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Reconhecido
em 21/08/1968
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Agosto
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de agosto de 2009 | Economia
Sem crise no mercado de trabalho
da construção civil
Helio Miguel
Se o setor da construção civil de Curitiba
já vinha dizendo que não passava mais por nenhuma
crise, os números vêm confirmando o discurso. Pelo
menos no que se refere aos dados do emprego formal.
Em julho, o saldo de postos
de trabalho (o número de trabalhadores admitidos menos
os demitidos) na área foi de 311 vagas, crescendo 0,90%
em relação a junho. O estoque de postos, de 34.455,
é o maior já registrado desde janeiro de 2005, superando
dois picos seguidos, atingidos em maio e junho.
Os dados, obtidos com
base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram compilados
pelo Observatório do Trabalho e divulgados ontem pela Secretaria
Municipal do Trabalho e Emprego (SRTE) de Curitiba. O aumento
de julho, resultado de 2.943 admissões e 2.632 desligamentos,
demonstram, para a SRTE, um "aumento expressivo" no
setor.
Segundo o vice-presidente
da área de Política e Relações de
Trabalho do Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), Euclésio
Finatti, o setor tem trabalhado forte para a diminuição
da informalidade, e os resultados estão aparecendo. Ele
projeta que o emprego no segmento, no segundo semestre, deve continuar
com números positivos.
"Temos dois pontos
a favor este ano: os investimentos para obras públicas
por causa das eleições do ano que vem, e as linhas
de crédito que estimulam os empreendimentos imobiliários",
analisa, lembrando que a demanda por obras menores, como a construção
de casas ou mesmo pequenas reformas, também vem aumentando.
O otimismo do setor não
para por aí. Finatti aposta que, mesmo em novembro e dezembro,
quando tradicionalmente ocorrem mais demissões do que contratações,
o saldo do emprego deve ser positivo.
Desde 2005, os dois últimos
meses de cada ano apresentaram saldos negativos. "As obras
estão em andamento. Não há nada parando ou
terminando. Na pior das hipóteses, o saldo será
zero", prevê.
Os dados do Observatório
do Trabalho mostram que, no acumulado de 2009, o saldo de novas
vagas na construção civil, em Curitiba, ficou em
2.225 postos de trabalho.
Já no acumulado
dos últimos 12 meses, o saldo é menor: 1.005 empregos
formais. Nos 12 meses imediatamente anteriores, o saldo tinha
sido de 4.707 vagas.
Em julho, os subsetores
da construção civil que tiveram os melhores resultados
em Curitiba foram a construção de rodovias, ferrovias,
obras urbanas e obras de arte especiais, com 194 novas vagas,
e incorporação de empreendimentos imobiliários,
com 82 vagas.
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Jornal do Brasil,
31 de agosto de 2009
Jornada: entidades patronais
defendem negociações por setores
"Cada caso é um caso. As metalúrgicas são
diferentes das montadoras, das operadoras de telemarketing, dos
bancos. Não tem como unificar a demanda de necessidade
de mão de obra em uma única lei. As diferenças
devem ser consideradas"
As entidades que representam
os empresários, como as federações das Indústrias
dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (Firjan e Fiesp,
respectivamente) e a Confederação Nacional das Indústrias
(CNI) alegam que não são contra a redução
da jornada de trabalho.
O vice-presidente da Firjan,
Geraldo Coutinho, diz que os órgãos estão
dispostos a negociar de acordo com as necessidades dos setores.
"Cada caso é
um caso. As metalúrgicas são diferentes das montadoras,
das operadoras de telemarketing, dos bancos. Não tem como
unificar a demanda de necessidade de mão de obra em uma
única lei. As diferenças devem ser consideradas",
explica Coutinho.
O diretor de Relações
Institucionais da CNI, Marco Antonio Guarita, ressalta que a generalização
é o defeito da PEC.
"A proposta mistura
grandes e pequenas empresas no mesmo saco. E cada segmento tem
as suas características", afirma.
Mas a economista do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), Ana Cláudia Moreira, explica que é institucional
ter uma legislação trabalhista diferenciada por
setores.
"Como um trabalhador
vai ter determinados benefícios e outros não?",
indaga a economista.
"Eles possuem o mesmo
direito tanto na pequena quanto na grande empresa".
Além disso, a economista
diz que dados da CNI mostram que os salários correspondem
a 22% do custo de produção de uma indústria,
ou seja, "é possível reduzir a jornada e contratar
mais mão de obra, já que o que define a produção
de uma empresa, de fato, é a capacidade de investimento
e financiamento".
"Não é
a jornada de trabalho que mantém uma empresa viva, mas
a capacidade de atingir metas em um determinado período",
destacou Ana Cláudia.
Mesmo com mais argumentos
a favor, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) está
disposta a negociar com os empresários, porém o
presidente da entidade, Arthur Henrique, diz que os líderes
das companhias estão dificultando um possível acordo.
"O empresário
precisa entender que a redução também é
benéfica para ele, porque a disposição de
trabalho vai aumentar e o número de acidentes tende a diminuir.
Mas eles usam o mesmo argumento de 21 anos atrás de aumento
de custo de produção e informalidade, quando na
Constituição de 1988 foi definida a carga horária
legal de trabalho de 44 horas", destacou o presidente da
CUT.
O vice-presidente da Firjan
argumenta que os sindicatos consideram a jornada legal de traballho.
Mas Geraldo Coutinho afirma
que a carga horária média efetiva do trabalhador
brasileiro é de 41,6 horas semanais.
Para comprovar o impacto
da aprovação da PEC na economia, o diretor da CNI
usa como exemplo um estudo da Câmara Brasileira da Indústria
da Construção (Cbic), que prevê aumento de
5% de uma casa do programa "Minha Casa, Minha Vida",
no Mato Grosso do Sul e de 12% da mão de obra.
"Isso significa que
a meta de 1 milhão de casas corre o risco de não
ser atingida, já que será o mesmo orçamento
para custos maiores", ressaltou.
O relator da PEC acredita
que a primeira votação da proposta na Câmara
ocorrerá em setembro.
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Portal da Copa 2014,
31 de agosto de 2009
Copa do Mundo de 2014 pode
criar 3,5 milhões de empregos no Brasil
A preparação
para a Copa do Mundo de Futebol deve transformar o país
em um grande canteiro de obras, o que permite ao setor fazer planos
para reiniciar o ciclo de crescimento interrompido em 2008 pela
crise mundial.
As empresas da construção
civil já registram melhoras, e garantem que o segmento
passará por um aumento de contratações para
atender à demanda.
Na avaliação
dos representantes e especialistas, a construção
civil deverá ganhar maior participação no
PIB a partir do ano que vem - até 2008, a indústria
da construção representava 5,1% das riquezas do
País.
"A Copa do Mundo
de 2014 vai aumentar os investimentos em infraestrutura pelo menos
até o ano de sua realização, aquecendo a
construção civil em seus diversos segmentos",
avalia Carlos Maurício Lima de Paula Barros, diretor-presidente
da Abemi - Associação Brasileira de Engenharia Industrial.
Jaime Martins, diretor
de recursos humanos para a América Latina da CH2M Hill,
ressalta que toda a infraestrutura física do país
será revisitada com o objetivo de cumprir com as exigências
da Fifa.
"O país vai
precisar se preparar para a realização do maior
evento esportivo do mundo e melhorar transportes, aeroportos,
acomodações, saúde, saneamento e telecomunicações,
entre outros", diz.
O otimismo das empresas
tem base no volume de investimentos prometidos para o setor, que
variam de R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões.
Especialistas estimam
que, a cada R$ 1 milhão em investimentos na construção
civil, são criados 58 empregos, sendo 33 empregos diretos
e 25 indiretos.
Isso significaria a geração
de pelo menos 3,5 milhões de vagas. Para Barros, o crescimento
do setor deve aumentar o número de empregos principalmente
em empresas de projeto, consultoria, edificações
e construção industrial.
A expectativa dos empresários
do setor aumentou após o anúncio das 12 cidades
que vão receber os jogos da Copa e deverão se adequar
às exigências da Fifa.
"Haverá inúmeros
projetos relacionados à mobilidade urbana, aeroportos,
telecomunicações, geração de energia,
saúde e outras áreas", diz Martins.
E as beneficiadas não
serão apenas as cidades-sede. "Tais melhorias deverão
acontecer também em cerca de 200 municípios vizinhos,
que receberão seleções e, principalmente,
turistas", completa Barros.
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Vermelho, 31 de agosto
de 2009
Planos antidemocráticos de
Serra para o pré-sal?
Segundo afirma o colunista Kennedy Alencar, na Folha de S.Paulo
deste domingo (30), "o governador José Serra tem dito
em conversas reservadas que as regras propostas por Lula [para
o petróleo do pré-sal] poderão ser modificadas
pelo próximo presidente da República". Ou seja,
por ele, Serra, que imaginaria até que as regras "poderiam
ser alteradas por medida provisória". Pergunta: e
onde fica a democracia?
Por Bernardo Joffily
Kennedy Alencar parece
não se dar conta – ou pelo menos não passa
recibo – da truculência da hipótese que descreveu.
Se não, vejamos.
Lula pretende propor projetos
de lei: três, talvez quatro, sobre o marco regulatório
do petróleo do pré-sal. Eles tramitarão no
Congresso. Serão debatidos na sociedade – que é
tudo que o presidente quer, pois é o tipo de debate conveniente
a quem pretende eleger o(a) sucessor(a).
Já Serra (Kennedy
apresenta o tucano como "líder em todas as pesquisas
sobre a sucessão presidencial de outubro de 2010"),
diz, segundo o jornalista, "que, aprovadas as regras propostas
por Lula, elas poderiam ser alteradas por medida provisória
pelo futuro presidente. Não há decisão tomada,
mas Serra cogita mudar as regras, caso seja eleito."
"O governador paulista
– prossegue Kennedy – tem simpatia pelo modelo atual".
Que Serra tenha simpatias,
é um direito. "É legítimo debater",
escreve Kennedy. Mas um debate democraticamente submetido à
sociedade, à cidadania e ao Parlamento, pode, depois de
convertido em leis, ser revogado por uma simples canetada do –
autopresumido – "próximo presidente da República"?
"É um debate
legítimo", repete Kennedy. "O atual governo e
o PSDB deveriam expor claramente quais são suas ideias
sobre a forma de explorar o pré-sal. O debate está
apenas começando do ponto de vista público. Os projetos
de Lula vão sair do Palácio do Planalto para chegar
ao Congresso Nacional. É uma riqueza imensa que está
em jogo. É bom que cada ator político de peso revele
suas verdadeiras intenções."
Tudo bem, é sensato
esse raciocínio de Kennedy. Mas não "é
bom" nem democrático que um dos atores cogite de tratorar
o resultado do debate legítimo caso venha a empunhar a
caneta capaz de assinar medidas provisórias.
Compreende-se e desculpa-se
que Serra, como presidenciável da oposição,
torça o nariz para o fato do pré-sal ter sido descoberto
e estar tendo seus parâmetros de exploração
no governo Lula. Afinal, lembra Kennedy, "é uma riqueza
imensa".
Mas a hora de Serra expor
o que defende para o pré-sal é agora, a partir desta
segunda-feira, 31 de agosto, ou, se tiver pressa, no jantar com
Lula esta noite no Palácio da Alvorada. De qualquer modo,
é junto com a sociedade e o Legislativo. Não depois
que o debate tiver se concluído. E nunca a canetaços
de medida provisória – um recurso que em tese estaria
à disposição de Lula, mas que este descartou
por respeito à necessidade de discutir da forma mais ampla,
democrática e exaustiva possível o que a nação
deve fazer com a "riqueza imensa" do pré-sal.
A proposta do governo
será lançada na forma de três projetos –
um criando a nova estatal de petróleo do pré-sal,
outro alterando o sistema de contratos que passará do modelo
atual de concessão para a partilha, e o último sobre
o novo Fundo Social para gerir e distribuir os recursos. As propostas
seguirão para o Congresso hoje mesmo, em regime de
urgência constitucional, o que dá aos parlamentares
o prazo máximo de 90 dias para aprovar a matéria.
Aliados e adversários
do presidente Lula avaliam que o governo conduziu mal
a negociação da proposta. Primeiro, por não
ter chamado nenhum setor para opinar sobre o novo modelo e, segundo,
por começar pressionando o Congresso a concluir em três
meses a análise e a votação de projetos que
o governo levou mais de um ano para elaborar. Além de ficar
exposto à pressão dos governadores, que exigiram,
e levaram, um tratamento “diferenciado” na partilha
dos royalties, Lula teve de enfrentar críticas até
de aliados, como o governador petista de Sergipe, Marcelo Déda.
Serra, Cabral e Hartung
desembarcaram em Brasília pouco antes das 19
horas. Antes de irem para o jantar com Lula, no Palácio
da Alvorada, fizeram uma breve reunião no hangar da Líder
Táxi Aéreo. “Vim para ouvir, para conhecer
a proposta”, disse o governador José Serra. “Essencial
para mim são os prazos para o debate dessa proposta. Já
se passaram quase dois anos desde que o pré-sal foi anunciado
e ainda existem muitas incógnitas sobre a proposta.”
Isolamento
Ao optar por isolar-se
no debate sobre o pré-sal, o governo acabou ficando numa
situação incômoda. Nenhum dos 24 governadores
que, teoricamente, serão beneficiados com a possibilidade
de mudança na distribuição dos royalties,
saiu em defesa do governo e do presidente Lula nesse
tempo todo.
Aliados e adversários
do Planalto no Congresso também reclamam da pressa do governo
em remeter ao Legislativo uma proposta que não foi debatida
com a sociedade. A 24 horas do lançamento, em plena manhã
de domingo, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão,
e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ainda tentavam dar
os retoques finais na proposta. Segundo Lobão, o encontro
ocorreu para que fossem fechados “os últimos detalhes”
do novo marco regulatório. Mas ele próprio ainda
não tinha certeza de nada sobre o marco regulatório.
“O presidente Lula deve tomar a decisão sobre o modelo
de partilha no final desta tarde”, disse Lobão.
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Folha de S.Paulo,
31 de agosto de 2009
Marina quer refundar PV e admite
embate com Dilma
Em ato de filiação ao partido,
senadora rechaça ideia de trégua eleitoral com o
PT | Com discurso de candidata, senadora chora ao lembrar sua
saída do PT e reconhece divergências com ministra
em questões ambientais
Lalo de Almeida/Folha Imagem
Marina, ex-ministra do Meio Ambiente, no ato de filiação
ao PV
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Ao assinar ontem sua ficha
de filiação ao PV, a senadora Marina Silva (AC)
condicionou sua candidatura à Presidência ao que
seus aliados chamam de refundação ética do
partido e admitiu a possibilidade de confronto com a ministra
Dilma Rousseff (Casa Civil) numa eventual disputa eleitoral.
Embora tenha chorado ao lembrar sua saída do PT, Marina
reconheceu divergências com Dilma em matéria ambiental
e rechaçou a ideia de trégua eleitoral.
"Não disse que não haveria um embate",
reagiu ela, ao responder especificamente sobre o PT. "As
diferenças serão explicitadas no processo. Obviamente
já tem uma mais do que explícita, que é a
questão da visão de mundo em relação
à crise ambiental", reagiu.
Marina confirmou ter protagonizado queda-de-braço com Dilma
no governo. Mas frisou que a decisão cabia ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva:
"Não vou me colocar aqui no lugar de vítima
da ministra Dilma Rousseff".
Segundo ela, durante a campanha são reafirmados os pontos
de vista. Daí, o confronto.
Recebida por convencionais do PV com um coro de "Brasil urgente,
Marina presidente", a senadora listou ressalvas ao governo
Lula, como a concessão de incentivos à indústria
automobilística e a frigoríficos na Amazônia
sem a exigência de contrapartida.
"Já são diferenças que serão
tratadas em uma visão de país."
Ao discursar, a senadora lançou críticas sutis a
Lula. Ainda que jogue a decisão de concorrer para o ano
que vem, ela pregou a renovação política.
E justificou: "É algo que nos chama a fazer esse revezamento,
de que ninguém deve querer ser líder de tudo e querer
ser líder do resto. Isso não dá certo. E
no Brasil isso está destruindo a política... um
pouco", disse ela, que ocupou por cinco anos o Ministério
do Meio Ambiente.
Mais tarde, ao ser questionada se era referência a Lula,
disse que se aplicava também a ela.
A ex-petista defendeu ainda um aperfeiçoamento do Bolsa
Família. "Não há mais espaço
para a velha política de se fazer as coisas pelas pessoas.
É preciso que se faça com as pessoas."
Refundação
Marina afirmou que o lançamento de sua candidatura dependerá
da revisão programática e a reestruturação
do PV.
"Não venho mais com a ilusão dos partidos perfeitos
que acalentei durante a juventude. Mas com a certeza de que homens
e mulheres de bem podem aperfeiçoar as instituições",
discursou ela, acolhida pelos verdes históricos como uma
chance de depuração.
Enquanto Marina evitava assumir a candidatura, o presidente nacional
do PV, José Luiz Penna, já apostava numa aliança
capaz de garantir cerca de cinco minutos de propaganda na TV.
O partido já negocia alianças com pequenos partidos,
inclusive o PDT, sendo que a conversa está mais adiantada
com PSC, PSOL e PMN.
Antes mesmo de assinar a ficha de filiação, Marina
viu expostas as divergências internas do PV. A senadora
-que recorreu a Guimarães Rosa para declarar carinho ao
PT- convidou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, para o evento.
Mas ele não estava entre os oradores.
Já o secretário municipal Eduardo Jorge sentou-se
no chão, diante da mesa. Escolhida pelo governador José
Serra (PSDB) à revelia do comando do partido, a secretária
de Ação Social, Rita Passos, não teve assento
entre as autoridades.
Conduzido à ponta da mesa, o ministro da Cultura ouviu
críticas à equipe de Lula, como a do deputado Fernando
Gabeira (PV), para quem o governo "é moralmente frouxo".
À saída, Ferreira reagiu: "Ele é parcial.
Faço essa crítica política em geral. Minha
crítica política é que o PV se aproximou
muito dessa lógica pragmática", disse Ferreira,
afirmando que Marina não fará oposição
ao governo Lula.
"Ela disse melhor do que eu. Vai sair de casa. Mas continua
morando na mesma rua."
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Folha de S.Paulo,
31 de agosto de 2009
Capitalização
ameaça trabalhador cotista de fundos FGTS-Petrobras
DA SUCURSAL DO RIO
A capitalização
da Petrobras, estudada pelo governo para levantar dinheiro para
os investimentos no pré-sal, representa ameaça aos
55 mil cotistas do fundo FTGS-Petrobras. O processo deverá
reduzir sua fatia na empresa e, de quebra, diminuirá seus
dividendos.
Para preservar seus direitos, o governo teria de criar mecanismos
para que os trabalhadores pudessem investir mais recursos do FGTS
e, assim, acompanhar o investimento que o governo fará
-mas nem isso garante que consigam manter a fatia na empresa.
A capitalização é um processo pelo qual uma
empresa emite ações novas para levantar recursos
para investimentos. Os acionistas da empresa têm prioridade
na compra das novas ações e podem comprar até
o limite da participação que têm no capital
da empresa.
Assim, o governo, que tem 32,21% do capital da Petrobras, poderá
comprar tantas ações quantas forem possíveis
para manter a mesma participação. Isso vale para
todos os acionistas, inclusive para o fundo FGTS-Petrobras, que
tem 2,11% do capital da empresa.
Ainda em estudo, a capitalização pode chegar a R$
100 bilhões. O valor de mercado da Petrobras é R$
312 bilhões.
Quem não participar da oferta mantém as ações
que tinha. Mas, como o número de ações em
circulação aumenta, sua participação
acaba diluída.
As ações não compradas pelo acionista são
ofertadas ao mercado. Para o governo, a "sobra" de ações
é a chance de aumentar a participação na
Petrobras -de preferência, sobre os investidores estrangeiros.
"Para que o FGTS-Petrobras acompanhasse a proposta, o governo
precisaria autorizar os trabalhadores a usarem parte de seu saldo
para que o fundo compre mais ações", diz Haroldo
Vale Mota, professor de finanças da Fundação
Dom Cabral.
Pelas regras atuais, não é mais possível
destinar dinheiro do FGTS para comprar ações.
Se a capitalização for de R$ 100 bilhões,
o FGTS-Petrobras teria que investir mais R$ 2,1 bilhões
para manter sua participação atual no capital da
empresa. Hoje, o patrimônio do fundo é de R$ 3,65
bilhões, todo aplicado em Petrobras.
"O problema é que alguns cotistas podem não
ter mais recursos porque sacaram seu dinheiro para comprar casa
própria, porque suas contas estão inativas ou porque
não querem", afirma o professor de finanças
do Ibmec-RJ Nelson de Souza. "A participação
deles deve cair."
E é a participação de um acionista que determina
sua fatia no bolo dos dividendos (parte do lucro distribuída
aos acionistas). Quem tem a participação diluída
recebe, portanto, menos dividendos.
Maior
produção
"Os investimentos a serem feitos com o dinheiro pela empresa
aumentarão seus lucros no futuro. Quem continuar como cotista
verá os dividendos crescerem. Mas, como o fundo FGTS-Petrobras
deverá ser diluído, no curto prazo receberá
menos dividendos", diz Vale.
A previsão é que a produção no pré-sal
comece a crescer em 2013. Em 2020, a atual produção
da Petrobras, de 2 milhões de barris diários, duplicará
com o pré-sal.
Em 2008, a Petrobras distribuiu R$ 10 bilhões em dividendos,
ou 27% de seu lucro de R$ 36,5 bilhões.
