindo o seu patrimônio ao estado que se encontraria
se não tivesse ocorrido o fato danoso; com a reposição
do equivalente pecuniário, opera-se o ressarcimento do dano
patrimonial. Diversamente, a sanção do dano moral não
se resolve numa indenização propriamente, já que
indenização significa eliminação do prejuízo
e das suas consequências, o que não é possível
quando se trata de dano extrapatrimonial; a sua reparação
se faz através de uma compensação e não
de um ressarcimento; impondo ao ofensor a obrigação
de pagamento de uma certa quantia de dinheiro em favor do ofendido,
ao mesmo tempo que agrava o patrimônio daquele, proporciona
a este uma reparação satisfativa”.
Inúmeros têm sido os pedidos de indenização
por danos morais na esfera da Justiça do Trabalho, oriundos
dos mais diversos descumprimentos de obrigações pecuniárias
trabalhistas. Os trabalhadores alegam que em razão do inadimplemento
dos salários e das verbas rescisórias, deixam de quitas
suas dívidas, abalando o direito de crédito e também
a autoestima.
A jurisprudência tem sido contrária, não deferindo
a reparação, sob o fundamento da inexistência
do nexo causal entre a conduta do empregador e a perda de crédito
do empregado, em razão do inadimplemento de verbas salariais
e rescisórias.
Nesse sentido, temos a posição de Carlos Eduardo Oliveira
Dias(5) : “Objetivamente, em casos de tal natureza, não
temos senão o dano patrimonial puro. Afinal, se a mora salarial
do empregador resultou no atraso na quitação das obrigações
do empregado, cabe a este propugnar, se for o caso, pela reparação
pecuniária daquilo que o empregado foi obrigado a se onerar
em face do evento. Mesmo eventual inserção no cadastro
de inadimplentes não configura, a nosso ver, um dano moral
provocado pelo empregador. Afinal, rigorosamente falando, de fato
o empregado é um devedor, e embora fosse do empregador o dever
de satisfazer tempestivamente seus salários, nada tem a ver
com a relação jurídica do empregado com seus
credores – trata-se de um ônus assumido pelo empregado,
que deve, então, suportar as consequências dessa circunstância,
ressaltando-se, por óbvio, como já alinhado, o direito
do empregado de postular a reparação pelas multas e
despesas a que foi obrigado pelo empregador”.
Todavia, tal entendimento vem tomando novos rumos, vez que a ausência
do pagamento de verbas de caráter trabalhista ao trabalhador, atenta
contra a dignidade da pessoa humana. Por este entendimento, deixando a emprega
de quitar as verbas rescisórias devidas a um empregado e este demonstra
que, em razão de tal inadimplemento, seu nome foi colocado no cadastro
de inadimplentes ou negativação do CPF, faz jus à reparação
por danos morais, já que manifesto o abuso de direito do empregador
e também a conduta culposa, restando aplicáveis à hipótese
os artigos 186 e 187 do Código Civil.
Recente decisão da 1ª Câmara do Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região adotou esse critério,
ao condenar uma empresa a pagar a título de dano moral uma
indenização de R$ 4 mil a um ex-empregado, pela ausência
no pagamento das verbas rescisórias. A empresa teria demitido
o trabalhador, sem o pagamento de tais verbas e reconheceu o que
o valor era devido em sua defesa, porém alegou dificuldades
financeiras para não efetuar tal pagamento.
Assim, temos que o assunto é bastante controvertido, causando
inúmeras discussões nas diversas esferas da Justiça
Trabalhista Brasileira, devendo esta se instrumentalizar para a melhoria
das condições de vida do trabalhador e efetivar a justiça
social.
Como ensina o I. Magistrado Jorge Luiz Souto Maior (6) , “a
evolução das relações sociais exige novas
respostas do direito a cada momento. Exige, portanto, uma atividade
atenta de legisladores, doutrinadores, juízes e dos vários
centros de positivação do direito, no sentido de comporem
um direito aplicável a seu tempo. Assim, o direito é uma
construção consciente do homem, que está sempre
em movimento, acompanhando a evolução social, exatamente
para não morrer, e é, por isso mesmo, um sistema carregado
de contraditoriedades, tendo a noção de princípios,
precisamente, a função de inibir a ação
destruidora dessa contradição”.
Conforme suas ponderações, “o Direito deve sempre
ser revitalizado pela interpretação, máxime
o Direito do Trabalho, que é movimentado por grande eletricidade
social. Por isso, ganha relevo a interpretação e aplicação
do Direito do Trabalho sob o espectro dos Direitos Fundamentais previstos
na Constituição Federal que têm aplicabilidade
imediata e permitem adaptação às transformações
da sociedade em razão dos princípios evolutivo e da
força normativa dos princípios constitucionais. Embora
possamos adaptar o Direito do Trabalho às transformações
sociais, nunca podemos deixar de dar primazia ao trabalhador e à sua
dignidade, que são a razão de existir desse ramo especializado
do Direito. Hoje, apesar do Direito do Trabalho passar por grandes
transformações, principalmente em razão da globalização
e avanço da tecnologia, parcela significativa da doutrina
já está iniciando um movimento pela revalorização
do princípio protetor, como medidas de garantia de cidadania
do trabalhador e justiça social" (7).
Como bem adverte Souto Maior (8), “uma efetiva luta pela justiça
social, utilizando-se o direito do trabalho como instrumento, culmina
com a constitucionalização das normas protetivas do
trabalho e a normatização de seus princípios
fundamentais, possibilitando a interpretação das normas
infraconstitucionais com base nesses postulados. O direito do trabalho
assim construído e aplicado é instrumento decisivo
para a formação e a defesa da justiça social,
ainda que, concretamente, em primeiro momento, só consiga
minimizar as injustiças. Sob o prisma específico da
teorização do direito do trabalho, o objetivo primordial é destacar
que a sua origem histórica, que marca uma preocupação
com e eliminação da injustiça, que é característica
da relação capital X trabalho, integra-se em seu conceito,
advindo daí a noção de justiça social
como seu princípio maior”.
Referências
1. Juiz do Trabalho na 2ª Região.
Mestrando em Direito do Trabalho pela PUC/SP. Professor Universitário.
2. FLORINDO, Valdir. Dano Moral e o Direito do Trabalho, 4a Edição,
São Paulo: LTR, 2002, p. 29.
3. DINIZ, Maria Helena. Dicionário Jurídico, São Paulo:
Saraiva, Volume 2, 1998, p. 03.
4. CAHALI, Yussef Said. Dano Moral, 3ª Edição, São
Paulo: RT, 2005, pág. 44
5. DIAS, Carlos Eduardo Oliveira. Temas Atuais de Direito do Trabalho, Minas
Gerais, Leiditathi, 2006, pág. 86/87.
6. MAIOR, Jorge Luiz Souto. O Direito do Trabalho como Instrumento de Justiça
Social, São Paulo, LTR, 2000, pág. 245.
7. A propósito, vários estudos publicados no Jornal do 46ª Congresso
Brasileiro de Direito do Trabalho, em junho de 2006.
8. Maior, Jorge Luiz Souto. O Direito do Trabalho como Instrumento de Justiça
Social, São Paulo, LTR, 200, pág. 259.
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MPS,
30 de maio de 2009
Novo mecanismo da Previdência
previne acidentes de trabalho
O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) aprovou, nesta quarta-feira
(27), a nova metodologia do Fator Acidentário de Prevenção
(FAP), mecanismo adotado para regular as alíquotas de contribuição
das empresas ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT), em função
dos índices de acidentalidade. As empresas com mais acidentes e acidentes
mais graves passarão a contribuir com um valor maior, enquanto as empresas
com menor acidentalidade terão uma redução no valor da contribuição.
Criado em 2003, o FAP tem como objetivo incentivar a melhoria das condições
de trabalho e da saúde do trabalhador, estimulando individualmente cada
empresa a implementar políticas mais efetivas de saúde e segurança
no trabalho, para reduzir a acidentalidade.
As novas regras do fator já podem entrar em vigor a partir
de janeiro de 2010. Para que isso aconteça, o governo federal
deve publicar decreto até o dia 30 de setembro, com o cronograma
de implementação do novo FAP. Previsto inicialmente
para entrar em vigor em janeiro de 2009, o fator foi adiado para
o ano que vem por decisão do governo, que reformulou a metodologia
de reenquadramento das alíquotas.
Cultura de prevenção
O diretor do Departamento de Políticas de Saúde
e Segurança Ocupacional, Remigio Todeschini, destaca que
a aprovação da nova metodologia do fator acidentário
tira dos cidadãos a responsabilidade de arcar com o custo
dos acidentes devido às condições insalubres
e inadequadas oferecidas por alguns segmentos econômicos. “É mais
uma ação do governo para avançar na cultura
da prevenção acidentária”, conclui.
Com o aperfeiçoamento da metodologia, o aumento ou a redução
da alíquota obedecerá a novos critérios no
cálculo da quantidade ou frequência, gravidade e o
custo dos acidentes em cada empresa.
Morte e invalidez
Pela nova metodologia, são atribuídos pesos diferentes
para as acidentalidades. A pensão por morte e a aposentadoria
por invalidez, por exemplo, têm peso maior – cada uma
com pesos diferenciados – que os registros de auxílio-doença
e auxílio-acidente.
Outra mudança foi a criação da trava de
mortalidade e de invalidez. As empresas com óbitos ou invalidez
permanente não receberão os bônus do FAP. Mas
se houver investimento comprovado em melhoria na segurança
do trabalho, com acompanhamento do sindicato dos trabalhadores
e dos empregadores, a bonificação poderá ser
mantida.
O FAP vai variar ano a ano. Será calculado sempre sobre
os dois últimos anos de todo o histórico de acidentalidade
e de registros acidentários da Previdência Social,
por empresa. O fator vai incidir sobre as alíquotas de cerca
de um milhão de empresas da Classificação
Nacional de Atividade Econômica (CNAE).
As pequenas e microempresas não sofrerão qualquer
alteração na contribuição já que
elas recolhem os tributos pelo sistema simplificado, o Simples
Nacional.
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Agência
Diap, 30 de maio de 2009
Mundo do trabalho: entidades reivindicam
um ‘trabalhista’ no STF
Entidades trabalhistas como Abrat (Associação Brasileira de Advogados
Trabalhistas), Alal (Associação Latino-Americana de Advogados Trabalhistas),
Jutra (Associação Luso-Brasileira de Juristas do Trabalho), Anamatra
(Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho), ANPT (Associação
Nacional dos Procuradores do Trabalho) e ALJT (Associação Latino-Americana
de Juízes do Trabalho) reivindicam a nomeação de um ministro
com "perfil trabalhista" para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Com esta perspectiva, estas entidades estiveram em audiência
pública realizada, nesta quinta-feira (28), com o ministro
da Justiça, Tarso Genro, que reivindicam apoio para nomeação
por Lula "de um trabalhista de perfil ao STF".
Entendem estas entidades que chegou o momento de o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva nomear para o STF um 'trabalhista de
perfil social', buscando dar efetividade ao princípio unitário
da Carta Cidadã que dá prevalência ao social à dignidade
da pessoa humana.
O ministro Tarso Genro assumiu o compromisso de levar ao Governo
a reivindicação das entidades, visando a nomeação
de um trabalhista para uma oportuna vaga a ser aberta no Supremo
Tribunal Federal.
Leia a íntegra do Ofício entregue ao ministro
pela Abrat e apoiado pelas demais entidades:
"Of.014/2009/GAB/ABRAT Brasília,
28 de maio de 2.009
Excelentíssimo Senhor
Dr. TARSO GENRO
DD. Ministro de Estado de Justiça
Prezado Ministro,
A ABRAT - Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas
(www.abrat.adv.br) que congrega os advogados trabalhistas brasileiros,
representados em cada localidade (Estado) pelas respectivas associações
regionais reivindica do governo LULA uma vaga a um trabalhista de
perfil no STF
Mas não a um trabalhista qualquer. Mas um trabalhista voltado à defesa
dos postulados constitucionais que dão prevalência ao
social, à vida saudável e de qualidade, de concretude
possível, pela efetividade dos princípios fundantes
da República Federativa do Brasil, cujo modelo econômico
já tem suas diretrizes traçadas na valorização
do trabalho humano, na busca do pleno emprego e de qualidade, subordinando-se
o capital ao atendimento da função social da propriedade
(inciso III do art.170), que dá concretude aos fundamentos
e objetivos da República Federativa do Brasil enunciados nos
artigos 1º, 3º, 4º. 6º e 7º, dentre outros.
A ABRAT entende que chegou a hora do governo LULA honrar a classe
trabalhadora, escolhendo um trabalhista que atenda ao perfil que
busque emprestar efetividade aos princípios fundantes do Direito
do Trabalho, com uma Justiça do Trabalho de competência
ampliada para decidir toda e qualquer questão relacionada
a uma relação de trabalho, tendo de um lado empregado
e de outro empregador e ou não, como se depreende da leitura
objetiva do novo art. 114 da Constituição Federal,
a teor da reforma aprovada pela EC 45.
Há movimentos que reivindicam a mantença da vaga pelo
gênero, se a vaga for aberta por uma mulher, a nomeação
de outra mulher. A ABRAT advoga que para a próxima vaga a
ser aberta o governo LULA deve nomear um trabalhista de perfil progressista
que pugne pelos avanços e concretude dos princípios
fundantes do Direito Social, não se admitindo que com outro
perfil mais conservador, se pratique o retrocesso social não
tutelado e nem admitido pela Carta Cidadã de 1.988.
Sabedores da alta sensibilidade social de Vossa Excelência
no trato da questão pública e voltada à efetividade
dos anseios da sociedade brasileira pela efetividade do primado do
trabalho digno e de qualidade perseguidos pela Carta Cidadã já a
partir dos próprios fundamentos e objetivos da República
Federativa do Brasil e que lhe endereçamos esse expediente,
para seu conhecimento, rogando que o mesmo seja levado ao conhecimento
também a outros Ministérios, bem como ao Presidente
LULA esse pedido da advocacia trabalhista brasileira pela nomeação
de um trabalhista de perfil social laboral ao SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL,
na próxima vaga que vier oportunamente a ser aberta.
Servimo-nos do presente para reiterar a Vossa Excelência os
nossos mais efusivos votos de alta estima e consideração.
Luiz Salvador
Presidente da ABRAT"
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NCST, 29 de maio de
2009
Especial 2º Congresso Nacional
da NCST
II Congresso
Na abertura do II Congresso, presidente da NCST
reafirma os compromissos da central
Mais de 1.500 delegados, vindos de todas
as regiões do País, estiveram presentes na abertura do II Congresso
Nacional da Nova Central, realizada ontem, dia 27, em Brasília. A solenidade
foi aberta pelo presidente da NCST, José Calixto Ramos, que destacou
a trajetória da central desde a sua fundação, em 29 de
junho de 2005. Ele afirmou, de forma incisiva, que a Nova Central veio para
ficar, pois seu compromisso com a unicidade sindical, a justiça social,
o custeio compulsório e a defesa dos direitos sindicais e trabalhistas
são princípios que jamais serão abandonados.
José Calixto disse
que não há nenhum entendimento no sentido de que
a NCST vai se fundir com outra sindical. “São boatos
infundados. A Nova Central está cada vez mais forte, atuante
e comprometida com os interesses da classe trabalhadora.”
Ministro do Trabalho destaca o papel
Nova Central
O Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, reconheceu
o papel da Nova Central no movimento sindical brasileiro. Ele, na
abertura do II Congresso da NCST, observou que a Nova Central é herdeira
do sonho e dos ideais de Getúlio Vargas, pois, mantém
identificada com a estrutura da organização sindical
brasileira que foi criada no governo Vargas.
O Ministro salientou que
a Nova Central é a sua central, também, pois a defesa
da unicidade sindical é uma dos pilares da estrutura sindical
brasileira que não pode ser destruída. Destacou a
importância do presidente da NCST, José Calixto Ramos,
para o movimento sindical brasileiro, considerando como exemplo
e referência para todos os demais dirigentes sindicais, pela
sua postura ética e honrada. Encerrou dizendo que a Nova
Central significa uma das maiores conquistas dos trabalhadores
brasileiros.
Senador Paulo Paim se emociona pela
sua identificação com a NCST
Mesmo acometido por um forte gripe, o Senador Paulo Paim (PT-RS)
esteve presente na abertura do II Congresso da Nova Central, assim
como esteve no congresso de fundação da central. Paim
afirmou que estava em casa, tamanha é a sua identificação
com a NCST.
Disse da importância
da unidade de todos os brasileiros para acabar com o fator previdenciário,
para recuperar os direitos dos aposentados e para avançar
na construção de um país mais justo com melhor
distribuição de renda. Afirmou que estava à vontade,
pois, ali, junto aos delegados do II Congresso, esquecera que estava
sem voz, devido à forte gripe, pois, a Nova Central é a
sua central sindical com a qual se identifica pelos seus princípios.
Paim será um dos palestrantes do II Congresso.
Deputado afirma que a Nova Central é decisiva
para a unidade das centrais
A unidade das centrais
sindicais em defesa dos trabalhadores brasileiros deve-se, em muito, à existência
da Nova Central, afirmou o deputado Paulinho (PDT-SP). “A
posição e o respeito a José Calixto, presidente
da NCST, é um fator decisivo para assegurar a unidade de
ação entre as centrais sindicais”, destacou.
Falou sobre a pauta trabalhista
definido pelas centrais sindicais, que inclui vários projetos
de interesse da classe trabalhadora, como a redução
da jornada de trabalho sem a redução dos salários,
o fim do fator previdenciário, a votação da
PEC do trabalho escravo e a ratificação da Convenção
151 da OIT, entre outros.
Os deputados Roberto Santiago
(PV-SP), João Dado (PDT-SP) e Arnaldo Faria de Sá (PDT-SP)
manifestaram os seus reconhecimentos pela importância da
Nova Central e destacaram a importância de José Calixto
Ramos, presidente da CNTI e da Nova Central, para o movimento sindical
brasileiro.
Dirigentes sindicais destacam a importância
do presidente da Nova Central no movimento sindical brasileiro
Dirigentes sindicais de confederações e de centrais
sindicais ressaltaram a presença da Nova Central no movimento
sindical brasileiro. Entre eles, José Augusto, coordenador
do Fórum Sindical de Trabalhadores e secretário-geral
da CNTC, enfatizou as origens da Nova Central, a partir do surgimento
do FST, do qual a NCST é uma das entidades. Disse que as bandeiras
do FST e da Nova Central são idênticas na defesa dos
direitos sindicais e trabalhistas, consagrados na Constituição
Brasileira.
O vice-presidente da CGTB,
Ibiraci Dantas, destacou a importância da unidade das centrais
sindicais na defesa das bandeiras históricas da classe trabalhadora.
Salientou a necessidade de grandes mobilizações dos
trabalhadores em defesa da Petrobrás e do pré-sal,
bem como afirmou que espera a afirmação de um grande
fortalecimento da classe trabalhadora brasileira quando formos
capazes de nos unirmos em uma única central sindical de
trabalhadores.
O presidente da UGT, Ricardo
Patah, referiu-se ao presidente da NCST, José Calixto Ramos,
como um ícone do movimento sindical brasileiro, ao qual
todos devem respeito. Disse que, Calixto, pela sua postura ética,
pela sua trajetória história, pela sua dignidade é um
fator de entendimento entre as centrais sindicais e um exemplo
a ser seguido. Conclamou aos delegados do II Congresso para que
aprofundem análises sobre o momento atual para que se fortaleçam
as ações conjuntas das entidades sindicais em defesa
dos interesses de toda a classe trabalhadora.
II Congresso tem início oficial
com reforma do estatuto e debates no plenário
Com uma programação que começou hoje,
dia 28, às 09:00, o II Congresso da NCST vai debater várias
questões fundamentais para os trabalhadores brasileiros. O
primeiro ponto importante serão as deliberações
sobre alteração do estatuto da NCST, seguindo-se o
início da Tribuna Livre, com a participação
dos delegados inscritos.
Ainda hoje haverá o
painel sobre “A crise mundial e seus impactos”, com
as participações dos economistas Sérgio Mendonça,
do DIEESE, com o tema “A crise mundial e seus impactos no
emprego e na economia brasileira”, José Carlos de
Assis, do BNDES, que falará sobre “A política
de pleno emprego como alternativa à crise” e o professor
Ricardo José de Souza Oliveira, com o tema “Os efeitos
sociais e sindicais da crise mundial”. Após as intervenções
ocorrerão debates.
Ás 17:00h o senador
Paulo Paim fala sobre “Os trabalhadores e trabalhadoras frente
aos desafios e ameaças aos direitos sindicais e trabalhistas” e às
20:00hs será realizada a programação cultural.
No dia 29, a partir das
9:00 será iniciado o processo de eleição dos
novos membros da diretoria da Nova Central, com encerramento previsto
para às 17:30 hs, com a proclamação e posse
dos eleitos. Às 14:00h será realizada a Plenária
Final de deliberações, com previsão de que
o Encerramento do II Congresso seja às 18:00h.
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BEM PARANÁ, 29
de maio de 2009 | Economia
Crise
Paraná registra desaceleração
de geração de emprego
Emprego formal cresceu apenas 1,7%, o pior resultado
desde 2000
29/05/09 às 00:07 | Redação
Bem Paraná
O Paraná está apresentando
no ano de 2009 uma desaceleração da geração
de empregos formais em relação ao ano de 2008, o
nível de emprego formal cresceu 1,07% no 1º quadrimestre
de 2009 com saldo de 22.865 vagas, o pior resultado desde 2000.
No mês de abril observa-se a manutenção da desaceleração
em relação a 2008, que já vem ocorrendo desde outubro
de 2008, reflexo da crise financeira mundial, mas com uma melhora no nível
de geração de empregos, em abril foram abertas 7.937 vagas sendo
pior saldo para o mês de abril desde 1999.
De acordo com dados do
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED/Ministério
do Trabalho e Emprego e divulgados pelo DIEESE, em abril o nível
de emprego formal no Paraná registrou aumento de 0,37%,
superior ao desempenho nacional (0,15%), correspondendo a um saldo
(admissões menos os desligamentos) de 7.937 empregos. O
Interior apresentou aumento de 0,42% no nível de emprego
e a RMC variação de 0,30%.
Com o resultado de abril,
o número estimado de trabalhadores com carteira assinada
no Paraná é de aproximadamente 2,164 milhões.
Nos primeiros quatro meses de 2009 (jan-abr) foram criados 22.865
empregos, registrando um crescimento de 1,07%, regionalmente o
Interior do Estado apresentou no período um aumento no nível
de emprego de 1,51%, com a geração de 19.291 empregos,
ou seja, 84,4% dos empregos gerados no Estado. Na RMC observa-se
um crescimento do nível de emprego de 0,42%, com a geração
de 3.574 postos de trabalho, respondendo por 15,6% dos empregos
gerados no Estado.
É importante
ressaltar que desde julho/2005 houve uma alteração
importante na geração de empregos formais no Estado,
a RMC apresentou – no acumulado em 12 meses - um crescimento
do nível de emprego maior que o Interior, sendo que em
julho/2005 o nível de emprego em 12 meses aumentou 5,96%
na RMC e 5,50% no Interior, revertendo uma tendência que
vinha ocorrendo desde setembro/2001. No mês de abril/2009
a RMC (2,94%) apresentou um crescimento do nível de emprego
supeior ao Interior do Estado (2,48%).
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Folha de S.Paulo, 29
de maio de 2009
PIB
País vai crescer entre 3%
e 4% em 2010, afirma Mantega
JULIANA ROCHA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro da Fazenda,
Guido Mantega, disse ontem que o crescimento econômico do
ano que vem será entre 3% e 4%. A expectativa é menor
do que a previsão oficial de 4,5% incluída pelo governo
na proposta de LDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias).
A estimativa oficial para este ano é um crescimento de 1%.
Em audiência pública no Senado, o ministro fez a avaliação
de que a crise ainda não acabou, mas o Brasil já retomou o crescimento.
Em referência à avaliação da FGV (Fundação
Getulio Vargas) de que o Brasil entrou em recessão no último
trimestre do ano passado, Mantega disse que esse é um dado do passado "visto
pelo retrovisor".
Questionado pelos senadores sobre a desvalorização do dólar
em comparação com o real, ele disse que uma das saídas
para "enxugar" a liquidez no mercado de câmbio é a compra
de dólares para aumentar as reservas internacionais do país.
O ministro disse ainda que os juros no Brasil são muitos altos e falta
crédito para empresas.
"O importante é que, olhando para a frente, já estamos em
recuperação. Ainda temos o problema sério do crédito.
A taxa de juros é muito alta, atrapalha a produção",
afirmou.
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Vermelho, 29 de maio
de 2009
Petrobras anuncia criação
de 1 milhão de empregos até 2013
Os investimentos da Petrobras no Brasil devem gerar mais de 1 milhão
de novos postos de trabalho entre 2009 e 2013. Dos 104,6 bilhões de
dólares que a companhia pretende aplicar no período nas áreas
de exploração e produção, 92 bilhões de
dólares vão ficar no Brasil e aquecer o mercado interno. As informações
são do diretor de Exploração e Produção
da Petrobras, Guilherme Estrella, que participou, nesta quarta-feira (27),
de audiência pública conjunta das comissões de Desenvolvimento
Econômico e Minas e Energia da Câmara.
A companhia prevê a
criação de 267 mil novos postos de trabalhos diretos
até 2013. Outros 777 mil postos de trabalhos indiretos estão
relacionados à cadeia produtiva e ao chamado efeito renda,
quando a renda dos trabalhadores se transforma em consumo.
Segundo Guilherme Estrella,
o Brasil precisa “aproveitar a oportunidade” proporcionada
pela descoberta do pré-sal. “A Petrobras passa por
um momento importante em relação ao seu compromisso
com o desenvolvimento do país. É um momento que traz
uma série de oportunidades para o Brasil, e nós não
podemos perder essa oportunidade”, afirmou.
Críticas à CPI
O deputado Luiz Alberto
(PT-BA), autor do requerimento da audiência e que durante
20 anos foi técnico químico da Petrobras, destacou
o rigor administrativo da empresa. E criticou os partidos de oposição,
que defendem a instalação de uma CPI no Senado para
investigar a companhia.
“ Enquanto o Senado
instala uma CPI, o jornal inglês Financial Times elogia o
papel da Petrobras, sua capacidade de gestão e o domínio
da tecnologia de prospecção de petróleo. No
campo internacional se reconhece a importância da empresa.
No Brasil, de forma irresponsável, tenta-se jogar a Petrobras
no centro da arena política”, afirmou.
O presidente do Sindicato
Nacional da Indústria da Construção e Reparação
Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo da Rocha, também criticou
a instalação da CPI no Senado. Ele classificou a
investigação como “absurda”.
Postura
agressiva
Durante a audiência,
o diretor de Exploração e Produção
destacou a “postura agressiva” da empresa desde o primeiro
mandato do presidente Lula. Entre 1999 e 2002, a carteira exploratória
da Petrobras atingiu uma média anual de 22.737,5 quilômetros
quadrados. Nos três primeiros anos de governo Lula, a média
anual saltou para 32.377,3 quilômetros quadrados.
“Isso nos dá a
garantia e o conforto de ter uma área suficiente de exploração
para os próximos 15 anos. A Petrobras vinha perdendo essa
agressividade antes de 2003”, afirmou Guilherme Estrella.
Guilherme Estrella afirmou
que, nas próximas décadas, as chamadas energias fósseis
devem ocupar uma posição hegemônica entre as
demais modalidades energéticas. “O Brasil tem uma
situação privilegiada porque conta com grandes reservas
de óleo e gás. A descoberta do pré-sal é uma
grande oportunidade para o desenvolvimento industrial, tecnológico
e científico do país”, afirmou.
O diretor da Petrobras
informou ainda que os investimentos específicos no pré-sal – que
estavam previstos para 28,9 bilhões de dólares no
período 2009-2013 – devem alcançar 111,4 bilhões
de dólares no período 2009-2020. A produção
de óleo do pré-sal deve crescer a uma taxa anual
de 35,3% entre 2013 e 2020. A expectativa é de que, em 2013,
sejam produzidos 219 mil barris por dia, ante 1,8 milhão
de barris por dia previstos em 2020.
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Agência Diap,
29 de maio de 2009
Reforma política: pesquisa
Inesc-DIAP revela pensamento parlamentar
A maioria dos parlamentares (53,3%) defendeu que as mudanças, resultado
da reforma política, comecem a valer já nas eleições
do ano que vem. A pesquisa foi feita pelo DIAP em parceria com Inesc e aplicada
pela Empresa Júnior da UnB (Strategos), que entrevistou 150 parlamentares
Em tempos de discussão
da reforma política e da possibilidade de se mudar as regras
eleitorais e permitir um terceiro mandato para presidente da República,
uma pesquisa feita com deputados e senadores mostra que a maioria
deles (51,3%) é contra a reeleição para a
Presidência.
Entretanto, quando perguntados
sobre a manutenção dos quatro anos de mandato para
presidente e deputados, com apenas uma reeleição
e oito para senadores, 32% se disseram favoráveis e 23,3%
defendem apenas o aumento do mandato do presidente de quatro para
cinco anos, com proibição de reeleição.
A pesquisa foi feita pelo
Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) em
parceria com o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
e aplicada pela Empresa Júnior da UnB (Strategos), que entrevistou
150 parlamentares – 120 deputados e 30 senadores.
Apesar de o número
ser bem menor que o total nas duas casas legislativas (513 deputados
e 81 senadores), os entrevistados representam a proporcionalidade
partidária, de estado e sexo no Congresso.
A maioria dos parlamentares
(53,3%) ainda defendeu que as mudanças eleitorais, resultado
da reforma política, comecem a valer já nas eleições
do ano que vem.
Apesar da decisão
dos líderes da base aliada de recuar no apoio a urgência
para votação dos projetos que tratam do tema, o presidente
da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB/SP) reafirmou,
nesta quinta-feira (28), que a discussão sobre mudanças
nos sistemas político e eleitoral será mantida.
Temer lembrou que os dois
temas (lista fecha e financiamento público) não são
os únicos sobre reforma política e eleitoral em tramitação
na Câmara.
Há, de acordo com
o presidente, outras propostas como o voto distrital e a lista
flexível com voto proporcional, entre outros.
Ele acredita que ainda é possível
alterar alguns aspectos da legislação eleitoral para
2010.
Em relação
a uma reforma política mais ampla, o presidente da Câmara
considera que seria mais fácil fazê-la em 2014, quando
as resistências seriam menores.
Lista
fechada
Quanto ao sistema eleitoral, 35,3% querem manter o atual sistema, com o voto
em lista aberta, em que o eleitores votam diretamente no candidato de sua preferência.
A proposta de adoção
do voto em lista fechada, 30% são favoráveis, mas
desde que seja uma lista flexível, em que o eleitor vote
preferencialmente em um determinado candidato da lista.
O sistema de lista fechada
e bloqueada, uma das principais propostas da reforma política,
encontra apoio de apenas 25,3% dos entrevistados.
Em caso de adoção
da lista fechada, 51,3% são contra reserva de vagas para
os sexos, cabendo à convenção definir a ordem
dos nomes na lista, independente do sexo.
Os entrevistados ainda
são favoráveis à atual regra de inelegibilidade,
em que o candidato só é impedido de se eleger quando
condenado em última instância pela Justiça
ou com trânsito em julgado.
Do total, 32% defendem
que o candidato só se torne inelegível quando condenado
judicialmente em segunda instância.
Fidelidade
Quase metade, 46%, defende a fidelidade partidária relativa, com liberdade
para o parlamentar discordar pontualmente do partido, só perdendo o
mandato em caso de mudança de legenda sem motivo relevante.
Quanto à fidelidade
ampla, com a perda de mandato em caso de mudança de partido
ou desobediência às diretrizes partidárias,
42% são favoráveis.
Apenas 4% preferem que
o mandato pertença ao parlamentar e que ele possa mudar
de partido sempre que julgar conveniente.
Mas, 54% do total são
favoráveis à janela partidária, prazo para
que os parlamentares possam trocar de partido treze meses antes
das eleições.
Coligações
Os deputados e senadores que participaram da pesquisa são favoráveis às
coligações apenas nas eleições majoritárias
(51,3%).
E, em caso de fim das coligações,
42,7% defendem a constituição de federação
de partidos, que não poderá ser desconstituída
por menos de três anos.
E a maioria, 58,7%, é favorável
ao financiamento público de campanha. Clique aqui e
veja a íntegra da pesquisa.
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Folha de S.Paulo, 29
de maio de 2009
ELEIÇÃO
PEC que permite 3º mandato é protocolada
e devolvida
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Horas depois de apresentada,
a PEC (proposta de emenda constitucional) que abre a possibilidade
para um terceiro mandato do presidente Lula foi devolvida pela
secretaria da Câmara para o seu autor, deputado Jackson Barreto
(PMDB-SE).
Diante da pressão dos presidentes dos dois principais partidos da oposição,
senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) e deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), 5
tucanos e 8 dos 11 democratas que apoiaram inicialmente o texto retiraram as
assinaturas.
Com isso, a PEC protocolada na tarde de ontem com o apoio de 183 deputados,
passou a ter apenas 170 nomes, o que torna a sua tramitação inviável.
Para que ela seja enviada à Comissão de Constituição
e Justiça da Casa são necessárias 171 assinaturas.
A PEC será devolvida ainda hoje para o deputado, que poderá buscar
novos apoios.
