| |
|
|
|
|
|
Reconhecido
em 21/08/1968
|
|
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
O ESTADO DO PARANÁ,
30 de junho de 2009 | Economia
Indústria paranaense ainda
sofre com a crise
Helio Miguel
A indústria paranaense sofreu, em maio, mais uma queda nas exportações,
na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os números
do mês, ante o quinto mês de 2008, demonstram uma diminuição
de 40,36% nas vendas para o exterior, com negócios que totalizaram US$
1,115 bilhão.
Na comparação
com abril, também houve queda, de 0,52%. No ano, as exportações
somam US$ 4,436 bilhões, mas já caíram 27,29%
em relação aos cinco primeiros meses do ano passado.
Os números foram
divulgados ontem, pelo Departamento Econômico da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), e fazem
parte do seu relatório mensal sobre o comércio exterior
do Estado.
De acordo com a entidade,
o prejuízo para o exportador paranaense só não
foi maior porque houve uma depreciação do real em
relação ao dólar, no período. Considerando
o câmbio médio divulgado pelo Banco Central, a Fiep
informou que, entre janeiro e maio de 2009, a receita do exportador
caiu 6,26%.
“Diferentemente do
tempo em que a paridade das moedas apresentava o real fortemente
apreciado, os efeitos da contração do comércio
internacional incidem também em dimensões distintas”,
afirmou o coordenador do Departamento Econômico da Fiep,
Maurílio Schmitt, através de comunicado à imprensa.
De acordo com a Fiep,
o montante de exportações da indústria paranaense é de
US$ 1,127 bilhão por mês, considerando-se a média
dos últimos 12 meses. O chamado complexo soja continua liderando
as exportações do Estado, com 34,11% das vendas da
indústria.
Os produtos, porém,
tiveram uma redução de 20,22% nas vendas ao exterior,
nos cinco primeiros meses de 2009, ante o mesmo período
do ano passado. As carnes, com 14,10% de participação,
e os materiais de transportes, com 12,19% de participação,
ocupam as duas posições seguintes.
O relatório
da Fiep também apontou que as importações
feitas pela indústria do Estado também caíram
no ano. Na comparação com os cinco primeiros meses
de 2008, as compras reduziram em 40,81%, somando US$ 3,088 bilhões.
Em maio, ante o mesmo mês do ano passado, a redução
foi de 63,12%, com as compras totalizando US$ 678 milhões.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
30 de junho de 2009 | Economia
Miguel Jorge: é difícil
vigiar contrapartida de emprego
Agência Estado
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Miguel Jorge, admitiu hoje ser "praticamente impossível" o
governo exigir e fiscalizar as indústrias que recebem benefícios
em relação à manutenção dos empregos. De
acordo com ele, os únicos setores em que o governo consegue ter essa
contrapartida garantida são o de motos produzidas em Manaus e o da indústria
automobilística. "Só temos contrapartida dos que já tinham
feito anteriormente. Dos outros setores é difícil fazer o controle",
afirmou, após a cerimônia de anúncio de medidas para a
recuperação da economia, afetada pela crise financeira internacional,
e praticamente todas as medidas embasadas na renúncia fiscal.
Na avaliação
de Miguel Jorge, a contrapartida no caso da linha branca deve ser
natural, já que se espera o aumento das vendas de eletrodomésticos.
Ele citou como exemplo o caso de lavadoras de roupas, cujo incremento
foi de 30% em maio na comparação com o mês
anterior. "A expectativa é de que essas empresas não
só mantenham os empregos em suas unidades, como contratem
mais empregados para subir a demanda", disse.
Logo após
o anúncio das novas desonerações, o ministro
Miguel Jorge já adiantou que outras ações
já estão em estudo pelo governo. "Eu, pessoalmente,
defendo mais medidas, mas não posso adiantá-las",
desconversou. De acordo com ele, até agora o mercado tem
mostrado que tem publico para receber as ações
adotadas pelo governo.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
30 de junho de 2009 | Política
PT e PP discutem as bases da aliança
no Estado
Elizabete Castro
A direção estadual do PP propôs à direção
estadual do PT a indicação de um candidato ao Senado e a realização
de coligação para a disputa à Câmara dos Deputados
e Assembléia Legislativa. Estas foram as condições apresentadas
pelo presidente estadual do PP, Ricardo Barros, para o partido se aliar ao
PT nas eleições do próximo ano.
Barros e deputados estaduais
e federais do PP se reuniram ontem, 29, com a presidente estadual
do PT, Gleisi Hoffmann, e outras lideranças do partido.
A conversa foi sobre as possibilidades de um acordo para 2010,
já que o PP faz parte do grupo de partidos que apoiam o
governo Lula.
No encontro, os petistas
apresentaram seu projeto de juntar todos os aliados no palanque
de um mesmo candidato ao governo. A direção do partido
sugeriu que trabalha com a expectativa de ter o senador Osmar Dias
(PDT) encabeçando a aliança ao governo do Paraná e
em torno da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência
da República.
Barros disse que não
esperava uma resposta imediata dos petistas às propostas
do PP. “As reivindicações são essas
e vamos ver como eles conseguem atender”, disse. Mas Gleisi
e as lideranças petistas já apontaram algumas dificuldades
para atender a todas as exigências do aliado.
A coligação
proporcional enfrenta resistências e quanto à cessão
da vaga ao Senado, uma das duas poderá estar reservada para
a presidente estadual do partido, já que o presidente Lula
definiu como prioridade eleger aliados ao Senado, onde seu governo
se ressente de falta de apoio. Além disso, a outra vaga
também tem que estar à disposição para
compor com outros partidos.
“Sobre a coligação
na proporcional, nós ponderamos com o PP que a densidade
eleitoral dos parlamentares do PT é menor do que a deles”,
relatou o deputado Elton Welter, que participou da conversa.
Só o começo
Barros acha que para uma
primeira conversa, o ritmo foi bom. O presidente estadual do PP é o
nome indicado pelo partido para concorrer ao Senado. Barros lembrou
que se o Senado é uma prioridade para Lula, a eleição
de Dilma Rousseff também é.
“Além disso,
seria falta de visão considerar que só o PT vai ajudar
a garantir a governabilidade. O Lula sabe que o PT precisa de um
conjunto de aliados para garantir a governabilidade. O PT sozinho
não dá conta”, afirmou.
Sobre a coligação
proporcional, o presidente do PP disse que é preciso aguardar
as próximas conversas que o PT terá com outros
aliados. Entre eles o PMDB, o PR, PSC, PSB, PTB e PCdoB. O encontro
com o PCdoB deverá ser marcado ainda esta semana.
|
AGÊNCIA DIAP,
30 de junho de 2009
Demissão imotivada: mensagem
presidencial será examinada pelo Trabalho
Agência DIAP
Com decisão da Mesa, agora Mensagem Presidencial será transformada
em projeto de decreto legislativo da Câmara (PDC), que será, inicialmente,
examinado pela Comissão de Trabalho da Câmara
A Mesa Diretora da Câmara indeferiu (rejeitou) o requerimento do deputado
Júlio Delgado (PSB/MG) para arquivar a Mensagem Presidencial 59/08,
que ratifica a Convenção 158, da OIT, que trata da demissão
imotivada.
Delgado foi relator da matéria na Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional, que aprovou o parecer contrário à Mensagem
do Governo.
Com a rejeição
da mensagem, Delgado pediu o arquivamento da proposta na Câmara.
O DIAP questionou este
encaminhamento, pois apenas duas comissões na Câmara
podem, pelo regimento interna da Casa, arquivar proposições
caso sejam rejeitadas - a de Constituição, Justiça
e Cidadania; e a de Finanças e Tributação.
Prevaleceu a tese do DIAP.
Ademais, é preciso
esclarecer que mensagem presidencial não pode ser arquivada
nas comissões temáticas.
Independente do resultado,
a mensagem precisa concluir toda tramitação até ser
votada no plenário. Só o plenário - da Câmara
ou do Senado - pode arquivá-la, se for rejeitada.
Próximos
passos
Com a decisão da Mesa, agora a Mensagem Presidencial será transformada
em projeto de decreto legislativo da Câmara (PDC), que será, inicialmente,
examinado pela Comissão de Trabalho.
E depois, pela Comissão
de Constituição e Justiça.
A matéria aguarda
designação de relator na Comissão de Trabalho.
Pressão
sindical
Mas se não houver pressão do movimento sindical, pouco efeito
terá a decisão da Mesa.
É preciso que as
entidades pressionem o presidente da Comissão de Trabalho,
deputado Sabino Castelo Branco (PTB/AM) para que a matéria
seja distribuída para um parlamentar favorável à proposta,
a fim de que produza um parecer favorável e imediatamente
paute o projeto para votação no colegiado.
O movimento sindical perdeu
a primeira batalha, pois a mensagem foi derrotada na primeira comissão
da Câmara, mas venceu a segunda, ao não permitir o
arquivamento da iniciativa do Executivo.
Porém, é preciso
continuar o movimento; do contrário, a tendência é que
Castelo Branco não distribua rapidamente o projeto antes
de encerrar o primeiro semestre.
Pauta
trabalhista
A Convenção 158 faz parte da "Pauta trabalhista", que
as centrais sindicais apresentaram em maio ao presidente da Câmara, Michel
Temer (PMDB/SP).
Além da demissão
imotivada, faz parta da pauta a redução da jornada
de trabalho (PEC 231/95); fator previdenciário (PL 3.299/08);
salário mínimo (PL 1/07); trabalho escravo (PEC
438/01); Convenção 151 (PCD 795/08); e terceirização
(PL 4.302/08) mensagem 389/03, que pede o arquivamento do projeto.
|
GAZETA DO POVO, 30
de junho de 2009 | Vida Pública
INSS
Câmara volta a discutir o fim
do fator previdenciário
Extinção do cálculo
que retarda a aposentadoria e a equiparação da correção
dos benefícios ao mesmo reajuste do mínimo podem ir à votação
nesta semana
Publicado em 30/06/2009 | Caroline Olinda
Os projetos que preveem o fim do fator previdenciário e a concessão
do mesmo porcentual de reajuste dado ao salário mínimo para aposentadorias
acima do piso podem entrar na pauta de votação da Câmara
Federal desta semana. Os líderes da Casa se reúnem hoje para
discutir a votação das propostas.
O senador Paulo Paim (PT-RS),
autor dos dois projetos, se reúne nesta terça-feira
com o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana
(PT-RS), para tratar do assunto. Na semana passada, o presidente
da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou a Paim que desejava
colocar as propostas na pauta de votação o quanto
antes.
O Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas começou em junho
um movimento para pressionar os deputados a aprovarem os projetos. Eles pretendem
apresentar até o fim deste ano 1 milhão de ações
judiciais para contestar a legalidade do fator previdenciário e buscar
a recuperação do poder de compra das aposentadorias. Só em
São Paulo, o sindicato apresentou 1,5 mil ações contra
o fator, em um mês. Agora, os representantes dos aposentados se organizam
para apresentar processos contra a desvalorização dos benefícios.
O aumento dado às
aposentadorias nos últimos anos não seguiu o do salário
mínimo, que tem recebido reajustes acima da inflação.
A proposta que iguala o
aumento das aposentadoria ao do mínimo é uma emenda
ao Projeto de Lei 01/07, que cria uma política de reajustes
para o piso salarial brasileiro. O projeto garante que todo aumento
concedido ao salário mínimo seja estendido a todos
benefícios da Previdência Social. Foi aprovado pelos
senadores no começo do ano passado sob os protestos do Palácio
do Planalto, que argumenta que a Previdência não teria
capacidade para conceder os mesmos reajustes.
A mesma argumentação é apresentada
pelo governo contra o projeto que acaba com o fator previdenciário,
também aprovado no Senado em 2008. As negociações
para a aprovação da proposta só avançaram
depois da apresentação de um novo texto, de autoria
do deputado Pepe Vargas (PT-RS), que cria a fórmula 85/95.
Pela nova proposta, o fator previdenciário seria extinto
sempre que a soma da idade do beneficiário com o tempo de
contribuição dele chegasse a 85 pontos (no caso das
mulheres) ou a 95 pontos (homens). Nesses casos, o cidadão
receberia a aposentadoria integral, mesmo que não tivesse
atingido 60 anos (para mulheres) ou 65 (para os homens).
No projeto original,
o fator é extinto e o benefício volta a ser calculado
de acordo com a média aritmética simples, até o
máximo dos últimos 36 salários de contribuição,
apurados em período não superior a 48 meses. Essa
era a fórmula utilizada antes da criação
do fator previdenciário, no governo Fernando Henrique
Cardoso.
|
29/06/2009
Embraer e sindicatos não
chegam a acordo sobre demissões
Terminou sem acordo a tentativa
de conciliação entre a Empresa Brasileira de Aeronáutica
S.A. (Embraer) e os sindicatos que representam as categorias de
metalúrgicos e de trabalhadores nas indústrias de
construção de aeronaves no Tribunal Superior do Trabalho.
A reunião foi convocada pelo ministro Maurício Godinho
Delgado, relator do recurso da Embraer contra decisão do
Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP),
no dissídio coletivo relativo à demissão de
4.200 empregados da empresa, em fevereiro deste ano.
Vários aspectos
do problema foram apresentados na reunião. O relator sugeriu,
em vez da demissão, a readmissão de parte dos demitidos
e a suspensão dos contratos de trabalho com base no artigo
476-A da CLT, que permite a medida por um período de dois
a cinco meses, para participação do empregado em
curso ou programa de qualificação profissional oferecido
pelo empregador. Discutiu, também, a possibilidade de criação
de um plano de demissões voluntárias (PDV) que contemplasse
os demitidos em bases financeiras mais vantajosas. Finalmente,
formalizou proposta que partia da decisão do TRT/Campinas
e a ampliava para garantir aos demitidos indenização
equivalente a quatro vezes o valor do aviso prévio, limitada
ao teto de R$ 14 mil.
Os trabalhadores se dispuseram
a levar as propostas às assembléias da categoria,
desde que houvesse sinalização positiva da empresa.
Todas as propostas foram rejeitadas pela Embraer, que afirmou não
ter condições de fazer mais concessões além
das já feitas nas negociações no TRT/Campinas.
O ministro Maurício
Godinho afirmou sua intenção de levar o processo
a julgamento na primeira sessão da SDC no segundo semestre,
marcada para o dia 10 de agosto, e explicou que a proposta que
apresentou visava exclusivamente à conciliação,
e não tinha nada a ver com o voto que ainda vai elaborar
para o julgamento. “Trata-se de matéria nova para
a SDC, e, portanto, é um mistério qual será o
resultado do julgamento”, observou o relator. “Por
isso, é mais fácil que as partes negociem e que a
empresa lide com um resultado previsível, ainda que com
algum custo financeiro.” O ministro insistiu para que as
partes tentem chegar a uma solução negociada para
as demissões antes do julgamento, e pôs-se à disposição
para homologar o acordo, caso as partes consigam obtê-lo.
Entenda o caso
No dia 19 de fevereiro,
a Embraer anunciou a demissão de 4.200 trabalhadores. Os
sindicatos instauraram dissídio coletivo no TRT/Campinas,
que, liminarmente, suspendeu as demissões até a data
da primeira audiência de conciliação, dia 5
de março. Após várias tentativas de conciliação
fracassadas, a Seção de Dissídios Coletivos
do TRT/Campinas, embora não tenha determinado a reintegração
dos demitidos, estendeu o prazo fixado na liminar, obrigando a
Embraer a pagar salários desde a data da demissão
(19/02) até 13/03, dia da última tentativa de conciliação,
como se os contratos ainda estivessem em vigor.
Em 13 de abril, o presidente
do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Milton de Moura França,
concedeu efeito suspensivo da decisão regional, pedido pela
Embraer, com relação à prorrogação
dos contratos de trabalho até o dia 13 de março.
Os efeitos da decisão ficaram, portanto, suspensos até que
o TST julgue o mérito do recurso ordinário em dissídio
coletivo – cujo relator é o ministro Maurício
Godinho Delgado. ( ES-207660/2009-000-00-00.7 )
(Carmem Feijó)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
29 de junho de 2009 | Economia
Países já gastaram 5%
do PIB para enfrentar crise
Agência Estado
O mundo já gastou 5% do seu PIB para enfrentar a pior crise nos últimos
60 anos. Mas as autoridades alertam: os pacotes de recuperação
não estão dando resultados esperados, não se sabe quando
a recuperação ocorrerá e governos estão sendo lentos
na reforma do sistema bancário. Nove meses depois da eclosão
da crise, os mesmos reguladores que deveriam ter fiscalizado o mercado continuam
perplexos e reconhecem que não entendem como é que o sistema
financeiro que "parecia perfeito" entrou em colapso.
Esses são alguns
dos resultados do relatório anual do Banco de Compensações
Internacionais (BIS), que amanhã conclui sua assembleia
anual com todos os BCs do mundo, apelando para que o trabalho de
corrigir as falhas no sistema seja acelerado. O BIS quer que governos
e bancos centrais deem sinais claros de que estão comprometidos
com essa reforma. Seu recado é claro: os pacotes de resgate
estão mal elaborados, incrementam os riscos, os governos
estão demorando para limpar os bancos e não existe
ainda uma estratégia de saída.
A mensagem do BIS é de
que nada adianta trilhões de dólares para manter
a economia em funcionamento se o sistema financeiro não
for reformado. "A habilidade dos pacotes de gerar uma recuperação
sustentável é ainda uma questão aberta",
diz o BIS. "As ações políticas tem
sido insuficientes em restaurar a saúde do sistema bancário",
alerta.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
29 de junho de 2009 | Economia
Crise econômica afeta os mais
ricos e classe C já reage
Agência Estado
A crise econômica global atingiu em cheio o bolso dos brasileiros mais
ricos. De janeiro a abril deste ano, a renda média (individual) das
pessoas das classes A e B nas seis principais regiões metropolitanas
caiu 8,7% em termos reais (descontada a inflação), ante igual
período de 2008, de R$ 2.637 para R$ 2.407. Em 2008, a renda das classes
A e B já havia caído 7,01% ante 2007. Na visão do economista
Marcelo Neri, que calculou esses números, a queda em 2008 deve ter sido
influenciada pelos meses após a crise global, iniciada em setembro do
ano passado.
A boa notícia,
nesse levantamento feito por Neri, que chefia o Centro de Política
Social (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que
a classe C, muito atingida em janeiro, se recuperou. Um estudo
anterior de Neri mostrava que, apenas em janeiro, a classe C tinha
perdido para as classes D e E 11% de todo o seu crescimento em
tamanho no governo Lula.
Os novos números
fazem parte de um estudo de natureza diferente, que revela o salário
médio por classe, e não o tamanho de cada uma. O
cálculo do novo estudo também toma por base a Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) nas regiões metropolitanas de São
Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e
Recife.
O trabalho mostra
que a renda média das pessoas de classe C cresceu 3,9%
de janeiro a abril deste ano, comparada com os mesmos meses de
2008, subindo de R$ 625 para R$ 649. Em 2008, já havia
aumentado 6,12%. Coerentemente com esse resultado, a classe C
já representava, na última semana de abril, 53,6%
da população das seis regiões metropolitanas,
após ter caído de 53,81% para 52,64% apenas em
janeiro.As classes A e B correspondiam a 13,3% da população
metropolitana na última semana de abril.
|
O GLOBO, 29 de junho
de 2009 | Economia
Governo anuncia novas medidas de estímulo
hoje
BRASÍLIA - O governo vai aproveitar o evento marcado para hoje com os
setores de bens de capital (indústria de máquinas e equipamentos
e a de bens de capital para infraestrutura) para confirmar a prorrogação
da desoneração do IPI para automóveis, produtos da linha
branca e construção civil, cuja desoneração terminaria
em 30 de junho.
O Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) incidente sobre os carros será mantido
no patamar atual por mais três meses. Em outubro, a alíquota
será elevada gradativamente até dezembro. O impacto
para o governo será de cerca de R$ 2 bilhões no segundo
semestre, no que se refere aos carros. O governo também
anunciará a prorrogação por três meses
da menor tributação para a linha branca e itens ligados à construção
civil.
A Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) e a
Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias
de Base (Abdib) estão confirmadas no evento marcado para às
11h30 de hoje, descrito na agenda do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva como " cerimônia de anúncio de
medidas de estímulo à economia " . Para estes
setores, as medidas são concentradas na redução
das taxas de juros e no aumento dos prazo para financiamentos.
As presenças dos
representantes das montadoras (Jackson Schneider, presidente da
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos-Anfavea),
linha branca (Lourival Kiçula, presidente da Associação
Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos-Eletros)
e construção civil (Melvyn Fox, presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção-Abramat)
são esperadas, mas não foram confirmadas.
(Valor Econômico)
|
O Outro Lado da Notícia,
29 de junho de 2009
Trabalhadores com mais estudo
lideram perda de renda, revela IBGE
Os trabalhadores com mais
anos de estudos tiveram em maio uma perda de rendimento acima da
média da população ocupada brasileira.
Uma queda maior tanto em
valor quanto em termos percentuais, mostra a Pesquisa Mensal de
Emprego (PME) divulgada na última quinta-feira (26) pelo
IBGE.
Segundo Cimar Azeredo,
gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, o rendimento das
pessoas ocupadas com, pelo menos, o ensino médio completo
caiu 1,5% frente a abril, um recuo R$ 1.781,22 para R$ 1.753,80.
Essa redução
foi acima do estimado pelo IBGE para a população
ocupada como um todo.
O rendimento médio
real dos trabalhadores recuou 1,1% em maio na comparação
a abril, para R$ 1.311,70, mostram os dados.
Uma queda maior do rendimento
também ocorreu para a população ocupada com
o ensino fundamental completo. O rendimento médio desse
trabalhador caiu 1,2% em maio, de R$ 779,17 para R$ 769,70.
"Os trabalhadores
dos grupos de intermediação financeira e de serviços
para empresas apresentaram uma queda maior do rendimento. São
setores que tiveram maiores perdas com a crise e que não
têm mais como sustentar pessoas com salários muito
elevados", avalia o economista.
Já o rendimento
da população ocupada com apenas os primeiros anos
do ensino fundamental completos aumentou em maio: 0,8%.
O rendimento passou de
R$ 683,12 em abril para R$ 688,60 no mês passado.
Por grupamento, os trabalhadores
com carteira de trabalho assinada perceberam uma baixa de 0,2%
no rendimento, para R$ 1.260,10. Já a renda dos empregados
sem carteira de trabalho assinada subiu 5,5%, para R$ 883,90.
A renda dos conta própria
ficou quase estável: -0,1%, em R$ 1.094,40.
|
O ESTADO DO PARANÁ, 29 de junho
de 2009 | Economia
Reciclagem reduz custo de obra em até 35%
Newton Almeida
Daniel Caron

Quase tudo que já foi usado em uma construção pode ser
usado de novo.
O reaproveitamento de materiais de construção pode significar
uma economia de até 35% em reformas ou novas construções.
Segundo profissionais de arquitetura, o uso de materiais e equipamentos reaproveitáveis
pode representar custos menores inclusive na decoração dos ambientes.
Um exemplo de que é possível
aliar a economia da reutilização de materiais alternativos à decoração
de alto nível está no espaço da Churrasqueira,
na exposição Casa Cor Paraná 2009.
A arquiteta Jucy Passalacqua,
uma das responsáveis pelo espaço, conta que a cobertura
de vidro, que eventualmente pode passar despercebida para quem
visita o ambiente, é resultado de sobras de vidraçarias.
Já a bela bancada, decorada com peças de requinte,
foi revestida com pastilhas que restaram de outra obra.
“Se a ideia é economizar,
além de usar muita criatividade, a melhor opção é procurar
materiais alternativos”, afirma Jucy. Segundo ela, é possível
encontrar materiais de qualidade em locais, muitas vezes considerados
como lojas de segunda linha. “Existem cemitérios de
vidros e azulejos, onde existem materiais que permitem uma decoração
diferenciada”, afirma.
Segundo Jucy, o valor pago
pelos vidros usados na composição do ambiente foi
30% menor do que custaria se o material fosse encomendado. “Também
abrimos mão do granito e do mármore para aproveitarmos
as pastilhas que sobraram de outra reforma. Nesse caso, sequer
houve custos”, conta.
Jucy explica que, ao contrário
de uma obra convencional, existe a necessidade de adaptar os espaços
aos materiais disponíveis. “No espaço da Churrasqueira,
especificamente, foi preciso fechar uma parede para adaptar o encaixe
dos vidros.” Mesmo assim, a arquiteta conta que o custo da
obra significou uma economia de 30% a 35% em relação
ao que se pagaria com materiais novos.
Materiais
Se a alta decoração
se adapta à possibilidade do reaproveitamento de elementos
da construção, há também quem se especialize
no comércio de materiais alternativos, como é o caso
do empresário Henrique Rodbard.
Há três anos,
ele presta serviços de demolição. Neste tempo,
Rodbard também passou a renegociar os produtos de habitações
demolidas que poderiam ser reutilizados.
Rodbard conta que oferece
descontos para o cliente, quando existem materiais que podem ser
renegociados. “Em alguns casos chegamos até a pagar
pelo material, se ele agregar uma boa qualidade”, afirma.
O empresário conta
que revende desde telhas até tijolos maciços. “Temos
materiais que são vendidos por metade do preço, mas
com a mesma qualidade de produtos novos.”
Rodbard usa uma porta de
madeira maciça como exemplo. “É muito difícil
achar para comprar um material resistente como esse. Nesse caso,
o preço é um pouco mais caro em relação
a uma porta comum, mas quem conhece sabe que vale a pena”,
conta.
Serviço:
A Casa Cor Paraná 2009
está aberta para visitação no Asilo São
Vicente (Rua Barão dos Campos Gerais, 970 - Juvevê.
Curitiba-PR), das 13h às 21h (terça a sábado),
e das 11h às 19h (domingo).
|
Agência Diap,
29 de junho de 2009
Senado: redução
de tributos para construção de casas populares
A medida provisória
(MP) que concede benefícios fiscais para construtoras de
imóveis do programa 'Minha Casa, Minha Vida' tranca a pauta
do plenário e tem prioridade nas votações
da sessão deliberativa desta terça-feira (30), às
14h.
Trata-se da mesma pauta
da semana passada, pois a Casa não a deliberou em razão
da noiva crise que abate o Senado.
A MP também reduz
tributos para a fabricação e importação
de motocicletas.
Transformada no Projeto
de Lei de Conversão (PLV) 12/09, a Medida Provisória
(MP) 460/09 aumenta a tributação sobre o cigarro,
com objetivo não só de combater o tabagismo, mas
também de compensar a renúncia fiscal decorrente
da redução de impostos contida na medida.
Obras
iniciadas
Aprovada com várias modificações pela Câmara, a
MP foi relatada naquela Casa pelo deputado André Vargas (PT/PR).
Uma das mudanças
contidas no PLV estendeu os benefícios tributários
destinados ao Programa 'Minha Casa, Minha Vida' às obras
contratadas a partir de 31 de março de 2009. Pela MP, seriam
beneficiadas somente obras iniciadas naquela data.
Esse benefício é destinado
a construções de até R$ 60 mil - conforme
prevê a MP 459/09, que dispõe sobre o programa - e
vale até 31 de dezembro de 2013.
Incorporação
Para cada incorporação submetida ao regime especial de tributação,
a incorporadora ficará sujeita ao pagamento equivalente a 6% da receita
mensal recebida, que corresponderá ao pagamento mensal unificado dos
impostos e contribuições.
O percentual correspondente
ao pagamento unificado dos tributos para os projetos de incorporação
de imóveis residenciais do programa Minha Casa, Minha Vida
será equivalente a 1% da receita mensal recebida.
Nesse pagamento único,
estão incluídos o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas
(IRPJ), PIS/Pasep, Cofins e Contribuição Social sobre
o Lucro Líquido (CSLL).
O relator concedeu também
mais dez dias para as empresas pagarem o imposto. Pelo PLV, o pagamento
unificado de impostos deve ser feito até o 20º dia
do mês subseqüente àquele em que houver sido
auferida a receita.
O pagamento dos impostos
será considerado definitivo, não gerando, em qualquer
hipótese, direito à restituição ou à compensação
com o que for apurado pela construtora.
Motos
e cigarros
Com objetivo de incentivar a fabricação e importação
de motocicletas, a MP reduz de 3% para zero a alíquota da Cofins incidente
sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de motocicletas de cilindrada
inferior ou igual a 150cm³.
Esse benefício -
que valerá para os meses de abril a junho de 2009 - não
se aplica às receitas auferidas pela empresa revendedora,
na revenda de mercadorias em relação às quais
a contribuição seja exigida da empresa vendedora,
na condição de substituta tributária.
O único aumento
de tributos recai sobre o cigarro, cujo índice a ser aplicado
pelos fabricantes sobre o preço de varejo para encontrar
a base de cálculo da Cofins passa de 169% para 291,69%.
Para a base de cálculo
da Contribuição para o PIS/Pasep, o coeficiente multiplicador
passa de 1,98 para 3,42, o que representa aumento de 72%. Esses
novos tributos para o cigarro valem a partir de 1º de julho
de 2009.
Pessoa
com deficiência
A medida provisória também concede às pessoas com deficiência
isenção do PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento
da Seguridade Social (Cofins) na compra de bens como cadeira de rodas, próteses,
entre outros.
No mesmo sentido, os portadores
de deficiência auditiva com perda mínima de 41 decibéis
nos dois ouvidos também poderão comprar carro novo
com isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), cujo benefício já existe para portadores de
deficiência física, visual e mental.
A MP concede ainda à Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) competência
para atuar sobre tributação e arrecadação
da contribuição para fomento da radiodifusão
pública.
Enchentes
Segundo item da agenda do Plenário, a MP 461/09 abre crédito
extraordinário para o Ministério da Integração
Nacional, no valor de R$ 300 milhões, para socorro e assistência às
pessoas atingidas pelas chuvas e enchentes ocorridas entre outubro de 2008
e março de 2009 em vários estados.
Os recursos pretendidos
pelo governo, conforme a MP, também serão usados
para atender a operação "carro-pipa" em
municípios do semi-árido que, ao contrário
dos locais inundados, padecem da falta de água para o consumo
humano.
Do total de recursos, R$
220 milhões serão destinados à assistência às
vítimas das enchentes e ao abastecimento de água
em regiões afetadas pela estiagem, e os demais R$ 80 milhões
serão aplicados na recuperação da infraestrutura
danificada pelas cheias.
Os recursos para a abertura
do crédito decorrem, segundo o Governo, de superávit
financeiro no balanço patrimonial da União do exercício
de 2008, relativo a recursos ordinários.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
29 de junho de 2009 | Economia
Autônomos querem sair da informalidade
Helio Miguel
A poucos dias de entrar em vigor,
as novas regras para o microempreendedor individual (instituídas
pela Lei Complementar número 128/2008) estão gerando
boas expectativas entre especialistas e entidades de apoio a empresários.
No Paraná, as previsões são
de que pelo menos 10% dos profissionais autônomos que atuam
na informalidade - que são 565 mil no total - busquem se
enquadrar na nova categoria. Em todo o País, o número
de novos microempreendedores pode chegar a 1 milhão.
Para o coordenador de Políticas
Públicas do Serviço Brasileiro de Apoio às
Micros e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae-PR), Cesar
Risette, a expectativa no Estado é baseada na procura que
o órgão já vem tendo por interessados no assunto,
desde que as novas regras foram anunciadas. “Recebemos várias
ligações de pessoas querendo saber o que é,
e como se tornar microempreendedor individual”, informa.
Além disso, a boa quantidade de
benefícios, a um custo baixo, deve ajudar a manter a demanda
pela legalização elevada. Entre os benefícios
ao custo de pouco menos de R$ 60 por mês, no máximo,
estão oito tipos de cobertura previdenciária, como
aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.
“Também será melhor
a negociação com fornecedores, pois (os microempreendedores)
poderão emitir nota fiscal. Eles também poderão
participar de licitações públicas, por exemplo”,
destaca Risette.
O presidente da Federação
Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das
Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações
e Pesquisas (Fenacon), Valdir Pietrobon, também está confiante
no sucesso das novas regras.
“Acredito que este é o maior
projeto de inclusão social já feito no País,
pois tira as pessoas da informalidade. Os benefícios serão
muito maiores que os custos”, opina, lembrando que os microempreendedores
terão acesso mais fácil a crédito em bancos
como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.
O presidente da Fenacon lembra, ainda,
que os escritórios de contabilidade optantes do SuperSimples,
que são cerca de 1,8 mil no Paraná e 20 mil no Brasil,
são obrigados, pela lei, a orientar gratuitamente os microempresários,
legalizando sua situação e até fazendo a sua
primeira declaração de imposto de renda. Caso não
o façam, os escritórios podem ser retirados do regime
tributário do Simples.
Quem desejar formalizar seu negócio
deverá acessar o Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br),
que entra no ar no dia 1.º de julho. Nele, será possível
obter o registro no CNPJ, as inscrições na Previdência
Social e na Junta Comercial e alvará provisório para
funcionamento.
Empreendedores da indústria, comércio
e serviços exceto locação de mão-de-obra
e profissões regulamentadas por lei com receita bruta anual
de até R$ 36 mil poderão se enquadrar nas regras,
desde que tenham, também, no máximo um funcionário
com renda de até um salário mínimo mensal
ou piso da categorial profissional (ver quadro).
Amanhã, às 19h30, no auditório
do Sebrae-PR, em Curitiba, representantes de vários órgãos
públicos e entidades de apoio ao setor irão apresentar à sociedade
a nova regra. Até a última sexta-feira (26), mais
de 300 participantes já haviam confirmado presença
no evento.


|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
29/06/2009
TST concede justiça gratuita,
mas não pode determinar devolução de custas
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reconheceu o direito de empregado que perdeu
causa trabalhista ao benefício da justiça gratuita.
No entanto, os ministros concordaram com a opinião do relator
e presidente da Turma, ministro Lelio Bentes, de que a devolução
dos valores recolhidos pelo trabalhador a título de custas
processuais não pode ser determinada pelo TST nessa fase
processual. No caso, o empregado deve obter a restituição
por via administrativa ou, se negada, propor ação
específica.
O empregado entrou com
reclamação na Justiça do Trabalho contra a
Ripasa S.A. – Celulose e Papel. Como a sentença julgou
improcedente a ação, ao recorrer ao Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (SP), para reformar a decisão,
o trabalhador pediu o benefício da justiça gratuita.
Mas o TRT não só manteve a sentença como negou
o benefício. O argumento foi de que o trabalhador já tinha
recolhido as custas processuais, demonstrando que o pagamento não
afetara a subsistência dele ou da família, e, portanto,
não cabia mais discussão sobre o assunto.
Restou ao empregado recorrer
mais uma vez do resultado, agora ao TST. Em relação
ao benefício da justiça gratuita, alegou que era
garantia constitucional do Estado prestar assistência jurídica
integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de
recursos (artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição
Federal). Além do mais, a Lei nº 1.060/1950 estabelece
que, para conseguir a justiça gratuita, basta simples declaração
da parte. Por fim, o trabalhador requereu a expedição
de ofício ao órgão arrecadador (Receita Federal)
com o objetivo de reaver o valor pago.
O relator, ministro Lelio
Bentes, esclareceu que o benefício da justiça gratuita
pode ser requerido em qualquer tempo ou grau de jurisdição,
e, se ocorrer na fase recursal, é preciso apenas que o pedido
seja formulado no prazo legal para interposição do
recurso. De acordo com o relator, a concessão ou não
da justiça gratuita depende da situação econômica
da parte. A necessidade do benefício pode ser comprovada
com o recebimento de salário inferior ao dobro do mínimo
ou declaração do interessado.
Segundo o relator, como
no caso havia declaração do empregado atestando a
carência de recursos com pedido expresso de concessão
do benefício, o Regional desrespeitou a Constituição
ao negar a gratuidade judiciária ao trabalhador. Daí a
importância do reconhecimento pelo TST do direito do empregado
ao benefício e conseqüente expedição
de certidão nesse sentido. Entretanto, para o relator, o
Tribunal não pode determinar a devolução das
custas processuais recolhidas aos cofres da União: o empregado
deverá propor ação de repetição
de indébito para reaver os valores.