Sobre a fatia de ações não compradas pelos
cotistas do FGTS, avançariam o governo e investidores privados
-nacionais ou estrangeiros, quem vier com mais apetite.
Segundo Vale, pelo menos os cotistas do FGTS-Petrobras já
embolsaram ganhos com a valorização das ações
depois da descoberta do pré-sal.
O fundo FGTS-Petrobras foi criado em agosto de 2000, permitindo
que os trabalhadores investissem até 50% do FGTS em ações
da Petrobras.
A oportunidade não se repetiu. Desde a criação,
acumulou ganhos em torno de 1.100%, 42% apenas neste ano.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
31/08/2009
TST reafirma direito a licença
de 120 dias para mãe adotante
A Sexta turma do Tribunal
Superior do Trabalho (TST) reafirmou, em julgamento de recurso
da Brasil Telecom S.A., o posicionamento da Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal,
sobre a concessão de licença-maternidade de 120
dias para a mãe adotante. A Turma negou provimento a recurso
da empresa contra decisão que concedeu a licença
a uma ex-empregada, com fundamento no artigo 227 da Constituição
Federal, que define os direitos fundamentais de proteção
à criança e ao adolescente e a igualdade entre os
filhos biológicos e adotivos.
O relator do processo,
ministro Aloysio Corrêa da Veiga, lembrou que a SDI-1 já
se posicionou no sentido de reconhecer o papel social da mãe
adotiva. “A criança adotada necessita dos mesmos
cuidados especiais em seus primeiros meses de vida, razão
pela qual se deve estender à mãe adotante o benefício
da licença maternidade”, observou.
A trabalhadora adotou
uma criança em 1986 e, logo após a adoção
ser concedida, ingressou junto à empresa com pedido de
licença maternidade. O pedido foi rejeitado, sob a alegação
de previsão, no manual interno da empresa, de prazos distintos
de afastamento para os casos de adoção, e foram
concedidos apenas 60 dias de licença. Ela ajuizou então
ação trabalhista em que pediu indenização
dos 60 dias restantes, não usufruídos. O Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) acolheu o pedido
e condenou a empresa ao pagamento da indenização
pela diferença de tempo não usufruída. A
Brasil Telecom recorreu então ao TST, insistindo na tese
de que havia norma interna que vedava a igualdade na concessão
do benefício.
O relator, citou precedentes
do TST e manteve o entendimento adotado de que a norma constitucional
que garante igualdade entre filhos por adoção e
filhos biológicos não depende de complementação
normativa. O ministro endossou a fundamentação do
TRT/PR, segundo o qual, “se não há distinção
expressa na norma constitucional instituidora do benefício,
não cabe ao particular fazê-lo e, mais grave, pretender
a prevalência de suas próprias normas, a despeito
de todo o sistema que, como se sabe, optou pelo resguardo do interesse
social”. ( RR 7060/1999-661-09-00.7)
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31/08/2009
Aracruz indenizará trabalhador
que perdeu dois dedos em acidente
A Aracruz Celulose S/A
não conseguiu reverter no Tribunal Superior do Trabalho
a condenação que lhe foi imposta pelas instâncias
ordinárias da Justiça do Trabalho do Espírito
Santo quanto à obrigação de pagar indenização
por danos morais a um ex-empregado que perdeu dois dedos da mão
direita quando fazia a manutenção do eixo de uma
carreta da empresa. O mecânico receberá R$ 30 mil.
O relator do recurso da
Aracruz, ministro Alberto Bresciani, afirmou que a tese da defesa,
de que o direito de ação do trabalhador estaria
prescrito, não se sustenta, porque a ação
de reparação de danos morais em virtude de acidente
do trabalho foi proposta na Justiça Comum (Estadual) e
migrou para a Justiça do Trabalho após a reforma
do Judiciário (EC 45/2004). Com isso, aplica-se o prazo
prescricional de 20 anos, e não a prescrição
trabalhista de dois anos a partir da extinção do
contrato. “O entendimento adotado pelo TRT/ES, no sentido
de que a prescrição aplicável, na espécie,
é a do Código Civil, vigente à época
da propositura da ação, não permite visualizar
afronta direta ao dispositivo constitucional”, afirmou Bresciani.
O acidente ocorreu quando
o trabalhador, contratado como mecânico, fazia a manutenção
no eixo de uma carreta, com a utilização de macaco
hidráulico. A defesa da Aracruz sustentou que o acidente
ocorreu por culpa exclusiva do empregado, por não utilizar
o equipamento adequado para a tarefa (esticador). Entretanto,
em depoimentos, os demais mecânicos disseram desconhecer
o tal esticador. Afirmaram que o equipamento mais adequado para
a tarefa é o macaco-jacaré, cujo número era
insuficiente para a demanda de serviço.
O Tribunal Regional
do Trabalho da 17ª Região (ES) considerou que o evento
danoso e a culpa da empresa estão provados nos autos. Embora
não tenha negado o acidente, a empresa buscou afastar a
responsabilidade pelo infortúnio do trabalhador que estava
a seu serviço. O TRT/ES julgou que o empregador assume
os riscos da contratação do empregado, o que implica
a responsabilidade objetiva por manter sua integridade física
e psíquica, enquanto obrigação acessória
do contrato de trabalho. O Regional, entretanto, reduziu à
metade a indenização fixada na sentença (R$
60 mil). (RR 244/2005-121-17-00.1)
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Brasília Confidencial, 30 de
agosto de 2009
Eleições 2010: Vox
Populi revela que Serra perde e Dilma ganha força
Pesquisa aplicada de 31 de julho a 4 de agosto por encomendada
da Rede Bandeirantes, informa, sobretudo, que a popularidade do
presidente Lula exigirá um gigantesco esforço das
oposições, tanto na eleição presidencial
quanto nas eleições estaduais
Desprezada por quase todos os veículos de mídia
e parcialmente ignorada mesmo em círculos políticos
e partidários, a mais recente pesquisa de intenção
de voto feita pelo instituto Vox Populi - um dos três maiores
institutos brasileiros especializados nesse trabalho - contém
mais notícias novas, sobre a eleição presidencial,
do que a forte redução da vantagem do governador
paulista José Serra (PSDB), principal pré-candidato
do PSDB, sobre a pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff
- 30% a 21%.
Realizadas 2.002 entrevistas em 317 municípios de todas
as regiões, com expansão para 6.970 entrevistas
em sete estados e no Distrito Federal, o relatório de 149
páginas da pesquisa Vox Populi, aplicada de 31 de julho
a 4 de agosto por encomendada da Rede Bandeirantes, informa, sobretudo,
que a popularidade do presidente Lula exigirá um gigantesco
esforço das oposições, tanto na eleição
presidencial quanto nas eleições estaduais.
A pesquisa Vox Populi indica também uma contínua
aproximação dos índices obtidos por Dilma
Rousseff daqueles conferidos a Serra em alguns colégios
eleitorais; como o Rio Grande do Sul, e vantagens para a pré-candidata
do PT na Bahia e em Pernambuco.
No Rio de Janeiro o Vox Populi atribui 17% para Dilma e 16% para
Serra na disputa de primeiro turno.
Leia, a seguir, o detalhamento da pesquisa Vox Populi/Bandeirantes:
1) a avaliação positiva do Governo Federal aumentou
de 66% em maio para 69% em agosto, enquanto a avaliação
negativa manteve-se baixa, com queda dentro da margem de erro
de 2.2 pontos percentuais - 7% em maio e 6% em agosto. A avaliação
positiva do Governo Lula chega a 79% no Nordeste e a 65% nas outras
regiões.
2) 62% dos eleitores votariam com certeza ou poderiam votar no
candidato de Lula à Presidência, dependendo de quem
for o candidato. A certeza foi manifestada por 29%, enquanto 33%
condicionaram sua escolha ao candidato. Apenas 12% disseram que
não votariam no candidato de Lula e outros 22% afirmaram
que não levariam em conta o apoio do presidente;
3) em todas as regiões a influência de Lula sobre
a intenção de voto dos eleitores é maior
do que a dos governadores de estados;
4) disseram que votariam com certeza no candidato apoiado por
Lula 44% dos eleitores do Nordeste, 25% das regiões Centro
Oeste e Norte, 23% do Sudeste e 22% do Sul;
5) mais da metade dos entrevistados (53%) manifestaram intenção
de votar com certeza ou a disposição de votar no
candidato de Lula ao Governo estadual. Votariam com certeza 17%,
enquanto 36% condicionaram ao candidato a intenção
de voto. Dezoito por cento disseram que não votariam no
candidato a governador apoiado por Lula, e 25% responderam que
não levariam em conta esse apoio. Novamente neste item
da pesquisa a influência do presidente sobre a intenção
de voto do eleitor é maior do que a dos governadores, em
todas as regiões;
6) proibido de concorrer, Lula lidera a intenção
espontânea de voto em todos os estados e regiões,
com imensa distância sobre os pré-candidatos José
Serra e Dilma Rousseff. Em Pernambuco chega a 47% e na Bahia a
38%. Seus piores resultados, nesse item, foram colhidos pelo Vox
Populi em Minas Gerais (12%) e no Rio Grande do Sul (14%);
7) As intenções de voto apuradas pelo Vox Populi
para o primeiro turno da eleição presidencial somam
30% para Serra, 21% para Dilma, 17% para Ciro Gomes e 12% para
Heloísa Helena. Mas o relatório da pesquisa informa
que Dilma está à frente de Serra na Bahia (32% a
22%) e em Pernambuco (32% a 24%), alcançou vantagem dentro
da margem de erro no Rio de Janeiro (Dilma 17% e Serra 16%) e
empatou com ele no Distrito Federal (20% para cada um). As vantagens
de Serra frente à pré-candidata do PT são
obtidas em São Paulo (40% a 17%), no Paraná (32%
a 16%) e em Minas (33% a 18%).
Na simulação do segundo turno da eleição
presidencial, a pesquisa Vox Populi aponta 46% para Serra e 32%
para Dilma. O pré-candidato tucano mantém vantagem
em todas as regiões, menos no Nordeste (Dilma 42% e Serra
38%);
9) Considerados os sete estados e o Distrito Federal, onde o
Vox Populi expandiu a pesquisa, Serra venceria em seis unidades
da federação e Dilma na Bahia e em Pernambuco. No
Rio de Janeiro a vantagem da candidatura tucana para o segundo
turno está em 3 pontos percentuais (32% a 29%); no Rio
Grande do Sul em 5 pontos (36% a 31%); e no Distrito Federal é
de 6 pontos (Serra 42% e Dilma 36%)
Disputas estaduais
A pesquisa realizada pelo Vox Populi, no período de 31
de julho a 4 de agosto, apurou as intenções de voto
do eleitorado de sete estados e do Distrito Federal para a escolha
do governador.
Em síntese, os resultados apurados são amplamente
favoráveis ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos
(PSB), que concorrerá à reeleição;
ao ministro Tarso Genro, pré-candidato do PT no Rio Grande
do Sul, e ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), ameaçado
pelos aliados do governador José Serra de ficar sem a vaga
de candidato ao Governo de São Paulo.
Também com vantagem sobre os potenciais adversários,
mas em menor escala do que Eduardo Campos, Tarso Genro e Alckmin,
aparecem o ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), no Distrito Federal
e o senador Osmar Dias (PDT) no Paraná.
Ele só perde a primeira posição na disputa
quando a candidatura é confrontada com a de seu irmão
e também senador Álvaro Dias (PSDB). No cenário
mais provável da eleição estadual paranaense,
Osmar Dias venceria o pré-candidato tucano e prefeito de
Curitiba, Beto Richa.
Na Bahia o Vox Populi aponta empate técnico entre o ex-governador
Paulo Souto (DEM) e o atual governador, Jaques Wagner (PT).
Em Minas Gerais, segundo apurou o Vox Populi, o ministro Hélio
Costa (PMDB) tem 30% e o ex-presidente Itamar Franco (PPS) tem
28%. Eles são seguidos pelo ex-prefeito de Belo Horizonte
Fernando Pimentel e pelo ministro Patrus Ananias, ambos do PT.
Tanto Pimentel quanto Patrus somam 18% quando a candidatura de
cada um deles é confrontada com as de Hélio Costa
e Itamar Franco.
No Rio de Janeiro a pesquisa apontou empate entre o governador
Sérgio Cabral (PMDB) e Wagner Montes (PDT).
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Agência Diap, 30 de agosto de
2009
Construção civil repõe
em julho vagas fechadas na crise, diz SindusCon-SP
A construção civil conseguiu recuperar em julho
os postos de trabalho fechados por conta da crise no último
bimestre do ano passado. Segundo dados do SindusCon-SP, foram
abertas 36,5 mil vagas no setor em todo o país em julho.
Agora, a construção soma 2,22 milhões de
empregos formais no Brasil.
De janeiro a julho, a construção civil abriu 131.079
postos de trabalho no país. O número supera o fechamento
de 109.086 vagas em novembro e dezembro de 2008.
O estado de São Paulo já tinha recuperado as perdas
da crise no mês anterior, segundo dados do SindusCon-SP.
Para o presidente do SindusCon-SP, Sergio Watanabe, o crescimento
do emprego no mês de julho no segmento de preparação
de terreno (2,25%) é uma boa notícia, pois aponta
para o início de novas obras.
Por outro lado, o segmento de infraestrutura trouxe uma retração
no emprego de 0,11% em julho.
Apesar de os dados do emprego na construção civil
apontarem para uma recuperação do setor, Watanabe
ressalta que o ritmo de crescimento ainda é menor que o
registrado no ano passado.
O número de vagas criadas em julho foi 14% menor que no
mesmo mês de 2008.
"O ritmo de aprovações de projetos do programa
Minha Casa, Minha Vida e de contratações do PAC
será fundamental para manter o crescimento do emprego no
setor", afirma Watanabe.
O presidente do SindusCon-SP teme que a retração
do volume de lançamentos imobiliários no fim de
2008 e no começo deste ano ainda provoque impacto negativo
na demanda por mão de obra no setor nos próximos
meses.
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Gazeta do Povo, 30 de agosto de 2009
Educação
Jovens perdem a fé na escola
Estudo mostra que os jovens latino-americanos
das periferias não acreditam que a escola pode melhorar
sua vida
O volume da música é alto no fone de ouvido do
iP od de Juliana (nome fictício*), 15 anos. A jovem caminha
pela rua onde mora, no bairro Pilarzinho, em Curitiba, na busca
de um futuro que nem mesmo ela sabe onde encontrar. Sem trabalho,
nem emprego, Juliana resolveu abandonar seus estudos no ano passado,
quando cursava o 1.º ano do ensino médio, na Escola
Estadual Emiliano Perneta, a mais próxima de sua casa.
Caçula de sete filhos de uma catadora de papel sem estudos,
a adolescente até pensa em voltar para a escola e tentar
uma vida melhor. “Não quero que seja a mesma (escola).
Aqui é muito fraco, nunca vou conseguir passar no vestibular”,
diz.
Escolha parecida fez o entregador Cristiano, 21 anos, morador
de Colombo, na região metropolitana. Há quatro anos
foi convidado a trocar de colégio, quando frequentava a
6.ª série, após ter brigado com o professor.
Pai recente de uma menina de 6 meses e com um emprego que lhe
garante o sustento, não se arrepende de ter abandonado
os estudos. “Não acho que vou ser melhor ou pior
se for ou não para a escola.”
Cristiano e Juliana fazem parte de uma juventude que resolveu
deixar os bancos escolares porque não acredita mais que
concluir o ensino básico ajuda a melhorar de vida. Essa
tem sido a visão de mais da metade dos jovens latino-americanos
que vivem na periferia de grandes cidades e abandonaram a escola.
É o que mostra um estudo do professor e pesquisador Gonzalo
Saraví, do Centro de Investigações e
Estudos Superiores em Antropologia Social, no México.
A pesquisa foi publicada neste mês na revista da Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).
Criada em 1948, a Cepal é uma das cinco comissões
econômicas regionais das Nações Unidas (ONU)
que monitoram políticas de desenvolvimento.Segundo o estudo,
dois em cada dez jovens brasileiros entre 15 e 24 anos abandonaram
a escola e estão sem emprego (veja mais na tabela). A pesquisa
mostra ainda que mais de metade dos jovens entre 20 e 24 anos
não têm 12 anos de estudo. O tempo é considerado
mínimo pela Cepal para evitar a pobreza.
Abandono
Apesar de avanços conquistados no acesso à educação,
os países da América Latina ainda sofrem com as
altas taxas de evasão escolar. Segundo o autor do estudo,
que vive no México e respondeu às perguntas da Gazeta
do Povo por e-mail, os jovens estão descrentes de que o
mercado de trabalho assegura uma vida melhor, principalmente em
função dos baixos salários e do subemprego.
“São vulneráveis. Nem todos são delinquentes
ou usam drogas. São jovens que não sabem o que fazer
e não têm muitas oportunidades”, afirma.
O assistente de eletricista Tiago Santana da Luz, 20 anos, é
um exemplo típico. Aos 18 anos, resolveu abandonar os estudos
pela terceira vez. Estava na 5.ª série, no início
da adolescência. Resolveu ajudar seu pai, que é eletricista.
“O trabalho não é muito bom, mas é
melhor do que estar na escola.”
Consumo
Saraví ressalta que o desinteresse pela escola por parte
dos jovens gera um quadro de fragmentação social,
em que o individualismo é reforçado e o consumo
de bens materiais tem sido adotado como símbolo de identidade
e inserção na sociedade. “Os jovens menos
favorecidos também sofrem a pressão do consumo,
o que gera angústias, frustrações e outros
males, que podem se manifestar como problemas sociais.”
A pressão pelo consumo é outro dos muitos fatores
que explicam a alta taxa de evasão dos jovens no ensino
médio. A diretora da Escola Estadual Emiliano Perneta,
Sandra Capelão, reafirma essa tendência. A escola
é a mesma para onde Juliana não quer retornar. “Não
tinha uniforme e não me sentia bem por causa disso. Minha
mãe não tinha dinheiro para comprar”, diz
a adolescente.
Outros fatores também são apontados pelo autor
da pesquisa como responsáveis pela evasão, como
a falta de segurança e ensino pouco atraente. “Sozinha
a escola não resolve o problema. Os governos precisam adotar
políticas de revalorização da educação,
de modo que fortaleça a escola pública para que
não seja sinônimo de lugar para pobres”, diz.
* Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados.
O mundo mudou. Mas não na sala de aula
O desinteresse pela escola por parte dos jovens latino-americanos
da periferia é reflexo do valor que a sociedade deposita
no trabalho. Na opinião de especialistas, o modelo formal
de educação não anda em sintonia com as novas
formas de aprendizado e das necessidades do mercado de trabalho
no mundo moderno.
A professora do curso de Sociologia da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Samira Kauchakje
faz ligação entre o fenômeno do desinteresse
desses jovens pela escola com o movimento em que vive a sociedade
do século 21, chamado por alguns sociólogos, como
Robert Castel, de “fim da sociedade salarial”.
A professora explica que, desde meados do século passado,
houve uma transformação da ética do trabalho
e cita a cultura pelo ócio, já existente na Europa.
“Esses jovens não são esdrúxulos, mas
estão antenados com algo bastante recente. São
inteligentes e perceberam que não basta ter anos de escolaridade
para conseguir um trabalho estável”, afirma.
O professor do departamento de filosofia da Universidade Federal
do Paraná (UFPR) Luiz Damon Moutinho não
vê relação de oposição entre
o desprezo à escola e o consumismo. “A escola passa
por uma espécie de transformação na maneira
pela qual as pessoas se educam agora. A escola como o único
centro de formação é uma visão tradicionalista.”
Moutinho nega que exista uma patologia do consumismo, que geraria
desinteresse pela escola. “O mundo é isso
aí. Inócuo. Gera necessidade o tempo todo
pelo modelo do sistema econômico capitalista. A escola tradicional
tem dificuldade de assimilar novas formas de aprender. É
isso que a coloca em xeque”, diz. (TD)
Apesar de esforços, contraturno não atrai
O menino Lúcio (nome fictício), 11 anos, prefere
passar as tardes na rua empinando pipa a permanecer na escola
no turno contrário em que frequenta a 6ª série
do ensino fundamental. Lúcio mora na rua da Escola Estadual
Emiliano Perneta e desistiu das atividades de contraturno
oferecidas porque era obrigado a também frequentar as aulas
de Português.
Além de aulas de capoeira, judô e oficinas de rádio-escola,
os alunos também participam de aulas de letramento, que
funciona como um reforço à alfabetização.
A diretora Sandra Capelão diz perceber que seus alunos
não estão muito interessados em atividades relacionadas
ao estudo fora do horário formal de aulas. “Parece
que eles fogem do ensino”, diz.
O trabalho da direção e professores da escola para
tirar as crianças e adolescentes das ruas é no corpo
a corpo. Mesmo assim, o número de participantes caiu muito,
segundo relata a diretora, sem detalhar números.
Apesar de receber verbas de dois programas – um federal
e outro estadual – para realizar as atividades, é
preciso algumas complementações. “No início
do ano tínhamos parcerias com empresas e conseguíamos
oferecer um lanche mais reforçado. A merenda que vem não
é suficiente para que eles passem o dia todo na escola”,
diz Sandra.