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Vermelho, 29 de maio de 2009
Veteranos precisam dar espaço
a jovens no movimento sindical
O 1º Encontro da Juventude Trabalhadora da CTB (Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil), realizado em São Paulo dias 23 e 24 de maio,
cumpriu relevante papel na organização da juventude cetebista
ao discutir temas como a Lei do Estágio, a crise, o desemprego e os
desafios dos jovens no campo e da cidade. A opinião é da secretária
de Jovens da Central, Ana Rita Miranda, Fetag-BA (Federação dos
Trabalhadores na Agricultura), em entrevista ao Portal CTB.
Por Cinthia Ribas
Qual sua avaliação
sobre o 1º Encontro de Jovens?
Ana Rita: A minha avaliação foi bastante positiva. Foi um encontro
relativamente pequeno, com apenas 130 pessoas, mas cumprimos o nosso papel.
Não é um encontro fácil de ser construído. A questão
da juventude é pouco debatida no movimento sindical. Conseguimos fazer
três mesas de maneira muito organizada e qualificada, com temas atuais
como: crise, precarização do trabalho, a questão da sucessão
rural com a juventude camponesa e a Lei dos estágios, que é uma
coisa nova que está surgindo e a CTB sai na frente sendo a primeira
central a fazer esse debate. O debate sobre a questão rural foi muito
interessante, fizemos um link com a juventude do campo e conseguimos discutir
como os problemas do campo afetam a cidade e vice-versa.
O objetivo foi alcançado?
Rita Sim, claro. A juventude que chegou aqui não
vai sair do mesmo jeito que chegou. Sairá com uma nova visão
de mundo e de trabalho, sabendo qual o nosso papel na sociedade.
Quais as serão as principais iniciativas tomadas
a partir desse encontro?
Rita: Fizemos um documento com as resoluções
tiradas no encontro, com a contribuição de vários
estados, que será encaminhado para o II Congresso da CTB.
Esse encontro não é deliberativo, mas elaboramos
o documento e discutiremos no congresso, incluindo-o nas teses.
Outra ação foi a formação de um coletivo
de jovens com sete pessoas, que vai unir as diversas forças
do movimento sindical, contemplando as CTBs mais atuantes para
auxiliar a secretaria nacional a difundir e incentivar a participação
da juventude no movimento sindical, tanto no campo quanto na
cidade. A participação dos jovens nos sindicatos é muito
baixa, então o coletivo tem como principal função
ampliar essa participação. Não só participar
de debates e palestras, mas garantir que a juventude esteja dentro
das diretorias dos sindicatos e federações, no
movimento sindical em geral. E também já faz parte
em nosso documento a garantia de uma cota mínima de 10%
de jovens em todos os espaços do movimento sindical.
E qual será o principal desafio do Coletivo de Jovens?
Rita: Será fazer com que a juventude entre de fato no movimento sindical.
Eles acham que movimento sindical é só ir ao encontro. E não é isso. É você participar
dia a dia do movimento, do seu sindicato, da sua federação, você se
sentir parte daquilo, você ocupar um cargo. Não apenas ocupar
por ocupar, mas sim se dedicar e procurar fazer um trabalho organizado, um
trabalho de qualidade. Então, essa será a nossa maior dificuldade,
mudar essa compreensão de participação nos espaços
de decisão dentro do movimento.
A que se deve essa ausência de jovens no movimento sindical?
Rita: Muita gente acha que é porque a juventude não quer participar.
Eu discordo. O que falta é oportunidade. Não que seja uma luta
de gerações. A questão é: quem chega ao movimento
tende a ficar por muitos anos e não abre espaço. Tem sindicalista
que não compreende isso. Acha que o jovem quer roubar o seu “emprego”.
E não é isso, movimento sindical não é emprego.
Estamos ali para fazer a luta. Não é uma disputa. Para nós,
jovens, o interessante é fazer a parceria. É muito importante
essa troca de experiências entre juventude e os sindicalistas que estão
há mais tempo no movimento. É uma troca de experiências,
uma parceria: a união da nossa força, nossa vontade de fazer,
vontade de mudar com a experiência de quem já está ai e
tem muita coisa para ensinar.
Você acha que a principal iniciativa para mudar essa
baixa participação dos jovens no movimento sindical é unir
forças?
Rita: Sim. Os mais experientes abrirem espaço e a juventude ocupar seu
lugar com responsabilidade. Porque se o espaço é dado e o jovem
não cumpre seu papel, fica difícil. Tem que cumprir suas tarefas
com muita responsabilidade e compromisso com a classe trabalhadora.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/05/2009
SDI-1 mantém validade de acordo
coletivo sobre jornada de trabalho de 12x36
Por voto de desempate do
ministro Milton de Moura França, presidente do Tribunal
Superior do Trabalho, a Seção Especializada em Dissídios
Individuais I(SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho manteve hoje
(28) seu entendimento pela validade de acordo coletivo que estabeleça
turnos de revezamento de 12 horas de trabalho por 36 de descanso
sem que seja devido o adicional de horas extras, quando há observância
da carga horária de 44 horas semanais. A votação
fechou em sete votos a sete, mas o voto da Presidência, acompanhando
a divergência, foi decisivo no sentido de rejeitar o pedido
de horas extras do empregado da Thor Segurança Ltda.
Nesta ação,
a Justiça do Trabalho manteve o mesmo entendimento desde
o início. Segundo o artigo 59 da CLT, a compensação
pactuada entre empregado e empregador é permitida desde
que não ultrapasse o limite de dez horas diárias.
Pelo inciso XIII do artigo 7º da Constituição
Federal, o regime especial de compensação da jornada
de trabalho pode eventualmente exceder o limite diário de
dez horas, desde que não sejam ultrapassadas as 44 horas
semanais.
A análise do caso
começou no TST pela Quarta Turma, que rejeitou o recurso
do trabalhador e esclareceu que a CLT não se opõe “à hipótese
de se ajustar regime de compensação de 12 por 36
horas, por meio de negociação coletiva, tendo em
conta a norma do artigo 7º, inciso XIII, da Constituição,
segundo a qual é facultada a compensação de
horários e a redução da jornada, mediante
acordo ou convenção coletiva de trabalho”.
Na apreciação
na SDI-1, o ministro Vantuil Abdala, relator dos embargos, ficou
vencido ao mandar pagar a décima primeira e a décima
segunda horas como extras, apesar de reconhecer a possibilidade
do trabalho em jornada especial pactuada por acordo coletivo. O
relator levantou os problemas decorrentes da adoção
da jornada de 12x36, na sua opinião um “mau sistema”,
que tem como resultado profissionais mal remunerados e sujeitos
a trabalhar em várias empresas ao mesmo tempo. Para inibir
a utilização desse regime, avalia que o empregador
deve pagar as horas além da décima com adicional
de 50%.
A ministra Maria Cristina
Irigoyen Peduzzi foi designada a redatora do voto vencedor, por
ter aberto a divergência, negando provimento aos embargos
do trabalhador. A ministra ressaltou o interesse das categorias
nessa negociação, seja de vigilantes ou de trabalhadores
em hospitais, porque, “ao final do mês, importa redução
do total do trabalho, mais economia, mais horas de descanso, e
a pessoa não enfrenta trânsito todos os dias”.
O raciocínio da ministra comparou a situação
em que o trabalhador comum se dedica 220 horas por mês ao
trabalho, enquanto o do regime de 12x36 trabalha em média
192 horas.
A ministra Peduzzi
argumentou que a Constituição autoriza a negociação
coletiva, e que não há qualquer inviabilidade para
sua aplicação. “A flexibillização
da jornada é possível, e os dispositivos constitucionais
se sobrepõem a um dispositivo da CLT”, concluiu
a redatora designada. Aproveitando a discussão do assunto,
a ministra Maria de Assis Calsing propôs a votação
de um recurso de embargos de sua relatoria, que tratava da jornada
de 12x72 horas, contra o Banco do Estado do Espírito Santo – Banestes.
A SDI-1 seguiu o entendimento do processo anterior, pela mesma
votação. ( E-RR –3154/2000-063-02-00.3 e
E-RR-984/2002-008-17.00.7)
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O ESTADO DO PARANÁ,
28 de maio de 2009 | Economia
Construção civil contratou
18 mil trabalhadores em abril
Agência Estado
O nível de emprego na construção civil brasileira cresceu
0,85% em abril, com a abertura de 18.028 vagas, segundo levantamento do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Estado de São
Paulo (Sinduscon-SP) e da FGV Projetos, divulgado hoje, com base nos dados
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério
do Trabalho e Emprego. A expansão foi próxima do aumento de 0,87%
registrado em março.
No acumulado do ano até o
mês passado, o nível de emprego no setor cresceu 2,63%,
com a abertura de 54.761 vagas, e, nos últimos 12 meses
até em abril, o emprego no setor registra aumento de 7,67%,
o que equivale a um saldo positivo de 152.501 novas vagas. No fim
de abril, o total de empregados pelo setor de construção
civil somava 2,14 milhões.
Em nota, o presidente do
Sinduscon-SP, Sérgio Watanabe, informou que a expansão
do emprego é resultado dos contratos assinados antes do
agravamento da crise, em setembro de 2008, e demonstra recuperação
parcial da queda ocorrida em novembro e dezembro do ano passado,
quando 109.086 vagas foram fechadas.
São Paulo
No Estado de São
Paulo, houve crescimento de 1,21% no nível de emprego em
abril, com a abertura de 7.344 vagas. O total de empregados na
construção civil paulista era de 616 mil no fim do
mês passado.
Na maior parte das regiões
do interior paulista, foram registradas contratações,
com destaque para São José dos Campos (+3,52%), Ribeirão
Preto (+1,35%) e Campinas (+1,1%). Em Santo André, houve
demissões (-0,58%), assim como em Bauru (-0,4%).
Já na cidade
de São Paulo, o crescimento foi de 1,28%, com a criação
de 3.765 empregos com carteira assinada em abril. No fim do mês
passado, havia 297,3 mil empregados no setor da capital paulista,
9,54% a mais do que em abril do ano passado.
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NCST, 28 de maio de 2009
NCST realiza 2º Congresso
com 1.500 delegados de 700 entidades
Representantes de todos
os estados brasileiros confirmaram presença no 2º Congresso
Nacional da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), que
acontece de 27 a 29 de maio.
O evento deve reunir 1.500
delegados, de mais de 700 entidades de trabalhadores urbanos, rurais
e servidores públicos.
O 2º Congresso da
Nova Central tem como eixo o debate sobre "a crise internacional
e seus efeitos sobre os trabalhadores", tema que será tratado
em três palestras por economistas que abordarão aspectos
diferentes da crise.
Superação
José Calixto Ramos, presidente da Nova Central, avalia que o pior da
crise já passou. "A própria CNI, que representa os industriais,
está falando em retomada na produção em diversos setores
da indústria".
Para Calixto, o Brasil
tem tradição em superar adversidades.
"Já passamos
por tantas crises que nosso povo desenvolveu uma grande capacidade
de superação", ele diz. Para o presidente da
NCST, a crise também reposicionou o Estado frente à economia
nacional e mundial.
Manifestações
Além dos grupos de trabalho, para debater os temas do Congresso, o evento
da NCST abrirá dois momentos de tribuna livre.
Calixto explica: "Será o
momento de manifestação dos delegados, abordando
temas do próprio Congresso ou questões específicas
de categorias profissionais ou das regiões".
Autoridades
A organização do 2º Congresso convidou autoridades, ministros,
deputados, senadores, centrais, confederações e representantes
do Judiciário.
Eleição
No dia 29, os delegados votarão a ratificação da reforma
do estatuto da Nova Central e elegerão diretoria executiva, secretarias
nacionais e conselho fiscal.
O local é o CTE
da CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria), no km 9,5 da BR 040, município de
Luziânia, próximo a Brasília. (Fonte: NCST)
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Terra Magazine, 28 de
maio de 2009
Pochmann: Devemos gerar 600
mil empregos, diz presidente do Ipea
Por Marcela Rocha, na Terra Magazine
Em entrevista a Terra Magazine,
Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada, não vê "horizonte neste ano" para
aumentar a rotatividade do emprego. Isto significa que o rendimento
do brasileiro médio vai cair e o comércio será afetado.
O número de 106.205
vagas novas apurado em abril pelo Cadastro Geral de Emprego e Desemprego
(Caged) em todo o País foi uma surpresa se comparada aos
34.828 postos abertos em março. Ao mesmo tempo, em sua pesquisa,
Pochmann aponta o crescimento da rotatividade no trabalho.
A taxa média mensal
de rotatividade com carteira assinada foi de 3,7% para 3,9%, entre
outubro de 2007 e março de 2008. Nesse período de
vacas magras, a rotatividade atingiu 23,4% de aproximadamente 29,4
milhões de trabalhadores formais do setor privado.
Numa "baixa econômica",
a rotatividade deveia cair, pois "os empregados, diante da
dificuldade de encontrar outro emprego, tendem a fazer tudo para
permanecer no posto e não perder a oportunidade de trabalho".
Isto não está acontecendo, ou seja, explica Pochmann, "as
empresas é que estão aumentando a rotatividade".
Pochmann explica, de maneira simples, sua avaliação:
"O salário
médio está sendo afetado por estarem sendo demitidas
pessoas com melhores remunerações para que sejam
contratadas pessoas de menor remuneração. O desemprego
está crescendo na indústria, onde os salários
são menores".
Apesar das negativas, Pochmann
traz boas notícias: "A previsão é de
queda da inflação". Segundo o presidente do
Ipea, a inflação tem subido com a valorização
cambial, que não se deu de forma simultânea à redução
do consumo nem à redução do preço das
commodities.
Contudo, destaca que enxerga
uma certa valorização do câmbio e, por isso,
acredita "que o consumo vai expandir, então o contexto
geral é de queda da inflação".
Entre altos e baixos, a
perspectiva de crescimento é mantida tanto entre os mais,
ou menos otimistas. Contudo, "se for registrada queda do Produto
Interno Bruto no primeiro trimestre deste ano, 2009 inteiro estará comprometido,
um ano perdido", lamenta Pochmann.
Segundo o IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB do primeiro
trimestre sairá em 9 de junho. Esperemos.
Leia na íntegra a entrevista
com o presidente do Ipea, Márcio Pochmann:
Terra Magazine
- Em que medida o crescimento de emprego é prejudicado
pelo crescimento da rotatividade?
Márcio Pochmann - Na verdade tem duas modalidades de ajustes a partir
da crise. Uma foi a redução do emprego nos setores indústriais,
vinculados, sobretudo à exportações. No segmento voltado
ao mercado interno, principalmente de serviço, o desemprego não
foi tão alto, mas terminou sendo afetados pela rotatividade. Este segmento,
embora mantenha o número de empregos e possivelmente aumente, trabalha
com salários menores, cada vez mais próximos do piso do salário
mínimo nacional.
Quem sofre?
A massa de rendimento (é o número de empregos com salários
médios). O salário médio está sendo afetado por
estarem sendo demitidas pessoas com melhores remunerações para
que sejam contratadas pessoas de menor remuneração. O desemprego
está crescendo na indústria, onde os salários são
menores.
Quando o senhor
avalia que a rotatividade vai diminuir? Quando voltaremos ao
nível précrise de trabalho e emprego?
Não vejo horizonte neste ano. O crescimento do Brasil não acontecerá como
o previsto, não acontecerá no patamar de 4,5%. O mercado de trabalho
formal, quase 40% do total, já está apresentando sinais de recuperação.
Devemos gerar em torno de 600 mil postos de trabalho, evidentemente que em
função da economia.
O crescimento do
emprego com a rotatividade aumenta o número dos que são
empregados e depois ficam desempregados rapidamente? Aumenta
a instabilidade, a volatividade deste índice?
Exatamente. A rotatividade se dá de forma diferente do ciclo econômico.
Ela se dá, não apenas, por estímulo do empregador, que
reduz o número de pessoas que ganham mais para contratar as que ganham
menos. Também se dá estimulada pelo próprio empregado,
que muitas vezes troca de emprego por um salário maior.
Mas estamos na
baixa do ciclo econômico...
Sim. Por conta desta baixa, a rotatividade deveria cair, porque ela só permanece
promovida pelo empregador. Os empregados, diante da dificuldade de encontrar
outro emprego, tendem a fazer tudo para permanecer no posto e não perder
a oportunidade de trabalho. Em geral, no ciclo econômico de crescimento,
dois terços da rotatividade são promovidos pelo empregador e
um terço pelo empregado. Na baixa do ciclo, esse um terço deveria
cair. Mas isto não está acontecendo.
Por qual motivo?
É uma demonstração clara de que as empresas estão
aumentando a rotatividade.
E é isso
que afeta a massa de rendimento?
Cresce o emprego com salários menores, a massa de rendimento tende a
cair e aí pode conter setores como comércio e serviços
que dependem da massa de rendimentos para sua sustentação, diferentemente
da indústria. Até porque a massa de rendimentos vai para o consumo
e não para a poupança, né?
Com a queda da
massa de rendimentos a inflação tende a cair?
A previsão é de queda. A inflação tem subido com
a valorização cambial, que não se deu de forma simultânea à redução
do consumo nem à redução do preço das commodities.
Agora, vemos uma certa valorização do câmbio e acreditamos
que o consumo vai se expandir, então o contexto geral é de queda
da inflação.
Como o senhor avalia
a perspectiva do crescimento do Brasil em 2009? Coincide com
a do Ipea?
O nosso núcleo de previsão trabalha com o patamar de 1,5% a 2,5%
de crescimento. Como estamos num contexto fora de previsibilidade, dada a excessão
forte que ocorreu no último trimestre do ano passado, as previsões
precisam ser revistas a todo momento. Se for registrada queda do PIB no primeiro
trimestre deste ano, 2009 inteiro estará comprometido, um ano perdido.
A intervenção
estatal não deixará impunes, quando a crise passar,
os apontados como causadores da crise?
De maneira geral a intervenção vem sendo feita para salvar o
próprio capitalismo. Se tivesse deixado as grandes seguradoras, bancos
e grandes empresas quebrar, o efeito dominó para o conjunto do setor
econômico do País seria um aprofundamento dramático da
decadência. Embora saibamos que pareça um socialismo rico, socializando
o prejuízo dos segmentos que mais ganharam no ciclo de expansão
da globalização, entende-se que, para o conjunto da atividade
econômica do País, é necessário.
A crise de 1929
seria a prova disto?
O café era o setor mais dinâmico. O Brasil era o maior produtor
de café, ele havia sido colhido, mas não havia gerado renda,
ou seja, não tinha recurso para, tanto atender os lucros dos fazendeiros,
quanto aos salários dos trabalhadores. O governo do Getúlio Vargas
comprou as sacas, pagou e queimou. Do ponto de vista econômico era necessário
para o País sair o mais rápido da crise. Colocar aquele café para
comercializar não iria adiantar nada porque os trabalhadores não
tinham como consumir. A questão básica é que essas medidas
são anticíclicas, evitam que o ciclo se aprofunde e estabelece
condições mínimas para novos ciclos de expansão.
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Folha de S.Paulo, 28
de maio de 2009
Senadores recebem auxílio irregularmente
Mesmo ocupando apartamentos funcionais, 3
congressistas recebem R$ 3.800 de auxílio-moradia por mês
ADRIANO CEOLIN
ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Três senadores receberam auxílio-moradia de R$ 3.800
mesmo morando em apartamentos funcionais do Senado.
O presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que mora em seu próprio
imóvel, também recebeu o auxílio, mesmo tendo à disposição
a residência oficial e fazendo uso dela.
A Folha teve acesso a uma lista sigilosa de senadores que ganham o auxílio-moradia.
João Pedro (PT-AM), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Gilberto Gollner
(DEM-MT) receberam o benefício apesar de morarem em apartamentos funcionais
cedidos pelo Senado, o que não é permitido pela legislação.
Depois de procurados pela reportagem, todos pediram o cancelamento do auxílio.
Anteontem, a Folha revelou que o Senado paga ilegalmente auxílio-moradia
para 42 senadores. O ato que regulamentava o benefício foi revogado
em dezembro de 2002.
Ainda que o instrumento legal valesse, os quatro senadores estariam em situação
irregular, pois somente os congressistas sem imóvel funcional podem
receber o benefício.
O ato revogado, e que deve ser reeditado, definia que o auxílio só seria
pago aos "senadores que não dispuserem de apartamento funcional".
Já a lei 8.112 diz que o benefício será pago se "não
existir imóvel funcional disponível".
Na terça-feira, Sarney respondeu que "nunca" recebeu auxílio-moradia,
benefício pago mensalmente juntamente com o salário do senador.
Mesmo depois de ter sido informado pela Folha de que seu nome constava na lista
dos beneficiários, o senador insistiu nessa versão. Seus assessores
afirmaram que a lista era falsa.
Somente ontem a assessoria de Sarney confirmou que ele recebe o benefício
desde maio de 2007, e admitiu que, mesmo após ele assumir a presidência,
o pagamento foi mantido. A assessoria disse que Sarney não tinha conhecimento
disso e pediu a suspensão do benefício.
Lucena também disse que não tinha conhecimento de que tinha o
auxílio. Ele recebeu o benefício ilegalmente durante um ano e
oito meses -um total de R$ 79.800.
O senador encaminhou ofício à direção da Casa no
qual considera o fato "extremamente grave". Também pediu a
suspensão do pagamento e disse que irá devolver o valor.
O mesmo informou o senador João Pedro. Desde junho do ano passado, ele
ocupa um apartamento funcional. Ainda assim, recebeu R$ 45.600 de auxílio
neste período.
Gollner também se disse surpreso. Por meio de assessoria, ele informou
que "os procedimentos para correção estão sendo adotados
pelo seu gabinete" e que irá devolver o valor se esse for o entendimento
da Casa. Ele ocupa apartamento funcional desde julho de 2008 e recebeu R$ 41.800
de auxílio.
A direção do Senado disse que os pagamentos deveriam ter sido
cancelados quando os senadores receberam imóvel funcional, mas não
foram.
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MTE, 28 de maio de
2009
Transmissão 'internética'
acelera concessão de seguro-desemprego
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi anunciou, nesta quarta-feira
(27), a informatização do aviso de dispensa sem justa causa e
a criação do Seguro-Desemprego Web Empregador (SDWEB Empregador),
uma página na internet desenvolvida para agilizar a transmissão
de informações de dados do trabalhador dispensado com direito
a receber o benefício.
O SDWEB ajudará a
acelerar o processo de requisição do seguro-desemprego,
já que a empresa poderá passar as informações
necessárias para a liberação do benefício
ao Ministério do Trabalho e Emprego no mesmo dia em que
a dispensa for efetivada.
O ministro anunciou que
o objetivo do projeto é diminuir o tempo entre o requerimento
e o recebimento do seguro-desemprego. "Esse período,
hoje, varia entre 30 e 45 dias, mas com o novo sistema esse tempo
passará a ser de 10 dias, em média".
Por meio de um sistema
de certificação digital, que assegura a veracidade
das informações prestadas, o empregador poderá enviar
o Requerimento de Seguro-Desemprego (RSD) pela Internet.
A medida promoverá economia
de tempo e redução de gastos para a empresa, que
não precisará mais adquirir os blocos de formulários
RSD nas papelarias.
O projeto piloto, realizado
em Brasília, vai durar de 60 a 90 dias; em seguida o modelo
será estendido para todo o Brasil.
"Identificaremos
as adequações necessárias para apresentarmos
em definitivo um sistema eficiente. Estamos convidando as empresas
a se cadastrarem. Elas terão certificado digital para
garantir a segurança das informações",
explicou Lupi. (Fonte: MTE)
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Folha de S.Paulo, 28
de maio de 2009
STF limita pagamento de dívida
trabalhista
Para ministros, teto de pagamento preferencial é de
até 150 salários mínimos, ou cerca de R$ 70
mil
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O STF (Supremo Tribunal
Federal) negou ontem, por maioria de votos, um pedido do PDT que
questionava a constitucionalidade de duas normas da nova Lei de
Falências, editada pelo governo federal e aprovada pelo Congresso
em 2005.
O Supremo legitimou, por exemplo, o entendimento previsto no texto da lei de
que uma empresa que adquire parte ou a totalidade de outra empresa falida não
deve herdar suas dívidas trabalhistas. Esse é o caso da Gol Linhas
Aéreas, que, ao comprar a Varig, teve que responder por ações
propostas por ex-funcionários da companhia aérea falida. A decisão,
portanto, pode ser considerada uma vitória para a Gol.
A outra norma também validada pelo STF limita o pagamento preferencial
das dívidas com os trabalhadores em até 150 salários mínimos,
ou cerca de R$ 70 mil. Os ministros entenderam que o limite é "razoável" e
beneficia os trabalhadores mais necessitados. Esse pagamento preferencial significa
que aqueles que deveriam receber mais do que 150 mínimos terão
a garantia do pagamento relativo ao valor limite. O restante da dívida
continua reconhecido, mas não tem previsão nem necessidade de
ser paga.
" O texto [da lei], tenho que admitir, é plenamente adequado à Constituição
Federal", afirmou o ministro Eros Grau.
O PDT alegava que as duas normas questionadas ferem princípios constitucionais
como o reconhecimento do valor social do trabalho, a proteção
da relação de emprego e a integridade do salário. Os ministros
não acataram os argumentos.
Ao final da sessão, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, elogiou
a legislação aprovada no Congresso. "Nós estamos
acostumados a fazer críticas ao Congresso, mas esse é um trabalho
digno de nota."
O ministro Menezes Direito não participou do julgamento, pois está em
licença médica.
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Agência Diap,
27 de maio de 2009
Jornada de trabalho: proposta
pode ser votada em junho na CE
O primeiro desdobramento da reunião das centrais sindicais com o presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP), é o agendamento da PEC 231/95,
que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, para votação
na comissão especial.
O deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT/SP) informou à assessoria do DIAP, que a proposta
será votada no colegiado no dia 30 de junho, às 14h,
no auditório Nereu Ramos da Câmara.
A idéia das centrais
sindicais é transformar esse dia num ato político
também. Por essa razão, a sessão do colegiado
especial será realizada em auditório com mais capacidade
de público.
Na reunião com Temer,
a principal proposta das centrais foi exatamente para votar a PEC
231 na comissão de mérito.
Na verdade, já passou
da hora de votar a matéria no colegiado. Como já foi
dito não há mais a quem convencer sobre a conveniência
e importância para a classe trabalhadora de reduzir a jornada
de trabalho.
Na semana passada, a comissão
realizou audiência com a participação de representantes
do Dieese e Ipea, e eles defenderam a diminuição
da carga de trabalho para alavancar o números de empregos
formais no País.
Nesta terça-feira
(26), foi a vez dos representantes patronais opinarem, mais uma
vez, sobre o tema. E, claro, foram contra a redução
da jornada, pois afirmam que "a medida vai elevar os custos
de produção para atender à demanda".
Como se vê, esse
'debate' já está decidido.
Os patrões e seus
representantes são contra mesmo. Não há acordo.
Os trabalhadores querem a redução como uma das medidas
para amenizar a crise do desemprego no País e não
há como conciliar com os setores que são contrários.
A 'pauta
trabalhista' é composta por sete itens, e a proposta
de redução da jornada é a primeira da
lista.
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Folha de S.Paulo, 27
de maio de 2009
Planalto deve adiar projeto sobre poupança
Sem consenso na equipe econômica, texto
só deve chegar ao Congresso no 2º semestre; governo também
quer evitar "efeito CPI" | Governo avalia que proposta
prevendo cobrança de IR de aplicação de mais
de R$ 50 mil corre risco de ser afetada pela disputa política
com oposição
VALDO CRUZ
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A guerra política
deflagrada pela criação da CPI da Petrobras e a falta
de consenso na equipe econômica deve levar o governo a adiar
o envio ao Congresso do projeto que vai taxar as aplicações
acima de R$ 50 mil na caderneta de poupança.
Embora a cobrança de IR (Imposto de Renda) sobre os rendimentos da poupança
tenha sido anunciada no último dia 13, o governo ainda não tem
pronto o texto com a proposta. A ideia é começar a cobrança
em janeiro de 2010 por meio do recolhimento mensal na fonte, mas não
houve acordo sobre como isso será feito.
Agora, a tendência é que o texto chegue ao Legislativo apenas
no segundo semestre, quando o clima pode estar menos desfavorável. Segundo
a Folha apurou, a área econômica e os articuladores políticos
do governo avaliam que a tramitação da proposta correria risco
se fosse enviada em meio às turbulências políticas criadas
depois da CPI da Petrobras, dando mais munição à oposição
na sua guerra ao Executivo.
A cobrança de imposto sobre as aplicações da caderneta é um
tema politicamente sensível e o governo teme os ataques feitos pela
oposição, que já criticou a proposta. A palavra final
caberá ao presidente Lula, mas tudo indica que o envio será mesmo
adiado. Um auxiliar do presidente destacava ontem que o governo tem até o
final do ano para aprovar a taxação das cadernetas e que agora
o tema ficaria "contaminado" pela disputa no Congresso.
Se o Congresso não aprovar a criação do imposto, a cobrança
não poderá ser feita em 2010. A legislação exige
que novos impostos ou a elevação de alíquotas seja aprovada
no ano anterior ao início da arrecadação.
Mas a prometida redução no IR dos fundos de investimentos de
22,5% para 15% poderá ser feita a qualquer momento, sem necessidade
de aprovação prévia dos deputados e senadores.
O novo cronograma é um recuo em relação ao anúncio
oficial das mudanças na caderneta há duas semanas, quando o ministro
Guido Mantega (Fazenda) afirmou que projeto não demoraria a ir ao Congresso.
Pela ideia original do governo, o rendimento obtido nas cadernetas com saldo
acima de R$ 50 mil seria taxado na declaração do IR entregue
em 2011. A tributação, no entanto, dependerá da taxa de
juros em vigor no momento. Quanto mais baixa a taxa de juros, maior será o
imposto devido.
Os bancos deverão informar a seus clientes o rendimento mensal de cada
caderneta. Esse dado será informado na declaração do IR
e o programa da Receita Federal fará os cálculos.
Além disso, Mantega anunciou que o imposto sobre os fundos de investimentos
será reduzido somente neste ano, enquanto a tributação
da poupança não começa.
A cobrança foi a fórmula encontrada pelo governo para enfrentar
o problema criado com a queda nas taxas de juros. Como a caderneta rende 6,17%
ao ano, com juros definidos em lei, a redução na taxa do Banco
Central, a Selic, faz com que as outras aplicações passem a render
menos do que a caderneta.
Essa diferença de taxas estimula a migração de dinheiro
dos fundos de investimento para a poupança. Pelos cálculos do
governo, fundos que hoje cobram taxa de administração acima de
2% ao ano já estão pagando menos que a caderneta.
Se essa troca ocorre, pode haver dificuldades de vender títulos da dívida
pública, além de distorções no mercado imobiliário,
já que os recursos da poupança são usados para emprestar
a mutuários.
Lula preferiu tributar a poupança a mudar o seu rendimento. Na avaliação
do presidente, uma mudança no rendimento da caderneta poderia ser usada
pela oposição -que, por meio do PPS, tentava associar a alteração
ao confisco feito no governo Collor.
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FOLHA DE LONDRINA,
27 de maio de 2009 | Opnião
A proposta de reduzir imunidade parlamentar
A salvaguarda foi instituída para
garantir livre exercício da função pública,
mas houve abuso constante do privilégio
Quando tragédias envolvem gente de mais projeção, propostas
de solução de irregularidades ganham intensidade, e são
muitos os casos em que isso resulta proveitoso. Melhor seria se não
houvesse necessidade de prejudicar ou enlutar famílias para corrigir
as tantas distorções e abusos, mas infelizmente é também
pela dor que males políticos e sociais às vezes são corrigidos,
e alguns inocentes pagam caro essa conta.
Agora a família
de uma das vítimas do acidente provocado pelo deputado Fernando
Carli Filho propõe um movimento popular visando a modificação
da lei que trata da imunidade parlamentar e retire o privilégio
de um deputado ou senador (e outros graduados homens públicos)
não serem presos, mesmo em flagrante delito. Essa salvaguarda
foi instituída para garantir o livre exercício da
função pública por tais cidadãos, mas
isso perde a razão de ser quando eles passam a abusar desse
favorecimento por muitas formas de desmando, desrespeito e corrupção.
O que deveria ser apenas
uma garantia do livre desempenho do cargo converteu-se numa capa
protetora de muitas irregularidades. Então, se um benefício
foi concedido, pode ser retirado, e não apenas em razão
de um delito como o cometido pelo deputado paranaense - que resultou
em duas mortes - mas sempre que houver um ato ilícito que
enquadre um cidadão, aí incluídos parlamentares
e outros que exerçam cargos mais graduados. A imunidade,
no caso de tais representantes, de chefes de executivos e membros
do sistema judicial, deve servir somente para a livre prática
do ir e vir, do livre decidir, do livre fazer e do livre falar,
quando no cumprimento da lei e da conveniência do munus público.
Mas no Brasil o privilégio de safar-se por conta daquele
instituto de (quase) impunidade levou a casos frequentes de abusos,
motivados pela má formação de muitos homens
públicos e pelo estímulo que a imunidade lhes dá.
A indagação que fica no ar é como modificar
essa ordem de coisas se os encarregados disso são os próprios
protegidos por tal blindagem. Só mesmo um forte movimento
popular, destes capazes de revolver céus e terra. Em momento
de exaustão isto pode acontecer. Há notáveis
registros disso na história da humanidade.
Em certa época do
regime ditatorial o Congresso Nacional foi fechado, demonstrando
que - mesmo que ditaduras sejam abominadas - os parlamentares não
são intocáveis. Nem de longe imaginar-se que as instituições
sejam violentadas, mas deve haver o pressuposto de que seus integrantes
se portem dignamente. Do contrário, não podem ser
diferenciados dos demais cidadãos e deles deve ser retirado
o protecionismo das imunidades. Chega uma hora em que corrigir
falhas do sistema democrático se converte em questão
de segurança nacional.