Essa interpretação
foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais ministros da Primeira
Turma. O ministro Vieira de Mello Filho ainda chamou a atenção
para o fato de que “agora, com esta decisão, se extrai
uma certidão de que o empregado fora isento das custas,
e ele pode obter administrativamente a devolução”.
Se houver dificuldade, aí sim a parte deve entrar com ação
judicial, afirmou o ministro. ( RR – 1000/2003-251-02-40.0)
(Lilian Fonseca)
|
Agência Brasil, 28 de junho de
2009
EUA tombam do 1º para o 3º lugar
em investimentos no Brasil
A crise financeira econômica global mudou o ranking dos países
que mais investem no Brasil. Os Estados Unidos eram o maior investidor no ano
passado; este ano (dados dos cinco primeiros meses) cairam para o terceiro
lugar, segundo o Banco Central. Em números absolutos, o investimento
americano no Brasil recuou de US$ 2,223 bilhões para US$ 1,505 bilhão,
considerando o período de janeiro a maio.
Conforme os dados do BC, de janeiro a maio deste ano, os Países
Baixos foram os que mais investiram no Brasil (24,7%). Em segundo
lugar veio a Alemanha (18,7%) e apenas em terceiro os Estados Unidos
(13,4%).
Nos cinco primeiros meses do ano passado, quando a crise ainda
não atingira sua fase aguda, o cenário era diferente:
os Estados Unidos ocupavam o primeiro lugar com com 15,9%, seguidos
por Luxemburgo (13,4%) e Países Baixos (10,4%). No mesmo
período de 2009, Luxemburgo responde por 2,1%.
Para o economista Carlos Eduardo Freitas, a mudança no
ranking dos países investidores no Brasil “tem uma
influência poderosa da crise”, mas ainda é cedo
para saber se será permanente. “De todo jeito, o papel
da economia americana vem se desvalorizando há várias
décadas. Com isso, a balança do poder econômico
mundial está mudando", diz.
Freitas acrescenta que “se retrocedêssemos meio século,
a economia americana era responsável por 50% da economia
[mundial], atualmente responde por cerca de 20%”. Para o
economista, o fato de o Banco Central (BC) ter mantido a previsão
de investimento estrangeiro direto de US$ 25 bilhões no
país neste ano é um indicador de que a economia brasileira
está se recuperando mais cedo do que se esperava: “Os
prognósticos mais pessimistas para a economia do país
parecem ultrapassados. Mas é importante manter a cautela.”
No total, o investimento estrangeiro direto de janeiro a maio
deste ano chegou a US$ 11,234 bilhões. Houve um recuo de
24,4% face aos US$ 13,984 bilhões investidos no mesmo período
de 2008. Em todo o ano passado, o investimento estrangeiro direto
somou cerca de US$ 45 bilhões.
Segundo Freitas, como o mundo está em crise, não
dá para esperar um resultado como o de 2008. O investimento
estrangeiro direto é direcionado para a criação
de novas empresas ou para participação acionária
nas já existentes.
|
Carta Capital, 28 de junho de 2009
Lúcia Stumpf: O ProUni e
o desafio das próximas gerações
Dados do Inep recentemente divulgados
na imprensa demonstram que bolsistas do Programa Universidade
para Todos, o ProUni, tiveram nota igual ou superior aos demais
estudantes no Enade, o exame nacional de avaliação
do desenvolvimento do estudante de ensino superior. É a
comprovação da importância do investimento
em políticas públicas que democratizem o acesso
ao Ensino Superior contemplando jovens de baixa renda. Segundo
o Ministério da Educação (MEC), desde que
foi instituído em 2005, até o momento, foram oferecidas
796.218 bolsas integrais e parciais.
Por Lúcia Stumpf, presidente da UNE,
na Carta Capital*
O bom rendimento desmascara críticas preconceituosas que
afirmavam que as instituições de ensino perderiam
qualidade com a entrada de estudantes bolsistas, oriundos de escola
pública e filhos de famílias de baixa renda. Demonstra
a capacidade de superação do jovem que agarra com
as duas mãos a possibilidade de cursar uma faculdade.
No Brasil, apenas 12% dos jovens entre 18 e 24 anos cursam o Ensino
Superior. A grande maioria encontra as instituições
públicas de portas fechadas pelo limitado número
de vagas, apesar da recente expansão propiciada pelo Plano
de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (Reuni). E as instituições privadas são
inacessíveis aos jovens de baixa renda. O grande desafio
do país é, portanto, radicalizar a democratização
da universidade e romper os muros que a separam do povo brasileiro.
O maior mérito do ProUni é, portanto, o de incluir
uma parcela da juventude oriunda das periferias dos grandes centros,
até então estranha a esse ambiente, e que é capaz
de mudar o perfil da universidade e de transformar o conhecimento
ali forjado. Atualmente, negros, pardos e indígenas representam
mais da metade dos bolsistas.
Para melhor conhecer as necessidades específicas dos bolsistas,
a UNE realizou em 2008 uma série de encontros que reuniu
mais de 10 mil prounistas em oito estados. O que já era
direito para os estudantes não bolsistas foi conquistado
nesses espaços, como o direito à transferência
de curso e instituição, a igualdade de concorrência
a todos os espaços da universidade, os programas de extensão
e bolsas de pesquisa e a garantia de conclusão plena dos
cursos.
Distorções também foram corrigidas, como
a retirada da obrigatoriedade de comprovação de renda
anual, que excluía do programa jovens que se empregassem
ou conseguissem um estágio durante a graduação,
promovendo o aumento da renda familiar. Entretanto, como principais
reivindicações aparecem a ampliação
do numero de bolsas integrais (100% de desconto na mensalidade)
oferecidas e a criação de um plano nacional de assistência
estudantil para o bolsista.
Vivendo a experiência do ProUni, quase cinco anos depois
de sua implantação, fica claro que para democratizar
a universidade não basta criar somente mecanismos de acesso.
A adoção pelo Estado de políticas que favoreçam
a permanência destes alunos na universidade contribuiria
para que os mesmo pudessem concluir sua trajetória escolar
com maior tempo disponível para dedicação
aos estudos. Além disso, a criação de mecanismos
que auxiliem o estudante bolsista a arcar com os gastos de transporte,
alimentação e moradia durante o período da
graduação, diminuirá a evasão no programa.
Um jovem com as características sociais exigidas pelo ProUni
muda a qualidade de vida de sua família ao obter um diploma.
Em recente pesquisa realizada pelo Ministério da Educação
e pelo Ibope com 1,2 mil recém-formados pelo ProUni de diversas
regiões do Brasil, concluiu-se que 80% dos estudantes que
obtiveram bolsas integrais estão empregados. Além
disso, a renda da família aumentou para 68% dos entrevistados
e oito de cada dez bolsistas ouvidos afirmaram que membros da família
foram motivados a iniciar ou prosseguir os estudos.
Durante o 51º Congresso da UNE, que reunirá cerca
de 15 mil estudantes universitários de todo o Brasil, em
Brasília, entre os dias 15 e 19 de julho, será realizado
o 1º Encontro Nacional de Estudantes do ProUni. O encontro
acontecerá no dia 16, no Centro de Convenções
Ulisses Guimarães, e servirá para discutir e apresentar
propostas e reivindicações ao MEC e ao presidente
Lula, presente no evento.
A educação é um tema caro no Brasil e a implementação
de políticas que permitam aos jovens sonhar com um futuro
melhor, desafia e motiva a continuação da luta. Não
queremos mais desperdiçar as grandes mentes brasileiras
excluídas dos bancos escolares. Esse é o desafio
de toda uma geração!
|
Gazeta do Povo, 28 de junho de 2009
Crise política
A fragilidade do sistema eleitoral
O escândalo envolvendo membros dissidentes do PRTB, que
teriam recebido dinheiro para desistirem da candidatura a vereador
para apoiar a reeleição de Beto Richa em 2008, expõe
mais uma vez a fragilidade do sistema eleitoral brasileiro. O caso
traz à tona três distorções que parecem
inesgotáveis – o loteamento de cargos públicos
em troca de apoios, os partidos de aluguel e o caixa 2. Para políticos
e especialistas em Direito Eleitoral, a solução para
esses problemas passa obrigatoriamente por mais fiscalização
das campanhas ou pela aprovação de novas leis.
Caixa 2: só uma cassação
O cerco ao caixa 2 nas campanhas eleitorais brasileiras ainda
esbarra em brechas na legislação. A restrição
aumentou com a minirreforma eleitoral de 2006 e a previsão
de perda de mandato para casos comprovados, mas os escândalos
persistem. Apenas o ex-deputado federal Juvenil Alves (PRTB-MG)
foi cassado devido à prática.
A Lei 11.300/06, aprovada como uma reação ao escândalo
do mensalão, determina que “comprovados captação
ou gastos ilícitos de recursos, para fins eleitorais, será negado
diploma ao candidato, ou cassado, se já houver sido outorgado.” A
jurisprudência em vigor criou uma espécie de blindagem
para os envolvidos em caixa 2 processados 15 dias após a
diplomação. “Há um equívoco de
interpretação”, diz o promotor eleitoral paranaense
Armando Sobreiro Neto.
Decisões recentes de quatro tribunais regionais eleitorais
(de Alagoas, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul)
seguiram essa linha. Membro fundador da Associação
Brasileira de Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais
(Abramppe), Sobreiro Neto destaca que grande parte das denúncias
de caixa 2 ocorre meses ou anos após a diplomação
dos eleitos.
A partir desse raciocínio é possível prever
que as suspeitas de caixa 2 nas últimas campanhas para o
governo do Rio Grande do Sul e para a prefeitura de Curitiba, caso
comprovadas, não levariam à cassação
da governadora Yeda Crusius e do prefeito Beto Richa, ambos do
PSDB. No caso gaúcho, o marido de Yeda, Carlos Crusius,
foi acusado no ano passado (um ano e meio após a eleição)
de ter recebido R$ 400 mil não contabilizados pelo comitê de
campanha para a compra de uma casa em Porto Alegre. A governadora
nega qualquer irregularidade.
No Paraná, a suspeita é de que o comitê de
Beto Richa teria remetido dinheiro não contabilizado para
o comitê “Lealdade”, formado por dissidentes
do PRTB. Gravações divulgadas na semana passada mostram
a distribuição de dinheiro a candidatos a vereador
do PRTB (coligado oficialmente com o PTB, do candidato a prefeito
Fábio Camargo) que desistiram da candidatura para apoiar
Beto Richa. A direção de campanha do prefeito reeleito
disse que o comitê era independente e que não repassou
recursos não contabilizados na prestação de
contas apresentada à Justiça Eleitoral.
Financiamento público
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros
(AMB), Mozart Valadares, afirma que a principal arma contra o caixa
2 seria a adoção do financiamento público
de campanhas. Essa é uma das propostas essenciais inseridas
na reforma política em discussão no Congresso Nacional.
O texto não deve ser votado neste ano por falta de acordo
político entre as lideranças partidárias da
Câmara dos Deputados.
“O financiamento público equilibra a disputa e aumentaria
a possibilidade de fiscalização da sociedade. Será mais
fácil para o cidadão perceber que o candidato está gastando
acima do permitido e denunciar”, defende Valadares. Segundo
ele, o eleitor já deve agir dessa maneira mesmo sem a mudança
do sistema e vetar nas urnas os candidatos que gastam demais.
A tese da AMB não convence o deputado federal Flávio
Dino (PCdoB-AM). Relator de uma nova reforma eleitoral, que deve
ser levada ao plenário da Câmara nesta semana, ele
diz não acreditar que essa seja a solução
para acabar com o caixa 2. “O financiamento público
tem inúmeras vantagens, mas essa não é uma
delas.” O parlamentar diz que as leis eleitorais brasileiras
estão entre as mais avançadas do mundo.
O professor de Direito Eleitoral do Centro Universitário
Curitiba, Luiz Fernando Pereira, concorda. “A Justiça
Eleitoral precisa se estruturar melhor para fiscalizar, ter uma
estrutura parecida com a do Tribunal de Contas. Na prática,
os únicos fiscais de hoje são os adversários.” Pereira
destaca que a Lei 11.300 é muito recente e que em breve
ela trará mais resultados. “O caixa 2 é a bola
da vez”, declarou.
|
Gazeta do Povo, 28 de junho de 2009
15 anos de estabilidade
Quem ainda se lembra do dragão?
Há 15 anos, o Brasil assistia ao lançamento do sétimo
plano econômico em menos de uma década. Ele vinha com a promessa
de sempre: controlar o dragão inflacionário que devorava salários
e economias. O Plano Real, apesar de todos os efeitos colaterais
Há três semanas, um sortudo metalúrgico de
Taubaté (SP) protagonizou uma história que, se tivesse
ocorrido há 15 anos, teria um final bem mais pobre – ou
menos rico. O sujeito passou três meses sem saber que havia
acertado as seis dezenas da Mega Sena, e só retirou os R$
5,3 milhões a que tinha direito no último dia do
prazo. Com isso, a fortuna esquecida deixou de render pelo menos
R$ 80 mil, e seu poder de compra encolheu pouco mais de 1%, uns
R$ 60 mil, por causa da inflação. Uma ninharia, ao
menos para o metalúrgico milionário.
Quem cometesse o mesmo descuido nos primeiros meses de 1994, quando
os preços subiam a uma média mensal de 43%, teria
de se contentar com muito menos. Em 90 dias, a inflação “comeria” dois
terços do poder de compra do prêmio. Mais três
meses embaixo do colchão, e seu poder aquisitivo cairia
a um décimo do original.
Antes do Plano Real, que completa 15 anos na próxima quarta-feira,
os brasileiros conviveram por mais de uma década com uma
inflação que superava facilmente a marca de 100%
ao ano. Entre 1980 e 1993, a média anual foi de 428%, coisa
de 14% ao mês, ou 0,46% ao dia. Se causava algum desconforto
a milionários desavisados, o “imposto inflacionário” era
um verdadeiro flagelo para a maior parte da população.
Dependendo da época, os salários demoravam meses
a ser reajustados, e pessoas sem conta bancária simplesmente
não tinham direito à correção monetária
e ao “overnight” – instrumentos que por muito
tempo camuflaram ineficiências de bancos, empresas e do próprio
governo.
Sucesso
Fruto de uma sofisticada engenharia política, econômica
e jurídica, o Real não teve apenas o mérito
de derrubar a inflação e mantê-la em níveis
minimamente civilizados – algo que seis pacotes fracassaram
em fazer entre 1986 e 1991. Mais importante, o plano conseguiu
enfraquecer uma “cultura inflacionária”, que
por anos incentivou o lucro meramente financeiro, desestimulando
o investimento em produção e tecnologia e mantendo
o país em um resignado (e, para alguns, confortável)
atraso.
O sucesso do plano em acabar com a chamada “memória
inflacionária” – fenômeno em que a inflação
presente se alimenta da inflação passada, provocando
um círculo vicioso – foi tal que, hoje, muita gente
nem lembra de hábitos cultivados à força até 1994. “A
gente vai se esquecendo dos tempos de inflação. Felizmente”,
admite Oswaldo Lazzaris, sócio da panificadora Pote de Mel,
de Curitiba. “Faz quase seis anos que trabalhamos com o pão
francês a R$ 6 o quilo. Antes do Plano Real, tinha que aumentar
a cada dez ou quinze dias, o que irritava o freguês, porque
o salário dele não subia junto.”
Nos últimos 15 anos, os preços monitorados pelo
IPCA, o indicador oficial, subiram a uma média que não
chega a 8% ao ano. As previsões do mercado indicam que,
em 2009, o índice tende a ficar muito próximo da
meta perseguida pelo Banco Central (4,5%). É mais do que
em países desenvolvidos, mas quase nada para o padrão
histórico brasileiro.
Compromisso
Nem tudo o que ocorreu a partir do momento em que o real começou
a circular, em 1º de julho de 1994, agradou – e nunca
faltaram críticas aos efeitos colaterais do método
adotado para derrotar a inflação. Empresas e bancos
quebraram. O desemprego subiu. Exportadores chiaram muito no início
do plano, e ainda reclamam. Ao contrário do prometido, os
gastos do governo não pararam de crescer, elevando o endividamento
público, exigindo uma carga tributária cada vez maior
e impedindo quedas mais fortes na taxa de juros. E o juro alto – que
em nada combina com um país de inflação controlada – limita
o crescimento da economia.
Ainda restam desafios consideráveis ao país do real.
Mas economistas fazem questão de reforçar que, antes
de mais nada, é preciso manter a todo custo o compromisso
de segurar a inflação. Alegam que os eventuais benefícios
de tolerar índices menos comportados, como volta e meia
alguém sugere, não compensariam os custos.
“O combate à inflação continua imprescindível,
por mais que o nível dos juros incomode”, diz Luiz
Afonso Cerqueira, do conselho consultivo do Instituto Brasileiro
de Executivos de Finanças (Ibef-PR), referindo-se ao sistema
de metas para a inflação, adotado em 1999, no qual
o país usa a taxa básica de juros (Selic) para “calibrar” a
evolução dos preços. Para Fernando Antônio
Ribeiro Soares, doutor em Economia pela Universidade de Brasília
(UnB), o governo não deve apenas cumprir as metas de inflação – tem
de sinalizar e reforçar, sempre, que está comprometido
com elas. “Se o comprometimento não persistir, o risco,
e o consequente retrocesso, serão muito grandes.”
|
Folha de S.Paulo, 28 de junho de 2009
Quase metade do Senado defende
Sarney no cargo
Ao menos um quarto quer que ele se licencie,
entre os ouvidos em enquete da Folha
Onze senadores não se manifestaram, entre
os 69 ouvidos; PSOL estuda pedir um processo por quebra do decoro
no Conselho de Ética
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Pelo menos um quarto dos senadores defende a licença do
presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), segundo enquete
realizada pela Folha. Ele conta com o apoio de ao menos 36 senadores
para continuar no cargo. A reportagem ouviu 69 dos 80 colegas de
Sarney (86%) ontem e anteontem. Questionados se o presidente da
Casa deveria permanecer, pedir licença ou renunciar ao cargo,
22 avaliam que ele deveria se licenciar até que todas as
denúncias contra ele sejam esclarecidas, o que representa
27% do universo possível (32% do total de ouvidos).
Onze não quiseram se manifestar, e 11 não foram ouvidos. Nenhum
senador defendeu a renúncia de Sarney. A pressão aumentou na
semana passada, quando foram revelados novos casos de parentes e aliados atuando
direta ou indiretamente no Senado. O PSOL estuda entrar com um pedido de processo
por quebra do decoro no Conselho de Ética. A possibilidade de cassação é remota,
já que precisa passar no conselho e no plenário.
É do PT o maior número de senadores que defendem o afastamento
temporário. Dos 11 ouvidos na enquete, 6 são pela licença.
Na semana passada, Sarney afirmou que estava sendo perseguido por apoiar o governo
do presidente Lula, do PT. No partido, Serys Slhessarenko (MT) integra a ala
que acha que Sarney deve ficar no cargo. Tião Viana (AC), Paulo Paim (RS)
e Eduardo Suplicy (SP) estão entre os que defendem o afastamento. O líder
petista, Aloizio Mercadante (SP), prefere não se manifestar.
É no seu próprio PMDB que Sarney tem mais apoio, embora não
seja unânime: 14 senadores dizem que ele tem de ficar no cargo, e só três
optam pela licença. No PSDB e no DEM, três senadores de cada partido
defendem a licença. Neste último Sarney tem seu maior desafio.
Seu aliado desde a eleição para o cargo, em fevereiro, o DEM passou
a discutir publicamente sua saída. O partido reunirá a bancada
na terça para tomar uma decisão. "A gente anda pelo interior
do Estado e sente que o desgaste do Senado é uma coisa terrível",
diz Raimundo Colombo (DEM-SC).
No PSDB, o líder do partido, Arthur Virgílio, afirmou que Sarney
tem de se licenciar. "É minha opinião pessoal, mas, como
líder, tenho de ouvir a minha bancada." Já Álvaro
Dias (PR) defende a licença, mas duvida dela. "Não creio
que ele vá para o sacrifício pessoal em nome da preservação
da instituição", disse. Renan Calheiros (PMDB-AL) e Gim
Argello (PTB-DF) estão por trás das estratégias para blindar
Sarney. "O presidente vai ficar. Ele tomou as medidas corretas até agora",
afirmou Argello.
A crise no Senado teve início em março, com a demissão
do então diretor-geral, Agaciel Maia, após a Folha ter revelado
que ele escondeu da Justiça uma mansão avaliada em R$ 5 milhões.
No início deste mês, a crise se aprofundou, com a revelação
de que o Senado usou 663 atos secretos, muitos dos quais para nomear e exonerar
parentes e aliados de Sarney.
|
Agência
Câmara, 27 de junho de 2009
Trabalhador rural poderá ser
incluído na Lei do Trabalho Temporário
Proposta permite a renovação do contrato por
três meses e assegura ao trabalhador temporário rural
os mesmos direitos do profissional urbano, como férias proporcionais.
A Câmara analisa o Projeto de Lei 4939/09, do deputado Luiz
Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), que aplica a Lei do Trabalho Temporário
(6.019/74) aos trabalhadores rurais. Atualmente, a legislação
aplica-se apenas ao trabalho temporário nas empresas urbanas.
A proposta de Lucas define a empresa de trabalho temporário
como a firma urbana ou rural que coloque à disposição
de outras empresas ou de empregador rural profissionais por ela
assistidos.
O parlamentar lembra que a legislação em vigor foi
editada em 1974. "Naquela época havia um movimento
constante e fomentado pelo Estado onde a mão-de-obra do
campo migrava para a cidade. No entanto, atualmente, isso não
mais corresponde à realidade do mercado de trabalho pois
a terceirização é um fenômeno que não
mais se limita ao âmbito urbano."
O projeto também substitui a expressão "trabalhadores
devidamente qualificados" - usada pela legislação
atual - por "capacitados e identificados". "Acrescentamos
o termo 'identificados', para garantir um maior controle, facilitando
a fiscalização", explica o parlamentar.
Prazo
A proposta altera ainda o prazo de vigência desse contratos. Hoje, o
prazo máximo do contrato temporário é de três meses.
O projeto inova ao permitir a ampliação por mais três meses
por meio de acordo ou convenção coletiva da categoria.
O texto ainda assegura ao trabalhador temporário rural
os mesmos direitos do profissional urbano, como jornada de 8 horas
e férias proporcionais. A ressalva diz respeito ao adicional
por trabalho noturno, quando deverão ser respeitadas as
diferenças entre trabalhadores urbanos e rurais.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas
comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural; de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
|
Em Questão, 27
de junho de 2009
Programas sociais retiraram
14 milhões de pessoas da extrema pobreza
A ampliação do Bolsa Família para mais 1,3 milhão
de beneficiários até outubro e a contribuição dos
programas sociais para a redução da pobreza no Brasil foi um
dos temas abordados pelo ministro Patrus Ananias, do Ministério do Desenvolvimentos
Social (MDS) durante entrevista ao Bom Dia Ministro, na manhã desta
quinta-feira (25). O programa é produzido e coordenado pela Secretaria
de Imprensa da Presidência da República e transmitido ao vivo,
via satélite, para emissoras de todo o País. Leia abaixo os principais
trechos.
Recadastramento - "Temos um processo permanente
de controle do Bolsa Família, com ação integrada
com as prefeituras. Utilizamos o cadastro único, cada vez mais
eficaz e transparente. O que há de novo agora nesse processo
do recadastramento é que o presidente Lula assinou um decreto,
que está sendo regulamentado. Em dois anos, os beneficiários
devem ser recadastrados. Assim, além de termos maior controle
do Programa, aperfeiçoando cada vez mais os mecanismos de fiscalização,
de acompanhamento das famílias beneficiárias, pretendemos
também dar um tempo para que elas possam buscar emprego, fazer
cursos de capacitação sem ter a preocupação
de perder o benefício, por dois anos. Ao final deste período,
avaliaremos se aquela família rompeu as barreiras da pobreza
e conseguiu um trabalho estável. Aí, vamos avaliar à luz
da lei se a família deverá ou não ser desligada
do Programa."
Classe média - "Quatorze milhões
de pessoas, desde 2003, saíram da pobreza extrema para melhores
e mais dignas condições de vida. A classe média
no Brasil está crescendo. Temos, agora, o que os pesquisadores
chamam de uma classe média nova, emergente. É importante
lembrar sempre a presença do Bolsa Família na economia
porque as pessoas pobres recebendo dinheiro estão comprando
e isso tem um impacto positivo nas economias locais, regionais,
no comércio. O dono da vendinha, de repente, é dono
de um supermercado. A indústria também se desenvolve,
e isso gera empregos, estimula a economia. As pesquisas agora estão
mostrando que nossos programas sociais estão tendo um impacto
altamente positivo contra a crise. Os pobres estão comprando."
Outros programas - "O Bolsa Família
não é um programa isolado. Está inserido numa
grande rede nacional de proteção e promoção
social. Por exemplo: temos o programa de atenção
integral as famílias, que se materializa através
dos Centros de Referências da Assistência Social (Creas),
com mais de quatro mil equipamentos implantados nas comunidades
mais pobres. Os Creas têm assistentes sociais e psicólogos.
Além de desenvolver um trabalho de acolhimento das famílias,
desenvolve também atividades de alfabetização,
de inclusão produtiva, de conhecimentos técnicos
de informática, de tecnologia, geração de
trabalho, apoio ao cooperativismo, formação de empreendedores.
Temos parcerias com várias universidades que desenvolvem
projetos de incubadoras de pequenas empresas com as famílias
do Bolsa Família. Com nossos programas de segurança
alimentar e nutricional, estamos implantando restaurantes populares,
cozinhas comunitárias que atendem também as famílias
vinculadas ao Bolsa Família. Temos o programa de cisternas,
captação d’água da chuva na região
do semi-árido, garantindo água potável ao
lado das casas de famílias que moram na roça em pequenas
comunidades. Integramos também outras ações
do governo, como, por exemplo, o Programa Luz para Todos, que é fundamental
para o desenvolvimento das famílias e das comunidades mais
carentes."
Qualificação profissional - "A
qualificação e políticas de geração
de trabalho, emprego e renda é o que chamamos políticas
e ações emancipatórias, que possibilitam que
as famílias atendidas ganhem cada vez mais sua autonomia
e possam caminhar com suas próprias pernas. Estamos desenvolvendo
planos setoriais de qualificação do Bolsa Família.
O Bolsa Família PAC está capacitando beneficiários
para as oportunidades de trabalho e emprego que estão surgindo
em todo Brasil com as obras do Programa de Aceleração
do Crescimento. Nossa meta numa ação integrada com
o Ministério do Trabalho e Emprego, com a coordenação
também da Casa Civil e a participação dos
empresários, é qualificar 185 mil beneficiários
para as oportunidades de emprego e trabalho das obras de construção
civil e de infraestrutura do PAC. Também estamos desenvolvendo
o Planseq (Plano Setorial de Qualificação) Bolsa
Família Turismo, qualificando beneficiários do Programa
para as oportunidades de trabalho e emprego que estão surgindo
no País com o desenvolvimento do turismo. O Bolsa Família
não acomoda. Pelo contrário. Estimula as pessoas
a progredirem na vida. O que acomoda as pessoas é a fome
e a desnutrição, que inclusive matam."
Porta de saída – "Primeiro,
não concordo que os programas sejam assistencialistas. O
que tínhamos de assistencialismo estamos superando hoje,
virando a página do clientelismo, dos pobres de cada um,
do ‘quem indica’. As pessoas entram e saem dos nossos
programas, especialmente do Bolsa Família, segundo critérios
legais e objetivos. Não é o ministro nem presidente
que decidem. É a lei. Não discriminamos ninguém.
Pesquisas mostram também que é muito importante o
impacto altamente positivo nas economias locais e regionais de
nossos programas, especialmente o Bolsa Família. Mas também
dos recursos repassados à agricultura familiar. O benefício
de prestação continuada que assegura um salário
mínimo às pessoas idosas, com mais de 65 anos, e
as pessoas com deficiência incapacitadas para o trabalho
e que sejam pobres. Esses programas têm tido impacto positivo
porque os pobres estão entrando também no mercado
de consumo. Estamos criando no Brasil um grande mercado popular
de consumo. Os pobres estão comprando. Eles não guardam
dinheiro. Eles compram e com isso vêm estimulando o comércio,
a indústria, nas mais variadas regiões do Brasil
e também gerando empregos."
Condicionalidades – "O Bolsa Família,
além de assegurar o direito à alimentação,
trabalha também com condicionalidades. Estamos acompanhando
se as famílias mantêm crianças e adolescentes
nas escolas e têm os cuidados básicos com a saúde.
Sabemos que uma família sem renda ou com uma renda muito
baixa, aquém de suas necessidades, corre sério risco
de se desconstituir. E aí, as crianças não
vão para a escola como nós queremos. Vão para
a rua, com conseqüências previsíveis. Estamos
com o Bolsa Família e com a nossa rede de proteção
e promoção social preservando valores familiares,
garantindo direito à família. Da mesma forma que
estamos agora também, é importante dizer isso, investindo
com muita firmeza nos programas de capacitação profissional,
de qualificação. Queremos que cada pessoa possa ganhar
sua vida, com seu trabalho. Ele é um bem, um valor fundamental
para a pessoa, para a família e para a comunidade. Sabemos
também que a fome não pode esperar. Enquanto a pessoa
não consegue um trabalho ou melhore as condições
de vida, ela tem o apoio do Estado. Isso acontece com todo o mundo
e em todos os países mais adiantados do ponto de vista social."
Critérios - "O Bolsa Família
trabalha em dois níveis: famílias muito pobres, que
são aquelas famílias que têm renda mensal por
pessoa de até R$ 69,00 e que recebem o benefício
fixo independente do número de crianças; e famílias
pobres, que são aquelas que têm uma renda mensal por
pessoa de até R$ 137,00. Essas famílias recebem o
benefício variável, relacionado com a presença
das crianças e adolescentes na escola. Então, nossa
meta, com a participação também da sociedade,
de ação integrada com as prefeituras, é garantir
o benefício para quem estiver dentro dos critérios
da lei, aperfeiçoar o Programa, integrando com programas
de capacitação, de qualificação profissional,
visando assegurar a essas famílias a sua autonomia e a sua
independência econômico-financeira."
|
Agência
Brasil, 27 de junho de 2009
Dieese: 96% das negociações
salariais repuseram perdas
De 100 negociações salariais ocorridas nos primeiros cinco meses
do ano, 96% asseguraram a recomposição das perdas ocorridas ao
longo de 2009. No ano passado, o percentual foi de 89%. Os dados foram divulgados
nesta sexta-feira (26) pelo Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Sócioeconômicos (Dieese).
As negociações que tiveram reajuste menor do que
o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor),
medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
passaram de 11% em 2008 para 4% em 2009. Já as negociações
que garantiram reajuste acima do índice passaram de 77%
para 78%.
Entre os setores, a indústria apresentou 83%, ante os
86% do ano passado, dos reajustes acima da inflação,
11% igual ao INPC contra os 8% do ano passado. Na indústria,
os reajustes que só recompuseram as perdas da inflação
subiram de 28% para 58%.
No setor de serviços, as categorias que tiveram perdas
salariais passaram de 14% para 4%, as que tiveram aumento passaram
de 71% para 78% e os reajustes iguais à inflação
passaram de 14%, em 2008, para 18% em 2009.
Segundo o coordenador de Relações Sindicais do
Dieese, José Silvestre, a inflação mais baixa
ajuda a obter os reajustes mesmo que eles sejam mais baixos do
que seriam com a inflação mais alta.
“ O resultado das negociações está influenciado
pela inflação e não pela crise econômica
global, já que os ajustes nesse sentido se deram muito mais
via emprego de que pelo salário. Muitas empresas demitiram
antecipadamente em função da crise e quem permaneceu
empregado teve o reajuste igual ou superior à inflação”,
disse.
A expectativa, de acordo com Silvestre, são as negociações
que ainda devem ocorrer ainda no primeiro semestre e que, no segundo,
elas sejam melhores, porque há sinais de que o pior momento
da crise já tenha passado. “Já há expectativa
de que o Produto Interno Bruto [PIB] do país cresça
mesmo que não o suficiente para anular o que foi negativo
no primeiro semestre. E há também expectativa de
que a economia volte a crescer em 2010.”
|
Folha
de S.Paulo, 27 de junho de 2009
Crise limita ganho real em reajuste
salarial
Aumentos nos acordos negociados até maio
se concentram na faixa de até 0,5% acima do INPC, ante intervalo
de 1% a 1,5% em 2008
Nos 5 primeiros meses deste ano, 96% das negociações
conseguiram zerar as perdas com a inflação ou ter
reajuste maior; em 2008, foram 89%
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A instabilidade econômica causada pela crise internacional
não afetou os reajustes nos salários de trabalhadores
que negociaram acordos entre janeiro e maio deste ano. Mas teve
impacto no "tamanho" do ganho real conquistado.
Entre os acordos salariais que obtiveram ganhos acima da inflação,
o aumento se concentrou na faixa até 0,5% acima do INPC -o índice
mais usado pelos sindicatos para correção dos salários.
No ano passado, os aumentos estavam no intervalo de 1% a 1,5% acima do INPC.
Os resultados são apontados em estudo do Dieese ao comparar o desempenho
de cem negociações firmadas de janeiro a maio deste ano com as
feitas em igual período de 2008. O número de trabalhadores da
mostra não foi informado.
Nos cinco primeiros meses deste ano, 96% das negociações conseguiram
zerar as perdas com a inflação ou ter reajuste maior. Em 2008,
foram 89%.
" O ajuste das empresas em resposta à crise ocorreu pela demissão,
principalmente no setor industrial, e não pelos reajustes", diz José Silvestre
de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese. Somente
entre novembro de 2008 a janeiro foram fechados no país 797,5 mil empregos,
segundo o Ministério do Trabalho. Apesar de o mercado de trabalho ter
reagido, as 282 mil vagas criadas de fevereiro a maio foram insuficientes para
repor os empregos eliminados.
" Quem sobreviveu às demissões conseguiu repor as perdas nos
salários porque a inflação se manteve em queda durante o
ano e em patamar menor do que em 2008, o que facilita as negociações",
diz Silvestre de Oliveira. O INPC acumulado nos últimos 12 meses encerrados
em dezembro chegou a 7,20%. No acumulado de janeiro a maio deste ano, 5,83%.
O setor industrial, o mais atingido pela crise, foi o único em que a
proporção de acordos com reajustes acima da inflação
recuou: passou de 86% em 2008 para 83% neste ano. Neste ano, 11% conseguiram
zerar a inflação e 5,6% tiveram reajustes inferiores ao INPC.
Metalúrgicos da Paraíba e químicos de São Gonçalo
e região (RJ) são categorias que não conseguiram, por
exemplo, recuperar as perdas. Já os operários da construção
civil de São Paulo negociaram reajuste escalonado por faixa salarial.
Os aumentos reais neste ano também foram mais contidos na indústria.
Um em cada três acordos firmados teve ganho real de até 0,5% acima
da inflação. Em 2008, um terço das negociações
teve ganho entre 1,01% e 1,5% superior ao INPC.
Medidas como a redução do IPI para o setor automotivo e para
produtos da linha branca (geladeira, fogão) contribuíram não
só para que a indústria se recuperasse mas também para
o desempenho positivo das negociações salariais no comércio
e no setor de prestação de serviços, segundo economistas.
A tendência para o próximo semestre é de melhoria nas negociações
e nos aumentos reais. "Campanhas salariais serão antecipadas e
negociadas por setor de forma conjunta entre as centrais", diz João
Carlos Gonçalves, da Força Sindical. As centrais defendem jornada
de 40 horas semanais e proibição de demissões imotivadas
para proteger o emprego e poder concentrar as negociações na
melhoria dos salários, diz Ricardo Patah, da UGT.
|
Gazeta
do Povo, 27 de junho de 2009
Relatório do BC
Dívida consome 35% da
renda do brasileiro
Apesar de o crédito ser importante
para a economia, o consumo descompassado pode gerar bolhas. Dados
atuais mostram que é preciso cuidar para que não surja
um “mar de endividados” no país
O consumidor brasileiro já compromete 34,8% da sua renda
anual com dívidas, de acordo com cálculos divulgados
ontem pelo Banco Central. Há dois anos, o valor médio
dos empréstimos contraídos correspondia a 26,7% da
renda das famílias. A pesquisa do BC retrata a situação
das famílias em março, mas os indicadores mais recentes
mostram uma tendência de piora desse quadro. De um lado,
maio mostrou a quarta queda consecutiva na renda média do
brasileiro, segundo o IBGE, baseado nas seis principais regiões
metropolitanas brasileiras. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego
se mantém relativamente alta – 8,9%, a segunda pior
da série histórica em um mês de maio – e
o número de criação de empregos (0,2%) não
acompanha o de desocupados, que cresceu 13% no período,
maior índice desde agosto de 2006.