Outra dificuldade é para lidar com a falta de estrutura
física da própria escola. Parte do muro caiu em
dezembro e até agora não foi consertado, o que impede
de realizar algumas atividades ao ar livre. Não há
quadra coberta para oferecer oficinas de judô e capoeira,
que são dadas no improviso de uma sala de aula vazia. (TD)
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Gazeta do Povo, 30 de agosto de 2009
Indicadores
Metade das cidades do PR tem retrocesso
socioeconômico
Estado teve desempenho geral ruim, mas
manteve o segundo lugar no ranking nacional, no índice
da Firjan
Em vez de melhorar, piorou. O novo Índice Firjan de Desenvolvimento
Municipal (IFDM), divulgado na semana passada, mostra que a maior
parte dos municípios paranaenses passou por um retrocesso
entre 2005 e 2006 – anos mais recentes, cujos dados de saúde,
renda, emprego e educação já foram computados.
Fenômeno semelhante só foi observado em outros três
estados brasileiros: Santa Catarina, Rondônia e Roraima.
Em todos os outros 22 estados, o número de municípios
que cresceu na escala de desenvolvimento de um ano para o outro
é superior ao daqueles em que houve retrocesso. No mesmo
período, 59% dos municípios brasileiros evoluíram.
O Paraná teve o pior desempenho entre os quatro estados
em que o número de municípios que retrocedeu na
escala do desenvolvimento foi maior. Dos 399 municípios
paranaenses, 215 tiveram queda no IFDM, entre 2005 e 2006. Mesmo
com redução de desenvolvimento em 54% dos municípios,
o estado, no resultado geral, apresentou variação
positiva, com aumento no IFDM de 0,5%. O índice mantém
o Paraná na segunda posição, atrás
apenas de São Paulo, entre os estados mais desenvolvidos
do país.
De acordo com o chefe da divisão de estudos econômicos
da Firjan, Patrick Carvalho, na comparação ano a
ano, é possível que o índice mostre algum
retrocesso nas cidades, mas é na comparação
a longo prazo que se verifica o desenvolvimento propriamente dito.
“Às vezes, damos dois passos para trás para
dar um à frente. Um retrocesso não significa uma
mudança na tendência de desenvolvimento a longo prazo”,
explica Carvalho. Por outro lado, segundo a Firjan, a análise
ano a ano traz uma fotografia real de determinado momento.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento
Econômico e Social (Ipardes), Carlos Manuel dos Santos,
ressalta que a variação no índice de desenvolvimento
sofrida por maior parte dos municípios entre 2005 e 2006
não chegou a significar mudança de patamar –
o índice Firjan vai de 0 a 1, sendo que de 0 a 0,4 refere-se
a um desenvolvimento baixo; 0,4 a 0,6 é regular; 0,6 a
0,8, moderado; e 0,8 a 1, alto.
A análise dos indicadores no período entre 2000
e 2006 mostra outra realidade. Neste intervalo, o Paraná
deu um salto em desenvolvimento, na avaliação de
Santos. “Foi bastante significativo. No mapa, percebemos
que passamos de uma situação crítica para
uma de equanimidade entre os municípios”, opina.
Avanço
De 2000 para 2006, o estado passou de 166 municípios com
desenvolvimento regular para 30, enquanto o número de municípios
com desenvolvimento moderado saltou de 232 para 356. O número
de municípios com índice de desenvolvimento alto
saltou de 1, em 2000, para 13, em 2006, ainda que em 2005 fossem
17 municípios nesta escala.
“De 2005 para 2006, diminuiu o número de municípios
com alto índice de desenvolvimento de 17 para 13, mas isso
foi compensado pelo aumento de municípios com desenvolvimento
moderado, de 346 para 356”, explica Santos. “É,
por isso, que mesmo com a queda do índice em vários
municípios, como um todo, o Paraná melhorou”,
completa.
Na decomposição do índice de desenvolvimento
da Firjan 2005 e 2006, o setor que puxou para baixo o IFDM 2006
da maior parte dos municípios paranaenses foi emprego e
renda. “São variáveis que se alteram mais
facilmente”, explica Santos. Dos 399 municípios,
242 (61%) tiveram variação negativa no IFDM-Emprego
& Renda. Rosário do Ivaí, no Norte Central do
estado, por exemplo, chegou a ter o IFDM-Emprego & Renda diminuído
em 61% no período.
Reflexos
Para a professora de Geografia da Universidade Federal do Paraná
(UFPR) Olga Firkowski, o índice de emprego e renda é
um ponto chave no desenvolvimento. “Esse é o nosso
maior problema, porque o emprego e renda afetam a saúde
e educação”, explica. O presidente do Ipardes
esclarece que a queda da variável ocorreu apesar do aumento
de empregos no estado. “O que pode não
ter crescido tanto é o salário médio”,
pondera.
De acordo com Santos, ainda, uma seca ocorrida em 2005, com desdobramentos
em 2006, pode ter afetado o índice também. “Os
municípios que têm relação direta com
a agricultura ou que têm uma estrutura industrial concentrada
nisso podem ter sido afetados”, opina. “A retração
do PIB em 2005 pode ter sido sentida em 2006 também.”
Diferenças
IFDM x IDH-M
Elaborado a partir de dados dos ministérios da Educação,
Saúde e Trabalho, o Índice Firjan de Desenvolvimento
Municipal (IFDM) foi criado pela Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro para tentar suprir a inexistência
de um parâmetro para medir periodicamente o desenvolvimento
socioeconômico dos municípios. O mais bem-sucedido
entre os indicadores, o Índice de Desenvolvimento Humano
Municipal (IDH-M), criado pela ONU, baseia-se em dados do censo
demográfico, realizado a cada dez anos. Além da
periodicidade, os dois indicadores se diferenciam também
pelas variáveis utilizadas em sua composição
(veja no gráfico). “O IFDM é anual, enquanto
o IDH-M é censitário. Com o IFDM é possível
ver o filme ao invés de fotos esparsas a cada dez anos
do IDH-M”, diz o texto do estudo da Firjan.
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Gazeta do Povo, 30 de agosto de 2009
Negócios
Setor madeireiro passa por fusões
Em meio à queda nas vendas, indústria
de painéis de madeira para fabricação de
móveis vive momento de consolidação
A compra da Tafisa Brasil, ligada ao grupo português Sonae,
pela chilena Arauco, anunciada na semana passada, promete
agitar o mercado de painéis de madeira nos próximos
meses. Esse é o segundo grande negócio
do setor neste ano. Em junho, a Duratex, do grupo Itaúsa,
e a Satipel anunciaram a unificação das operações,
criando a maior indústria do setor no Hemisfério
Sul e a quinta maior do mundo.
“Esse movimento vai forçar mais consolidações
nos próximos meses”, aposta o consultor Marco Tuoto,
da STCP Engenharia de Projetos, especializada no mercado
madeireiro. Juntas, Duratex e Satipel passam
a deter cerca de 40% do mercado brasileiro. Na disputa pelo segundo
lugar ficam Arauco/Tafisa e a Berneck – ambas com fábricas
no Paraná –, com cerca de 12% cada uma. Muito próxima
está a chilena Masisa, com fábrica em Ponta Grossa
(Campos Gerais) e Montenegro (RS).
O mercado de painéis de madeira – usados na indústria
de móveis –, no entanto, não vive seus melhores
dias. O forte ritmo de investimentos – entre 2007 e 2010
estão previstos aportes de US$ 1 bilhão
– deve elevar a capacidade de produção de
6 milhões de metros cúbicos por ano para 10,2 milhões
de metros cúbicos, de acordo com a Associação
Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (Abipa).
Mas as vendas de 2009 devem representar entre 4,5 milhões
de metros cúbicos e 5 milhões de metros cúbicos.
“A demanda só deve absorver toda essa capacidade
dentro de cinco anos”, afirma Gilson Berneck, presidente
da Berneck, que tem fábrica em Araucária, região
metropolitana de Curitiba.
A venda de painéis nos três primeiros meses de 2009
foi 20% menor do que no último trimestre do ano passado.
O mesmo aconteceu com as exportações, que tiveram
queda de 30% na mesma base de comparação, de acordo
com Rosane Donati, superintendente executiva da Abipa.
A crise econômica pegou o setor no contrapé
ao diminuir as vendas da indústria de móveis –
seu principal cliente. Afetada pela queda
nas exportações e nas vendas no mercado interno,
a indústria moveleira reduziu o ritmo de encomendas
e forçou a queda no preço do produto em cerca de
25%, em média.
O freio no mercado fez a Berneck segurar a construção
de uma nova fábrica em Santa Catarina, orçada em
R$ 300 milhões. Embora as vendas tenham começado
a reagir em junho, o presidente da empresa acredita que o setor
ainda deve fechar o ano com uma queda de 15% nos negócios.
Jorge Hillmann, diretor geral da Masisa Brasil, acredita que
a queda deve ficar entre 5% e 10%. “Muitos
imóveis fruto do ‘boom imobiliário’
ainda não foram equipados, o que representa uma
demanda que terá que ser atendida no futuro”. Para
ele, o fato de o setor de móveis não ter sido beneficiado
com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), como aconteceu com outros setores, também dificulta
as vendas. “As pessoas preferiram comprar eletrodomésticos.”
A Masisa colocou em funcionamento, em maio, a fábrica de
Montenegro, que vai triplicar a capacidade de produção
(para 1,05 milhão de metros cúbicos). “Esperamos
um equilíbrio de mercado entre demanda e oferta
com as novas fábricas dentro de dois anos.”
Para as empresas do setor, o movimento de fusões
e aquisições deve provocar o fechamento
de fábricas mais antigas. No mercado, comenta-se
que é o que a Arauco deverá fazer a partir
da compra da Tafisa – deve ser fechada a fábrica
da Placas do Paraná em Curitiba, considerada obsoleta
e pouco produtiva. O foco seria concentrar a produção
na Tafisa, que tem unidade em Piên, a 90 quilômetros
de Curitiba, e na unidade da Placas em Jaguariaíva (Campos
Gerais). A empresa não comentou o assunto.
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Agência
Diap, 29 de agosto de 2009
Trabalho: isenção
de imposto em férias e abono salarial são aprovados
A Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou,
na ÚLTIMA quarta-feira (26), a determinação
de que o abono de férias não tem natureza salarial
e está isento do Imposto de Renda.
O abono é o valor recebido quando o trabalhador "vende"
uma parte do período de repouso a que tem direito.
O texto aprovado foi o substitutivo do relator, deputado Paulo
Rocha (PT/PA), ao Projeto de Lei 6.756/06, do deputado Vicentinho
(PT/SP).
O relator deixou explícita na Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43) a natureza do
abono e sua isenção do IR.
Paulo Rocha também acrescentou na CLT a determinação
de que o abono de férias não constitui base de incidência
de contribuição para a Seguridade Social e para
o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
Projeto original
A proposta original prevê o parcelamento das antecipações
salariais pagas voluntariamente pelo empregador ou em decorrência
de negociação coletiva quando, somadas à
remuneração, o valor exceder os limites de isenção
do Imposto de Renda.
De acordo com Vicentinho, com a incidência do IR, boa parte
desses benefícios vão para a tributação,
frustrando os trabalhadores.
O relator argumenta que tais abonos - como acréscimos
por produtividade ou participação nos lucros, por
exemplo -, já são isentos de qualquer tributação.
A isenção, segundo ele, está prevista na
Lei 10.101/00, razão pela qual ele retirou o termo "abonos"
de artigo da CLT a fim de que um mesmo assunto não seja
tratado em mais de uma lei e, dessa forma, "venha a ocasionar
interpretações diversas".
Dessa forma, o relator entendeu que a melhor solução
seria prever na CLT o que, segundo ele, já constitui entendimento
dos tribunais superiores, como a não incidência de
Imposto de Renda sobre o abono salarial.
A matéria que tramita em caráter conclusivo, segue
para análise da Comissão de Constituição
e Justiça da Casa.
Sindicatos
O PL 4.593/04, que propõe a isenção da contribuição
do PIS/Pasep e a remissão de créditos tributários
dos programas e de Cofins para os sindicatos de trabalhadores,
também foi aprovado na quarta-feira.
O deputado Vicentinho (PT/SP), autor da proposta, defendeu o
projeto dizendo que o PIS/Pasep deve incidir sobre instituições
que têm lucro. "Sindicato não tem lucro e, portanto,
não pode ter que contribuir para os programas".
O ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)
afirmou ainda que a situação financeira destas entidades
não é boa.
"Dispondo de mais recursos, elas poderão desempenhar
melhor suas antigas e novas funções, o que contribuirá
para elevar a qualidade de vida de milhões de brasileiros".
Segundo o relator, deputado Pedro Henry (PP/MT), no entanto,
a medida não seria eficaz, já que as contribuições
de que se pretende isentar e remitir as entidades sindicais constituem
receitas da seguridade social.
"Assim, o ônus decorrente desses atos recairá
sobre toda a coletividade", concluiu.
O deputado Eudes Xavier (PT/CE) se manifestou a favor da isenção
da contribuição. "Sindicato não é
empresa, é ferramenta de defesa dos direitos constitucionais
dos trabalhadores".
O relatório pela rejeição do deputado Pedro
Henry passou a ser voto em separado, enquanto o novo parecer pela
aprovação, a ser escrito pelo deputado Roberto Santiago
(PV/SP), foi o vencedor da votação.
Contribuição sindical do servidor
O projeto de decreto legislativo (PDC) 862/08, do deputado Raul
Jungmann (PPS/PE), que susta a Instrução Normativa
1, de 30 de setembro de 2008, do Ministério do Trabalho
e Emprego determina a obrigatoriedade de recolhimento da contribuição
sindical dos servidores públicos da Administração
federal, estadual e municipal não foi analisado pelo colegiado
devido a pedido de vistas dos deputados Laerte Bessa (PMDB/DF)
e Thelma de Oliveira (PSDB/MT).
O relator da matéria, deputado Roberto Santiago (PV/SP)
apresentou parecer contrário ao projeto.
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Amazônia.org,
29 de agosto de 2009
Governo estuda criar o 'bolsa-floresta'
Consultores do Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentaram
proposta à equipe econômica do governo que prevê
a criação de uma espécie de mercado nacional
de carbono, com um valor mínimo para cada tonelada de emissão
evitada. Assim, famílias, cooperativas e grupos que preservarem
a floresta terão direito a um recurso, algo como uma "bolsa-floresta",
por prestação de serviços ambientais.
O argumento utilizado para justificar a medida é o de que
a floresta em pé tem um valor que pode ser calculado por
aquilo que ela deixa de emitir de CO². Além disso, quem
a preserva pode receber recursos financeiros por isso e ainda saber
previamente com quanto dinheiro contará. A idéia está
sendo discutida com o Ministério da Fazenda.
A proposta parte da idéia da criação de
um estoque nacional de carbono não emitido. Cada tonelada
teria um valor mínimo, a ser calculado pelo governo, que
seria revertido a quem preservou. Isso não quer dizer que
o governo irá pagar a todos que deixem de desmatar. Ao
final de um ano, uma empresa ou associação que obteve
determinado crédito pode vendê-lo em um futuro mercado
internacional de créditos de carbono, se obtiver um preço
além do mínimo estabelecido pelo governo. Mas, com
esse modelo, uma família que dificilmente teria acesso
a esse mercado também poderia receber pela preservação.
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Vermelho,
29 de agosto de 2009
Paim: Câmara deve resolver
impasse para fator previdenciário
O senador Paulo Paim (PT-RS), autor do projeto que extingue o fator
previdenciário, lamentou o impasse sobre o reajuste das aposentadorias.
Segundo ele, o tema terá que ser enfrentado na Câmara.
Ele acredita que a proposta alternativa ao projeto pelo fim do fator
previdenciário apresentada pelo governo poderia ser maior.
"O impacto nas contas públicas não será
tão grande e o governo poderia dar mais", disse.
O parlamentar criticou o aumento correspondente à metade
do PIB (Produto Interno Bruto) para reajustar aposentadorias acima
do salário mínimo. Em troca, os aposentados abrem
mão dos projetos que tramitam no Congresso que trata de interesse
da categoria.
Paim esclareceu que os três projetos de sua autoria, aprovados
no Senado por unanimidade - um propondo o fim do fator; outro,
a recuperação das perdas; e outro em que o aposentado
receba o mesmo percentual dado ao salário mínimo
(inflação mais a variação do PIB)
- não podem ser retirados. Assim, caberá à
Câmara levar adiante os pleitos.
"O Senado fez o dever de casa e é um equívoco
pressionar os senadores. Se tem que haver movimento e mobilização
por um acordo melhor, isto tem que ser feito na Câmara",
aconselhou.
Discordâncias
A Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas
(Cobap), entidade que representa os aposentados, se retirou das
negociações com o governo por discordar da proposta.
A Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadores
do Brasil (CTB), uma das seis centrais sindicais, que acompanharam
as negociações, também discorda da proposta
do governo.
Depois que recebeu os dados dos gastos da seguridade social
apresentados pelo Ministério da Previdência com o
reajuste, da ordem de R$3 bilhões, Paim assegura que o
impacto é "insignificante". "Se dizem que
cada ponto percentual de reajuste representa um bilhão,
em vez de dar reajuste de 6,27% o governo desse 8,7%, seriam dois
bilhões a mais. Então, com 5 bilhões de reais
o governo resolveria o problema dos aposentados e pensionistas",
ponderou.
O senador explicou que o que está em negociação
neste momento é a recuperação dos benefícios
dos aposentados pelo número de salários mínimos,
mas em cinco anos. "Acontece que a pessoa ganhava três
salários mínimos e vai ter reajuste ao longo de
cinco anos para voltar a ganhar três. Aí vem o terrorismo
absoluto, de que se gastará 50 bilhões, 60 bilhões
de reais. Porque não se fala do gasto específico
do fator?” questionou.
De Brasília
Márcia Xavier
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Folha
de S.Paulo, 29 de agosto de 2009
Orçamento social passa
a ser deficitário
Pela 1ª vez na década,
despesas em áreas como previdência e saúde superaram
receitas das contribuições criadas para financiá-las
Entre janeiro e julho, deficit chegou a R$
19 bilhões, o equivalente ao desembolso de um ano e meio
do programa Bolsa Família
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Deixados para trás os recordes de arrecadação
do ano passado, os resultados do Tesouro Nacional explicitam que
o orçamento social do governo passou a ser deficitário
pela primeira vez desde a década de 90. Levantamento feito
pela Folha aponta que, de janeiro a julho, as despesas com previdência,
saúde, assistência e seguro-desemprego superaram
em R$ 19 bilhões -o equivalente a um ano e meio de Bolsa
Família- as receitas das contribuições criadas
para financiar esses programas.
Definido pela Constituição de 1988, o orçamento
da seguridade social reúne as políticas públicas
mais diretamente ligadas à subsistência das famílias,
além dos tributos cuja arrecadação não
poderia ser dirigida a outras áreas, caso das contribuições
cobradas sobre a folha de salários, o lucro e o faturamento
das empresas.
Graças a uma brecha constitucional de caráter provisório
criada em 1994, chamada DRU (Desvinculação de Receitas
da União), o governo foi autorizado a utilizar livremente
20% desses recursos. Na apuração do resultado anual
da seguridade, porém, o Tribunal de Contas da União
considera as receitas integrais, critério seguido pela
reportagem.
A seguridade mantinha saldo positivo até o ano passado,
mesmo com a inclusão, entre suas despesas, das aposentadorias
do funcionalismo federal, questionada por parte dos analistas
do setor. Esse superavit se tornou um dos principais argumentos
dos opositores das propostas de reforma da Previdência Social
destinadas a reduzir os direitos dos beneficiários.
Partidos autodeclarados de esquerda, setores do governo Luiz Inácio
Lula da Silva, sindicatos e economistas de linha heterodoxa argumentam
que não faz sentido calcular separadamente o saldo previdenciário
negativo. É preciso, afirmam, levar em conta todas as despesas
e receitas listadas pela Constituição.
A tese foi apresentada em um fórum oficial promovido em
2007 para debater a reforma. "O desequilíbrio orçamentário
está no orçamento fiscal, e não no orçamento
da seguridade social ou no orçamento da Previdência
Social. A seguridade não recebe recursos do orçamento
fiscal, ao contrário, parte substancialmente elevada de
seus recursos financia o orçamento fiscal", afirmou,
na ocasião, a pesquisadora Denise Gentil, hoje diretora-adjunta
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Procurada
pela Folha, a economista preferiu não comentar os novos
números.
Mas o recém-surgido deficit do orçamento social
não serve de argumento apenas para os reformistas de pensamento
liberal que pedem redução de gastos; os números
podem ser usados também pelos que defendem o ajuste pelo
lado da arrecadação, caso dos governistas em campanha
pela ressurreição da CPMF.
Os dados apontam que o fim da cobrança da contribuição
sobre movimentação financeira ajudou, embora não
de imediato, na reversão do saldo positivo da seguridade.
Em 2008, primeiro ano sem o tributo, o superavit foi preservado
graças aos surpreendentes resultados dos demais tributos,
que superaram as estimativas mais otimistas do governo e dos analistas.
Nos anos anteriores, teria havido deficit se excluída a
CPMF.
Despesas
Neste ano, porém, não só a crise econômica
derrubou as receitas, como as despesas sociais cresceram a taxas
dignas de vésperas de eleição.
O reajuste de quase 6% acima da inflação para o
salário mínimo elevou aposentadorias, pensões,
seguro-desemprego e benefícios assistenciais a idosos e
deficientes; o Bolsa Família teve um aumento médio
real de 4%; os servidores da área social, a exemplo dos
demais funcionários do Executivo, ganharam novos planos
de carreira.
Os gastos sociais, equivalentes a 12,16% do Produto Interno Bruto
no ano passado, subiram para 13,49% do PIB estimado para os primeiros
sete meses do ano. Os R$ 230,8 bilhões destinados à
área social representaram praticamente três quartos
de todas as despesas do governo no período, excluídos
os encargos da dívida pública.
A maior fatia do gasto social, de longe, é a das aposentadorias.