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de maio de 2009 | Economia
Número de ações
trabalhistas no Paraná cresceu 10% no quadrimestre
Helio Miguel
O número de processos trabalhistas iniciados no Paraná aumentou
10% nos quatro primeiros meses deste ano, na comparação com o
mesmo período do ano passado.
A informação
foi revelada ontem pelo Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR),
que registrou, nas suas 82 varas do trabalho, quase 38 mil processos
ajuizados de janeiro a abril de 2009, ante 34,4 mil iniciados no
primeiro quadrimestre de 2008. Segundo o órgão, o
aumento foi maior principalmente nos municípios pequenos.
Um exemplo dado pelo TRT-PR
foi a Vara do Trabalho de Jaguariaíva, na região
do Norte Pioneiro. Lá, o movimento triplicou este ano: foram
287 novos processos até abril, contra 92 nos quatro primeiros
meses de 2008. O tribunal atribui o aumento especialmente a cerca
de 400 demissões ocorridas em uma madeireira em Sengés
(município atendido pela unidade).
Na mesma região,
em Wenceslau Braz, o aumento nos processos foi de 72%, na mesma
comparação. Já foram 339 até abril,
o que levou a direção da vara a estimar que, este
ano, a unidade ultrapasse pela primeira vez a marca de mil novos
feitos.
Em 2007, foram 713 e, em
2008, foram 525 processos. Segundo o tribunal, além do aumento
de desligamentos de empregados na região, a abertura de
um novo posto de atendimento em Ibaiti, vinculado à unidade,
atendeu a uma demanda reprimida no local.
Em Rolândia, no norte
do Estado, houve outro aumento considerável. Enquanto de
janeiro a abril do ano passado a Vara do Trabalho local recebeu
350 ações, este ano, no mesmo período, já foram
663 - um incremento de 89%. A maior causa seriam, de acordo com
o TRT-PR, demissões em uma fábrica de móveis
local.
Já nas cidades maiores,
não foram detectados grandes aumentos na Justiça
do Trabalho. Em Curitiba, por exemplo, foram 9.576 novos processos
até abril deste ano, contra 9.225 no mesmo período,
em 2008.
Em Araucária, houve
até redução: enquanto em 2008 foram 1.044
processos ajuizados até abril, neste ano o número
só chegou a 860. Em Ponta Grossa, o número também
diminuiu: foram 2.180 ações em 2008 e 1.985 este
ano.
Crise
Em comunicado à imprensa,
a presidente do TRT-PR, desembargadora Rosalie Michaele Bacila
Batista, atribuiu o aumento de processos no Estado à crise
econômica mundial.
Para ela, as “inevitáveis
consequências” da crise chegam à Justiça,
que reflete, “cada vez mais, as dificuldades nas relações
de trabalho”. A desembargadora reiterou, ainda, a necessidade
de mais servidores no tribunal - um projeto de lei em trâmite
no Senado prevê a criação de 320 novos cargos
-, mas ressaltou o bom índice de conciliações
no Estado, que chegam a 47% do total de processos.

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Agência Diap,
27 de maio de 2009
Trabalho aprova direito de
o sindicato mover ação civil pública
Pelo projeto, do deputado Efraim Filho (DEM/PB), as convenções
e acordos coletivos celebrados pelos sindicatos, para tutela aos direitos trabalhistas,
terão força de título executivo extrajudicial, para execução
coletiva na Justiça do Trabalho. A matéria será apreciada
ainda pela CCJ
A Comissão de Trabalho
da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira
(20), o direito de as entidades sindicais utilizarem a ação
civil pública para reparar danos e prejuízos ocorridos
nas relações de trabalho.
"A Justiça
do Trabalho está sobrecarregada de ações individuais
idênticas e nada mais prático do que estimular as
chamadas ações coletivas e lhes garantir efetividade",
afirmou o relator do PL
2.422/07, deputado Mauro Nazif (PSB/RO).
Pelo projeto, de autoria
do deputado Efraim Filho (DEM/PB), as convenções
e acordos coletivos celebrados pelos sindicatos, para tutela aos
direitos trabalhistas, terão força de título
executivo extrajudicial, para execução coletiva na
Justiça do Trabalho.
O relator explicou que
o projeto não trará grandes modificações
processuais porque os tribunais já assimilaram essa prática
por meio da jurisprudência e da doutrina, mas vai deixar
explícito o uso dos instrumentos recursais de má-fé.
A proposta, que tramita
em caráter conclusivo, será analisada também
pela Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania, antes de ira a votos no plenário. (Com Agência
Câmara)
Clique aqui e
veja o parecer aprovado na Comissão de Trabalho.
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Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
27/05/2009
Viplan e Lotáxi pagarão
indenização por agressão a trabalhador
A Lotáxi – Transportes
Urbanos Ltda. e a Viplan – Viação Planalto
Ltda., ambas de Brasília (DF), foram condenadas solidariamente
ao pagamento de indenizações por danos moral e material
a um empregado agredido por um preposto das empresas quando se
recusou a cumprir ordem de seu chefe e iniciou uma discussão.
A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve
a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
(DF/TO), ao rejeitar agravo de instrumento das empregadoras.
A indenização
estabelecida inicialmente é de R$ 20 mil por danos morais
e R$365,27 de pensão por 34,9 anos, por danos materiais.
As empresas vêm recorrendo da sentença, sem sucesso.
A possibilidade de “culpa recíproca”, uma das
alegações da Lotáxi, foi afastada pelo TRT,
que julgou a reação do preposto desproporcional e
extremamente violenta. Outro argumento da Lotáxi refutado
pelo Regional é o de que, entre as suas atribuições
como empregadora, “não está evitar brigas físicas
pessoais entre funcionários”. Quanto a esse aspecto,
o TRT ressaltou que a agressão ocorreu no ambiente de trabalho
e por superior hierárquico.
Ao descumprir ordem para
que retornasse ao trabalho por uma rota não estabelecida
previamente, o trabalhador deu início a uma discussão.
A resposta do preposto foi a aplicação de golpes,
com uma barra metálica, na cabeça, tronco e membros
do subordinado, causando-lhe danos irreversíveis, como lesões
no cérebro e no braço esquerdo. A agressão
teve como resultado a incapacidade definitiva da vítima
para o trabalho .
Para o ministro Ives Gandra
Martins Filho, relator dos dois agravos de instrumento, ao contrário
do que a Lotáxi pretendia fazer crer, “a empresa,
efetivamente, responde pelos atos danosos praticados pelo seu preposto,
pois a empregadora é a responsável direta pela qualidade
das relações e do ambiente de trabalho, cabendo a
ela adotar medidas compatíveis com os direitos da personalidade
constitucionalmente protegidos”.
A Viplan, por sua vez,
pretendia reformar a decisão regional com as alegações,
entre outras, de que o dano moral não tinha sido demonstrado,
que a quantia fixada seria absurda e levaria ao enriquecimento
do trabalhador e que a pensão mensal até os 75 anos
do autor ultrapassava “o limite médio da vida de um
homem comum”, segundo ela, de 65 anos. Para a Sétima
Turma, a empresa não demonstrou condições
para que fosse dado provimento ao agravo de instrumento, com a
consequente admissibilidade do recurso de revista, pois o relator
não constatou violação constitucional nem
divergência jurisprudencial nos julgados apresentados pela
Viplan.
De acordo com o ministro
Ives Gandra, diante dos fatos descritos pelo Regional, ficou
efetivamente caracterizada a culpa da empresa. Ele ressaltou
que, pela “extensão dos danos sofridos” pelo
trabalhador, “não é possível constatar
que a decisão regional, ao manter a condenação
ao pagamento de pensão mensal e de indenização
por danos morais, tenha fugido aos padrões da proporcionalidade
e da razoabilidade”. (AIRR –1033/2005-001-10-40.6
e AIRR –1033/2005-001-10-41.9 )
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de maio de 2009 | Economia
Rotatividade sobe e achata salários
Agência Estado
O impacto da crise global no mercado de trabalho brasileiro foi além
do corte no emprego. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, setores que não
fecharam vagas fizeram uso da rotatividade para substituir na mesma ocupação
um empregado de maior remuneração por outro de menor salário,
como forma de reduzir custos com mão de obra.
Levantamento feito pelo
presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Marcio Pochmann, mostra que, em seis meses sob pressão da
crise, a taxa média mensal de rotatividade no trabalho com
carteira assinada atingiu 3,9%, ante 3,7% entre outubro de 2007
e março de 2008. Nesse período de dificuldades na
economia, a rotatividade atingiu 23,4% dos cerca 29,4 milhões
de trabalhadores formais do setor privado. Isso seria como se praticamente
um em cada quatro brasileiros com carteira de trabalho assinada
trocasse de emprego no período.
Na realidade, a
proporção é menor. Primeiro, porque muitos
mudaram de emprego mais de uma vez. Segundo, porque parte das
vagas foi ocupada por pessoas que ingressaram no mercado ou estavam
desempregadas. Essa troca, contudo, na maioria dos casos motivada
por demissão, implica em salários mais baixos. "A
rotatividade da mão de obra no trabalho é historicamente
alta no Brasil, porque nossas empresas não enfrentam restrições
para demitir e contratar", diz Pochmann.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de maio de 2009 | Economia
Jovem é o que mais sofre com
desemprego
Helio Miguel
O desemprego em Curitiba e região metropolitana (RMC), que foi de 6,3%
em março, atingindo 97 mil pessoas, foi mais incisivo entre os jovens
de 18 a 24 anos e os trabalhadores sem o ensino médio completo.
Os dados foram divulgados
ontem pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico
e Social (Ipardes) e usam a mesma metodologia da Pesquisa Mensal
de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
A pesquisa levantou, ainda,
que o desemprego é recente para cerca de 80% das pessoas,
que estão à procura de trabalho há menos de
seis meses. Uma em cada cinco busca emprego há mais tempo.
De acordo com o Ipardes,
praticamente metade dos desempregados (47,7 mil pessoas) da RMC
tem entre 25 e 49 anos de idade. Nessa faixa, o desemprego é de
5%.
A taxa é maior na
população entre 18 e 24 anos: 11,6%. São 29,7
mil jovens sem trabalho e procurando emprego. Entre as pessoas
com mais de 50 anos, o desemprego é menor, ficando em 2,3%.
A pesquisa do Ipardes ainda
detectou que as mulheres são a maioria (53,7%) dos desempregados
em Curitiba. A proporção é parecida com a
nacional, de 55,9%.
O instituto paranaense
também destacou que a RMC, comparada com as seis regiões
metropolitanas mensalmente pesquisadas pelo IBGE (Curitiba não
está incluída), é a que possui o maior percentual
de desocupação entre as pessoas de 10 a 17 anos.
Contudo, para o presidente
do Ipardes, Carlos Manuel dos Santos, este indicador pode ser positivo,
já que pode significar que as famílias estão
conseguindo manter o sustento de seus filhos.
Em relação à escolaridade,
a maioria (47,4%) das pessoas sem emprego na capital tem ensino
médio completo, mas não iniciou ou terminou um curso
superior.
Já as pessoas que
não completaram o ensino médio são 43,7% do
total, enquanto as que concluíram uma faculdade são
8,9%. O coordenador de pesquisas periódicas do Ipardes,
Gino Schlesinger, confirma que a empregabilidade aumenta consideravelmente
entre quem possui diploma do ensino superior.
Setores
O grupo que engloba as
indústrias extrativa e de transformação, produção
e distribuição de eletricidade, gás e água,
foi o que apresentou a maior taxa de desemprego em Curitiba e Região
Metropolitana, em março, segundo o Ipardes: 4,8%.
Outros destaques foram
os grupos do comércio, reparação de veículos
automotivos e de objetos pessoais e domésticos e comércio
varejista de combustíveis (4,6%), intermediação
financeira e atividades imobiliárias (4,3%) e a construção
civil, com 4,2%.
No confronto com
os dados de março de 2008, o Ipardes detectou apenas dois
grupos em que o número de desempregados caiu: administração
pública, seguro social, educação, saúde
e serviços sociais, com queda de 1,1 ponto percentual,
e outros serviços, com redução de 0,8 ponto
percentual.

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G1, 26 de maio de 2009
Quase 30% abandonaram supletivo
para trabalhar, mostra IBGE
Dos que ingressaram no curso antes de 2007, 42,7% não o concluíram.
Estudo aborda ainda educação profissional e alfabetização
de adultos.
O estudante Pedro Ribeiro,
de 25 anos, chegou a abandonar, ao menos, três vezes o supletivo
por causa do trabalho. O promotor de eventos conta que sempre era
seduzido por propostas de trabalho - todas à noite, bem
na hora das aulas. Resultado: eram tantas faltas que ele não
conseguia concluir os últimos anos do ensino médio.
De acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), dos cerca de
oito milhões de brasileiros que passaram por Educação
de Jovens e Alunos (EJA), o antigo supletivo, antes de 2007, 42,7%
não concluíram o curso.
O principal motivo apontado
foi a incompatibilidade do horário das aulas com o de trabalho
ou de busca por emprego (27,9%), seguido pela falta de interesse
em fazer o curso (15,6%), afazeres domésticos (13,6%), dificuldade
de acompanhar o curso (13,6%), entre outros motivos.
As informações
constam do estudo "Aspectos Complementares da Educação
de Jovens e Adultos e Educação Profissional",
um suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
2007 (Pnad), divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (22).
A primeira desistência
de Pedro Ribeiro se deu aos 20 anos, quando ele cursava o primeiro
ano do ensino médio regular, também por causa de
eventos promocionais. O estudante, que não se arrepende
por ter deixado a escola tantas vezes, diz que agora sua prioridade é concluir
o último semestre do supletivo.
Já na reta final,
ele planeja entrar na faculdade. "Estou precisando arrumar
um emprego fixo. Minha prioridade agora é terminar o segundo
grau. Neste semestre, só faltei três vezes às
aulas".
Na ocasião do levantamento,
em 2007, do total de 2,9 milhões de pessoas a partir dos
15 anos que freqüentavam um curso de EJA, 40% cursavam a segunda
parte do ensino fundamental (5ª a 8ª série); o
ensino médio recebia 36,1% dos alunos e o primeiro segmento
do ensino médio (1ª a 4ª série), 23,9%.
Educação
profissional e alfabetização
O levantamento também traz informações sobre cursos de
qualificação profissional e de alfabetização. De
acordo com o estudo, a rede privada de ensino atende a maioria (53,1%) dos
alunos da educação profissional.
Dos brasileiros ouvidos
- pessoas de 10 anos ou mais que frequentavam em 2007 ou haviam
frequentado anteriormente cursos desse tipo -, 22,4% foram alunos
de instituições públicas e 20,6% do chamado
Sistema S de ensino, composto por Senai, Senac e Sebrae, entre
outras instituições. Ao todo, 35,6 milhões
de pessoas frequentavam em 2007 ou frequentaram anteriormente cursos
de qualificação profissional.
Dentre os seis milhões
de brasileiros que frequentavam, em 2007, cursos de educação
profissional, 80,9% estavam no segmento da qualificação
profissional e 17,6%, em cursos técnicos de nível
médio.
Quanto aos cursos de Alfabetização
de Jovens e Adultos (AJA), o perfil mais comum de aluno era mulher,
com mais de 50 anos, nordestina, com rendimento domiciliar per
capita de até um salário mínimo.
Entre as pessoas que frequentavam
em 2007 ou haviam frequentado anteriormente cursos de alfabetização,
1,4 milhão eram mulheres e 1,1 milhão, homens. O
Nordeste, que concentra o maior número de analfabetos no
país (7,5 milhões), registrou a maioria de participantes
de AJA - 1,3 milhão de pessoas. A maior parte dos alunos
dos cursos tinha rendimento mensal domiciliar per capita de até um
salário mínimo.
Cerca de 45% dos 1,8 milhão
de alunos que fizeram este tipo de curso declararam em 2007 não
saber ler e escrever um bilhete simples. A vontade de ler e escrever
foi o principal motivo apontado como objetivo por quem procurou
esses cursos (66%), diz o estudo do IBGE.
Mais de 50% dos alunos
que frequentam cursos de Educação de Jovens e Adultos
(EJA), também conhecido como curso supletivo, são
mulheres. Do total de mais de 141 mil pessoas de 15 anos ou mais
de idade no país, mais de 10 mil frequentavam ou já frequentaram
curso de EJA, na ocasião do levantamento.
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NCST, 26 de maio de 2009
MPU e MPT: Emenda 3 é inconstitucional
e contraria interesse público
Em nota técnica conjunta, os ministérios públicos da União
(MPU) e do Trabalho (MTP), afirmam que a Emenda 3 é "flagrantemente,
inconstitucional, ofendendo a cláusula pétrea da separação
dos poderes (CF, art. 2º c/c o art. 60, § 4º) ao condicionar
a fiscalização, típico exercício de poder de polícia
a cargo do Executivo, à decisão prévia do Poder Judiciário."
Por esta razão pedem aos parlamentares, que "seja mantido o veto" ao
artigo 9º do Projeto de Lei 6.272/05, que cria a Receita Federal do Brasil,
na parte que inclui o parágrafo 4º no artigo 6º da Lei
10.593/02 (Emenda Aditiva 3).
Na nota, os órgãos explicam ainda porque a emenda fere o interesse
público, pois "na prática impede a fiscalização
de fiscalizar, retirando do trabalhador o direito de ser protegido pelo Estado
contra a prática de contratação sob formas precarizantes,
disfarçadas de trabalho autônomo, eventual ou sem vínculo
de emprego." Clique aqui e
veja a íntegra da nota técnica.
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Folha de S. Paulo,
26 de maio de 2009
BNDES gera perda a Fundo de
Amparo ao Trabalhador
Controladoria Geral da União aponta
irregularidade nos juros pagos ao FAT | Ao usar dinheiro do fundo,
banco paga TJLP, e não Selic, o que gerou perda de R$ 10
mi; BNDES reconhece problema e diz que negocia uma solução
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social) provocou um prejuízo
de ao menos R$ 10 milhões ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)
por não pagar juros devidos nas operações
com dinheiro do fundo. A irregularidade foi apontada pela CGU (Controladoria
Geral da União), que já recomendou a cobrança
do prejuízo ao banco.
Auditoria obtida pela Folha mostra que, em 2007, o BNDES não cumpriu
o disposto na legislação ao remunerar o FAT nos financiamentos
com recursos dos chamados depósitos especiais -dinheiro destinado a
programas de geração de emprego e renda.
E o estrago ao patrimônio do fundo pode ser ainda maior. Nas operações
realizadas em 2008 e neste ano, o banco manteve o procedimento irregular na
remuneração do FAT. Em vez de pagar ao fundo rendimentos com
base na Selic (taxa básica de juros), o banco remunerou o FAT pela TJLP
(Taxa de Juros de Longo Prazo).
Só em 2007, o FAT repassou R$ 3,2 bilhões em depósitos
especiais ao BNDES para operar os programas de geração de emprego
e renda. Em 2008, o valor caiu para R$ 1,7 bilhão. Neste ano, a previsão é que
seja destinado R$ 1,3 bilhão.
Mantido com a receita das contribuições do PIS/Pasep, o FAT é destinado
ao custeio do programa do seguro-desemprego e do abono salarial e ao financiamento
de programas de desenvolvimento econômico. Desde 1988, 40% dos recursos
provenientes das contribuições pagas pelas empresas vão
para o caixa do BNDES. A gestão do fundo é realizada pelo Codefat,
um colegiado tripartite formado por representantes dos trabalhadores, dos empresários
e do governo.
A Folha apurou que, na análise das contas do FAT, o TCU (Tribunal de
Contas da União) pode questionar ao BNDES não só a diferença
de taxas na aplicação dos depósitos especiais mas também
no repasse de 40% das receitas do fundo que vão anualmente para o banco.
Nesse caso, o prejuízo será bem maior, já que as transferências
ultrapassam o montante de R$ 80 bilhões.
De acordo com a lei nº 9.872 e a Resolução do Codefat nº 439,
quando o FAT repassa recursos para os bancos oficiais, as instituições
devem pagar remuneração pela Selic até que o dinheiro
seja repassado para os tomadores finais. A partir de então, o retorno
ao fundo passa a ser TJLP. A diferença entre as taxas foi estabelecida
como forma de evitar que os bancos especulem com os recursos do FAT, deixando
de emprestar o dinheiro às empresas. Em 2007, a Selic rendeu 11,8%,
enquanto a TJLP ficou em 6,5%.
A CGU diz que o procedimento correto é adotado pela Caixa Econômica
Federal e pelo Banco do Brasil, mas não pelo BNDES. A irregularidade,
dizem os auditores, ocorre nos depósitos especiais do FAT -destinados
a programas de geração de emprego, que atendem principalmente
micro e pequenas empresas.
Do total de recursos do FAT, além dos 40% que vão para o BNDES
financiar projetos de desenvolvimento econômico, 60% vão para
o pagamento de seguro-desemprego, abono salarial, treinamento e intermediação
de mão de obra.
Os depósitos especiais não se confundem com esses recursos. Fazem
parte de uma reserva destinada a programas de geração de emprego,
sendo operada por bancos oficiais.
Negociações
Oficialmente, o BNDES reconhece o problema e afirma que está em negociações
com o Ministério do Trabalho para solucionar o problema. Na prática,
admite que a irregularidade no pagamento de juros perdura.
A Folha apurou que a direção do BNDES se prepara para acatar
a recomendação da CGU mudando a forma de remuneração,
além de ressarcir o FAT. A medida ainda não foi anunciada, pois
terá custos para os bancos que operam na ponta os financiamento para
o BNDES, já que o banco estatal não dispõe de rede agências.
Na auditoria, a controladoria constatou que o BNDES, ao transferir os recursos
a esses bancos operadores -que não são tomadores finais-, começa
a cobrar deles TJLP. Esse rendimento é repassado ao fundo. Para a controladoria,
a taxa nessa fase da transação é Selic.
À CGU o banco chegou a contraditar o argumento dos auditores. Com base
em outra legislação, o BNDES alegou que a remuneração
dos recursos, a partir do dia do repasse para agentes financeiros, deve ser a
TJLP. A CGU não acatou a defesa.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de maio de 2009 | Política
AL aprova punição a empresa
que demite
Roger Pereira
Dois meses e meio depois de derrubar a Proposta de Emenda à Constituição
que previa a suspensão dos incentivos fiscais às empresas instaladas
no Paraná que demitissem funcionários, a Assembleia Legislativa
aprovou, ontem, Projeto de Lei com o mesmo propósito.
Em primeira votação,
os deputados estaduais aprovaram texto de Alexandre Curi (PMDB)
que determina que “empresas que demitirem funcionários
sem justa causa perderão o direito aos incentivos fiscais
concedidos pelo governo estadual”.
O projeto de Curi, que
recebeu duas emendas, altera lei de 2007 proposta pelo ex-deputado
Ratinho Junior (PSC), hoje deputado federal, de forma a torná-la
efetiva e aplicável, com o objetivo principal de manter
os empregos.
“O projeto do Ratinho
não deixava bem clara a garantia dos empregos, permitia
uma interpretação subjetiva. Agora tem um artigo
específico para tratar dos empregos, além do substitutivo
do deputado Romanelli (Luiz Cláudio, PMDB), que para demitir
a empresa terá de provar a real necessidade”, comentou
Alexandre Curi.
A PEC do Emprego, como
ficou conhecida a proposta, foi sugerida pelo governador Roberto
Requião (PMDB) e apresentada pela bancada do partido em
março deste ano. Na votação, o governo não
conseguiu o quorum qualificado (3/5 dos votos) para aprovar a alteração
na Constituição.
Na ocasião, faltou
um voto para atingir os 33 necessários. O projeto de lei
foi a alternativa encontrada pela bancada governista para aprovar
o proposta, já que uma PEC não pode ser reapresentada
no mesmo ano.
“Claro que a PEC
teria mais eficácia, mas não podemos apresentar novamente,
Então, numa conversa da bancada com o governo e o Ministério
Público do Trabalho, concluímos que uma pequena alteração
na lei proposta pelo Ratinho poderia ter, praticamente, o mesmo
efeito”, disse Curi.
Uma das emendas apresentadas à matéria
foi do líder Romanelli, relator do projeto, que estabelece
que o corte de benefícios fiscais para aquelas empresas
que descumprirem a legislação seja feito na forma
e nos prazos previstos em decreto do governo estadual.
Já a emenda apresentada
na Comissão de Finanças, pelos deputados Reni Pereira
(PSB) e Marcelo Rangel (PPS) prevê, além da punição
por demissões sem justificativa, incentivos a novas contratações.
Pelo texto da emenda, as
empresas que aumentarem em 10% o quadro de funcionários
terão facilitado o ingresso a linhas de crédito,
devendo ser regulado pela Agência de Fomento do Paraná.
Para Reni Pereira, a facilitação
de crédito servirá de estímulo para que os
empresários contratem mais pessoas. “Afinal, é com
o crédito que as empresas estão suprindo essa carência
e superando a crise econômica”, destacou.
“Devemos não
apenas criar punições para as empresas que demitirem,
mas também valorizar as que contratarem mais pessoas,
pois assim estaremos incentivando a geração de
empregos, e consequentemente, de renda em nosso Estado”,
defendeu.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de maio de 2009 | Economia
Parcelas extras do seguro-desemprego
para 10 mil
AE Notícias
Mais 9.187 trabalhadores paranaenses podem receber parcelas extras do seguro-desemprego.
O anúncio foi feito pela Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção
Social, ontem.
A medida faz parte da proposta
feita pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e prevê duas
parcelas extras a mais 216.500 brasileiros, demitidos entre dezembro
de 2008 e janeiro de 2009.
Em fevereiro, o prolongamento
do benefício havia contemplado 3.327 pessoas no Estado e
103.707 trabalhadores em todo País. Agora, o número
de beneficiários pode chegar a 12.514, no Paraná,
e 320.207, no Brasil.
O Instituto Paranaense
de Pesquisas Econômicas Aplicadas, o Ipardes, preparou um
estudo sobre os setores da economia mais atingidos pela crise econômica
no Estado. Segundo o secretário Nelson Garcia, a ampliação
do número de beneficiários foi pedido do governo
do Paraná.
“Levamos o levantamento
do Ipardes ao governo federal e solicitamos parcelas extras para
setores que não haviam sido contemplados com a medida anterior.
Pressionamos para que entrassem as indústrias de madeira,
que registraram retração de 21% no número
de postos de trabalho oferecidos em dezembro de 2008 no Estado,
e de calçados, que teve queda de 20%”, explica.
A nova proposta deverá ser
confirmada na próxima reunião do conselho, que acontece
na semana que vem. Esta será a última ampliação
no benefício neste ano, amparada pela Resolução
n.º 592 do Codefat, justificada pela crise econômica.
O prolongamento para sete parcelas é previsto pela Lei 8.900/1994,
que prevê a possibilidade em caráter excepcional.
Setores
Além dos trabalhadores
demitidos nas indústrias química, de material de
transporte e de papel e gráfica, devem ser beneficiados
os paranaenses que eram empregados nas indústrias metalúrgica,
mecânica, calçados e madeira e mobiliário.
Atualmente, os empregados
destas atividades tem direito a receber entre três a cinco
parcelas de seguro-desemprego. O valor máximo de cada
pagamento mensal é de R$ 870,01, variando de acordo com
o salário anterior do trabalhador e o seu tempo de serviço.

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FOLHA DE LONDRINA,
25 de maio de 2009 | Economia
Empresas apelam para a rotatividade
Taxa média mensal de rotatividade
no trabalho atingiu 23,4%
São Paulo - O impacto da crise global no mercado de trabalho brasileiro
foi além do corte no emprego. De acordo com dados do Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, setores
que não fecharam vagas fizeram uso da rotatividade para substituir na
mesma ocupação um empregado de maior remuneração
por outro de menor salário, como forma de reduzir custos com mão
de obra.
Levantamento feito pelo
presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
Marcio Pochmann, a pedido da reportagem, mostra que, em seis meses
sob pressão da crise, a taxa média mensal de rotatividade
no trabalho com carteira assinada atingiu 3,9%, ante 3,7% entre
outubro de 2007 e março de 2008. Nesse período de
dificuldades na economia, a rotatividade atingiu 23,4% dos cerca
29,4 milhões de trabalhadores formais do setor privado.
Isso seria como se praticamente
um em cada quatro brasileiros com carteira de trabalho assinada
trocasse de emprego no período. Na realidade, a proporção é menor.
Primeiro, porque muitos mudaram de emprego mais de uma vez. Segundo,
porque parte das vagas foi ocupada por pessoas que ingressaram
no mercado ou estavam desempregadas. Essa troca, contudo, na maioria
dos casos motivada por demissão, implica em salários
mais baixos.
''A rotatividade da mão
de obra no trabalho é historicamente alta no Brasil, porque
nossas empresas não enfrentam restrições para
demitir e contratar'', diz Pochmann. Ele pondera que essa flexibilidade
tem possibilitado que as empresas se ajustem nos períodos
de crise, o que amortece o seu impacto no fechamento de vagas .
Mas ressalta que o trabalhador que foi demitido e não conseguiu
um novo emprego vai onerar os cofres públicos, porque depende
do dinheiro do seguro desemprego, enquanto o que foi contratado
para ocupar o seu antigo posto vai ganhar menos.
Os setores que aumentaram
a rotatividade não foram os que mais demitiram empregados
formais. O setor terciário, que contempla o comércio
e os serviços em geral, manteve o saldo positivo entre contratações
e demissões, porém com aumento da rotatividade em
relação ao período anterior. No comércio,
a rotatividade média mensal subiu de 4,02% de outubro de
2007 a março de 2008, para 4,08%, entre outubro de 2008
e março deste ano.
''Mesmo antes da crise
o comércio já trocava funcionários de uma
forma selvagem'', diz Ricardo Patah, presidente da União
Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Sindicato dos Comerciários
de São Paulo.
Segundo ele, mais de 9,9
mil demissões foram homologadas no sindicato dos comerciários
só em março, o que representa um aumento de 21% em
relação às 8,2 mil homologações
feitas em igual período de 2008.
Na indústria, os
efeitos da crise levaram ao fechamento de 692,6 mil postos de trabalho
entre outubro de 2008 e março deste ano. A rotatividade
caiu de 3,26% para 3,02%. ''Me parece uma taxa alta'', diz o empresário
Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos
Econômicos da Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp). ''Estamos falando de 3%
e isso significa uma rotatividade no ano de 40%''.
Na opinião de Pochmann,
''o efeito da rotatividade sobre o mercado de trabalho é muito
pior na crise''. De acordo com ele, ''até setembro, a demissão
de um trabalhador com maior salário era seguida de contratação
de mais pessoas com salário menor, porque a economia estava
crescendo. Agora, a empresa demite um funcionário de maior
salário, mas não tem capacidade de contratar muito
mais.''
A análise dos dados
do Caged mostra que, para cada emprego com remuneração
de até três salários mínimos eram contratados
outros 25 com salários menores. Isso permitia reduzir em
13,3% o custo de contratação.
Em outras palavras, para
um trabalhador que era contratado por R$ 1 mil, a folha crescia
R$ 867. Agora, são abertas apenas duas vagas com a demissão
de um trabalhador com remuneração superior a três
mínimos . Nesse caso, o custo de contratação
cai 69,4%. O trabalhador que ganha R$ 1 mil custa apenas R$ 306.
Marcelo Rehder
Agência Estado
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Diário do ABC,
25 de maio de 2009
Dieese: quase 95% de quem
ganha piso salarial recebe até 2 mínimos
Pesquisa divulgada pelo
Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos) revela que quase 95% dos trabalhadores brasileiros
que ganhavam piso salarial no ano passado recebiam até dois
salários mínimos.
A entidade analisou 628
pisos salariais dos setores da indústria, comércio,
serviços e rural e constatou que 5,7% deles eram exatamente
de um mínimo (atualmente em R$ 465), 50,5% eram 25% maior
que o mínimo e 21% eram de um mínimo e meio.
Além disso, 13,1%
dos trabalhadores ganhavam até 75% a mais e 4,6% recebiam
até dois salários mínimos. Ou seja, o piso
de 94,9% dos trabalhadores no ano passado não superava dois
mínimos.
O Dieese identificou que,
nos últimos anos, os pisos salariais têm se aproximado
do salário mínimo.
Em 2005, 80,6% dos trabalhadores
recebiam até dois salários mínimos. Esse percentual
foi de 88,5% em 2006 e 91,8% em 2007.
"Entre os fatores
que podem ter causado essa aproximação destaca-se
a atual política de valorização do salário
mínimo, que tem reajustado o valor desta remuneração
em percentuais superiores à variação da inflação
e à média dos reajustes salariais acompanhados pelo
Dieese", diz a pesquisa.
Na análise por setor,
o que possui maior piso salarial é o de serviços,
que ganha, em média, 42% a mais que o salário mínimo.
O comércio tem piso
29% superior ao mínimo, a indústria, 32% e o setor
rural, 11%.
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Gazeta do Povo, 25
de maio de 2009
Tributos
Brasileiro trabalha 147 dias para
pagar imposto
São Paulo - Na quarta-feira, dia 27, os brasileiros completam 147 dias
de trabalho neste ano. Esse também é o tempo necessário
para que sejam pagos todos os tributos aos governos federal, estaduais e municipais
neste ano.
A conta é do estudo
sobre os dias trabalhados para pagar tributos, feito pelo Instituto
Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Segundo o
cálculo, em 2008 os brasileiros comprometeram 40,51% da
renda bruta para o pagamento de tributos diretos e indiretos, índice
que será de 40,15% neste ano.