Do outro lado, o consumo do varejo já se recuperou do tropeço
sofrido em dezembro, com o estouro da crise e das demissões,
e, graças à recuperação do crédito
e à baixa de juros, retomou um ciclo positivo de vendas.
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as taxas do varejo
se estabeleceram em 4,5% para o volume de vendas e em 10,6% para
a receita nominal. Algumas grandes redes varejistas, como Colombo
e Ponto Frio, anunciam atualmente um faturamento entre 20% e 30%
superior ao do ano passado.
Taxa mais cara
Cartão é entrada
para insolvência
Todos os especialistas de finanças pessoais orientam para
que as pessoas tomem bastante cuidado com o uso de cartões
de crédito. Porém nem sempre recorrer a um empréstimo
para quitar a dívida é uma boa ideia: os juros médios
das financeiras, por exemplo, conseguem ser ainda mais altos do
que os do cartão: 11,16% contra 10,60%, segundo a Anefac.
Portanto, só vale quitar uma dívida se conseguir
oferta com uma taxa menor. A aposentada Maria Norimar, de 54 anos,
se mostrou preocupada em como sair das dívidas que acumulou
no cartão de crédito. Após realizar o pagamento
mínimo durante seis meses, ela viu sua dívida crescer
de forma insustentável.
Para sair do sufoco, fez um empréstimo pessoal na financeira Cacique,
mas o alívio não durou muito. Ontem à tarde, ela recorreu à Fininvest
para tentar um novo financiamento. “Estou tentando pegar mais um empréstimo,
mas o rapaz [da financeira] diz que já atingi minha margem consignável”,
lamentou. A estudante Isadora Andrade, de 24 anos, também se diz vítima
da oferta ampla de crédito. Com renda mensal de R$ 1,2 mil, ela aceitou
a oferta de dois cartões de crédito quando fez compras na loja
C&A, que trabalha com o banco Ibi. Somados, os cartões lhe deram
crédito superior à renda – e em alguns meses sua dívida
somava R$ 2,5 mil, o que rendeu ficha no Serasa. “Admito que usei demais
o crédito, mas mesmo depois de negociar a dívida os juros continuaram
muito altos”, diz.
“ Na prática, o que se enxerga é que a sociedade
brasileira está se encaminhando para um superendividamento”,
diz o presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das
Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo
Tardin. Para ele, os dados do Banco Central somados ao aumento
dos índices de inadimplência mostram um sinal de alerta
para os consumidores que frequentemente parcelam suas dívidas
e comprometem demais sua renda em médio prazo.
Segundo Tardin, o perigo está na falta de educação
financeira do consumidor para lidar com os tempos atuais da economia.
“Há cerca de quatro anos, os bancos mudaram sua estratégia
de propaganda – antes eram voltadas basicamente para a credibilidade
e a solidez da instituição, hoje são excessivamente
mercantilistas, literalmente vendendo seus produtos”, diz.
Uma decorrência disso é a facilitação
de consumo descompassado com a renda, que em casos mais graves
pode gerar “insolvência”, ou seja, sem solução.
Tardin diz que seu escritório já atendeu um trabalhador
com renda de R$ 2,4 mil, que após um período de consumo
descontrolado já está devendo dinheiro para 16 financeiras,
acumulando um passivo de aproximadamente R$ 40 mil.
O professor da Sustentare Escola de Negócios Otto Nogami
lembra que o aumento do endividamento das famílias não é decorrente
da crise, e sim do período mais dinâmico que a economia
viveu nos últimos anos. “Como o brasileiro herdou
uma característica muito consumista, típica do norte-americano,
até o ano passado ele aproveitou as facilidades do crédito
para comprar em parcelas e comprometendo a renda futura”,
diz.
Como essa mesma renda está encolhendo com a crise, ele
avalia que existe a tendência de aumentar a inadimplência
e, em um passo seguinte, de redução da demanda – o
que ameaçaria a estratégia do governo federal em
combater a crise por meio do fomento ao consumo. “Certamente é um
problema bastante dinâmico. Ao estimular o consumo nessas
condições, o governo pode estar criando problemas
futuros”, avalia Nogami.
Paradigma
Já o economista do Dieese, Cid Cordeiro, alerta que é importante
diferenciar o descontrole do orçamento familiar da oferta
de crédito. “Países de economia desenvolvida
como Estados Unidos e outros europeus têm nível de
endividamento da renda superior a 120%”, diz, lembrando que
concessão de crédito é importante ao desenvolvimento
de uma nação. “Um dos grandes desafios do Brasil
foi baixar a sua inflação, e outra está sendo
a redução dos juros – e o crédito consignado
não é um vilão, ele tem um papel importante
na redução do preço dos juros ao consumidor.
Ampliar o crédito é diferente de ampliar o consumo
descontrolado: não é porque há promoção
de arroz que você precisa entupir a despensa com arroz”,
exemplifica.
|
InfoMoney, 26 de junho
de 2009
Rendimento médio do
trabalhador sobe 3% em maio; ante mai/08
No confronto com o mesmo
mês de 2008, quando registrava R$ 1.273,07, o rendimento
médio real da população ocupada apresentou
aumento de 3% em maio, chegando a R$ 1.311,70.
Já na comparação
com abril houve recuo de 1,1%.
Os dados, divulgados nesta
quinta-feira (25), fazem parte da PME (Pesquisa Mensal de Emprego),
realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
nas seis principais regiões metropolitanas do País.
Renda
por região
Frente a maio do ano passado, Salvador (4,8%), Belo Horizonte (6,2%), Rio de
Janeiro (2,1%), São Paulo (3,2%) e Porto Alegre (4%) registraram alta
no rendimento médio real da população ocupada.
Apenas Recife apresentou
queda no rendimento, de 3,3%.
Na comparação
com o mês imediatamente anterior, duas regiões apresentaram
alta: Salvador (1,7%) e Belo Horizonte (4,3%).
Já em Recife, Rio
de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre as quedas foram de
3,9%, 3,6%, 0,7% e 2,2%, respectivamente, na mesma base comparativa.
Autônomos,
formais e informais
Na comparação anual, o rendimento médio das pessoas que
trabalhavam por conta própria apresentou alta de 0,7%.
Na comparação
mensal, o recuo foi de 0,1%, atingindo R$ 1.094,40. A maior queda
no mês passado, frente a abril, foi registrada em Porto Alegre
(-2,7%) e a maior alta em Belo Horizonte (5,7%).
Os salários dos
empregados do setor privado sem registro apresentaram evolução
de 8,5% frente a 2008 e de 5,5% sobre abril, ficando em R$ 883,90.
São Paulo liderou
o acréscimo mensal, que foi de 7,8%.
A única queda frente
a abril coube ao Recife (-7,3%).
Para quem trabalha no setor
privado com carteira assinada, os rendimentos acumularam aumento
de 3,4% em um ano.
Já entre abril e
maio de 2009, houve queda de 0,2%, registrando R$ 1.260,10.
A maior alta mensal coube
a Salvador (4,8 %) e a maior queda, de 4,9%, ao Rio de Janeiro.
Renda
por atividade econômica
No mês passado, frente a abril, das sete atividades econômicas
analisadas, os profissionais que trabalham no setor de serviços prestados
a empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação
financeira viram sua renda média cair 6,2%.
Profissionais de educação,
saúde, serviços sociais, administração
pública, defesa e seguridade social também tiveram
queda nos rendimentos, de 4,2%, assim como os de outros serviços
(-1,7%) e serviços domésticos (-0,5%).
Os demais apresentaram
alta: indústria extrativa, de transformação
e distribuição de eletricidade, gás e água
(3,7%); comércio, reparação de veículos
automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio
a varejo de combustíveis (1,1%) e Construção
(7,2%).
No confronto anual, todos
os grupamentos de atividade investigados pela PME apresentaram
alta.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
26 de junho de 2009 | Economia
IBGE: emprego 'continua sentindo
o efeito da crise'
Agência Estado
O gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo, disse que apesar da "estabilidade" na
taxa de desemprego em maio (8,8%) em relação a abril (8,9%),
o mercado de trabalho metropolitano "está menos favorável".
Segundo ele, os dados da pesquisa em maio mostram que o emprego "continua
sentindo o efeito da crise".
Azeredo observou que a
taxa de desemprego em maio ainda é maior do que em igual
período do ano passado (em maio de 2008 a taxa era de 7,9%). "Há aumento
no número de desocupados e o emprego formal está diminuindo
o ritmo de crescimento", disse. Azeredo exemplificou que,
na média de janeiro a maio de 2008 o número de vagas
com carteira assinada aumentou 8,6% e, em igual período
de 2009, aumentou bem menos (2,9%). "O número de empregos
com carteira está mostrando evolução não
satisfatória", disse Azeredo.
Em maio, o número
de empregados com carteira aumentou 0,2% ante abril, abaixo do
aumento dos sem carteira (1,4%). Porém, na comparação
com maio do ano passado, o número de vagas aumentou 2,1%,
enquanto as vagas sem carteira decresceram 3,8%. Ainda assim, Azeredo
destaca a perda de ritmo no aumento do grupo com carteira na comparação
anual, já que em maio do ano passado houve alta de 9,0%.
Azeredo sublinhou também que, na média de janeiro
a maio deste ano, a taxa de desemprego foi de 8,7%, enquanto em
igual período do ano passado era de 8,3%. "A crise
afeta o mercado de trabalho e avanços outrora observados
não mais existem", disse Azeredo.
População desocupada
A população
desocupada somou 2,04 milhões em maio, com queda de 0,5%
ante abril, mas aumento de 13% ante maio do ano passado. Em maio
de 2009, havia 234 mil desocupados a mais nas seis principais regiões
metropolitanas do País pesquisadas pelo IBGE do que em igual
mês de 2008. O número de ocupados nas seis regiões
somou 20,98 milhões em maio, com aumento de 0,3% ante abril
e alta de 0,2% ante maio do ano passado, segundo o IBGE. As duas
variações são consideradas como "estabilidade" pelo
instituto.
O aumento de 13% no número
de desocupados em maio ante igual mês do ano passado representou
o maior acréscimo na comparação com igual
mês de ano anterior apurado pela pesquisa mensal de emprego
do IBGE desde agosto de 2006. Por outro lado, em maio foi registrada
também a segunda queda consecutiva no número de desocupados
ante o mês anterior.
"O mercado não
está criando vagas e há procura por emprego, por
isso o número de desocupados continua aumentando ante
o ano passado" disse Azeredo, para quem "o número
de geração de postos é pífio".
Em maio ante igual mês do ano passado foram gerados apenas
45 mil postos de trabalho e o número de desocupados aumentou
em 234 mil pessoas.
|
Vermelho, 26 de junho
de 2009
Barbosa vota contra decisão
de FHC de suspender Convenção 158
O ministro Joaquim Barbosa
votou contra a decisão do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso de suspender a Convenção 158 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que protege o trabalhador contra
a demissão arbitrária.
O tema está em julgamento
no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Ação
Direta de Inconstitucionalidade (Adin) ajuizada pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e pela Central Única
dos Trabalhadores (CUT).
As entidades contestam
o Decreto Federal de 1996, do então Presidente da República,
Fernando Henrique Cardoso, que excluiu a aplicabilidade no Brasil
da Convenção 158 da OIT.
Alegam que um ato unilateral
do presidente da República relativo a tratado internacional
fere o artigo da Constituição Federal que trata das
competências do Congresso Nacional.
O ministro Joaquim Barbosa
julgou totalmente procedente a ação para declarar
inconstitucional o decreto presidencial. O julgamento está suspenso
devido a pedido de vista.
Em seu voto, Joaquim Barbosa
diz que "quaisquer tratados somente podem ser denunciados
com a anuência prévia do Congresso Nacional",
acrescentando que "as circunstâncias do caso em concreto
deixam mais evidente essa necessidade", ressaltando duas delas:
a forma com que o Congresso Nacional aprovou o texto da Convenção
158 da OIT, e, o fato de a Convenção 158 da OIT versar
sobre direitos humanos.
A Convenção
158 da OIT foi aprovada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto
Legislativo de 1992.
O ato, que contém
apenas dois artigos, deixa claro, em seu parágrafo único
que "são sujeitos à aprovação
do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão
da referida convenção, bem como aqueles que se destinem
a estabelecer ajustes complementares".
Maneira
arbitrária
A segunda especificidade apontada pelo ministro da STF diz respeito ao fato
de que a Convenção 158 da OIT não é um tratado
comum, mas um tratado que versa sobre direitos humanos.
"Se se reconhece à Convenção
158 da OIT o status de tratado de direitos humanos, chega-se facilmente à conclusão
de que o Poder Executivo não podia, sem a intervenção
do Congresso, denunciar o referido tratado. Isso porque, estar-se-ia
permitindo que uma norma de grau hierárquico bastante privilegiado
pudesse ser retirada do mundo jurídico sem a intervenção
de um órgão legislativo", afirma Barbosa.
Ele avalia ainda a atitude
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como uma "maneira
arbitrária" de reduzir "o nível de proteção
de direitos humanos garantido aos indivíduos no ordenamento
jurídico nacional".
Para o ministro, "a
solução mais adequada" é declarar a inconstitucionalidade
por completo do Decreto, enfatizando que "creio não
ser possível ao Presidente da República denunciar
tratados sem o consentimento do Congresso Nacional".
|
CorreioWeb, 26 de junho
de 2009
Plano Real, recuperação
do mínimo, com proposta das centrais
Corrigido pela inflação
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
(INPC), o valor do salário mínimo voltou ao nível
dos anos 1970.
Desde a implementação
do Plano Real, há 15 anos, a menor remuneração
permitida pela legislação brasileira cresceu 116%
em termos reais.
O ritmo de expansão
foi muito maior no Governo Luiz Inácio Lula da Silva do
que no de Fernando Henrique Cardoso. Entre 1995 e 1998, os rendimentos
subiram 24% (5,5% ao ano), e de 1999 a 2003, 17% (3,3% ao ano).
A partir de 2004, a elevação
foi de 48%, o equivalente a 6,8% ao ano.
Autor dos cálculos,
o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira, chama essa
evolução de "o novo milagre brasileiro",
numa referência ao período dos anos 1970, em que a
economia cresceu a taxas superiores a 8% anuais.
"A implementação
do Plano Real foi um marco de reversão na deterioração
de valor do salário mínimo, que, desde então,
passou a dar sinais de expressiva recuperação. A
hiperinflação (1) vivida nos tempos que antecederam à implantação
do real corroía completamente o poder de compra do salário
mínimo", constata.
Segundo Pereira, após
a adoção do plano, a garantia da estabilidade de
preços permitiu a recuperação do valor real
do mínimo. Isso foi fundamental na melhora do poder de compra
da população de mais baixa renda, permitindo a incorporação
de milhões de pessoas no mercado consumidor.
"A partir de 2003,
o ganho do salário mínimo foi ainda maior, embutindo
não só as vantagens da estabilidade conquistada por
meio do controle da inflação, como uma proposta política
mais ousada na negociação dos valores de aumento
junto ao Congresso Nacional", diz.
Previdência
Só na Previdência Social, 17,8 milhões de pessoas recebem
um salário mínimo, o que equivale a 68% dos benefícios
pagos.
Apesar dos ganhos desde a edição do Plano Real, o valor ainda
está bem abaixo do que seria necessário para cumprir a determinação
constitucional.
Nos termos da Constituição
Federal de 1988, ele deve ser capaz de atender as necessidades
básicas do trabalhador e de sua família com moradia,
alimentação, educação, saúde,
lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência
social.
Na estimativa do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos
(Dieese), o rendimento deveria subir dos atuais R$ 465 para R$
2.045,06.
Hiperinflação
A hiperinflação corresponde a uma inflação
com taxas extremamente elevadas (1000% ou mais).
Os dois casos mais notórios
são o da Alemanha, que registrou hiperinflação
nos anos 20, e o Brasil nos anos 80 e 90.
Em 1990, por exemplo, Brasil
apurou inflação de 56% em janeiro, de 73% em fevereiro
e de 84% em março.
Em 1993, a inflação
chegou a 2.477%.
Nessas situações,
o dinheiro perde valor rapidamente, torna-se um meio ineficaz de
padronizar valores, provando grandes distorções na
economia.
|
Agência Diap,
26 de junho de 2009
Antônio Augusto de
Queiroz*: centrais devem reagir à Adin do DEM
Dirigentes e advogados,
além de contatos e entrega de memoriais aos ministros
do STF, não podem prescindir das táticas político-jurídicas,
entre as quais um trabalho por novos pedidos de vistas, caso
a matéria retorne à pauta sem que os ministros
estejam devidamente esclarecidos
Com o placar de três
votos contrários e dois favoráveis às centrais
sindicais, o STF, por pedido de vista do ministro Eros Grau,
interrompeu o julgamento da Ação Direta de Inconstitucional
(Adin) 4067, do Democratas, que questiona a destinação
de parcela da contribuição sindical às centrais
sindicais, prevista na Lei 11.648/08.
Votaram pela inconstitucionalidade
da lei, além do relator, Joaquim Barbosa, os ministros
Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski, e a favor da transferência
desses recursos às representações máximas
dos trabalhadores, os ministros Marco Aurélio e Carmem
Lúcia.
Faltam votar, além
do autor do pedido de vistas, Eros Grau, os ministros Carlos
Ayres de Britto, Ellen Gracie, Celso de Mello, Menezes de Direito
e Gilmar Mendes. Seis votos, no colegiado de 11, decidem a controvérsia,
contra ou favor da constitucionalidade da lei.
O assunto, conforme antecipado
em artigo de
22 de junho, possui forte conotação política,
o que irá exigir um grande esforço de esclarecimento
junto aos ministros do STF, tanto na esfera jurídica,
quanto na dimensão política.
No plano jurídico,
as centrais precisam providenciar a contratação
de pareceres de juristas renomados (doutrinadores ou ex-ministros
do próprio STF) para incorporar ao memorial a ser distribuído
a todos os integrantes da Suprema Corte, inclusive aos que já votaram,
em defesa da constitucionalidade da contribuição.
No plano político,
além de mostrar a importância desses recursos para
a organização dos trabalhadores no País,
devem chamar a atenção para o interesse do autor
da Adin no tema, que não é outro senão o
de enfraquecer econômica e financeiramente as centrais
sindicais.
Os dirigentes e advogados
das centrais, além de contatos e entrega de memoriais
aos ministros do STF, não podem prescindir das táticas
político-jurídicas, entre as quais um trabalho
por novos pedidos de vistas, caso a matéria retorne à pauta
sem que os ministros estejam devidamente esclarecidos de todos
os aspectos que a questão envolve.
A perda dessa fonte ou,
pior ainda, a devolução do que já foi recebido
em 2008 e 2009, será um golpe mortal nas centrais sindicais
brasileiras, uma experiência que vem se revelando extremamente
acertada na defesa dos interesses gerais dos trabalhadores.
Além disto, o
resultado dessa Adin poderá servir de referência
para o julgamento da ação do PPS - ADPF (argüição
de descumprimento de preceito fundamental), que questiona a legalidade
da contribuição sindical, correspondente a um dia
de trabalho, paga anualmente pelos trabalhadores aos seus síndicos,
federações e confederações.
O tema, a julgar pelo
resultado parcial, divide opiniões no Supremo.
Por isso, a idéia
de trabalhar novo pedido de vista quando a matéria voltar à pauta – seja
para ganhar tempo para esclarecer os ministros, seja para trabalhar
uma fonte alternativa de recursos – pode ser interessante,
sob pena de asfixia financeira das entidades de representação
máxima dos trabalhadores brasileiros.
(*) Jornalista, analista
político e diretor de Documentação do Diap
|
Folha de S.Paulo, 26
de junho de 2009
Cresce pressão de senadores
por saída de Sarney
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Senadores subiram ontem à tribuna para defender o afastamento de José Sarney
(PMDB-AP) da Presidência do Senado. O primeiro a pedir o afastamento
foi o também peemedebista Pedro Simon (RS), que afirmou que a saída
de Sarney não significaria "autoculpa", mas um "ato de
grandeza".
" O presidente Sarney deve se afastar. Para o bem dele, de sua família,
de sua história", disse. "Antes que a saída dele fique
insustentável", complementou.
Simon disse que, como presidente da Casa, Sarney não pode responder
questões do "neto, do mordomo, do diretor que ele criou e manteve
por 14 anos", referindo-se às revelações feitas nas últimas
semanas.
Foram na mesma linha de Simon os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Marisa
Serrano (PSDB-MS) e Cristovam Buarque (PDT-DF). "Estamos precisando arrumar
a casa. Agora, ele tem que pensar na instituição", afirmou
Serrano.
Demóstenes Torres (DEM-GO) afirmou que o presidente do Senado deve se
afastar de investigações internas sobre responsabilidades nos
casos dos atos secretos. Na próxima semana, o DEM decide se pede o afastamento
do senador.
Outros senadores, como Heráclito Fortes (DEM-PI) e Wellington Salgado
(PMDB-MG), defenderam que Sarney permaneça no cargo. Para Salgado, Sarney
não deixou de tomar as medidas necessárias para apuração
dos fatos referentes aos atos secretos mesmo estando no cargo de presidente.
Paulo Duque (PMDB-RJ) subiu à tribuna para ler uma nota em defesa do
neto de Sarney, José Adriano Cordeiro Sarney.
Representações
Tentando partir para a ação, o PSOL preparou três representações
contra os últimos presidentes do Senado -José Sarney, Garibaldi
Alves e (PMDB-RN) e Renan Calheiros (PMDB-AL)- para averiguar os atos secretos,
mas decidiu só entregá-las ao Conselho de Ética da Casa
na próxima semana.
Parte da bancada prefere garantir um número maior de assinaturas do
requerimento de uma CPI antes de entrar com as representações.
Até o final da tarde, só havia duas assinaturas, de um total
de 28 necessárias. O Conselho de Ética do Senado, que deveria
estar formado desde março segundo norma da Casa, ainda não está composto.
A Secretaria Geral da Mesa afirmou que nem todos os partidos entregaram as
indicações para o conselho, mas se negou a informar quais eram
os partidos.
|
FOLHA DE LONDRINA, 26
de junho de 2009 | Política
Divulgação na
internet coloca ‘em xeque’ despesas de senadores
Informações colocadas no novo
Portal da Transparência revelam que determinadas despesas mereceriam
ser justificadas pelos parlamentares
Curitiba - Em meio a uma
grave crise, o Senado colocou um novo Portal da Transparência
na internet, no início da semana, para divulgar detalhes
sobre o uso da verba indenizatória. Trata-se de uma quantia
de R$ 15 mil por mês para cada um dos senadores gastarem,
por exemplo, com aluguel de imóveis para escritório
político (e despesas relacionadas ao local), locomoção,
hospedagem, alimentação, combustível, despesas
postais, internet. Os detalhes das despesas efetuadas, contudo,
podem colocar em ‘‘xeque’’ o uso que se
faz da verba indenizatória. Levantamento feito pela Reportagem
com base nas informações colocadas no novo Portal
da Transparência revela que determinadas despesas, da forma
como aparecem na internet, mereceriam ser justificadas pelos senadores.
A conclusão é do
cientista político Sérgio Braga, da Universidade
Federa l do Paraná (UFPR), ao comentar os dados levantados.
Entre os gastos do senador Flávio Arns (PT) com a verba
indenizatória relativos aos meses de abril, maio e junho,
por exemplo, estão mais de R$ 1 mil pagos à empresa
Brasília Alvorada Hotel. Mas senadores que recebem auxílio-moradia
do Senado, caso do petista, não podem se hospedar em hotéis
localizados na cidade de Brasília. A assessoria de imprensa
de Arns explica, contudo, que as despesas devem ser referentes à alimentação
(já que o hotel oferece refeições a não
hóspedes) ou à hospedagem de assessores do senador.
A dúvida não
foi esclarecida ontem, até o fechamento da edição,
mas o cientista político comenta que o ideal seria a divulgação
na internet também das notas fiscais ‘‘em pdf’’ das
despesas, ‘‘detalhando o serviço pago pela empresa
e o nome do benefi-ciário’’. Segundo Braga,
o novo Portal da Transparência do Senado representa ‘‘um
avanço substancial’’, mas as notas fiscais devem
ser ‘‘o próximo passo’’.
No caso do senador Osmar
Dias (PDT), o cidadão que entrar no novo Portal da Transparência
vai encontrar uma soma de mais de R$ 2 mil com churrascarias, referentes
aos meses de abril e maio (as despesas de junho do pedetista ainda
não constam na internet). A assessoria de imprensa de Osmar
não sabia dar detalhes sobre tais despesas ontem e recomendou
que a Reportagem falasse direto com o senador. O pedetista não
foi encontrado.
Já o senador Alvaro Dias
(PSDB) ‘‘abriu
mão’’ da verba indenizatória desde abril.
A decisão, segundo a assessoria de imprensa do tucano, ocorreu
na época em que havia suspeita de uso irregular da verba
indenizatória por parte de outros senadores.
Embora considere alto hoje
o valor da verba indenizatória, Braga ressalta que ‘‘o
importante é a prestação de contas’’. ‘‘Senadores
têm suas bases em outras regiões, precisam se deslocar,
têm gasto com alimentação, mas é preciso
divulgar’’, afirma ele. Um dos motivos para dar transparência,
segundo ele, seria o controle social dos gastos. ‘‘Acho
que vai diminuir os eventuais abusos. Eles vão ter mais
cuidado’’, acredita ele.
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/06/2009
Sexta Turma reafirma que arbitragem é inaplicável
a contratos individuais
A Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho aplicou em mais um caso o entendimento de
que o instituto da arbitragem não é admissível
nos contratos individuais de trabalho. Desta vez, os ministros
rejeitaram agravo de instrumento da Empresa Brasileira de Segurança
e Vigilância Ltda. em ação trabalhista de ex-vigilante
da empresa que teve a rescisão contratual feita por meio
de arbitragem.
Como há decisões
diferentes no TST sobre essa mesma matéria, ficará a
cargo da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1) uniformizar a jurisprudência no Tribunal.
Enquanto isso não acontece, a Sexta Turma vem reafirmando
a tese exposta no voto do relator do processo, ministro Horácio
de Senna Pires, de que a arbitragem é incompatível
com o Direito do Trabalho, na medida em que empregado e patrão
não negociam livremente num contrato individual de trabalho.
O relator explicou que as desigualdades (jurídica e econômica)
existentes entre as partes prejudicam a livre manifestação
da vontade.
Depois de trabalhar por
mais de oito anos na empresa de segurança, o empregado foi
demitido sem justa causa, e a rescisão contratual foi feita
por acordo junto ao TAESP – Tribunal de Arbitragem do Estado
de São Paulo. No entanto, para o vigilante, ainda ficaram
pendentes diferenças salariais, tais como o pagamento de
horas extras e descanso semanal remunerado, além da regularização
dos depósitos do FGTS.
A 39ª Vara do Trabalho
da capital paulista e o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP) não reconheceram a quitação do contrato
por meio de arbitragem. Para o TRT, a arbitragem não pode
ser feita para homologar o pagamento de verbas rescisórias – isso
deveria ser feito na Delegacia Regional do Trabalho ou no sindicato
da categoria do empregado. Segundo o Regional, a quitação
geral e irrestrita do contrato pelo tribunal de arbitragem para
impedir ação judicial seria manobra fraudulenta que
impõe ao trabalhador a renúncia de direitos.
No recurso de revista apresentado
ao TST, a empresa alegou que o acordo firmado com o vigilante tinha
força de título executivo extrajudicial, nos termos
do artigo 625 da CLT. Esse dispositivo estabelece que empresas
e sindicatos podem instituir Comissões de Conciliação
Prévia com a atribuição de conciliar os conflitos
individuais do trabalho. No mais, sustentou que a decisão
regional desrespeitou os princípios constitucionais do direito
adquirido, da coisa julgada e do reconhecimento das convenções
e acordos coletivos de trabalho.
Só que, pela análise
do relator, a rediscussão da matéria, por meio de
revista no TST, era impossível, uma vez que não fora
constatada violação literal dos dispositivos apontados.
Também o argumento da empresa de que a arbitragem estava
prevista em norma coletiva não foi discutido no acórdão
regional, portanto, o TST, que é instância extraordinária,
não poderia fazê-lo. Por último, o ministro
reconheceu as vantagens do uso da arbitragem na solução
de conflitos como forma de desafogar o Judiciário, mas defendeu
sua aplicação somente no Direito Coletivo do Trabalho.
Os demais ministros da Sexta Turma, por unanimidade, acompanharam
o voto do relator e negaram provimento ao agravo de instrumento
da empresa. ( AIRR – 415/2005-039-02-40.9)
(Lilian Fonseca)
|
Agência Brasil,
25 de junho de 2009
Brasil perdeu 750 mil empregos
formais em 3 meses, aponta Dieese
O mercado de trabalho nacional
perdeu 750 mil vagas de emprego formal de dezembro a fevereiro,
segundo um estudo divulgado, nesta terça-feira (23), pelo
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese).
O levantamento da entidade
mostra que a perda representa um corte de 2,3% do total de postos
de trabalho do país e é um dos impactos da crise
mundial na economia brasileira.
"Estes três
meses [dezembro, janeiro e fevereiro] são, tradicionalmente,
meses de ajustes sazonais no nível de emprego. Geralmente,
temos mais demissões que contratações. Mas,
este ano, a crise agravou a situação", disse
o coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre,
em entrevista à Agência Brasil.
Só em dezembro,
por exemplo, a crise aumentou em 305 mil o número de demissões
no país, de acordo com o Dieese. Nas previsões da
entidade, o Brasil perderia 350 mil vagas de trabalho naquele mês.
Porém, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
acabou apontando um corte de 655 mil vagas.
O estudo do Dieese aponta
ainda que boa parte das vagas eliminadas desde dezembro são
do setor de agropecuária e da indústria de transformação,
os mais prejudicados em termos percentuais. Só agropecuária
demitiu 8,6% dos seus empregados durante esse período. Já a
indústria de transformação demitiu 5%.
Silvestre afirmou, porém,
que pelo menos uma parcela de todas essas demissões poderia
ter sido evitada, independentemente do agravamento da crise no
mundo ou no Brasil.
Segundo ele, existe uma
grande facilidade para se demitir no país e alguns empresários
se aproveitam dessa facilidade para cortar mais vagas que o necessário.
"É difícil
mensurar o que foram demissões causadas pela crise e o que
foram ajustes antecipados promovidos pelos próprios empresários",
afirmou Silvestre, citando casos de companhias que anunciaram demissões
em massa ao mesmo tempo que anunciaram um aumento de sua produção
para 2009.
Silvestre disse que o corte
desnecessário de vagas tem outro efeito negativo: a precarização
do trabalho. Ele disse que o país, desde 2002, apresenta
melhorias neste sentido, com o aumento do salário mínimo
e do salário dos recém-contratados.
Essas melhorias, porém,
estão comprometidas pela crise e pela falta de regras rígidas
sobre as demissões injustificadas.
De acordo com Silvestre,
o Brasil deveria criar leis que impeçam as demissões
em justa causa, assim como o previsto pela Convenção
158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
"O custo da demissão
já está embutido no custo do trabalhador. Enquanto
não tivermos uma lei que iniba as demissões, vamos
ter esta alta rotatividade", afirmou.
|
Agência Diap,
25 de junho de 2009
Vista adia julgamento de Adin
contra contribuição sindical às centrais
Vista foi formulada quando
o relator, ministro Joaquim Barbosa, Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski
haviam votado parcialmente favorável à Adin, porém
contra a destinação de parcela da contribuição
sindical às centrais. Entidades precisam reagir para evitar
retrocesso
Pedido de vista do ministro
Eros Grau interrompeu, nesta quarta-feira (24), no plenário
do Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento da Ação
Direta de Inconstitucionalidade (Adin 4067) do Democratas (ex-PFL),
que questiona repasse de recursos da contribuição
sindical às centrais.
A adin questiona a possibilidade
de substituição de entidades sindicais - sindicatos,
federações e confederações - por centrais
sindicais e, por via de consequência, a destinação, às
centrais, de 10% dos recursos arrecadados pela contribuição
sindical prevista no artigo 589 da Consolidação das
Leis do Trabalho (CLT), com a nova redação dada pela
Lei 11.648/08, que regulamentou o funcionamento das centrais sindicais.
O pedido de vista foi formulado
quando o relator, ministro Joaquim Barbosa, os ministros Cezar
Peluso e Ricardo Lewandowski haviam votado parcialmente favorável àa
Adin, porém pela impossibilidade da destinação
de parcela da contribuição sindical às centrais.
O ministro Marco Aurélio
votou pela improcedência da Adin e a ministra Cármen
Lúcia, parcialmente favorável, mas concordando com
a destinação de parte da contribuição
sindical às centrais.
Voto
do relator
Em seu voto, o ministro Joaquim Barbosa salientou que as centrais sindicais
não fazem parte da estrutura sindical, embora possam exercer papel importante
em negociações de interesse dos trabalhadores.
Segundo ele, elas "não
podem substituir as entidades sindicais nas hipóteses em
que a Constituição ou a lei obrigam ou permitem o
envolvimento de tais entes na salvaguarda dos interesses dos trabalhadores".
Assim, conforme o ministro, "as
centrais sindicais não podem ser sujeito ativo ou destinatário
de receita arrecadada com tributo destinado a custear atividades
nas quais as entidades sindicais não podem ser substituídas".
Diante desses argumentos,
ele julgou a Adin ajuizada pelo DEM "procedente para interpretar
o caput do artigo 1º e o respectivo inciso II da Lei 11.648/08
de modo a fixar que a representação geral dos trabalhadores
e a participação nas negociações em
foros, colegiados e órgãos públicos e demais
espaços de diálogo social que possuam composição
tripartite - sindicatos, federações e confederações
-, nos quais estejam em discussão assuntos de interesse
geral dos trabalhadores, não podem prejudicar, pela substituição,
a competência outorgada pela Constituição às
entidades sindicais de base ou de grau superior".
Quanto aos artigos 589,
caput e inciso II b, parágrafos 1º e 2º, bem como
o artigo 593 da CLT, ele declarou a inconstitucionalidade integral
das modificações neles efetuadas pela Lei 11.648/08,
bem como da expressão "ou central", contida nos
parágrafos 3º e 4º do artigo 590, bem como da
expressão "e as centrais sindicais", constante
do caput do artigo 593 e seu parágrafo.
Em seu voto acompanhando
o relator, o ministro Ricardo Lewandowski observou que as centrais
não integram o modelo de representação de
uma determinada categoria sindical e que a unicidade sindical preconizada
pela CF não autoriza as centrais sindicais a exercer funções
específicas dos sindicatos e, portanto, de receber a contribuição
sindical. No mesmo sentido se pronunciou o ministro Cezar Peluso.
Já o ministro Marco
Aurélio, que abriu a divergência, sustentou que as
centrais têm representação efetiva. A CUT,
por exemplo, tem 1.670 sindicatos filiados.
Segundo ele, a contribuição
sindical não precisa, obrigatoriamente, ficar no âmbito
das entidades sindicais. Nesse sentido, ele observou que, anteriormente,
20% de sua arrecadação eram destinados ao Governo.
Impugnações
Na Adin, o DEM pede a declaração de inconstitucionalidade dos
artigos 1º, II, e 3º, da Lei 11.648/08; do artigo 589, II, "b",
e parágrafos 1º e 2º, e do artigo 593 da CLT, com a redação
atribuída pela Lei 11.648/08.