As pagas pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) somaram,
de janeiro a julho, R$ 120,6 bilhões, e as do funcionalismo
federal, R$ 35,1 bilhões. A área que mais cresce
nos últimos anos, porém, é a da assistência
social, devido a benefícios instituídos pelo Estatuto
do Idoso e à criação do Bolsa Família,
ambos em 2003.
No cenário atual, a eventual criação da CSS
(Contribuição Social para a Saúde), nova
versão da CPMF com alíquota reduzida e receita prevista
de R$ 10 bilhões anuais, seria insuficiente para restabelecer
o superavit da seguridade.
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Folha
de S.Paulo, 29 de agosto de 2009
RESIDÊNCIA
Construtora brasileira é
a maior entre América Latina e EUA
DA FOLHA ONLINE
A brasileira Cyrela é a maior empresa de construção
de edifícios residenciais em ranking que envolve América
Latina e Estados Unidos. A lista, da consultoria Economática,
considera as empresas de capital aberto e valores de mercado fechados
até a última quinta.
O valor de mercado da Cyrela fechou em US$ 4,898 bilhões,
em dados até anteontem. No pregão de ontem, as ações
da empresa na Bovespa fecharam a R$ 24,60, queda de 0,84%, seguindo
tendência das companhias do setor.
Para este ano, a Cyrela prevê lançamentos entre R$
4,6 bilhões e R$ 5,1 bilhões, com projeção
de vendas nesse mesmo intervalo.
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AGÊNCIA DIAP,
28 de agosto de 2009
Acordo entre Governo e centrais
prorroga política de valorização do mínimo
Agência DIAP
O acordo firmado entre
o Governo e centrais sindicais, anteontem à noite, prorroga
até 2023 a atual política de valorização
do salário mínimo. Embora prevista, a extensão
da atual fórmula de reajuste - que garante, todos os anos,
aumentos reais iguais aos do Produto Interno Bruto (PIB) de dois
anos antes - não estava garantida no texto do projeto de
lei que a instituiu.
Até hoje em tramitação,
o PL 1/2007 vem sendo adotado na prática pelo Governo,
por meio da edição de medidas provisórias.
Ainda que ele já tivesse sido aprovado, no entanto, seria
necessário renegociar a fórmula de reajuste, que,
pelo texto, seria objeto de revisão após 2012.
Com o acordo de anteontem,
a negociação sobre os aumentos do mínimo
a partir de 2012 foi antecipada e, agora, só depende do
Congresso para ser efetivamente implementada, confirmou ontem
o Ministro da Previdência, José Pimentel.
Segundo o ministro, a
extensão da atual política até 2023 será
um dos pontos do projeto que vai substituir cerca de 30 proposições
legais em tramitação sobre salário mínimo
e benefícios da Previdência Social, entre elas o
PL 1/2007.
Já combinada com
o deputado Pepe Vargas (PT/RS), a construção desse
novo texto, que será de autoria do próprio Legislativo,
foi acertada com os sindicalistas e visa resolver, de uma vez
só, diversos problemas enfrentados pelo Governo no Congresso
que podem comprometer as contas da Previdência Social.
Um deles é a tentativa
de acabar com o fator previdenciário, como prevê
um projeto já aprovado pelo Senado e atualmente relatado
por Pepe Vargas na Câmara.
Criado pelo Governo anterior
para desestimular aposentadorias precoces, o fator incide sobre
o valor base do benefício, no momento da concessão
de aposentadorias por tempo de contribuição. Funciona
como desestímulo porque pode reduzir o benefício
em até 50% dependendo da idade e do tempo de contribuição
da pessoa.
O projeto resultante do
acordo com as centrais sindicais - que Pimentel espera ver aprovado
pelo Congresso até outubro - não acabará
com o fator previdenciário. Mas dispensará sua aplicação
obrigatória quando a soma entre idade e tempo de contribuição
for de 85 anos no caso de mulheres e de 95 anos no caso dos homens.
O projeto negociado contorna
também a tentativa de retomar como referência para
cálculo dos benefícios os últimos 36 salários
de contribuição do trabalhador, outro ponto polêmico
do mesmo texto do Senado que trata do fator previdenciário.
Hoje, vale na média dos 80% maiores salários desde
1994.
A solução
negociada é adotar os 70% maiores. O deputado Pepe Vargas
destaca que isso é bom para o trabalhador, que passará
a descartar, para efeitos de cálculo de aposentadoria,
os 30% menores e não só os 20% menores salários,
o que elevará a média das aposentadorias.
Haverá ainda, como
parte da negociação, aumentos reais, em janeiro
de 2011 e 2012, para benefícios da Previdência Social
superiores ao salário mínimo. Esses aposentados
terão reajuste real equivalente à metade do aplicado
ao mínimo, ou seja, 50% da variação do PIB
de dois anos antes.
Se for confirmado o crescimento
de 5,1% em 2008, o aumento em 2010 será, portanto, de 2,55%
além da inflação medida pelo INPC desde o
reajuste anterior, ocorrido em fevereiro de 2009. O INPC já
vem sendo aplicado anualmente.
Ficou acertado que, em
relação a 2012 em diante, a política de reajuste
real desses benefícios superiores ao mínimo será,
antes de proposta ao Congresso, objeto de uma mesa permanente
de negociação.
Essa mesa tratará
também de questões como acesso a medicamentos e
adoção de índice de inflação
mais adequado a esse público (onde alguns preços
pesam mais e outros menos do que para os trabalhadores da ativa).
Com essa parte do
acordo, o Governo resolve, pelo menos temporariamente, outro problema
que vinha enfrentando no Congresso, que é a tentativa de
vincular todos os benefícios da Previdência ao reajuste
do mínimo e, portanto, à variação
total do PIB. (Fonte: Valor Econômico)
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FOLHA DE SÃO
PAULO, 28 de agosto de 2009 | Dinheiro
Nova opção para FGTS
deve render mais
Se passar no Senado, trabalhador poderá
investir até 30% de sua conta no FGTS em fundo para financiar
obras de infraestrutura | Embora sem garantia de rentabilidade,
fundo de infraestrutura tem ganho médio de 9% ao ano, contra
cerca de 4,5% do FGTS
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo espera que os
trabalhadores invistam R$ 5 bilhões de seus recursos depositados
no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) no fundo
que reúne obras de infraestrutura do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento). O valor seria alcançado com a ampliação
de 10% para até 30% no limite que os cotistas podem aplicar
no Fundo de Infraestrutura, o FI-FGTS.
O investimento no fundo surge como promessa de um bom negócio
para o trabalhador. A rentabilidade média dos projetos
que compõem a carteira do FI é hoje de 9% ao ano.
O rendimento garantido nas contas do FGTS é de 3% ao ano,
mais TR (Taxa Referencial) -o que seria próximo de 4,5%
ao ano.
O novo limite de aplicação no FI foi incluído
por deputados, após negociação com a Caixa
Econômica Federal, durante votação de uma
medida provisória nesta semana na Câmara.
O texto foi aprovado e agora segue para o Senado. Depois precisará
ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
para virar lei.
A lei que criou o FI-FGTS já previa a possibilidade de
o trabalhador entrar nesse investimento. Desde o ano passado,
o governo vem trabalhando na definição das regras
para participação dos cotistas do FGTS.
A previsão é de que o modelo fique pronto ainda
neste ano para que as normas sejam divulgadas ao investidor.
"Estamos trabalhando firmemente para sair ainda neste ano.
O modelo está em fase final. Será uma forma de aumentar
a remuneração do trabalhador", declarou o vice-presidente
de fundos da Caixa, Wellington Moreira Franco.
Técnicos envolvidos na formatação avaliam,
no entanto, que será difícil lançar o programa
ainda em 2009 devido à complexidade do investimento. O
modelo estabelecerá regras de entrada e saída para
o trabalhador, prazo de permanência na aplicação,
entre outros detalhes.
Apesar da atratividade do negócio, o governo estima que
os titulares de menos de 2% das 81 milhões de contas do
FGTS entrem no FI-FGTS. Isso porque 90,5% das contas têm
saldo abaixo de R$ 4.650.
Apenas 2,6% das contas têm depósitos que somam R$
15 mil. "Estamos fazendo uma estimativa de R$ 5 bilhões
com o pé no chão", declarou o vice-presidente.
Das contas com valores a partir de R$ 15 mil, a Caixa ainda considera
que não optarão pelo investimento no FI os trabalhadores
que estejam comprando casa própria ou tenha boa parte do
saldo aplicado nos fundos mútuos da Petrobras (2000) e
da Vale (2002).
Rendimento
Pelas regras de aplicação do trabalhador no FI,
não há rentabilidade mínima garantida no
investimento. A Caixa pondera, entretanto, que predominam entre
os projetos de investimento as obras no setor elétrico,
que são de longo prazo, com risco próximo de zero
porque, entre outras razões, a venda de energia tem compra
antecipada.
Além da ampliação do limite para o trabalhador,
os deputados aprovaram mudanças na regra de aplicação
do próprio FGTS no FI. Com a alteração, outros
R$ 6 bilhões deverão ser injetados no fundo de infraestrutura,
o que somaria R$ 11 bilhões.
Hoje, o FI conta com R$ 17 bilhões, sendo que R$ 12 bilhões
já estão contratados. Há demanda de projetos
da ordem de R$ 22 bilhões.
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GAZETA DO POVO, 28
de agosto de 2009 | Economia
Relatório
Desemprego afeta mais os
jovens
Da Redação
A taxa de desemprego entre
jovens no Brasil é 3,2 vezes superior à registrada
entre adultos, de acordo com o relatório “Trabalho
Decente e Juventude no Brasil”, divulgado pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Conselho Nacional
de Juventude (Conjuve). O levantamento constatou que o índice
de desemprego entre brasileiros de 15 a 24 anos é de 17,8%.
A taxa é mais do que o triplo da constatada entre adultos
com 25 anos ou mais, que é de 5,6%.
Outro dado também
registrado pela pesquisa é que a porcentagem de jovens
desempregados responde por quase metade da população
economicamente ativa (PEA) que procura emprego: 3,9 milhões
(ou 49,1%) dos 8 milhões de desocupados. Embora o relatório
aponte a necessidade de uma análise mais aprofundada para
justificar o fato, o documento aponta algumas hipóteses.
Os jovens tendem a deixar seus postos de trabalho com mais freqüência
que os adultos e são demitidos mais facilmente, em função
dos baixos salários e menores encargos para a empresa contratante.
Soluções
Para contornar este
cenário, o estudo propõe como solução
maiores investimentos na escolarização e qualificação
dos jovens por meio de programas governamentais, e cita o ProJovem
como exemplo.
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FOLHA DE LONDRINA,
28 de agosto de 2009 | Política
Comissão da Câmara
aprova PEC que aumenta número de vereadores
Medida precisa de mais dois turnos de
votação no plenário da Câmara para
ser efetivada; suplentes poderão tomar posse ainda na atual
legislatura
Brasília - Na madrugada de ontem e por pressão de
centenas de suplentes de vereadores, os deputados aprovaram em
uma comissão especial a proposta de emenda constitucional
(PEC) que aumenta em mais de 7 mil as vagas em Câmaras municipais
de todo o país.
Para entrar em vigor,
o texto precisa passar por votação em dois turnos
no plenário na Câmara. Ainda há dúvida
se precisa de outra votação no Senado. A expectativa
dos deputados é levar o assunto à pauta nas próximas
semanas. O entendimento é que, após a promulgação,
os suplentes tomariam posse ainda nesta legislatura.
Segundo o relator da proposta,
deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), o país ganhará
7.343 vereadores, divididos pelo número populacional de
cada Estado. Em São Paulo, diz ele, serão cerca
de mil novas vagas para os municípios. Já de acordo
com a Confederação Nacional dos Municípios
(CNM), serão 7,8 mil novas vagas.
A proposta aprovada ontem
também modifica o valor do repasse das prefeituras para
as Câmaras municipais. Pelo texto, os valores poderão
ir de 3,5% a 7% da receita da cidade, de acordo com a população.
A regra atual é de 5% a 8%.
A primeira proposta aprovada
pela Câmara reduzia o percentual para ficar entre 2% e 4,5%.
Mas, no ano passado, o Senado desmembrou a questão do repasse
da do número de vagas, adotando os valores do texto atual.
O então presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
se recusou a promulgar a PEC de forma parcial e o texto voltou
para a análise.
O deputado Faria de Sá
calcula que a redução do teto de gastos do que é
permitido hoje pela Constituição para o repasse
resultará em economia de cerca de R$ 1,4 bilhão
por ano. Já o presidente da comissão especial, deputado
Fernando Ferro (PT-PE), fala em cerca de R$ 800 milhões.
A polêmica sobre
o número de vereadores no país teve início
em 2004, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cortou cerca
de 8 mil vagas, mantendo o valor dos repasses. Isso, argumentam
os deputados, deu muito dinheiro para os atuais vereadores. Desde
então, os congressistas lutam para conseguir reverter a
decisão do Tribunal e voltar ao número de vereadores
de antigamente.
Para Faria de Sá,
as Câmaras estão sub-representadas. ''Os vereadores
de hoje são os deputados e os prefeitos de amanhã.
Estamos fazendo isso para valorizar as escolas e valorizar a nossa
política vergonhosa.''
O deputado Chico Alencar
(PSOL-RJ) disse que vai votar contra a proposta. ''Sou favorável
a repensar as representações nas Câmaras,
mas no bojo de uma reforma política mais ampla. Essa PEC
não é mais democrática, é dar mais
emprego para vereadores.''
Maria Clara Cabral
Folhapress
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AGÊNCIA DIAP,
28 de agosto de 2009
Eleições 2010 trarão
forte renovação no Senado, opina Queiroz do DIAP
Agência DIAP
O temor de que a fatura
da sucessão de escândalos seja cobrada nas urnas
encontra respaldo nos altos índices de renovação
da Casa nas últimas duas eleições, também
precedidas por grandes crises
Os dividendos da crise
que o Senado tentou sepultar na última semana com o arquivamento
das denúncias no Conselho de Ética contra o presidente
do Senado, José Sarney (PMDB/PA), levam os 30 senadores
que pretendem concorrer à reeleição em 2010
a reavaliar suas estratégias eleitorais.
Ao contrário de outras crises recentes na Casa, desta vez
o Senado não ofereceu nenhum cadáver político
à opinião pública. O temor de que a fatura
da sucessão de escândalos seja cobrada nas urnas
encontra respaldo nos altos índices de renovação
da Casa nas últimas duas eleições, também
precedidas por grandes crises.
As eleições
de 2010 colocarão em disputa dois terços das 81
cadeiras de um Senado desmoralizado diante dos eleitores. Nas
últimas duas eleições ao Senado, poucos foram
os parlamentares que conseguiram manter seus cargos.
Em 2002, logo após
o escândalo da violação do painel eletrônico,
protagonizado pelos então senadores Antonio Carlos Magalhães
- falecido em 2007 - e José Roberto Arruda (DEM/DF) - hoje
governador do Distrito Federal -, 40 das 54 vagas em disputa foram
ocupadas por políticos estreantes - renovação
de 74% da Casa.
Quatro anos depois, quando
27 vagas estavam em disputa, a renovação chegou
a 75%.
Expectativa:
mais renovação da história
Desta vez, a expectativa é de que o Senado tenha um dos
maiores índices de renovação de sua história.
"Será recorde, maior do que os mais de 70% das últimas
eleições e o desfecho dessa crise será determinante
para que isso ocorra", afirma Antônio Queiroz, assessor
parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar,
o Diap.
Queiroz acredita que a
reeleição dos senadores ainda dependerá de
muitas variáveis, como as alianças estaduais, mas
que, dessa vez, o desfecho da crise terá um papel fundamental.
"A Casa ficou paralisada,
o patrimonialismo muito exposto, mas o impacto não será
homogêneo entre todos, dependerá muito do estilo
de eleitor de cada um", afirma. Para Queiroz, o eleitor está
mais exigente em relação aos candidatos e "já
pagou o que tinha de dívida com os grandes caciques".
Segundo boletim do Diap,
a renovação recorde do Senado, em eleição
na qual estiveram em jogo dois terços das cadeiras, ocorreu
em 1994: 84% das 54 vagas em disputa. Na avaliação
feita pelo Diap à época, políticos profissionais,
tradicionais e provincianos perderam espaço, reduzindo
a pecha de "clientelista e fisiológica" da Casa.
Sem
ajustes de contas
Ao contrário das últimas crises, a atual não
ofereceu à opinião pública um ajuste de contas,
ainda que fugaz e frágil como aqueles que marcaram a história
recente do Senado. O que se viu, de lá para cá,
pode ser considerado retrocesso.
Além das sucessivas
crises, colabora para o desgaste o alto número de suplentes
que exerceu o mandato na atual legislatura (mais de 20%, em alguns
momentos), em caso de morte, renúncia ou licença
do titular.
Em 2000, pela primeira
vez em seus mais de 180 anos de história, a Casa cassou
o mandato de um senador por quebra do decoro parlamentar. Luiz
Estevão foi acusado de participar do esquema comandado
pelo juiz Nicolau dos Santos Neto, que desviou cerca de R$ 170
milhões na construção da sede do Tribunal
Regional do Trabalho de São Paulo.
Durante a sessão
que cassou Estevão, o placar eletrônico do plenário
foi violado por ACM, então presidente da Casa, e pelo então
senador tucano José Roberto Arruda. As disputas internas
pela presidência do Senado tragaram o hoje deputado federal
Jader Barbalho (PMDB-PA) para o turbilhão de escândalos
que marcariam o Senado em 2001.
Renúncias
No fim, ACM, Jader e Arruda renunciaram aos mandatos para não
evitar o risco de cassação. Hoje, Arruda e Estevão
são governador e vice do Distrito Federal. ACM voltou ao
Senado em 2002, e Jader buscou um mandato de deputado para reincorporar-se
ao Congresso.
Em 2007, foi a vez de
Renan Calheiros, então presidente da Casa, se envolver
em um escândalo por conta do pagamento de pensão
de uma de suas filhas por uma construtora. Renan escapou da cassação
do mandato, mas foi obrigado a renunciar à presidência.
Parlamentares excessivamente
identificados com a crise, como o senador Aloizio Mercadante (PT/SP),
líder da bancada, é talvez o exemplo mais eloquente.
Sua decisão de
deixar a liderança, de acordo com ele irrevogável,
foi revista menos de 24 horas depois do anúncio público,
após uma "conversa franca" com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
Na sexta-feira (21), Mercadante
subiu à tribuna para anunciar que desistira de renunciar
à liderança.
Setores do PT de São
Paulo já falam em lançar a candidatura da ex-prefeita
Marta Suplicy, que, tendo a militância a seu lado, poderia
tirar votos de Mercadante. Romeu Tuma (PTB/SP) é o outro
senador que encerra seu mandato agora e, segundo analistas, não
deve ser reeleito. Como tem candidato forte a governador, o PSDB
deve eleger senador.
Reeleição
difícil
Mercadante, acreditam analistas e mesmo correligionários,
terá uma eleição dura. Situação
bem distinta de Renan, que liderou o bloco parlamentar que defendeu
Sarney e ficou conhecido como Tropa de Choque.
"Para um candidato
que tem um eleitorado mais homogêneo e concentrado, como
o Renan, os impactos da crise não serão tão
grandes", diz Alberto Almeida, diretor geral do Instituto
Análise, que atua na área de pesquisas de mercado
e opinião pública. "Na outra ponta, Mercadante
deve sofrer mais".
Almeida, no entanto, minimiza
os efeitos da crise sobre a reeleição dos senadores.
Para ele, as alianças regionais e, principalmente, os candidatos
a governador que estarão na mesma chapa, têm um peso
maior.
"O Senado é
uma Casa meio nebulosa para a população, boa parte
do eleitorado vota no senador por conta do candidato ao Governo,
por isso a campanha ao Senado tem o menor custo em relação
ao volume de votos obtidos", diz.
Impactos
da crise
O senador Demóstenes Torres (DEM/GO), que atuou ativamente
pelo afastamento de José Sarney, concorda com Almeida,
mas acredita que, desta vez, os impactos da crise serão
sentidos por todos, independente das alianças.
"O índice
de renovação será altíssimo, será
uma eleição muito dura", diz. Para ele, os
problemas do Senado chegaram a um ponto de saturação
inédito. "A crise atual é resultado de problemas
antigos que não foram resolvidos no passado e a coisa chegou
a um ponto insustentável, de descrença da população",
afirma. (Fonte: Valor Econômico)
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CUT, 28 de agosto de
2009
PEC 270
Audiência aponta unanimidade
no apoio à aposentadoria integral por invalidez
Escrito por Condsef
A Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço
Público Federal) foi uma das entidades convidadas a compor
a mesa da audiência pública que discutiu, nesta quarta-feira,
26, proposta de emenda à Constituição (PEC)
270 na Câmara dos Deputados. O diretor da entidade, Sérgio
Ronaldo da Silva (foto), falou sobre a luta da Condsef e suas
filiadas em busca da garantia de concessão de aposentadoria
integral a servidores afastados por invalidez permanente. Todas
as entidades presentes à audiência foram unânimes
ao defender a aprovação urgente da PEC. Diante da
investida dos movimentos organizados, o relator da PEC, deputado
federal Arnaldo Faria de Sá, informou que é intenção
da comissão criada para proferir parecer sobre a PEC 270
aprovar o texto da forma como foi proposto pela autora, deputada
Andreia Zito. O objetivo é dar agilidade ao fechamento
do relatório final da comissão para corrigir a injustiça
promovida pelo governo com esses servidores quando da publicação
da Emenda Constitucional (EC) 41.