Em 2008 foram necessários
148 dias de trabalho. A redução de um dia será a
primeira desde 1996 – naquele ano, a jornada para o fisco
foi reduzida em seis dias, de 106 para 100 dias.
Segundo o tributarista
Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, a queda neste ano
ocorrerá pela redução do Imposto de Renda
das pessoas físicas (além da correção
da tabela em 4,5%, o número de alíquotas foi aumentado
para quatro) e pela menor taxação do IPI sobre alguns
produtos.
Em comparação
com outros países, o brasileiro trabalha mais do que o espanhol,
o norte-americano, o argentino, o chileno e o mexicano para pagar
tributos. Mas os suecos e os franceses trabalham mais.
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Folha de S.Paulo, 25
de maio de 2009
Sindicatos divergem sobre
cartão consignado
DA SUCURSAL DO RIO
O Sindicato Nacional dos
Aposentados da Força Sindical se associou ao Banco Cruzeiro
do Sul para buscar usuários para o cartão de crédito
consignado. Para cada novo associado que recebe o cartão,
o banco remunera o sindicato com R$ 20.
O presidente do sindicato, João Batista Inocentini, defende que o aposentado
use o cartão, no lugar de recorrer ao empréstimo consignado.
O empenho do sindicato em disseminar o cartão de crédito consignado é visto
com reserva pelo presidente da Confederação Brasileira de Aposentados
e Pensionistas, Warley Martins Gonçalles. ""É muito
esquisito uma entidade de aposentados estar nesse jogo. O juro do cartão
de crédito é de 3,5% ao mês, enquanto o do empréstimo é de
2,5%. Mas ambos empurram os aposentados para o endividamento", afirma.
Inocentini diz que 50 mil sócios do sindicato possuem o cartão
de crédito consignado e são aconselhados a usá-lo com
cuidado e a não entrar no círculo vicioso do endividamento.
O Banco Cruzeiro do Sul informa que emitiu até o momento 12.554 cartões
de crédito pelo acordo com o sindicato e se negou a comentar o valor
repassado para a entidade.
Mas não é essa a prática constatada pela Folha na Baixada
Fluminense. Os contratos de empréstimo consignado de vários bancos
incluem autorização automática do cliente para emissão
de crédito. Como o governo só permite a retenção
de 10% do benefício líquido do aposentado para pagar despesas
com cartão de crédito, os contratos preveem refinanciamento automático
do saldo devedor que exceder o limite. Segundo intermediários dos bancos
que atuam na Baixada, a partir da emissão do cartão, ficam bloqueados
10% do valor líquido da aposentadoria. O desbloqueio só é feito
se o cartão é recusado até cinco dias úteis após
o recebimento.
Janir Ferreira Pinto e Moacir da Silva Cunha tiveram 10% dos benefícios
bloqueados sem usar o cartão. Ela levou dois meses para conseguir o
desbloqueio. Ele enfrenta o problema.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de maio de 2009 | Política
Crise na aliança PSDB-DEM atrapalha
projeto para 2010
Agência Estado
Aos muitos altos e baixos da aliança dos dois maiores partidos de oposição,
PSDB e DEM, somam-se agora dois elementos de risco: as eleições
estaduais e a tentativa do PSDB de conquistar a maior fatia possível
do PMDB, em fase de tensão extrema com o governo.
Em pelo menos 8 dos 27
Estados há dificuldades no relacionamento das duas legendas
da oposição. Os líderes do PSDB e do DEM garantem
que a maior parte dos problemas será resolvida, com exceção
do Rio Grande do Sul, onde o confronto só se agrava, especialmente
depois que dois deputados do DEM assinaram o pedido de abertura
de uma CPI para investigar a governadora tucana Yeda Crusius.
No Distrito Federal, os
aliados do único governador do DEM, José Roberto
Arruda, acompanham com apreensão os movimentos do PSDB em
direção ao ex-governador Joaquim Roriz, do PMDB.
E, na Bahia, a briga histórica de democratas e tucanos está em
fase de trégua, mas ainda é cedo para marcar a data
do casamento. "No início do ano que vem, tudo estará resolvido
nos Estados", promete, conciliador, o presidente nacional
do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Paraná, Sergipe,
Mato Grosso, Goiás e Espírito Santo são outros
Estados onde ainda há problemas.
O líder do PSDB
na Câmara, José Aníbal (SP), não vê contaminação
das questões estaduais na aliança nacional. Não
perdoa, porém, a atitude dos democratas gaúchos. "Essa
situação no Sul é inaceitável. Eles
se prestam a ser linha auxiliar do PT e do PSOL. O DEM poderia
resolver isso usando a disciplina interna do partido", reage
Aníbal.
Há quem acredite
em turbulência até em São Paulo. O prefeito
Gilberto Kassab (DEM), segundo alguns democratas, não
abandonou de vez a ideia de ser candidato ao governo em 2010
e enfrentar o PSDB. Nenhum dos oposicionistas ouvidos pelo Estado
acredita em abalos na aliança nacional de 2010.
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Agência Diap, 25 de
maio de 2009
Demissão imotivada: Convenção
158 da OIT na pauta do Supremo
Nesta quarta-feira (27), o Supremo Tribunal Federal julga Ação
Declaratória de Inconstitucionalidade (Adin) apresentada pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) contra o Decreto 2.100/96,
em que o presidente da República, à época Fernando Henrique
Cardoso, tornou público que deixaria de vigorar no Brasil a Convenção
158, da Organização Internacional do Trabalho.
A convenção trata do término
da relação de trabalho por iniciativa do empregador,
adotada em Genebra, em 22 de junho de 1982, e introduzida no país
por meio do Decreto Legislativo 68, de 16/09/92, e do Decreto 1.855/96.
A Adin 1625 discute se o presidente da República
tem poderes para, sem ouvir o Congresso Nacional, denunciar tratados
internacionais.
No início do julgamento, o ministro
aposentado Maurício Correa, relator da matéria, votou
pela procedência parcial da Adin, determinando que a denúncia
só poderia produzir efeitos depois de referendada pelo Congresso
Nacional.
Ele foi acompanhado pelo ministro Carlos
Ayres Britto. Já o ministro Nelson Jobim, também aposentado,
divergiu do relator. O julgamento será retomado, nesta quarta-feira
(27), com o voto-vista do ministro Joaquim Barbosa.
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Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
25/05/2009
Sexta Turma concede estabilidade a
gestante mesmo em contrato nulo
A Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reconheceu a nulidade do contrato de trabalho
de uma ex-empregada do Departamento de Trânsito do Estado
do Rio de Janeiro (DETRAN/RJ) admitida sem concurso público
e demitida durante a gravidez, mas manteve a condenação
imposta pela Justiça do Trabalho ao pagamento do período
relativo à estabilidade da gestante. O relator, ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, considerou que, no caso, o princípio
constitucional do direito à vida (artigo 5º, caput,
da Constituição Federal se sobrepõe à Súmula
nº 363 do TST, que garante apenas o direito ao pagamento de
salário e de depósitos do FGTS aos contratos declarados
nulos pela ausência da exigência – também
constitucional – de aprovação em concurso público.
“A Constituição
tutela tanto interesses individuais quanto interesses públicos,
e, em regra, prevalece a supremacia do interesse público”,
explicou o relator em seu voto. “Mas, quando o interesse
individual materializa-se no direito à vida – no caso, à vida
uterina e do nascituro -, há que se afastar o interesse
genérico de toda a sociedade, paralisando, nessa hipótese,
os efeitos dos princípios do artigo 37.”
Ao rejeitar a existência
de vínculo de emprego, a Sexta Turma deu provimento parcial
ao recurso de revista do DETRAN/RJ. O vínculo havia sido
reconhecido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ), que condenou a autarquia ao pagamento de todas as parcelas
daí decorrentes (férias simples e proporcionais,
aviso prévio, multa por atraso nas verbas rescisórias
e de 40% do FGTS e guia de seguro-desemprego), além da indenização
relativa ao período em que a trabalhadora teria direito à estabilidade
da gestante. O ministro Aloysio Corrêa da Veiga aplicou a
jurisprudência do TST em relação a todas as
parcelas decorrentes do vínculo, exceto a indenização
pelo período estabilitário.
“Existe tensão
entre valores constitucionais relevantes quando ocorre situação
de conflito. Nesse caso, a solução imposta não
pode comprometer nem esvaziar o conteúdo essencial de um
dos direitos”, afirmou o relator, para quem os métodos
clássicos de interpretação não são
suficientes para solucionar questões como a julgada. “Contrastando
a ponderação de princípios entre a proteção à vida
uterina (artigo 10, inciso II, “b” do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias) e o interesse público
social do artigo 37 da Constituição, não há como
deixar de reconhecer o direito aos salários do período
de estabilidade da gestante, em homenagem à dignidade da
pessoa humana.”
Para o ministro,
o direito à vida de forma geral “é o mais
fundamental de todos os direitos, sendo necessária a sua
proteção, já que precede a existência
de todos os demais direitos”. Por unanimidade, a Sexta
Turma declarou a nulidade do contrato de trabalho e restringiu
a condenação ao pagamento do salário do
período estabilitário e ao recolhimento do FGTS,
sem a multa de 40%. A decisão ainda pode ser objeto de
embargos à Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) do TST.(RR-2211/2000-028-01-00.5)
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Gazeta
do Povo, 24 de maio de 2009
Reeleição
Sem Dilma, cresce pressão
por 3.º mandato de Lula
Com dúvidas sobre o futuro do tratamento
de saúde da ministra, governistas no Congresso buscam propostas
para manter o presidente no poder
Brasília - Três novas propostas de mudanças
na disputa eleitoral de 2010 foram lançadas no Congresso Nacional
durante a semana passada. As sugestões nasceram ao mesmo tempo
em que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, teve de ser internada às
pressas por complicações no tratamento de um câncer
linfático. Coincidentemente, todas configuram alternativas à possibilidade
de Dilma não poder se candidatar à sucessão
do presidente Lula.
A mais polêmica delas é a proposta de emenda constitucional
(PEC) que estabelece a convocação de um referendo popular
em setembro. A votação definiria a permissão
de duas reeleições consecutivas para cargos executivos,
o que daria a Lula a chance de disputar o terceiro mandato. “Essa
pode ser a solução para diversos problemas políticos
do país”, justificou o deputado federal Jackson Barreto
(PMDB-SE), autor do texto.
Na última quinta-feira, ele disse já ter conseguido
o apoio formal de 188 colegas (confira entrevista na página
19). São necessárias 171 assinaturas para que a PEC
possa começar a tramitar. O sergipano afirmou que conseguiu
reunir vários segmentos políticos e ao menos dez parlamentares
da oposição (inclusive do DEM).
Mais dois anos
A PEC proposta por Barreto, tido como um obscuro membro do “baixo
clero”, foi vista com indiferença pelos líderes
partidários. Outra proposta – a de estender o mandato
de Lula até 2012 para equiparar as datas das eleições
nacionais, estaduais e municipais – teve mais aceitação.
O autor é o líder do PR, Sandro Mabel (GO).
O PR é o partido do vice-presidente da República,
José Alencar, e Mabel tem o respeito dos colegas por ter sido
o relator da reforma tributária, que deve ser levada ao plenário
da Casa ainda neste semestre. “A principal justificativa é a
economia”, disse o goiano. Segundo ele, a sugestão provocaria
um corte de pelo menos R$ 10 bilhões nos gastos com a realização
das eleições.
Mabel levou a ideia a uma reunião das lideranças partidárias
na última quinta-feira. O líder do PT, Cândido
Vaccarezza (RS), disse que a proposta é descabida porque os
deputados não podem discutir sobre a prorrogação
dos próprios mandatos. Veladamente, porém, alas do
DEM e do PSDB seriam favoráveis, principalmente porque a proposta
beneficiaria governadores em situações delicadas.
Por último, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sugeriu a
redução de um ano para seis meses no prazo legal de
filiação eleitoral. Com isso, os candidatos poderiam
trocar de partido até o próximo mês de março.
Atualmente, o prazo é até o fim de setembro.
A proposta seria uma maneira de viabilizar a candidatura do governador
de Minas Gerais, Aécio Neves, fora do PSDB. Nesse caso, a
expectativa é de que ele troque o partido pelo PMDB e possa
concorrer inclusive com o apoio de Lula. Na semana passada, Aécio
desmentiu boatos de que já teria aceitado ser vice do governador
de São Paulo, José Serra, na disputa presidencial do
ano que vem.
Críticas
Em viagem por Emirados Árabes, China e Turquia, Lula reiterou
na semana passada que é contra qualquer movimentação
que possibilite a disputa de um terceiro mandato. No ano passado,
ele fez o mesmo ao proibir um antiga colega de movimento sindical,
Devanir Ribeiro (PT-SP), de apresentar uma PEC similar à de
Barreto.
Além disso, o presidente disse que Dilma continua sendo sua
candidata. Já a ministra declarou, ao deixar o hospital Sírio
Libanês, em São Paulo, que misturar a doença
dela com questões políticas é uma questão
de “mau gosto”. Na mesma entrevista, ela admitiu que
estava sofrendo com o tratamento e que precisou recorrer ao uso de
uma “peruquinha básica” para amenizar a queda
de cabelo.
Na Câmara, apesar de Barreto ter conseguido quase duas centenas
de apoios, o terceiro mandato ainda está bem longe do consenso. “O
presidente já deixou bem claro o que realmente quer. É o
terceiro mandato, mas com uma pausa para descansar no meio”,
afirmou o deputado Chico Alencar (PSol-RJ).
A tese é que Lula voltará a concorrer em 2014, independentemente
dos resultados das eleições do ano que vem. “Acho
que o presidente não estaria disposto a dar o mau exemplo
de mudar as regras do jogo. Ficaria no mesmo patamar do Fernando
Henrique Cardoso”, citou Alencar.
Beco sem saída
Para o cientista político David Fleischer, da Universidade
de Brasília, é inegável a preocupação
de parlamentares da base aliada com a recuperação de
Dilma. “A quimioterapia é algo difícil, violento,
e ninguém sabe qual será o desfecho do tratamento.
Essa incerteza fez aparecer todas essas propostas – e virão
mais pela frente.”
Fleischer destaca que Lula aparentemente não trabalha com
a hipótese de um plano B. “Ele está jogando todas
as suas fichas na Dilma, até porque não tem outras.
Falam no ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda), mas ele não
tem força. Parece um beco sem saída.”
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Gazeta
do Povo, 24 de maio de 2009
Investimentos
Poupadores cheios de dúvidas
As mudanças que o governo pretende
impor à poupança devem complicar a aplicação
mais popular do país. Especialistas respondem algumas das
questões levantadas por leitores da Gazeta do Povo
A partir do ano que vem, todo o lucro que o poupador obtiver com
sua caderneta de poupança deverá ser somado ao total
das suas rendas tributáveis – como salário,
aposentadoria, renda de aluguel, renda de autônomo – e
submetido ao ajuste anual de Imposto de Renda. Tal declaração,
vale ressaltar, será feita em 2011, para tomar como base
de cálculo os rendimentos de 2010. Esse é apenas
um dos reflexos das mudanças anunciadas há dez dias
pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que complicaram bastante
o entendimento da aplicação historicamente conhecida
como “a mais simples e segura do país”.
As medidas ainda não foram submetidas ao Congresso Nacional,
portanto algumas surpresas ainda podem estar a caminho. Mas sabe-se
por enquanto que, como regra geral, o imposto só alcançará rendimentos
da poupança que ficarem acima de R$ 250 por mês – valor
obtido quando se tem um saldo de R$ 50 mil na caderneta. Mas mesmo
essa regra tem exceções, uma vez que o governo criou
um complexo mecanismo de redutores de tributação,
que serão maiores na medida em que a taxa básica
de juros, a Selic, ficar menor.
Para esclarecer as regras da maneira como foram anunciadas e também
sanar uma seleção de dúvidas enviadas pelos leitores,
a Gazeta do Povo contou com a ajuda do professor de Ciências Contábeis
da UFPR, Jackson Sandrini, e do advogado tributarista da Pactum Consultoria
Empresarial, Renato Lana.
Motivos
A poupança sempre foi percebida como uma aplicação
pouco atraente no mercado financeiro por causa do baixo retorno.
Nos últimos meses, entretanto, ela passou a ser percebida
como resquício de uma era de juros altos, que está chegando
ao fim no país. Com rentabilidade fixada por lei – 0,5%
ao mês mais Taxa Referencial (TR), ou 6,17% ao ano –,
a caderneta se tornou um obstáculo para os cortes na Selic.
O tabelamento da poupança gerou uma distorção:
a aplicação começou a ficar mais rentável
que alguns fundos de renda fixa, cujo retorno é atrelado
aos juros básicos da economia. Uma migração
de investidores para a poupança criaria outra instabilidade,
uma vez que os fundos são grandes compradores de títulos
da dívida pública.
A tributação da poupança servirá,
portanto, para “espantar” os recursos que a aplicação
passaria a receber caso continuasse muito atraente. O governo fez
questão de ressaltar que também aliviaria temporariamente
o Imposto de Renda que incide sobre os fundos de renda fixa, mas
ainda não há data para que isso ocorra.
Desde o início da discussão, o governo havia adotado
o discurso de que pretendia preservar a caderneta de poupança
como um instrumento popular. De fato, 99% dos poupadores não
serão afetados, como mostra o gráfico abaixo.
* * * * *
MECANISMOS DE COBRANÇA
O imposto será cobrado na fonte ou somente na declaração
anual de Imposto de Renda?
Dependendo do rendimento total, pode ser cobrado nos dois. O recolhimento
direto na fonte só deve acontecer em saldos de poupança
equivalentes a R$ 1,5 milhão. Todos os demais (com saldo
acima de R$ 50 mil) deverão ser cobrados na declaração
de IR 2011, referente aos ganhos de 2010.
Como se dará o controle sobre as contas de poupança,
por CPF ou pelo número da conta? Faz diferença
ter duas contas no mesmo banco ou em diferentes bancos? Se, em
um mesmo banco, a pessoa possuir duas contas cuja somatória
dos saldos ultrapassar os R$ 50 mil, como será calculado
o IR e em que conta incidirá o IR?
Todo o lastro do governo para a tributação é feito
por meio do CPF. Portanto, o poupador pode ter várias cadernetas,
mas na época da declaração de Imposto de Renda
a Receita Federal terá como verificar o lucro decorrente
de todas as aplicações financeiras de um mesmo CPF.
Ou seja, não adianta separar as contas.
Para eu fugir do IR eu posso usar o CPF de outras pessoas?
Supondo que eu tenha 150 mil, posso dividir esta aplicação
com meus familiares – esposa e três filhos, cerca
de R$ 30 mil por pessoa. Estariam todos fora desta nova cobrança
de imposto?
E quando a caderneta tem um segundo titular, como a esposa,
por exemplo? Ela vai considerar o CPF dos dois ou apenas do titular?
Dividir as economias com a família pode funcionar, desde
que os filhos não sejam mais dependentes legais do titular.
Isso porque os dependentes não podem ter renda tributável,
de acordo com as regras do ajuste anual de Imposto de Renda. Portanto,
o lucro da poupança dos filhos dependentes nesse caso será somado
ao CPF do titular. Isso também ocorre para a caderneta com
dois titulares: como regra geral, o CPF do poupador economicamente
ativo acumulará o lucro tributável dos dois.
* * * * *
DIREITO ADQUIRIDO E GARANTIAS
Se as novas regras do Ministério da Fazenda forem
aplicadas em contas já existentes, abertas antes da implantação
das mudanças, isso não configuraria quebra de contrato?
Na avaliação do tributarista Renato Lana, não
existe direito adquirido nesse caso. O governo tem competência
para tributar ou isentar a renda, inclusive já isenta até determinada
faixa (atualmente em R$ 1.434), o que pode ser considerado uma
benevolência. “Respeitando a constituição,
não se pode impedir que o legislador revogue determinado
tributo”, explica o professor de análise de investimentos
Jackson Sandrini. “A poupança não tem vencimento
definido, além disso é regida por lei, e não
por contrato. A lei sempre é superior ao contrato.”
Poupadores com pequenos valores correm o risco de ter
seu dinheiro bloqueado pelo governo? É seguro continuar
poupando?
O consenso é que a conjuntura econômica hoje é bem
distinta, e que as alterações na caderneta estão
ocorrendo para prover equilíbrio na dinâmica financeira
nacional. “O governo não está precisando de
dinheiro, portando não há razões para acreditar
que se repita uma situação de confisco”, avalia
Sandrini. “Hoje já há travas constitucionais
contra esse tipo de ação que não existiam
na época do Collor”, diz Renato Lana.
Há alguma garantia de que esse patamar de R$ 50
mil não seja depois reduzido, ou que todas as poupanças
acabem taxadas?
Segundo Sandrini, não há garantia de que, mais à frente,
não ocorram novas mudanças. No entanto, elas só devem
acontecer quando – e se – a Selic chegar a taxas próximas
de 7%.
O dinheiro que tenho na poupança teve origem no
meu salário, sobre o qual já pago IR na fonte.
Ao taxar a poupança, não recebo uma tributação
dupla?
Não, de acordo com o professor Sandrini. O primeiro imposto,
retido na fonte, é sobre a renda. O segundo imposto, pago
no ajuste do IR, é sobre o rendimento (ou lucro) derivado
da aplicação daquela renda.
* * * * *
FUTURO DOS RENDIMENTOS
Depois de todas estas mudanças, como ficarão
os rendimentos? A poupança será atrativa como aplicação
para todos os poupadores, ou somente para quem tem até R$
50 mil?
A poupança nunca foi realmente atrativa para todos os poupadores,
e sempre protegeu melhor e de maneira simplificada a classe menos
abastada. A partir de agora, a ideia do governo é retirar
sutilmente a atratividade da poupança e aumentar a dos fundos
de renda fixa, a fim de manter a carteira de investimentos equilibrada.
A projeção da Fazenda para curto prazo, com a Selic
a 10%, prevê rendimento anual de 7% para poupança
com saldo até R$ 50 mil e de 6,7% para saldo acima de R$
50 mil. Para fundos de investimento com taxa de administração
de 1%, esse rendimento ficaria em 6,9%, enquanto os com taxa de
2% teriam 6,1% de rendimento (os dois casos consideram o teto de
IR, 22,5%).
Caderneta de poupança é aplicação
ou apenas repõe as perdas com a inflação?
Com a nova taxa, não é melhor guardar dinheiro
em casa ou investir em dólares?
O professor Sandrini explica que existem períodos em que
o rendimento da poupança, pós-fixado, ficou inferior
aos índices de inflação ao consumidor. Isso
significa que houve meses em que a poupança trouxe prejuízo
em termos reais. No entanto, isso ocorre apenas pontualmente. Em
prazos maiores, como um ano, a poupança sempre foi superior à inflação – pelo
menos até hoje. “Matematicamente, não compensa
guardar dinheiro em casa tanto em termos de rendimento quanto de
segurança. Já o dólar é um investimento
variável com alto risco, não recomendado como aplicação”,
diz.
* * * * *
CALENDÁRIO
Qual a data precisa para que as novas regras sejam aplicadas?
As medidas anunciadas pelo ministro Mantega até agora são
apenas uma projeção. Mas é consenso que elas
precisam ser aprovadas ainda esse ano para poderem vigorar a partir
de 2010.
* * * * *
EXCEÇÕES À REGRA
Se uma pessoa passou a vida toda poupando e hoje acumula
mais de R$ 1 milhão na poupança, ela será afetada
pela nova regra, mesmo sem nunca ter usado a poupança
com fins especulativos, mas sim como um meio de poder ter uma
vida digna na velhice?
O ministro Mantega citou, ainda que informalmente, a possibilidade
de criar um regime especial de tributação para pessoas
que tenham a poupança como fonte de renda única – o
que exclui aposentados (que recebem pelo INSS, por exemplo) e qualquer
outro poupador que tenha alguma fonte de renda além da rentabilidade
da poupança.
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Folha
de S.Paulo, 24 de maio de 2009
Sozinha, Petrobras investe mais que
a União em 2009
Só no 1º bimestre, estatal investiu
R$ 8,1 bi, contra R$ 6,8 bi do Tesouro até maio
Grupo prevê gastos de mais de R$ 66 bi até final
do ano; valor supera a previsão de investimentos da União
para o período em R$ 16,8 bi
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No centro de uma batalha política entre governo e oposição
desde que foi criada uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)
para investigá-la, a Petrobras e suas subsidiárias
investiram, apenas nos dois primeiros meses do ano, quase três
vezes o volume de gastos do Tesouro no PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) entre janeiro e o início de maio.
Foram R$ 8,1 bilhões aplicados pela estatal contra R$ 2,9 bilhões
investidos pela União no carro-chefe do governo Lula num período
duas vezes maior. Os números, registrados no balanço da Petrobras
-lançado na página do Ministério do Planejamento a cada
dois meses- e no Siafi (sistema de controle de gastos da União), dão
uma dimensão dos interesses em jogo na CPI da Petrobras.
A Petrobras é a maior estatal brasileira. Com suas 21 subsidiárias,
responde por 92% dos investimentos de todas as estatais brasileiras. No primeiro
bimestre de 2009, sua subsidiária na Holanda foi a segunda no ranking
dos investimentos da holding, à frente da Petrobras Internacional, que
dispõe de orçamento maior.
O grupo inteiro prevê gastos de mais de R$ 66 bilhões até o
final do ano. O número é 30% maior do que os investimentos feitos
pela estatal em 2008. O total de gastos que a holding Petrobras pretende investir
supera em R$ 16,8 bilhões os investimentos da União autorizados
por lei para 2009. Parte desse orçamento de investimentos da estatal
depende ainda de captações de recursos no mercado internacional,
fato apontado por autoridades brasileiras preocupadas com as repercussões
políticas de uma investigação no Congresso.
Segundo pesquisa feita pela ONG Contas Abertas, os investimentos da Petrobras
apenas no primeiro bimestre superam em 16% os investimentos de toda a administração
direta e dos Poderes Legislativo e Judiciário juntos em mais de quatro
meses em 2009.
Até 7 de maio, o Siafi registrou R$ 6,8 bilhões de investimentos
da União, já considerados os pagamentos de contas pendentes de
anos anteriores.
Dentro da estratégia de jogar a oposição contra a maior
estatal do país, o presidente Lula acusou o PSDB, autor do requerimento
para investigar a empresa, de agir de modo "irresponsável" e "pouco
patriota". Alertou que os investimentos da estatal podem ser ameaçados
num cenário de crise econômica internacional. Diferentemente dos órgãos
da administração direta, cujos gastos estão na internet,
a Petrobras só publica dados genéricos em balanços bimestrais.
A transparência das contas da estatal é justamente um dos pontos
do projeto de lei apresentado pelo presidente do Senado, José Sarney
(PMDB-AP), anteontem. O projeto cobra a divulgação na internet
de dados de todas as empresas públicas e de economia mista que exercem
atividade econômica. O próprio governo Lula faz nos bastidores
a mesma crítica que a oposição dispara em público
contra a estatal: ela é uma caixa-preta e segura informações
consideradas confidenciais e estratégicas.
No Planalto, as queixas se voltam contra o acesso a dados sobre pesquisas e
alguns negócios da empresa. Para a oposição, a reclamação é mais
ampla, por não conseguir saber nem para quem são destinadas verbas
de patrocínios culturais. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) foi o autor
do requerimento que reuniu 32 assinaturas, 7 delas de congressistas de partidos
da base, para investigar a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo.
O PSDB viu na mudança contábil que permitiu a estatal pagar menos
impostos a oportunidade para pedir a criação da CPI.
Mas o requerimento para investigar a empresa é mais amplo, pede tanto
para se apurar "indícios de fraudes" em licitações
até "denúncias de irregularidades" no uso de verbas
de patrocínio da estatal.
Uma guerra nos bastidores entre PMDB e PT tem dificultado a ação
do governo para tentar controlar a CPI da Petrobras. Na próxima terça-feira,
Renan Calheiros, líder do PMDB no Senado, pretende fazer discurso da
tribuna para rebater acusações de que o partido estaria exigindo
cargos na Petrobras para abafar a CPI.
Na avaliação peemedebista, o PT tem estimulado rumores de que
o PMDB pretende colocar o presidente Lula contra a parede na próxima
semana. Lula deverá se reunir com senadores do partido amanhã ou
terça.
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Folha
de S.Paulo, 24 de maio de 2009
Terceiro mandato fragiliza república,
afirma Ayres Britto
Presidente do TSE diz que hipótese é risco,
pois "quanto mais se prorroga o mandato", mais o país "se
distancia da república e se reaproxima da monarquia"
FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A ideia de terceiro mandato é um risco para o Brasil, pois "fragiliza" o
sistema republicano e "reaproxima" o país da monarquia. É como
pensa o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro
Carlos Ayres Britto. Em entrevista à Folha ele, que também é ministro
do Supremo Tribunal Federal, afirmou: "A república
postula a temporalidade e a possibilidade de alternância
de poder. Quanto mais se prorroga o mandato, mais [o país]
se distancia da república e se reaproxima da monarquia".
Não é assim, no entanto, que pensa o deputado federal Jackson
Barreto (PMDB-SE), que pretende apresentar até a próxima sexta-feira
a proposta de emenda constitucional que prevê um referendo sobre a possibilidade
de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorrer a um novo mandato.
A emenda prevê a realização de um referendo em setembro,
para valer já para a eleição de 2010, como revelou a Folha
no último domingo. Barreto tem pelo menos 178 assinaturas de deputados
(16 delas de oposicionistas), número já superior ao mínimo
definido pelo regimento da Câmara para protocolar a proposta.
Para Ayres Britto, porém, o conteúdo desse projeto não
se "concilia" com a república. "Dizer que é constitucional
o terceiro mandato é dizer que o quarto também é. E não
tem como evitar dizer que é constitucional o quinto mandato, fragilizando
a ideia de república." O próprio presidente Lula também
afirma que não discute a hipótese de disputar um terceiro mandato.
Ayres Britto também disse que, se for aprovado o projeto de lei apresentado
pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para reduzir de um ano para seis meses
o prazo mínimo de filiação partidária antes das
eleições de 2010, o TSE irá criar mecanismos para agilizar
os processos contra os infiéis.
Avalia-se que um deputado, por exemplo, que mudar de partido nos últimos
seis meses de mandato para concorrer por outro partido nas eleições
seguintes ficará imune à cassação por infidelidade
partidária, já que o TSE não conseguiria, em tão
pouco tempo, julgar o caso.
" Mudar de partido um ano ou seis meses antes das eleições
leva e levará à perda de mandato. Se esse projeto vier a ser aprovado,
o TSE irá criar mecanismos de ultra-agilização do processo
de perda de mandato por infidelidade", afirmou ele. Para Ayres Britto, a
ideia de reduzir o prazo alteraria uma lógica -"saudável"-
de formar o quadro partidário antes de definido o quadro político
nacional que prevalecerá nas eleições, o que não
seria adequado.
|
Última
Instância, 24 de maio de 2009
Companhia de energia danifica casa
de consumidor e é condenada a pagar R$ 3.000
A 6ª Câmara Cível do TJ-RJ (Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro) condenou a companhia de energia
elétrica Ampla a indenizar o consumidor Roberto da Silva Santos
por danos morais no valor de R$ 3.000.
A empresa é acusada de ter danificado o seu imóvel durante prestação
de serviços, e também, por cobrança indevida de valores.
Segundo o TJ-RJ, os desembargadores mantiveram a sentença de primeira
instância, e negaram recurso da empresa contra o autor da ação
.
De acordo com os autos, em outubro de 2004, a empresa ré foi à residência
de Roberto trocar o medidor, que ficou pendurado, sem a sua presença.
Na ocasião, foi quebrada a parede de sua casa que estava
pintada. Os funcionários deixaram ainda exposto o fio terra,
pondo em risco inclusive as pessoas que por lá passavam.
Após a referida troca do relógio, houve um aumento
excessivo do consumo de energia elétrica, o que foi objeto
de reclamação, via requerimentos. A empresa, porém,
não tomou qualquer atitude, e quase suspendeu o fornecimento
de energia, alegando falta do pagamento do valor de R$ 809,93.
Isto obrigou o consumidor a parcelar o débito até solução
do problema administrativo, que não ocorreu.
Em sua decisão o desembargador afirmou que o autor não
pleiteou indenização contra o aumento da fatura,
e sim pelos danos causados em sua residência, "local
em que foi instalado o medidor, inclusive com exposição
dos fios", ressalta.
Segundo ele, "o laudo pericial constatou a cobrança
duplicada na fatura referente ao mês de abril de 2004, razão
pela qual a sentença determinou a reparação
da referida duplicidade.
A Ampla Energia e Serviços, em sua defesa, alega ser indevida
a devolução de valores, bem como a ausência
de prova do dano moral alegado.
|
O
Estado de S.Paulo, 23 de maio de 2009
Roubini: ''Desafio
do Brasil é crescer como os demais países do Bric''
O economista Nouriel Roubini, professor da New York University, disse nesta quinta-feira
(22), em São Paulo, que o maior desafio do Brasil é elevar a média
de crescimento econômico, que oscilou de 4% a 5% nos últimos dois
anos, para uma taxa próxima da russa, chinesa e indiana, que variou de
8% a 10% no mesmo período.
"O Brasil tem grande potencial de expansão, uma quantidade
extraordinária de recursos naturais, mas precisa elevar
o crescimento para um nível próximo do das outras
nações do Bric", comentou, referindo-se ao acrônimo
formado pelas iniciais desses quatro países.