Em seu artigo 1º,
inciso II, a Lei 11.648 inclui entre as atribuições
das centrais a de "participar de negociações
em fóruns, colegiados de órgãos públicos
e demais espaços de diálogo social que possuam composição
tripartite - empregados/empregadores/Governo - nos quais estejam
em discussão assuntos de interesse geral dos trabalhadores".
O artigo 3º da lei
trata da prerrogativa de as centrais indicar representantes nos
fóruns tripartites, conselhos e colegiados de órgãos
públicos a que se refere o inciso II do caput do artigo
1º da lei.
Já os artigos 589
e 593 tratam da destinação da contribuição
sindical.
Alegações
e sofismas
Na ação, o DEM sustenta que os recursos da contribuição
sindical têm finalidade específica, "expressamente constitucional",
sendo vedada sua utilização para o custeio de atividades que
extrapolem os limites da respectiva categoria profissional.
Segundo o partido, o repasse
determinado pela Lei 11.648/08 desvia recursos para as centrais,
que não têm como finalidade precípua a defesa
de interesses de uma ou outra categoria, sendo por isso manifestamente
inconstitucional.
Quanto à atuação
das centrais sindicais, observa que a Constituição,
em seu artigo 8º, inciso III, aponta os sindicatos como representantes
dos trabalhadores das respectivas categorias profissionais.
Segundo o DEM, em nenhum
momento a CF cogita da atuação das centrais sindicais
nesse campo. Dessa forma, a participação delas em
fóruns e órgãos públicos organizados,
sob forma tripartite, seria inconstitucional, não podendo
servir para embasar o repasse de parte da contribuição
sindical às centrais.
Em sustentação
oral que fez na sessão desta quarta, o advogado do DEM reforçou
o argumento de que a CF de 1988 abrigou o modelo de representação
dos trabalhadores composto por sindicatos, federações
e confederações, não contemplando as centrais
sindicais.
Ele lembrou, inclusive,
que o STF não tem reconhecido às centrais legitimidade
para ajuizar ações diretas de inconstitucionalidade
e outras ações de controle abstrato de normas frente à CF.
Neste sentido, ele citou
a Adin 271, relatada pelo ministro Moreira Alves (aposentado),
que não reconheceu legitimidade à CUT para ajuizar
Adin. Outros precedentes por ele e citados foram a Adin 1442, relatada
pelo ministro Celso de Mello, e 1969, relatada pelo ministro Ricardo
Lewandowski.
Assim, segundo ele, não
sendo as centrais integrantes do sistema sindical concebido pela
CF de 1988, não poderiam receber parte da contribuição
sindical.
Em apoio a sua tese, ele
citou, ainda, parecer da Procuradoria Geral da República
(PGR), segundo o qual a contribuição sindical é destinada
ao custeio do sistema sindical, modelo em que as centrais não
estão incluídas.
CUT,
pelas centrais
O advogado da Central Única dos Trabalhadores (CUT) defendeu a constitucionalidade
dos dispositivos da Lei 11.648/08 impugnados pelo DEM. Observou que, embora
a CF preconize um sistema confederativo, não excluiu as centrais sindicais.
Essas, segundo ele, figuram
em tratados internacionais de que o País é signatário
e integram órgãos importantes de deliberação
de interesse dos trabalhadores, como o Conselho do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço, por exemplo.
Segundo ele, embora a CF
de 1988 recepcionasse o sistema sindical vigente na época,
não excluiu entidades representativas mais amplas dos trabalhadores.
Em seu entender, a lei impugnada supriu apenas uma omissão,
ao regulamentar os artigos 589 e 593 da CLT.
E o que fez foi destinar às
centrais apenas uma parte da parcela de 20% da contribuição
sindical antes destinada ao Governo (MTE).
E essa parcela, conforme
observou é destinada pelo Orçamento Geral da União
ao Ministério do Trabalho, para ele aplicar em ações
relacionadas a emprego e salário, não a uma determinada
categoria.
Ademais, segundo o advogado,
a destinação dos 10% da contribuição
sindical às centrais somente atinge aquelas categorias a
elas filiadas. Portanto, não se trata de uma contribuição
compulsória, como argumentou o DEM, mas de livre deliberação
das categorias.
Além disso, segundo
ele, as centrais não existiriam se não existissem
sindicatos, federações e confederações,
que a elas se filiam e que podem, inclusive, delegar-lhe poderes
para propor ações de controle abstrato da CF.
AGU
" O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Advocacia Geral da União
(AGU) pugnam pela improcedência da Adin", afirmou o advogado-geral
da União, José Antonio Dias Toffoli, sustentando a legalidade da
legislação impugnada.
Ele lembrou que as centrais
sindicais existem desde 1983, quando o Brasil ainda estava sob
regime militar e era presidido pelo general João Batista
de Figueiredo.
Ele disse que não
há dispositivo constitucional que vede a criação
de centrais sindicais e que essas são entidades sindicais,
porque foram criadas por entidades sindicais.
|
Folha de São
Paulo, 25 de junho de 2009
Crise derruba em 15% o número
de milionários no mundo
Brasil cai menos que média global
e passa a ser 10º país com mais pessoas com patrimônio
de US$ 1 mi
ÁLVARO FAGUNDES
DA REDAÇÃO
A crise, que afundou em
níveis recordes algumas das principais economias globais
e derrubou grandes Bolsas, também diminuiu o número
de milionários no mundo em 2008, encerrando um ciclo de
seis anos seguidos de alta. No Brasil, a queda foi menos intensa
que a média, permitindo que o país avançasse
na lista dos que têm maior número de milionários.
O número de pessoas no mundo com patrimônio de ao menos US$ 1
milhão (excetuando a sua principal residência) caiu 14,9% entre
2007 e 2008, para 8,6 milhões. Foi a primeira queda desde 2001, e de
forma intensa -o recuo anterior havia sido de 1,4%.
O patrimônio total dos milionários recuou com ainda mais força:
19,5%. Isso quer dizer que US$ 7,9 trilhões (ou mais da metade do PIB
de 2008 da economia americana) deixaram de estar nas mãos de milionários,
que ainda assim mantinham US$ 32,8 trilhões em 2008. Ou seja, pouco
mais de 1% da população concentrava mais da metade do equivalente
a todos bens e serviços produzidos no mundo no ano passado.
A pesquisa afirma que a crise também mudou o perfil das aplicações
dos milionários. Com as Bolsas mundiais perdendo praticamente uma década
de ganhos em 2008, eles passaram a priorizar investimentos mais seguros e hoje
dinheiro e títulos de renda fixa respondem por 50% do portfólio.
No Brasil, o número de milionários teve queda de 8,4%, mas o
total de 131 mil pessoas foi suficiente para que o país pela primeira
vez ficasse entre os dez primeiros do ranking geral, ultrapassando Espanha
e Austrália, diz estudo da consultoria Capgemini e do Merrill Lynch.
Uma das explicações para a queda menor no Brasil é que
os milionários na América Latina tendem a fazer investimentos
mais conservadores que os americanos, por exemplo, favorecendo aplicações
de renda fixa -a Bovespa recuou 40% no ano passado.
Segundo o estudo, o número de milionários na América Latina
deverá voltar a se expandir quando as economias dos EUA e da Ásia
começarem a se recuperar, já que a região tem as commodities
e a capacidade industrial que serão necessárias no período
de retomada.
O Brasil é a 11ª nação mais desigual do mundo, segundo
levantamento da ONU com 126 países, ficando atrás de localidades
como Zimbábue e Nepal.
|
Agência Carta
Maior, 25 de junho de 2009
Bancos tiveram mais ajuda
em 2008 que pobres em 50 anos
Segundo dados divulgados pela Organização das Nações
Unidas (ONU), enquanto os países pobres receberam, em meio século,
cerca de US$ 2 bilhões em doações de países ricos,
bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas
um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública. A ONU alertou que a
crise econômica mundial piorará ainda mais a situação
dos países mais pobres, agravando os problemas da fome, da desnutrição
e da pobreza.
O setor financeiro internacional recebeu, apenas em 2008, quase dez vezes mais
recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos
cinqüenta anos. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (24) pela campanha
da Organização das Nações Unidas (ONU) pelas Metas
do Milênio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto
os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 bilhões
em doações de países ricos, bancos e outras instituições
financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública.
A ONU alertou que a crise
econômica mundial piorará ainda mais a situação
dos países mais pobres, lembrando que, na semana passada,
a Organização para a Agricultura e Alimentação
(FAO) afirmou que a crise deixará cerca de 1 bilhão
de pessoas passando fome no mundo.
A revelação
foi feita no início de uma conferência entre países
ricos e pobres, que ocorre na sede da ONU, em Nova York, para debater
o impacto da crise. Segundo o diretor da Campanha pelas Metas do
Milênio, Salil Shetty, esses números mostram que a
destinação de recursos públicos ao desenvolvimento
dos países mais pobres não é uma questão
de falta de recursos, mas sim de vontade política.
“ Sempre digo que
se você fizer uma promessa e não cumprir, é quase
um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não
cumprir, então é praticamente um crime”, disse
Shetty à BBC. “O que é ainda mais paradoxal”,
acrescentou, “é que esses compromissos (firmados pelos
países ricos para ajudar os mais pobres) são voluntários”. “Ninguém
os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados”,
criticou o funcionário da ONU.
Um dos efeitos desta perversa
distorção foi apontado pela FAO: a quantidade de
pessoas desnutridas aumentará no mundo em 2009, superando
a casa de um bilhão. “Pela primeira vez na história
da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente
1,02 bilhão, sofrerão de desnutrição
em todo o mundo”, advertiu a entidade. A FAO considera subnutrida
a pessoa que ingere menos de 1.800 calorias por dias.
Do total de pessoas subnutridas
hoje no mundo, 642 concentram-se na Ásia e na região
do Pacífico e outras 265 milhões vivem na África
Subsaariana. Na América Latina e Caribe, esse número é de
53 milhões de pessoas. Em 2008, o total de desnutridos tinha
caído de 963 milhões para 915 milhões. O motivo
foi uma melhor distribuição dos alimentos, Mas com
a crise, o quadro de fome no mundo voltará a se agravar.
Segundo a estimativa da ONU, um milhão de pessoas deverão
passar fome no mundo nos próximos meses.
Fonte: Carta Maior (http://www.agenciacartamaior.com.br)
|
Confraria da Notícia,
25 de junho de 2009
TRT sugere lay-off; Bosch
recusa e não quer suspender demissões
Sem acordo, o Sindicato
dos Metalúrgicos de Curitiba e empresa voltam a se reunir
em audiências na sexta-feira (26), no Ministério Público,
e na terça-feira (30), novamente no Tribunal Regional do
Trabalho
Terminou sem acordo a audiência
de conciliação realizada entre Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba (SMC) e Bosch do Brasil na manhã de quarta-feira
(24), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
A empresa se negou a suspender
as demissões dos 900 trabalhadores anunciadas na semana
passada. A direção da fábrica não concordou
em adotar qualquer outra medida que viesse como alternativa às
dispensas.
Durante a audiência,
o próprio vice-presidente do Tribunal, que presidiu a audiência,
desembargador Luiz Eduardo Gunther, sugeriu que a Bosch utilizasse
o lay-off (suspensão temporária dos contratos de
trabalho por até cinco meses) como alternativa às
demissões, mas a proposta foi recusada.
"A maioria dos trabalhadores
dispensados, como a própria empresa declara, têm entre
10 e 15 anos de casa, e terá dificuldade em se recolocar
profissionalmente. É preciso buscar medidas para amenizar
o impacto, como o artigo 476 da CLT (lay-off), por exemplo",
disse o magistrado, que falou ainda sobre as vantagens dessa medida.
"O trabalhador ganha
tempo para se qualificar e se recolocar no mercado, abrindo assim
novas perspectivas de trabalho", declarou o desembargador
durante a audiência.
Ele afirmou que o lay-off
seria uma alternativa viável para que se "ganhasse
tempo".
Empedernidos
Mesmo com todas essas argumentações, a Bosch se negou a adotar
o lay-off e cancelar os cortes.
Após negar todas
as alternativas, a empresa limitou-se a oferecer uma espécie
de "indenização" aos demitidos: trabalhadores
com até cinco anos de empresa ganhariam meio salário-base;
de cinco a dez anos, um salário-base; de dez a 15 anos,
um salário-base e meio; e acima de 15 anos, dois salários-bases.
O presidente do SMC, Sérgio
Butka, classificou a proposta como ‘irrisória'. "O
trabalhador que tanto se empenhou merece tratamento digno, não
isso que eles ofereceram".
E afirmou: "Temos
vários outros caminhos para seguir, como o lay-off, aplicado
com sucesso na Renault, ou o banco de horas negativo. Mas infelizmente
a empresa não aceita negociar".
Ainda assim, ficou combinado
na audiência que o Sindicato vai levar a proposta para discussão
em assembléia, na próxima segunda-feira, dia 29,
em frente à fábrica da Bosch, na entrada do primeiro
turno, às 6h.
Desdobramentos
Nesta sexta-feira, dia 26, às 14h, ocorre audiência de conciliação
no Ministério Público do Trabalho.
Nesta audiência,
a Bosch terá que apresentar uma lista com nome, função,
data de admissão e data de demissão dos trabalhadores
que foram dispensados.
Na terça-feira (30)
da próxima semana ocorre nova audiência no TRT, às
9h30.
"Esperamos que
a Bosch adote uma postura socialmente responsável e que
possamos construir uma proposta digna para os trabalhadores",
afirma Sérgio Butka.
|
Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
25/06/2009
Operadora de telemarketing não
ganha adicional de insalubridade
A constatação
da insalubridade através de laudo pericial não é suficiente
para que o empregado tenha direito ao adicional. É necessário
que a atividade esteja classificada entre as insalubres nas normas
elaboradas pelo Ministério do Trabalho. Seguindo essa orientação,
a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho modificou decisão
regional que concedia o adicional a uma operadora de telemarketing
da empresa Atende Bem Soluções de Atendimento Informação
Comunicação e Informática Ltda.
Ao reformar a decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS),
o ministro Vantuil Abdala, relator do recurso da empresa, considerou
que a atividade de operador de telemarketing não está descrita
no Anexo nº 13 da NR-15 da Portaria MTE nº 3.214/1978.
Este dispositivo legal prevê o direito ao pagamento do adicional
de insalubridade “para as atividades de telegrafia e radiotelegrafia,
manipulação em aparelhos do tipo Morse e recepção
de sinais em fones”. O relator observou, ainda, a Orientação
Jurisprudencial nº 4, da Seção Especializada
em Dissídios Individuais 1 (SDI-1) do TST, segundo a qual,
para a concessão do adicional, não basta a constatação
da insalubridade por laudo pericial. O ministro Vantuil destacou
que a OJ estabelece como “sendo necessária a classificação
da atividade insalubre na relação oficial elaborada
pelo Ministério do Trabalho”.
A operadora de telemarketing,
cujo objetivo na Atende Bem era a venda de cartões de crédito,
realizava em média, segundo a perícia, 200 ligações
por dia, usando o fone de ouvido, com regulagem de volume. Sem
sucesso na primeira instância - que entendeu que a norma
regulamentadora em que se baseou o perito “não possui
o alcance que lhe foi emprestado” -, a trabalhadora recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS),
onde conseguiu o adicional de insalubridade em grau médio.
O TRT/RS baseou sua decisão
no laudo técnico que indicou a existência de insalubridade
naquele grau, devido à exposição a radiações
não-ionizantes e pela recepção de sinais em
fones. De acordo com o Regional, o uso permanente dos fones de
ouvido pode ser incluído na legislação específica,
pois o prejuízo ao trabalhador decorre “da recepção
intermitente de sinais sonoros, e o enquadramento deve ocorrer
pelas disposições do Anexo nº 13 da NR-15, ‘Operações
Diversas’, embora não seja serviço de telegrafia
ou radiotelegrafia em si”.
No TST, ao apreciar o recurso
de revista da Atende Bem, o ministro Vantuil Abdala entendeu, que,
segundo a jurisprudência, as atividades desenvolvidas pela
operadora de telemarketing não se enquadram nas descritas
na NR-15. Seguindo o voto do relator, a Segunda Turma deu provimento
ao recurso para excluir da condenação imposta à empresa
o pagamento do adicional de insalubridade e reflexos. (RR –774/2006-304-04-00.2)
(Lourdes Tavares)
|
O DIÁRIO DO
NORTE DO PARANÁ, 23 de junho de 2009
Construção, educação
e saúde contratam mais
Caged mostra que a construção
de prédios, ruas e rodovias e as áreas de saúde
e educação geraram 1.142 dos 2.439 empregos formais
de janeiro a maio deste ano em Maringá
As obras de edifícios e pavimentação, atividades da construção
civil; e educação e saúde, do setor de serviços;
foram as classes específicas da economia de Maringá que mais
contribuíram para o saldo positivo de 2.439 postos de trabalho no município
nos cinco primeiros meses do ano. Juntas, elas foram responsáveis pela
criação de 1.142 empregos formais.
De acordo com dados do
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério
do Trabalho e Emprego, a construção de ruas e rodovias
ampliou 278 postos de trabalho de janeiro a maio e as obras de
casas, barracões e edifícios gerou 214 empregos.
As instituições de ensino — da pré-escola
a pós-graduação e ao nível técnico — criaram
370 vagas com carteira assinada no período. Hospitais e
clínicas da cidade tiveram saldo de 280 empregos.
Construção
civil
A construção civil, que só em maio gerou 333 empregos — o
melhor desempenho entre todos os setores no mês — colaborou para
que Maringá conseguisse saldo positivo de contratações
pelo quinto mês consecutivo.
O diretor de economia e
estatística do Sindicato da Indústria da Construção
Civil da Região Noroeste do Paraná (Sinduscon-Nor/PR),
Claudio Alcalde, considera que a redução do Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) dos materiais de construção
animou quem queria construir.
“Percebemos boa queda
de preço em materiais básicos, como aço e
cimento”, afirma. A ampliação do volume de
crédito também contribuiu para o aumento das contratações.
Educação
Para o economista Neio Lúcio Peres Gualda, do Departamento de Economia
da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o aumento na contratação
de professores é justificado por dois fatores.
O primeiro é a retomada
das admissões nos meses de fevereiro e março, após
as demissões de docentes entre dezembro e janeiro, época
em que as instituições praticamente param por causa
do período de férias escolares. No começo
do ano, novas turmas e novos cursos são abertos. “O
setor de educação fica naturalmente aquecido nos
primeiros meses do ano”, diz.
O segundo fator que impulsionou
contratações é busca por qualificação
dos trabalhadores. A competitividade do mercado de trabalho incentiva
o empregado a se qualificar para não ficar defasado e colocar
o emprego em risco.
Saúde
O técnico em enfermagem Elizeu Mortean, presidente do Sindicato dos
Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Maringá e
Região (Stessmar), atribui o resultado positivo à demanda por
atendimento de saúde na cidade, que se consolidou como polo na área.
“Os hospitais estão
lotados e os administradores tiveram de contratar funcionários
para dar conta de atender a população”, aponta.
Mortean cita também a chegada de novas especialidades nos
municípios, exigindo a contratação de médicos
e dentistas com especialização.
Em
baixa
Na contramão da construção civil e da prestação
de serviços está o setor de supermercados. De janeiro a maio
deste ano, 315 postos de trabalho foram fechados.
Segundo o economista Gualda,
a justificativa para a retração das contratações é o
término dos contratos dos funcionários temporários,
que foram chamados para trabalhar no final do ano passado, época
de grande movimento no comércio. “Quando começa
um novo ano, há demissões e o número de empregados
volta ao normal”, explica Gualda.
A atividade com o
segundo maior saldo negativo de empregos foi a fabricação
de produtos de carne, que fechou os cinco primeiros meses do
ano com 65 postos de trabalho a menos. O desempenho está ligado à queda
das exportações, ocasionando redução
da produção interna e desemprego na região.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
23 de junho de 2009 | Economia
Pesquisa revela desemprego estável
em seis regiões
Redação
A taxa de desemprego apurada pela Fundação Seade/Dieese em seis
regiões metropolitanas atingiu 15,3% em maio, repetindo a taxa de abril.
De acordo com a pesquisa de emprego e desemprego, o total de desempregados
nas seis regiões subiu de 3,079 milhões em abril para 3,096 no
mês passado, o que representou um acréscimo no total de pessoas
sem ocupação de 17 mil cidadãos.
As seis regiões
analisadas na pesquisa foram: São Paulo, Belo Horizonte,
Distrito Federal, Porto Alegre, Salvador e Recife. A indústria
foi o único setor que eliminou postos de trabalho, com corte
de 16 mil vagas. O segmento de serviços foi o que mais criou
vagas, com acréscimo de 60 mil vagas.
A construção
civil apresentou incremento de 19 mil postos, o comércio
exibiu um aumento de 5 mil empregos, enquanto a categoria outros
setores, que engloba serviços domésticos, gerou 12
mil postos de trabalho.
Em abril, o rendimento
médio real dos ocupados nas seis regiões metropolitanas
subiu 0,3% ante março e atingiu R$ 1.210,00. O salário
médio real avançou 1% e equivale a R$ 1.288,00.
O rendimento médio real das pessoas que estão trabalhando
apresentou incremento de 1,1% em abril de 2009 em relação
ao mesmo mês de 2008.
|
Folha de S.Paulo, 24 de junho
de 2009
Arrecadação da Previdência
cresce 8% e bate recorde
Desempenho melhora após retomada do emprego
formal; despesas, no entanto, também têm alta
EDUARDO CUCOLO
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
A arrecadação da Previdência
Social somou R$ 14,4 bilhões em maio, maior valor da série
histórica, iniciada em 1995. Trata-se de alta de 8% sobre
maio do ano passado e de 1,6% sobre abril. A comparação
não considera os meses de dezembro, quando o resultado praticamente
dobra influenciado pelo recolhimento da contribuição
sobre o 13º salário.
Com o recorde, o déficit previdenciário -diferença entre
arrecadação e despesas- apresentou queda pela primeira vez em
2009, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
O déficit (R$ 2,739 bilhões) está 12% abaixo do registrado
em abril e 5,6% menor que o de maio do ano passado.
A arrecadação da Previdência havia registrado forte queda
nos meses de janeiro e fevereiro, por causa da crise, mas se estabilizou na
casa dos R$ 14 bilhões nos meses seguintes, quando houve também
recuperação no emprego formal.
Por outro lado, as despesas no mês passado somaram R$ 17,1 bilhões,
aumento de 5,5% no ano e queda de 0,9% em relação a abril.
" Estamos recuperando as nossas receitas e, ao mesmo tempo, equilibrando
as nossas despesas", disse o secretário de Previdência Social,
Helmut Schwarzer.
A arrecadação foi influenciada, entre outros fatores, pelo aumento
do emprego formal no mês anterior e pela recuperação de
créditos acima da média histórica, principalmente em relação
a depósitos judiciais. A recuperação de créditos
foi de R$ 1,14 bilhão.
" A sinalização para julho é que os números
serão também bastante positivos, até porque geramos 131
mil empregos em junho", disse o ministro da Previdência, José Pimentel.
No acumulado do ano, o déficit nas contas da Previdência Social
cresceu 10,4%, para R$ 18,1 bilhões, ante o mesmo período do
ano passado -diferença de R$ 58,5 bilhões de arrecadação
e R$ 86,6 bilhões de despesa. O percentual é menor que o verificado
até abril, de 14%, o que indica melhora nas contas da Previdência.
Para o ano, o governo prevê um déficit de R$ 42,1 bilhões.
Em relação aos trabalhadores na área urbana, o déficit
acumulado no ano está em R$ 2,61 bilhões, crescimento de 12%.
A Previdência rural, por sua vez, registrou déficit de R$ 15,5
bilhões, avanço de 10,1%.
Em maio, 69,3% dos benefícios pagos pela Previdência possuíam
valor de até um salário mínimo, o que representa 18,3
milhões de beneficiários que ganham o piso do INSS ou benefícios
ainda menores.
|
Gazeta do Povo, 24
de junho de 2009
Desoneração
Para Lula, dar dinheiro a pobres
dá mais resultado
Presidente critica os empresários
que cobram corte nos impostos, mas não repassam os benefícios
que são concedidos. Novas medidas tributárias serão
apresentadas hoje pela Fazenda
Rio de Janeiro - Em vez
de desonerar a atividade produtiva – caso das isenções
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis
e eletrodomésticos – o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse ontem que prefere distribuir dinheiro diretamente
aos pobres para aquecer a economia. Insatisfeito com o reflexo
das isenções fiscais no preço final dos produtos,
Lula defendeu as políticas de transferência de renda
e afirmou que é preciso rever o discurso de redução
de carga tributária, que costuma ouvir dos empresários.
No lançamento das
obras de revitalização do Porto do Rio, o presidente
disse ter dado o recado numa reunião recente com o ministro
da Fazenda, Guido Mantega, e um grupo de empresários. “Eu
falei para eles: em vez de a gente ficar desonerando o tanto que
está desonerando, é melhor pegar esse dinheiro e
dar para os pobres. Se os pobres tiverem dinheiro e forem comprar,
vocês têm que produzir. Agora, a gente desonera e vocês
não repassam para o custo do produto. Nós já desoneramos
nesse meu mandato R$ 100 bilhões. Imagina R$ 100 bilhões
na mão do povo brasileiro!”
Aplausos
As declarações
de Lula arrancaram aplausos dos trabalhadores das obras do porto
que assistiam à cerimônia. O discurso do presidente
foi todo centrado neste princípio e na defesa da manutenção
do Estado forte e com capacidade financeira para influenciar a
economia. “Cada real que você dá na mão
de uma pessoa pobre volta automaticamente para o comércio,
para o consumo. Voltando para o consumo, vai reativar a economia. Às
vezes você dá R$ 1 milhão para uma pessoa e
fica lá no banco. Ele não faz nada, só ele
vai ganhar dinheiro. Na hora em que você dá R$ 1 para
cada pobre, dando para mil pessoas são R$ 1 mil que voltam
para o comércio meia hora depois que o cara pegou o dinheiro.
Nem que for para um boteco, para tomar uma canjebrina (cachaça).
Ele não vai para derivativos. Vai para o comércio,
que é isso que nós precisamos para fazer a economia
desse país crescer”, afirmou.
Novidades
O ministro da Fazenda,
Guido Mantega, apresenta hoje ao presidente Lula a proposta de
prorrogação de benefícios com alíquota
diferenciada do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para
automóveis e construção civil, além
dos benefícios para estimular o setor de bens de capital.
O anúncio das medidas deve ocorrer na segunda-feira. Segundo
fontes do governo, a equipe econômica continua trabalhando
com a ideia de elevar a alíquota de IPI para automóveis
em relação ao que vigorou nos últimos seis
meses, mas abaixo dos níveis que vigoravam em 2008.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
23 de junho de 2009 | Política
Lula defende reforma política
como medida anti-corrupção
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje a reforma política
ao comentar a crise no Senado, após discurso de lançamento de
conjunto de obras na região portuária do Rio de Janeiro. "Se
não houver reforma política e a estrutura partidária continuar
como está, será muito difícil evitar que essas coisas
aconteçam", declarou o presidente. Lula se referia a recentes denúncias
sobre atos secretos no Senado, usados para beneficiar parlamentares.
No entanto, Lula
afirmou que existem "coisas mais importantes" a serem
discutidas no País. Para ele, quando o Senado tem um problema,
ele deve ser resolvido pela própria Casa. O presidente
também afirmou que o povo tem a chance de mudar a situação
a cada quatro anos e lembrou que em 2010 haverá eleição. "Se
tem problema, só tem uma solução: é consertar
o problema. Se não tiver problema, tem que mostrar que
não tem. Mas não vamos fazer disso uma causa nacional
porque temos coisas mais importantes para discutir no Brasil."
|
Congresso em Foco, 24
de junho de 2009
Abolir o Senado não é a
solução
A reputação
do Senado vem sendo severa e justamente abalada por conta da chamada “crise
dos atos secretos”. De fato, não há nenhum
argumento razoável para justificar a falta de publicidade
das mais de 600 decisões administrativas implementadas clandestinamente
ao longo dos últimos treze anos.
Essa nova crise é mais
um triste capítulo da verdadeira novela de escândalos
em que se converteu o noticiário sobre o Congresso desde
o início do ano. Infelizmente, a maioria dessas crises foi
resolvida (ou “abafada”) por uma anistia geral das
irregularidades passadas.
Mas também é verdade,
por outro lado, que as crises abriram espaços para alguns
avanços institucionais significativos, os quais devem reduzir
o espaço para novos escândalos da mesma natureza no
futuro. A regulamentação mais rigorosa da utilização
da verba indenizatória pelos deputados e senadores é um
bom exemplo disso.
No entanto, muito mais
grave do que essa crise dos atos secretos foi a suposta (e bizarra)
solução que vem sendo proposta por alguns “feiticeiros” institucionais:
a pura e simples extinção do Senado Federal. Salvo
engano, é a primeira vez que essa tese é defendida
publicamente. Nem mesmo o regime militar chegou a cogitá-la.
Os argumentos a favor da
extinção do Senado podem ser agrupados em duas categorias:
os políticos e os econômicos. Ambas as justificativas
são extremamente frágeis, e podem ser facilmente
refutadas.
Do ponto de vista político,
os defensores da extinção do Senado alegam em primeiro
lugar que a instituição teria se tornado meramente
uma casa revisora da Câmara. A recente e histórica
rejeição da CPMF pelos senadores me parece ter sido
justamente prova do contrário. Outro argumento “furado” é que
o país não seria uma verdadeira federação.
Mas a atual constituição inclui a forma federativa
do estado como uma de suas cláusulas pétreas.
O argumento econômico
tampouco se sustenta diante das evidências. O Legislativo
não é o responsável pelo descontrole dos gastos
públicos. Os “feiticeiros” institucionais alegam
que o Congresso seria extremamente caro para o país. Mas
os orçamentos da Câmara e do Senado para 2009 são,
respectivamente, de R$ 3,5 bilhões e de R$ 2,7 bilhões.
Há nada menos que 16 pastas do governo Lula com orçamentos
maiores do que esses. A dotação orçamentária
do Congresso inteiro corresponde a menos de 2% da verba destinada à Esplanada
dos Ministérios como um todo.
O bicameralismo é a
coexistência de dois princípios complementares de
representação no Legislativo. A Câmara representa
a população enquanto o Senado representa as unidades
da federação. Trata-se de um arranjo institucional
bastante interessante e que dificilmente será abolido algum
dia no Brasil. Qual é, afinal, o problema de uma lei precisar
ser aprovada tanto pela maioria dos eleitores como também
pela maioria dos estados para entrar em vigor? Confesso que não
consigo enxergar nenhum.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
23 de junho de 2009 | Economia
Saldo de emprego foi positivo em
todo o País em maio
Agência Estado
Todas as regiões do País registraram saldo líquido positivo
na criação de empregos formais no mês de maio. "Foi
a primeira vez que isso ocorreu neste ano e é um indicativo muito positivo
da recuperação da economia", comentou o ministro do Trabalho,
Carlos Lupi, ao anunciar hoje o resultado do Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados (Caged). Os Estados do Sudeste, particularmente São Paulo,
Minas Gerais e Espírito Santo, além do Paraná e da Bahia
apresentaram os melhores resultados líquidos de empregos com carteira
assinada.
O setor agropecuário
foi o destaque na geração de postos de trabalho com
carteira assinada em maio (com abertura de 52.927 novos empregos)
e esse fato explica os bons desempenhos de Estados onde há vários
ciclos agrícolas em desenvolvimento desde abril. O cultivo
do café, por exemplo, foi responsável pela contratação
de muita mão de obra em São Paulo, Minas Gerais e
Bahia. O ciclo da cana-de-açúcar ajudou também
a deslanchar novas contratações em São Paulo.
Em razão desse
comportamento sazonal da agricultura, o Caged registrou em maio
a abertura de mais vagas de trabalho com carteira assinada nas
cidades do interior do País do que nas regiões metropolitanas.
No interior, houve saldo líquido positivo de 79.218 empregos
formais contra 34.202 postos no conjunto das regiões metropolitanas.
O ministro do Trabalho
e Emprego, Carlos Lupi, relacionou o resultado positivo da geração
de empregos formais no País às medidas de estímulo
da economia adotadas pelo governo federal. "Estamos no caminho
certo e é preciso continuar na política de redução
de juros, nas ações de estímulo do crédito
ao setor produtivo, nas ações anticíclicas
para estimular o consumo e a renda", comentou.
Ele informou que,
no que diz respeito ao Ministério do Trabalho, será feita
em breve uma reunião com a diretoria do Banco do Brasil
para uma nova rodada de negociação da redução
dos juros cobrados nos empréstimos feitos com recursos
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O BB e o BNDES são
hoje os principais bancos públicos que operam recursos
do FAT.
|
Gazeta do Povo, 23 de junho
de 2009
Emprego
Abertura de vagas em maio foi a maior
do ano
Nos cinco primeiros meses de 2009, 34,5 mil
postos de trabalho foram criados no Paraná. Em 2008, no entanto,
esse número era quase três vezes superior

Maio foi o mês com
o maior saldo de vagas no mercado de trabalho do Paraná em
2009. Foram gerados 11,6 mil empregos com carteira assinada no mês
passado, segundo dados do Cadastro de Empregados e Desempregados
(Caged) do Ministério do Trabalho. No ano, o estado acumula
34,5 mil postos de trabalho abertos, número que evidencia
a lentidão do mercado quando comparado ao saldo de 95 mil
vagas do mesmo período de 2008.
Os 34,5 mil postos abertos
em 2009 ainda não repuseram todas as vagas fechadas na fase
de maior tensão da crise – só em dezembro do
ano passado, o saldo ficou negativo em quase 50 mil empregos. Na época,
os cortes foram puxados pela indústria, que naquele mês
eliminou 24,5 mil vagas. No mês passado, a indústria
do estado abriu 2,2 mil postos. No ano, foram 5,5 mil.
“ A geração de empregos está lenta, mas os números
de maio têm o aspecto positivo de que quase todos os setores contrataram
mais do que demitiram”, analisa Sandro Silva, economista do Dieese. Na
indústria, a abertura de vagas deixou de depender apenas do setor alimentício,
que em abril apresentou um saldo positivo de 3,8 mil vagas. Mesmo segmentos bastante
abatidos pela crise já saíram do vermelho. É o caso da indústria
mecânica, que abriu mais de 700 vagas, e de materiais de transporte, com
31 novos postos.
“Também notamos
uma redução na diferença entre o resultado de
2008 e o de 2009”, aponta Silva. O saldo de maio deste ano é 30%
menor do que no mesmo mês de 2008, enquanto no acumulado do
ano a diferença é de 63%. Mesmo assim, o ritmo de expansão
do emprego, um porcentual calculado sobre o total de pessoas empregadas,
continua em queda acentuada. Em maio de 2008, o número de
pessoas no Paraná com carteira assinada crescia a um ritmo
de 6,7% ao ano. Agora, a velocidade é de 2,45%, e em queda.
A região metropolitana
de Curitiba (RMC) ficou com aproximadamente 40% das novas vagas – foram
4,1 mil novos empregos em maio. O setor da construção
civil é o que mais contratou na região, com 1,5 mil
vagas, seguido pela área de serviços, com 1,4 mil empregos.
A indústria teve desempenho ainda modesto, com pouco mais
de 700 postos de trabalho. Somente em Curitiba, foram criados 2,4
mil empregos, com uma expansão de 0,4% no número de
pessoas com carteira assinada. O desempenho ficou abaixo da média
do estado, de 0,54%. O setor com o melhor resultado foi o de serviços,
com pouco mais de 900 vagas.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
23 de junho de 2009 | Política
Reforma cortará carga tributária
para o cidadão brasileiro em até 20%
Agência Brasil
A carga tributária para quem ganha atualmente até cinco salários
mínimos é de 48%, mas, com o alargamento da base de impostos,
aliado ao desenvolvimento econômico, poderá ser reduzida em até 20%
nos próximos quatro a seis anos. A estimativa foi apresentada hoje (22)
pelo relator da reforma tributária na Câmara dos Deputados, Sandro
Mabel (PR-GO).
"É trazer uma
pessoa que paga 48% para 28%. Isso quer dizer que um aposentado
que ganha um salário mínimo vai ter mais R$ 100 no
bolso, um trabalhador que ganha R$ 1 mil vai levar mais R$ 200
para casa", disse Mabel. Para ele, quem ganha até cinco
salários mínimos não deveria pagar nenhum
imposto. "Só consumir."