Faria de Sá também
mencionou que é provável que com a aprovação
da PEC 270, os servidores aposentados por invalidez permanente
não precisem aguardar aprovação da PEC 555/2006
que ainda aguarda constituição de comissão
temporária na Câmara dos Deputados. "Esta agilidade
realmente interessa a esses trabalhadores que estão vivendo
em condições precárias no momento em que
mais necessitam de auxílio e cuidados especiais",
pontuou Sérgio Ronaldo.
A PEC 270/08 garante aposentadoria
integral por invalidez permanente, quando decorrente de acidente
em serviço, moléstia profissional ou doença
grave, contagiosa ou incurável, especificada em lei, a
partir de 2004. Para ter direito à integralidade, ou seja,
à paridade, os servidores devem ter ingressado no serviço
público até 16 de dezembro de 1998.
Desesperados - Em relatos
recebidos pela Condsef por parentes, fica clara a situação
absurda que o governo vem obrigando esses servidores e suas famílias
a enfrentar. Acometidos por doenças graves e impedidos
de voltar a trabalhar em qualquer atividade, muitos servidores
tiveram seus salários reduzidos em mais de 50%.
Por não concordar
com a continuidade desta política "genocida"
a Condsef vai intensificar a campanha pela aprovação
da PEC 270/08. Para a Condsef, o governo não pode colocar
esses trabalhadores e trabalhadoras em situações
humilhantes. A entidade orienta sias filiadas a ampliar a pressão
junto aos parlamentares em seus estados para garantir a aprovação
urgente desta PEC.
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AGÊNCIA DIAP,
28 de agosto de 2009
Ministério da Previdência
detalha mudanças nas regras para aposentadoria
Parlamentares e centrais sindicais iniciaram, nesta quarta-feira
(26), uma corrida contra o tempo para garantir a aprovação
imediata, pelo Congresso, do acordo celebrado na terça-feira
(25), em favor dos aposentados, dos desempregados e, em geral,
dos trabalhadores.
A primeira etapa a vencer
- e a mais fácil e rápida - para que o acordo vigore
no ano que vem é a redação, pelo deputado
Pepe Vargas (PT/RS), da nova proposta a ser submetida aos plenários
da Câmara e do Senado.
Leia, abaixo, o que vai
mudar na Previdência com a aprovação do acordo,
segundo nota distribuída à noite passada pela Previdência:
Reajuste
dos benefícios
Como é: o valor das aposentadorias e pensões é
corrigido pelo índice da inflação (INPC)
A mudança: Quem
receber benefício de valor igual ao salário mínimo
terá reajuste não apenas pela inflação,
mas com o acréscimo de 100% da variação do
PIB no segundo ano anterior. Os benefícios de valor superior
ao do salário mínimo serão reajustados igualmente
pelo índice de inflação, mas com acréscimo
de 50% da variação do PIB.
A data-base do reajuste
será antecipada em um mês a cada ano.
Cálculo
de tempo para aposentadoria
Como é: o fator previdenciário inibe a aposentadoria
precoce penalizando, com perda de até 32% do benefício,
quem se aposenta cedo.
A mudança: o fator
previdenciário será substituído pela fórmula
95/85 ou 90/80 (esta para professores e demais segurados especiais).
Para ter direito à aposentadoria integral, a soma da idade
e do tempo de contribuição terá que ser de
95 para o homem e de 85 para a mulher.
No caso de professores
e outros segurados especiais a soma terá que ser de 90
para os homens e de 80 para as mulheres. Quem quiser a aposentadoria
proporcional antes da idade mínima ou do tempo de 35/30
anos de contribuição, terá nova fórmula
para calcular o benefício.
Cálculo
do valor da aposentadoria
Como é: é utilizada a média dos 80% maiores
salários de contribuição.
A mudança: passará
a ser usada a média dos 70% maiores salários de
contribuição, a partir de julho de 1994.
Situação
dos desempregados
Como é: em caso de desemprego, a contagem de tempo para
aposentadoria é suspensa. Estima-se que, entre um emprego
e outro, o trabalhador perde até dois anos quando completa
os requisitos para se aposentar.
A mudança: a contagem
do tempo não será suspensa em caso de desemprego
e nem de aviso prévio. O vai descontar do seguro-desemprego
a contribuição previdenciária.
Proteção
contra demissões
Como é: não existe qualquer amparo legal contra
demissão de trabalhador próximo da aposentadoria.
A mudança:
o trabalhador terá garantia de emprego durante o período
de 12 meses que lhe falta para a aposentadoria. (Fonte: Brasília
Confidencial)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/08/2009
Ausência de perícia não
impede pagamento de insalubridade
“A realização
de perícia é obrigatória para a verificação
de insalubridade. Quando não for possível sua realização,
como em caso de fechamento da empresa, poderá o julgador
utilizar-se de outros meios de prova”. É o que estabelece
a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (Orientação
Jurisprudencial nº 278 da SDI-1), e, com base nela, a Oitava
Turma do Tribunal rejeitou o recurso da Pharmacia Brasil Ltda.
contra condenação ao pagamento do adicional de insalubridade
no grau médio a duas ex-empregadas aposentadas.
As empregadas ajuizaram
ação na Justiça do Trabalho visando ao recebimento
do adicional, por terem trabalhado em locais com exposição
a ruídos acima de 85 decibéis e terem tido contato
com alguns agentes químicos. A sentença de primeiro
grau indeferiu os pedidos, mas o Tribunal Regional do Trabalho
da 1ª Região (RJ), ao julgar recurso ordinário,
entendeu necessária a realização de perícia.
O artigo 195 da CLT prevê que, nas ações trabalhistas
com pedido de adicional de insalubridade, o juiz deverá
designar perito especializado para averiguar tais condições,
pois somente o perito, com conhecimento técnico, poderá
atestar se a atividade desenvolvida pelo empregado é perigosa
ou não.
Ao ajuizar a ação,
as empregadas já estavam aposentadas, e o local em que
trabalharam havia sido desativado. Elas solicitaram que se considerassem
as demais provas reunidas no processo, como os laudos individuais,
concedidos pela empresa para fins de aposentadoria especial. Com
base no PPP – Perfil Profissiográfico Previdenciário,
emitido pelo INSS, o Regional comprovou o trabalho em atividades
insalubres (com excesso de ruído) durante toda a jornada
e sem o uso de protetor auricular, e deferiu, assim, o adicional
em grau médio, com reflexos nas demais verbas, calculado
sobre o salário mínimo da região.
Ao examinar recurso de
revista da empresa, a relatora no TST, ministra Dora Maria da
Costa, chegou à mesma conclusão. “O TRT considerou
válida a perícia que alicerçou o laudo da
aposentadoria especial, pois o local de trabalho já havia
sido desativado”, afirmou. A ministra citou o Regional para
explicar que, embora a finalidade do PPP somente tenha sido normatizada
em 2003, os laudos individuais realizados pelas empresas para
concessão de aposentadoria especial são realizados
de forma individual, por profissionais qualificados e registrados
junto ao Ministério do Trabalho, com o aval da empresa
– que, ao assiná-los, assume as condições
de trabalho ali descritas. ( RR 2127/1999.204.01.00.3)
(Lourdes Côrtes)
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de agosto de 2009 | Economia
Salário em serviços
teve alta real de 9,3% em 2007
Agência Estado
O setor de serviços registrou um crescimento real (descontada
a inflação) de 9,3% dos salários, retiradas
e outras remunerações em 2007, na comparação
com 2006, de acordo com a Pesquisa Anual de Serviços (PAS)
2007, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Não se trata de salário
médio, mas do conjunto de remunerações, incluindo
comissões e outras rendas.
Na comparação
com 2006, os maiores aumentos reais do total de remunerações
no setor de serviços vieram do grupo "Outras atividades
de serviços", com 28,6%, principalmente da parte de
serviços financeiros de corretoras e distribuidoras de
valores mobiliários pela alta da Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa). Também houve aumento expressivo nas atividades
imobiliárias e de aluguel de bens (18,6%), nos serviços
de informação (10,3%) e nos serviços prestados
às famílias (9,8%).
A PAS abrange só
uma parte do setor de serviços que aparece como componente
do PIB. Enquanto na pesquisa de Contas Nacionais, o setor de serviços
representava 65,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2006, os
setores contemplados pela PAS representavam apenas 13,3% do PIB
no mesmo ano.
Salário médio
O salário médio
mensal dos trabalhadores do setor de serviços registrou
ganho real de 1,5% em 2007 em relação a 2006, revelou
a PAS. Na comparação com 2003, o ganho salarial
real foi de 6,3%, informou a gerente de Análise de Dados
da Coordenação de Serviço e Comércio
do IBGE, Juliana Vasconcellos.
Ela explicou que é
tradicional no IBGE fazer as comparações salariais
com base no salário mínimo, o que, no caso da PAS,
resulta em queda nas duas comparações. No entanto,
não há um recuo das remunerações em
valor real. "O salário mínimo está crescendo
mais que as demais remunerações", disse Juliana.
Ela comentou que 2007 "foi um ano muito bom para a economia".
Juliana ressaltou
que os segmentos que tradicionalmente pagam mais, como telecomunicações
e o setor aéreo, apresentaram as maiores quedas proporcionais.
Isso porque são segmentos em que a remuneração
não está atrelada aos reajustes do salário
mínimo. A PAS de 2007 tem como foco a evolução
de empregos e salários no setor.
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AGÊNCIA DIAP,
27 de agosto de 2009
Estudo do Dieese mostra que economia
suporta redução da jornada
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) apresentou estudo com 17 argumentos a favor da proposta
de redução da jornada de trabalho de 44 para 40
horas semanais.
A mudança na legislação
está prevista na proposta de emenda à Constituição
debatida na Câmara.
Entre os principais pontos
do estudo, está a constatação de que a jornada
de trabalho no Brasil é uma das maiores no mundo. O estudo
também aponta que, no Brasil, além da extensa jornada,
não há limite semanal, mensal ou anual para a execução
de horas extras.
Isso, segundo o Dieese,
torna a taxa de realização de horas extras no País
uma das mais altas no mundo.
Além de ter capacidade
de reduzir a jornada de trabalho sem queda no faturamento das
empresas, o estudo revela que a economia pode gerar novos postos
de trabalho, já que o país registrou crescimento
econômico nos últimos cinco anos e tem perspectivas
positivas para o futuro.
"O tempo de trabalho
total, além de extenso, está cada vez mais intenso,
em função de diversas inovações técnico-organizacionais
implementadas pelas empresas, como a polivalência, o just
in time, as metas e a redução das pausas",
diz o trabalho do Dieese.
Segundo o departamento,
a atual jornada de trabalho de 44 horas semanais está provocando
o aumento dos índices de faltas e o aparecimento de um
número maior de pessoas doentes por estresse, depressão,
hipertensão, distúrbios no sono e lesões
por esforços repetitivos.
Além disso, segundo
o estudo, não haveria aumento significativo de custos para
as empresas. "Uma redução da jornada de trabalho
de 44 horas para 40 horas semanais representaria um aumento no
custo total de produção de apenas 1,99%", defende
o texto.
Na comissão geral
realizada ontem, o diretor técnico do Dieese, Clemente
Ganz Lúcio, afirmou que a decisão sobre redução
da jornada de trabalho é eminentemente política.
"O Brasil está
preparado para conduzir uma redução da jornada de
trabalho que elevará a qualidade de vida do seu povo e
garantirá produtividade às empresas", defendeu
Clemente.
Ele destacou que
o crescimento da produtividade da indústria nos últimos
20 anos é de quase de 85% e que o Brasil tem um custo/hora/trabalho
em dólar de 5,94%, um dos mais baixos do mundo. (Fonte:
Agência Informes)
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O ESTADO DO PARANÁ,
27 de agosto de 2009 | Economia
Abono salarial começa a
ser pago
Redação
O abono salarial de R$ 465 já está sendo pago para
757 mil trabalhadores que nasceram no mês de setembro. O
valor total dos pagamentos será de R$ 352 milhões.
O benefício é
direito de todo brasileiro que está cadastrado no PIS/Pasep
há, no mínimo, cinco anos. No caso do PIS, 617 mil
beneficiados poderão sacar o dinheiro na Caixa. Já
para o Pasep, 140 mil pessoas deverão utilizar o Banco
do Brasil.
Para ter direito ao abono
é necessário ter trabalhado com carteira assinada
ou ter sido nomeado efetivamente em cargo público, pelo
menos por 30 dias, e ter recebido, em média, até
dois salários mínimos. Para sacar o dinheiro também
é possível utilizar o Cartão Cidadão
(com senha cadastrada).
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FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de agosto de 2009 | Dinheiro
Câmara aprova usar até
30% do FGTS no PAC
Deputados também autorizam governo
a elevar transferência de recursos para o fundo de investimento
do FGTS
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Câmara dos Deputados
autorizou os trabalhadores a usarem até 30% do saldo na
conta do FGTS para aplicar no fundo de investimento criado pelo
governo para financiar as obras de infraestrutura do PAC. O limite
atual, proposto pelo governo, é de 10%.
Os deputados também aprovaram permissão para o governo
aumentar a transferência de recursos do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço para o fundo de investimento do próprio
FGTS. O limite passa a ser o de 80% do patrimônio líquido
do fundo registrado em 31 de dezembro do exercício anterior
àquele em que der a autorização para a integralização
das cotas. Atualmente, o limite já é de 80%, mas
do patrimônio líquido registrado em 2006.
As mudanças foram incluídas na MP 464, que permitiu
ao governo injetar verba em fundos de aval para micro e pequenas
empresas, visando fomentar o mercado de crédito para esse
setor. A MP, que ainda será votada no Senado, trata ainda
da liberação de R$ 1,9 bilhão para Estados
e municípios para o incentivo às exportações.
O líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), criticou
a alteração feita pelo relator da MP, deputado Átila
Lins (PMDB-AM). Para Caiado, a emenda não tem nenhuma relação
com a medida. Ele lembra que o presidente da Câmara, Michel
Temer (PMDB-SP), proibiu os chamados "contrabandos",
ou seja, a inclusão de temas diferentes do original da
medida provisória.
Caiado pediu questão de ordem, que foi rejeitada por Temer.
O deputado deve recorrer da decisão à Comissão
de Constituição e Justiça. Ele disse ainda
que as mudanças têm o único intuito de direcionar
mais recursos para o PAC em ano pré-eleitoral. "Isso
é uma clara tentativa de buscar mais verbas para o PAC.
Então que façam uma MP apenas para isso."
Átila Lins disse que o uso do fundo só até
2006 estava engessando projetos estruturantes do país.
"O fundo estava parado, por isso fiz a mudança."
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AGÊNCIA DIAP,
27 de agosto de 2009
PLS 248/06: senadora Kátia
Abreu (DEM/TO) requer discussão na CCJ
Nesta terça-feira (25), a senadora Kátia Abreu (DEM/TO)
apresentou ao plenário do Senado requerimento 1.055/09,
a fim de que o PLS 248/06, que trata da regulamentação
de cobrança pelos sindicatos da taxa assistencial em razão
da assinatura de acordo ou convenção coletiva de
trabalho, seja examinado também pela Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania.
Trata-se de uma medida
protelatória, pois a matéria não tem caráter
constitucional. O requerimento ainda será votado no plenário,
mas como se trata de votação simbólica, se
for a votos, é difícil que seja rejeitado.
Especula-se que esta atitude
da senadora se deu em razão de os sindicalistas que acompanhavam,
na última terça-feira (25), a comissão geral
da Câmara que debateu a redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas, terem vaiado o discurso dela
contra a PEC 231/95.
Em política tudo
é possível, até atitudes assim.
Desse modo, só
resta agora ao movimento sindical continuar a pressão para
que a CCJ também aprove o projeto, nos termos em que foi
chancelado nas comissões de Assuntos Sociais (CAS), e de
Assuntos Econômicos (CAE).
O relator da matéria
na CCJ será o senador Inácio Arruda (PCdoB/CE),
que também relatou a matéria nas duas comissões
anteriores.
Por fim, o projeto vai
ao exame do plenário em turno único, que se aprová-lo
remete-o à discussão na Câmara dos Deputados.
Tática
Mesmo que o projeto ainda tenha que ser examinado pela CCJ, convém
ao movimento sindical comece já as articulações
com os líderes partidários e o presidente da Casa,
José Sarney (PMDB/AP), para incluir na pauta do plenário
a matéria.
Esse trabalho pode
ser feito concomitante ao de conversas com o presidente da CCJ,
senador Demostenes Torres (DEM/GO), bem como os membros do colegiado,
a fim de votar logo o projeto e remetê-lo à votação
final na Casa. (Marcos Verlaine)
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AGÊNCIA DIAP,
27 de agosto de 2009
Governo concorda em acabar com fator
previdenciário, diz a CUT
As negociações
das centrais sindicais com o Governo evoluem para aumento real
nos próximos dois anos, recuperação do poder
de compra e fim do fator previdenciário, de acordo com
avaliação da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
A reunião prossegui,
nesta terça-feira (25), a partir das 18h. Houve avanços,
na avaliação de Artur Henrique presidente nacional
da CUT, presente à reunião de ontem, que durou mais
de cinco horas.
De acordo com Henrique,
o Governo se comprometeu a orientar a base aliada e as lideranças
partidárias no Congresso Nacional para aprovar com rapidez
a lei que estabelece a política de valorização
do salário mínimo.
A aprovação
é considerada fundamental para dar continuidade aos reajustes
reais que estão beneficiando mais de 18 milhões
de aposentados e pensionistas que recebem até um mínimo.
Esse contingente representa 70% dos aposentados no país.
Ainda de acordo com o
presidente da CUT, outro avanço foi o compromisso de que
haverá aumento real em 2010 e 2011 para as aposentadorias
acima de um salário mínimo. Também será
montada uma comissão para elaborar um projeto de valorização
permanente dessas aposentadorias.
"O Governo pretendia
oferecer um abono para 2010, o que era muito pouco. Queremos garantir
aumento real para os dois anos seguintes e também para
os próximos, independentemente dos resultados da eleição
no ano que vem", disse Artur Henrique.
O Governo federal também
concordou em acabar com o fator previdenciário, reivindicação
de todas as centrais. Mas apresenta como alternativa o fator 85/95,
que é considerado insuficiente pelas entidades.
"Como a maioria do
povo começa a trabalhar muito cedo, muitas vezes fica na
informalidade e ainda sofre com a alta rotatividade do mercado
de trabalho, é muito difícil comprovar o tempo de
contribuição", explica Quintino Severo.
Pela regra do fator 85/95,
o segurado teria direito ao benefício integral quando a
soma da idade e do tempo de contribuição fosse 95,
para homem, ou 85, para mulher.
Para superar esse impasse,
todas as centrais então defendem três mudanças
importantes. A primeira é de que o tempo em que o trabalhador
ou a trabalhadora receber seguro-desemprego, ao longo de sua carreira,
seja contado como contribuição.
Outro ponto cobrado pelas
centrais é que os trabalhadores passem a ter garantia de
emprego quando estiverem a 36 meses de se aposentar, também
como forma de superar as deficiências do fator 85/95.
Por fim, que a tábua
de expectativa de vida, que faz com que a idade mínima
exigida para as aposentadorias aumente à medida em que
aumenta a média de vida da população, seja
congelada.
A CUT também insistiu
na mudança do cálculo das novas aposentadorias,
de forma a garantir que sejam estabelecidas com base na média
das 60% maiores contribuições, o que eliminaria
do cálculo 40% das menores - aumentando assim o valor recebido
pelos aposentados.
O relator dos projetos
em tramitação na Câmara, deputado Pepe Vargas
(PT/RS) admitiu na reunião aplicar a média das 70%
maiores contribuições (a proposta original do Governo
é 80%, o que eliminaria apenas a média das 20% menores
contribuições). Estes pontos voltaram a ser debatidos
na terça-feira à noite, segundo a CUT. (Fonte: Brasília
Confidencial)
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Agência Diap,
26 de agosto de 2009
Jornada: mais uma vez comissão
geral expõe divergências sobre o tema
Lupi rebate propaganda catastrofista feita
pelos empresários, que "a medida não provocará
falência de empresas ou demissão de empregados, uma
vez que a participação da massa salarial no custo
do produto de uma empresa é de 22%"
Marcos Verlaine
Previsto para começar
às 9h30, o debate sobre a redução da jornada
de trabalho para 40 horas semanais no plenário da Câmara.
A diferença desta vez é que os empresários
se mobilizaram e compareceram em peso.
O que foi bom, pois deu
e dará mais visibilidade política e midiática
ao tema e, por consequência, ao debate.
Ao abrir a sessão
da Câmara e transformá-la em comissão geral,
o presidente da Casa, Michel Temer (PMDB/SP), em tom conciliador
e mediador disse que o papel do Congresso Nacional será
o de filtrar essas discussões e tentar produzir um entendimento.
Temer ponderou que tanto
os defensores das 40 horas quanto os das 44 horas pensam no desenvolvimento
do País, e os argumentos de ordem prática devem
prevalecer.
"Queremos ouvir os
especialistas, com argumentos de ambos e transformar este plenário
no centro dos debates sobre temas de importância nacional",
disse.
Contra
o catastrofismo
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi abriu os debates
rebatendo a propaganda catastrofista feita pelos empresários,
que a medida não provocará falência de empresas
ou demissão de empregados, uma vez que a participação
da massa salarial no custo do produto de uma empresa é
de 22%.
"A redução
da jornada de trabalho terá impacto de 1,99 ponto percentual
nesse custo, que passaria para 23,99%, praticamente 24%",
disse.
Hora
extra
O ministro também disse que existe hoje uma prática
abusiva das horas extras. "Essa prática, além
de diminuir o rendimento do trabalho, tira a vaga de trabalho
de vários outros trabalhadores".