Ao discursar no evento "Perspectivas da Economia Mundial
- Visão Geral e os Impactos no Brasil", promovido pela
Serasa Experian, Roubini relacionou os fatores que vão potencializar
o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do País:
ampliação dos investimentos em infraestrutura, melhora
da qualidade do ensino e reformas capazes de dar mais eficiência
ao setor público e estimular as empresas a ampliar a Formação
Bruta de Capital Fixo.
No geral, Roubini fez avaliações positivas do Brasil.
Ele destacou a "estabilidade macroeconômica, que perdura
por vários anos", promovida de forma significativa
pelo Banco Central (BC), "que tem independência" para
controlar a inflação.
"Isso fez com que o País apresente hoje resiliência,
o que não permitirá que ocorra o risco de crise financeira,
ao contrário do que aconteceu em 1999 e 2002".
O acadêmico atribuiu o bom desempenho do País, em
meio à recessão mundial, a outros elementos, como
os resultados das contas externas, que não apresentam déficit
de transações correntes elevado, e a solidez dos
bancos, o que, para ele, está relacionada com a adequada
regulação do sistema financeiro pelo Governo.
Ele usou o exemplo do País para defender a ação
do Estado sobre a atividade das instituições financeiras
em todo o planeta.
"Os Governos devem agir, sobretudo, para evitar desequilíbrios
macroeconômicos", comentou ele, acrescentando que isso
também deveria ocorrer para coibir a expansão de
bolhas de ativos financeiros.
"A crise nos EUA, por exemplo, não afetou só o
mercado de hipotecas subprime, mas todo o sistema de crédito",
disse.
"Não foi à toa que surgiu todo um abecedário
de ativos financeiros que visavam a lastrear operações
com diversos títulos, como os CDOs", disse, referindo-se à sigla
em inglês das Obrigações de Dívida Colateralizada,
que dão ao portador o direito de ficar com o ativo dado
como garantia, caso as obrigações não sejam
honradas.
"A atual crise mostrou que estão errados os que defendem
o laissez-faire, pois o livre mercado, da forma como vimos até recentemente,
causou problemas graves à economia mundial".
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Agência
Senado, 23 de maio de 2009
CAE vota projeto que elimina
a cobrança de IR sobre a hora extra
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) examinará nesta terça-feira
(26), às 10h, uma pauta com dez projetos, entre eles um que elimina a
cobrança de Imposto de Renda sobre o serviço extraordinário
dos empregados. O autor do projeto (PLS 109/06), senador Valdir Raupp (PMDB-RO),
argumenta que o pagamento de hora extra pelo patrão é uma indenização
pelas perdas e danos do empregado, que troca o lazer pelo trabalho.
Raupp lembra que as indenizações não são
tributadas com Imposto de Renda, pois não são geradoras
de renda. Pondera ainda que, apesar de a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) deixar claro que o empregado não é obrigado
a cumprir hora extra, na prática quem recusar a convocação
da empresa ou do órgão público pode acabar
sofrendo retaliações ou até ser demitido.
O relator da matéria, senador Gim Argello (PTB-DF), diz
que a argumentação contra a cobrança de IR "é defensável",
mas pondera que a isenção pode levar as empresas
a optarem sempre pelo pagamento de horas extras aos empregados,
em vez de criarem novas vagas. Lembra que o custo de contratação
e de dispensa de empregados é alto, o que pode tornar corriqueira
a prática do serviço extraordinário. Por isso,
Gim Argelo recomenda a rejeição do projeto.
Outra proposta que os senadores da CAE vão examinar nesta
terça (26) foi apresentada no último dia 13 pelo
senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) e busca "superar os
vários problemas quando ocorrem calamidades públicas,
como enchentes, secas ou até furacões. O projeto
(PLS 193/09) cria o Fundo de Atendimento às Situações
de Emergência Decorrentes de Calamidades Públicas
(FASEC).
O Fundo receberá do orçamento federal, no próximo
ano, R$ 1 bilhão. Ele terá um conselho deliberativo,
com representantes do governo federal, do Congresso e de entidades
de defesa civil, ao qual competirá promover ações
de socorro ou de prevenção de calamidades. O relator
da matéria é o senador João Vicente Claudino(PTB-PI).
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Vermelho,
23 de maio de 2009
Dilma Rousseff passa dos 20% e Serra
cai na pesquisa
Nos cenários projetados pelo Instituto Vox Populi sobre a preferência
do eleitor para a sucessão do presidente Luiz Inácio da Silva,
a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), já ultrapassou os
20% da intenção de voto. A pesquisa foi divulgada no site do PT
e corresponde aos dias entre 2 e 7 de maio. Com exceção do Amapá e
Roraima, foram entrevistadas em 305 municípios duas mil pessoas maiores
de 16 anos das zonas urbana e rural em todos os estados brasileiros e no Distrito
Federal. A margem de erro vai de 2,2% a 5,7%.

Foram elaboradas cinco lista com cenários em que a única candidata
presente em todas é Dilma Rousseff. Além disso, houve a comparação
com o levantamento feito em maio de 2008. Num deles, sem a presença
do governador mineiro Aécio Neves na disputa, o governador de São
Paulo, José Serra (PSDB) ainda lidera, mas apresentou queda acentuada
de 10%.
Em maio do ano passado José Serra tinha 46% da intenção
de voto estimulada. Agora ele tem 36%, seguido de Dilma com 19%,
Ciro Gomes (PSB) 17%, Heloísa Helena (PSOL) 8%. Dilma cresceu
10 pontos na pesquisa levando em conta que em maio de 2008 tinha
apenas 9%. Ciro Gomes, que possuía 23% na pesquisa anterior,
caiu seis pontos.
No cenário sem a presença de Serra, quem leva a
melhor é o deputado Ciro Gomes com 23%, seguido de Dilma
com 21%, Aécio Neves 18% e Heloísa Helena 10%. Nenhum,
Brancos e Nulos somam 12%. Não sabem responder 16%.
Noutro cenário, sem José Serra e Ciro Gomes, Dilma
lidera com 25%, seguido de Aécio com 20% e Heloísa
Helena 16%. Já sem a presença de Ciro e Aécio,
Serra lidera com 43%, seguido de Dilma 22%, Heloísa 11%.
Fora da disputa Ciro, Aécio e Heloísa Helena, o governador
de São Paulo chega a 48% contra 25% de Dilma.
A pesquisa também apontou os candidatos com maior índice
de rejeição. Nesse quesito, Heloísa Helena
lidera com 17%, seguida de Aécio com 13%, Serra 12%, Dilma
11% e Ciro 9%. Questionados sobre se votaria no candidato apoiado
pelo presidente Lula, 23% dos eleitores responderam que com certeza.
41% deles poderiam votar, dependendo do candidato, 10% não
votariam e 22% não levariam isso em conta.
Comparado aos dois últimos anos, esse item revela que aumentou
significativamente a influência que o presidente terá na
campanha do seu sucessor. É que em maio de 2007 apenas 14%
votariam com certeza no candidato de Lula. Também aumentou
o número de eleitores que votariam no partido do presidente
de 33% para 34% .
O PT lidera na preferência entre os partidos com 29%, mas é o
que tem o maior índice de rejeição com 8%,
seguindo do PMDB com 5%, PSDB com 5%, DEM (ex-PFL) 3% e PSOL 2%.
PCdoB, PV, PDT, PSB, PTB e PP têm o menor índice com
1% apenas.
Governo Lula
Sobre o Governo Lula, houve crescimento no número daqueles
que acham seu governo ótimo. Subiu de 15% (2008) para 19%
em maio deste ano. Dos que acham bom de 44% para 47% e regular
de 25% para 21%. Apenas 3% e 4% consideram ruim e péssimo,
respectivamente.
Questionado sobre “a melhor coisa que Lula fez”, 36%
dos eleitores consideram a implantação dos programas
sociais com o principal item. No segundo, aparece o Programa da
Bolsa Família com 31%. Sobre “a pior coisa que Lula
fez”, 9% dizem que ele não combateu a corrupção,
4% a menos em relação a pesquisa de 2008.
De Brasília,
Iram Alfaia
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Gazeta
do Povo, 23 de maio de 2009
Sucessão
Lula indica que pode voltar nas eleições
de 2014
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu, em
Ancara, capital da Turquia, que não tem planos de participar
das eleições em 2010. “Meu mandato termina no
dia 31 de dezembro de 2010”, frisou ontem. Mas, pela primeira
vez, deixa a porta aberta para uma eventual candidatura sua às
eleições presidenciais de 2014. Segundo ele, isso seria
legal perante a Constituição e lembrou que, na política,
tudo é possível.
Petistas especulam que o projeto de Lula seria voltar ao poder
em 2014 “nos braços do povo”, e não partir
para a briga por um terceiro mandato. Mesmo tendo desistido de
emprestar apoio ao fim da reeleição e à ampliação
do mandato para cinco anos, Lula sabe que se conseguir deixar a
herança no Palácio do Planalto para a ministra da
Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), em 2010, não haverá nenhum
empecilho para uma futura candidatura.
Lula está convencido de que pode emplacar Dilma e vai insistir
nesse plano. Só mudará de ideia se for obrigado pelas
circunstâncias. Para o presidente, o fato de a ministra anunciar
o tratamento que faz para combater um câncer no sistema linfático
pode até mesmo humanizá-la.
Pesquisa
A solidariedade já aparece em pesquisa encomendada pelo
PT, mostrando o crescimento das intenções de voto
da mãe do PAC. Dilma Rousseff tem 19% das intenções
de voto, contra 36% do governador tucano José Serra (PSDB),
segundo pesquisa VoxPopuli, encomendada pelo PT. O levantamento
foi realizado entre os dias 2 e 7 de maio, após o anúncio
do tratamento de câncer linfático da ministra. Ciro
Gomes (PSB) aparece com 17%. Em relação a maio de
2008, Dilma subiu 10 pontos; Serra caiu 10 pontos; e Ciro caiu
seis pontos.
No cenário com o governador de Minas, Aécio Neves
(PSDB), Ciro Gomes (PSB) sai na frente, com 23%. Dilma aparece
com 21%, contra 18% de Aécio. Com Ciro e Serra fora do páreo,
Dilma aparece em primeiro, com 25% das intenções
de voto, seguida por Aécio (20%) e Heloisa Helena (16%).
Se a disputa for apenas entre Serra e Dilma, o tucano (48%), desbanca
Dilma (25%). A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em todo o país.
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Gazeta
do Povo, 23 de maio de 2009
Trabalho
Reajuste do mínimo eleva
pisos salariais, diz Dieese
São Paulo - O reajuste do salário mínimo
protegeu o poder de compra dos pisos salariais no ano passado, segundo
o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). O valor do mínimo serve como parâmetro em
negociações de aumentos para os salários mais
baixos. “Os reajustes reais do salário mínimo
estão empurrando os pisos para cima”, afirma Luis Ribeiro,
técnico do Dieese.
No ano passado, o salário mínimo teve aumento real
de 4%, e, em 2007, de 5,1%. Cerca de 77% dos pisos salariais negociados
em 2008 não ultrapassam 1,5 salário mínimo.
O porcentual é igual ao de 2007. No ano passado, só 2%
das categorias obtiveram pisos acima de 2,5 salários mínimos.
Fábio Romão, consultor da LCA, destaca que, embora
a taxa de ocupação tenha melhorado até o ano
passado, o aumento dos salários e a diminuição
da desigualdade de renda são um processo mais lento. “A
política de ganho real do mínimo durante parte do
governo Fernando Henrique Cardoso e no governo Lula trabalha para
melhorar a distribuição de renda, embora só isso
não resolva.”
Campo
A maior incidência de salários de ingresso baixos
está no campo. Comércio e serviços são
os setores em que são mais recorrentes os pisos superiores
a dois salários mínimos. Na indústria, quase
um terço das negociações sindicais obteve
pisos superiores a 1,5 salário mínimo em 2008. O
Dieese analisa que não houve queda dos pisos em razão
da crise e que o ajuste para suportar a retração
da economia foi feito no número de funcionários,
e não no valor dos salários que servem de base para
admissão.
“A depender do que vai ocorrer, é possível
que a política de valorização do salário
mínimo mude, mas por enquanto os dados continuam mostrando
aumento real no salário mínimo e nos pisos”,
diz o pesquisador. O salário mínimo já teve
aumento real de 5,8% neste ano. A política adotada pelo
governo para determinar os reajustes do salário mínimo
considera a inflação e o crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB).
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Gazeta do Povo, 22
de maio de 2009
IBGE
Crise trava mercado de trabalho
Corte de vagas na indústria contribui
para o desemprego atingir o maior nível do mês de
abril desde 2007
Rio de Janeiro, São
Paulo e Brasília - A crise financeira pode não ter
piorado a situação no mercado de trabalho como um
todo, mas o paralisou. E a indústria, que continua demitindo,
impede uma melhoria dos resultados. Segundo o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desemprego
apurado nas seis principais regiões metropolitanas do país
chegou a 8,9%, no maior nível registrado para o mês
desde abril de 2007. Em março, o índice era de 9%
e, em abril do ano passado, 8,5%. “O mercado de trabalho
parou”, disse o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar
Azeredo. “Está dando conta de manter postos, formalidade
e poder de compra, mas não está evoluindo.”
E, segundo ele, o setor
industrial foi o principal responsável pelo fato de o mercado
de trabalho “não ter evoluído”. A indústria
cortou 105 mil vagas em relação a igual mês
do ano passado, com queda de 3% na ocupação industrial
no período, no maior recuo na comparação anual
para o setor desde 2002. Na comparação com março
deste ano, a indústria registrou queda de 0,2% no número
de ocupados em abril, com corte de 7 mil vagas de um mês
para o outro.
Mesmo assim, o ministro
do Trabalho, Carlos Lupi, avalia que a pequena queda de março
para abril mostra um “caminho natural” para fazer com
que o nível de desemprego feche o ano entre 8% e 8,5%. “O
Brasil gerará 1 milhão de empregos este ano e a economia
surpreenderá a todos”, afirmou. “Estou ousando
ao afirmar essas teses.”
Desalento
O resultado veio abaixo
das estimativas de economistas, que apostavam num índice
de 9% a 9,5%. Mas não há motivo para comemoração,
na opinião do economista-chefe da Sul América Investimentos,
Newton Camargo Rosa. Para ele, o índice teve ligação
com o desestímulo das pessoas sem ocupação
para a procura de uma colocação, num momento em que
o noticiário econômico ainda não é dos
mais otimistas em tempos de crise financeira.
“Eu considero que
este resultado leva em conta um aumento no desalento do trabalhador
na busca pelo emprego. Isso faz com que a quantidade de pessoas
procurando vagas seja reduzida no momento da pesquisa”, disse
o economista, que espera uma taxa média de 9,30% em 2009. “Mas
isso não significa necessariamente uma melhora no mercado
de trabalho. O trabalhador simplesmente não consegue encontrar
emprego e deixa de procurá-lo no momento em que as condições
estão mais difíceis.”
Renda
O rendimento médio
real dos trabalhadores caiu 0,7% em abril em relação
a março e aumentou 3,2% na comparação com
abril de 2008. O número de ocupados nas seis principais
regiões metropolitanas do país somou 20,91 milhões
em abril, com queda de 0,2% ante março e aumento de 0,2%
ante abril de 2008. Ambas as variações são
consideradas como “estabilidade” pelo IBGE. O número
de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) totalizou 2,046
milhões, com queda de 1,7% ante março e aumento de
5,0% na comparação com abril do ano passado. Em abril
de 2008, a taxa de desemprego foi de 8,5% e em abril de 2009, subiu
para 8,9%, a maior taxa para o mês de abril desde 2007.
Lei trabalhista
Mangabeira sugere “revolução”
O ministro-chefe da Secretaria
de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, defendeu
ontem uma “revolução” nas relações
entre trabalho e capital no Brasil. Em palestra no Rio de Janeiro,
o ministro levantou uma série de problemas no mercado de
trabalho brasileiro. Entre os obstáculos destacados estão
a grande penetração do emprego informal na população
economicamente ativa do país; a “precarização” do
mercado de trabalho, com forte participação de trabalhadores
terceirizados e autônomos; e a redução da participação
de salários no Produto Interno Bruto (PIB). Unger contou
que entregou ao presidente Lula uma minuta de projeto de lei para
regulamentar de forma eficaz a participação dos trabalhadores
nos lucros das empresas.
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BEM PARANÁ,
22 de maio de 2009 | Economia
Benefício da crise
Seguro-desemprego ampliado será pago
a mais 9.187 paranaenses
Ministério do Trabalho anunciou inclusão
de demitidos em dezembro de 2008 e janeiro de 2009
Ana Ehlert e agências on-line
Setor metalúrgico foi um dos mais afetados pela crise econômica
global (foto: Franklin de Freiats) No Paraná, 9.187 trabalhadores foram
incluídos entre os beneficiados pela ampliação das parcelas
do seguro-desemprego, anunciada ontem pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
No total, 12.514 trabalhadores paranaenses terão direito a receber o
benefício por mais dois meses — a legislação estabelece
o prazo de pagamento por cinco meses.
A medida visa atender
os demitidos por setores da indústria onde houve um maior
reflexo da crise econômica global. No Estado são a
indústria metalúrgica, mecânica, da madeira
e mobiliário, química, de papel e material gráfico
e material de transporte. Segundo os dados do Ministério
do Trabalho, 3.720 pessoas perderam o emprego em janeiro desse
ano, sem justa causa, e mais 5.459 foram demitidos em dezembro
de 2008.
A medida, no total, atinge
a mais de 216,5 mil trabalhadores brasileiros entre os beneficiados
pela ampliação das parcelas do seguro-desemprego.
Segundo os dados, 73.360 pessoas que ficaram desempregados em janeiro,
sem justa causa, e mais 143.140 trabalhadores demitidos em dezembro
passarão a receber o benefício. Assim, o número
total de contemplados chega a 320.207.
O valor previsto para o
pagamento de parcelas adicionais sobe para R$ 390 milhões,
entre os R$ 126,3 milhões da primeira fase, anunciada em
março, e os R$ 263,7 milhões de agora. A medida anunciada
ontem pela manhã pelo ministro será enviada ao Conselho
Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat).
O ministro informou que esta será a etapa final do prolongamento do
benefício já que, segundo ele, em janeiro foi a última
vez em que houve resultado negativo do mercado de trabalho, de acordo com os
dados do Cadastro Geral de empregados e Desempregados (Caged). “Em fevereiro
o resultado já foi positivo e continuará positivo até o
final do ano”.
Lupi previu que a taxa
de desemprego medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) — que ficou em 8,9% em abril — deverá encerrar
o ano entre 8% e 8,5%. “O Brasil gerará 1 milhão
de empregos este ano e a economia surpreenderá a todos”,
afirmou. Segundo ele, a redução da taxa de desemprego
de 9% em março para 8,9% em abril está “no
caminho natural”. “Estou ousando ao afirmar essas teses.
Em dezembro, disse que o emprego ia crescer este ano e, agora,
está realmente aumentando. Vamos tirar a dúvida no
final de 2009”.
Crédito — O
ministro informou também que levará à reunião
do Codefat, na próxima semana, dois novos “programas
fortes de crédito” visando a geração
de emprego. O primeiro, segundo ele, preverá uma linha de
financiamento no valor de R$ 100 milhões para renovação
da frota de motocicletas, especificamente para aquelas que são
utilizadas para trabalho. A outra linha terá valor de R$
200 milhões e deverá ser direcionada para capital
de giro e investimentos na área de turismo, como agências,
operadoras, hotéis e empresas de transporte, entre outras.
O detalhamento desses programas somente será anunciado após a
aprovação do Codefat, segundo o ministro. Ele já adiantou,
porém, que os empréstimos serão feitos por meio do Banco
do Brasil e/ou da Caixa Econômica Federal, e será cobrada a Taxa
de Juros a Longo Prazo (TJLP) mais uma taxa de juros a ser definida.
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O ESTADO DO PARANÁ,
22 de maio de 2009 | Economia
Financiamento habitacional cresce 112%
em 2009
Agência Estado
Os financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal (CEF)
somaram R$ 11,739 bilhões no acumulado de 2009 até a última
segunda-feira (dia 18), valor 112% maior do que o registrado em igual período
de 2008. Nesse intervalo, foram registrados 248,689 mil contratos, o que representa
uma alta de 120% ante o verificado no período correspondente do ano
passado. Segundo a Caixa, foram 2.703 contratos por dia útil, o correspondente
a média diária de R$ 127 milhões.
A projeção
de financiamento imobiliário da Caixa para este ano, divulgada
antes do programa habitacional do governo federal "Minha Casa,
Minha Vida", era de R$ 27 bilhões. O vice-presidente
de governo da Caixa, Jorge Hereda, afirmou hoje que o total de
financiamentos deve ficar acima desse valor, com o lançamento
do programa, mas preferiu não estabelecer uma nova projeção.
Segundo ele, o orçamento da Caixa será revisto no
período de junho e julho. "Vamos fazer tudo que aparecer.
A meta é contratar o máximo possível dentro
do programa (Minha Casa, Minha Vida)", afirmou.
A Caixa recebeu, até a última
terça-feira (dia 19), 391 projetos enquadrados no programa "Minha
Casa, Minha Vida", o que corresponde a 71.496 unidades e a
um Valor Global de Vendas (VGV) de R$ 5,3 bilhões. Segundo
a Caixa, o número de unidades em análise equivale
a 7,15% do total previsto no programa.
Das unidades em avaliação,
26.008 são destinadas à faixa de até três
salários mínimos de renda; 23.005 para o segmento
de três a seis salários mínimos e 21 mil unidades
para a faixa de até 10 salários mínimos. São
96 empreendimentos para o segmento de até três salários
mínimos, 167 para a faixa intermediária e 128 para
o segmento de maior renda dentro do programa.
Segundo Hereda, anteriormente
ao programa, o estoque de projetos e de empreendimentos nas incorporadoras
estava mais concentrado na faixa intermediária de renda
do que na faixa mais baixa. "O número de unidades para
a faixa de até três salários mínimos
que temos em análise é muito significativo nesse
contexto", afirmou. "Não esperávamos uma
mudança tão rápida no perfil das unidades."
A instituição
realiza, de hoje até o próximo domingo (dia 24),
o 5º Feirão Caixa da Casa Própria, em São
Paulo. Dos 110 mil imóveis oferecidos no feirão,
28,5 mil estão enquadrados no programa. Conforme a Caixa,
até o momento, 18 Estados aderiram ao "Minha Casa,
Minha Vida".
MP
Hereda afirmou também
que a participação de outros bancos como agentes
financeiros do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida",
determinada ontem pela Câmara dos Deputados na aprovação
da Medida Provisória (MP), é saudável. "Para
a velocidade que o Brasil quer, quanto mais agentes melhor",
disse, referindo-se à pressa do governo na execução
do programa.
Ontem, a Câmara dos
Deputados aprovou a MP que cria o programa habitacional "Minha
Casa, Minha Vida", mantendo as linhas básicas do programa
e retirando da Caixa a condição de única operadora
dos recursos do programa.
Hereda afirmou que
esse já era o objetivo do governo desde o anúncio
do programa. "Desde o início, outros bancos poderiam
operar o programa. Foi uma decisão do governo", afirmou.
O executivo ressaltou que a Caixa tem a maior experiência
e as melhores condições para a faixa de renda abrangida
no programa. "Vamos fazer o máximo para o programa
dar certo", disse.
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Agência Câmara,
22 de maio de 2009
Temer recebe 'agenda trabalhista'
das centrais e líderes partidários
Centrais e líderes
na Câmara entregaram, nesta 5ª (21), "pauta trabalhista" ao
presidente da Casa, Michel Temer (PMDB/SP). A agenda é composta
por sete itens: redução da jornada, fator previdenciário,
salário mínimo, trabalho escravo, Convenções
151 e 158 da OIT e terceirização
Em reunião nesta
quinta-feira (21), com o presidente da Câmara, Michel Temer
(PMDB/SP), as seis centrais sindicais - CGTB, CTB, CUT, Força
Sindical, NCST e UGT - e os líderes do PCdoB, PDT, PSB,
PT, PTB e PV entregaram a "pauta trabalhista" para discussão
e votação na Casa.
A pauta é bastante
enxuta e representa o "consenso de uma agenda" de itens
que "podem ser votados imediatamente" pela Câmara,
destacam as centrais e os líderes no documento entregue
a Temer.
Os representantes das centrais
e os líderes destacaram a importância desta agenda
para o País, os trabalhadores e o Congresso Nacional.
A importância para
o País, segundo os signatários, é o fato de
as propostas representarem uma efetiva possibilidade de o Brasil
superar a crise com o incremento do emprego e da renda.
Para os trabalhadores a
agenda é relevante, pois cria as condições
para gerar melhores relações de trabalho, estabilidade
e, sobretudo, proteção contra práticas que
colocam em risco o emprego.
E, para o Congresso Nacional,
porque poderá possibilitar ao Poder Legislativo debater
as questões estruturais do País em outro patamar
de discussão, já que a agenda proposta pelas centrais
e os líderes trata de assuntos de relevante alcance social
como a política do salário mínimo e a negociação
coletiva para os servidores públicos, por exemplo.
Importância
do Legislativo
Receptivo, Temer destacou a importância da iniciativa das centrais e
dos líderes partidários e fez um pedido aos líderes sindicais:
que onde pudessem falar, que tratassem da "importância do [Poder]
Legislativo para o País".
Ele afirmou também
que está fazendo um trabalho de "recuperação
da imagem do Legislativo" tão desgastada em razão
dos sucessivos escândalos envolvendo parlamentares e práticas
que comprometem a instituição e a democracia representativa.
Temer sugeriu ainda que
os líderes sindicais procurassem todos os líderes
da Câmara para construir um mínimo de consenso em
torno da agenda apresentada à Casa. De sua parte, disse
que vai apresentar a pauta dos trabalhadores na próxima
reunião dos líderes partidários.
Ritmo
de votações
O presidente Temer explicou às lideranças sindicais e partidárias
que procurou colocar na agenda de votações da Câmara as
proposições consensuais até que a Casa pegasse o "ritmo".
Agora, irão entrar
na agenda parlamentar as proposições polêmicas.
E para avançar, Temer pediu aos dirigentes sindicais que
ajudassem a formar uma opinião minimamente consensual sobre
essas matérias polêmicas.
Agenda
dos trabalhadores
A agenda dos trabalhadores foi construída em várias reuniões
entre as centrais, que demandaram ao DIAP que preparasse uma "proposta
enxuta" para construir uma agenda positiva para discussão e votação
no Congresso Nacional.
Dessa agenda, as centrais
e os líderes partidários elencaram por consenso sete
proposições em discussão na Câmara:
Redução
da jornada de trabalho - as centrais querem aprovar
a PEC 231/95, na comissão especial, e depois votar o PL
4.653/94, em plenário. O deputado Vicentinho (PT/SP),
que é relator tanto da PEC quanto do projeto de lei, disse
na reunião que sua opinião "está formada" e
a hora que o presidente Temer quiser votar as matérias
ele estará pronto.
Fator previdenciário -
a intenção é votar o substitutivo ao PL 3.299/08,
após acordo das centrais com relator, deputado Pepe Vargas
(PT/RS). O texto está em discussão na Comissão
de Finanças e Tributação e o relator, deputado
Pepe Vargas (PT/RS), disse que seu parecer estará pronto
no final do mês de maio.
Salário
mínimo - as centrais e os líderes desejam
superar o impasse em torno da emenda do senador Paulo Paim (PT/RS),
que estende aos aposentados e pensionistas a política
do mínimo e votar o projeto, a fim de garantir para 2010
a continuidade dessa política de valorização
e recuperação do piso nacional.
Trabalho Escravo -
as centrais querem aprovaram a PEC 438/01, em segundo turno. A
proposta retornará ao Senado em razão de mudanças
de mérito.
Convenção
151 da OIT - trata da negociação coletiva
no serviço público. A mensagem presidencial 58/08
foi aprovada nas comissões de Relações Exteriores;
Trabalho; e de Constituição e Justiça e
transformada no PDC 795/08. Aguarda votação em
plenário.
Terceirização -
as centrais desejam definir um consenso e a oportunidade de votação
da Mensagem 389/03, do presidente Lula, que pede o arquivamento
do PL 4.302/98.
Convenção
158 (demissão imotivada) - as centrais entendem
que o Congresso tem a responsabilidade de construir, com empresários
e trabalhadores, uma legislação que proíba
a demissão imotivada, nos termos da Convenção
158 da OIT.
Clique aqui e
veja a íntegra do documento.
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FOLHA DE LONDRINA, 22 de maio de 2009
| Política
Líderes partidários
rejeitam proposta que prorroga mandato de Lula
Partidos descartam colocar em votação
proposta do deputado Sandro Mabel que permite ao presidente Lula
ficar no poder até 2012
Brasília - Líderes
partidários do governo e da oposição descartaram
ontem colocar em votação proposta do deputado Sandro
Mabel (PR-GO) que permite ao presidente Luiz Inácio Lula
da Silva ficar no cargo até 2012. O líder do PT na
Câmara, deputado Candido Vaccarezza (SP), disse que o partido
do presidente é contra qualquer prorrogação
de mandato que permita a Lula ficar mais tempo no poder. ''O PT é radicalmente
contra, isso não é constitucional', afirmou.
O líder do DEM na
Câmara, Ronaldo Caiado (GO), classificou a proposta de Mabel
de ''ilegal e imoral''. O deputado disse estar ''constrangido''
pelo fato de um colega sugerir publicamente uma espécie
de golpe para o presidente Lula permanecer no poder.
O líder do PMDB
na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que ''falar
em prorrogação de mandato é palavrão''.
''Eu acho que o povo quer votar, o Legislativo tem que ter a ratificação
do voto popular'', afirmou.
Para Henrique Fontana (PT-RS),
líder do governo na Câmara, a proposta de Mabel não
tem chance de ser analisada pelo plenário da Casa. ''A nossa
candidata à presidência é a ministra Dilma
Rousseff (Casa Civil). Não somos a favor de prorrogação
nem de terceiro mandato'', disse o petista.
O presidente da Câmara,
Michel Temer (PMDB-SP), evitou fazer comentários sobre a
proposta do líder do PR. Mas sinalizou ser contrário à votação
da matéria. ''Eu prefiro não colocar esse assunto.
Eu acho que o poder emana do povo, portanto é difícil
essa tese''.
Proposta
Mabel defendeu ontem proposta
de unificação das eleições em 2012,
o que permitiria ao presidente Lula ficar por mais dois anos no
poder.
O deputado defende que,
ao invés da realização de eleições
majoritárias em 2010 (para governadores, presidente da República,
deputados e senadores), a disputa seria realizada em 2012 junto
com a escolha de prefeitos e vereadores.
Na prática, se a
mudança fosse aprovada, o presidente Lula ficaria no cargo
até 2012 - assim como os senadores e deputados federais
e estaduais. A mudança seria submetida à população
por meio de referendo, o que poderia viabilizar a alteração
constitucional até setembro deste ano -prazo máximo
para mudanças na legislação eleitoral antes
da disputa de 2010.
Segundo Mabel, a economia
com a unificação das eleições seria
da ordem de R$ 10 bilhões ao país.
Na opinião de Vaccarezza,
os parlamentares não podem discutir mudanças que
os afetam diretamente. ''Não tem cabimento o próprio
deputado prorrogar o seu mandato'', afirmou.
Gabriela Guerreiro
Folhapress
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/05/2009
Sindicato vai receber honorários
advocatícios de ação contra empresa
A Segunda Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve decisão que condenou a empresa
PC Informática, de Minas Gerais, a pagar honorários
advocatícios ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas
de Assessoramento, Pesquisas, Perícias e Informações
no Estado de Minas Gerais – Sintappi/MG. A empresa perdeu
a causa em que o sindicato cobrava judicialmente pagamentos atrasados
de contribuições sindicais.
O descontentamento patronal
vem desde a primeira instância e chegou ao TST por meio de
agravo de instrumento com a pretensão de que o recurso,
rejeitado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(MG), viesse a ser julgado. Mas, de acordo com o relator do agravo,
ministro Renato de Lacerda Paiva, tanto o primeiro grau quanto
o Tribunal Regional decidiram acertadamente, uma vez que o artigo
5º da Instrução Normativa nº 27 do TST
enuncia claramente que, “exceto nas lides decorrentes da
relação de emprego, os honorários advocatícios
são devidos pela mera sucumbência”. O relator
explicou que a questão está inserida na nova competência
da justiça do trabalho, estabelecida na Emenda Constitucional
45/2004.
Ao participar dos debates
na sessão de julgamento, o ministro José Simpliciano
acrescentou que o caso não trata de relação
de emprego, e que a IN 27 ,diz que quando a postulação
diz respeito a uma relação que não é de
trabalho, são devidos os honorários advocatícios,
de forma que quem sucumbiu tem de pagar os honorários. A
Segunda Turma aprovou por unanimidade o voto do relator. (AIRR-104-2008-114-03-40.9)
(Mário Correia)
|
Folha de S.Paulo, 21
de maio de 2009
Mais 140 mil demitidos na crise vão
ter seguro extra
Governo ampliará número de
atendidos por parcelas adicionais do seguro-desemprego | Em março,
primeira leva de beneficiados somava 104 mil; centrais cobraram a
extensão para outros setores atingidos pela crise
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo deverá anunciar
hoje uma ampliação na concessão de parcelas
adicionais do seguro-desemprego por causa da crise econômica,
beneficiando mais 140 mil trabalhadores demitidos em dezembro.
Em março, 104 mil desempregados já tinham sido atendidos com
duas parcelas extras do seguro.