Segundo o deputado, essa
poupança será canalizada para o consumo. "Ele
[aposentado ou trabalhador] vai consumir mais. As lojas vão
vender mais, contratar mais gente, arrecadar mais, comprar mais
das indústrias. E essas vão vender mais. É um
país que roda."
Mabel disse que movimento
semelhante ocorreu na Austrália, na Índia, no Chile. "O
mundo já demonstrou que só se baixa a carga tributária
crescendo. O governo tem a arrecadação de que precisa
para fazer as obras, para manter a máquina, mas vai cortando
a carga tributária para todo mundo."
Com a reforma, as 27 legislações
estaduais do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS) serão unificadas. E quatro contribuições
- para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), para o Programa
de Integração Social (PIS), de Intervenção
no Domínio Econômico (Cide) e o salário educação
- serão reunidas no Imposto Sobre Valor Adicionado (IVA).
O deputado Sandro
Mabel Mabel participou hoje da reunião conjunta dos Conselhos
Empresariais de Assuntos Legislativos, de Jovens Empresários
e da Política Econômica e Industrial da Federação
das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
|
Reuters, 23 de junho
de 2009
Crise no Senado: aumenta pressão
e senadores cobram Sarney
Sarney sangra, tal como
Renan sangrou, não porque se quer apurar irregularidades
e corrigi-las. O atual presidente do Senado é a 'vítima'
da vez, porque é aliado. A nova crise paralisa a Casa e
compromete a produção legislativa, num ano crucial
para o Governo e seus programas
O presidente do Senado,
José Sarney (PMDB/AP), tornou-se refém do recente
escândalo que atingiu a instituição. Enfraquecido
e objeto de pressão crescente dos seus pares, o também
ex-presidente da República pode sucumbir à crise
se não recuperar o controle da Casa.
A avaliação é de
aliados e adversários. Se não estancar a atual sangria,
pode ser levado a se afastar do cargo.
A saída para evitar
esse desfecho é anunciar medidas administrativas que realmente
moralizem e tirem a Casa do calvário. Esse seria o antídoto
para preservar-se no comando do Senado, que assumiu em fevereiro.
"Depende muito de
sua atuação nos próximos dias. Se estabelecer
medidas concretas, ele recupera energia. Caso contrário,
o risco político é muito grande", afirmou o
senador Renato Casagrande (PSB/ES).
A semana é decisiva.
Nesta terça-feira
(23), o primeiro secretário da Casa, senador Heráclito
Fortes (DEM/PI), tornará público os mais de 600 "atos
secretos", realizados em sua maioria com o objetivo de esconder
medidas como criação de cargos e aumento de salário.
A extensão do escândalo
ainda é desconhecida. Ninguém sabe exatamente quantos
e quais funcionários se beneficiaram da prática,
assim como ninguém sabe se, na vasta lista, Sarney figura
como um dos favorecidos.
Por lei, todos os atos
devem ser publicados na data em que as mudanças foram feitas.
Os atos devem ser publicados num sistema interno e também
no Diário Oficial do Senado.
"Os senadores são
prisioneiros dos próprios fatos. A depender (do conteúdo)
dos atos secretos, vão rolar algumas cabeças",
disse o senador José Agripino (DEM/RN), líder da
bancada.
Na semana passada, Sarney
subiu à tribuna do plenário e afirmou que a crise
era do Senado, não dele.
Os atos secretos são
práticas que datam de 1995, ano que coincide com a indicação
do servidor Agaciel Maia, ex-diretor-geral afastado do posto em
março após denúncias sobre a evolução
de seu patrimônio.
Ele não teria declarado
uma mansão avaliada em R$ 5 milhões. Foi Sarney quem
o nomeou.
Outro pivô da crise é o
ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi, que usou
apartamento funcional pago com dinheiro público para acomodar
familiares. Ele mora numa mansão em Brasília.
Tanto Agaciel como Zoghbi
são suspeitos de terem determinado a omissão dos
atos. Não se sabe, ainda, a mando de quem.
Afastamento
do cargo
Num sinal claro de que a crise subiu mais um degrau, o senador Arthur Virgílio
(PSDB/AM) fez um forte discurso no plenário nesta segunda-feira (22).
Segundo ele, Agaciel Maia
teria usado atos secretos para chantagear parlamentares e se manter
no cargo.
"Há senadores
com mandato por trás de Agaciel", disse o tucano sem
apontar nomes.
Dirigindo-se a Sarney,
foi enfático: "Se Vossa Excelência não
puder romper com essa camarilha, perderá as condições
de governar esta Casa. Vossa Excelência não necessariamente
tem que sobreviver. Quem tem que sobreviver é o Senado Federal".
Em resposta, o presidente
do Senado garantiu que não "acobertará ninguém" e
afirmou que nomeou Agaciel atendeu a diversos pedidos de senadores à época.
Também presente
no plenário, o senador Cristovam Buarque (PDT/DF) pediu
que o colega se licencie do cargo.
A pressão lembra
o passado recente, quando o senador Renan Calheiros (PMDB/AL) não
resistiu às pressões e afastou-se do posto para fugir
da cassação.
Acusado de quebra de decoro
por supostamente ter despesas pagas por um lobista, foi levado
ao julgamento do plenário e absolvido pelos pares.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
23 de junho de 2009 | Política
Terceiro mandato é brincar
com democracia, diz Lula
Agência Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a declarar hoje que não
deseja um terceiro mandato. "Eu não quero o terceiro mandato por
uma coisa muito simples: eu tenho dito que a gente não pode brincar
com a democracia", disse, em entrevista concedida à rádio "Paiquerê FM",
ao chegar pela manhã em Londrina. Lula defendeu a alternância
de poder e disse torcer para que os eleitores escolham alguém melhor
que ele para a presidência em 2010.
"Eu acho que a alternância
de poder é importante porque vai permitindo ao povo, cada
vez mais, escolher alguém. E eu sempre vou torcer para que
as pessoas escolham alguém melhor do que eu, alguém
que possa fazer avançar aquilo que nós começamos
a fazer em 2003". Lula afirmou que, após seu segundo
mandato, pretende seguir na política. "(Vou fazer)
o que eu fazia antes, com mais experiência. Eu pretendo continuar
trabalhando, fazendo política", disse.
O presidente também
comentou o fato de o Brasil ter se tornado credor do Fundo Monetário
Internacional (FMI), após décadas como devedor. "Quando
nós assumimos o governo em 2003, eu tinha como meta, como
ambição minha, acabar com a nossa relação
de dívida com o FMI". Lula criticou a ingerência
do organismo. "O fato de o FMI emprestar dinheiro a um país é normal.
O que é anormal é o FMI emprestar dinheiro e depois
começar a mandar seus diretores aos países, dizer
o que o país tem que fazer." Segundo Lula, o Fundo
tem de emprestar dinheiro e o único compromisso que o país
tem é pagar. "E os juros têm que ser mais baixos
e não pode ter nenhuma condicionalidade."
Sobre a decisão
de emprestar dinheiro ao fundo, Lula afirmou que o Brasil precisava
se portar como um país grande. "O Brasil não
pode fingir que é pequeno e dizer: não, eu sou
pobre, eu não posso dar. Nós temos reservas, nós
temos grandeza suficiente para dizer: nós vamos dar a
nossa parte." "E isso é importante porque não
diminui as nossas reservas, porque é um empréstimo.
Portanto, nós estamos tranquilos e muito felizes. Eu tenho
orgulho porque passei 20 anos da minha vida carregando faixa
por este País afora: 'Fora FMI! Fora FMI!' Foi exatamente
no meu governo que nós criamos as condições
para não precisarmos mais do FMI."
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/06/2009
Banco do Brasil pode demitir
empregado com síndrome do pânico
O empregado de empresa
pública ou de sociedade de economia mista, ainda que admitido
por concurso público, pode ser dispensado sem justa causa,
porque não possui a mesma estabilidade prevista na Constituição
Federal (artigo 41) para servidores. Essa é a jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho aplicada pela Quinta Turma do
TST no julgamento de recurso de revista do Banco do Brasil. Com
decisão unânime, os ministros desobrigaram a instituição
de reintegrar um ex-bancário, demitido sem motivação,
que adquiriu síndrome do pânico após sofrer
um sequestro.
Apesar do drama vivido
pelo ex-empregado, o relator do caso, ministro Emmanoel Pereira,
explicou que o Banco do Brasil celebra contratos trabalhistas conforme
as regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho),
por isso está equiparado ao empregador comum. Nessas condições,
pode demitir sem motivo seus empregados, pagando as verbas salariais
devidas na rescisão contratual. Em resumo, o relator esclareceu
que as empresas públicas, sociedades de economia mista e
outras entidades que exploram atividade econômica se sujeitam
ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às
obrigações trabalhistas e tributárias.
O caso foi parar na Justiça
quando o bancário alegou, na 4ª Vara do Trabalho de
Fortaleza (CE), que foi demitido injustamente depois de 17 anos
de serviço no banco, e pediu a reintegração
ao emprego. Reconheceu que houve mudanças no seu comportamento,
entretanto atribuiu o problema ao desenvolvimento de síndrome
do pânico. Contou que, no dia 15 de julho de 1999, ao chegar
a casa, foi feito refém junto com a família por um
grupo de assaltantes. Como era responsável pela tesouraria
da agência de Aquiraz, no dia seguinte, enquanto a mulher
e o filho ficaram em casa com parte da quadrilha, ele foi obrigado
a ir ao banco com alguns assaltantes, que roubaram R$ 145 mil.
A partir desse evento traumático, o empregado disse que
sofreu transtorno mental e não recebeu assistência
médica adequada, tanto que está até hoje em
gozo de auxílio-doença pelo INSS.
De outro lado, o Banco
sustentou que o empregado não tinha estabilidade contratual
e não havia norma legal que o protegesse da despedida sem
justa causa. Também afirmou que o bancário queria
ser demitido para receber a multa de 40% do FGTS, porque abrira
duas locadoras de vídeo. Além do mais, não
poderia reclamar da falta de assistência médica, uma
vez que usufruía do plano de saúde Cassi – a
Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do
Brasil.
O juiz concluiu pela validade
da demissão, já que houve a intervenção
do sindicado do empregado no processo e não houve ressalvas
sobre o seu estado de saúde (físico ou mental). Também
pesou na decisão o fato de existir uma declaração
assinada pelo bancário pedindo para ser exonerado, pois
estaria “desmotivado em relação ao emprego
e salário”. Quando o Tribunal Regional do Trabalho
da 7ª Região (CE) analisou o recurso do empregado,
entendeu que ele deveria ser reintegrado. De acordo com o TRT,
o ato de demissão era nulo, pois não obedeceu aos
princípios constitucionais de legalidade, impessoalidade,
moralidade e publicidade imprescindíveis para as instituições
que integram a Administração Pública Indireta
da União, como é o caso do BB.
Mas o banco conseguiu restabelecer
a sentença de primeiro grau com o julgamento do seu recurso
de revista no TST. Como observou o relator, a tese do Regional
era contrária ao entendimento do TST, que não vê obstáculo
jurídico à despedida de empregados de empresa pública
e de sociedade de economia mista, mesmo sem motivação – é o
que consagra a Orientação Jurisprudencial nº 247
da Seção Especializada em Dissídios Individuais
(SDI– 1) do Tribunal. ( RR 1500/2001 – 004-07-00.5)
(Lilian Fonseca)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
19 de junho de 2009 | Economia
Construções executadas
cresceram 11% em 2007
Agência Estado
As empresas do setor de construção civil realizaram, em 2007,
obras e serviços no valor de R$ 128 bilhões, o que representa
um aumento real (descontado a inflação) de 10,9% nas construções
executadas em relação a 2006, segundo dados da Pesquisa Anual
da Indústria da Construção (Paic), divulgada hoje pelo
IBGE.
O setor público
respondeu por 40,1% do total das construções executadas
em 2007, porcentual abaixo do ano anterior, quando foi de 42,5%.
Naquele ano, de acordo com a pesquisa, 110 mil empresas do segmento
empresarial da indústria da construção ocupavam
mais de 1,8 milhão de pessoas e tiveram gastos totais com
o pessoal ocupado de R$ 30,6 bilhões, dos quais R$ 20,7
bilhões foram em salários, retiradas e outras remunerações,
o que significou uma média mensal de 2,3 salários
mínimos.
Segundo os técnicos
do IBGE, "a expansão do setor da construção
em 2007 foi coerente com o crescimento do PIB (Produto Interno
Bruto) brasileiro (5,7%), com o desempenho da atividade da construção
no PIB (5%) e com a formação bruta de capital fixo
(FBCF, referente aos investimentos), que avançou 13,5%,
assinalando o maior acréscimo desde o início da série
histórica (1996)", afirmam, no documento de divulgação
da pesquisa.
Ainda de acordo com o
levantamento, os investimentos brutos da indústria da construção
em ativos imobilizados totalizaram aproximadamente R$ 5,1 bilhões
em 2007. A aquisição de máquinas e equipamentos
(bens de capital) foi o principal investimento e representou 44,2%
do total. Em seguida, vieram os gastos com meios de transporte
(23,1% do valor investido); as compras de terrenos e edificações
(21,3%); e outras aquisições (móveis, microcomputadores
e ferramentas), que representaram 11,4% do total.
O principal material
de construção adquirido foi o cimento, que representou
27,4% do valor dos produtos pesquisados na atividade, seguido
pelo asfalto (20,6%), concreto usinado (20,5%), vergalhões
(20,4%) e tijolos (11,1%).
|
Agência Diap, 22
de junho de 2009
Redução de tributos
para construção de casas populares na pauta
A medida provisória
(MP) que concede benefícios fiscais para construtoras de
imóveis do programa 'Minha Casa, Minha Vida' tranca a pauta
do plenário e tem prioridade nas votações
da sessão deliberativa desta terça-feira (23), às
14h.
A MP também reduz
tributos para a fabricação e importação
de motocicletas.
Transformada no Projeto
de Lei de Conversão (PLV) 12/09, a Medida Provisória
(MP) 460/09 aumenta a tributação sobre o cigarro,
com objetivo não só de combater o tabagismo, mas
também de compensar a renúncia fiscal decorrente
da redução de impostos contida na medida.
Obras
iniciadas
Aprovada com várias modificações pela Câmara, a
MP foi relatada naquela Casa pelo deputado André Vargas (PT/PR).
Uma das mudanças
contidas no PLV estendeu os benefícios tributários
destinados ao Programa 'Minha Casa, Minha Vida' às obras
contratadas a partir de 31 de março de 2009. Pela MP, seriam
beneficiadas somente obras iniciadas naquela data.
Esse benefício é destinado
a construções de até R$ 60 mil - conforme
prevê a MP 459/09, que dispõe sobre o programa - e
vale até 31 de dezembro de 2013.
Incorporação
Para cada incorporação submetida ao regime especial de tributação,
a incorporadora ficará sujeita ao pagamento equivalente a 6% da receita
mensal recebida, que corresponderá ao pagamento mensal unificado dos
impostos e contribuições.
O percentual correspondente
ao pagamento unificado dos tributos para os projetos de incorporação
de imóveis residenciais do programa Minha Casa, Minha Vida
será equivalente a 1% da receita mensal recebida.
Nesse pagamento único,
estão incluídos o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas
(IRPJ), PIS/Pasep, Cofins e Contribuição Social sobre
o Lucro Líquido (CSLL).
O relator concedeu também
mais dez dias para as empresas pagarem o imposto. Pelo PLV, o pagamento
unificado de impostos deve ser feito até o 20º dia
do mês subseqüente àquele em que houver sido
auferida a receita.
O pagamento dos impostos
será considerado definitivo, não gerando, em qualquer
hipótese, direito à restituição ou à compensação
com o que for apurado pela construtora.
Motos
e cigarros
Com objetivo de incentivar a fabricação e importação
de motocicletas, a MP reduz de 3% para zero a alíquota da Cofins incidente
sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de motocicletas de cilindrada
inferior ou igual a 150cm³.
Esse benefício -
que valerá para os meses de abril a junho de 2009 - não
se aplica às receitas auferidas pela empresa revendedora,
na revenda de mercadorias em relação às quais
a contribuição seja exigida da empresa vendedora,
na condição de substituta tributária.
O único aumento
de tributos recai sobre o cigarro, cujo índice a ser aplicado
pelos fabricantes sobre o preço de varejo para encontrar
a base de cálculo da Cofins passa de 169% para 291,69%.
Para a base de cálculo
da Contribuição para o PIS/Pasep, o coeficiente multiplicador
passa de 1,98 para 3,42, o que representa aumento de 72%. Esses
novos tributos para o cigarro valem a partir de 1º de julho
de 2009.
Pessoa
com deficiência
A medida provisória também concede às pessoas com deficiência
isenção do PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento
da Seguridade Social (Cofins) na compra de bens como cadeira de rodas, próteses,
entre outros.
No mesmo sentido, os portadores
de deficiência auditiva com perda mínima de 41 decibéis
nos dois ouvidos também poderão comprar carro novo
com isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), cujo benefício já existe para portadores de
deficiência física, visual e mental.
A MP concede ainda à Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) competência
para atuar sobre tributação e arrecadação
da contribuição para fomento da radiodifusão
pública.
Enchentes
Segundo item da agenda do Plenário, a MP 461/09 abre crédito
extraordinário para o Ministério da Integração
Nacional, no valor de R$ 300 milhões, para socorro e assistência às
pessoas atingidas pelas chuvas e enchentes ocorridas entre outubro de 2008
e março de 2009 em vários estados.
Os recursos pretendidos
pelo governo, conforme a MP, também serão usados
para atender a operação "carro-pipa" em
municípios do semi-árido que, ao contrário
dos locais inundados, padecem da falta de água para o consumo
humano.
Do total de recursos, R$
220 milhões serão destinados à assistência às
vítimas das enchentes e ao abastecimento de água
em regiões afetadas pela estiagem, e os demais R$ 80 milhões
serão aplicados na recuperação da infraestrutura
danificada pelas cheias.
Os recursos para a abertura
do crédito decorrem, segundo o governo, de superávit
financeiro no balanço patrimonial da União do exercício
de 2008, relativo a recursos ordinários.
|
Agência Diap,
22 de junho de 2009
Agenda Política: STF
pode votar Adin do DEM contra contribuição sindical às
centrais
Nesta quarta-feira (24),
está prevista votação da Adin (Ação
Direta de Inconstitucionalidade) 4067, do DEM-PFL, que questiona
o repasse da contribuição sindical às centrais
sindicais. A ação está na pauta do Supremo.
Instalação da CPI da Petrobras está agendada
para 30 de junho
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva cumpre agenda em cinco estados nesta semana.
Inicia pelo Paraná,
onde, com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, lança
nesta segunda-feira (22), o Plano Agrícola e Pecuário
2009/2010, em Londrina.
Lula e Stephanes anunciam
detalhes do destino dos R$ 93 bilhões que serão alocados
para crédito, custeio e comercialização da
próxima safra.
Na semana, Lula ainda lança
projeto de revitalização da zona portuária
do Rio de Janeiro, uma das obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
Crise
no Senado
A expectativa no Congresso Nacional é para os desdobramentos de escândalos
em que o Senado Federal vem sendo envolvido desde a posse de José Sarney
(PMDB/AP) para presidente da Casa, em fevereiro.
Segundo as denúncias,
parentes de Sarney foram contratados por publicação
de atos secretos feitos pela administração da Casa,
que também serviram para outras decisões da Casa.
Sarney anunciou uma comissão
de sindicância para averiguar os atos secretos, prometeu
divulgar os dados do Senado em site oficial na Internet, além
de pretender contratar auditoria externa para averiguar a folha
de pagamentos dos servidores da Casa.
CPI
da Petrobras
Ainda no Senado, a instalação da Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) da Petrobras para investigar supostas irregularidades
cometidas pela estatal deve ficar para 30 de junho, conforme acordo entre os
integrantes da CPI.
Senadores consideram que
na semana quem, em função das festas juninas no Nordeste,
parlamentares estarão ausentes de Brasília. A instalação
já foi adiada três vezes.
Veja a seguir os principais
acontecimentos políticos desta semana:
Segunda-feira
(22)
- Em Congoinhas (PR), Lula participa da cerimônia de comemoração
de 2 milhões de ligações pelo programa Luz Para Todos
e, em seguida, inaugura uma biblioteca do Programa Biblioteca Cidadã.
Lula depois parte para Londrina, onde lança o Plano Agrícola
e Pecuário 2009/2010 junto ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
- Lula também vai
ao Rio de Janeiro, onde participa da homenagem ao casal Renée
e Apolônio de Carvalho no consulado da França. Apolônio
(1912-2005), militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi
fundador do PT.
- Em São Paulo,
o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, participa
de um almoço-debate promovido pelo Grupo de Líderes
Empresariais (Lide), onde faz uma exposição com o
tema "A Justiça, o Homem e a Lei".
- O PT/SP faz reunião
ampliada da executiva para debater o impacto da candidatura do
deputado federal Ciro Gomes (PSB/CE) ao governo de São Paulo.
O PT tem seis postulantes ao cargo, mas nenhum suficientemente
forte para combater o PSDB, há 14 anos no cargo.
- Estudantes de Jornalismo
de diversas cidades do País organizam novas manifestações
de desagravo à decisão do STF que aboliu a obrigatoriedade
da formação universitária para a profissão
de jornalista.
- O presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, participa de reuniões de trabalho
em Paris (França).
- O Ministério do
Trabalho divulga o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) de junho.
Terça-feira
(23)
- Pela manhã, Lula lança projeto de revitalização
da zona portuária do Rio de Janeiro, uma das obras do PAC. Depois, o
presidente parte para São Paulo onde inaugura o novo prédio do
Hospital Israelita Albert Einstein e, mais tarde, visita a sede do time do
São Paulo Futebol Clube.
- O ministro da Fazenda,
Guido Mantega, e a senadora Kátia Abreu (DEM/TO) são
convidados da Comissão de Finanças e Tributação
da Câmara dos Deputados para discutir a nova governança
da cafeicultura brasileira.
- Os ministros Reinhold
Stephanes (Agricultura) e Carlos Minc (Meio Ambiente) são
expositores da apresentação de dados ambientais na
Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
da Câmara dos Deputados.
- O líder do Governo
na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT/RS), o presidente
da comissão especial que discute a reforma tributária,
Antonio Palocci (PT/SP), e o relator da matéria, Sandro
Mabel (PR/GO), se reúnem com líderes da oposição
para tentar um acordo sobre o tema. O objetivo do Governo é tentar
votar a proposta no plenário nas próximas semanas.
- Henrique Meirelles profere
palestra em almoço da Câmara de Comércio Brasileira,
em Paris.
- A Comissão de
Ciência e Tecnologia da Câmara realiza audiência
pública sobre a prestação de serviços
de telecomunicações para o governo e empresas públicas
e estatais com os ministros Hélio Costa (Comunicações
e Paulo Bernardo (Planejamento), o presidente da Anatel, Ronaldo
Sardenberg, e outros.
- A Comissão de
Viação e Transportes da Câmara realiza audiência
pública sobre o preços dos combustíveis praticados
no Brasil com o presidente da Petrobras, José Sérgio
Gabrielli, e outros.
- A Comissão de
Assuntos Econômicos realiza audiência pública
sobre regulamentação de cartões de crédito
com o José Antonio Marciano, Chefe do Departamento de Operações
Bancárias e de Sistema de Pagamentos, e outros.
- A Comissão de
Agricultura da Câmara realiza audiência pública
sobre nova governança da cafeicultura brasileira com o ministro
Guido Mantega e outros.
- Comissão de Sindicância
do Senado destinada a apurar os atos secretos da Casa pode divulgar
seu relatório.
Quarta-feira
(24)
- Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 4067, do DEM-PFL,
que questiona o repasse da contribuição sindical às centrais
sindicais está na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF).
- A Comissão de
Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio
audiência pública com a finalidade de debater "Reforma
Tributária - matéria objeto da PEC 31/07". A
sessão será às 11h, plenário 5.
- De volta a Brasília,
Lula faz reunião de coordenação política
e recebe a visita da presidente das Filipinas, Gloria Macapagal
Arroyo, e do presidente eleito do Panamá, Ricardo Martinelli.
- O ministro Carlos Minc é convocado
pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados
para dar explicações aos parlamentares sobre o pronunciamento
feito no final de maio em que chamou os produtores rurais de vigaristas
e acusou deputados de chantagear o governo para liberar recursos
ao setor ruralista.
- O secretário extraordinário
de Reformas Econômico-Fiscal do Ministério da Fazenda,
Bernard Appy, é convidado da Comissão de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio da Câmara
dos Deputados para discutir a reforma tributária que está parada
na Casa.
- Henrique Meirelles participa,
até sexta-feira (26), da 8ª Conferência Anual
do Banco de Compensações Internacionais (BIS), em
Basileia, na Suíça
- A Comissão de
Finanças e Tributação tem reunião reservada
com a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira,
sobre a arrecadação de maio.
- A Comissão de
Minas e Energia da Câmara realiza audiência pública
para discutir supostas irregularidades no pagamento de saldo remanescente
da "conta petróleo " com o diretor-geral da Agência
Nacional do Petróleo, Haroldo Rodrigues, e o procurador
da República no Distrito Federal José Alfredo de
Paula.
- O Supremo Tribunal Federal
julga: 1) recurso extraordinário contra acórdão
que reconheceu ser indevida a cobrança da alíquota
de 0,38% da CPMF nos noventa dias posteriores à publicação
da EC 42/03; e 2) recurso extraordinário em face de decisão
do TJSP, que entendeu ser legítima a extensão do
pagamento da Gratificação por Atividade de Magistério
(GAM), instituída pela Lei Complementar Estadual 977/05, àqueles
que se aposentaram até a data da publicação
da EC 41/03.
- O Banco Central divulga
Investimento Estrangeiro Direto em maio.
- O FED (banco central
americano) anuncia decisão sobre taxa de juros.
Quinta-feira
(25)
- Lula recebe deputados da bancada federal evangélica em Brasília.
Depois participa do anúncio do acordo da cana-de-açúcar
que estabelece novas condições trabalhistas nos canaviais e recebe
o ministro do Turismo, Luiz Barretto, seguido do representante da Unesco no
Brasil. À noite, abre a 2ª Conferência Nacional de Promoção
da Igualdade Racial, no Centro de Convenções.
- Reunião do Conselho
Monetário Nacional discute meta de inflação
para 2011.
- Último dia para
o presidente Lula sancionar Medida Provisória 458, que autoriza
a legalização de terras da União de até 1,5
mil hectares ocupadas na Amazônia Legal.
- O IBGE divulga desemprego
em maio.
- Programa nacional do
PSDB, em cadeia de rádio e TV, com duração
de 10 minutos.
Sexta-feira
(26)
- Na cidade de Itajaí (SC), Lula sanciona lei que cria o Ministério
da Pesca e Aquicultura. Em seguida, Lula vai a Porto Alegre (RS), onde participa
da cerimônia de inauguração do programa Território
de Paz. Participa ainda do 10º Fórum Internacional do Softwere
Livre. No fim da tarde, o presidente inaugura novo parque gráfico do
Grupo RBS.
- O Tesouro Nacional divulga
resultado do Governo Central em maio.
|
Agência Diap, 22
de junho de 2009
Comissões: na CCJ, projeto
que trata de execuções trabalhistas
A Comissão de Seguridade
Social e Família pode votar nesta semana o PL 2.295/00 (PLS
161/99), do ex-senador Lúcio Alcântara, que dispõe
sobre a jornada de trabalho de 30 horas para os enfermeiros, técnicos
e auxiliares de enfermagem
A Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara dos Deputados pode votar, nesta
semana, o PL 5.140/05, do ex-deputado Marcelo Barbieri (PMDB/SP),
que modifica a CLT para dispor sobre a execução trabalhista
e a aplicação do princípio da desconsideração
da personalidade jurídica.
O projeto trata sobre a
penhora 'online' nas execuções trabalhistas.
O relator da matéria,
deputado Zenaldo Coutinho (PSDB/PA) ofereceu parecer favorável à proposição
e, no mérito, pela aprovação do projeto.
Dirigente
sindical
Também consta na pauta do colegiado, o PL 5.710/01, do deputado Fernando
Ferro (PT/PE), que acrescenta parágrafo ao artigo 543 da CLT, dispondo
sobre a indenização em caso de rescisão do contrato de
empregado eleito para cargo de dirigente sindical ou suplente.
O relator, deputado Zenaldo
Coutinho (PSDB/PA) ofereceu parecer favorável ao texto,
que se aprovado e não houver recurso contrário à decisão
do colegiado, segue para o Senado Federal.
Taxas
para emprego
O PL 6.246/05, da deputada Sandra Rosado (PSB/RN), também consta na
pauta da CCJ. O projeto proíbe a cobrança de taxas, pelas empresas
privadas, para fins de preenchimento de vagas em seu quadro de pessoal.
O parecer do relator, deputado
Colbert Martins (PMDB/BA), é pela constitucionalidade da
matéria.
Periculosidade
Faz parte ainda da pauta da CCJ, o PL 7.378/06 do senador Paulo Paim (PT/RS)
(no Senado PLS 170/05), que modifica o artigo 193 da CLT para conceder adicional
de periculosidade aos eletricitários. O relator, deputado Pastor Manoel
Ferreira (PTB/RJ) ofereceu parecer pela constitucionalidade.
O colegiado se reúne,
nesta terça-feira (23), às 14h, no plenário
1.
Jornada
do aprendiz
A Comissão de Trabalho da Câmara se reúne, nesta quarta-feira
(24) para deliberar sobre sua pauta ordinária. Entre os projetos, destaca-se
o PL 2.898/04, da deputada Ann Pontes (PMDB/PA), que reduz para 4 horas a jornada
de trabalho do aprendiz.
A relatora, deputada Andréa
Zito (PSDB/RJ) apresentou parecer favorável à matéria.
O objetivo da proposição é garantir
aos aprendizes a conclusão do ensino médio tendo
uma jornada reduzida.
Piso
dos professores
Outra proposta em pauta no colegiado é o PL 3.133/08 (no Senado PLS
433/07), do senador Cristovam Buarque (PDT/DF), que estabelece que os profissionais
da educação básica terão vencimento inicial igual
ou superior ao Piso Salarial Profissional Nacional, e a cada sete anos de trabalho
a licença das atividades normais, com duração mínima
de um ano.
A relatora, deputada Andréia
Zito (PSDB/RJ) apresentou voto favorável, com complementação.
Participação
na gestão
Já o projeto do Executivo, PL 3.407/08 dispõe sobre a participação
de empregados nos conselhos de administração das empresas públicas
e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais
empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria
do capital social com direito a voto, também consta na pauta do colegiado.
O relator, deputado Pedro
Henry (PP/MS) é favorável ao projeto e apresentou
parecer pela aprovação da matéria.
Terceirizado
A Comissão de Trabalho realiza, nesta quarta-feira (24), às 11h,
audiência pública sobre o contrato firmado entre a Câmara
dos Deputados e a Capital Empresa Prestadora de Serviços Gerais.
Foram convidados para o
debate o diretor do Departamento de Material e Patrimônio
da Câmara, Eugênio Amaro; e representantes da empresa.
Indústria
do fumo
Nesta quinta-feira, às 9h30, o colegiado continua com a agenda de audiência
pública.
O colegiado debate a situação
da indústria do fumo no Brasil e suas consequências
na área do trabalho e da produção.
Foram convidados para o
debate o procurador-geral da República, Antônio Fernando
Barros; a secretária da Receita Federal, Lina Vieira; e
o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco,
Romeu Schneider.
As reuniões do colegiado
acontecem no plenário 12.
Jornada
dos enfermeiros
A Comissão de Seguridade Social e Família se reúne, nesta
quarta-feira (24), para deliberar sobre sua pauta ordinária. A Comissão
poderá apreciar o PL 2.295/00 (PLS 161/99), do ex-senador Lúcio
Alcântara, que dispõe sobre a jornada de trabalho de 30 horas
para os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.
O relator, deputado Arnaldo
Faria de Sá (PTB/SP) apresentou parecer favorável à proposta.
Outra matéria na
pauta do colegiado é o PL 1.892/07, do deputado Mauro Nazif
(PSB/RO), que acrescenta dispositivo à Lei 6.684, de 3 de
setembro de 1979, para dispor sobre a duração do
trabalho do Biomédico.
A proposta fixa a duração
do trabalho em 30 horas semanais.
O relator, deputado Ribamar
Alves (PSB/MA) apresentou parecer pela aprovação.
Motoristas
O colegiado poderá ainda analisar o PL 2.895/08, do ex-deputado Barbosa
Neto (PDT/PR), que dispõe sobre a obrigatoriedade de exames médicos
periódicos para motoristas profissionais autônomos de caminhão.
O relator, deputado Neilton
Mulim (PR/RJ) apresentou parecer pela aprovação do
projeto. O colegiado se reúne no plenário 6, às
9h.
Saúde
do trabalhador
Nesta terça-feira (23), às 14h, a Comissão de Desenvolvimento
Econômico, Indústria e Comércio realiza audiência
pública para discutir a saúde do trabalhador odontólogo.
A reunião ainda não tem plenário definido.
Foram convidados para o
debate, o cirurgião dentista Arsênio Peres; o professor
da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Odontologia
Luiz Mazzilli; e o presidente da Confederação Nacional
do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo, Antônio
Santos.
Educação
As comissões de Seguridade Social e Família; e de Educação
e Cultura realizam audiência pública para debater sobre os diplomas
expedidos por instituições estrangeiras de ensino. A reunião
será, nesta terça-feira (23), às 14h30, no plenário
7.
Foram convidados para o
debate o presidente do Conselho Federal de Medicina, Edson de Oliveira;
o presidente da Associação Médica Brasileira,
José Luiz do Amaral; e o presidente da Associação
Brasileira de Educação Médica, Mourad Ibrahim.
Reforma
universitária
A comissão especial da Reforma Universitária realiza, nesta terça-feira
(23), audiência pública e votação de requerimentos.
O colegiado se reunirá às 14h30, no plenário 3.
Foram convidados para do
debate a presidente da Frente Parlamentar das Universidades Comunitárias,
deputada Maria do Rosário (PT/RS); o presidente da Associação
Brasileira das Universidades Comunitárias, Gilberto Gonçalves;
e o presidente da Associação Brasileira dos Reitores
das Universidades Estaduais e Municipais, João Carlos Gomes.
Reforma
política
Nesta quinta-feira (25), a Frente Parlamentar pela Reforma Política
e a Central Única dos Trabalhadores realizam "Seminário
sobre a Reforma Política no Brasil e as Mulheres". O evento será no
Auditório Freitas Nobre (Plenarinho), no anexo IV.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
22 de junho de 2009 | Economia
Entrevista: Superintendente Regional
do Ministério do Trabalho
Helio Miguel
Daniel Caron
Reduzir a prática
dos trabalhos infantil e degradante estão entre as principais
metas da Superintendência Regional do Ministério do
Trabalho e Emprego no Paraná (SRT-PR). O maior desafio,
porém, está em diminuir as ocorrências de acidentes
de trabalho, que estão prestes a levar o Estado ao terceiro
lugar no ranking nacional. Recém-chegado de Genebra, na
Suíça, onde participou da última conferência
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o
superintendente do órgão, João Graça,
esteve na sexta-feira na Redação de O Estado, onde
falou das ações preventivas e repressivas que vêm
sendo tomadas. Ele comentou, ainda, sobre os efeitos da crise sobre
o emprego que culminaram, esta semana, na demissão de 900
funcionários na unidade da Bosch em Curitiba.
O Estado: A SRT-PR
lançou, recentemente, versões em outros idiomas
das cartilhas sobre o trabalho infantil. Como ela surgiu, e como
foi parar no resto do País e, agora, na Europa?
João Graça - O Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) tem uma função repressiva, que é a fiscalização,
mas não tinha nenhum papel educativo. Então vi a necessidade
de idealizar alguma coisa nesse sentido. Lançamos a cartilha em novembro,
e começamos a desenvolver no Brasil inteiro. Também sugeri ao
ministro [do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi] para a gente lançá-la
na OIT, e fui convidado por ele para seguir com a delegação para
Genebra. Traduzimos para inglês e espanhol e, no dia 12 de junho (Dia
Mundial de Combate ao Trabalho Infantil), quando começaram os debates,
a cartilha ficou no hall de entrada da assembleia.