A PEC 231/95, além
da redução da jornada, prevê a elevação
do valor da hora extra para 75% sobre o da hora normal.
A
voz dos patrões
O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria),
deputado Armando Monteiro Neto (PTB/SP) deu o tom sobre o tema
pelo lado empresarial.
Segundo ele, os dados
do ministro do Trabalho sobre jornadas de trabalho em outros países,
em sua maioria inferior à do Brasil, dizem respeito à
jornada média nesses países, e não à
jornada legal.
Armando Monteiro frisou
que, no Brasil, a jornada média já é inferior,
mas não seria oportuno diminuir a jornada legal obrigatória.
Por fim, Monteiro disse
que não há nenhuma evidência empírica
de que a redução da jornada provoca aumento do número
de empregos.
Centrais
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira
da Silva (PDT/SP) disse que a mudança não levará
empresas à falência, mas beneficiará o Brasil.
"O que quebra uma
empresa é o excesso de imposto e não a redução
da jornada de trabalho. De 1988 [ano em que a jornada passou de
48 para 44 horas] para cá, a produtividade no Brasil mais
que triplicou. O País ganhou mercado e conseguiu até
melhorar salário", argumentou.
O presidente da CUT, Artur
Henrique da Silva Santos defendeu a redução da jornada
de trabalho com base no fato de a produtividade ter aumentado
na última década, da mesma forma que o patrimônio
e o valor das empresas.
Para ele, isso demonstra
que há espaço para a redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Mais
tempo para família
Já o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
(CGTB), Antônio Neto, ressaltou que o principal benefício
para os trabalhadores será o tempo para a família,
para a educação e qualificação profissional.
"Ninguém mais
consegue viver com dignidade nas grandes cidades com o trânsito,
duas horas no mínimo para chegar ao trabalho, e tendo de
trabalhar aos sábados, o que além de tudo aumenta
os acidentes de trabalho", definiu.
Na mesma linha de raciocínio,
o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo
Patah, disse que há categorias que trabalham 40 horas,
e até menos, mas há trabalhadores de primeira e
de segunda categoria.
"Eu sou comerciário,
e nossa categoria trabalha 54 horas por semana, como podemos cuidar
de nossas famílias?", indagou.
Inclusão
na ordem do dia
Ao discursar na tribuna, o presidente da Força apresentou
requerimento de inclusão da proposta na ordem do dia da
Câmara.
O documento assinado por
ele e pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB/SP) só não
recebeu a assinatura do líder do DEM, deputado Ronaldo
Caiado (GO).
O requerimento recebeu
o apoio dos líderes da base e da oposição
- PMDB, PT, PDT, PV, PP, PRB, PTC, PTB, PSB, PTdoB, PR, PMN, PHS
e PCdoB.
E ainda do PSDB, PPS e
também do líder do Governo e de outros tantos deputados
que apóiam a iniciativa.
A proposta foi aprovada
em forma de substitutivo do relator, deputado Vicentinho (PT/SP),
por unanimidade, na comissão especial, em 30 de junho.
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Agência Unb,
26 de agosto de 2009
Marcio Pochmann defende jornada
de 12 horas semanais
Enquanto nesta terça
(25) pela manhã, na Câmara dos Deputados, trabalhadores
e empresários não se coadunavam em torno da proposta
de redução da jornada de trabalho de 44 para 40
horas semanais, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica
e Aplicadas (Ipea), Marcio Pochmann, surpreendia uma pequena plateia
de professores e estudantes no Campus da Universidade de Brasília
(UnB) com a seguinte afirmação: “Não
há mais razão para se trabalhar mais do que 12 horas
por semana.”
O economista participou
do seminário da Comissão UnB 50 anos de Brasília
que debateu o tema “Como será o trabalho no século
XXI?”. Ele, que prevê uma jornada de quatro e apenas
três dias por semana, diz que as condições
para isso já estão colocadas.
Pochamann explicou que
há o chamado excedente imaterial gerado pelo trabalho intelectual.
“As pessoas não trabalham oito horas por dia, elas
trabalham 24 horas, porque estão plugadas o tempo todo,
gerando conhecimento que está sendo absorvido pelas empresas”,
diz um trecho da palestra divulgada em matéria da Agência
UnB.
Com o contingente maior
de pessoas produzindo num ambiente de trabalho onde o setor de
serviço é hegemônico - no Brasil 70% dos postos
de trabalho já estão no setor contra um índice
de 90% no mundo -, a redução da jornada passa a
ser uma realidade.
O presidente do Ipea só
alerta para o fato de que o trabalhador ainda não põe
na sua conta o excedente imaterial, isto é, as horas em
que permanece na empresa pensando como melhorar o serviço.
Como isso ainda não é medido, a empresa se apropria.
Segundo Pochamann, no
campo educacional, a situação também terá
que ser diferente. “A escola será para a vida toda,
e vai ensinar para a vida, não para o trabalho (...) Temos
que abandonar a escola utilitarista”, destacou Pochamann.
Pensamento utópico
Segundo a Agência
UnB, Pochmann reconhece que essas propostas talvez representem
um sonho utópico, que nunca se realizará. “Mas
destaca que tudo isso são decisões políticas,
que dependem da vontade da sociedade organizada para acontecer.
E lembra que o Brasil, infelizmente, está no caminho contrário.”
“Estamos cada vez
mais ignorantes. De cada dez jovens com 18 a 24 anos de idade,
apenas um está estudando”, diz Pochmann, criticando
a ida cedo ao mercado de trabalho por causa da falta de condições
da família em manter os jovens na escola.
Pelos cálculos
do economista, existem estudante com jornada de 16 horas, isso
levando em conta as oito horas no emprego, quatro na faculdade
e quatro para o deslocamento. “É uma jornada de trabalho
igual a dos operários do século XIX. Como é
que alguém vai ter tempo de ainda abrir um livro? Estudar
e trabalhar não combina.”
De Brasília,
Iram Alfaia com informações da Agência UnB
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FOLHA DE LONDRINA, 26
de agosto de 2009 | Economia
PR registra aumento no nível
de emprego
Curitiba - O nível
de emprego no Paraná teve um crescimento de 2,22% de janeiro
a julho deste ano, o que significou a criação de
47.433 vagas, o pior resultado desde 2000. Em julho, foram abertos
6.922 postos de trabalho com aumento de 0,32%. As informações
foram divulgadas ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Ainda no mês passado,
o interior apresentou crescimento de 0,36% e a Região Metropolitana
de Curitiba de 0,24%.
Nos primeiros sete meses
do ano, os maiores aumentos foram nos setores de alimentos e bebidas
(13.494 vagas), construção civil (6.225 vagas),
comércio varejista (3.846), comércio atacadista
(2.443), administração pública (1.643), agropecuária
(3.574), serviços (21.760), com destaque para hotéis
e restaurantes (6.395) e ensino (4.039).
Os setores que mais demitiram
foram madeira e mobiliário (-2.657 vagas), material de
transporte (-1.633), metalúrgica (-880), material elétrico
e de comunicações (-728), mecânica (-424)
e borracha, fumo e couros (-411).
Entre os três Estados
do Sul, Santa Catarina apresentou o maior aumento do nível
de emprego em julho, com aumento de 0,33%. O Paraná ocupou
a segunda posição com 0,32% e o Rio Grande do Sul
teve redução de -0,02%. Nos sete primeiros meses
do ano, o Paraná ficou com o melhor desempenho.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 26
de agosto de 2009
Protesto
Oposição renuncia
a vagas no Conselho de Ética do Senado
Brasília - Inconformada com o arquivamento sumário
das 11 denúncias contra o presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP), a oposição ontem tomou duas medidas
para marcar posição política: formalizou
a renúncia coletiva de seus nove representantes no Conselho
de Ética (cinco titulares e quatro suplentes); e promoveu
um boicote a uma reunião de líderes partidários
convocada por Sarney para tentar definir uma pauta de votações
no plenário. O encontro, que não contou ainda com
os petistas, acabou fracassando.
Já o senador Eduardo
Suplicy (PT-SP) voltou ontem a criticar e pedir a renúncia
de Sarney. O petista chegou a mostrar um cartão vermelho
– como o mostrado pelos juízes no futebol –
para o presidente da Casa, que já não estava no
plenário. O senador Heráclito Torres (DEM-PI) tomou
as dores de Sarney e bateu boca com Suplicy. O petista também
deu vermelho para o democrata.
Efeito zero
Como o efeito prático
da renúncia é zero – o Conselho de Ética
poderá continuar funcionando normalmente, se a cada reunião
houver um quórum mínimo de sete senadores –,
PSDB e DEM vão tentar aprovar hoje, na Comissão
de Constituição e Justiça, um projeto de
resolução alterando sua composição,
de forma a impedir o que classificam de loteamente partidário
do conselho.
“O Conselho de Ética
não pode ser loteado pelos partidos. Por isso defendemos
a mudança de sua composição”, afirmou
o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra.
A ideia é aproveitar
os três projetos de resolução que estão
tramitando na CCJ, entre eles o do senador Tião Viana (PT-AC)
que propõe a extinção do Conselho de Ética,
e apresentar um substitutivo estabelecendo uma composição
paritária, ou seja, com um representante de cada partido
com assento na Casa. Hoje, as 15 vagas no Conselho
são distribuídas de forma proporcional ao tamanho
das bancadas partidárias, assim como ocorre nas demais
comissões do Senado. Isso dá ao PMDB e partidos
da base controle total sobre as votações.
Caberá ao senador
Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA),
relator dos três projetos de resolução, elaborar
o substitutivo que deverá proibir ainda que sejam indicados
para compor o Conselho de Ética suplentes ou senadores
que respondam a processos criminais por improbidade administrativa
ou que tenham tido suas contas rejeitadas por qualquer Tribunal
de Contas.
A oposição
planeja ainda retirar do presidente do Conselho o poder de arquivar
de forma imperial, representações apresentadas por
partidos políticos.

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Gazeta do Povo, 26 de agosto
de 2009
Educação
Ensino médio obrigatório
é aprovado pela Câmara
Os estados e o Distrito Federal serão obrigados
a oferecer vagas a todos os interessados em ingressar no ensino
médio. Ontem a Comissão de Constituição,
Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara Federal
aprovou o Projeto de Lei número 7.409/06, que prevê
a universalização do ensino médio. A proposta
segue direto para a sanção presidencial.
Atualmente, por meio da Lei de Diretrizes
e Bases da Educação (LDB), os estados e municípios
são obrigados a universalizar o acesso ao ensino fundamental,
e aumentar, progressivamente, a cobertura do ensino médio.
A lei passa a valer no primeiro dia do ano seguinte ao que for
sancionada.
O relator da proposta na Comissão
de Educação da Câmara, deputado federal Lelo
Coimbra (PMDB-ES), explica que em 2006 foi criado o Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica e de
Valorização dos Profissionais da Educação
(Fundeb), assegurando mais recursos para a educação
básica como um todo, incluindo o ensino médio. “Se
já temos mecanismos de financiamento não tem por
que fazer com que somente o ensino fundamental tenha oferta obrigatória”,
afirma Coimbra.
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Agência Câmara,
26 de agosto de 2009
Aposentadoria acima do mínimo
terá aumento real de 2,5% em 2010
Acordo foi fechado nesta
terça-feira em reunião de parlamentares com representantes
do governo e de centrais sindicais em Brasília. Para valer,
o novo critério de reajuste ainda precisará ser
aprovado pelo Congresso.
As aposentadorias e pensões
acima de um salário mínimo serão reajustadas,
a partir de 2010, com base na inflação mais a metade
do crescimento do PIB
registrado dois anos antes da concessão do aumento. Para
o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força
Sindical, o acordo é histórico. "Estamos instituindo,
pela primeira vez na história do Brasil, um aumento real
para aposentados que ganham acima do mínimo. Em 2010, por
exemplo, eles terão pelo menos 2,5% de reajuste real, acima
da inflação", afirmou.
O ministro da Previdência,
José Pimentel, disse que o impacto do reajuste será
absorvido sem maiores problemas. "Nós vamos pagar
a inflação integral, como já vinha sendo
feito desde 2006. O reajuste será dado em janeiro de 2010.
E o impacto, para cada ponto percentual de ganho real, será
de R$ 1,2 bilhão", informou. Segundo ele, a medida
beneficiará 8,2 milhões de aposentados e pensionistas.
Em 2010, o cálculo
para o reajuste será feito com base no PIB de 2008. Já
em 2011, será usado o PIB de 2009, e assim por diante.
Substitutivo
Para entrar em vigor em janeiro de 2010, esse aumento ainda precisará
ser aprovado pelo Congresso. Ele fará parte do substitutivo
que o deputado Pepe Vargas (PT-RS) vai apresentar ao Projeto de
Lei 3299/08,
que acaba com o fator
previdenciário.
Pepe Vargas adiantou outros
pontos do novo texto. Um deles será a extinção
do fator previdenciário quando a soma da idade com o tempo
de contribuição do segurado for de 95 para o homem
e 85 para mulher; ou 90 para o professor e 80 para a professora
do ensino fundamental.
Além disso, mudará
o cálculo da média do salário de benefício:
em vez de 80% das maiores contribuições, passarão
a ser levadas em conta 70% das maiores contribuições.
"Isso permite, portanto, um maior descarte das contribuições
mais baixas, o que elevará o valor da aposentadoria em
todas as situações", explicou o deputado.
O período de aviso-prévio
do trabalhador e o tempo de seguro-desemprego passarão
a contar para fins de tempo de contribuição à
Previdência. "E haverá garantia no emprego quando
o segurado chegar a 12 meses de sua aposentadoria", acrescentou
Pepe Vargas.
Concessão
Diante do acordo, as centrais sindicais se comprometeram a não
insistir na aprovação de três matérias:
- o texto atual do PL 3299/08, sobre o fator previdenciário;
- a emenda do senador Paulo Paim (PT-RS) ao PL 1/07 que garante,
às aposentadorias, o mesmo percentual de reajuste do salário
mínimo;
- e o reajuste de 16,7% para aposentados e pensionistas que ganham
mais que um salário mínimo, aprovado pelo Congresso
na forma de emenda à MP 288/06 e vetado em seguida pelo
presidente Lula.
O líder do governo,
deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse que vai reunir os líderes
da base aliada ao Executivo com ministros e presidentes de centrais
sindicais, para agilizar a tramitação na Câmara
do substitutivo de Pepe Vargas.
A reunião desta
terça-feira entre parlamentares e representantes do governo
e das centrais aconteceu no Centro Cultural do Banco do Brasil
(CCBB).
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de agosto de 2009 | Economia
Redução da jornada
de trabalho é polêmica
Helio Miguel
A polêmica proposta de redução da jornada
máxima de trabalho, de 44 para 40 horas semanais, que estará
em discussão hoje em comissão geral da Câmara
dos Deputados, em Brasília, está mobilizando o setor
empresarial paranaense.
Dirigentes e empresários
ligados à Federação das Indústrias
do Estado do Paraná (Fiep), que são contra a forma
como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95 está
sendo colocada, formaram uma comissão para ir à
capital e engrossar os debates sobre o tema.
Além da Fiep, a
Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR)
também se manifestou, ontem, contra a emenda. O presidente
do Sistema Fecomércio Sesc Senac Paraná, Darci Piana,
declarou que a redução da jornada de trabalho para
40 horas, "ao contrário do que pretendem os trabalhadores,
pode fechar mais postos de trabalho do que abrir".
A opinião da Fecomércio-PR
segue o entendimento da Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Para
a entidade, a emenda constitucional, que também aumenta
o valor da hora extra de 50% para 75%, "poderá induzir
o empresário a reduzir o quadro de trabalhadores de sua
empresa". A CNC ainda acredita que a proposta desestimula
novos investimentos de outros empreendedores, inibindo a contratação
de mais empregados.
A preocupação
de setores como o comércio e a indústria do Paraná
com a PEC 231/95 tem razão nos índices de empregados
que cumprem jornada de 44 horas semanais.
De acordo com dados da
Relação Anual de Informações Sociais
(Rais) de 2008, informados pelo Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os
setores têm, respectivamente, 95,54% e 90,26% dos empregados
nesse regime, ficando atrás apenas da construção
civil (98,31%) e da agropecuária (96,54%).
Normal
Para as entidades sindicais
que representam os trabalhadores, porém, os argumentos
são inversos. O Dieese usa os mesmos dados para mostrar
que a jornada menor é cada vez mais normal no País.
"Mais de 30% dos
trabalhadores já cumprem menos de 40 horas no Brasil. No
Paraná, são quase 27%", aponta o economista
da entidade, Sandro Silva. Para ele, o setor de serviços
que inclui a administração pública , em que
mais da metade dos empregados já trabalha até 40
horas semanais, é um exemplo a ser seguido.
Segundo o economista,
os números vêm mostrando que a redução
das jornadas de trabalho normalmente vem acompanhada de um aumento
na produtividade. "De 1988 a 2008, a produtividade do trabalhador
brasileiro aumentou em 84%", informa.
A Constituição
Federal reduziu, em 1988, a jornada de trabalho de 48 para 44
horas semanais. Sandro Silva ainda argumenta que o aumento do
custo da redução da jornada para as empresas, de
cerca de 2%, seria rapidamente compensado com o ganho na produção.
O presidente da Federação
dos Empregados no Comércio do Estado do Paraná (Fecep),
Vicente da Silva, também acredita que a redução
é necessária e natural. "Está na hora
dos trabalhadores fazerem jus aos avanços tecnológico
e no sistema trabalhista", diz.
Para ele, a última
redução na jornada, em 1988, não gerou demissões,
e uma nova redução, pelo contrário, até
geraria mais empregos, citando um cálculo do Dieese que
aponta a possibilidade de criação de mais de 2,5
milhões de vagas.
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Agência Diap,
25 de agosto de 2009
Mobilização empresarial
contra PEC 231, que reduz jornada de trabalho
Sob a liderança
da CNI (Confederação Nacional da Indústria),
o setor industrial se mobiliza contra a redução
da jornada de trabalho, que estará em debate em comissão
geral no plenário da Câmara, nesta terça-feira
(25).
A CNI lançou manifesto
"Jornada
menor não cria emprego", em que se contrapõe
à aprovação da proposta na Câmara.
A entidade patronal resolveu investir contundentemente contra
a PEC.
Para isso, além
do manifesto lançou cartilha
e outras publicações, cujo objetivo é
dissuadir qualquer possibilidade de reduzir a jornada de trabalho
no País por meio de mudança na Constituição.
Comissão geral
é uma sessão plenária da Câmara para
debater assunto relevante ou projeto de iniciativa popular ou
para ouvir ministro de Estado.
Na comissão geral,
a palavra é aberta a convidados, diferente do que ocorre
nas sessões, nas quais apenas deputados podem usar a palavra.
A PEC 231/95, dos então
deputados Inácio Arruda (PCdoB/CE) e Paulo Paim (PT/RS),
que reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas
semanais, redução de salário.
A proposta prevê
ainda que a hora extra normal passa de 50 para 75%. O texto já
foi aprovado em forma de substitutivo na comissão especial,
em 30 de junho. Agora, precisa ser votada e dois turnos no plenário
da Câmara. (Marcos Verlaine)
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UOL, 25 de agosto
de 2009
Por Copa-14, construção
civil deve gerar pelo menos 3,5 milhões de empregos
Do UOL Esporte
Em São PauloO setor de construção civil mostrou-se
otimista com a preparação do Brasil para receber
a Copa do Mundo em 2014. De acordo com especialistas, devem ser
criadas cerca de 3,5 milhões de vagas de emprego nesta
área, graças ao impulso trazido pelas diversas obras
estruturais espalhadas pelo país.
"A Copa do Mundo
de 2014 vai aumentar os investimentos em infraestrutura pelo menos
até o ano de sua realização, aquecendo a
construção civil em seus diversos segmentos",
comentou Carlos Maurício Lima de Paula Barros, diretor-presidente
da Associação Brasileira de Engenharia Industrial
(Abemi).
Segundo especialistas
no setor, a construção civil deve aumentar sua participação
no PIB nacional a partir de 2010. Até 2008, a área
representava em torno de 5,1% das riquezas brasileiras.
Há expectativas
de investimentos que variam entre R$ 60 bilhões e R$ 100
bilhões. De acordo com cálculos de especialistas,
a cada R$ 1 milhão empregado na construção
civil, criam-se 58 empregos (33 diretos e 25 indiretos) - daí
a conclusão de se gerar pelo menos 3,5 milhões de
empregos. Para Barros, estas vagas devem se concentrar em empresas
de projeto, consultoria, edificações e construção
industrial.
As melhorias devem atingir
não somente as 12 cidades escolhidas pela Fifa para receber
o Mundial. "melhorias deverão acontecer também
em cerca de 200 municípios vizinhos, que receberão
seleções e, principalmente, turista", concluiu
o presidente da Abemi.
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de agosto de 2009 | Economia
Interior do Estado cada vez mais
desenvolvido
Helio Miguel
Londrina passou a ser a cidade mais desenvolvida do Paraná
e a 51ª. do Brasil, de acordo com o Índice Firjan
de Desenvolvimento Municipal (IFDM), criado pela Federação
das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e divulgado durante
o fim de semana.
Os dados, referentes a
2006, levam em conta fatores como emprego e renda, educação
e saúde. Mais três cidades do Estado ficaram entre
as 100 primeiras do ranking: Maringá que havia sido a primeira
em 2005 , Pinhais e Curitiba. O Paraná ficou com a segunda
melhor média do País, com alta de 0,5% em relação
a 2005.
O IFDM de Londrina foi
de 0,8634, enquanto o de Maringá foi um pouco menor: 0,8621.