Os novos benefícios atendem a um pleito das centrais sindicais, que
consideraram haver lacunas na primeira leva divulgada pelo Ministério
do Trabalho. O argumento dos sindicalistas é que os estudos técnicos
não contemplaram subsetores em algumas regiões do país,
deixando para trás categorias fortemente afetadas pelas demissões
em dezembro -quando mais de 650 mil empregos formais foram fechados.
Um exemplo seria o segmento de máquinas agrícolas do Rio Grande
do Sul, que na primeira rodada não foi atendido, embora tenha sido atingido
em cheio pela crise econômica.
Segundo a Folha apurou, os novos estudos do ministério apontaram que
a concessão dos benefícios adicionais atenderá, principalmente,
trabalhadores demitidos nos setores de metalurgia, couro, calçados e
fumo.
As parcelas adicionais ainda precisarão ser ratificadas pelo Codefat
(Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador), que tem uma reunião
prevista para a próxima semana.
A área técnica avalia que a medida abrangerá quase exclusivamente
trabalhadores demitidos ainda em dezembro. Com isso, trabalhadores que também
foram afetados pela crise e perderam o emprego a partir do mês de janeiro
deverão ficar sem o benefício adicional. No primeiro mês
do ano, foram fechados cerca de 100 mil postos de trabalho com carteira assinada
no país.
Reavaliação
A lei do seguro-desemprego permite o pagamento de duas parcelas adicionais
aos trabalhadores em casos excepcionais. Com o elevado número de demissões
em decorrência da crise, o governo elaborou, e o Codefat aprovou, um
modelo que analisa a média de demissões por setor e por unidade
da federação em um período de três meses.
A reavaliação é mensal, levando em conta sempre as demissões
ocorridas nos últimos três meses a partir de dezembro de 2008.
No caso de ser constatado desvio na média histórica de demissões
de determinado setor no trimestre de apuração, os desempregados
têm direito a duas parcelas adicionais do seguro-desemprego.
Com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados),
os últimos estudos mostram que praticamente não foram encontrados
novos desvios na média de demissões. O fenômeno teria ficado
quase restrito a dezembro.
O último mês de 2008 foi usado como data de corte para o cálculo
do desvio por causa do elevado número de fechamento de postos no período
(655 mil). O Ministério do Trabalho considera desvio da média
um percentual de aumento de 30% no fechamento de postos em relação à média
histórica.
Na primeira lista de beneficiários, foram cobertos 42 subsetores da
economia em 16 Estados, com um custo de até R$ 126 milhões para
o FAT.
Os Estados de São Paulo e de Minas Gerais foram os que apresentaram
o maior número de beneficiários, e os setores em que o mercado
de trabalho foi mais prejudicado foram as indústrias metalúrgica
e mecânica.
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Agência Câmara, 21 de maio
de 2009
Ipea e Dieese explicam eficiência
da redução da jornada de trabalho
A redução da jornada de trabalho por meio de mudança constitucional é uma
medida eficiente para combater o desemprego. Foi o que disseram, no encontro
realizado pela comissão especial que analisa a matéria na Câmara
dos Deputados, representantes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese). Eles defenderam a aprovação da PEC 231/95, que propõe
a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
Para o pesquisador Roberto Henrique Sieczkowski Gonzalez, do Ipea, a redução
da jornada de trabalho por lei oferece condições iguais a todos
os trabalhadores. Ele considera que a redução obtida por meio
de acordos e convenções coletivas, embora eficiente, depende
da capacidade de negociação dos sindicatos e varia de acordo
com o ciclo econômico e com o setor de atividade. Segundo Gonzalez, a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, relativa a 2007,
mostrou que quase um terço dos trabalhadores cumpria jornada de mais
de 44 horas por semana.
Ele ressaltou que a redução da jornada deve estar associada à melhoria
dos salários. ''Do contrário, os trabalhadores vão buscar
outros empregos para complementar o rendimento.'' O coordenador de Educação
do Dieese, Nelson Karam, argumentou que a produtividade cresceu 23% no Brasil
entre 2002 e 2008, mas que esse ganho não foi compartilhado com os trabalhadores.
Salários
O Dieese calcula que a redução da jornada poderia gerar cerca
de 2,5 milhões de novos empregos. Ele defendeu a redução
da jornada com melhoria dos salários. Ele acrescentou que a redução
de 44 para 40 horas teria um impacto para a indústria de 1,99% . ''Isto
seria perfeitamente absorvível pelo setor industrial brasileiro''. Segundo
informou, uma pesquisa do Dieese feita em 2008 em São Paulo mostrou
que 37,8% dos trabalhadores tinham jornada maior que 44 horas semanais. Na
indústria, seriam 32,3%, e no comércio, 56,5% .
O coordenador acrescenta que entre 2002 e 2008 a produtividade no Brasil cresceu
23%. Para Karan, esse seria um bom argumento para mostrar a viabilidade da
redução da jornada de trabalho. Ele também citou que na
França a jornada de trabalho é de 30 horas; no Japão é de
42 horas; na Itália, 38 horas; e na Inglaterra, 39.
''O custo da hora trabalhada no Brasil, é de 5,9 dólares (cerca
de R$ 12), enquanto nos Estados Unidos, é de 24,59 dólares; no
Japão, 19,75; e na Coréia, 16 dólares. Isso mostra a baixa
participação dos salários no custo da produção
brasileira.'' Karan enfatiza que na indústria, por exemplo, essa participação
seria de 22%. Segundo ele, já foram feitos mais de 30 acordos de redução
de jornada em diversos setores, ''o que mostra que é possível
de se efetivar''.
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Vermelho, 21 de maio
de 2009
Número de pobres caiu
no Brasil apesar de crise, diz Ipea
Apesar da atual crise econômica global, cerca de 316 mil brasileiros
saíram da linha da pobreza entre outubro do ano passado e março
deste ano, segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea). O número de pobres caiu no Brasil durante os seis primeiros
meses da crise financeira internacional.
Segundo Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), este desempenho social é inédito no Brasil,
já que, nas outras grandes crises econômicas das últimas
décadas, a pobreza subiu muito. Dados apresentados por Pochmann no XXI
Fórum Nacional, no Rio de Janeiro, com base na Pesquisa Mensal de Emprego
(PME) do IBGE, mostram que 316 mil brasileiros saíram da condição
de pobreza nas principais regiões metropolitanas de outubro de 2008
a março de 2009.
A linha de pobreza utilizada
foi a de meio salário mínimo de renda familiar per
capita. No mesmo período estudado, a taxa de pobreza entre
os desempregados caiu 2,5%, enquanto o número de desempregados
aumentou 16,5%. Pochmann atribuiu a redução da pobreza à ampliação
do número de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família
e ao aumento do salário mínimo.
Taxa de pobreza
Segundo a pesquisa, nesses
seis meses, 315.921 brasileiros deixaram a condição
de pobreza nas seis maiores regiões metropolitanas do país — São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.
Pelos critérios do Ipea, órgão ligado à Secretaria
de Assuntos Estratégicos da Presidência da República,
está abaixo da linha da pobreza quem tem rendimento domiciliar
per capita menor que meio salário mínimo.
Segundo o Ipea, a taxa
de pobreza nessas seis regiões em março deste ano
ficou em 30,7%, 1,7% menor que a registrada em março do
ano passado, o que representa uma redução de 670
mil pessoas na condição de pobreza. "Pela primeira
vez na história do País, o pobre não está pagando
a conta numa crise", disse o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo, que participou da divulgação do estudo.
Para o presidente do Ipea,
Marcio Pochmann, a redução da pobreza durante a atual
crise se deve à adoção de políticas
anticíclicas pelo governo. Como exemplos, ele citou a ampliação
de programas de transferência de renda e o reajuste neste
ano de 12% no salário mínimo, referência para
a maior parte dos benefícios concedidos pela Previdência
Social.
Regiões metropolitanas
"De 1980 para cá essa é a
primeira vez que estamos enfrentado a crise com políticas
keynesianas", disse Pochmann. "Nas crises anteriores
em vez de se ter políticas anticíclicas, nós
aumentávamos os juros, reduzíamos os gastos, reduzíamos
os investimentos e o salário mínimo não crescia",
acrescentou ao ressaltar que 35% da população brasileira
tem renda garantida independente do mercado de trabalho.
De acordo com o levantamento
de outros períodos de crise, o contingente de pobres aumentava
substancialmente no país. Entre 1998 e 1999, por exemplo,
o número de pobres avançou no Brasil em 1,9 milhão.
De 1982 a 1983 a estimativa do Ipea é que a quantidade de
pobres expandiu-se em 7,7 milhões nas seis maiores regiões
metropolitanas e, na crise de 1989 e 1990, o número de pobres
teve incremento de 3,8 milhões de pessoas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de maio de 2009 | Política
Presidente descarta hipótese
de disputar terceiro mandato
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou em Pequim a possibilidade
de disputar um terceiro mandato presidencial, hipótese que voltou a
ser defendida por parlamentares petistas num momento em que a favorita de Lula
para sua sucessão, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, faz tratamento
de saúde. "Eu não discuto esta hipótese. Primeiro,
porque não tem terceiro mandato e, segundo, porque a Dilma está bem",
afirmou Lula, pouco antes de deixar a China rumo à Turquia.
Lula disse que conversou
ontem à noite com o médico da ministra, Roberto Kalil,
e foi informado de que as dores haviam passado. "Foi uma reação à quimioterapia
e os médicos disseram que não tem nenhum problema.
A Dilma vai fazer a quimioterapia dela, mas ela está totalmente
curada. Não tem problema."
A ministra foi internada
na madrugada de ontem no hospital Sírio Libanês
em São Paulo com fortes dores na perna, o que foi diagnosticado
como um efeito colateral da quimioterapia a que ela se submete
após a retirada de um câncer linfático, no
mês passado. Dilma deve reduzir seu ritmo de trabalho a
partir de agora, a pedido de Lula. Até o início
da manhã de hoje, não havia ainda previsão
de alta da ministra.
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Agência Diap, 21
de maio de 2009
MPT cria Coordenadoria Nacional
de Liberdade Sindical, anuncia
Em evento na CNTC (Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Comércio), ocorrido nesta
segunda-feira (18), o procurador-geral do Ministério Público
do Trabalho (MPT), Otávio Brito Lopes anunciou a criação
da Coordenadoria Nacional de Liberdade Sindical.
O principal objetivo do
convite da Confederação ao MPT, segundo a direção
da CNTC, é atender às constantes reclamações
dos sindicatos, oriundas de todo Brasil, "no sentido de construir
um canal de entendimento com o Ministério Público
do Trabalho para a solução das reiteradas ações
civis públicas de nulidade de cláusula convencional
propostas pelo órgão contra os sindicatos".
A CNTC esclarece ainda
que a visita também teve o propósito de esclarecer
questões que dizem respeito à "fixação
de cláusulas de desconto da contribuição assistencial
em acordos e convenções coletivas de trabalho para
todos os integrantes da categoria profissional, e os chamados Termos
de Ajustamento de Conduta (TACs)".
Ao se pronunciar, o procurador-geral
esclareceu existir uma autonomia de atuação no âmbito
do Ministério Público, o que dificultaria um entendimento
nacional sobre estas questões que afligem o movimento sindical.
Mas que sobre a matéria
que acabara de criar e estava em vias de estruturação,
assim como já existem no âmbito do Ministério
Público as coordenadorias nacionais do Trabalho do Menor,
do Trabalho Escravo, da infância e da adolescência
entre outros temas específicos, a Coordenadoria Nacional
da Liberdade Sindical.
A coordenadoria está sob
o comando do procurador da 10ª Região, Ricardo Macedo,
permitirá a construção de entendimento de
consenso e possíveis critérios de uniformização
de atuação do órgão.
Ele informou ainda
que serão criadas as coordenadorias regionais, nos estados,
e garantiu que a Confederação será comunicada
e chamada a participar das discussões na busca da construção
de um entendimento para esse importante tema.
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MEU SALÁRIO.ORG,
21 de maio de 2009
Anotação desabonadora
na Carteira Profissional pode gerar multa ao empregador
A Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) é um bem do
trabalhador e está protegida por lei. Desta forma, ao realizar anotações
na CTPS de um empregado, o empregador deve se ater ao estritamente necessário,
evitando anotações que possam prejudicar o empregado numa futura
recolocação profissional.
A Carteira de Trabalho
e Previdência Social (CTPS) é um bem do trabalhador
e está protegida por lei. Desta forma, ao realizar anotações
na CTPS de um empregado, o empregador deve se ater ao estritamente
necessário, evitando anotações que possam
prejudicar o empregado numa futura recolocação profissional.
Se o empregador fizer alguma
anotação desabonadora (depreciadora, de caráter
negativo) na CTPS de um empregado, ele estará cometendo
um ato ilegal, ficando sujeito a multa pela Justiça do Trabalho.
Quem diz isso é o
Artigo 29º da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), em seu parágrafo 4º: "É vedado ao
empregador efetuar anotações desabonadoras à conduta
do empregado em sua Carteira de Trabalho e Previdência Social".
São consideradas
anotações desabonadoras na CTPS os registros de faltas
(sejam elas quantas forem), eventuais processos na Justiça
do Trabalho (a menos que a anotação seja feita por
uma determinação judicial), referências a atestados
médicos ou condições de saúde do trabalhador,
advertências, suspensões, dispensa por justa causa
ou qualquer outro registro que possa prejudicar direta ou indiretamente
o empregado.
Caso o empregador descumpra
este artigo, ele será submetido ao pagamento de uma multa,
conforme o Artigo 52° da CLT. Ainda, dependendo da gravidade
da anotação realizada pelo empregador, como por exemplo
no caso de o registro causar dano ou constrangimento ao empregado,
este poderá entrar com um processo na Justiça contra
o empregador por danos morais.
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sobre salário e condições de trabalho. É rápido,
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Agência Câmara,
20 de maio de 2009
Ipea e Dieese defendem redução
da jornada para 40 horas
Brizza Rodrigues
A redução da jornada de trabalho por meio de mudança constitucional
dividiu a opinião de especialistas que participarem de audiência
pública nesta terça-feira na Câmara. No encontro realizado
pela comissão especial que analisa a matéria, representantes
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
defenderam a aprovação da PEC 231/95, que propõe a redução
da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. Somente o representante
da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) questionou
a eficácia da medida.
O coordenador de Educação
do Dieese, Nelson Karam, argumentou que a produtividade cresceu
23% no Brasil entre 2002 e 2008, mas que esse ganho não
foi compartilhado com os trabalhadores. O Dieese calcula que a
redução da jornada poderia gerar cerca de 2,5 milhões
de novos empregos. Ele defendeu a redução da jornada
com melhoria dos salários.
Para o pesquisador Roberto
Henrique Sieczkowski Gonzalez, do Ipea, a redução
da jornada de trabalho por lei oferece condições
iguais a todos os trabalhadores. Ele considera que a redução
obtida por meio de acordos e convenções coletivas,
embora eficiente, depende da capacidade de negociação
dos sindicatos e varia de acordo com o ciclo econômico e
com o setor de atividade.
Segundo Gonzalez, a Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, relativa a 2007,
mostrou que quase um terço dos trabalhadores cumpria jornada
de mais de 44 horas por semana. Ele ressaltou que a redução
da jornada deve estar associada à melhoria dos salários. "Do
contrário, os trabalhadores vão buscar outros empregos
para complementar o rendimento."
Condições
reais
Já o professor Afonso Celso Pastore, da Fipe, advertiu que a redução
da jornada de trabalho com a melhoria de salário deve levar em conta
as condições reais da economia. Pastore lembrou que os países
que alcançaram essa realidade o fizeram por meio de negociações
sindicais e não por legislação.
O especialista alertou,
ainda, para a possibilidade de a medida se voltar contra os trabalhadores. "Os
setores mais afetados, onde o custo e o peso do trabalho passam
a ser muito grandes, vão mecanizar, mudar turnos, ajustar
períodos de trabalho, acabar com determinadas folgas e não
vão contratar mais empregados."
Pastore sugeriu medidas
para garantir a geração de bons empregos. Entre elas:
estimular os investimentos produtivos; não tributar investimentos
que geram empregos; não tributar exportações;
reduzir as despesas de contratação; criar contratos
especiais; e regulamentar a terceirização.
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Agência Diap,
20 de maio de 2009
PR: acordos e convenções
coletivas não precisam de registro no MTE
Na liminar proferida, a juíza cita os argumentos dos advogados da Fetropar
e confirma a tese da federação acerca da ingerência do
estado no funcionamento das entidades sindicais e da desnecessidade de utilização
do Sistema Mediador do MTE para o registro de ACTs e CCTs
No último dia 13
de maio, a juíza da Vara do Trabalho de Curitiba, Camila
Campos de Almeida, despachou liminarmente pedido formulado em Mandado
de Segurança que assegura à Fetropar (Federação
dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do estado do
Paraná) e seus sindicatos filiados.
Pela decisão, não
há necessidade de cumprimento da obrigatoriedade de registro
de Acordos (ACT) e Convenções Coletivas de Trabalho
(CCT) no Sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE).
A obrigatoriedade determinada
pelo MTE extrapola os preceitos do artigo 614 da CLT, que estabelece
textualmente que os sindicatos convenentes ou as empresas acordantes
promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de oito dias
da assinatura da Convenção ou Acordo, o depósito
de uma via do mesmo, para fins de registro e arquivo, no Departamento
Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter
nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais
do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos
demais casos.
Já o parágrafo
1º do Artigo 614 diz textualmente: "As Convenções
e os Acordos entrarão em vigor três dias após
a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste
artigo".
Questionamento
Segundo entendimento dos assessores jurídicos da Fetropar, André Passos
e Sandro Lunard, é "óbvia a disposição da
CLT que determina apenas e tão somente a entrega de uma via do instrumento
coletivo ao órgão do Ministério do Trabalho e Emprego.
No caso a Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego, sendo que a vigência, estatuída
no próprio parágrafo primeiro [Artigo 614 da CLT],
está assegurada três dias após a data de entrega
do Acordo/Convenção Coletiva, sem qualquer condicionante
e/ou manifestação do órgão ministerial".
Liminar
Na liminar proferida, a juíza cita os argumentos dos advogados da Fetropar
e confirma a tese da federação acerca da ingerência do
estado no funcionamento das entidades sindicais e da desnecessidade de utilização
do Sistema Mediador do MTE para o registro de ACTs e CCTs.
A ação, MS
13779-2009-029-09-00-2, a juíza cita: "mencionam que
referida exigência configura-se flagrante oportunismo do
Poder Executivo, na medida em que pretende estabelecer um controle
sobre as entidades sindicais, caracterizando grave violação
ao artigo 8º, I da CF/88, na medida em que fere os princípios
da autonomia sindical e da não-intervenção
estatal".
E continua: "diante
dos fatos ora alegados, postulam a concessão da liminar,
para declarar a ilegalidade do ato perpetrado pela entidade coatora
e, por consequência, autorizar a convalidação
do depósito mencionado, sem qualquer outra exigência".
Para garantir o registro
de acordos ou convenções com base no artigo 614 da
CLT e para que os trabalhadores representados não sejam
prejudicados por atrasos por conta da não aceitação
do registro dos instrumentos coletivos pelo MTE, a assessoria jurídica
da Fetropar está impetrando outros mandados de segurança
voltados para cada instrumento coletivo protocolado na Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego do Paraná (SRTE/PR).
Leia
mais
"Da
flagrante intervenção estatal nas negociações
coletivas e da ausência de amparo legal para o 'Sistema
Mediador' do MTE"
|
Folha de S.Paulo, 20
de maio de 2009
Imposto vai render R$ 64 mi a centrais
Valor é 22% maior do que o recebido
em abril de 2008, quando entidades embolsaram R$ 52,5 milhões
em imposto sindical | Avanço do emprego formal e redução
de sindicatos independentes explicam crescimento do repasse, afirmam
sindicalistas
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Seis centrais sindicais
vão receber nos próximos dias R$ 64,05 milhões
de imposto sindical, contribuição que equivale a
um dia de salário e é descontada de forma obrigatória
de todos os trabalhadores com carteira assinada no país.
Esse valor é 21,95% maior do que as centrais embolsaram
juntas no ano passado (R$ 52,5 milhões).
A CUT -central historicamente ligada ao presidente Lula e ao PT- é a
que vai receber mais recursos, R$ 21,25 milhões. No ano passado, recebeu
R$ 19,01 milhões.
A Força Sindical, presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva,
o Paulinho (PDT-SP), receberá R$ 18,17 milhões -valor 28,5% maior
do que o recebido em 2008. A central é ligada ao ministro do Trabalho,
Carlos Lupi (PDT-RJ).
A UGT (União Geral dos Trabalhadores) receberá R$ 10,61 milhões;
a Nova Central Sindical, R$ 7,45 milhões; a CTB (Central dos Trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil), R$ 3,7 milhões; e a CGTB (Central Geral
dos Trabalhadores do Brasil), R$ 2,84 milhões.
O crescimento do emprego com carteira assinada é um dos fatores que
explicam o aumento na arrecadação do imposto sindical, segundo
sindicalistas e consultores. Em março deste ano foram criadas 651.696
vagas a mais do que igual mês de 2008, segundo dados do Ministério
do Trabalho.
" O número de sindicatos que eram independentes também caiu
significativamente. Ao decidirem se filiar a uma central, essas entidades também
passam a destinar uma parte do imposto sindical para a central", diz o presidente
da Força. Em abril de 2008, 4.170 sindicatos independentes estavam cadastrados
no MTE. Em dezembro, eram 3.675.
O dinheiro que as centrais receberam de imposto sindical no ano passado foi
gasto com compra de sede, pagamento de dívidas, viagens e também
foi aplicado no mercado financeiro. Em 2008, a arrecadação total
desse imposto chegou a R$ 1,45 bilhão -cerca de R$ 1 bilhão foi
para entidades de trabalhadores. As centrais receberam cerca de 10% do total.
Para ter direito aos recursos do imposto sindical, a lei nº 11.648, que
reconheceu as centrais, em março de 2008, determina que elas comprovem
um mínimo de representatividade -no mínimo 5% dos trabalhadores
têm de ser sindicalizados.
Artur Henrique, presidente da CUT, diz que o dinheiro da contribuição
será usado em formação sindical, comunicação
e organização da entidade. "A contribuição
aumentou porque, no setor privado, cresceu o número de sócios
dos nossos sindicatos."
Segundo Paulinho, os recursos deste ano serão gastos com treinamento
e qualificação de dirigentes sindicais, para organizar a central
em outros Estados e "da mesma forma que gastamos em 2008".
Otávio Lopes Brito, procurador-geral do Trabalho, diz que o imposto
sindical deveria ser extinto. "O que deveria existir é uma forma
de financiamento feita por meio de livre associação. Pena que
a regulamentação das centrais foi feita apenas com o objetivo
de que recebessem dinheiro compulsório."
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O ESTADO DO PARANÁ,
20 de maio de 2009 | Política
Governo anuncia início da
ampliação do Bolsa Família
Agência Estado
O Ministério do Desenvolvimento Social anunciou ontem que incluiu mais
382 mil famílias na lista de pagamento de benefícios do Bolsa
Família. Em agosto, outras 550 mil serão acrescentadas à lista.
Trata-se da primeira etapa de um plano que visa a estender o programa a 1,8
milhão de novas famílias até o final de 2010. Com isso,
a lista de pagamento passaria dos atuais 11,1 milhões de famílias
para 12,9 milhões. De acordo com assessores do ministério, as
prefeituras receberam orientação para ir atrás das pessoas
em situação de maior risco, sob o ponto de vista da segurança
alimentar. Isso inclui moradores de rua, populações quilombolas
e grupos indígenas.
A lista de grupos visados
ainda inclui a população de acampamentos da reforma
agrária, conforme informou no domingo a "Folha de S.
Paulo". Ontem, assessores do ministério explicaram
que somente serão atendidos acampados listados pelo Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra), à espera da regularização dos lotes
que irão ocupar. Grupos que invadirem propriedades não
serão incluídos.
Ao comentar a iniciativa,
o economista João Pedro Stédile, principal líder
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) observou
que seria melhor se o governo investisse mais na reforma agrária. "Essa é a
pauta que preocupa o MST", afirmou. "O governou cortou
em 48% os recursos do orçamento desse ano, com a desculpa
da crise. Isso é uma vergonha." Stédile também
lembrou que o governo se recusa a rever os índices de
produtividade rural, que estariam desatualizados. Com a mudança
seria possível desapropriar mais terras para a reforma.
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Folha de S.Paulo, 20 de maio de 2009
ELIO GASPARI
Sem Dilma, a carta de Lula 3.0 virá da
rua
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O silêncio dos dois candidatos tucanos à Presidência é hoje
estímulo para o PT
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A DOENÇA da ministra Dilma Rousseff acordou o fantasma de uma emenda
constitucional que abra o caminho para Nosso Guia disputar nas urnas um terceiro
mandato. Como sempre acontece, essas tempestades nascem na periferia. O projeto,
que prevê um referendo popular, virá do deputado Jackson Barreto
(PMDB-SE) e há uma semana a proposta foi trazida pelo sindicalista Paulo
Vidal, que nos anos 70 antecedeu Lula na presidência dos metalúrgicos
de São Bernardo. Nas suas palavras, com seu estilo:
"Imaginar pura e simplesmente que politicamente seria importante cumprir
as normas constitucionais e tirar o Lula da Presidência, eu acho que todos
nós temos que repensar isso. (...) A companheira Dilma que me desculpe."
(Num lance pérfido, Lula já contou que, durante a ditadura, "muitos
companheiros presos disseram que Paulo Vidal era quem tinha dedado.
Eu, sinceramente, não acredito." Se não acreditasse, não
deveria ter dito, sobretudo quando se sabe que na oficina de ourivesaria stalinista
do mito de Nosso Guia, Vidal é colocado no papel de policial.)
Se a candidatura da doutora Dilma Rousseff sair do trilhos, são fortes
os sinais de que a carta petista será a emenda constitucional que permita
a disputa do terceiro mandato. A manobra exige que até setembro três
quintos do Congresso votem a favor da medida, para levá-la a um referendo.
Pode-se antever dificuldades no Senado, que já negou essa maioria ao
governo no caso da prorrogação da CPMF, mas uma coisa é certa:
se a nação petista for para esse caminho, ela não se fará ouvir
com maiorias parlamentares, virá com o ronco das ruas.
A expressão "terceiro mandato" trai a abulia política
em que se prostrou a oposição. O que Lula pode vir a pedir é o
direito de disputar uma terceira eleição. A ideia de "mandato" pressupõe
que, podendo disputar, ganhe na certa.
O comportamento dos dois candidatos tucanos à Presidência da República
diante da opção queremista (ecoando o "Queremos Getúlio" de
1945) é hoje estímulo para o PT. José Serra e Aécio
Neves guardam obsequioso silêncio em relação ao assunto.
Serra e o PSDB meteram-se numa camisa de força institucional. Um governador
de São Paulo e um partido que simpatizam com uma reforma política
capaz de criar o voto de lista por maioria simples ficam numa posição
girafa se quiserem condenar um projeto de reeleição que vai buscar
os três quintos exigidos para reformas constitucionais para que se realize
um referendo.
No caso do governador de Minas Gerais, chega a ser difícil entender
por que ele condenaria a manobra queremista, capaz de levá-lo ao melhor
do mundos. Primeiro porque a mudança permitiria sua própria reeleição
(refrigério de que Serra já dispõe, caso não queira
ir para outra disputa com Lula). Em 2014, Aécio Neves estará livre
de seu principal adversário, que se chama José Serra, não
Lula.
É possível que Serra, Aécio e grão-tucanato deem
pouca importância aos sinais de fumaça que saem da panela do Planalto.
Em 1995, muita gente boa da oposição se recusava a acreditar que
Fernando Henrique Cardoso mudaria a Constituição para se reeleger
em 1998. Deu no que deu, colocando no colo dos tucanos a paternidade do instituto
da reeleição.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/05/2009
Trabalhadoras domésticas têm
direito a férias proporcionais
Ao garantir aos empregados
domésticos o direito ao gozo de férias anuais remuneradas,
o legislador o deferiu em sua integralidade. Com este entendimento,
a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso
da empregadora contra trabalhadoras que exerceram funções
de enfermeiras domiciliares por dois anos e sete meses.
Elas realizavam tarefas
de medicação oral, higiene pessoal, auxílio à alimentação,
arrumação de quarto e banheiro. Após serem
demitidas, exigiram direitos trabalhistas na 49ª Vara do Trabalho
do Rio de Janeiro (RJ), como reconhecimento de relação
de emprego, aviso prévio, 13º salários, feriados
e outros, que foram concedidos pela primeira instância.
A empregadora entrou com
recurso no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ), contestando o pagamento das férias proporcionais.
O Regional rejeitou o recurso, interpretando serem devidas as verbas
referidas. “O artigo 1º do Decreto nº 71.885/1973
estende, aos empregados domésticos, os preceitos inscritos
no capítulo da CLT relativo às férias proporcionais,
especialmente porque elas prestaram serviços por períodos
superiores a um ano”, observa o acórdão.
Na instância extraordinária,
o TST reiterou precedentes que concedem o direito ao gozo de férias
anuais remuneradas aos empregados domésticos, afastando
assim o recurso da empregadora. O juiz convocado Douglas Alencar
Rodrigues, relator, disse em seu voto que, “ainda que de
forma proporcional, os domésticos fazem jus ao pagamento
de férias, por força de expressa previsão
constitucional.”
Ele citou decisão
da Seção Especializada de Dissídios Individuais
(SDI-1) - órgão que decide recursos de embargos contra
decisões das turmas do TST, uniformizando entendimentos
do Tribunal. A ementa, escrita pelo ministro Luiz Philippe Vieira
de Melo, diz que o parágrafo único do artigo 7º da
Constituição Federal assegurou ao empregado doméstico
o direito às férias anuais, mas não houve
previsão quanto ao direito às férias proporcionais. “Nesse
contexto, remete-se o julgador à observância de norma
infraconstitucional, a Lei nº 5.859/1972, que, regulamentada
pelo Decreto nº 71.885/1973, que deixou expresso em seu artigo
2º a regência da CLT no que tange ao capítulo
das férias. Assim, é indiscutível a aplicação
do disposto no art. 146 da CLT aos empregados domésticos,
que prevê expressamente o direito às férias
proporcionais.” ( RR-1959/2003-049-01-00.4)
(Alexandre Caxito)
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Último Segundo,
19 de maio de 2009
Brasil cria 106 mil empregos
formais em abril, aponta Caged do MTE
Em abril, foram admitidos
1.350.446 empregados e demitidas, 1.244.241 pessoas. O saldo é 2,95%
em relação ao mesmo período de 2008. Por estes
dados fica claro que o Governo, com o Congresso Nacional precisam
construir normas que impessam a demissão arbitrária
O Brasil registrou a criação
de 106.205 novos postos de trabalho formais em abril, segundo dados
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados
nesta segunda-feira (18). Em março, o saldo era de 34.818
novos postos.
"Pela primeira vez
no ano, passamos a ter um saldo positivo [nos primeiros quatro
meses] de 48.454 novos postos de emprego", explicou o ministro
do Trabalho, Carlos Lupi. Até março, o saldo era
negativo em 57.751 postos.
O ministro reforçou
que sua previsão para o ano é a criação
de mais de um milhão de empregos. Em 2008, foram 1,5 milhão
de empregos. Apesar de menor que em 2008, a previsão para
2009, segundo Lupi, é positiva uma vez que o país
enfrenta um período de crise.
Em abril, foram admitidos
1.350.446 empregados e demitidas, 1.244.241 pessoas. O saldo é 2,95%
em relação ao mesmo período de 2008.
O minisro destacou o fato
de a indústria ter apresentado, pela primeira vez no ano,
saldo positivo na criação de empregos. "Apesar
do saldo modesto, de 183 novos postos, a indústria começou
a reagir", destacou o ministro.
Entre os ramos da indústria,
O segmento que mais cresceu foi a indústria alimentícia
com alta de 1,06% na mesma comparação, referente
saldo de 18.967 postos.
Já a metalúrgica
foi a que apresentou a maior queda, de 1,26% em relação
a mês anterior, referente a um saldo negativo de 9.025 postos.
A indústria mecânica
também apresentou saldo negativo de 5.650 postos. "O
resultado ainda preocupa por estar negativo, mas já demonstra
reação em relação ao mês passado
e deve ser positivo em maio", avaliou Lupi.
Sobre a possibilidade de
impacto da fusão entre a Sadia e a Perdigão, Lupi
destacou que não houve conversas entre o ministério
e as empresas, mas espera que não haja impacto sobre o emprego
no setor.
Diante dos números
apresentados, o ministro afirmou que o seguro-desemprego deve ser
ampliado em dois meses para outros setores da economia. Mais detalhes
devem ser divulgados ainda nesta semana.
Todos os setores avaliados
apresentaram saldo positivo no número de postos de trabalho,
com exceção do setor de Extrativismo Mineral, com
queda de 0,34% no número de postos em abril em relação
ao mês anterior.
Em abril, os setores que
mais contrataram foram os de serviços, com 59.279 novos
postos de trabalho; agricultura, com 22.684 novos postos de trabalho,
construção civil, com 13.338 mil novas vagas, e comércio
(5.647 adições).
No quadrimestre, o setor
de serviços também foi o destaque, com 168.529 novos
postos, no qual a área de educação apresentou
recorde para o período, com adição de 58.719
mil vagas.
A construção
civil ficou em segundo lugar, somando 43.677 mil vagas. Em seguida,
apareceu a administração pública, com 28.898
mil empregos.
A crise global afetou de
forma mais clara a indústria de transformação
e o comércio, que acumularam resultados negativos entre
janeiro e abril de 2009.