O Estado: O senhor
trouxe novidades de Genebra sobre avanços nas relações
de trabalho?
JG - Foi o Brasil quem levou as novidades. O discurso do presidente
Lula estava em sintonia com o que o ministro Lupi vem dizendo, sobre a importância
do envolvimento da OIT nas discussões da globalização
e do reflexo que a crise tem na empregabilidade. O Brasil tem, de maneira muito
oportuna, se envolvido nisso, com políticas públicas de emprego.
As primeiras ações que tivemos na questão econômica
foi o aumento do seguro desemprego, de cinco para sete meses, as políticas
de qualificação para os jovens. Na flexibilização
que ocorreu aqui, como no caso da Renault, com a suspensão dos contratos
de trabalho, os trabalhadores receberam bolsa qualificação. Essas
políticas públicas proporcionaram uma distinção
muito grande para nós.
O Estado - Como
está a situação do Paraná em relação
aos trabalhos infantil e degradante?
JG - O trabalho considerado degradante ainda existe em alguns segmentos,
como de extração de madeira, corte da cana, no fumo, na erva-mate.
Com relação ao trabalho infantil, agora temos o Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil (Peti), no qual temos 38 mil crianças. Elas recebem
uma ajuda do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), para não
trabalharem. Estamos, agora, chamando os gestores municipais e dizendo que
eles têm que aderir ao programa, para que recebam a verba que é dada às
crianças. Temos 399 municípios, e só 211 aderiram ao programa.
O Estado - Qual
o motivo disso?
JG - É porque eles têm que dar uma contrapartida. No
programa, o MDS dá a verba, mas o município precisa dar o complemento
educacional, o programa sócio-educativo.
O Estado - E quanto
aos acidentes de trabalho, que estão aumentando no Estado?
De onde veio esse aumento?
JG - Os casos aumentaram de 37 mil para 51 mil, na última estatística
do Paraná. É o quarto, quase chegando ao terceiro lugar do País,
o Rio de Janeiro, que tem 54 mil casos. Foi muito preocupante quando chegaram
as estatísticas. E os números são muito maiores do que
isso. Não só os nossos, mas de todos os outros estados, pela
falta de comunicação do acidente de trabalho. O aumento veio
de segmentos, como o da madeira, desde a extração até a
transformação, a construção civil, a indústria
metal-mecânica e o hospitalar.
O Estado - O que
está sendo feito para reverter a situação?
JG - Temos um projeto de boas práticas de saúde e segurança
do trabalho, que traz para o diálogo trabalhadores e empregadores. Temos
a ação repressiva e a educativa. Incentivamos as empresas a aderirem,
as avaliamos durante um ano, e as certificamos. É um objetivo a médio
e longo prazo. E tem outra realidade, agora: o adicional previdenciário
modifica conforme os índices acidentários. E a Previdência
está entrando com mais ações regressivas contra as empresas.
Isso está fazendo com que elas comecem a ter outros olhos em relação
a isso.
O Estado - Como
o senhor vê as perspectivas do emprego no Paraná e
no Brasil, em um futuro próximo?
JG - Tenho uma visão otimista, embora tenha havido essa demissão
de 900 funcionários na Bosch. O nosso país está voltando
a ter um crescimento adequado à sua realidade. Agora, tudo que está voltado
ao mercado internacional vai refletir a realidade econômica de lá.
Mesmo assim, haverá um ganho na nossa geração de emprego
formal. A perspectiva é chegarmos ao final do ano com 1 milhão
de novos empregos no País.
O Estado - E como
vê a flexibilização das relações
de trabalho?
JG - Lá fora, a visão é de flexibilizar. Não é a
visão que temos no Brasil, por ora. A nossa é combater o trabalho
degradante, o infantil. Não podemos flexibilizar, porque ainda temos
muitas relações de trabalho irregulares. Lá fora, eles
vão ter que mudar. Mas nossa realidade não é essa. Não
temos hoje um trabalhador que ganha o mesmo que o de lá. Nossos trabalhadores
não viajam como os da Europa, pelo mundo inteiro. As realidades são
muito distintas.
O Estado - Os acordos
de redução de jornada com diminuição
de salários podem ser vistos como tendências em
direção à flexibilização,
ou são coisas pontuais?
JG - Com certeza são uma forma de flexibilização.
Em alguns estados, como São Paulo, onde as convenções
são mais avançadas, encontramos exemplos. Mas hoje, o que mais
está se discutindo são as cláusulas sociais, como cesta
básica, creche para crianças, e outras. São cláusulas
que têm repercussão econômica e que podem vir a ser rediscutidas.
No Paraná, o que tem se discutido muito e eu fui convocado algumas vezes
pelo setor industrial para discussões é o salário mínimo
regional.
O Estado - Qual é a
questão?
JG - Eles demonstraram o prejuízo. Mas o MTE não tem
o que opinar nesse sentido. É uma realidade que o setor tem que aceitar.
Havendo convenção coletiva o que impera é a convenção,
e não havendo, o que impera é o salário mínimo
regional. Não podemos discutir o que o governo fez. Isso tem que ser
discutido antecipadamente, e não depois que a lei foi aprovada.
O Estado - Demissões
em massa, como da Bosch, podem gerar punição à empresa?
JG - Não. O MTE só lastima, porque é uma mão-de-obra
qualificada. Mas não existe dispositivo legal nenhum que aponte uma
punição. O que o ministro [Lupi] tem deixado muito claro, e que
nós concordamos, é que não vemos com bons olhos nenhuma
empresa - não é o caso da Bosch - que busque benefício
público e, ao mesmo tempo, deixe de gerar empregos. Essa é a ótica
singela que a gente tem trabalhado. É o mesmo no trabalho degradante.
Uma empresa pega com trabalho degradante é impossibilitada de tomar
qualquer empréstimo público.
O Estado - Recentemente,
alguns blogs anunciaram que o senhor estaria de saída
da SRTE-PR. A notícia é verdadeira?
JG - Estou
em um processo de tratamento de saúde. Então, se
meu médico falar que tenho que sair, vou sair. Mas não
tenho intenção nenhuma de sair, nem ninguém
de me tirar.
|
Notícias do Tribunal Superior
do Trabalho
22/06/2009
Declaração de pobreza
não precisa de formalismos, diz TST
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho concedeu o benefício da justiça
gratuita a empregado que fez declaração de pobreza
sem constar a expressão “sob as penas da lei”.
Por unanimidade, os ministros aceitaram o recurso de revista do
trabalhador e reformaram decisão do Tribunal Regional do
Trabalho da 2ª Região (SP), que havia negado o benefício.
A discussão desse
assunto na Justiça do Trabalho começou depois que
um ex-empregado da Ultrafértil S.A., demitido sem justa
causa, requereu correção monetária dos planos
econômicos Verão (janeiro/1989) e Collor I (abril/1990)
sobre a multa de 40% do FGTS depositada pela empresa. O ex-ajudante
de operador afirmou que o Supremo Tribunal Federal reconheceu o
direito à reposição desses expurgos inflacionários
no ano de 2000 e, portanto, tinha direito a receber as diferenças
pedidas. Como o empregado foi dispensado em novembro de 1992, a
empresa sustentou, entre outros pontos, que o direito estava prescrito,
já que a lei complementar que trata da matéria (LC
nº 110) é de 30/06/2001, e o trabalhador só entrou
com a ação na justiça em 24/09/2003, ou seja,
mais de dois anos depois da entrada em vigor da lei.
Na 5ª Vara do Trabalho
de Cubatão (SP), a empresa foi condenada a pagar ao empregado
as correções inflacionárias dos planos econômicos,
porque a prescrição teria ocorrido somente após
cinco anos da publicação da lei complementar. Já o
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) considerou
que o direito de fato estava prescrito. Só que, além
disso, o Regional também indeferiu o benefício da
justiça gratuita ao empregado, com a justificativa de que
a declaração de pobreza assinada por ele seria deficiente,
porque não trazia a expressão “sob as penas
da lei”, o que impediria que o declarante ficasse sujeito às
sanções legais em caso de se comprovar a falsidade
da declaração.
No TST, o empregado não
rebateu mais a questão da prescrição, mas
sim o seu direito à justiça gratuita. Afirmou que
a concessão do benefício não estava condicionada à utilização
de “palavras sacramentais”, do contrário haveria
desrespeito à Constituição, que garante assistência
jurídica integral e gratuita, patrocinada pelo Estado, aos
que comprovarem insuficiência de recursos (artigo 5º,
inciso LXXIV). Também destacou que as leis que tratam da
obtenção dos benefícios da assistência
judiciária (Leis nº 1.060/50 e nº 10.537/2002)
não exigem esse formalismo exagerado, incompatível
com a natureza da demanda trabalhista.
O relator do processo, juiz convocado Douglas Alencar Rodrigues, explicou que
a discussão, no caso, era saber se é necessário, na declaração
de pobreza, constar a expressão “sob as penas da lei”. Ele
lembrou que é facultado aos órgãos julgadores conceder
o benefício da justiça gratuita àqueles que declararem
que não estão em condições de pagar as custas processuais
sem prejuízo do próprio sustento ou da família (artigo
790, parágrafo 3º, da CLT). Além do mais, segundo a jurisprudência
do TST, basta a simples afirmação do declarante (ou advogado)
para se aceitar como verdadeira a situação econômica de
hipossuficiência (falta de recursos financeiros) e conquistar a justiça
gratuita (Orientação Jurisprudencial nº 304 da SDI-1).
Para o juiz, portanto,
o uso da expressão “sob as penas da lei” na
declaração de pobreza do empregado era dispensável
e não deveria impedir a concessão do benefício
da justiça gratuita. Na mesma linha de entendimento, seguiram
os demais ministros da Terceira Turma do TST, reformando a decisão
do TRT paulista que havia negado o benefício. ( RR 924/2003-255-02-00.0)
|
22/06/2009
Auxiliar de enfermagem não
consegue equiparação a enfermeiro
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reformou decisão regional que concedia
equiparação salarial entre auxiliar de enfermagem
e enfermeiro, ao aceitar recurso do Hospital e Pronto Socorro Comunitário
de Vila Iolanda Ltda. O trabalhador foi contratado como atendente
de enfermagem em fevereiro de 1990 e dispensado em outubro de 1997.
A Turma aplicou, por analogia, a jurisprudência do TST que
proíbe a equiparação entre atendentes de enfermagem
e auxiliares de enfermagem, que têm de ser habilitados por
Conselhos Regionais de Enfermagem.
O atendente relatou que,
no período em que trabalhou no hospital, exerceu as mesmas
atividades de um enfermeiro. Ao ingressar com ação
trabalhista em 1998, requereu equiparação alegando
afronta ao princípio da igualdade salarial, estabelecido
no artigo 461 da CLT, e as diferenças salariais mensais
decorrentes, como reflexos em 13º salário, férias,
aviso prévio e multa de FGTS.
A decisão da primeira
instância foi a favor da equiparação, pois
o trabalhador comprovou a identidade de funções por
meio de testemunha, e o hospital havia não mostrado o contrário.
Insatisfeita com a sentença, a empresa recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), sustentando
impossibilidade na legislação e nos fatos para que
o trabalhador exercesse a função de enfermeiro. O
hospital observou que o empregado fora admitido como atendente
de enfermagem e, após curso técnico, foi promovido
a auxiliar de enfermagem. Outro ponto levantado pela empresa foi
o fato de que a Lei nº 7.498/86 proíbe o exercício
da enfermagem por pessoas que não possuam diploma de nível
superior conferido por instituição de ensino.
O Regional manteve a sentença,
por entender que o fato de o empregado não possuir curso
superior não impediria a aplicação do artigo
461 da CLT, que determina igualdade salarial para funções
equivalentes. Inconformado, o hospital recorreu ao TST. Diante
do caso, o relator do recurso, ministro Lelio Bentes Corrêa,
aplicou analogicamente a Orientação Jurisprudencial
nº 296 da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-I), que proíbe a equiparação
salarial entre atendente de enfermagem e auxiliar de enfermagem.
A Primeira Turma, por unanimidade, seguiu o voto e excluiu da condenação
as diferenças da igualdade salarial. “Afastada a isonomia
entre o técnico e o auxiliar de enfermagem – que,
para o desempenho de suas atividades encontra-se submetido à exigência
de curso técnico-profissionalizante -, com maior razão
deve-se rechaçar a equiparação entre auxiliar
de enfermagem e enfermeiro, para o qual a lei exige curso superior”,
disse o voto. (RR-74387/2003-900-02-00.4)
|
22/06/2009
LER: bancário obrigado
a fazer hora extra receberá R$ 100 mil
A exigência de que
um empregado prestasse habitualmente serviço em horário
extraordinário, aliada à não-observância
de normas de medicina e segurança do trabalho, resultou
em condenação a uma indenização de
R$ 100 mil. Esse é o valor que o Banco ABN AMRO Real S.A.
terá que pagar a um gerente operacional de agência
em Recife (PE), afastado do trabalho por sofrer lesão por
esforço repetitivo – LER. Em agravo de instrumento
ao Tribunal Superior do Trabalho, o banco pretendia obter a redução
da indenização, mas a Sétima Turma rejeitou
o apelo patronal e negou provimento ao agravo.
O gerente trabalhou para
o banco por mais de 25 anos. Segundo afirmou, em dias normais sua
jornada de trabalho era das 7h30 às 20h, com intervalo de
até 30 minutos para almoço. Nos dias de maior movimento
- entre os dias 25 de um mês ao dia 10 do mês seguinte
-, a jornada em média ia até as 21h, com o mesmo
intervalo. Ele não era submetido a controle de ponto, mas
apresentou testemunha que confirmou a informação
e disse não haver flexibilidade na jornada do gerente geral
de serviços (antigo gerente operacional). Ao contrário,
a testemunha da empresa não soube elucidar nada a respeito.
A partir de setembro de
1994, o bancário passou a receber o benefício previdenciário,
após vários laudos periciais, inclusive do INSS,
que atestaram a a doença. Ele ajuizou, então, ação
em que pedia indenização por danos morais pela doença
profissional, entre outros pedidos, como horas extras. A 17ª Vara
do Trabalho de Recife (PE) estipulou a indenização
em R$ 100 mil.
Trabalhador e empresa recorreram
da sentença. Enquanto o trabalhador buscou a majoração
da indenização para R$ 500 mil, conforme pedido inicial,
o banco queria a redução para um valor entre 10 e
20 salários mínimos, sob a alegação
de que o juízo de primeira instância “fugiu
aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, fixando
montante que representa enriquecimento sem causa do autor”.
O Tribunal Regional do
Trabalho da 6ª Região (PE) manteve a sentença.
Considerando que a incapacidade para o trabalho tem reflexos de
ordem psicológica, o Regional entendeu que o valor era razoável.
O Regional concluiu que o banco “deixou de observar as normas
sobre medicina e segurança do trabalho e de propiciar ao
trabalhador condições adequadas”, chegando
a exigir a prestação rotineira de horas extras.
Com o recurso de
revista barrado pelo TRT, a empresa interpôs agravo de
instrumento ao TST. Para o ministro Ives Gandra Martins Filho,
relator do apelo, o Regional demonstrou a culpa do empregador,
e não havia, no acórdão regional, a violação às
disposições legais e constitucionais alegadas pelo
banco. (AIRR –2427/2006-017-06-40.0)
|
Vermelho, 21 de junho de 2009
Emir Sader: crise não marcará o
fim do capitalismo
Apesar de sua natureza e profundidade, a crise do capitalismo não é suficiente
para derrubar o sistema, sepultar o neoliberalismo ou mesmo pôr em xeque
o posto dos Estados Unidos como única potência da atualidade. É o
que apontou o cientista político e professor universitário Emir
Sader, neste sábado (20), na abertura do Seminário Internacional
Sobre a Crise Mundial.
“É verdade que a hegemonia americana se enfraquece.
Mas não aparece no horizonte nenhum país candidato
a potência que possa substituir os Estados Unidos”,
disse Sader às cerca de 250 pessoas presentes no Hotel Braston,
em São Paulo, no seminário promovido por PT, PCdoB,
Fundação Maurício Grabois, Fundação
Perseu Abramo e Corint.
Como contrapartida, ele afirmou que a crise trouxe novos parâmetros
para o debate: “A História voltou a ficar aberta – se é que
já chegou a fechar. As alternativas para a esquerda estão
mais abertas que antes.”
Emir ponderou que qualquer interpretação da crise
deve levar em conta os princípios do marxismo – que “não
são dogmas nem axiomas”. Um dos princípios
mais relevantes – por refletir um drama atual do marxismo – é a
ideia de que “sem teoria revolucionaria não há prática
revolucionária”.
“A primeira geração de marxistas – Marx,
Engels, Lênin, Gramsci, Rosa Luxemburgo – era de pensadores
revolucionários que também eram ativistas revolucionários”,
lembra Emir. “Hoje a ruptura provoca a tendência de
a intelectualidade girar sobre si mesma e os partidos serem muito
pragmáticos.”
Contexto da crise
Para Emir, é preciso analisar a crise atual “sem
analogia mecânica” com, por exemplo, a crise capitalista
de 1929. “Já chegaram a dizer até que agora
vem guerra. Guerra entre quem?”. A seu ver, a crise deve
ser entendida nos marcos da trajetória do capitalismo no
século 20.
Da Segunda Guerra Mundial até a década de 1970,
o sistema viveu um longo ciclo de prosperidade – o “período
de ouro”, conforme a definição do historiador
anglo-egípcio Erich Hobsbawn. “Houve um grande crescimento
industrial até na periferia do capitalismo – no Brasil,
no México, na Argentina”, lembra Emir. O ciclo seguinte,
no entanto, é de recessão econômica – mas
a queda do socialismo fortalece os Estados Unidos.
“Quem ganha reconta a história, narra os fatos – e
a vitória ideológica do capitalismo foi de proporções
vitais.” O socialismo sai da agenda, perde em atualidade.
Países como China e Cuba passam a uma “situação
de defensiva histórica”. Além disso, o neoliberalismo
fragmentou a sociedade, jogou os trabalhadores no trabalho informal,
dificultou a resistência. “A derrota do socialismo
serve, afinal, para desqualificar a política.”
A financeirização
Com o anúncio da “vitória da economia liberal”,
os novos embates em pauta se davam em temas como “democracia
e totalitarismo”, “ocidente versus terrorismo”.
Já na economia, “consolida-se a passagem do Estado
de bem-estar social para a fase neoliberal, de desregulamentação”. É a
fase da financeirização radical – ou, nas palavras
de Emir Sader, “um câncer incrustado dentro do capitalismo”.
“Marx dizia que o capitalismo é o sistema que faz
crescer as forças produtivas como nenhum outro – seu
problema era não distribuir a riqueza. O que ocorre, sob
a hegemonia financeira, é a transferência de recursos
do setor produtivo para o setor especulativo, que não produz
bens nem serviços”, explica Emir. Na América
Latina, segundo o professor, a “euforia neoliberal não
trouxe vantagens econômicas. As três maiores economias
mostraram fragilidade – o México quebrou em 1994,
o Brasil em 1999 e a Argentina em 2002 e 20003”.
Para Emir Sader, a atual crise do capitalismo emerge em meio a “um
período de relativa estabilidade, com uma única grande
potência. Existe uma turbulência prolongada sem resolução
previsível, mas qualquer resolução será de
alternativas dentro do capitalismo, sem ruptura”.
Daí sua conclusão de que “o capitalismo não
termina com a crise – porque ele não cai por si mesmo,
tem de ser derrubado –, nem tampouco o neoliberalismo acabou”.
Nessas condições, o Estado age tal qual um “médico
acionado quando o capitalismo sofre doenças”.
Reflexos
A crise abre cenários distintos nas várias partes
do mundo. Barack Obama assume a Casa Branca para enfrentar não
só a crise econômica – mas também os
impasses de duas guerras abertas e não-resolvidas. Com uma
vantagem, brinca Emir: “É praticamente o único
país com iniciação política no mundo:
ele faz a guerra e também inicia as negociações
de paz”. Na geopolítica, o tom do discurso muda – com
Cuba e Irã, por exemplo.
Por outro lado, Emir Sader sustenta que “a crise revela
a falência da Europa como conglomerado autônomo. Em
tese, se era para ter uma moeda alternativa agora, seria o euro”.
Mas, ao contrário, as ideias da direita voltam com força
no Velho Mundo, e o continente se comporta como um “aliado
subordinado dos Estados Unidos”.
Num mundo dominado pelo “monopólio das armas, do
dinheiro e das palavras”, há brutais “guerras
humanitárias” seguidas de intervenções
políticas. É um “braço imperialista
renovado na época unipolar”. Por isso, afirma Emir,
iniciativas como a Unasul (União de Nações
Sul-Americanas) são importantes.
O “novo tempo” da América Latina possibilitou
que a resolução do conflito entre Colômbia
e Equador tenha ocorrido “no nosso âmbito”, sem
o arbítrio dos Estados Unidos ou da ONU. O continente reage. “É extraordinário
ver que o primeiro país a romper formalmente com Israel
foi a Bolívia, num gesto de solidariedade baseada em seus
próprios princípios.”
Saídas
Para a economia brasileira, a crise é um teste. “Estamos
pagando um preço caro”, afirma Emir. Além de
queda da demanda externa e, consequentemente, da exportação,
houve um refluxo dos créditos. Na opinião do professor,
o governo precisa “encampar a luta contra o monopólio
da hegemonia neoliberal”, diversificar ainda mais o comércio
internacional e aumentar o peso do mercado interno, taxando o capital
externo.
“Lula manteve a hegemonia do capital financeiro e a autonomia
do Banco Central, ainda que tenha retomado o papel do desenvolvimento.
Sem abandonar a conciliação, a aliança de
classes, sem deixar de ser parêntesis do modelo internacional,
o governo Lula não será alternativa de um novo modelo”,
criticou Emir. A seu ver, é preciso resistir ainda à precarização
e à alienação do trabalho, voltando também
a estimular a sindicalização. “Mesmo o Fórum
Social Mundial nunca vai avançar muito se tiver só o
tema da cidadania e não tratar do trabalho”.
Sobre a nefasta atuação da mídia na América
Latina, Emir Sader opina que há “um único jornal
bom” – o diário mexicano La Jornada, que tem
oito edições regionais. “O Página 12,
da Argentina, é bom, mas é um jornal pequeno.”.
O Brasil, por sua vez, padece de um governo que, na área
de comunicação, “não fez quase nada – apenas
diversificou um pouco a distribuição de publicidade”.
A TV Brasil, na sua opinião, “é um fracasso”.
“Teremos as heranças das transformações
que o Lula fez e das que ele não fez”, sintetiza Emir.
Além de “quebrar a hegemonia do capital financeiro”,
o Brasil, “país mais desigual do continente mais desigual”,
tem adotar “um modelo de desenvolvimento agrário que
prescinda do agronegócio”.
Outra prioridade, segundo Emir, é “construir uma
opinião pública alternativa – pela internet,
com os blogs, mas também democratizando a comunicação,
a TV, o lazer”. A maior dificuldade, diz ele, “é convencer
as massas de que nossa utopia é a justiça social”.
Seria uma resposta ao “individualismo brutal”, que
leva as pessoas a pensarem apenas numa coisa: “O que vai
acontecer comigo?”.
De São Paulo,
André Cintra
|
Agência Estado, 21 de junho de
2009
Governo vai prorrogar redução
de IPI para linha branca
O governo manterá pelo menos até outubro
a redução das alíquotas de Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) para produtos da linha branca.
A equipe econômica já prepara a prorrogação
das reduções no porcentual do imposto de geladeiras
(que caiu de 15% para 5%), fogões (de 5% para zero), máquinas
de lavar (de 20% para 10%) e de tanquinhos (de 10% para zero).
O anúncio formal será feito na segunda semana de
julho, quando vence o prazo atual.A informação é de
um auxiliar direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos pedidos para prorrogar os prazos, que já começaram
a chegar à equipe econômica e ao próprio presidente,
os empresários dizem que desde o início das reduções,
em 17 de abril, as vendas de eletrodomésticos em redes como
Wal-Mart, Pão de Açúcar, Magazine Luiza, Ricardo
Eletro e Casas Bahia cresceram mais de 20%.
Lula orientou a equipe econômica a prorrogar os efeitos
dos porcentuais reduzidos de IPI de produtos da construção
civil. No caso do setor automobilístico, como já antecipou
o jornal O Estado de S. Paulo, o governo trabalha com a ideia de
manter o incentivo, mas reduzi-lo, gradativamente, no segundo semestre.
A renúncia fiscal com a redução do IPI representou
cerca de R$ 3 bilhões no primeiro semestre nos setores de
linha branca, automóveis e construção civil.
No caso de produtos de linha branca, a renúncia fiscal de
abril a outubro deste ano chegará a R$ 354 milhões.
|
Gazeta do Povo, 21 de junho de 2009
Representação popular
Quem enfim são os nossos
representantes?
Tese de José Sarney de que ONGs
e imprensa querem substituir políticos é rejeitada
por entidades de fiscalização do poder público
Brasília - O discurso do presidente do Senado, José Sarney
(PMDB-AP), sobre a onda de escândalos enfrentados pelo Congresso
Nacional em 2009 evidenciou o choque entre parlamentares e setores
da sociedade civil organizada. Nas palavras do senador, o Brasil
e o mundo passam por uma “crise de representação”,
na qual há uma disputa pelo direito de representar o povo,
em uma crítica a entidades que controlam o poder público,
como a imprensa e outras organizações sociais, que
estariam tentando substituir os políticos como detentores
do direito de falar em nome da população. A tese
foi mal recebida por membros de organizações não
governamentais (ONGs) que trabalham com a fiscalização
do Poder Legislativo.
“A sociedade de comunicação que foi implantada
concorre com o Congresso, de maneira que hoje o Congresso tem de
dividir suas atribuições com o quê? Com as
ONGs, com a sociedade civil, com as corporações e
com toda essa mídia eletrônica, que perguntam: quem
representa o povo, somos nós ou são os congressistas?”,
disse Sarney na última terça-feira.
Os questionamentos atingem os principais meios de propagação
das 14 irregularidades enfrentadas pelo Senado desde fevereiro.
Tudo começou com as reportagens sobre o mau uso da verba
indenizatória e das passagens aéreas pelo site Congresso
em Foco, especializado em notícias do Legislativo. Em vários
momentos, os episódios também foram fomentados por
levantamentos feitos por ONGs como a Transparência Brasil
e a Contas Abertas.
“As ONGs são instrumentos pequenos, mas ágeis,
muito mais rápidos do que as respostas de senadores e deputados
citados em escândalos”, definiu o diretor da Contas
Abertas, Gil Castello Branco. Para ele, o desconforto dos parlamentares
nessa relação tem ficado cada vez mais evidente. “Os
políticos perceberam que ovo de codorna também mancha.
Por isso ocorrem declarações como essa do Sarney.”
O diretor da Transparência Brasil, Cláudio Weber
Abramo, afirma que o discurso do presidente do Senado parece uma
tentativa de tirar o foco dos casos concretos de irregularidades,
como os 623 atos secretos editados pela Casa nos últimos
14 anos. “Não há briga por espaço, nem
tentativa de desestabilizar a instituição. Nós
não queremos ocupar o lugar dos congressistas. Se eles representam
mal a população, o problema foi provocado por eles
e não por nós.”
Essência
A discussão sobre a representatividade da sociedade na
democracia brasileira está ligada à essência
do Congresso Nacional. Na composição das duas casas
legislativas, a Câmara dos Deputados corresponde à representação
do povo no país e os 513 deputados são distribuídos
de acordo com as populações estaduais.
Já o Senado representa os interesses das unidades federativas.
Cada um dos 26 estados e o Distrito Federal têm direito a
eleger três senadores. A ideia do critério é evitar
distorções de representatividade de regiões
com poucos habitantes.
“Em um país politicamente maduro, o Congresso não
tem o poder exclusivo de representar os interesses do povo. Ele
convive com grupos de interesse, de pressão, com lobbies
internacionais e até dos poderes Executivo e Judiciário”,
afirma o diretor da ONG Transparência, Consciência
e Cidadania, David Fleischer. Segundo ele, essa convivência é indissociável.
Doutor em Direito das Relações Sociais pela Universidade
Federal do Paraná, o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR)
lembra que a sociedade se organiza a partir de grupos de interesse
e que a maioria dos congressistas é eleita a partir da identificação
com esses segmentos. A situação provoca o fortalecimento
de bancadas setoriais, como a ruralista, com mais de 150 parlamentares
federais que defendem o agronegócio.
Por outro lado, diz Fruet, é evidente o aumento da participação
individual do cidadão nos mandatos parlamentares. “As
pessoas estão percebendo que a relação com
o político não acaba no momento do voto. Elas estão
tomando mais iniciativa”, afirma o deputado. Segundo ele,
ainda é cedo para definir como será o futuro desse
relacionamento. “Mas tenho certeza de que isso fortalece
a democracia.”
|
Gazeta do Povo, 21 de junho de 2009
Democracia direta poderia aproximar
a população
Uma das soluções para aproximar a população do
processo legislativo seria a adoção de mais mecanismos de participação
direta, como referendos e plebiscitos. Desde a Constituição de
1988, as ferramentas foram utilizadas apenas duas vezes no Brasil: no plebiscito
para escolha do regime de governo (1993) e no referendo sobre comércio
de armas de fogo (2005).
“Precisamos buscar uma maneira de expandir a democracia”,
diz o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR). Segundo ele, outro
ponto importante é o incentivo aos projetos de lei de iniciativa
popular. “O problema é que a legislação
atual inibe esse tipo de proposta.”
Plebiscitos, referendos e leis sugeridas pela população
são regulamentados pela Lei 9.709/98. Ela determina que
os projetos precisam ser endossados por um abaixo-assinado enviado à Câmara
dos Deputados subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado
nacional, distribuído por ao menos cinco estados.
Ex-presidente do Parlamento do Mercosul, Rosinha ressalta que
os países vizinhos estão mais acostumados com a democracia
direta. “O que falta é a popularização
dessas medidas. No Brasil até a realização
de audiências públicas é restrita.” (AG)
|
Consultor Jurídico, 21 de junho
de 2009
Em combustão
Exploração do pré-sal é desafio
para arbitragem
Por Alessandro Cristo
A partir do momento em que uma atividade econômica se torna importante
para a população e estratégica para o Estado, ela precisa
da tutela de uma agência reguladora. Foi a falta desse tipo de “olhar” estatal
que permitiu a explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos,
gerando uma reação em cadeia que pôs o mundo na atual crise
financeira. No Brasil, a atuação da Agência Nacional do
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostra que, ao
contrário do que dizem os defensores do livre mercado, a regulação
pode trazer crescimento aos setores. Entre outras conquistas, a agência
tem combatido com eficiência a comercialização de combustíveis
adulterados. A avaliação é de uma das mais reconhecidas
especialistas em regulação do país, a advogada Maria D’Assunção
Costa, falando em entrevista à Consultor Jurídico.
Assunção é árbitra integrante do Cadastro
de Mediadores e Árbitros do Institudo Brasileiro de Estudos
do Direito da Energia, e também faz parte da Comissão
de Gás Natural do Instituto Brasileiro do Petróleo
e do Gás Natural (IBP). No setor público, atuou na
Secretaria de Saneamento e Energia do governo paulista e na Companhia
de Gás de São Paulo (Comgás). Hoje, além
de advogar e prestar consultorias, dá aulas no Curso de
Pós-Graduação do Instituto Brasileiro de Petróleo
da Fundação Escola de Comércio Álvares
Penteado (Fecap).
No Brasil, a regulação por meio de agências
começou a partir da privatização de serviços
prestados pelo Estado, há quase 20 anos, mas ainda enfrenta
problemas sérios, como elenca Assunção: “Orçamentos
foram contingenciados, deixou-se de fazer concursos públicos
para a contratação de fiscais e não foram
nomeados diretores para os órgãos reguladores”.
Por esse motivo, órgãos como a Agência Nacional
de Telecomunicações, que têm a obrigação
de fiscalizar os serviços, não conseguem dar conta
do número de reclamações dos consumidores,
que acabam por afogar o Judiciário com processos. O que
a população não sabe, segundo a advogada, é que
as agências também podem ser responsabilizadas judicialmente
por falhas na prestação das concessionárias.
Autora de seis obras sobre regulação de mercado
e Direito do Petróleo, entre elas o livro Comentários à Lei
do Petróleo, Lei federal nº 9.478, de 6-8-1997 — Editora
Atlas, 2009 —, Assunção prevê mudanças
científicas e jurídicas profundas no país
com a descoberta das novas reservas de petróleo marítimo
na camada do pré-sal, na costa brasileira. A exploração
de jazidas a mais de sete mil metros de profundidade na faixa litorânea
que vai do Espírito Santo a Santa Catarina promete revolucionar
não só as técnicas de extração
como as relações contratuais e jurídicas entre
os players do negócio. “Há demanda de profissionais
capacitados para atuar como mediadores, árbitros e negociadores.
Uma plataforma petrolífera gera um número imenso
de contratos, todos ligados entre si. Vamos ter que estudar o reflexo
que uma decisão vai ter em outros contratos e decisões”.
Segundo ela, é para a arbitragem que surgirão os
maiores desafios e oportunidades. “Tudo o que se refere a
petróleo e gás têm previsão legal de
arbitragem”, diz. As discussões, segundo Assunção,
deverão ficar longe das formas tradicionais de solução
de conflitos no Judiciário. “Essas questões
são muito complexas para serem levadas à Justiça.
O risco é muito grande porque o Judiciário não
tem o assunto dentro do seu programa de concursos. O ideal são
os meios alternativos de solução de controvérsias”,
explica, destacando que as mediações e conciliações
feitas por magistrados serão fundamentais nessas relações.
A possível criação de uma nova estatal para
controlar o que for produzido a partir dessas reservas e as formas
de distribuição dos royalties aos estados e municípios
próximos também terão de ser resolvidos antes
que se possa começar a explorar os combustíveis fósseis
do pré-sal e foram destacadas por Assunção.
Leia abaixo trechos da entrevista, da qual também participaram
os jornalistas Maurício Cardoso e Aline Pinheiro.
ConJur — Por que serviços como o de telefonia
ainda levam milhares de casos ao Judiciário? Agências
reguladoras como a Anatel não estão cumprindo sua função?
Maria D’Assunção — As agências
deveriam atuar preventivamente na fiscalização. Nós
ainda não começamos a cobrar das agências a responsabilidade
civil que elas têm. Elas poderiam responder na Justiça por
danos sofridos pelos consumidores ou pelos agentes econômicos.
Mas nestes últimos anos nós tivemos uma crise tupiniquim
das agências reguladoras. Orçamentos foram contingenciados,
deixou-se de fazer concursos públicos para a contratação
de fiscais, não foram nomeados diretores para os órgãos
reguladores. Teve agência que ficou quase um ano sem diretor. As
agências têm orçamento disciplinado em lei, que é sustentado
por acréscimos na conta de energia elétrica ou de telefone.
Mas esse valor fica contingenciado, ou seja, existe uma diferença
muito grande entre o orçamento estabelecido na lei, que é direito
da agência, e o que é liberado. E isso ainda não
foi corrigido. O próprio Ministério Público tem
certo temor em exigir a liberação dos recursos para que
as agências possam fazer as fiscalizações.
ConJur — Os problemas orçamentários
tornam o trabalho dos reguladores apenas pró-forma?
Maria D’Assunção — Não
em relação à ANP [Agência Nacional
do Petróleo, Gás Natural e Biocombustívies],
por exemplo. As fiscalizações têm funcionado
no combate à adulteração de combustíveis,
porque ela se capacitou para fazer isso. Tem havido uma melhora,
embora a atuação ainda não seja a ideal.
ConJur — Quando a agência pode ser responsabilizada
por danos causados pelas empresas concessionárias?
Maria D’Assunção — Por
exemplo, nos casos em que ela tem a obrigação
de saber que um combustível foi adulterado. Se o produto
foi testado, mas por alguma falha administrativa, foi liberado,
ela também deve responder pelos danos.