Já Pinhais ficou com 0,8582. Curitiba, que no levantamento
anterior havia sido a capital com o maior índice no País,
ficou com um IFDM de 0,8546 e perdeu a posição para
Vitória e São Paulo.
Mesmo assim, junto com
essas duas cidades e Belo Horizonte, figura entre as únicas
capitais entre as 100 cidades mais desenvolvidas do País
lista na qual 79 municípios têm menos de 300 mil
habitantes.
Além dos quatro
municípios paranaenses entre os 100 primeiros, outros nove
também foram destaque por estarem na faixa de alto desenvolvimento,
com índices superiores a 0,8000: Apucarana, Arapongas,
Araucária, Francisco Beltrão, Douradina, São
José dos Pinhais, Cascavel, Ponta Grossa e Toledo. No Paraná,
53 cidades ficaram com médias iguais ou superiores à
nacional, que atingiu 0,7376 pontos, melhorando 3,47% em relação
à pesquisa anterior.
A média estadual,
de 0,8074 pontos, deixa o Paraná na lista dos três
únicos estados com alto desenvolvimento, entre São
Paulo (0,8637) e o Rio de Janeiro (0,8035).
A educação,
no entanto, teve queda de 1,7% no Estado, ficando com 0,7216 pontos.
Por outro lado, emprego e renda teve alta de 1,6%, passando para
0,8344 pontos, e saúde, de 1,2% (0,8662 pontos). Nas três
categorias, o Paraná ficou acima da média nacional.
Melhora
O relatório da
Firjan demonstra, ainda, que cerca de metade das cidades paranaenses
melhorou de situação entre 2005 e 2006. Os destaques
foram Cerro Azul, que aumentou seu IFDM em 15,7%, Mato Rico (14,5%),
Adrianópolis (14,5%) e Guaraqueçaba (14,3%).
Entre as cidades mais
desenvolvidas, o destaque foi para Douradina, que passou do 32º
lugar em 2005 para 9º em 2006. Já Toledo estava em
5º lugar, mas caiu para 13º na última pesquisa.
Apesar de figurar
entre os municípios que mais melhoraram de situação
em 2006, Guaraqueçaba, com 0,5496 pontos, ainda figura
entre as cinco menos desenvolvidas do Estado, ao lado de Goioxim,
Doutor Ulysses, Rosário do Ivaí e Laranjal esta
com índice de 0,4936. Rosário do Ivaí (-10,1%),
Tunas do Paraná (-10,8%), Palotina (-12,6%) e Carambeí
(-12,8%) foram as que mais pioraram seus índices.
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Adital, 25 de agosto
de 2009
Entidades criam grupo de combate
à mão de obra escrava no Brasil
No último dia 11
de agosto foi criado o Grupo de Trabalho de Combate ao Trabalho
Escravo, composto por Comissão Pastoral da Terra (CPT),
Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Cáritas
Brasileira, Pastoral Afrobrasileira, Comissão Brasileira
de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O Grupo é coordenado
por Patrícia Aldin, especialista em combate ao trabalho
escravo. Os trabalhos serão realizados na região
amazônica.
O objetivo do grupo é
estudar e desenvolver ações contra este tipo de
exploração, potencializando e fortalecendo as atividades
já existentes na área. Segundo Padre Ari Antônio
dos Reis, da Pastoral Afrobrasileira, e Secretário do Grupo
de Trabalho, a ideia é juntar esforços no sentido
de dar mais ênfase e melhorar a atuação no
combate a este mal.
No levantamento das ações
a serem tomadas pelo Grupo de Trabalho, os membros concluíram
que o combate ao trabalho escravo ou exploração
de mão-de-obra semelhante, perdeu força no país.
Eles reconhecem que a
situação de vulnerabilidade social facilita o aliciamento
de pessoas, sendo preciso reforçar as táticas de
prevenção.
Além disso, o grupo
busca medidas de reinserir os "escravos" libertados
ao mercado de trabalho, para garantir sua sobrevivência
e impedi-los de retornarem às atividades de exploração.
No âmbito legal,
a impunidade e o silêncio em torno deste tipo de crime fazem
com que a prática continue, principalmente na floresta
amazônica. De acordo com Padre Ari, é de suma importância
que se defina a competência dos julgamentos dos criminosos:
se na Justiça Federal ou Estadual.
"O interessante é
que os casos sejam julgados na esfera federal, já que isso
garante mais agilidade no processo", defende o secretário
do grupo.
Padre Ari explica ainda
que, no meio urbano brasileiro, existem muitas pessoas que não
sabem o que é trabalho escravo e qual a dimensão
do problema no país. Por isso, uma das propostas é
divulgar os dados coletados pela Comissão Pastoral da Terra
(CPT) sobre denúncias e registros de trabalhadores em condições
de escravidão e, assim, conscientizar a sociedade, abrindo
seus olhos para este fato.
No próximo dia
25, uma reunião entre os membros do grupo, dará
o pontapé inicial das atividades. "Vamos traças
as metas, continuar o trabalho e planejar as ações,
a partir do que já foi definido como prioridade",
informa padre Ari.
Ari ressaltou também
a importância da conjunção de forças
para tratar de um assunto tão complexo como este. "Como
o grupo é diverso, cada membro terá uma atividade
mais específica, de acordo com sua área. A ideia
é realmente pôr em prática as ações,
por isso, nos consideramos um ‘grupo de ação'",
esclareceu.
Ele falou ainda da grandeza
da tarefa e do compromisso da Igreja de trabalhar em favor dos
direitos humanos.
Dados
da CPT
Embora não seja muito divulgado ao grande público,
o número de trabalhadores em situação de
escravidão ou análoga, que se encontra no Brasil,
gira em torno de dez mil pessoas. Os dados são da Comissão
Pastoral da Terra (CPT), organismo da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB).
O problema afeta todo
o país, mas é na Região Amazônica que
se concentra a maioria dos casos.
Os estados do Pará,
Maranhão, Tocantins e Mato Grosso são os campeões
de casos, registrando uma média de sete mil trabalhadores
envolvidos nas atividades degradantes de exploração
e em situação de escravidão, conforme média
dos últimos dados divulgados em relatório do último
mês de junho. Com as fiscalizações uma parte
desses escravos é libertada.
O ano de 2007 teve o maior
número de trabalhadores libertos: um total de quase seis
mil.
PEC
438
Uma das questões vista como urgente pelas entidades que
trabalham no combate ao trabalho escravo é a aprovação
da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438, também
conhecida como PEC do Trabalho Escravo.
A proposta pretende expropriar
propriedades - sem direito à indenização
- nos casos em que for encontrada exploração de
mão-de-obra análoga à escravidão.
A PEC 438/2001 define
ainda que as propriedades confiscadas serão destinadas
ao assentamento de famílias, como parte do programa de
reforma agrária.
A "PEC do Trabalho
Escravo" é considerada pelos órgãos
governamentais e entidades da sociedade civil que atuam nas áreas
trabalhista e de direitos humanos como um dos projetos mais importantes
de combate à escravidão, não apenas pelo
forte instrumento de repressão que pode criar, mas também
pelo seu simbolismo, pois revigora a importância da função
social da terra, já prevista na Constituição.
No Senado Federal, a PEC
tramitou durante dois anos e foi aprovada em 2001. Na Câmara,
permanece parada desde 2004.
Em setembro de 2007, parlamentares,
representantes de instituições engajadas no combate
ao trabalho escravo e o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos
Lupi, discutiram a retomada da mobilização pela
aprovação da PEC 438/2001.
Em janeiro deste ano,
entidades da sociedade civil e parlamentares criaram o Movimento
Nacional pela Aprovação da PEC do Trabalho Escravo.
(Fonte: Adital)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/08/2009
Gerente-geral de agência bancária
não obtém direito a horas extras
A jornada de trabalho
de gerente-geral de agência bancária não está
limitada a oito horas diárias (ou quarenta semanais), portanto,
não são devidas horas extras pela prestação
de serviços além desse período. Foi a partir
dessa interpretação unânime que a Oitava Turma
do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento a recurso de revista
do Unibanco – União de Bancos Brasileiros S.A. –
para isentá-lo do pagamento de horas extraordinárias
a ex-empregado da empresa.
Pela análise do
relator, ministro Márcio Eurico Vitral Amaro, na medida
em que o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região
(RJ) registrou que o ex-empregado exercera a função
de gerente-geral de agência, não importava o fato
de não haver prova de que ele efetivamente atuava com amplos
poderes de mando e gestão. O relator esclareceu que era
suficiente a presunção do exercício de amplos
poderes, conforme prevê a Súmula nº 287 do TST.
E, nesses casos, não são devidas horas extras.
Ao ajuizar reclamação
trabalhista com pedido de horas extras, o bancário disse
que prestou serviços ao banco de abril de 1987 a fevereiro
de 2002 e exerceu a gerência de abril de 2001 a fevereiro
de 2002. No entanto, de acordo com o trabalhador, ele não
tinha autonomia nas decisões que tomava no banco, nem mandato
escrito lhe conferindo poderes de gestão que justificassem
o não-recebimento de horas extras pelos serviços
além da oitava diária.
Para o juiz da 11ª
Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, o empregado não provou
a jornada alegada, por isso o pedido de horas extras foi negado.
Já o TRT carioca concluiu que o bancário, mesmo
na condição de gerente-geral, tinha direito às
horas extras realizadas além desse período. No entendimento
do Regional, o salário recebido pelo ex-empregado (em torno
de R$ 3 mil) não o credenciava como “autoridade máxima”
na agência, nem havia prova de que ele exercia encargos
de gestão com total autonomia ou era portador de mandato
escrito para representar o banco.
No recurso de revista
ao TST, o Unibanco sustentou que o próprio empregado confessara
exercer o cargo máximo dentro da agência, logo, estava
enquadrado no artigo 62, inciso II, da CLT. Esse dispositivo estabelece
que o limite de jornada de oito horas diárias não
é aplicável a profissionais como gerentes, diretores
e chefes de departamento ou filial de empresa. Durante o julgamento
na Oitava Turma, a advogada do empregado insistiu no quadro fático
descrito pelo TRT quanto à capacidade limitada do bancário
de tomar decisões e no seu direito às horas extras.
Mas, para o relator
do processo, de fato, o banco não deveria ter sido condenado
a pagar horas extras ao gerente, porque eventuais limitações
de autoridade decorrentes do exercício da função
de confiança não o desqualificavam como empregado
detentor de amplos poderes de administração. Os
ministros da Turma deram a mesma interpretação ao
caso e determinaram a exclusão das horas extras da condenação
imposta ao Unibanco pelo TRT. Após publicada a decisão,
o Unibanco interpôs embargos declaratórios, que aguardam
julgamento pela Oitava Turma ( RR 111/2004-011-01-40.0)
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Sintracom em Ação 23
de agosto de 2009
Visita
Sua Vez, Sua Voz recebe o pedreiro,
carpinteiro e poeta Manoel Pedro Gomes
Mario Fragoso – MTE-2582-PR
Apesar do domingo de inverno ter amanhecido chuvoso, no estúdio
da Rádio Brasil Sul ninguém sentiu frio. Neste
dia, o programa Sua Vez, Sua Voz foi dedicado aos 41 anos de
existência do Sintracom-Londrina, Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
de Londrina.
Para comemorar o aniversário do Sindicato, o Jornal Falado
do Sintracom-Londrina recebeu a visita do pedreiro e carpinteiro
aposentado e poeta Manoel Pedro Gomes, 61 anos. Na pessoa do
Seo Manoel, o Programa Sua Vez, Sua Voz homenageou todos os
trabalhadores representados pelo sindicato, principalmente do
setor da construção.
Seo Manoel foi ao programa, contou sua história de vida,
declamou poesias e lembrou, principalmente, do tempo em que
estava na ativa e ajudou a construir a região de Londrina
que concentra o maior número de trabalhadores do Paraná
e que o Brasil inteiro conhece como “Cinco Conjuntos”,
o “Cincão” e seus mais de 150 mil moradores.
Inéditas – Além de não
economizar na simpatia e na simplicidade, Seo Manoel encantou
o pessoal que se encontrava no estúdio quando declamou
as memórias do tempo em que morava na roça, sempre
na região Norte do Paraná. Depois, emocionou ao
declamar a poesia “O retrato do caixão”,
onde conta a volta do filho à casa do pais onde fica
sabendo que a mãe faleceu.
As poesias de Seo Manoel Pedro serão disponibilizadas
para o mundo inteiro através da página do Sindicato
na Internet – www.sintracomlondrina.com.br.
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Vermelho, 24 de agosto
de 2009
Entidades se mobilizam pela
aprovação da jornada de 40 horas
As entidades sindicais estão programando mobilizações
esta semana na Câmara em favor da aprovação
da Proposta de Emenda Constitucional que reduz para 40 horas a
jornada de trabalho semanal.
A PEC está na pauta para votação em plenário
e o assunto já foi discutido em audiências públicas
com empregados e empregadores na comissão-geral criada
para tratar do tema.
De acordo com a Força
Sindical, no ano passado os trabalhadores da área farmacêutica
foram a primeira categoria a reduzir coletivamente a jornada de
trabalho, que caiu para 36 horas semanais, a exemplo do que já
ocorre em alguns setores da indústria, cujas atividades
exigem longos intervalos de folga.
Para o presidente da Força
Sindical, Paulo Pereira da Silva, a redução da jornada
de trabalho semanal de 44 para 40 horas permitirá a geração
de 2 milhões de empregos, com elevação de
1,9% no custo das folhas de pagamento. Ele destaca que "é
um percentual pequeno, uma vez que os ganhos que elas [categorias]
tiveram nos últimos anos foram muito compensadores. A produtividade
no Brasil, de 2002 para cá aumentou em 27%", argumenta
o sindicalista.
No último dia 14,
a Força Sindical promoveu em várias capitais a Jornada
Nacional Unificada de Lutas, com o apoio de outras entidades de
representação dos trabalhadores, movimentos populares
e estudantis. A redução da jornada semanal de trabalho
figurou entre as principais reivindicações.
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Gazeta do Povo, 24
de agosto de 2009
Tecnologia
Vem aí a cobrança
sem papel
O Débito Direto Autorizado vai
substituir os boletos de papel por comandos eletrônicos.
Opção estará disponível daqui a dois
meses
Dentro de dois meses,
uma nova forma de pagar as contas de pessoas físicas e
jurídicas estará disponível no mercado: o
sistema da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP)
começará oficialmente a emitir Débito Direto
Autorizado, ou simplesmente DDA. Esse está sendo considerado
um primeiro passo no caminho para eliminar o boleto bancário
da forma que se conhece hoje – e que, nos anos 90, representou
a primeira “revolução” no sistema de
pagamentos.
Apesar da proximidade
do nome, o novo sistema não tem nada a ver com o serviço
de débito automático de faturas. O DDA prevê
que, em vez de receber as cobranças na porta de casa, o
cliente bancário as tenha disponíveis no sistema
eletrônico da CIP, diretamente vinculado ao seu CPF ou CNPJ,
e poderá acessá-las pelos meios bancários
normais – internet banking, auto-atendimento físico,
telefone ou diretamente nas agências.
Com isso, em três
anos, a Federação Brasileira de Bancos
(Febraban) espera automatizar e eliminar a geração
em papel de até 50% das mensalidades de planos de saúde,
prestações, faturas de cartão de crédito,
financiamentos de casas e veículos, entre os vários
outros tipos que fazem parte do sistema de pagamento cotidiano.
Em 2008, essas cobranças geraram cerca de 2 bilhões
de boletos de papel, número que pode ser traduzido
em 1 bilhão de litros de água, 46 milhões
de KW/hora e milhões de quilogramas de dióxido
de carbono.
Primeiro, as empresas
Apesar de ter também
as pessoas físicas como público-alvo, existe a avaliação
de que, em curto prazo, o novo sistema vá beneficiar diretamente
as empresas – até porque relação de
serviços bancários entre pessoas jurídicas
é muito grande em comparação à pessoa
física. A diretora de Produtos Empresariais do Itaú
Unibanco, Sandra Boteguim, diz que no primeiro momento o DDA será
um produto voltado principalmente para grandes empresas pagadoras
(consumidoras de serviço), mas também afeta diretamente
a indústria e o comércio de modo geral pela afinidade
que os setores de contabilidade já detêm com os sistemas
bancários eletrônicos.
“Estimamos que praticamente
9 em cada 10 empresas resolvem suas transações bancárias
direto por meio eletrônico. Elas devem sentir primeiro a
infinidade de vantagens do DDA. Nas apresentações
que temos feito, quase todos os empresários aderem logo
em seguida – o sistema não tem muito segredo, é
apenas a evolução natural dos serviços bancários.
O sistema financeiro ficará melhor em qualidade e em velocidade”,
diz. Segundo Boteguim, que integra o comitê gestor de infraestrutura
do sistema, hoje o fluxo de cobrança desde a emissão
dos boletos pelo cedente até a chegada ao sacado dura de
5 a 8 dias, incluindo o período de postagem. A partir do
DDA, esse ciclo comercial pode ser reduzido para dois dias.
Para o DDA chegar à
pessoa física, o professor de Gestão em Tecnologia
da Informação da Veris IBTA, faculdade do Grupo
Ibmec Educacional, Ricardo Castro diz que o gargalo é parecido
com o que se tem hoje no acesso ao serviço bancário
via celular (mobile banking). “Desde 2003 esse serviço
está disponível, hoje há como operar na Bolsa
de Valores de Nova Iorque diretamente do telefone. Mas na verdade
poucas pessoas usam esse serviço, ao mesmo tempo que são
poucos (e caros) os aparelhos que permitem a instalação
de aplicativos para isso”, diz.
Por isso, ele enxerga
a tendência de que o novo sistema alcance primeiro as classes
A e B, que têm mais acesso à tecnologia e maior educação
para lidar com ela. Ele admite que é preciso um tempo para
a adaptação, no entanto ressalta que a tal educação
tecnológica está evoluindo bem na sociedade. “O
próprio cartão de crédito sofreu preconceito
durante muito tempo”, diz, lembrando que hoje o dinheiro
de plástico já está mais concentrado nas
mãos da classe C. Mesmo entre as pessoas mais maduras há
quem já se desprendeu da necessidade de um boleto impresso
no papel e das filas de banco. “Hoje a geração
que está com 40 anos já têm desenvoltura para
usar internet banking e aceitar as demais facilidades tecnológicas”,
diz.
Exceções
Nem todos os tipos de
boleto ganharão sua versão eletrônica nesta
primeira etapa de implantação do DDA. As cobranças
de concessionárias de serviços públicos e
de tributos demandam uma integração de mais entidades
no sistema. “Organizar informações de prefeituras
e governos é complicado. Partimos do princípio de
que ‘o bom é inimigo do ótimo’ para
lançar o sistema sem as concessionárias e os tributos,
porque senão corríamos o risco de inaugurá-lo
só em 2012. No futuro, o leque pode ser ampliado”,
diz a diretora do Itaú Unibanco, Sandra Boteguim.
Também ficarão
de fora neste momento os chamados documentos de “cobrança
sem registro”, que no jargão bancário representa
aqueles boletos feitos pela própria empresa, sem ser encaminhados
aos bancos e distribuídos pelos correios. É o caso
de escolas ou condomínios, por exemplo, que elaboram o
próprio boleto e o distribuem diretamente ao condômino
ou ao estudante. “Esses pequenos clientes devem demorar
mais para perceber as funcionalidades e migrar para o DDA”,

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FOLHA DE LONDRINA, 24
de agosto de 2009 | Política
Pouco mais da metade dos municípios
do Brasil tem bom IDH
Rio - Pouco mais da metade
dos municípios do Brasil conseguiu ultrapassar a linha
do que é considerado alto e moderado desenvolvimento humano,
mas a conquista está mais ligada ao ritmo do crescimento
da economia antes da crise econômica do que a políticas
estruturais em educação e sa© úde. O
Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) identificou
crescimento de quase 3,5% na avaliação do País
entre 2005 e 2006.
O incremento foi puxado
pela expansão de quase 10% no fator que avaliou a geração
de emprego e renda em 2006, ano em que a economia cresceu 4%.
Houve recuo na educação (-0,9%) e avanço
modesto em saúde (1,6%), os outros dois fatores que constituem
o indicador.
Elaborada pela Federação
das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) pelo segundo
ano consecutivo, a avaliação mede o desenvolvimento
das cidades numa escala que vai de 0 a 1. Quanto mais próximo
de 1, melhor é a avaliação. O índice
foi elaborado para suprir a falta de um indicador anual nos moldes
do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M),
da Organização das Nações Unidas (ONU),
que só é publicado a cada dez anos.
O resultado divulgado
este ano, referente a 2006, indica o crescimento da média
brasileira de 0,7129 para 0,7376 em um ano, elevando de 48,9%
para 50,6% o porcentual de cidades acima do patamar de 0,6. Em
2000, ano de referência da pesquisa, esse grupo não
chegava a 1/3 dos municípios e o índice nacional
era de 0,5954, na faixa de desenvolvimento ''regular''.
A pesquisa indica que
o País acelera o passo em direção ao alto
desenvolvimento (acima de 0,8), mas o resultado reflete a geração
de empregos formais e o aumento da renda, que dependem de fatores
conjunturais. Já saúde e educação,
que refletem de forma mais consistente o impacto de políticas
públicas para a qualidade de vida, contribuíram
menos.
''Esperávamos mais
estabilidade em saúde e educação porque são
variáveis mais estruturais, que levam mais tempo para mostrarem
avanços mais significativos'', diz Luciana de Sá,
diretora de Desenvolvimento Econômico da Firjan.