A indústria apresentou
pela primeira vez no ano saldo positivo na criação
de empregos. "Apesar do saldo modesto, de 158 novos postos,
a indústria começou a reagir", destacou o ministro.
Entre os ramos da indústria,
a metalúrgica foi a que apresentou a maior queda, de 1,11%
em relação a mês anterior. O setor que mais
cresceu foi a indústria alimentícia com alta de 1,06%
na mesma comparação.
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Gazeta do Povo, 19 de
maio de 2009
Trabalho
Paraná abre 7,9 mil vagas
em abril
Número representa menos de um terço
do resultado obtido no mesmo mês do ano passado. Situação
da indústria metalúrgica e de madeira ainda é difícil
Empurrado principalmente
pela indústria de alimentos e bebidas e pelo setor de serviços,
o mercado de trabalho paranaense emendou em abril o quarto mês
consecutivo de abertura de vagas com carteira assinada. O saldo
no mês passado foi de 7.937 contratações, elevando
o resultado do primeiro quadrimestre do ano para 22.865 vagas – o
terceiro mais alto do país, atrás de São Paulo
e Goiás. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério
do Trabalho e Emprego.
O número de vagas
criadas no Paraná em abril, no entanto, representa menos
de um terço do registrado em abril do ano passado (26,3
mil vagas). O resultado do estado não é melhor porque
alguns setores, bastante impactados pela crise internacional, ainda
não se recuperaram.
É o caso, por exemplo,
de madeira e mobiliário, que novamente mais demitiu que
contratou em abril: foram 176 vagas fechadas, elevando para 2.011
o número de demitidos neste ano. “A indústria
madeireira, principalmente a paranaense, está voltada basicamente
para a exportação. E você tinha há algum
tempo quase 60% dessa exportação para o mercado norte-americano.
Só que o mercado da construção civil lá foi
fortemente afetado, e deixou de ser opção para a
indústria madeireira”, avalia Marco Tuoto, gerente
de operações da STCP Engenharia de Projetos.
“A única saída
para eles [setor madeireiro] é se a construção
civil brasileira crescer como realmente está se esperando”,
considera Roberto Zürcher, do departamento econômico
da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Para Tuoto, o setor só enxerga chances de recuperação
no médio e longo prazos. “Nós estamos falando
de três a quatro anos. Quem estiver falando que há perspectiva
no curto prazo está mentindo.”
Faltam acordos
A atividade de metalurgia
e mecânica também acumula demissões neste início
de ano: foram 2,3 mil vagas fechadas, 629 no mês de abril. “E
existem muitas empresas em contato com a gente que ainda têm
listas de demissão. Como não é possível
fazer acordos porque o sindicato não permite, é provável
que tenhamos mais demissões nos próximos meses”,
diz Roberto Karam, presidente do Sindimetal, que representa indústrias
do setor metal-mecânico em Curitiba e região metropolitana. “Pode
ser que tenhamos alguma reação no segundo semestre,
em alguns setores que a indústria metal-mecânica atende,
como a construção civil.”
Altas
Do outro lado da gangorra
estão a indústria alimentícia e o setor de
serviços. Este último respondeu por 4.563 contratações
em abril, 57% do total no mês. E metade das vagas veio de
serviços de alojamento e alimentação. “É um
setor que cresce muito, as pessoas estão comendo mais fora
de casa. E, nessa crise, as pessoas até deixam de gastar
com supérfluos ou com bens de maior valor, como carros e
eletrodomésticos, mas não deixam de comer”,
diz o diretor-executivo da Associação Brasileira
de Bares e Restaurantes no Paraná (Abrasel-PR), Luciano
Bartolomeu.
Já a indústria
de alimentos e bebidas abriu 10.395 vagas neste ano, 3,8 mil delas
no mês passado. Para Zürcher, da Fiep, há um
movimento sazonal de contratações na indústria
da cana-de-açúcar – cuja produção
já subiu 5% neste ano – e também na indústria
ligada à cultura de mandioca, que avançou 24%. “São
dois setores intensivos em mão de obra, e dois setores em
que a produção é basicamente industrializada.”
Para Elias Zydeck, diretor-executivo
da cooperativa Frimesa, de Medianeira (Oeste do Paraná),
no entanto, a alta no emprego do setor pode não se sustentar. “No
nosso caso, as contratações são resultado
de projetos que estavam em implantação há dois
anos e chegaram à maturidade agora, o que exigiu a colocação
de mão de obra. Mas o aumento de emprego não significa
aumento de resultado. Os preços caíram, principalmente
para exportação, e não sabemos até quando
sustentar essa situação deficitária.” Ele
diz que a empresa avalia o fechamento de duas unidades de laticínios
nos próximos meses, o que deve exigir o corte de 150 funcionários.
Recuperação é vista
com ceticismo por analistas
Agência Estado
Com a ajuda dos setores
de serviços e agropecuária, o saldo líquido
de demissões e contratações em abril foi de
106.205 vagas formais. Com isso, o estoque de empregos formais
na economia subiu 0,33% em relação a março,
para 32.041.756 vagas. O resultado é visto pelo governo
como um sinal inequívoco de recuperação. Essa
sensação, no entanto, divide o mercado e há quem
preveja a necessidade de maior redução dos juros
básicos da economia para estimular a criação
de vagas.
Quando comparado com dados
do ano passado, os resultados mostram o quanto a crise prejudicou
o mercado de trabalho. De janeiro a abril, foram abertos 48.454
empregos com carteira assinada, resultado 94,29% menor que os 848.962
empregos formais criados no mesmo período do ano passado. “Houve
uma evolução mais fraca em postos na indústria
do que a gente imaginava”, disse o economista da LCA Consultores,
Fabio Romão. Segundo ele, o resultado de abril é “realmente
pífio”.
De qualquer forma, o resultado
de abril foi comemorado pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi,
porque além de representar o terceiro dado positivo no ano
e a primeira vez em que o saldo de demissões e contratações
fica positivo no acumulado de 2009, a indústria parou de
demitir pela primeira vez em cinco meses: o saldo foi positivo
em 186 novas vagas. O resultado do emprego no mês passado é também
três vezes maior que o de março, quando foram criados
34.818 empregos formais.
De acordo com o Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor de serviços
liderou as contratações em abril, com a abertura
de 59.279 postos de trabalho (55,8% do total), seguido da agropecuária,
com 22.684 vagas. O comércio também criou 5.647 vagas.
O único setor que ainda mostra saldo negativo é o
de extrativa mineral, com eliminação de 582 vagas.
Locomotiva
De acordo com o Caged,
o estado de São Paulo impulsionou a abertura de empregos
formais no mês de abril. São Paulo foi responsável
pela criação de 72.022 (ou 67,8% do total) empregos
com carteira assinada, resultado de 447.957 contratações
e 375.935 demissões. Em relação a março,
houve melhora no saldo líquido de postos de trabalho no
estado, já que naquele mês São Paulo registrou
saldo líquido de 34.818 vagas formais. “São
Paulo foi a locomotiva do emprego em abril”, resumiu Lupi.

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Agência Diap,
19 de maio de 2009
Dirigentes sindicais discutem
com Temer agenda dos trabalhadores
Esta semana, na quinta-feira (21), dirigentes sindicais se reúnem com
o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB/SP), para tratar da inclusão,
na pauta de votação no plenário, de matérias de
interesse dos trabalhadores. Na semana passada, as centrais fizerem reunião
para definir a agenda prioritária
O plenário da Câmara
dos Deputados pode votar, em sessão extraordinária,
a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
277/08 que, nesta semana é um dos destaques da pauta do
Plenário para as sessões extraordinárias.
Nas sessões ordinárias,
os deputados podem analisar a MP 459/09, que cria o programa habitacional
Minha Casa, Minha Vida para a população com renda
de até dez salários mínimos. O objetivo é construir
1 milhão de moradias populares a um custo estimado de R$
60 bilhões.
Outra MP em pauta é a
460/09 que reduz tributos sobre as motocicletas, nacionais ou importadas,
e para as construtoras de imóveis no âmbito do programa
habitacional criado pela MP 459/09. Essa renúncia fiscal
será compensada, em parte, pelo aumento de tributos sobre
os cigarros.
Nesta quinta-feira (21),
dirigentes sindicais se reúnem com o presidente da Casa,
Michel Temer (PMDB/SP), para tratar da inclusão na pauta
de votação do plenário matérias de
interesse dos trabalhadores.
Cadastro
Positivo
A proposta deverá entrar em pauta extraordinária nesta quarta-feira
(20), assim como o projeto que cria o cadastro positivo de consumidores (PL
836/03). Na terça (19) e quinta-feira (21), a Câmara deverá apreciar
as medidas provisórias com prazos vencidos.
O projeto prevê a
instalação de um banco de dados de bons pagadores
que seria consultado por estabelecimentos comerciais e principalmente
por bancos, nos casos de pedidos de empréstimos.
Os defensores da
ideia acreditam que as pessoas inscritas no Cadastro Positivo
conseguirão juros menores nas operações
de crédito.
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Folha de S.Paulo, 19
de maio de 2009
Procuradoria vai pedir fechamento de
sindicatos patronais
Procurador-geral do Trabalho deve recorrer à Justiça
para acabar com entidades sem sócios, que vivem de contribuições
| Estima-se que, dos quase 4.000 sindicatos patronais registrados
no Ministério do Trabalho, 80% não tenham representatividade
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Procuradoria Geral do
Trabalho em Brasília deve pedir à Justiça
o fechamento de sindicatos patronais que não tenham representatividade.
Para isso, aguarda informações do Ministério
do Trabalho e Emprego sobre a atuação de sindicatos
cadastrados.
Otavio Lopes Brito, procurador-geral do Trabalho, diz que chegaram à procuradoria
informações de que sindicatos cadastrados "nunca" firmaram
convenção ou acordo coletivo de trabalho desde a criação.
A Folha constatou que dezenas de sindicatos da indústria e do comércio
sobrevivem com poucos ou sem nenhum sócio -conforme revelado em sua
edição de ontem. Eles se mantêm abertos com dinheiro da
contribuição sindical, paga de forma compulsória.
Estima-se que, dos quase 4.000 sindicatos patronais registrados no Ministério
do Trabalho, 80% não têm representatividade para defender os interesses
econômicos de empresas associadas e representadas na base em que atuam.
A Secretaria de Relações do Trabalho informa que não cabe
ao Ministério do Trabalho investigar a ação dos sindicatos
porque a Constituição Federal garante autonomia e liberdade para
as entidades sindicais.
" Apesar de defendermos a existência de sindicatos fortes e representativos,
não cabe ao governo investigá-los. Esse papel tem de ser feito
pelos procuradores", diz Luiz Antonio de Medeiros, secretário de
Relações do Trabalho do MTE.
O que estimula a criação e a manutenção de sindicatos
de fachada, na avaliação de Brito, é a contribuição
sindical obrigatória paga pelos trabalhadores e pelas empresas.
Associações só podem ser dissolvidas ou terem atividades
suspensas, segundo ele, por decisão judicial definitiva, como determina
o inciso 19 do artigo 5º da Constituição.
" A suspensão das atividades por meio de liminar tem efeito rápido
e cabe se comprovado que dinheiro de empresários ou de trabalhadores estiver
sendo desviado, utilizado por pessoas que não prestam qualquer tipo de
atividade sindical. O sistema sindical no país está viciado, e,
se alguém abrir a boca, ele cai", diz o procurador.
Para o secretário de Relações do Trabalho, os sindicatos
patronais não passaram por um processo de renovação como
passaram os sindicatos de trabalhadores -com a criação das centrais
sindicais que atuavam politicamente antes mesmo de serem reconhecidas legalmente
em março de 2008.
Os sindicatos patronais e de empregados que vivem sem associados, segundo Medeiros,
não têm razão de existir. "São sindicatos de
carimbo, que vivem do imposto sindical e para votar nas eleições
de federações às quais são ligados. Devem receber
algum tipo de benesse para manterem suas sedes abertas, seus status e seus
uísques de vez em quando. Vivem disso e pronto", diz.
Claudio Montesso, presidente da Anamatra (associação que reúne
os juízes trabalhistas), afirma que a falta de renovação
dos dirigentes que comandam parte dos sindicatos também acentua essa
crise de representatividade.
" Um dirigente que está há 30, 40 anos no poder mostra a ausência
de participação efetiva daqueles que de fato deveriam ser representados. É como
se fosse uma ação entre amigos", diz Montesso.
Por esse motivo, em sua avaliação, as associações
industriais, câmaras setoriais e fóruns empresariais ganham espaço
e cumprem o papel que deveria ser dos sindicatos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de maio de 2009 | Política
Lista fechada causa resistência à reforma
política
Agência Estado
A tentativa de trazer à tona a discussão em torno da reforma
política, um dos temas mais controversos do Congresso, encontra uma
resistência inicial: a aprovação do financiamento público
e da lista fechada - aquela em que os eleitores não votam no parlamentar,
mas em uma espécie de ranking com nomes propostos pelo partido. Em debate
na TV Estadão, realizado na sexta-feira, os deputados Arnaldo Madeira
(PSDB-SP) e Carlos Zarattini (PT-SP) defenderam pontos de vistas distintos
em relação a esses dois temas. É a partir deles que o
presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), pretende aprofundar com
os líderes partidários, nesta semana, a discussão sobre
a reforma.
Os parlamentares, no entanto,
são céticos em relação à aprovação
de alterações na legislação às
vésperas da eleição de 2010. Zarattini afirmou
que a posição do PT, firmada em congresso do partido
em 2007, é de defesa da lista fechada. "Consideramos
que é uma forma de valorizar o partido, reduzir o gasto
de campanha e, ao mesmo tempo, possibilitar que as pessoas tenham
uma visão mais clara do processo político",
declarou. De acordo com deputado, a lista fechada permite o financiamento
público, já que os recursos para as campanhas ficam
a cargo do partido, e não do candidato. O lado mais negativo
do sistema atual, na avaliação de Zarattini, é que
ele deixa "turvada" a visão do eleitor, em razão
da "infinidade de candidatos".
O deputado Madeira
discorda. Com uma visão bastante crítica da lista
fechada, ele acha que o sistema afasta o político do eleitor. "Em
vez de ficarmos discutindo como construir um sistema eleitoral
para que o eleitor se sinta mais confortável na escolha
do seu representante, nós estamos com essa história
de lista fechada na véspera do prazo para se decidir as
regras", disse o parlamentar. Na bancada do PSDB na Câmara,
também não há uma posição
fechada sobre o assunto. "Hoje o eleitor não se sente
representado no Legislativo. Para pegar um exemplo, (na eleição
para deputado federal em 2006) o Capão Redondo tinha cerca
de 266 mil eleitores. O mais votado teve 9,8 mil votos. Então é óbvio
que essa população não se sente representada.
Essa é a distância que nós temos que ultrapassar",
afirmou.
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Gazeta do Povo, 19
de maio de 2009
Análise
Parcela extra do seguro - desemprego
será estendida
Brasília - Ainda nesta semana, o governo irá anunciar uma nova
lista de trabalhadores que serão beneficiados com as duas parcelas extras
do seguro-desemprego, com base nos dados do quadrimestre encerrado em abril.
Essa medida foi criada neste ano para ajudar as pessoas que perderam emprego
desde o fim do ano passado. O pagamento é feito automaticamente, mas
a lista é restrita aos setores e estados que registraram queda no emprego
por causa da crise.
Em março, o Conselho
Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) autorizou
a liberação do pagamento das parcelas adicionais
do seguro-desemprego para os 103 mil trabalhadores demitidos sem
justa causa em dezembro do ano passado, em função
dos efeitos da crise econômica. “Com esse estudo que
fechamos hoje, com certeza ampliaremos para alguns setores, daqueles
que foram demitidos em janeiro’’, disse o ministro
do Trabalho, Carlos Lupi.
Hoje, o benefício
varia de três a cinco meses, dependendo do tempo em que o
trabalhador ficou no emprego – o seguro vai de R$ 465 a R$
870, sendo o valor médio pago de R$ 595,20. Nos casos especiais,
as parcelas podem chegar a sete meses.
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FOLHA DE LONDRINAl,
18 de maio de 2009 | Economia
Sintracon Londrina pede suspensão
da alta programada ao INSS

A mobilização do sindicato começou com um ato público
no Calçadão de Londrina
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Londrina (Sintracon) vai reivindicar a suspensão
da alta programada, implantada pelo INSS em 2005. Segundo o presidente do Sintracon,
Denílson Pestana, até 2005, quando um trabalhador se acidentava,
por exemplo, o auxílio-doença acidental era concedido por tempo
indeterminado, até que a pessoa se recuperasse.
''Agora, com a alta programada,
o trabalhador já sai com data marcada para sarar'', contesta
o representante sindical. Ele frisa que, a partir de 2005, depois
da primeira licença remunerada pelo INSS, mesmo que um médico
diga que o trabalhador ainda não está recuperado,
dificilmente a perícia estende a licença. ''Com isso,
a empresa não aceita o trabalhador porque ele não
tem condições de trabalhar, então não
paga o salário; e o INSS não paga o auxílio-doença
porque a perícia não prorrogou a licença'',
explica Pestana.
Conforme ele, após
inúmeras denúncias feitas ao sindicato por trabalhadores
que estão nessa situação, a entidade decidiu
entrar com uma ação na Justiça Federal pedindo
a suspensão da alta programada. No sábado, o sindicato
realizou uma manifestação no Calçadão,
em Londrina, e pretende estender o protesto para outras regiões.
Em Londrina e região existem cerca de 5 mil trabalhadores
no setor.
Erika Zanon
Reportagem Local
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O ESTADO DO PARANÁ,
18 de maio de 2009 | Economia
Dado do emprego formal em abril será melhor,
diz Lupi
Agência Estado
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse hoje à Agência Estado
que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do governo
federal referentes a abril, que serão divulgados na próxima segunda-feira
(dia 18), "serão bem melhores do que os de março".
Segundo ele, "a economia reage muito bem". "Março foi
o mês da virada no emprego, e abril, tenho certeza, será bem melhor."
Ainda de acordo com o
ministro, "no emprego, o pior da crise já passou" e
a perspectiva é de aumento crescente no número de
vagas geradas até o fim deste ano.
Ainda segundo Lupi,
que participa de evento no Rio, o mercado formal de trabalho
no Brasil está se recuperando porque o mercado interno é forte,
há aumento no rendimento e a alta do salário mínimo
injetou recursos adicionais importantes na economia.
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FOLHA DE LONDRINA,
18 de maio de 2009 | Opinião
Intervalo no trabalho aumenta a produtividade
Pesquisas mostram que pausa no meio da jornada
melhora em 34% rendimento de funcionários
Curitiba - A necessidade de complementar a renda e de ter uma atividade são
os principais motivos que levam os aposentados a voltarem ao mercado de trabalho.
Cerca de 40% das pessoas que já cumpriram o tempo de serviço
voltam a trabalhar. O grande problema é que grande parte desses trabalhadores
são empregados com salário 30% menor do que quando estavam na
ativa, segundo o diretor institucional do Sindicato Nacional dos Aposentados,
Paulo José Zanetti.
De acordo com ele, a maior
parte dos aposentados volta ao mercado para complementar a renda
familiar. ''Não dá para viver com R$ 465,00'', disse.
No Paraná, cerca de 70% dos aposentados e pensionistas ganham
de um a dois salários mínimos. ''Eu sou contra permanecer
no mercado. O trabalhador teria que ter uma aposentadoria justa
e digna'', disse Zanetti.
As principais atividades
que os aposentados ocupam são embaladores de supermercados,
produção no setor metalúrgico, limpeza pública
e transporte coletivo como cobradores e motoristas. Segundo ele,
dos que estão no mercado, 50% respondem pelo sustento da
família.
Dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que no Paraná há 896
mil aposentados pela previdência oficial. Deste total, 346
mil estão ocupados e 624 mil são responsáveis
pela parte principal da renda familiar.
Os setores que mais empregam
as pessoas nesta fase da vida no Estado são agricultura
(48%), comércio (12%), indústria (10%) e educação
(6%).
Deonedes Ferreira do Amaral,
63 anos, foi contratado em novembro do ano passado como embalador
do supermercado Angeloni, em Curitiba. ''Eu tinha necessidade de
estar em atividade. Se a gente fica acomodado tem tendência
a ficar doente. E dinheiro não faz mal a ninguém'',
disse. Ele sempre trabalhou no comércio. Se aposentou em
1996 como vendedor de móveis e eletrodomésticos da
antiga rede Disapel que foi vendida para o Ponto Frio. Permaneceu
na rede até o fechamento em 1998. Depois resolveu fazer
alguns trabalhos por conta. Em seguida, abriu uma pequena livraria
que funcionou durante três anos. Hoje, trabalha sete horas
por dia, com uma folga semanal e escala aos domingos e recebe um
salário mínimo por mês.
A aposentada Maria Marly
Keidrosky, 57 anos, trabalha há exatos seis anos e três
meses como embaladora também em supermercado. ''Eu tinha
procurado bastante e não conseguia emprego por causa da
idade'', contou. Antes disso, atuou como auxiliar de serviços
gerais e auxiliar de produção. Agora, falta três
anos para se aposentar.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA,
18 de maio de 2009 | Política
‘CPI da Petrobras é coisa
de quem não tem nada a fazer’
Lula definiu a medida como ‘questão
político-eleitoral’ que não causa temor algum
ao governo
Riad - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu ontem, em Riad,
na Arábia Saudita, a instauração da Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de irregularidades
na administração contábil da Petrobras como ''questão
político-eleitoral''. De acordo com ele, a decisão de manter
a assinatura do requerimento para a implantação da CPI, tomada
por 30 senadores na noite de sábado, é coisa de ''quem não
tem mais nada a fazer''.
As declarações
foram feitas em entrevista coletiva no início da noite,
em Riad (início da tarde no horário brasileiro).
Depois de pedir aos jornalistas presentes que privilegiassem questões
relativas à viagem à Arábia Saudita e não
fizessem perguntas sobre a política interna do Brasil, Lula
se dispôs a responder. Para o presidente, a instauração
da CPI não causa temor algum ao governo. ''Do ponto de vista
prático, não tem (receio) nenhum'', afirmou.
Lula disse que todos os
comentários que teria a fazer sobre o assunto havia feito
na base aérea de Brasília, antes da viagem. Na oportunidade,
o presidente afirmou que a CPI não era do Congresso Nacional,
e sim ''muito mais do PSDB''. ''Não vou tocar em um assunto
que é interesse específico do Senado. Todas as pessoas
ali têm dados suficientes para fazer o que entenderem melhor'',
reiterou.
Lula lamentou que a investigação
seja aberta em um ''momento de ouro na área do petróleo'',
quando o governo proporá um debate nacional sobre o novo
marco regulatório do setor. ''Estamos viajando o mundo em
busca de recursos para que a Petrobras possa intensificar a exploração
do pré-sal'', alegou. ''Não podemos transformar isso
em uma questão de política eleitoral envolvendo a
empresa mais importante que o Brasil tem''. Então, voltou
a disparar contra os partidários da CPI: ''De qualquer forma,
se as pessoas que assinaram o requerimento não têm
mais nada para fazer, que façam. Nós vamos continuar
tocando o barco''.
A criação
da CPI da Petrobras foi definida à meia-noite de sábado,
quando apenas dois senadores - Cristovam Buarque (PDT-DF) e Aldemir
Santana (DEM-DF) -, das seis defecções que o governo
precisava, aceitaram retirar suas assinaturas. De acordo com o
requerimento redigido pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR),
a CPI deverá investigar possíveis irregularidades
no licenciamento da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, a distribuição
de royalties e as manobras contáveis que teriam evitado
o pagamento de RS$ 4,3 bilhões em impostos devidos pela
Petrobras.
Andrei Netto
Agência Estado
|
Folha de S.Paulo, 18
de maio de 2009
Patronato vive crise de representatividade
Sem sócios, parte das entidades vive
do imposto sindical; apenas 20% das 500 mil indústrias estão
associadas a um sindicato | Em países desenvolvidos, representatividade
chega a 35%; setor patronal arrecadou R$ 363 mi de taxa sindical
em 2008 e ficou com 60% do valor
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Em um prédio comercial
na avenida Rangel Pestana, na região central de São
Paulo, funcionam em uma sala sete sindicatos do comércio
(calçados, livros, sacaria, couros e peles) e de outros
setores, como o de salões de bilhar. Administrados por um
advogado, esses sindicatos -com nenhum ou poucos sócios-
se mantêm com dinheiro da contribuição sindical,
paga de forma compulsória pelas empresas desde 1943.
A reportagem da Folha visitou e constatou que funcionam nessas condições
dezenas de sindicatos do comércio e da indústria espalhados pela
região central de São Paulo, como o Sindicato da Indústria
de Calçados no Estado de São Paulo, o Sindicato da Indústria
de Mecânica do Estado de São Paulo e o Sindicato do Comércio
Varejista de Carvão Vegetal e Lenha no Estado de São Paulo.
Esses casos estão mais para regra do que para exceção.
Retratam a crise de representatividade pela qual passam os sindicatos patronais
no Brasil. Levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria)
mostra que, hoje, apenas 20% das 500 mil indústrias do país são
associadas a algum sindicato. Em países desenvolvidos, o percentual é de
30% a 35%.
Empresários, procuradores do trabalho e advogados especializados em
criação de sindicatos estimam que 80% dos quase 4.000 sindicatos
patronais registrados no Ministério do Trabalho não têm
representatividade, como deveriam ter, ou não defendem, como deveriam,
os interesses econômicos de sócios e representados.
" Eles sobrevivem só para arrecadar o imposto sindical, que incide
sobre o capital social das empresas e é recolhido anualmente de forma
compulsória", afirma Laerte Augusto Galizia, advogado que há 40
anos atua na criação de sindicatos (leia entrevista na pág.
B4).
" Essa facilidade de arrecadar sem necessidade de prestação
de um serviço específico tem levado nossas organizações,
tanto patronais como profissionais, a permanecer naquela mesma cultura anterior à Constituição
Federal de 1988, caracterizada por uma profunda letargia", afirma José Roberto
Cazeri, advogado especializado em sindicalismo e associativismo.
Cinco
em um
A pouca representatividade da maioria dos sindicatos é vista em todos
os setores da economia. Nas salas 805, 812 e 913 da Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo), estão instalados
15 sindicatos de indústrias -cinco em cada sala. Uma secretária
cuida de cada grupo de cinco sindicatos.
Entre as entidades que dividem salas na federação, estão
os sindicatos das indústrias de chapéus, cordoalhas (cordas)
e estopa, relógios, explosivos, rerrefino de óleos minerais,
balanças, pesos e medidas, proteção, tratamento e transformação
de superfícies e de funilaria e móveis de metal. As secretárias
das três salas informam que "uns têm mais representatividade;
outros, menos" e que existe prestação de serviços.
Na sala 911 da Fiesp, está instalado o Sindifumo (Sindicato da Indústria
do Fumo do Estado de São Paulo), com dois sócios, que divide
a sala com outro sindicato patronal. "Nosso setor já chegou a ter
70 indústrias em São Paulo nas décadas de 60 e 70. Hoje,
são dois sócios e, assim como no caso de outros sindicatos, enfrentamos,
sim, crise de representatividade", diz José Henrique Nunes Barreto,
presidente do Sindifumo.
Sem
sede
Há casos de sindicatos que desativaram as suas sedes sem informar aos
representados, como o Sindicato do Comércio Atacadista de Louças,
Tintas e Ferragens de São Paulo. Na convenção coletiva
de 2008-2009, assinada com os empregados do setor, porém, consta que
a entidade funciona em endereço no centro de São Paulo. Funcionários
do edifício afirmaram à reportagem que há quatro anos
a entidade não está mais no local, mas que "pessoas passam
por lá sempre para pegar correspondências".
A proliferação de sindicatos existe porque mantê-los é um
bom negócio. Em 2008, todas as entidades patronais arrecadaram R$ 363
milhões. Os sindicatos ficaram com 60% desse valor; as federações,
com 15%; as confederações, com 5%; e o governo, com 20%.
Reação
A falta de representatividade dos sindicatos patronais começa a incomodar
um grupo de empresários que defende reforma no sistema sindical de empregadores
e de empregados.
" Devido à total ausência de representação, cerca
de 400 indústrias de calçados e acessórios na Grande São
Paulo decidiram criar a Ab-Artcouro para representar de fato os interesses do
setor", afirma Elizete Fernandes, gerente da Pellegrini, fabricante de calçados.
Hamilton Chaves, sócio proprietário da Indústria Zugliani
de Refrigerantes e Bebidas, afirma que foi duas vezes ao sindicato que representa
seu setor -o Sindicato da Indústria de Bebidas em Geral no Estado de
São Paulo- e que paga cerca de R$ 100 de contribuição.
"É preciso reavaliar, sim, o papel dos sindicatos de empregadores
e de empregados. Os dirigentes dessas entidades se perpetuam no poder e os sindicatos
não prestam serviços. Se a contribuição fosse de
R$ 1.000 e o sindicato cumprisse o seu papel, não reclamaríamos
de pagar", afirma Chaves.
O sindicato de calçados informa que perdeu sócios porque o setor
entrou em crise e fábricas decidiram ir para outros Estados. Os sindicatos
de mecânica e de bebidas afirmam que os presidentes das entidades estariam
disponíveis para dar entrevistas a partir desta semana (leia texto ao
lado).
" Não permito que sindicatos fiquem instalados em salas no prédio
da federação. Cada um tem que ter a sua casa, senão, eles
começam a exigir benesses. Os sindicatos patronais têm obrigação
de reunir as empresas de seus setores para discutir assuntos de interesse das
categorias. Aqui, acabou o sindicato de gaveta", diz Alcantaro Corrêa,
presidente da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado
de Santa Catarina).
A crise de representatividade do sistema levou a Procuradoria Geral do Trabalho
em Brasília a pedir há um ano ao Ministério do Trabalho
um levantamento sobre os sindicatos que existem no país e a sua representatividade.
" A Constituição Federal determina que um sindicato tem de
representar uma categoria profissional ou econômica. Se não representa,
não pode existir", diz Otávio Brito Lopes, procurador-geral
do Trabalho.
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Folha de S.Paulo, 18
de maio de 2009
Outro lado
Sindicatos dizem que tentam elevar
número de sócios
DA REPORTAGEM LOCAL
Os sindicatos da indústria
e do comércio consideram que as empresas perderam por várias
razões o interesse em se associar a uma entidade sindical
-situação que se agravou com a crise- e que a arrecadação
com a contribuição sindical é pífia.
Paulo Chaves, advogado há 34 anos que presta serviços e comanda
o dia a dia de sete sindicatos do comércio e de outros segmentos, diz
que a fragmentação de algumas categorias econômicas levou à perda
de associados.
" Juntos, esses sete sindicatos devem receber R$ 200 mil anuais de contribuição
sindical. Muitas empresas deixaram de recolher a contribuição também
por causa da crise econômica."
A queda na receita dos sindicatos, segundo ele, foi em torno de 20% desde setembro
de 2008, quando os efeitos da crise econômica passaram a ser mais sentidos.
O advogado afirma que os sindicatos do comércio atacadista de livros
e de calçados têm hoje cerca de 12 associados cada um, e o de
couros e peles, 15. "O do comércio atacadista de sacaria em geral
e o de salões de bilhar não têm sócios e estão
em fase de pré-fechamento."
Presidente há 12 anos do Sindcordoalha (Sindicato da Indústria
da Cordoalha no Estado de São Paulo), Márcio Giusti diz que o
sindicato recebe a contribuição de 60 empresas e que prefere
não falar em número de sócios.
" Não gostaria de divulgar o quanto recebemos de contribuição
sindical, mas posso dizer que o nosso propósito é elevar o associativismo.
A nossa mensalidade é de R$ 80 por mês e prestamos serviços
jurídicos e tributários, com o apoio da Fiesp. Não há dúvida
de que seria conveniente que os empresários participassem mais de seus
sindicatos", afirma.
Paulo de Tarso Lauandos Zakia, presidente do Sindicato da Indústria
de Chapéus no Estado de São Paulo, um dos mais antigos do país,
diz que a entidade tem três sócios, mas entre 13 e 14 fabricantes
de bonés pagam a contribuição sindical.
" Em um momento, chegamos a fazer uma reavaliação, só que
esse sindicato faz parte da história da indústria chapeleira do
país. Com certeza, os empresários deveriam participar mais de seus
sindicatos, é preciso que tenham essa conscientização."
O Sindicato da Indústria de Relojoaria do Estado de São Paulo
tem três sócios, segundo Dimas de Melo Pimenta II, presidente. "No
mercado de que participamos, de alta tecnologia, estamos até bem representados."
"Não
vamos atrás"
João Carlos Basilio, presidente do Sindicato da Indústria de
Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, diz que tem 300 sócios
e recebe R$ 300 mil de contribuição social de empresas por ano.
Arnaldo José Pieralini, presidente do Sindicato do Comércio Varejista
de Carvão Vegetal e Lenha do Estado de São Paulo, afirma que
a entidade já representou 4.000 empresas em sua base há cerca
de dez anos. Atualmente representa mil.
Neste ano, a contribuição sindical foi recolhida de cerca de
cem empresas, o que rendeu à entidade R$ 6.000. "Não precisamos
de mensalidade de sócios porque nossas despesas são pequenas."
O fato de a entidade não ter associados não significa que não
seja atuante, segundo avalia Pieralini. "Atuamos, por exemplo, na área
de pesquisa com universidades como USP e Unicamp, desenvolvendo novas tecnologias
que permitam diminuir a poluição no processo produtivo. Também
temos ações de combate ao trabalho degradante e infantil."