ConJur — As agências reguladoras conseguem
separar suas atribuições técnicas das
motivações políticas e econômicas
que operam nos bastidores? Como o sistema funcionaria de forma
mais efetiva?
Maria D’Assunção — Nossa
cultura ainda não é forte no sentido de que
a discricionaridade do regulador é técnica,
e que ele precisa justificar todos os seus atos. A agência
reguladora é um ente de Estado, atua em nome do Estado
e não em nome do governo. O governo é formado
por pessoas que têm um mandato transitório,
enquanto o Estado é a pessoa jurídica regida
por uma Constituição. A agência reguladora
atua subordinada à lei, que vai delimitar a atuação
dessa agência. O regulador tem o que nós chamamos
de discricionariedade técnica, ou seja, para qualquer
ato que ele queira regular, precisa manifestar a proposta
ao público por meio de audiências e consultas.
A princípio, a finalidade da regulação é orientar,
fixar normas de conduta. Somente se essas normas não
forem atendidas é que se fiscaliza e se aplica sanções.
A regulação não pode ser surpreendente,
mas tem por princípio passar por um processo colaborativo
entre os agentes regulados, os consumidores e a agência,
em uma integração com a sociedade. Além
disso, tudo o que ela faz tem de ser justificado por notas
técnicas. O regulador não tem vontade própria,
mas a vontade da lei. Por isso, precisa justificar suas escolhas.
O regulador é diferente do parlamentar, que tem discricionariedade
política. A agência reguladora não decide
politicamente, mas tecnicamente.
ConJur — Apesar de não serem órgãos
políticos, as agências estão sujeitas a
pressões políticas. Foi assim com a Agência
Nacional de Aviação Civil, Denise Abreu, durante
a crise aérea. Isso também não é motivo
de insegurança?
Maria D’Assunção — O
afastamento de dirigentes está previsto em lei, mas é preciso
haver um justo motivo, e não simplesmente a vontade
política. Quanto à incapacidade dos dirigentes,
o Senado também peca por não sabatinar os indicados
como deveria na hora de fazer a escolha. A escolha de um
diretor é um ato complexo que exige a participação
dos Poderes Executivo e Legislativo. O Legislativo também é responsável
por não fiscalizar as agências, como prevê a
Constituição Federal.
ConJur — A atual crise financeira que se alastrou
pelo mundo a partir dos Estados Unidos poderia ser evitada
caso houvesse uma regulação maior sobre as práticas
financeiras?
Maria D’Assunção — A
crise econômica deriva de uma cultura em que se podia
fazer o que se quisesse. O Estado estava afastado disso e
deixava correr a livre competição. O dever
do Estado era enxergar até que ponto a livre competição
era saudável, e a partir de quando seria preciso limitá-la,
obrigando as empresas a terem lastros, a serem transparentes
nos balanços e a terem mais responsabilidade ao emitirem
títulos de mercado. A conclusão a que se chegou
foi de que ter deixado por conta do mercado não foi
uma boa coisa.
ConJur — Até onde essa interferência é boa?
Maria D’Assunção — O
limite da interferência do Estado na atividade do particular
depende do Poder Legislativo. São os nossos representantes
que, em um determinado momento, decidem se, para desenvolver
um negócio, será preciso uma autorização.
Dessa forma, ele começa a regular aquela atividade.
A razão para isso é o valor daquela atividade
para o Estado e para a sociedade, e a necessidade dos olhos
e das mãos estatais em benefício da sociedade.
Um exemplo é a atuação do Banco Central,
que funciona como uma agência reguladora para os serviços
financeiros. É a forma de garantir ao cidadão
a segurança de colocar o seu dinheiro em uma instituição
bancária. Embora o risco seja desse cidadão,
o Estado tem o dever de calibrar a atuação das
instituições no mercado.
ConJur — A função da agência
reguladora seria próxima a de um tutor?
Maria D’Assunção — Sim,
nos momentos em que a sociedade se torna mais complexa. Exemplo
disso é a propagação da telefonia móvel.
A telefonia por celular não é um serviço
público, mas o uso foi universalizado. Hoje existe
um interesse de toda a população nesse serviço.
O próprio conceito de serviço público
evoluiu, passando a ser de interesse do Estado regular os
serviços ao público.
ConJur — No caso de uma crise generalizada, como
foi a do apagão aéreo, a agência reguladora
deve defender os interesses das empresas operadoras ou dos
consumidores?
Maria D’Assunção — A
regulação tem um tripé, que é consumidor,
agente econômico e Estado, em uma sintonia fina. A
agência tem que defender os interesses do consumidor,
mas de uma maneira que respeite os contratos de concessão
firmados. É a busca de um justo equilíbrio
entre os direitos do consumidor, do concessionário
e do Estado concedente. Essa é uma das dificuldades
dos reguladores. Outro problema é a cultura. Viemos
de uma realidade em que os mandatos dos dirigentes não
eram fixos, os governantes demitiam ou admitiam quando bem
entendiam. Mas quando esses entes passam a ter algumas prerrogativas,
os particulares também acabam sendo obrigados a cumprir
a lei.
ConJur — Como o Judiciário tem analisado
as decisões regulatórias?
Maria D’Assunção — Na
pesquisa que fiz, o Judiciário tem valorizado as agências
reguladoras. Quando elas atuam dentro dos limites da legislação,
no cumprimento das suas atribuições, o Judiciário
tem reconhecido. As poucas exceções acontecem
quando as decisões extrapolam as atribuições
dos órgãos.
ConJur — No caso de atividades em que o Estado
atua como competidor, como no caso da Petrobrás, a regulação
não é redundante?
Maria D’Assunção — No
momento em que se cria entes que concorrem com a iniciativa privada,
como no caso das empresas de economia mista, que têm ações
na Bolsa de Valores, esses entes precisam se submeter ao olho
do Estado, já que atuam de maneira idêntica às
empresas privadas.
ConJur — As novas reservas de petróleo
encontradas pela Petrobrás levantam a questão
dos royalties a serem pagos pelas empresas que obtiverem o
direito de exploração. Em que a discussão
ainda emperra?
Maria D’Assunção — Não
são só os royalties. Há também
o bônus de assinatura, que é o que se paga para
ter o direito de exploração e é dado
no leilão. Além disso, se a produção
exceder os limites previstos na legislação,
os exploradores também devem pagar o que é chamado
de participação especial. No caso dos royalties,
o que se discute é qual seria a melhor distribuição
dos recursos, ou seja, qual o critério para beneficiar
os municípios atingidos. O município que está fora
de uma área de influência também não
deveria receber parte desses recursos? Outro ponto de dúvidas é quanto à destinação
que o município ou o estado beneficiário vai
dar a esses royalties. Hoje não há previsões
específicas. Se esses recursos vêm de um bem
público, de que maneira eles podem resultar em melhorias
para a população?
ConJur — Por que isso ainda gera debates?
Maria D’Assunção — Por
causa da sobreposição de legislações
sobre royalties. A primeira regulamentação saiu
em 1953, com a lei de criação da Petrobrás
[a Lei 3.257/53]. Depois, quando começaram as descobertas
de reservas marítimas, houve outra lei que determinava
a Petrobrás como única produtora. Os recebimentos
eram feitos por posto. A Lei do Petróleo [a Lei 9.478/97]
acrescentou um terceiro regulamento sobre o tema. Há várias
legislações fixando alíquotas sobre determinados
produtos, com perímetros diferentes. Essa sobreposição
de legislações provoca a ida dos municípios
que se acham prejudicados ao Judiciário. O entendimento
dos tribunais é que esse valor se refere a uma indenização,
durante o tempo que durar a produção. Nós
temos inúmeros projetos de lei sobre o assunto ainda em
tramitação, mas ainda não há preocupação
democrática de como vai ser a partilha dessas rendas.
ConJur — Em relação à exploração
das reservas na camada do pré-sal, o governo ainda cogita
a criação de uma segunda estatal que herdaria
a responsabilidade. Em que questões essa medida esbarra?
Maria D’Assunção — Essa é uma
decisão que vai passar por uma discricionariedade
política do Executivo, que vai elaborar o anteprojeto
de lei, e do Legislativo, que vai votar o projeto. A questão é qual é a
finalidade que o Estado brasileiro quer dar às rendas
petrolíferas. Uma das opções é recolher
recursos para o Tesouro e repartir entre os entes federados,
segundo um critério a ser definido. A outra é participar
do negócio e ter o controle dos estoques de petróleo
para comprar e vender. Nós temos legislações
que preveem a segurança do abastecimento, o estoque
estratégico, mas tudo passa pela finalidade que o
Estado quer. É uma escolha puramente política.
O debate levantado vai servir para que a sociedade entenda
a discussão do que fazer com as rendas dos recursos
naturais. A mineração, por exemplo, explora
recursos naturais como o petróleo, mas não
segue uma legislação semelhante para a distribuição
de royalties.
ConJur — O que as novas descobertas de reservas
petrólíferas mudam no mercado de petróleo?
Maria D’Assunção — Tecnologia
e conhecimento, principalmente nas áreas de engenharia,
geologia, recursos humanos e de tecnologia de informação.
Também haverá mudanças no Direito. Estamos
diante de problemas inimagináveis há dez anos,
que nós, da área do Direito, do Poder Judiciário,
e da arbitragem vamos ter que dar solução,
principalmente no que diz respeito à interpretação
de contratos e à solução de conflitos.
Tudo o que se refere a petróleo e gás tem previsão
legal de arbitragem. Há demanda de profissionais capacitados
para atuar como mediadores, árbitros e negociadores.
Uma plataforma petrolífera gera um número imenso
de contratos, todos ligados entre si. Vamos ter que estudar
o reflexo que uma decisão vai ter em outros contratos
e decisões. Serão questões de municípios,
de estados, ambientais e tributárias. Esses assuntos
já começaram a ser discutidos em câmaras
brasileiras de arbitragem. Temos pelo menos seis câmaras
com árbitros capacitados que já discutiram
sobre petróleo e gás natural, entre elas a
da Fundação Getúlio Vargas e a da Câmara
de Comércio do Canadá.
ConJur — A arbitragem terá preferência
ao Judiciário?
Maria D’Assunção — Sim,
porque essas questões são muito complexas para
serem levadas à Justiça. O risco é muito
grande porque o Judiciário não tem o assunto
dentro do seu programa de concursos. O ideal são os
meios alternativos de solução de controvérsias,
que contam com a especialização dos árbitros,
além da confiabilidade, da confidencialidade e da
rapidez.
ConJur — Para os árbitros, qual será o
desafio?
Maria D’Assunção — As áreas
de energia elétrica, petróleo e gás
mudaram muito. Antes, a mesma empresa gerava energia, transmitia
e distribuía. Hoje são três empresas
envolvidas nesse processo, e uma quarta que é a fiscalizadora.
ConJur — E os contratos que envolvam entes estatais
também serão discutidos por meio de arbitragem?
Maria D’Assunção — Sim,
a Lei de Concessões [a Lei 8.987/95] teve uma emenda,
há dois anos, que incluiu a cláusula de arbitragem
nos contratos de concessão. É possível
que o poder concedente opte por essas cláusulas. Já existem
vários contratos em que ela está prevista.
A Lei das Parcerias Público-Privadas e a nova Lei
do Gás prevêm. Tudo o que se refere a petróleo
e gás é resolvido dessa forma, assim como todas
as questões de transporte, exportação
e importação dos produtos. O projeto de lei
que reformula a Lei 8.666 também tem previsão
de arbitragem na contratação pública
de fornecedores. O que o Poder Judiciário tem patrocinado
bastante é a mediação e a conciliação
nas áreas de infra-estrutura. Esse também é um
grande instrumental, já que os contratos dessa natureza
são de 20 ou 30 anos e nenhuma das partes prevê um
rompimento a curto prazo. Bem conduzidas, a mediação
e a conciliação trazem excelentes resultados.
ConJur — As brigas judiciais em relação às
contratações feitas pela Petrobras de forma menos
burocrática se devem a uma contraposição
de leis. Há quem diga que, pelo fato de ser uma empresa
com participação estatal, ela deve contratar
de acordo com o rigor da Lei de Licitações, a
Lei 8.666/93. Outros defendem que, por competir com outras
empresas privadas, a Petrobras precisa ter mais agilidade com
fornecedores. Qual seu ponto de vista?
Maria D’Assunção — A
lei do petróleo prevê a excepcionalidade para
a Petrobras. A origem dessas questões é o entendimento
do Tribunal de Contas da União de que ela que ela
tem que usar a Lei de Licitações. Mas o Tribunal
de Contas não é legislador, e há uma
lei que prevê o regime licitatório simplificado
para a empresa. Não é o regime licitatório
que vai tornar a licitação mais barata ou mais
moral, mas os seres humanos que atuam naquela contratação.
ConJur — Em que outros aspectos a Lei do Petróleo,
que tirou da Petrobras o monopólio da exploração,
modernizou a produção?
Maria D’Assunção — Todas
as avaliações são muito positivas, isso
pode ser visto nos balanços da Petrobras e das indústrias
brasileiras de petróleo. Houve benefícios à pesquisa, à indústria,
a serviços e aos valores que o Tesouro arrecadou.
A própria Petrobras pôde se reciclar e se tornar
uma das maiores empresas do mundo. Por qualquer lado que
se veja, a legislação trouxe vantagens, valorizou
a Petrobras.
|
Agência Diap, 20 de junho de 2009
Comissão especial da jornada
agenda votação para 30 de junho
Senado não instala CPI da Petrobras;
parlamentares criam frente contra a 'investigação'
A comissão especial que debate a redução
da jornada de trabalho, sem redução de salário,
agendou, na última terça-feira (16), para o dia 30
de junho a votação do parecer favorável do
relator, deputado Vicentinho (PT/SP).
O movimento sindical promete lotar a auditório Nereu Ramos
da Câmara para acompanhar esta importante discussão
e votação.
Esta semana foi criada uma frente parlamentar em defesa da Petrobras.
A frente é uma reação de vários setores
do Congresso e da sociedade contra a CPI da Petrobras, que aguarda
instalação no Senado Federal.
Sob o slogan "O Congresso faz parte da sua história",
os presidentes das duas casas legislativas - Câmara e Senado
- lançaram a campanha sobre a importância do Poder
Legislativo. Querem mostrar para sociedade as mudanças que
o Legislativo tem aprovado em benefício do País.
O plenário da Câmara aprovou a urgência para
o projeto de lei que recria a Previc (Superintendência Nacional
de Previdência Complementar). O projeto poderá ser
votado na próxima semana.
O relator da comissão especial sobre os efeitos da crise
global nos empregos, deputado Vicentinho (PT/SP), sugeriu na última
quarta-feira (17), na conclusão dos trabalhos, a ampliação
dos direitos dos trabalhadores.
No Senado, a Casa aprovou e enviou para sanção presidencial,
a MP 'Minha Casa, Minha Vida'.
O objetivo do programa é criar mecanismos de incentivo à produção
e aquisição de um milhão de novas moradias
pelas famílias com renda mensal de até dez salários
mínimos (R$ 4.650) que residam em qualquer município
do País.
Judiciário
Dois fatos merecem destaque no Poder Judiciário. O primeiro diz respeito à decisão
do Supremo Tribunal Federal (STF), que, por ampla maioria - 8 votos a 1 - decidiu
que não é mais necessário diploma de nível superior
para exercer a profissão de jornalista. A categoria em nível
nacional deplorou a votação. O dilema já se arrastava
por nove anos.
O segundo foi a decisão do Superior Tribunal Eleitoral
(TSE), que cassou o mandato do senador Expedito Júnior (PT/RO),
acusado de corrupção eleitoral. Consta que ele, na
campanha de 2006, teria comprado votos.
Greve: começo e fim
Servidores do INSS iniciaram esta semana uma greve. Os previdenciários
reivindicam a manutenção das 30 horas sem redução
de salário e incorporação da GDASS (Gratificação
de desempenho de Atividade da Seguridade Social) ao salário.
Nesta quinta-feira (18), a Caixa Econômica Federal (CEF)
conseguiu chegar a um acordo com seus empregados de carreira -
advogados, arquitetos e engenheiros - e encerrar a greve que já durava
50 dias.
Efeitos da crise
Segundo o Inec (Índice Nacional de Expectativa do Consumidor) divulgado
nesta quinta-feira (18), a confiança do consumidor subiu 3,7%, de 106,3
pontos no primeiro trimestre para 110,3 pontos no segundo.
Poupança
A proposta do Ministério da Fazenda de alterar as regras de tributação
da caderneta de poupança, anunciada há pouco mais de um mês,
pode ser engavetada.
A complexidade do modelo de tributação - proposto
pelo secretário especial Bernard Appy e que prevê cobrar
IR nos rendimentos de depósitos na poupança acima
de R$ 50 mil - a falta de cacife político do Governo e a
expectativa para os juros em 2009 são os principais motivos
para o provável recuo.
Desemprego
Um milhão de trabalhadores perderam seus empregos na América
Latina desde o início da crise econômica internacional. A estimativa é da
Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal)
e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Bancos públicos x privados
O primeiro trimestre consolidou na liderança do mercado financeiro os
bancos Itaú, Banco do Brasil (BB), Bradesco, Santander e Caixa Econômica
Federal. Os maiores bancos brasileiros mantêm o lugar de destaque no
ranking internacional, apesar da queda de 39% do lucro líquido em comparação
com o primeiro trimestre de 2008.
Captação da poupança
A caderneta de poupança registrou na primeira semana de junho a maior
captação líquida do ano. Dados da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip) mostram que o saldo dos depósitos menos os saques ficou positivo
em R$ 3,044 bilhões, 12% superior ao verificado na primeira semana de
maio, quando a captação líquida foi de R$ 2,716 bilhões.
|
BBC Brasil, 20 de junho de 2009
Fome vai atingir recorde de 1 bilhão
de pessoas em 2009, diz FAO
Órgão da ONU afirma que crise
deve empurrar 100 milhões para baixo da linha da pobreza.
O número de pessoas que passam fome no mundo chegará neste
ano ao recorde histórico de 1 bilhão, segundo a projeção
mais atualizada da FAO, o braço da ONU para a agricultura
e alimentação, divulgada nesta sexta-feira (19).
A situação, que a organização descreve
como "uma combinação perigosa de desaceleração
econômica e preços de alimentos que insistem em se
manter alto em muitos países", deve fazer com que 100
milhões de pessoas sejam empurradas para baixo da linha
da pobreza.
"Embora importante progresso tenha sido obtido para reduzir
a fome crônica na década de 1980 e na primeira metade
de 1990, a fome aumentou inexoravelmente durante a última
década", diz a organização.
"O número de famintos aumentou entre 1995-97 e 2004-06
em todas as regiões do mundo, exceto na América Latina
e no Caribe", acrescenta a FAO.
"Mas inclusive nesta região os progressos históricos
na redução da fome foram anulados como consequência
da alta dos preços dos alimentos e da atual crise econômica".
Segundo o relatório, "a crise econômica se produz
como continuação da crise alimentar e energética
de 2006-08".
"Em termos reais, os preços têm permanecido
em média 24% acima dos de 2006", acrescenta a entidade.
"Para os consumidores pobres, que gastam até 60% de
sua renda em alimentos básicos, isso significa efetivamente
uma forte redução de seu poder aquisitivo".
Emergentes
A organização ressalta que os países pobres e em desenvolvimento
são, de longe, os que mais abrigam desnutridos.
E eles são também os mais vulneráveis à crise
global: os investimentos direcionados a eles devem cair 32% neste
ano (segundo o FMI), assim como o volume de remessas de estrangeiros
(entre 5% e 8%, de acordo com o Banco Mundial).
O relatório diz que soma-se a isso uma queda no volume
do comércio mundial (entre 5% e 9%, segundo o FMI e a OMC)
e a redução no volume de ajuda internacional.
"Não podemos ficar indiferentes à situação
atual de insegurança alimentar no mundo", alertou o
diretor-geral da FAO, Jacques Diouf.
Ele também pediu mais mecanismos para elevar a produtividade
agrícola dos países pobres.
"Esta crise silenciosa da fome, que afeta um em cada seis
seres humanos, representa um sério risco para a paz e a
segurança mundiais", acrescentou.
Segundo a FAO, muitos dos que passam fome vivem no campo - mas
serão os pobres da cidade que, afetados duramente pela piora
da situação econômica e pelo aumento do desemprego,
terão dificuldades de fazer frente à recessão
mundial.
A FAO estima que 642 milhões de pessoas passem fome na
região da Ásia e Pacífico. A África
Subsaariana possui 265 milhões de pessoas com fome.
Em seguida, vêm a América Latina e Caribe (53 milhões), África
do Norte e Oriente Médio (42 milhões) e os países
desenvolvidos (15 milhões).
|
InfoMoney, 20 de junho de 2009
Casa própria: apenas 1 de
9 bancos financia valor total do imóvel
Quem planeja adquirir a casa própria, mas não dispõe de
nenhum recurso próprio, vai encontrar poucas opções de
financiamento do valor total do imóvel.
De acordo com pesquisa realizada pelo Creci-SP (Conselho Regional
de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo)
com nove bancos, apenas um declara que pode cobrir o valor integral
do bem: a Caixa Econômica Federal, na modalidade Imóvel
na planta/ Construção-FGTS-Hipoteca.
Condições
No ‘modalidade', o crédito de 100% do valor da casa ou apartamento é destinado
ao comprador que opta pelo prazo de amortização de até 240
meses (20 anos).
Quanto às demais condições, o candidato ao
financiamento deve ter renda de até R$ 4.900 e o imóvel
custar até 130 mil. Para este plano, a taxa de juros é de
9,01% por ano.
A CEF também é a única instituição
a financiar 90% do valor do imóvel, sendo que esta opção
está disponível para oito modalidades de financiamento
do banco.
Demais bancos e outros dados
Em relação às demais instituições avaliadas
- Banco do Brasil, Real, Santander, Bradesco, HSBC, Itaú, Nossa Caixa
e Unibanco -, todas emprestam até 80% do valor do imóvel a ser
adquirido.
De forma geral, os dados, levantados pelo Creci-SP nos sites de
nove instituições e confirmados por suas assessorias
de imprensa, apontam que em sete delas o prazo máximo financiado é de
30 anos e o que o limite de comprometimento da renda (individual
ou familiar) com as prestações atinge 30%.
No Itaú e Unibanco, o limite é de 35%, no Real e
Santander, 27%, e na Nossa Caixa, 25%.
A tabela SAC (Sistema de Amortização Constante)
predomina entre os tipos de amortização dos empréstimos
e quase todos os bancos declararam que adotam a TR (Taxa Referencial)
como fator de correção das prestações.
As exceções ficam por conta do Bradesco, que usa
o índice da poupança para atualizar esses valores,
e a Caixa, que adota a poupança e o FGTS.
As taxas anuais de juros dos bancos pesquisados variam de 5% a
13%, sendo que a menor é cobrada pela Caixa Econômica,
e as maiores pelos bancos Real e Santander.
|
Agestado, 20 de junho de 2009
Venda de material de construção
sobe pela 1ª vez no ano
As vendas de materiais de construção no Brasil subiram em maio
pela primeira vez no ano em relação ao mês anterior, conforme
dados divulgados nesta sexta-feira (19), pela Associação Brasileira
da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). O faturamento
total deflacionado das vendas de materiais de construção no mercado
interno apresentou no mês passado expansão de 5,42% ante abril.
Na comparação com o mesmo mês de 2008, porém, houve
queda de 15,05%.
A associação ressaltou que em maio de 2008 as vendas
apresentavam "um acelerado ritmo de crescimento", que
foi interrompido em outubro pela crise econômica.
" Com os resultados, a previsão da Abramat para o
desempenho para a indústria de materiais de construção
em 2009 continua sendo de crescimento de 3% em relação
a 2008, pois há expectativa de que o segundo semestre deste
ano apresente resultados bem superiores aos registrados até o
mês de maio", informou a associação.
Nos últimos 12 meses até maio, conforme a Abramat,
houve crescimento de 0,78% das vendas de materiais de construção,
enquanto no acumulado de janeiro a maio houve retração
de 16,10% em relação ao mesmo período do ano
passado.
Efeito 'Minha Casa"
" As expectativas do setor são otimistas para os
próximos meses, considerando o aumento sazonal da demanda
no segundo semestre, associado ao programa 'Minha Casa, Minha Vida',
e os efeitos positivos da desoneração de IPI dos
materiais de construção", disse a associação.
O presidente da Abramat, Melvyn Fox, acredita que na próxima
semana se tenha a "ampliação do prazo de vigência
do IPI reduzido para materiais, mantendo o estímulo ao consumo
de materiais e aumentando a demanda por eles já em junho".
|
Gazeta do Povo, 20 de junho de 2009
Justiça
FGTS pode ser partilhado em divórcio
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou ontem que
casais sob regime de comunhão universal de bens têm
de partilhar, em caso de divórcio, os valores recebidos
em Planos de Demissão Voluntária (PDV) e também
o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A partilha
só não é válida quando o recebimento
do FGTS ou de recursos do PDV é bem anterior ao divórcio
do casal.
Os ministros do STJ tomaram a resolução no julgamento de caso
em que um ex-marido foi à Justiça para ficar com parte do valor
recebido pela mulher por meio do FGTS e da adesão ao PDV da empresa
em que ela trabalhava. Sem vitórias em primeira ou segunda instâncias
do Judiciário, o ex-marido apelou no começo deste ano ao STJ.
Quando rejeitou a ação, o Tribunal de Justiça do Rio Grande
do Sul (TJ-RS) argumentou que eram “incomunicáveis os frutos civis
do trabalho ou da indústria de cada cônjuge”. A esposa recebeu
os recursos em outubro de 1996 e se divorciou em novembro do mesmo ano.
|
FOLHA DE LONDRINA,
19 de junho de 2009 | Economia
Agronegócio e construção
sustentam arrecadação regional
Nos primeiros cinco meses do ano, o Fisco
recolheu 3,4% menos; índice é menor do que no Paraná e
no Brasil
A arrecadação fazendária na região de Londrina
está sendo sustentada por três segmentos: agronegócio,
construção civil e educação (escolas e universidades
particulares). Nos primeiros cinco meses do ano a soma de impostos e tributos
rendeu R$ 1.279.705.270 nos 63 municípios da região. Em termos
nominais, o valor é 1,99% maior do que o arrecadado no mesmo período
do ano passado, mas considerando a variação real o montante é 3,40%
menor. Na 9 Região Fiscal (Paraná e Santa Catarina) a arrecadação
caiu 7%, enquanto no Brasil, o índice foi de -5%. Londrina tem a segunda
maior arrecadação do Estado - respondendo por 10% do bolo estadual
- e perde apenas para Curitiba.
''Na região a crise
tem se mostrado menos intensa, uma vez que os números são
melhores do que os da 9 Região e do Brasil. Isso se deve à diversidade
da economia'', explica Sérgio Gomes Nunes, delegado da Receita
Federal em Londrina. De janeiro a maio a arrecadação
só foi negativa em fevereiro e março, o que demonstra
uma retomada dos números a partir de abril. Aliás,
a expectativa da Receita é que o quadro seja revertido no
segundo semestre, fechando o ano com saldo positivo. ''Em fevereiro
e março muitas empresas fizeram compensação
tributária, deixando de arrecadar. São decisões
administrativas, mas a crise pode ter forçado (a compensação)'',
explica.
Este tipo de procedimento
pode ser adotado, principalmente, por exportadores, que acumulam
créditos devido a descontos do IPI, Pis e Cofins. Nos primeiros
cinco meses deste ano - além do agronegócio, construção
civil e educação - a arrecadação cresceu
nos seguintes segmentos: administração pública
(47%), serviços financeiros (31%), seguros (21%), fabricação
de produtos de metal exceto de máquinas e equipamentos (12,78%)
e armazenagem de atividades auxiliares de transporte (12,56%).
No mesmo período houve recuo entre os setores de telecomunicações,
fabricação de produtos químicos, transporte
terrestre e fabricação de máquinas e aparelhos
e materiais elétricos.
O comércio varejista,
considerado um segmento forte na região, registrou queda
de 3% nos tributos recolhidos. A isenção do IPI para
alguns produtos - do setor automobilístico, da construção
civil e de eletrodomésticos - não chegou a afetar
o recolhimento de IPI na região. No caso deste imposto,
a redução ocorreu nos setores de bebidas e a produção
industrial. No entanto, de forma geral, as desonerações
do IPI não atingiram as atividades da região. Entre
todos os impostos e tributos, a contribuição previdenciária
responde por 40% do total da região. O montante, aliás, é crescente
o que, na avaliação da Receita, reflete uma estabilidade
ou um leve crescimento na geração de empregos na
região.
Em seguida, a Cofins é um
dos impostos de maior peso tributário que, no mês
passado, cresceu 4% a arrecadação. Já a CSLL
apresentou crescimento real de 32,63% nos primeiros cinco meses
do ano. Este tributo representa a apuração após
o lucro e reflete diretamente a rentabilidade positiva das empresas.
Outro fator que mostra o desempenho da economia regional foi o
aumento da arrecadação do Imposto de Renda Retido
na Fonte que, no período, cresceu 101% se comparado com
os mesmos meses de 2008. O recolhimento do Imposto de Renda Pessoa
Física cresceu 17%, enquanto o o da Pessoa Jurídica
caiu 2%.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
|
AGÊNCIA DIAP,
19 de junho de 2009
Confederações pedem pressa
na votação da contribuição assistencial
As entidades que compõem o Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST)
se reuniram, na última terça-feira (16), com o presidente da
Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), senador Garibaldi
Alves Filhos (PMDB/RN), dando continuidade à campanha pela aprovação
do projeto que dispõe sobre a contribuição assistencial.
O autor da proposta (PLS
248/06), senador Paulo Paim, acompanhou a audiência e reforçou
o pedido de urgência na tramitação da matéria.
Após a exposição
dos sindicalistas, o presidente da comissão designou o senador
Inácio Arruda (PCdoB/CE), para relator do projeto de lei.
Assim, a matéria
- que é um dos itens da pauta do movimento sindical no Congresso
Nacional - volta à ordem do dia na CAE.
O novo relator terá 15
dias para preparar e apresentar um relatório.
Pressão
O coordenador nacional do FST, José Augusto da Silva
Filho, reitera aos sindicatos, federações, centrais
e confederações de trabalhadores a necessidade de
se fazer uma pressão coordenada sobre os membros da comissão.
Augusto entende que
as entidades devem enviar mensagens aos gabinetes dos senadores
e outras formas de contato, para alcançar a aprovação
da proposta. (Com Agência Sindical)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
19 de junho de 2009 | Economia
CNI: alta da confiança mostra
crise longe do indivíduo
Agência Estado
A melhora da confiança do consumidor brasileiro, que cresceu 3,7% no
segundo trimestre deste ano, é resultado de um distanciamento da população
com relação à crise. Essa é a avaliação
do gerente executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação
Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, responsável
pela elaboração da pesquisa que mede o Índice Nacional
de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado hoje pela entidade.
"Para o indivíduo,
a crise está associada ao desemprego e à perda da
renda. Na medida em que o desemprego diminuiu e a renda está estabilizada,
porque a inflação está baixa, isso indica
mais segurança para a renda futura e melhora a confiança
da população", explicou Castelo Branco.
O economista lembra que
não houve no país uma generalização
do desemprego, mas sim situações localizadas. "O
nível de desemprego não foi tão grande quanto
o esperado. Então, os consumidores estão se sentindo
menos ameaçados", disse.
A pesquisa da CNI mostra,
no entanto, que esse otimismo não se traduziu em aumento
de consumo de bens de maior valor. Para Castelo Branco, isso reflete
uma deterioração pequena da situação
financeira, atribuída ainda às dificuldades com relação
ao crédito. Para o economista, as taxas elevadas de juros
ainda afastam o consumidor das operações de crédito. "A
melhora do aperto monetário (redução da taxa
Selic) talvez ainda não tenha sido transferida totalmente
(para as taxas na ponta)", explicou.
Mas, segundo Castelo Branco,
a tendência é de que no segundo semestre os indicadores
sejam ainda mais favoráveis, podendo se refletir também
na questão financeira e de consumo. "Em meados do ano
passado, o ambiente era extremamente favorável. Não
recuperamos isso ainda, mas os indicadores claramente mostram que,
para os consumidores, a crise está se distanciando",
reforçou Castelo Branco.
O INEC é elaborado,
trimestralmente, pela CNI com base em pesquisa de opinião
pública de abrangência nacional, feita pelo Ibope,
junto a 2.002 pessoas. Para o índice do segundo trimestre,
a pesquisa foi realizada no período de 29 de maio a 1º de
junho.
|
FOLHA DE SÃO PAULO,
19 de junho de 2009 | Brasil
Genoino pede arquivamento do 3º mandato
Relator da proposta, deputado diz que
ela é inconstitucional por tentar mudar regras para beneficiar
atuais governantes | Relatório do petista, que recebeu
elogio de todos os líderes partidários, está na
CCJ da Câmara e deverá ser votado em 15 dias
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O deputado José Genoino
(PT-SP), relator da proposta de emenda constitucional que permite
um terceiro mandado para o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, recomendou o arquivamento do texto. O deputado argumentou
que a proposta é inconstitucional, principalmente por tentar
mudar as regras para beneficiar os atuais ocupantes de cargos.
" Antes de qualquer outra coisa, a medida proposta agride o senso comum
de Justiça e razoabilidade ao pretender aplicar-se aos atuais detentores
de mandato eletivo, alterando regras do jogo político em andamento no
intuito de favorecer determinados resultados", diz Genoino em seu parecer.
Segundo o deputado, seu relatório está baseado em "cláusulas
implícitas da Constituição". Ele cita o parágrafo
4º, do artigo 60, que diz que "não será objetivo de
deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa
de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico".
Para ele, a PEC poderia abrir margem para que novas emendas fossem apresentadas
sugerindo reeleições sucessivas, sem limite. "Temos que
seguir o princípio da República."
A proposta que altera a Constituição foi apresentada no começo
de junho pelo deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), e contou com 176 assinaturas.
O texto prevê um referendo, a ser realizado no segundo domingo de setembro
de 2009,para consultar a população sobre o terceiro mandato.
Afirma também que todos os cargos do Executivo (governadores, prefeitos
e presidente) "e quem os houver sucedido ou substituído no curso
dos mandatos poderão ser eleitos para até dois períodos
imediatamente subsequentes".
O referendo, no entanto, na opinião de Genoino, não legitima
a proposta.
" A norma constitui tentação para quem dela poderia se beneficiar.
Uma tentação que espera se legitimar democraticamente por meio
da obtenção de apoio popular... Afinal, argumenta-se, "nada
limita a vontade popular: o povo é soberano". Como se fosse razoável
supor que o povo pudesse decidir um assunto como esse de forma isenta ou alheia
aos interesses eleitorais em jogo, sem se deixar seduzir ou contaminar, também
ele, por esses interesses e paixões e pelo ambiente político específico,
conjuntural, no momento da consulta popular a ser realizada!".
O relatório de Genoino foi protocolado ontem na CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça) da Câmara, mas só deve
ser lido e discutido na próxima semana. A votação deve
ocorrer em 15 dias.
Se a PEC realmente for declarada inconstitucional, ela será arquivada,
podendo voltar a tramitar apenas com recurso assinado por 171 deputados. O
requerimento também teria que passar pelo plenário. O relatório
de Genoino foi elogiado por todos os líderes partidários.
Usando os mesmos argumentos, o deputado foi autor de um voto em separado à proposta
que, em 1997, permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique
Cardoso (PSDB).
|
Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
19/06/2009
SDI-2 anula ordem de penhora de
conta-salário
A Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do
Trabalho acompanhou o voto do relator, ministro Ives Gandra Martins
Filho, que deu provimento a recurso ordinário em mandado
de segurança de ex-sócia de empresa, servidora pública
aposentada, e cassou a ordem de penhora de sua conta-salário.
A penhora fora determinada pelo juiz titular da 3ª Vara do
Trabalho de Brasília. A SDI-2 ordenou, ainda, a imediata
liberação dos valores porventura constritos, com
base na Orientação Jurisprudencial nº 153/SDI-2/TST.
Ives Gandra afirmou não
se tratar de exceção prevista no parágrafo
2º do artigo 649 do CPC (penhora como garantia de pagamento
de prestação alimentícia). “No caso,
está-se diante de confronto de valores de mesma natureza
tutelados pelo ordenamento jurídico, referentes à subsistência
da pessoa, não se justificando ‘despir um santo para
cobrir outro’”, explicou.
No mandado de segurança,
impetrado por ex-sócios da Cima – Comércio
e Indústria de Madeiras Ltda, e dirigido à presidente
do TRT da 10ª Região (Brasília), a servidora
aposentada defendeu que sua conta-salário é absolutamente
impenhorável, segundo o artigo 649, inciso IV, do CPC. Ela
afirmou ter-se desligado da sociedade em outubro de 1991, e a ação
trabalhista na qual a penhora foi determinada foi movida por um
ex-empregado, que reivindicava verbas do período de maio
de 1990 a setembro de 1992.
Na fase executória,
o empregado requereu a inclusão dela e do sócio,
bem como o bloqueio de suas contas bancárias. O bloqueio
foi deferido pelo juiz da 3ª Vara do Trabalho de Brasília,
sob o entendimento de que os bloqueados ainda integravam a sociedade
quando o empregado foi admitido e, assim, se beneficiaram de seus
serviços, devendo assumir, portanto, a responsabilidade
pelos créditos a ele devidos. Da mesma maneira decidiu o
TRT/DF-TO, que considerou aceitável a penhora desde que
limitada ao percentual de 30% dos seus rendimentos, por envolver
prestação de natureza alimentar.
Ao analisar o recurso dos
ex-sócios ao TST, o ministro Ives Gandra citou em seu voto
precedentes específicos da SDI-2, a justificar o recurso,
segundo ele, pela impossibilidade de a ex-sócia prover os
meios necessários à sua subsistência. O ministro
concluiu aplicar-se ao caso a Orientação Jurisprudencial
nº 153 da SDI-2, segundo a qual “ofende direito líquido
e certo decisão que determina o bloqueio de numerário
existente em conta salário, para satisfação
de crédito trabalhista, ainda que seja limitado a determinado
percentual dos valores recebidos”. ( ROMS-125/2008-000-10-00.0)
(Lourdes Côrtes)
|
SINTRACOM EM AÇÃO,
18 de junho de 2009
Alô Pauteiros e Editores:
Trabalhadores
da Construtora Três O param pela segunda
vez para receber salários
Texto: Mario Fragoso
Cerca de 35 trabalhadores contratados
pela Construtora Três
O, descontentes com o atraso dos salários do mês
de maio, entraram em greve hoje para forçar a empresa
a quitar o débito pendente. Os trabalhadores se encontram
em frente ao canteiro de obras, rua João Calvino, 377,
Jardim Colina Verde.
No mês passado, além de paralisar o trabalho, os
funcionários da Três O chegaram a ocupar o escritório
da empresa para garantir o recebimento dos salários. Desta
vez, tanto os trabalhadores quanto a diretoria do Sintracom-Londrina
esperam que não seja preciso chegar a esta situação
limite.
Esta empresa é habituada a criar situações
que causem prejuízos ao trabalhador. Em 2008, por exemplo,
obrigada pela Justiça a reintegrar um funcionário
que demitira de forma irregular, diretores da empresa ameaçaram
sindicalistas e o repórter fotográfico que acompanhavam
o reintegrado.
Por essas e por outras, no dia 1º de julho próximo
a Três O deverá comparecer a uma audiência
que será realizada na 1ª Vara do Trabalho em Londrina.
Assunto: atraso de salários e outras irregularidades cometidas.
Mais informações
podem ser obtidas com o Construtor Valdir de Oliveira, diretor
Secretário do Sintracom-Londrina.
(43) 3324-4022 ou (43) 99753356
|
O ESTADO DO PARANÁ,
18 de junho de 2009 | Economia
Carga tributária no Brasil chega
a 38,45% do PIB
Redação
O IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), divulgou ontem
balanço em que aponta que a carga tributária no Brasil, que é a
relação entre arrecadação e o PIB (Produto Interno
Bruto), chegou a 38,45% no primeiro trimestre deste ano, resultado de uma arrecadação
de tributos federais, estaduais e municipais na ordem de R$ 263,22 bilhões.
Segundo o levantamento,
a carga tributária do primeiro trimestre do ano passado
foi de 38,95%, quando o pagamento de tributos nas três esferas
somou R$ 259,22 bilhões.
Na comparação
entre os dois períodos, os tributos federais apresentaram
recuo de R$ 55 milhões em seu recolhimento, enquanto os
estaduais e municipais cresceram R$ 4,24 bilhões e R$ 30
milhões, respectivamente.
“Tradicionalmente, é no
primeiro trimestre de cada ano que a arrecadação
atinge seu maior nível”, afirmou o presidente do IBPT,
Gilberto Luiz do Amaral. Isso acontece, segundo explicou, porque é nesse
momento que se cobra um grande número de tributos, como
o Imposto de Renda, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos
Automotores) e IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano).
Além disso, também
existe a cobrança de impostos referentes a dezembro do ano
anterior, como o ICMS (Imposto sobre a Circulação
de Mercadorias e Serviços).
Tributos
A Cofins (Contribuição
para o Financiamento da Seguridade Social) apresentou o maior
recuo nominal entre os primeiros três meses de 2008 e 2009,
de R$ 3,22 bilhões. O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
veio na sequência, com queda de R$ 1,87 bilhão.
Por outro lado, contribuições para o INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social) tiveram o maior aumento nominal no
período analisado, de R$ 4,70 bilhões.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
18 de junho de 2009 | Economia
Fiesp: indústria paulista fechou
3,5 mil vagas em maio
Agência Estado
O nível de emprego industrial paulista caiu 0,17% em maio ante abril,
na série com ajuste sazonal, o que representou o fechamento de 3.500
postos de trabalho no período, segundo dados divulgados hoje a Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na série
com ajuste sazonal, o nível de emprego na indústria paulista
recuou 0,69%.
De acordo com a Fiesp,
foram fechadas 176 mil vagas de emprego em maio deste ano em relação
ao total apurado em igual mês do ano passado, o que representa
uma queda de 7,35%. No acumulado de 2009 até o mês
passado, a pesquisa indicou corte de 46 mil vagas de trabalho,
o que equivale a uma queda de 2,03% ante igual período de
2008.
Entre os setores, metalurgia
foi o que puxou as reduções no número de vagas
na indústria em maio, com 1.333 postos fechados no período,
seguido de perto pelo grupo chamado produtos de metal, exceto máquinas
e equipamentos (bens de capital), que fechou 1.329 vagas.
Sensor
O índice que
mede a confiança dos empresários das indústrias
paulistas, apurado pelo Fiesp, registrou a marca de 50,8 pontos
na primeira quinzena de junho, apontou a pesquisa Sensor. Esse
resultado mostra uma trajetória de queda na confiança
do empresariado, já que é inferior aos dados registrados
nas duas quinzenas de maio. Na primeira metade do mês passado,
o índice atingiu 53,2 pontos e, na segunda, baixou para
51,4 pontos.
|
CONGRESSO EM FOCO,
18 de junho de 2009
O aumento do risco do calote habitacional
Osvaldo Martins Rizzo*
Para aquecer o nível
da atividade econômica, combatendo a longevidade da recessão,
o governo federal elegeu setores empresariais como merecedores
de incentivos fiscais. Um deles foi o da indústria da construção
civil que aproveita para conseguir mais benefícios, alguns
retrógrados.
Ajudados pela desoneração
tributária, os empresários recorrem ao rançoso
argumento de que as dificuldades na obtenção de crédito
para financiar a construção e a venda de habitações,
providos pelos agentes financeiros, é o único entrave
para o desenvolvimento do setor. Não é verdade.
De forma matreira, omitem
o atraso tecnológico das próprias empresas que reduz
a qualidade e encarece os preços das moradias ofertadas à população,
afastando o comprador. Pesquisa do Ministério da Ciência
e Tecnologia aponta que as poucas famílias que conseguem
comprar uma habitação popular gastam até 6,8%
de sua renda mensal em reparos e manutenções gerados
pelos vícios e falhas na construção. Adicionada à da
prestação do financiamento, tal despesa suga os orçamentos
familiares contribuindo para elevar a inadimplência das carteiras
de crédito imobiliário.
Todavia, mal assessorado,
o governo cede às pressões empresariais sem negociar
contrapartidas e, em recente decisão, o Conselho Monetário
Nacional (CMN) aboliu a exigência da adoção
do regime do patrimônio de afetação para que
a Caixa Econômica Federal (CEF) financie o capital de giro
das empresas, aumentando o risco do comprador da casa própria
levar um calote da construtora.
Implantado em 2004, o patrimônio
de afetação representou um considerável avanço
ao reduzir muito o risco do comprador da moradia em construção
ser caloteado, permitindo que cada empreendimento tenha a limitação
de bens -diferentes dos que compõem os ativos da construtora
ou incorporadora-, para evitar a contaminação caso
a empresa responsável pela edificação do imóvel
venha a falir.
A introdução
do patrimônio de afetação foi, em boa parte,
motivada pela dramática bancarrota da construtora Encol
na década passada -a maior falência já vista
em toda a América Latina mensurada em cerca de 1,2 bilhões
de dólares-, que caloteou quase 50.000 famílias esperançosas
por realizar o sonho da casa própria e que ainda lutam nos
tribunais, pois pagaram por imóveis que não receberam.
Com o efêmero boom
imobiliário pré-crise, várias construtoras
se endividaram comprando terrenos caros que agora, com a recessão,
perderam valor tornando essas dívidas impagáveis.
O declínio das vendas eleva o risco do calote com a paralisação
de obras em andamento, e algumas empresas já estão
em situação financeira muito difícil.
Em todo mundo, recessões
longas costumam vitimar muitas companhias. Os seis anos seguidos
de recessão, completados em 2002, vividos pelo setor da
construção na Alemanha, por exemplo, derrubou até mesmo
a segunda maior construtora alemã -a Philipp Holzmann- que
se declarou insolvente sufocada por uma dívida de quase
dois bilhões de dólares.
Em períodos recessivos
os ativos das construtoras perdem qualidade, desvalorizados pelo
barateamento dos preços praticados devido ao excesso de
oferta que derruba a lucratividade, tornando-se menores que os
passivos numa típica situação de pré-falência.
Insensatamente, algumas delas se endividam para crescer em um mercado
em contração. Tentam se tornar exceção à regra
empírica de que nenhuma empresa tem um desempenho consistentemente
melhor que a média do seu mercado por muito tempo.
Para não falirem,
decerto, as empresas terão de compensar a queda de ativos
com a proporcional redução de passivos, inclusive
os trabalhistas. Estudo do Dieese revela que as construtoras podem
reduzir em até 67% a mão-de-obra empregada usando
modernos métodos construtivos disponíveis no mercado,
e que o uso de novas tecnologias continua restrito a um pequeno
número de empresas voltadas, sobretudo, para os empreendimentos
corporativos onde a rapidez da obra é exigida por reduzir
o prazo de retorno dos investimentos.
A absorção
de tecnologia nesse setor está ocorrendo lentamente, e de
maneira heterogênea. Processos e materiais usados em países
desenvolvidos há décadas, somente agora começam
a serem empregados no Brasil e, mesmo assim, timidamente.
Em trabalho encomendado
pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio
Exterior, o Departamento de Construção Civil da Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP)
apontou como um dos pontos críticos do problema, a falta
de conhecimentos sobre tecnologias que reduzem os custos e prazos
de execução das obras por parte da indústria
da construção.
*Osvaldo Martins Rizzo, engenheiro
e ex-conselheiro do BNDES
|
BEM PARANÁ, 18
de junho de 2009 | Economia
Telefonia fixa
Assinatura básica é ilegal,
diz Supremo Tribunal
Segundo Pro Teste, decisão contra a
Oi da Bahia servirá de base para outras ações
no País
Decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)
considera ilegal a cobrança da tarifa básica de assinatura de
telefonia fixa. Segundo a avaliação da Pro Teste Associação
de Consumidores avalia como muito importante a decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF), o resultado servirá como jurisprudência para outras
ações do mesmo teor, que tramitam em diversos tribunais do País.
A decisão, de ontem,
foi baseada em análise de recurso que contestava sentença
dos Juizados Especiais Cíveis da Bahia contra a cobrança.
O recurso foi interposto pela Oi (Telemar Norte Leste). No Paraná a
Oi representa a antiga operadora Brasil Telecom, que entrou no
oficialmente no mercado paranaense no dia 1º de junho.Como
a cobrança da assinatura básica faz parte dos contratos
de concessão da telefonia fixa a Pro Teste mantém
campanha para baixar o preço dos atuais R$ 40,00 para R$
14,00 (impostos incluídos) no caso da linha residencial.
A expansão de redes
de telefonia era o principal argumento utilizado para justificar
uma assinatura tão cara. Como, desde 2006, as operadoras
não estão investindo na construção
da infra-estrutura, a Pro Teste não vê razão
para os elevados valores existirem, pois não há o
que financiar.
O alto custo do telefone fixo vem provocando a migração em massa
para a telefonia celular pré-paga principalmente (81,59%, de acordo
com dados de janeiro deste ano) e aumenta o número de consumidores que
pedem para desligar o fixo que tinham. A campanha da Pro Teste pretende colher
o maior número possível de assinaturas. “A Lei Geral de
Telecomunicações prevê a universalização
do serviço e tarifas módicas. Não podemos conviver mais
com essas tarifas exorbitantes”, avalia Maria Inês Dolci, coordenadora
institucional da Pro Teste. Segundo ela, a proposta conta com um amplo amparo
legal e não compromete o equilíbrio econômico-financeiro
das operadoras.
No Brasil as concessionárias
de telefonia fixa possuem 43,45 milhões de telefones instalados
e apenas 34,47 milhões em serviço. O principal argumento
da Associação é que a manutenção
do alto preço da assinatura básica foi importante,
após a privatização, para suportar os altos
custos da implantação de infraestrutura necessária
para garantir o acesso universal ao telefone fixo.
Mas hoje, como as metas de universalização da telefonia já foram
cumpridas, não há mais justificativas para a manutenção
desse preço. A receita proveniente da telefonia fixa não pode
ser utilizada para subsidiar outros serviços oferecidos pelas operadoras,
como internet banda larga, por exemplo.
A proposta da redução
do valor da assinatura básica foi enviada por meio de ofícios
para o Ministério das Comunicações, Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel), Casa Civil,
Tribunal de Contas da União e Ministério Público
Federal, para informações e pedido de apoio. A Pro
Teste acha que o telefone fixo mais barato acabaria com as 12 milhões
de linhas que hoje não estão em uso e garantiria
a inclusão social de milhões de famílias que
hoje não podem pagar R$ 40,00 mensais para ter um telefone
fixo em casa.
|
AGÊNCIA DIAP,
18 de junho de 2009
Parecer: relator da crise no emprego
quer proteção ao trabalhador
Relatório apresenta várias medidas de proteção
ao trabalhador, além da redução da jornada de 44 para
40 horas. A votação foi adiada para a próxima quarta-feira
(24).
O relator da comissão
especial sobre os efeitos da crise global nos empregos, deputado
Vicentinho (PT/SP), sugeriu nesta quarta-feira (17), na conclusão
dos trabalhos, a ampliação dos direitos dos trabalhadores.
Antecipando críticas,
o deputado atacou o argumento de que o socorro aos trabalhadores
prejudicará ainda mais a atividade econômica.
"Nenhum país
do mundo sofrerá porque seus trabalhadores estão
protegidos. Se o trabalhador está protegido ele tem poder
de compra, paga mais impostos e, comprando mais, haverá mais
renda, mais pedidos e mais produção e mais geração
de emprego", disse.
Entre as principais medidas
propostas no relatório de Vicentinho, lido nesta quarta-feira,
estão a redução da jornada de 44 para 40 horas,
a restrição de demissões em empresas tomadoras
de crédito de instituições financeiras controladas
pelo Poder Público, a valorização do salário
mínimo, a inibição de horas extras e a ratificação
da Convenção 158, da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), que proíbe a demissão sem justa
causa.
Em vez de apresentar proposições
legislativas para concretizar essas medidas, Vicentinho recomendou
gestões junto aos líderes partidários e à Mesa
Diretora para aprovação de propostas correlatas já em
tramitação, como o Projeto de Lei 1/07, que normatiza
uma política de valorização do salário
mínimo até 2023.
Votação
na quarta
O relatório ainda precisa ser aprovado pela comissão. Na reunião
de hoje, após a leitura da proposta, os deputados Dr. Ubiali (PSB/SP)
e Paulo Rocha (PT/PA) apresentaram pedido de vista.
Por essa razão,
a votação foi a adiada para a próxima quarta-feira
(24), às 14h30. "É prudente que nós demos
um tempo para que o conjunto dos deputados e seus assessores absorvam
o relatório", justificou o deputado paraense.
No documento, Vicentinho
defende também a expansão do crédito a micro
e pequenas empresas, à indústria da construção
civil e ao segmento de prestação de serviços,
como mecanismo para gerar novos empregos e aquecer o setor terciário.
De acordo com o deputado,
durante as audiências públicas promovidas pela comissão,
várias críticas foram feitas às empresas que
têm benefícios do Estado, mas não têm
responsabilidade social.
Para o relator, essas
empresas devem ser obrigadas, como condição para
acessar incentivos públicos, "a aumentar ou pelo
menos manter o número de empregos".
|
Reuters, 17 de junho
de 2009
Sindicatos devem usar crise para ganhar
espaço no cenário mundial, diz Lula
Segundo o presidente, é preciso
saber 'aproveitar o momento'. Ele também destacou a geração
de empregos no Brasil.
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva pediu nesta segunda-feira (15), na Suíça,
que sindicatos e trabalhadores tirem vantagem da crise financeira
mundial para ajudar a formar uma nova ordem econômica.
Segundo Lula, há uma oportunidade excepcional para que os trabalhadores,
sindicalistas e líderes comerciais pensem e apresentem propostas que
mudem as relações entre os Estados e a sociedade civil.
"Temos que aproveitar
o momento. Não é esquecer a crise, mas, a partir
dela, descobrir o que podemos fazer de novo. A presença
de vocês dá força para produzir temas",
disse Lula em um encontro sobre empregos na Organização
Internacional do Trabalho (OIT), agência da Organização
das Nações Unidas (ONU) que reúne representantes
de governos, empresários e trabalhadores para promover boas
condições laborais.
Para Lula, as variações
do ano passado nos preços do petróleo e das commodities
ocorreram devido à especulação. Ele voltou
a criticar setores do mercado financeiro, que especulam sem produzir.
"Alguns tentam transferir
o ônus da crise para os mais fracos e é aí que
aparece a face oculta e cruel da globalização. Os
trabalhadores imigrantes se tornam os bodes expiatórios
e a comunidade internacional não pode permitir que isso
ocorra", discursou o presidente, ex-líder sindical,
sob frequentes aplausos.
O G20, grupo de países
ricos e emergentes, do qual o Brasil faz parte, pediu à OIT
que desenhe políticas para levar o mundo a uma recuperação
da crise.
Empregos
A OIT diz que é importante
evitar um atraso na criação de postos de trabalho
enquanto a economia se recupera, pois o emprego e a renda vão
sustentar o consumo que servirá como alicerce para o crescimento
sustentável. Ele afirmou que, de 2003 a 2008, o Brasil criou
10 milhões de empregos formais e aumentou o salário
mínimo em 65%.
O presidente destacou que
o país conseguiu combinar a expansão das exportações
com o aumento do consumo interno. O Brasil demonstrou solidariedade
aos outros países, legalizando imigrantes ilegais, afirmou
Lula.
Lembrando que trabalhou
em uma fábrica enquanto era adolescente, Lula ressaltou
que o Brasil foi o primeiro país das Américas a ratificar
uma convenção da ONU contra o trabalho infantil.
O presidente também
disse que é inaceitável ver mais de 1 bilhão
de pessoas no mundo passando por dificuldades para comer, e afirmou
que a crise expõe a falsidade das doutrinas neoliberais.
|
Gazeta do Povo, 17
de junho de 2009
Pesquisa
Indústria vai investir menos
em 2009
Número de companhias que não
pretende realizar investimentos dobra e chega ao maior patamar desde
2003
O número de empresas
que não irão fazer investimentos em 2009 quase dobrou
na comparação com 2008, e as que vão investir
deverão empregar menos recursos, mostra a Sondagem de Investimentos
da Indústria da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Segundo a pesquisa, realizada entre os meses de abril e maio, o índice
de empresas que disseram não ter investimentos previstos
atingiu 26%, contra apenas 14% no ano passado. O volume é o
maior desde 2003, quando atingiu 28%.
O levantamento informa
ainda queda na perspectiva média de crescimento de investimentos
em 2009, de 7,8% na comparação com o ano passado.
Em 2008, esse volume foi de 16%, e nessa comparação
houve recuo em todas as categorias. Essa redução
está ligada ao aumento da dificuldade para realizar investimentos,
que também dobrou ao longo dos últimos 12 meses,
por conta da incerteza em relação à demanda.
Na pesquisa do ano passado, 43% das empresas disseram ter alguma
dificuldade para investir. Agora, sao 87%.
A fábrica de estruturas
metálicas Tecmetal, instalada na Cidade Industrial de Curitiba
(CIC), conseguiu manter seu primeiro semestre em franco aquecimento
graças aos contratos fechados ainda em 2008. Mas, encerrado
em maio o projeto de R$ 2,7 milhões para participar da construção
da siderúrgica da Votorantim Metais, em Resende (RJ), o
diretor Celso Antonio Thá decidiu que era momento de colocar
o pé no freio e suspender os investimentos até que
o mercado volte a dar sinais de aquecimento.
“Vínhamos
com um crescimento forte, contratando obras grandes e aumentando
em aproximadamente 30% a demanda”, conta Thá. Esse
aquecimento, de acordo com ele, resultou na contratação
de funcionários e compra de maquinário italiano,
ao custo de 100 mil euros. “Comprei um modelo mais simples
para essa função. Fomos convidados a conhecer a fábrica
na Itália e até então estávamos com
planejamento de comprar uma máquina mais avançada.
Agora está tudo em ‘stand by’, esperando algum
sinal”, completa.
Como sua empresa presta
serviços para a construção civil, Celso Thá se
considera um autêntico termômetro da atividade do setor.
Mas, por enquanto, as perspectivas não são muito
animadoras. “Até o ano passado, estávamos atendendo
dez orçamentos por semana; hoje atendo um ou dois”,
diz.
Na contramão
A fábrica de bolsas
Danka, de Curitiba, inverteu a tendência apontada pela FGV
e faz parte do pequeno grupo (estimado em 24% do total) que investiu
em maquinário para ampliar a capacidade produtiva. De acordo
com o diretor João Paulo Zanona, a decisão foi tomada
justamente em meio à crise mundial, em dezembro de 2008.
No início de junho, chegou à fábrica a máquina
de corte de tecidos francesa – no valor aproximado de R$
400 mil.
Para justificar o investimento,
Zanona conta que a empresa está pegando carona na expansão
das vendas de produtos de informática – e está concentrando
esforços na produção de mochilas e estojos
para notebooks e outros acessórios. Hoje, a linha de informática
responde por 60% a 70% da produção da Danka. “Não
estamos imunes aos efeitos da crise, mas temos conseguido manter
crescimento constante desde 2007 trabalhando para esse setor, que
continua crescendo”, comemora Zanona.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
17 de junho de 2009 | Política
Sucessão na pauta da viagem
de Lula ao Paraná
Elizabete Castro e Roger Pereira
A vinda do presidente Lula (PT) ao Paraná, na próxima segunda-feira,
dia 22, está cercada de expectativas sobre o início de uma negociação
com o governador Roberto Requião para levar o PMDB a uma aliança
com o PT, englobando também o PDT, PR e PP nas eleições
do próximo ano para o governo do Estado.
Lula e Requião estarão
juntos em Congonhinhas e Londrina, onde Lula lança o Plano
Safra 2009/2010, e os dois terão a oportunidade de conversar
sobre o tema, espinhoso na opinião de peemedebistas, petistas
e pedetistas locais.
O senador Osmar Dias (PDT)
já disse que não vê empecilhos em ter o PMDB
numa composição em que ele fosse o candidato ao governo.
O presidente Lula já afirmou que o seu desejo é ter
seus aliados nacionais juntos num palanque estadual, mas o PMDB
não quer nem ouvir falar no assunto.
A aproximação
de Lula e Osmar soa como ofensa aos peemedebistas, que se consideravam
os aliados preferenciais do PT no Paraná e não esquecem
que o senador pedetista foi o adversário de Requião
no segundo turno das eleições de 2006.
Lideranças do PT
acham que somente o presidente da República poderá remover
as resistências de Requião. Principalmente porque
uma ala do PMDB trabalha escancaradamente para se aliar ao PSDB,
em torno de uma candidatura do prefeito de Curitiba, Beto Richa,
ao governo. E de um outro lado, conversas são feitas com
o senador Alvaro Dias, com objetivo semelhante, mas com Alvaro
como candidato ao governo.
As articulações
do presidente para convencer o governador a pensar na hipótese
de uma aliança poderão ser feitas nos intervalos
dos compromissos oficiais. De acordo com informações
fornecidas pelo diretório estadual do PT, Lula chegará a
Londrina às nove da manhã.
De helicóptero,
voará até Congonhinhas, para comemorar a superação
de dois milhões de ligações do programa Luz
para Todos, que beneficia as populações rurais de
todo o país. O programa é parte integrante do PAC.
Não compete
Na reunião com os
prefeitos do PDT, segunda-feira, em Curitiba, Osmar Dias revelou
que é interesse tanto dele quanto do presidente Lula que
a aliança com o PT englobe, também, os outros partidos
que formam a base do governo federal.
No entanto, Osmar disse
estar fora, no momento, de qualquer conversa com o governador Requião. “Esse
papel não me compete. Fica até desrespeitoso falar
nisso agora porque o PMDB tem um candidato que é o Pessuti,
por quem, apesar de sempre sermos adversários, tenho um
respeito muito grande”, disse o senador.
Mas o prefeito de Foz do
Iguaçu, Paulo Mac Donald (PDT) foi mais otimista quanto à possibilidade
de contar com o PMDB nas eleições do ano que vem. “Se
o governador analisar bem e quiser ter uma eleição
tranquila para o Senado, ele vem para o nosso lado”, disse.
Para Mac Donald,
há várias formas de o PDT contar com Requião. “Pode
ser já, pode ser com apoio no segundo turno, pode ser
só ficando na dele, sem nos hostilizar”, comentou
dizendo que na sua opinião, a demissão de Ricardo
Gomyde (PCdoB) da presidência da Paraná Esporte
por conta da aproximação de Gomyde com Beto Richa
(PSDB) é indicação de que “do outro
lado, ele não estará”.
|
O Outro Lado da Notícia,
17 de junho de 2009
Liminar obriga USP a readmitir
funcionário sindicalista demitido
Uma liminar concedida pela
26ª Vara da Justiça do Trabalho na semana passada e
entregue na segunda-feira (15) à Reitoria da Universidade
de São Paulo (USP) determina a readmissão do sindicalista
Claudionor Brandão ao quadro de funcionários da universidade.
Essa era uma das reivindicações
de greve do Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp).
A Reitoria ainda não
se manifestou sobre a decisão judicial.
Ele havia sido demitido
em novembro de 2008 após ser condenado em um processo administrativo
por reincidência.
Brandão é filiado ao sindicato desde 1988 e já foi três
vezes da diretoria e participou de 12 greves.
Na semana passada, ele
chegou a ser detido e levado à delegacia quando manifestantes
grevistas entraram em confronto com a Polícia Militar.
"Foi uma vitória
dos trabalhadores, foi uma vitória do movimento", afirmou
Brandão, 52 anos.
"Isso prova que a
USP não agiu de acordo com a lei. Patrão nenhum pode
demitir dirigente sindical sem abrir um inquérito na Justiça
do Trabalho".
Ele é técnico
em manutenção de refrigeração e ar
condicionado e trabalha há quase 22 anos na instituição.
Segundo ele, um dos processos
abertos data de 2002 e o acusa de jogar um produto químico
em um dos laboratórios da universidade. Brandão diz
que nem estava no local.
Em outro processo, ainda
de acordo com ele, a universidade afirma que ele participou em
2005 de uma invasão da biblioteca da FAU para apoiar funcionários
em greve.
Ele nega a invasão
e diz que o objetivo era pressionar para que houvesse aumento das
verbas para as universidades paulistas.
No ano seguinte, ele afirma
que participou de uma manifestação em frente à Reitoria
para apoiar funcionários terceirizados da universidade.
"O sindicato desses
trabalhadores veio até o campus e começou a nos bater.
Eu tentei entrar na Reitoria para telefonar. Bati no vidro e o
vidro cedeu. Fui condenado acusado de desvio da função
sindical", afirma.
A punição
terminou em demissão por causa da reincidência.
Houve até uma acusação de assédio sexual feita
pela mulher de um outro sindicalista oponente.
"Isso aconteceu para
me desmoralizar por faltavam dois meses para inscrição
para as chapas na eleição do sindicato", diz.
|
Notícias do Tribunal Superior do Trabalho
17/06/2009
TST mantém indenização
para trabalhador atingido por barra de 150 kg
A Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve as indenizações por
danos materiais, morais e estéticos que deverão ser
pagas a um trabalhador que sofreu sequelas progressivas e irreversíveis
na coluna cervical após ser atingido por um tubo de ferro
de aproximadamente 150 kg quando auxiliava na descarga de um caminhão,
na granja de suínos da Coamo Agroindustrial Cooperativa,
no município de Peabiru (PR). Em razão do acidente
e da falta de socorro imediato, o auxiliar de serviços gerais
anda totalmente arcado, com a cabeça na altura dos quadris.
Por unanimidade de votos, os ministros mantiveram a condenação
ao pagamento das três indenizações (de R$ 80
mil cada) por parte da Coamo e da Employer Organização
de Recursos Humanos Ltda. (fornecedora de mão-de-obra),
de forma subsidiária, em razão da responsabilidade
objetiva pelo acidente. O relator do recurso foi o ministro Aloysio
Corrêa da Veiga.
O trabalhador foi contratado
em dezembro de 2002 pela Employer para prestar serviço na
Coamo com salário de R$ 280,00. O acidente ocorreu no dia
17 de janeiro de 2003. O trabalhador estava no chão, recebendo
os tubos, ao lado de um colega. De repente, os empregados que estavam
em cima do caminhão soltaram um tubo sem perceber que ele
estava sozinho no momento. O tubo atingiu as costas do trabalhador,
que não foi socorrido e continuou trabalhando. Ao fim do
expediente, foi para casa dirigindo sua própria moto e lá ficou
três dias sem atendimento médico. Ele foi dispensado
em 17 de março de 2003 e aposentado por invalidez pelo INSS
após receber auxílio-doença. Ajuizou ação
de reparação de danos materiais e morais na Justiça
Comum em dezembro de 2003. Em razão da reforma do Judiciário
(Emenda Constitucional 45/2004), a ação migrou para
a Justiça do Trabalho em abril de 2005.
O juiz da Vara do Trabalho
de Campo Mourão (PR) acolheu a ação e condenou
as empresas a pagar indenização única por
todos os danos sofridos no valor de R$ 50 mil. Houve recursos ao
TRT/PR. As empresas alegaram que se o acidente ocorreu por volta
das 10h e o empregado trabalhou até o final da jornada,
isso demonstraria que não houve qualquer lesão, até mesmo
porque ele não pediu socorro ou assistência médica
e, ao final do expediente, foi embora dirigindo sua própria
motocicleta. Além disso, alegaram que não tiveram
culpa pelo acidente que, na verdade, foi provocado pela “negligência
do empregado, que tinha pleno conhecimento da forma como deveria
ser feito o serviço, porém não atentou para
as regras de segurança e resolveu, por sua própria
conta e risco, num ato negligente, tentar colocar as barras de
tubulação, direto do caminhão no seu ombro,
o que ocasionou o acidente”.
O TRT/PR considerou que
a inexistência de equipamentos de proteção
e a evidente falta de orientação eram fatores de
risco para os quatro trabalhadores envolvidos na tarefa. Para o
Regional, ainda que se pudesse cogitar de culpa na conduta de algum
dos trabalhadores que faziam o descarregamento do caminhão – sejam
os que lançaram a barra de ferro de cima do caminhão
sem atentar que o colega estava sozinho para recebê-la, seja
o que se ausentou inadvertidamente - o fato é que se tratavam,
todos, de empregados das rés. O TRT/PR elevou o valor da
indenização, fixando em R$ 80 mil para cada espécie
de dano sofrido (material, moral e estético). O TRT/PR considerou
que não se pode questionar a efetiva ocorrência de
abalo moral e psicológico em decorrência da deformidade
causada pelo trauma, além das limitações que
enfrenta para os atos mais banais do cotidiano, pois o trabalhador
se encontra totalmente arcado em razão da lesão na
coluna.
O relator do recurso, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, afirmou, em seu
voto, que o valor arbitrado pelo TRT/PR está dentro dos limites da equidade,
razoabilidade e proporcionalidade. “Atentando-se para o fato de se tratar
de acidente de trabalho ocorrido em 2003, cujo quadro clínico demonstrou
a degradação progressiva da coluna cervical, com séria
deformidade física, e tendo sido reconhecida sua incapacidade permanente,
verifica-se que a agressão ao patrimônio moral, material e estético
do empregado veio perpetrando-se ao longo desse tempo e não se consubstanciou
somente no momento em que caracterizada a incapacidade laboral definitiva do
trabalhador. Assim, não há de se falar em exclusão ou
redução dos valores arbitrados”, afirmou Corrêa da
Veiga.
Ao acompanhar o relator,
o ministro Horácio Senna Pires afirmou que o caso é dramático,
conforme verificou nas fotos anexadas ao processo, e afirmou que
a falta de atendimento imediato agravou o problema. “O trabalhador
recebeu no ombro uma carga de 150 kg, não recebeu nenhum
atendimento imediato, trabalhou até o final da jornada.
Estamos certos de que se ele tivesse recebido atendimento, se tivesse
sido imobilizado, não haveria esse problema tão sério
na vida de uma pessoa, uma lesão na coluna tão profunda
que o reclamante hoje não consegue se locomover se não
com a cabeça na altura dos quadris”, afirmou. O ministro
Maurício Godinho Delgado concordou plenamente com a tese
de ocorrência de responsabilidade objetiva expressa pelo
Regional, mas, ainda que assim não fosse, a culpa pelo não
cumprimento das regras de segurança é manifesta.
O recurso das empresas foi provido apenas no tópico relativo à condenação
no pagamento dos honorários advocatícios do advogado
do trabalhador, que foi afastada. ( RR 78020/2005-091-09-00.1)
(Virginia Pardal)
|
Agência Brasil,
16 de junho de 2009
OIT pede mobilização
geral para conter a onda de desemprego no mundo
" O mundo não pode deixar a criação
de empregos para depois da recuperação econômica",
declarou Juan Somavia, ao inaugurar uma minicúpula sobre o
emprego, reunindo chefes de Estado e de governo, entre eles os presidentes
do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França,
Nicolas Sarkozy
Por Alexandra Troubnikoff, da agência
AFP
A Organização
Internacional do Trabalho (OIT) pediu, nesta segunda-feira (15),
que os governos se mobilizem para adotar, sem demora, medidas em
favor do emprego.
"O mundo não
pode deixar a criação de empregos para depois da
recuperação econômica", declarou o diretor
do secretariado da OIT, Juan Somavia, ao inaugurar uma minicúpula
sobre o emprego, reunindo chefes de Estado e de governo, entre
eles os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva,
e da França, Nicolas Sarkozy.
De acordo com a organização,
a crise do desemprego pode durar de quatro a cinco anos a mais
que a crise econômica. Segundo as previsões, haverá 59
milhões de desempregados a mais no fim deste ano em relação
ao fim de 2007.
Para limitar esta tendência, "é preciso
iniciar urgentemente um movimento de maior convergência" entre
os países, afirmou Somavia, expressando a esperança
de que a cúpula "permita mobilizar uma liderança
para derrotar esta crise e traçar um caminho | |