A Folha procurou o Sindicato do Comércio Atacadista de Louças,
Tintas e Ferragens de São Paulo, mas o responsável pela entidade
havia viajado. Uma funcionária do local disse que o sindicato mudou
de endereço há quatro anos, que o atendimento era feito no Brás
e que a antiga sede visitada pela Folha estava fechada.
O Sindimec (Sindicato da Indústria de Mecânica do Estado de São
Paulo) afirmou que o presidente da entidade, Hélio Languidi, só estaria
disponível nesta semana. O presidente do Sicesp (Sindicato da Indústria
de Calçados no Estado de São Paulo) não foi localizado.
O presidente do Sindicato de Bebidas em Geral no Estado de São Paulo,
Joaquim Romeu Ferraz, só estaria disponível em 15 dias. (FF e
CR)
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Folha de S.Paulo, 17
de maio de 2009
Base aliada tem proposta de
referendo sobre 3º mandato
Jackson Barreto (PMDB-SE) já tem assinaturas
necessárias para protocolar emenda | Consulta aconteceria
em setembro; deputado afirma no texto que "não há razão
lógica para se proibir um terceiro mandato" para Lula
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A base do governo tem na
manga, pronta para ser apresentada, uma PEC (proposta de emenda
constitucional) que prevê um referendo sobre a possibilidade
de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorrer a um
terceiro mandato.
A consulta ocorreria em setembro deste ano, a tempo de valer para a próxima
eleição, caso o Congresso aprove a PEC.
A proposta é do deputado federal peemedebista Jackson Barreto (SE) e
está guardada em seu gabinete.
Ele já reuniu as 171 assinaturas necessárias para protocolar
a emenda, a maioria vinda de PMDB, PT e outros partidos da base de Lula. Mas
há também apoios da oposição.
A emenda tem apenas uma página e três artigos. O primeiro altera
o parágrafo 5º do artigo 14 da Constituição, que
trata da reeleição.
" O presidente da República, governadores de Estado e do Distrito
Federal, os prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso
dos mandatos poderão ser eleitos para até dois períodos
imediatamente subsequentes", diz a nova redação proposta.
O artigo seguinte afirma que "a promulgação desta emenda
fica sujeita a referendo popular, a ser realizado no segundo domingo de setembro
de 2009".
Na justificativa que acompanha o texto, Barreto diz que "não há razão
lógica para se proibir um terceiro mandato sucessivo, mesmo porque,
a rigor, cabe ao eleitorado decidir sobre a continuidade ou a descontinuidade
da gestão posta ao crivo das urnas".
Dilma
O deputado afirma que pretendia apresentar a emenda em abril, mas desistiu
ao saber do câncer da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), pré-candidata
do governo a presidente. "Seria muito indelicado", disse.
Ex-prefeito de Aracaju, Barreto, 65, afirma que não sabe quando entregará a
proposta. Questionado, ele dá a entender que a emenda é um trunfo
para o caso de Dilma ter de abandonar a disputa. "Vai depender de como
as coisas evoluírem."
A instituição do terceiro mandato não é encampada
oficialmente pelo PT, mas alguns líderes já defenderam sua discussão,
como o ex-prefeito de Recife João Paulo Lima e Silva e o senador João
Pedro (AM). Fora do partido, é partidário da tese, por exemplo,
o presidente do PTB, Roberto Jefferson.
Barreto diz que tomou a iniciativa por sua própria vontade. "Eu
acredito na tese do terceiro mandato", afirma.
Se protocolado, o projeto seguirá o trâmite normal das emendas:
primeiro será analisada pela Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara, que é controlada pelo PMDB.
De lá, segue para uma comissão especial, que analisará o
mérito, e depois passa por duas votações no plenário,
em que são necessários dois terços dos votos. Aprovada,
repete o mesmo trâmite no Senado.
O tempo é exíguo, mas a experiência mostra que, havendo
interesse da base do governo de aprovar rapidamente emendas constitucionais,
isso é possível. Tudo depende da vontade.
O PMDB controlará grande parte de uma eventual tramitação,
e foi esse o partido que deu ao projeto o maior número de assinaturas.
A coleta foi feita em fevereiro e março. São 40 deputados, quase
metade da bancada. Em seguida vem o PT, com 28 assinaturas.
Outras 87 assinaturas foram colocadas por congressistas de todos os outros
partidos da base aliada. Na oposição, são 16 assinaturas
de apoio: 10 no DEM, 5 no PSDB e 1 no PPS.
No total, exatos 171 deputados (mínimo necessário) assinaram
a emenda. Outros dois licenciaram-se do mandato desde que a coleta foi feita
por Barreto, entre fevereiro e março. "Ninguém assinou sem
saber. Todo mundo ali tinha consciência do que estava apoiando",
disse Barreto.
Os signatários pertencem majoritariamente aos chamados baixo e médio
cleros. Nenhum líder partidário apoia oficialmente a emenda,
e apenas um integrante da Mesa, o quarto secretário, Nelson Marquezelli
(PTB-SP), assinou.
Teoricamente, os parlamentares não estão necessariamente apoiando
o mérito da proposta, apenas colaborando regimentalmente para que a
emenda tramite. Na prática, é possível dizer que muitos
dos que assinaram são entusiastas do terceiro mandato.
É provável que muitos dos oposicionistas que assinaram a proposta
de Barreto retirem os nomes se houver pressão dos líderes de seus
partidos.
Por outro lado, o peemedebista tem ainda fartas reservas governistas para explorar
e poderá recompor facilmente eventuais perdas.
Um dos que ainda não as- sinaram, por exemplo, é o pioneiro da
defesa do tema, deputado Devanir Ribeiro (PT-SP).
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Folha de S.Paulo, 17
de maio de 2009
Promotoria mira doações
de empreiteiras
Legislação proíbe contribuições
eleitorais de concessionárias de serviços públicos,
mas não das empresas que as controlam | A Camargo Corrêa,
a OAS e a Queiroz Galvão, que são empresas acionistas
de concessionárias, estão entre as maiores contribuintes
MARIANA BARROS
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL
Após questionar
as doações feitas pelo setor imobiliário,
o Ministério Público Eleitoral de São Paulo
diz que vai mirar agora as empreiteiras, que tradicionalmente contribuem
com campanhas.
Segundo o promotor da 1ª Zona Eleitoral Maurício Antônio
Ribeiro Lopes, será proposto um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) às
construtoras que têm atuação em concessionárias
de serviços públicos e que doaram em 2008 a candidatos a prefeito
e a vereador e a comitês eleitorais. O promotor não estipulou
prazo.
A legislação eleitoral proíbe expressamente que concessionárias
de serviço público façam doações, mas não
define regras para as controladoras dessas concessionárias ou para as
empresas participantes dos consórcios que as administram.
As construtoras Camargo Corrêa, OAS e Queiroz Galvão, todas acionistas
de empresas concessionárias, estão entre as maiores contribuintes
das campanhas eleitorais paulistanas. Juntas doaram, em 2008, mais de R$ 7
milhões.
Candidatos e comitês receberam R$ 3,6 milhões da Camargo Corrêa,
R$ 3,1 milhões da OAS e R$ 537 mil da Queiroz Galvão, segundo
dados disponíveis no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Na semana passada, a AIB (Associação Imobiliária Brasileira),
associação ligada ao Secovi-SP que integra a lista do TSE de
suspeitos de financiamento ilegal de campanha, assinou um TAC a partir de uma
apuração semelhante feita pelo Ministério Público
Eleitoral.
Pelo acordo, a entidade, que foi a maior doadora da eleição na
capital, com R$ 5,898 milhões, se comprometeu a não fazer novas
contribuições.
Como contrapartida, a AIB não será punida por supostas irregularidades
cometidas em eleições anteriores. Pela lei, sindicatos são
proibidos de contribuir para campanhas. O Secovi, sindicato do setor imobiliário,
nega qualquer vínculo com as doações.
"É hora de examinarmos com rigor a ascendência de determinados
setores, capazes de fazer doações tão volumosas que acabam
não influenciando, mas decidindo os rumos da campanha eleitoral, sem que
isso corresponda à vontade do eleitor", diz o promotor Lopes. "Queremos
zelar por uma minimização do poder econômico no processo
eleitoral."
No caso da AIB, as doações representam até 62,78% do valor
arrecadado por um candidato a vereador na capital paulista. Seis contribuições
ficam entre 40% e mais de 50% do total reunido individualmente.
Empresas
A Camargo Corrêa afirma não ser dona de nenhuma empresa concessionária,
mas apenas acionista minoritária. Constam da divisão de concessões
do grupo participações em três empresas do setor.
Trata-se da CPFL Energia, que atua no Estado de São Paulo, mas não
na capital, da CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), responsável
por rodovias como Nova Dutra, ViaOeste e Autoban, e da A-Port, de gestão
aeroportuária, que administra o edifício de estacionamento do
aeroporto de Congonhas (zona sul).
A Queiroz Galvão, que afirmou que não se pronunciará a
respeito, atua em três ramos de serviços de concessão.
Em saneamento, conta com empresas no Rio de Janeiro; em rodovias, participa
da Concessionária Rio-Teresópolis (CRT) e da Viapar (PR); em
energia, dispõe de usinas em Mato Grosso, Santa Catarina e Minas Gerais.
Procurada pela reportagem seguidas vezes desde a tarde de quinta-feira, a OAS
não se manifestou até o fechamento desta edição.
A empresa tem participações nas empresas Lamsa, concessionária
da Linha Amarela (RJ), CLN, que administra a rodovia BA-099, CRT, responsável
pela BR-116 (RJ), e TPG (Terminal Portuário do Guarujá), litoral
sul de SP.
|
FST,
16 de maio de 2009
FST diz a Lupi que é contrário à forma
de constituição do Caat
A coordenação nacional
do Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) e dirigentes
das confederações e centrais que o integram aprovaram
posição contrária à Portaria 694, de
30 de abril de 2009, do Ministério do Trabalho e Emprego,
que cria o Comitê de Acompanhamento de Assuntos Trabalhistas
(Caat).
A decisão foi enviada por correspondência ao ministro
Carlos Lupi, com solicitação de audiência para
discutir mudança na Portaria, segundo o PL 4.554/04, apresentado
pelo então deputado Sergio Miranda (PDT/MG) com base em
sugestões do FST, que estabelece a câmara bipartite.
Inicialmente, a coordenação do FST avalia que a
medida retoma a MP 294 numa versão mais avassaladora; que
mais uma vez o MTE tenta fazer a reforma sindical sem mexer na
Constituição Federal; impõe a quebra de isonomia,
pois considera somente as confederações patronais
e centrais de trabalhadores, anulando o Sistema Confederativo definido
na Constituição de 1988, e defende explicitamente
a pluralidade sindical e a Convenção 87 da OIT.
Segundo a Portaria, o colegiado, de composição tripartite,
vai funcionar sob a coordenação do ministro da Pasta
e terá a finalidade de natureza consultiva para promover
o entendimento entre trabalhadores, empregadores e Governo Federal,
nos assuntos relativos à competência do Ministério,
prevista no inciso XXI do artigo 27 da Lei 10.683/03 e artigo 1º do
Anexo I do Decreto 5.063/04.
Os representantes dos trabalhadores serão indicados pelas
centrais sindicais que atenderem aos requisitos de representatividade,
conforme disposto no artigo 3º da Lei 11.648/08, que reconhece
formalmente a existência e atuação das centrais.
Já os representantes dos empregadores serão indicados
pelas confederações com cadastro ativo no MTE.
Compete ao Caat opinar, quando provocado pelo ministro do Trabalho
e Emprego ou pela maioria dos seus componentes, quanto aos assuntos
afetos à competência do MTE, especialmente sobre,
elaboração de propostas legislativas concernentes
aos assuntos relacionados a matéria trabalhista; proposições
em discussão no Congresso Nacional com conteúdo relacionado
a matéria trabalhista; diretrizes de políticas públicas,
programas e ações governamentais, no âmbito
das atribuições do MTE; estabelecimento de critérios
para a coleta, organização e divulgação
de dados referentes às atividades do MTE; ações
e procedimentos relacionados à organização
sindical; e outros assuntos que lhe sejam submetidos pelo ministro
do Trabalho.
|
Agência
Brasil, 16 de maio de 2009
Ipea
mostra que economia ainda deixa setor produtivo "apreensivo"
O setor produtivo continua apreensivo em relação à economia
brasileira. É o que mostra o indicador Sensor Econômico
do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), que
registrou no mês de abril 5,74 pontos em abril.
O indicador avalia mensalmente as expectativas do setor produtivo
em quatro categorias: contas nacionais, parâmetros econômicos,
desempenho das empresas e aspecto social.
O indicador varia de -100 a 100. A pesquisa é feita com
115 entidades, que representam 80% do Produto Interno Bruto (PIB).
Essa foi a quarta vez que o Sensor Econômico ficou no limite
da apreensão, caracterizado quando o resultado está no
intervalo entre -20 e 20.
O diretor da divisão de Estudos Setoriais do Ipea, Marcio
Wohlers, disse que, apesar do setor produtivo confirmar o indicativo
de apreensão mais uma vez em abril, é possível
concluir que as entidades vêm mostrando um pouco mais de
confiança na economia, já que, em março, o
indicador ficou menor, em 4,57.
"Há uma percepção de melhoria da situação
econômica em geral. Com relação ao PIB, em
particular, os setores da economia estão fazendo projeções
considerando uma queda", afirmou.
Wohlers disse, ainda, que a melhora do índice em abril
se deu porque as entidades têm a percepção
de que os indicadores da economia não devem piorar nos próximos
meses. Já para o assessor técnico da presidência
do Ipea, Ricardo Amorim, a melhora pode ser explicada pelo fato
de a confiança do setor produtivo na economia estar ligada
a uma compreensão da crise financeira internacional.
"Claramente, os empresários têm percebido que
o crédito não vai ser tão ruim assim, a demanda
não está caindo como eles imaginavam e a margem de
lucro não está caindo como eles acreditavam",
avalia Amorim.
Entre os setores pesquisados, o que tem os piores índices
de confiança é o da agropecuária. O índice
do setor é negativo para três categorias, menos parâmetros
econômicos, que ficou em 32,5 em abril. Nas outras categorias,
o índice foi de 10 pontos negativos (contas nacionais),
2,5 negativos (desempenho das empresas do setor) e 18,8 negativos
(aspectos sociais).
Segundo Amorim, a questão climática afetou as expectativas
do setor. "A agricultura está muito insegura este ano
e, para piorar a situação, foi constatado, no último
questionário, o problema climático. Ela [a agricultura]
vinha numa curva de confiança, mas foi afetada pelo clima".
O setor entidades de trabalhadores é o que tem as melhores
expectativas em relação à maioria das expectativas,
com exceção para aspectos sociais, que apresentou
8,3 pontos negativos. "Eles estão confiantes no desempenho
das empresas. Acreditam que a demanda não vai cair, que
as empresas não devem reduzir a massa salarial", observou
Amorim.
|
O
Estado de São Paulo, 16 de maio de 2009
Países preparam-se para
lançar um “novo PIB”
Após anos de críticas à forma usada para medir o Produto
Interno Bruto (PIB), organismos internacionais devem receber no próximo
mês um relatório com sugestões para mudar os parâmetros
de cálculo do desempenho econômico dos países.
Em época de crise financeira e desaceleração da economia
no mundo, a proposta é elaborar um indicador que, além de somar
a atividade econômica, considere as condições de vida da
população e índices relacionados a sustentabilidade e preservação
de recursos naturais.
"
A crise colocou em xeque muitos conceitos, entre eles o de que crescimento
econômico se traduz em bem-estar", avalia Ricardo Young,
presidente do Instituto Ethos. Uma das ideias de revisão do
PIB está em andamento desde meados do ano passado. O presidente
da França, Nicolas Sarkozy, encomendou a um grupo de 27 renomados
especialistas, entre eles os ganhadores do prêmio Nobel de
Economia Joseph Stiglitz (2001) e Amartya Sen (1998), uma reforma
da métrica.
Matemáticos, estatísticos, economistas ambientais
e estudiosos da pobreza reforçam o time, que ficou conhecido
como Comissão Stiglitz-Sen. A comissão trabalha em
três frentes. Uma delas busca atualizar o PIB padrão,
de modo que a medida se torne mais abrangente e mais relevante
para os formuladores de políticas públicas. Outra
tenta incorporar novas medidas de sustentabilidade ambiental aos
dados e, assim, mensurar o impacto da economia sobre os ecossistemas.
Por último, o grupo trabalha na criação de
novos indicadores para avaliar qualidade de vida e bem-estar. As
críticas ao PIB remontam à década de 1960
e, pela primeira vez desde o pós-guerra, ganha força
a proposta de medir o progresso econômico em novas bases.
O relatório que está sendo preparado deve ser entregue à Organização
das Nações Unidas (ONU) e outros organismos internacionais,
como a Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Banco Mundial e Fundo
Monetário Internacional (FMI).
Movimento anti-PIB
"Vai ser uma nova forma de fazer a contabilidade das nações,
que permitirá que os resultados do desempenho econômico
sejam medidos de uma maneira melhor que a atual. O PIB que conhecemos é precário",
afirma José Eli da Veiga, professor da Faculdade de Economia
e Administração da Universidade de São Paulo
(FEA-USP) e autor do livro Desenvolvimento Sustentável -
O Desafio do Século XXI. As críticas ao PIB como
medida do crescimento econômico existem desde que ele passou
a ser amplamente utilizado pelos países, no Pós-Guerra.
Um de seus formuladores, o economista Simon Kuznets, chegou a
admitir as limitações da métrica na década
de 1970. Em 2004, um encontro internacional de estatísticos
organizado pela OCDE lançou as bases para que o movimento
anti-PIB, hoje conhecido como Beyound GDP (Além do PIB,
em inglês) se disseminasse pelo mundo e culminasse no pedido
de Sarkozy aos economistas. "A discussão é irreversível
e palpável porque é preciso encontrar instrumentos
mais eficientes para medir o progresso e o nível de bem-estar
dos países, que levem em consideração temas
urgentes como saúde, pobreza, mudanças climáticas
e a dilapidação dos recursos naturais", avalia
Young, do Instituto Ethos.
A economista americana Hazel Henderson levantou críticas
ao modelo do PIB há pelo menos 20 anos. Segundo ela, o critério
da riqueza per capita disfarça as desigualdades vigentes — pois
a métrica do PIB apenas soma o resultado da atividade econômica
sem levar em conta as chamadas externalidades — os custos
social e ambiental envolvidos na produção da riqueza
por um país.
Novos parâmetros
Um exemplo claro do que fala Henderson é o caso das grandes
catástrofes e desastres ambientais: hoje, eles acabam sendo
positivos para o crescimento do PIB, porque a reconstrução
das regiões afetadas por tais eventos extremos movimenta
o setor de serviços e, consequentemente, gera empregos.
Outro exemplo é a natureza do negócio. Uma mineradora
pode contribuir para o PIB com a extração de minério,
mesmo às custas da degradação dos recursos
naturais, o que pode comprometer para sempre uma cidade e as pessoas
que vivem ali. Além disso, o PIB só contabiliza o
fluxo de mercadorias, e não os estoques de bens já produzidos.
Além da França, o Reino Unido também reforçou
o coro sobre a necessidade de uma nova métrica. No entanto,
ainda deve levar algum tempo para que esses novos parâmetros
sejam assimilados e adotados como padrão. "É muito
difícil prever. A ONU terá de assumir a elaboração
dos indicadores. A expectativa é de que o relatório
da Comissão Stiglitz-Sen desencadeie um processo nas organizações
internacionais", explica Veiga.
A informação é da Agência
Estado
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Gazeta
do Povo, 16 de maio de 2009
Legislativo
Deputados podem ter verba de
R$ 30 mil
Valor é a soma de salário,
despesa indenizatória e demais benefícios a que os
parlamentares têm direito
A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados vai se reunir na
próxima segunda-feira para discutir a unificação
das verbas parlamentares, que propõe uma cota de R$ 25 mil
a R$ 30 mil para deputados. O valor é a soma de salário,
verba indenizatória e demais benefícios a que os
deputados têm direito. Segundo fontes, a ideia foi proposta
em reunião quinta-feira à noite, pela comissão
criada após o escândalo da farra das passagens. O
presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), esteve presente, mas
ainda não “bateu o martelo” sobre a proposta
que será levada para análise de outros líderes
partidários.
Atualmente, além do salário de R$ 16,5 mil, os deputados
contam com a verba indenizatória de R$ 15 mil, as cotas
postais e telefônicas de R$ 4,2 mil e a passagens aéreas
de acordo com seus respectivos estados. Com a cota única,
a verba pode superar, inclusive, o salário dos ministros
do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje de R$ 24.500. Os deputados
também têm direito a R$ 60 mil para despesas com contratações
de funcionários, a chamada verba de gabinete.
O grupo foi criado no dia 29 de abril para apresentar sugestões
de reforma administrativa para disciplinar pagamentos aos quais
os deputados têm direito como verba indenizatória,
cotas de correio, telefônica e de impressos e o auxílio-moradia.
No mês passado, vários deputados e senadores foram
alvo das denúncias desde o início do mês. O
caso mais comum é o do parlamentar que dá sua cota
de passagem a parentes e amigos. A Câmara encerrou a discussão
sobre a ‘farra das passagens’, com um ato administrativo
que tornou as regras mais rígidas.
Detalhes
A comissão é coordenada pelo primeiro-secretário
da Casa, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), que, segundo a sua assessoria,
só dará mais detalhes sobre o projeto após
a sua aprovação. Além de Guerra, compõem
a comissão os deputados Marco Maia (PT-RS), Antônio
Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), Inocêncio Oliveira
(PR-PE), Odair Cunha (PT-MG) e Nelson Marquezelli (PTB-SP) e pelos
servidores Sérgio Sampaio, Rômulo de Souza Mesquita,
Evandro Lopes Costa e Marcos Vasconcellos.
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Consultor
Jurídico, 16 de maio de 2009
Contribuição ao INSS
TRF-2 condena sindicalista por
sonegação
A 1ª Turma Especializada
do Tribunal Regional Federal da 2ª Região condenou, de
forma unânime, o ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores
em Transporte Rodoviário do Estado do Espírito Santo
(Sindirodoviários), Francisco Forrechi, por sonegação
de contribuição previdenciária. O réu
deverá prestar três anos e nove meses de serviços à comunidade
e pagar 33 salários mínimos de multa.
Forrechi é acusado de não efetuar a escrituração
contábil da entidade, além de omitir segurados e
suas remunerações das informações prestadas
ao INSS, nos períodos de janeiro de 2001 a julho de 2003
e de outubro a dezembro de 2003.
A decisão do tribunal se deu em resposta à apelação
criminal apresentada pelo Ministério Público Federal,
que também pretendia a condenação, pelo mesmo
crime, do sucessor de Forrechi, o também ex-presidente do
Sindirodoviários, Edson da Fonseca Bastos. Segundo o MPF,
haveria provas de que Bastos, “com o fim de suprimir contribuição
previdenciária, utilizou-se de manobra fraudulenta com intenção
de prejudicar o fisco entre março de 2004 e maio de 2005”.
Francisco Forrechi apelou ao TRF-2, pleiteando a reforma da sentença
proferida pelo juízo da 2ª Vara Federal Criminal de
Vitória (ES) que o condenou, sob a alegação
de que não haveria provas suficientes para a punição.
Após a análise do Processo Administrativo Criminal,
o relator do caso no TRF-2, desembargador Marcello Granado, entendeu
estar devidamente comprovada a materialidade e a autoria do crime
de sonegação de contribuição previdenciária.
Para Granado, a fragilidade da tese defensiva de Forrechi se evidencia
com a simples análise dos recibos que constam no processo. “De
fato, comparando a relação dos membros da diretoria
do sindicato com os mencionados recibos, vê-se que, das cerca
de 60 quitações, apenas seis se referem a reembolsos
de diretores”, ressaltou.
Já Edson Bastos, em sua defesa, alegou que, ao assumir
o Sindirodoviários, “deparou-se com uma entidade esfacelada,
resultado de um desgastante processo envolvendo a diretoria anterior”.
Ainda segundo o sindicalista, “houve extravio de documentação
contábil, retirada das memórias dos computadores,
destruição de arquivos, e que sequer havia móveis
na sede sindical”, disse. Após analisar os autos,
o desembargador entendeu que “cotejando os elementos de convicção
produzidos, observa-se que a tese defensiva de Bastos é extremamente
plausível, posto que, diante do verdadeiro caos que assolou
o sindicato, fruto da administração anterior, há dúvida
razoável no sentido de que a apresentação
de livros contábeis ao fisco no momento oportuno restou
inviabilizada por circunstâncias alheias à vontade
do apelado”, explicou. Com informações da assessoria
de imprensa do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
2006.50.01.009229-6
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Folha de S.Paulo, 15 de maio
de 2009
INDÚSTRIA
Setor abre 19 mil vagas em abril, e Fiesp
diz que o pior já passou
YGOR SALLES
DA FOLHA ONLINE
A indústria de transformação
do Estado de São Paulo abriu 19 mil vagas em abril e encerrou
o mês com avanço de 0,8% no nível de emprego
ante março, nos dados sem ajuste sazonal, segundo levantamento
da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo). Trata-se do segundo mês de alta nessa
base de comparação.
Apesar da criação de postos de trabalho, o índice de emprego
com ajuste sazonal, que elimina características específicas de
cada período, teve no mês passado a sua sétima queda seguida,
de 1,09%. Em relação a abril de 2008, a queda no nível
de emprego foi de 6,76%.
Na avaliação da Fiesp, porém, o ritmo de retração
nessa comparação já se amenizou.
Para o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp,
Paulo Francini, a indústria deve interromper a tendência já a
partir de maio. "No mês passado já tínhamos visto
uma atenuação da perda [de vagas]. Abril nos deu a mesma impressão",
disse Francini. "A força maior [de queda] já passou, e agora,
se tiver mais alguma baixa, será residual. Pode até cair de novo
em maio, mas acreditamos em estabilidade."
Em abril, dos 22 setores analisados, cinco mais contrataram do que demitiram.
O que mais abriu vagas foi o de fabricação de coque, produtos
derivados de petróleo e biocombustíveis (15 %). A maior queda
foi no segmento de produtos de madeira (-4,3%).
O Sensor Fiesp, que mede expectativas futuras de empresários, foi otimista,
a 53,2 pontos, na primeira quinzena de maio.
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FOLHA DE LONDRINA,
15 de maio de 2009 | Economia
Economia informal cresce em meio à crise,
aponta estudo
Setor não necessita de crédito
para continuar o seu movimento
Rio de Janeiro- A chamada economia ''subterrânea'' - produção
de bens e serviços não reportada ao governo -, que mede o mercado
informal e os movimentos ilegais entre os formais, cresceu ainda mais durante
os primeiros impactos da crise econômica no país, no último
trimestre do ano passado.
Naquele período,
essa economia teve expansão de 13,6% dentro do Produto Interno
Bruto (PIB), impulsionada pela falta de crédito no mercado
formal, que pode ter levado as empresas a recorrerem a atividades
não-declaradas ao governo.
Nos três trimestres
anteriores, a expansão da economia subterrânea dentro
da economia total não havia sido superior a dois dígitos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco),
a economia formal representa de 20% a 30% do PIB. O levantamento
da FGV não detalha valores dessas participações.
''A gente percebe é que
a parada de crédito deu uma pancada muito forte na economia
formal, mas os dados não mostram a economia subterrânea
sendo afetado por ela. É até natural, visto que,
como é subterrânea, não necessita do crédito
para continuar o seu movimento'', afirmou o pesquisador Fernando
de Holanda Barbosa, do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia),
da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
De dezembro de 2007 a dezembro
de 2008, a economia subterrânea teve expansão de 27,1%
no PIB, a maior da série iniciada em 2003. Esse movimento
foi influenciado também pelo aumento da atividade econômica
durante boa parte do ano passado, que acabou impulsionando a economia
ilegal.
''As economias crescem
em paralelo, uma alimenta a outra. Renda gerada na economia subterrânea é gasto
na economia formal, e renda gerada na economia formal também é gasto
na economia subterrânea'', explicou.
Outros fatores, no entanto,
também determinam o índice da FGV, como o nível
da carga tributária do país, a percepção
da corrupção junto a empresários e o nível
das exportações, que segundo Barbosa, é um
bom medidor das irregularidades, pela grande burocratização.
''As variáveis todas
combinadas, com exceção da exportação,
implicaram nesse aumento. O nível de atividade contribuiu
porque o desemprego estava caindo e a carga tributária mais
uma vez foi o fator com maior contribuição. E a corrupção
também'', observou.
Os dados da pesquisa mostram
que até setembro, o nível de atividade econômica
era o principal fator que impulsionava a economia subterrânea.
Depois da crise, a influência da carga tributária
levou mais gente ao campo da economia ilegal.
''Isso é um sintoma
de que alguma coisa está estranha com a economia brasileira.
Deve ter alguma coisa empurrando as empresas para a economia subterrânea,
ao invés de ir para a formal. A principal variável
que a gente vê é a carga tributária, ela explica
grande parte desse aumento'', comentou Barbosa.
Cirilo Junior
Folhapress
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Gazeta Mercantil, 15
de maio de 2009
Trabalho terceirizado será regulamentado
em um mês, diz Mabel
A alteração do texto agradou CNI, que defendia a alteração
do projeto. Segundo pesquisa da entidade realizada entre 1.443 empresas sobre
terceirização, 54% delas utilizam serviços de terceiros.
Relator do PL 4.302/98 garante que projeto poderá ser votado dentro
de um mês
O deputado federal Sandro
Mabel (PR/GO) garantiu, nesta quarta-feira (14), que o Projeto
de Lei 4.302, que disciplina o trabalho terceirizado no Brasil,
será aprovado dentro de um mês. Segundo Mabel, será retirada
do texto a obrigatoriedade da responsabilidade solidária,
mecanismo que permite ao empregado acionar a empresa contratada
e a contratante em caso de reclamações trabalhistas.
A alteração
do texto agradou à Confederação Nacional da
Indústria (CNI), que defendia a alteração
do projeto. Segundo pesquisa da entidade realizada junto a 1.443
empresas sobre terceirização, 54% delas utilizam
serviços de terceiros.
Regulação
de terceirizados sai em um mês
Dentro de um mês estará aprovado o projeto de Lei que disciplina
o trabalho terceirizado no Brasil. A garantia é do deputado federal
Sandro Mabel (PR/GO), relator do texto que trata do tema durante tramitação
na Comissão de Trabalho da Câmara.
Trata-se do Projeto de
Lei 4.302, o qual circula pelo Congresso desde 1998. O texto segue
para o trâmite final. Mabel garantiu que será possível
retirar do texto a obrigação da responsabilidade
solidária, na qual em caso de reclamações
trabalhistas, o empregado escolhe acionar a contratada ou a empresa
contratante do serviço, indistintamente.
Isso afasta um temor da
Confederação Nacional da Indústria (CNI),
que alega que a responsabilidade solidária inviabilizaria
a terceirização. Segundo Mabel, ficará valendo
o critério da responsabilidade subsidiária, pelo
qual o emprego aciona em conjunto a contratada e a contratante,
mas com a execução iniciando pela empresa contratada
(com que efetivamente o trabalhador mantinha vínculo).
MTE:
sem proposta
Mabel lamenta que o trâmite do PL 4.302 tenha avançado sem que
tenha havido paralelo avanço sobre outra proposta de regulamentação
do trabalho terceirizado que começou a ser elaborada no ano passado
sob coordenação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Em novembro passado, minuta
do texto foi apresentada e recebeu 102 mensagens com sugestões
de mudanças e de inclusões na redação.
Na quarta o MTE foi consultado sobre o assunto pela Gazeta Mercantil,
mas informou apenas que o texto está em trâmite interno
e que não há prazo para que seja encaminhado à Presidência
da República, de onde partiria para o Congresso como proposta
do Executivo.
Embora admitindo que os
conceitos propostos pelo MTE eram mais avançados, Mabel
disse que não há mais tempo para a terceirização
ficar sem marco regulatório. Se a proposta do Executivo
não chegar, a ideia é aprovar o texto que já está pronto,
mas estabelecendo a mudança de critério da responsabilidade
solidária pela responsabilidade subsidiária.
Ontem a CNI apresentou
pesquisa realizada com 1.443 empresas sobre a utilização
de serviços terceirizados pela indústria brasileira,
com consultas realizadas entre 30 de setembro e 20 de outubro do
ano passado.
Serviços
terceirizados
O estudo mostra que 54% das empresas industriais utilizam serviços terceirizados.
Segundo Emerson Casali, gerente-executivo da Confederação, 14%
do total dos trabalhadores da indústria são terceirizados.
Ele afirmou que o sistema
não é mais difundido por conta da insegurança
jurídica, uma vez que o marco referencial mais forte é a
Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), de 1995.
O estudo mostra que 91% das empresas buscaram a terceirização
para reduzir custos, embora 58% dos consultados tenham respondido
que encontraram qualidade menor que a esperada.
Segundo a CNI, o "vácuo
legal" permite interpretações divergentes sobre
o trabalho terceirizado na Justiça, o que inibe o acesso
a esse método de contratação de serviços.
A CNI alega que a falta de regulamentação gera efeitos
como a redução da competitividade das empresas e
inibem a oferta de emprego.
O diretor técnico
do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), Clemente Ganz Lúcio, avalia que atualmente trabalho
terceirizado é sinônimo de trabalho precário
e que a regulamentação do segmento ajudaria a melhorar
essa condição.
"O que temos é um
escândalo, com a terceirização sendo usada
como intermediação de mão-de-obra", disse
Lúcio. Ele defende que uma regulação é importante
para dar segurança jurídica não apenas para
as empresas, mas para os trabalhadores.
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