Na saúde, o resultado
de 0,7699 indica evolução lenta. O crescimento foi
mais expressivo nas regiões mais pobres, resultado que
Luciana atribui à expansão do investimento na atenção
básica de saúde, à influência do Bolsa-Família
e às campanhas de vacinação e pré-natal.
Municípios
São Caetano do
Sul (SP) lidera o seleto grupo de 232 municípios (4,2%
dos 5.560 analisados) que gozam de alto desenvolvimento (acima
de 0,8). A cidade alcançou índice de 0,9524, seguida
das paulistas São José do Rio Preto (0,9812) e Indaiatuba
(0,9177). Dos 100 melhores municípios, 81 são paulistas.
Na outra ponta, Santa Luzia (BA) ficou em último (0,2928).
A pesquisa mostra que
o vetor da qualidade de vida se mantém em direção
ao interior. No ranking das 100 melhores do IFDM, apenas quatro
são capitais: Vitória, São Paulo, Curitiba
e Belo Horizonte.
Alexandre Rodrigues
Agência Estado
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BEM PARANÁ, 24
de agosto de 2009 | Política
Senado
Crise “trava” novas
regras para eleições de 2010
Senado tem pouco mais de um mês
para votar mudanças na lei eleitoral aprovada na Câmara
Antônio França
A pouco mais de um mês
para o fim do prazo para criação de regras para
as eleições de 2010, já que a legislação
determina que mudanças devem ocorrer 12 meses antes do
pleito, não existe clima para votação no
Senado. Com a crise que envolvendo o presidente da Casa, José
Sarney (PMDB/AP), dificilmente os senadores conseguirão
discutir o projeto já votado na Câmara dos Federal.
Neste clima, pesa ainda desfavoravelmente à votação,
o fato da base governista ter tido baixa de pelo menos dois senadores,
com a saída de Marina Silva, que trocou o PT pelo PV, e
a insatisfação do senador petista e paranaense Flávio
Arns, publicamente descontente com os rumos do PT.
O senador Alvaro Dias (PSDB), pré-candidato ao governo
do Estado, acredita que haverá tempo para as medidas serem
votadas em plenário, caso as comissões analisem
com rapidez o projeto votado na Câmara dos Deputados. Porém,
ele critica o teor do projeto aprovado pelos parlamentares. “É
uma proposta literalmente de reforma eleitoral e não uma
reforma política como a sociedade deseja. Não se
discutiu financiamento público de campanha, propostas para
acabar com o caixa dois e a regras para proibir o uso do pode
econômico. Isso desequilibra o processo”, avalia o
tucano. O senador afirma que discorda de todo o conteúdo
votado pela Câmara e prevê muitas alterações
no Senado. “E se mudarmos o texto, o projeto volta para
análise dos deputados. Aí, não haverá
tempo para que a lei seja aplicada já para as eleições
de 2010”, previu.
Alvaro afirma ainda que, além da crise envolvendo o presidente
Sarney, a pauta do Senado ainda está trancada por medidas
provisórias em tramitação. Na pauta, as medidas
provisórias têm prioridade sobre os demais projetos,
mesmo sendo de natureza urgente, como a reforma eleitoral. “Isso
me preocupa e deixa os senadores em uma situação
deliciada. Não sabemos se é melhor que as regras
sejam impostas pelo Judiciário, baseado em leis antigas
e atrasadas, ou se aprovamos um texto cheio de falhas”,
diz Alvaro. Para o tucano, o projeto vem “fantasiado”
de reforma política, mas trata apenas de regras, sem se
aprofundar em temas que acabem com a corrupção durante
e depois do processo eleitoral.
Segundo informações oficiais do Senado, a intenção
é votar as novas regras até o final de setembro.
Antes, uma comissão especial deve elaborar um relatório
sobre o tema.
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FOLHA DE LONDRINA, 24
de agosto de 2009 | Política
Planalto vai liberar emendas para
conter rebelião na base
Brasília - Na tentativa
de conter a rebelião dos partidos da base na Câmara,
o governo deve autorizar a liberação de emendas
do Orçamento de 2009 nesta semana. O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva discutiu o assunto com o ministro José Múcio
Monteiro (Relações Institucionais) e pediu a elaboração
de um cronograma para o pagamento de emendas individuais, que
somam R$ 6 bilhões.
O governo, no entanto,
não deve liberar as chamadas emendas de bancada por causa
da queda na arrecadação, que estaria R$ 13 bilhões
abaixo do Orçamento.
Articulador político
do governo com o Congresso, Múcio afirmou que a liberação
das emendas teve um desempenho menor do que em 2008 por causa
da crise internacional.
''O desempenho da liberação
em comparação ao ano passado é diferente.
Não podemos comparar economia de 2008 com a de 2009. Ainda
sofremos reflexo da crise. Agora, estamos empenhados para cumprir
com o que os deputados têm de direito'', disse.
A insatisfação
dos governistas - principalmente entre parlamentares do PMDB,
PR e PP - tem refletido nas votações. Desde que
voltou do recesso, os parlamentares votaram uma medida provisória,
um projeto de lei, um projeto de resolução e sete
acordos internacionais.
Márcio Falcão
Folhapress
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Gazeta do Povo, 24
de agosto de 2009
Súmula Vinculante nº
13
Combate ao nepotismo fracassa
Exceção aberta pelo STF
para a contratação de parentes a cargos políticos
virou regra no Paraná
Um ano após o Supremo
Tribunal Federal (STF) editar a súmula vinculante contra
o nepotismo nos três poderes, a exceção aberta
pelos ministros para a contratação de parentes em
cargos políticos está mostrando ser a regra no Paraná.
A Gazeta do Povo fez um levantamento, que apontou 64 municípios
em que prefeitos contrataram familiares para postos de primeiro
escalão, o que é permitido pela Súmula Vinculante
n.º 13 (veja tabela ao lado). Este número representa
16% das cidades paranaenses.
Pela decisão do
STF publicada no dia 20 de agosto do ano passado, a contratação
de familiares de autoridades públicas, sem concurso público,
ficou proibida, exceto para os chamados cargos políticos
(ministros, secretários estaduais e municipais). A partir
dessa “brecha”, políticos começaram
a realocar parentes que antes encontravam-se em cargos de segundo
escalão (em diretorias e funções de assessoramento)
para cargos de secretários, entre eles, o governador Roberto
Requião (PMDB).
Após a edição
da Súmula n.º 13, o governador exonerou a esposa,
Maristela, do cargo de assessora especial e a transformou em secretária
especial, para continuar a exercer a mesma função
de antes – dirigir o Museu Oscar Niemeyer. Já o irmão
de Requião, Eduardo, primeiro foi alçado à
condição de secretário de Transportes, para
logo em seguida ser designado para a Secretaria Especial de Representação
do Paraná em Brasília.
Essa estratégia
foi usada por prefeitos do Paraná. Em Prudentópolis,
por exemplo, a súmula acabou permitindo que o prefeito
Gilvan Agibert (PPS) pudesse nomear a esposa, Jeanne Maria Agibert,
para a pasta de Promoção Social. Antes da súmula,
a cidade tinha legislação municipal vetando todas
as formas de contratação de parentes. Mas como a
decisão do STF é menos restritiva que a lei local,
a prática de contratação de parentes voltou
a ocorrer.
Já em Curitiba,
o prefeito Beto Richa (PSDB) recontratou o irmão, José
Richa Filho, para o cargo de secretário de Administração
e a esposa, Fernanda, para o cargo de presidente da Fundação
de Ação Social. Ambos haviam sido exonerados no
período eleitoral, no meio do ano passado, para trabalhar
na campanha de Richa. Tanto Fernanda quanto José Richa
Filho eram, na época, réus numa ação
movida pelo Ministério Público contra a prefeitura,
a fim de acabar com o nepotismo no âmbito municipal. Como
foram exonerados, os dois deixaram de ser réus.
Porém, com a reeleição
do tucano, os dois voltaram a seus antigos cargos. Embora José
Richa Filho tenha sua situação respaldada na súmula,
o caso de Fernanda é incerto, pois a decisão do
STF só permite parentes contratados para cargos de secretários.
A nomeação da primeira-dama foi feita com base em
um parecer da procuradoria da prefeitura de Curitiba, que considerou
que o cargo ocupado por ela tem o mesmo “status” de
secretário municipal. Segundo o Ministério Público,
embora Fernanda Richa não esteja mais figurando entre os
réus da ação movida contra a prefeitura,
o órgão pedirá que a Justiça se pronuncie
sobre o caso, já que a instituição pede o
fim do nepotismo em toda a administração pública.
Vices nepotes
Além de usar a
brecha da Súmula Vinculante n.º 13, em alguns municípios
agentes públicos têm contratado parentes de vice-prefeitos.
Embora não haja proibição expressa na súmula
a esse respeito, alguns especialistas no assunto, como o presidente
da Associação dos Magistrados Brasileiros, juiz
Aírton Mozart Valadares, afirmam que tal prática
não é permitida (leia matéria na página
15).
Em pelo menos quatro municípios
– Cambé, Cantagalo, Guaíra e Itaipulândia
– vice-prefeitos têm parentes empregados na administração
municipal. Em Cambé, a vice-prefeita é Maria Aparecida
Pascueto (PSDB) e a filha dela, Ângela Pascueto Amaral,
é secretária de Ação Social. A mesma
situação ocorre em Itaipulândia, onde a vice-prefeita,
Maria Odete Zinn, tem a filha, Cleci, como secretária de
Saúde. Já em Cantagalo, o vice Elivar Correa tem
a sobrinha Ivone empregada como secretária de Educação,
enquanto que, em Guaíra, a vice Maria da Venâncio
da Silva tem o cunhado como secretário de Administração.
Colaboraram: Daniel Costa,
Dirceu Portugal, Fabiula Wurmeister, Luiz Carlos da Cruz, Maria
Gizelle da Silva, Marco Martins, Marcos Paulo de Maria, Maurício
Borges e Osmar Nunes.

Ação
contra o estado está parada há 10 meses
A ação movida pelo Ministério Público
contra o nepotismo no governo do Paraná está paralisada
há dez meses, desde que a procuradoria do estado retirou
o processo da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba
para consulta. A documentação foi retirada em 15
de outubro do ano passado e ainda não foi devolvida à
Justiça. Por duas vezes o Ministério Público
encaminhou ofício à 1.ª Vara da Fazenda pedindo
que o estado devolvesse o processo. A primeira foi em 2 de dezembro
de 2008. A segunda, em 6 de agosto deste ano.
Na ação
contra o estado, o MP pede que sejam exonerados parentes do governador
e de secretários que estejam em cargos de comissão
na administração pública até terceiro
grau. Com a Súmula Vinculante n.º 13, entretanto,
os dois parentes do governador Roberto Requião (PMDB) que
estão em cargos políticos – a esposa, Maristela,
e o irmão Eduardo – podem permanecer nas respectivas
funções de diretora do Museu Oscar Niemeyer e de
secretário do escritório de Representação
em Brasília.
Segundo o procurador-geral
do estado, Carlos Frederico Marés, o processo foi retirado
depois que o juiz Marcel Rótoli de Macedo pediu informações
sobre parentes de autoridades públicas que possam estar
trabalhando na administração do governo Roberto
Requião. “Não devolvemos porque precisávamos
buscar as informações pedidas pelo juiz com as secretarias”,
afirmou Marés. Ele disse que solicitou aos procuradores
responsáveis que agilizem a devolução.
Marés disse ainda
que não é uma orientação do governo
do estado, nem da procuradoria-geral, dificultar o andamento da
ação. “Como o pedido não tem prazo
para ser cumprido e a ação não tem grande
importância para o estado, os procuradores deram prioridade
a outros processos.” (RD)
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Vermelho, 24 de agosto de 2009
Domésticas querem reconhecimento
da profissão pela OIT
A presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras
Domésticas (Fenatrad), Maria Creusa Oliveira, ressaltou que
a legalização profissional da categoria, além
de garantir direitos sociais, dará às domésticas
maior poder de mobilização.
Trabalhadoras domésticas de todo o país deram neste
fim de semana, em Brasília, o primeiro passo para acelerar
o processo brasileiro de reconhecimento profissional da categoria.
Em um encontro que reuniu representantes
de todo o país, além de trabalhadoras de países
das Américas do Sul e Central, as lideranças estaduais
preencheram um questionário enviado pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT) para saber quais suas principais
reivindicações. Entre elas, está o reconhecimento
legal da profissão.
Esses relatos e o posicionamento do governo
brasileiro, servirá de base para que lideranças
de todo o mundo discutam o assunto, em junho do ano que vem, na
reunião da OIT, em Genebra. A presidente da Federação
Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Maria
Creusa Oliveira, ressaltou que a legalização profissional
da categoria, além de garantir os direitos sociais usufruídos
por todos os trabalhadores legalizados, dará as domésticas
maior poder de mobilização uma vez que terão
direito de se organizar em sindicatos reconhecidos com a possibilidade
de participar, por exemplo, dos recursos do imposto sindical.
“Se tivéssemos os sindicatos
reconhecidos, a gente estaria direto em Brasília para pressionar
esses políticos a votarem os projetos que estão
parados no Congresso por falta de vontade política”,
disse Maria Creusa. Ela acrescentou que a categoria não
tem dinheiro para deslocar-se com frequência a capital para
negociar suas reivindicações com o governo e o Congresso."
Nesse sentido, o papel das discussões
preliminares sobre as reivindicações que a categoria
pretende levar à OIT é de fundamental importância.
As trabalhadoras domésticas propõem que, na reunião
de 2010, a organização não apenas recomende
aos países-membros o cumprimento dos direitos das domésticas
mas, sim, ratificados por meio de uma convenção.
A representante da organização
no encontro, Márcia Vasconcelos, destacou que, quando um
país ratifica uma convenção internacional,
o tratado passa a ter força de lei. “O conteúdo
[da proposta a ser levada para a reunião de 2010] ainda
vai ser definido. A OIT encaminhou questionários para o
governo e confederações de trabalhadores para avaliar
as opiniões.”
Levantamentos feitos pela OIT e o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmam que
o Brasil tem cerca de 8 milhões de trabalhadores domésticos,
a maioria formada por mulheres. Do total, apenas 1,8 milhões
tem Carteira de Trabalho e Previdência Social.
Apesar da mobilização na
busca por seus direitos há mais de 70 anos, as domésticas
até hoje convivem com problemas como o trabalho infantil
e a exploração sexual, indicam os levantamentos.
A estimativa é de que a exploração
de mão de obra infantil na profissão, chegue a 470
mil meninas em todo o Brasil. Além disso, o não
reconhecimento profissional da categoria retira o acesso das domésticas
ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a benefícios
previdenciários como o pago em caso de acidente de trabalho.
A coordenadora-geral do Sindicato das
Trabalhadoras Domésticas de Campinas (SP) e diretora da
Confederação Nacional dos Trabalhos de Comércio
e Serviços, Regina Teodoro, afirmou que em seu município,
a cada 20 domésticas atendidas diariamente pelo sindicato,
pelo menos duas têm problemas de acidente de trabalho e
de saúde de trabalho que não são reconhecidos
pelo governo.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de agosto de 2009
| Cidades
Multas pesadas contra trabalho escravo
Proposta é de coordenador de oficina
para juízes; especialista sugere ainda medidas para reinserção
de pessoas resgatadas
Curitiba- O trabalho escravo
não pode ser visto de forma pontual. É preciso perceber
que o problema está interligado com a sociedade inteira.
Mostrar essa visão foi o objetivo da oficina sobre trabalho
escravo para juízes, no Tribunal Regional do Trabalho,
da 9 Região, realizado em Curitiba.
De acordo com um levantamento
feito pela ONG Repórter Brasil, em parceria com o Ministério
do Trabalho, 3% (521) de 17.318 mil trabalhadores libertados,
entre 2003 e 2008, nasceram no Paraná, e 1,7% (294) deram
o Estado como local de sua residência. Os números
são baseados nas informações do seguro-desemprego,
alicerce da pesquisa da ONG. Desde 2003, pessoas resgatadas de
condições degradantes passam a receber o benefício.
''Se continuarmos apenas
com a repressão não estaremos dando o estímulo
correto ao mercado'', afirmou o juiz paulista Marcus Berberino,
coordenador da capacitação. A ideia de ''estímulo
correto'' apresentada aos juízes é mostrar a eles
que punições mais rigorosas a empregadores flagrados
com trabalhadores escravizados em suas áreas são
necessárias, como o aumento no valor das multas.
''É preciso elevar
as sanções. Bancos públicos se comprometerem
a não financiar empregadores que estão na 'lista
suja''', exemplificou o secretário-executivo da Comissão
Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, órgão
ligado ao Governo Federal, José Guerra.
Há duas fazendas
na ''lista suja'' da fiscalização no Paraná.
As regiões das das áreas não foram divulgadas.
Entretanto, segundo o coordenador da ONG Repórter Brasil,
o jornalista Leonardo Sakamoto, Cerro Azul (97 km ao norte de
Curitiba) e Irati (135 km ao norte de União da Vitória)
estão na lista da Comissão Pastoral da Terra de
municípios onde há mais casos de resgate de trabalhadores
em condições análogas a escravidão.
A primeira está em 42 posição e a segunda
está em 54 na lista onde há 439 cidades do País.
No Paraná, entre
1995 e 2008, de acordo com Sakamoto, 673 pessoas foram libertadas.
Em 2007, foram 129 e, em 2008, 398. ''Não quer dizer que
está aumentando o trabalho escravo. Pode significar que
aumentou a fiscalização'', disse o jornalista. No
Brasil inteiro foram libertados 35 mil pessoas no mesmo período.
As cidades em que há
mais registros do resgate são as paraenses Félix
do Xingú, Marabá e Dom Eliseu. Essa relação
não é um ranking onde há mais incidência
de trabalho escravo.
Para acabar com essa exploração,
segundo Guerra, há fiscalizações pelo Brasil
inteiro, realizadas pelo Ministério Público do Trabalho
(MPT), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia
Federal (PF). Contudo, Guerra e Barberino acreditam que outra
ponta da luta contra a escravidão é a reinserção
das pessoas resgatadas, além de mais rigor nas sanções,
fiscalização e mudança do mercado. ''No Pará,
um juiz reverteu a multa do empregador para a criação
de um centro de reintegração de egresso da escravidão'',
contou Guerra.
Escravidão contemporânea
Segundo Guerra e Barberino,
a escravidão hoje não está ligada à
perda da liberdade como a história relata, mas sim com
a perda da dignidade. O perfil do trabalhador explorado é
homem, com 18 a 44 anos, em pleno vigor físico e com educação
pequena ou zero. As características principais da escravidão
são o trabalho forçado, jornada de trabalho muito
longas e a degradação. ''Mas há ainda aqueles
que trabalham obrigados por dívidas'', enfatizou.
Diego Ribeiro
Equipe da Folha
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Gazeta do Povo, 23 de
agosto de 2009
impacto econômico
Gripe faz economia balançar
Comércio, turismo, restaurantes
e escolas sentiram queda no volume de negócios por causa
da doença
A economia levou um tombo em agosto e não foi por causa
da crise internacional, deflagrada há quase um ano e que
levou pânico aos mercados. O medo da vez atende pelo nome
de gripe A, também conhecida como gripe suína ou
H1N1, e vem sacudindo a vida de consumidores e empresas. Por receio
da contaminação, muita gente adiou compras, deixou
de frequentar shoppings, cinemas, restaurantes e também
de viajar, afetando o comércio, o setor de serviços
e o turismo. Redes de varejo cancelaram inaugurações
de novas lojas para evitar aglomeração de pessoas.
Restaurantes registraram uma queda de 40% a 70% no movimento.
Os produtores de suínos viram o preço da carne despencar.
E em alguns municípios, o medo da doença provocou
até mesmo o fechamento de estabelecimentos comerciais e
cinemas, como é o caso de Cascavel, no Oeste do estado.
As empresas, por sua vez, estão mudando a rotina de seus
funcionários e aumentando gastos com medidas de prevenção
da doença. Sem falar nos gastos públicos pressionados
pelos serviços de saúde.
Ainda não há um cálculo geral sobre o tamanho
do estrago, mas analistas estimam que pelo menos 60% da economia
paranaense foi afetada, em maior ou menor grau, pela gripe. Os
efeitos de pandemias costumam ser grandes, embora tenham, em geral,
curta duração – por aqui, estima-se que ela
se estenda até fim de setembro. “A gripe impacta
qualquer atividade que reúna um grande número de
pessoas, como o comércio em geral, restaurantes, eventos
esportivos e viagens. Mas a tendência é que, com
a chegada da primavera, estas perdas sejam compensadas. O impacto
dela, no fim das contas, será residual perto dos efeitos
da crise econômica”, diz o economista Gilmar Mendes
Lourenço, coordenador do curso de Economia do Centro Universitário
FAE.
O problema, segundo o professor Marcio Cruz, do departamento
de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é
que a pandemia veio em um momento em que a economia já
estava fragilizada por conta da crise internacional. A doença
contaminou, curiosamente, setores que vinham sentindo menos os
efeitos da turbulência internacional por dependerem principalmente
do mercado interno – como o comércio e o setor de
serviços.
Em bares e restaurantes, o movimento despencou entre 40% e 70%,
afirma o presidente da regional da Associação Brasileira
de Bares e Restaurantes (Abrasel), Marcelo Woellner Pereira. Segundo
ele, muitas empresas do setor tiveram que antecipar férias
para os funcionários por causa do movimento fraco. “E
ainda não temos sinais de melhora.”
No comércio, há quem diga que o resultado só
não foi pior por causa do Dia dos Pais. Mas ainda não
há pesquisas sobre o desempenho das vendas diante da gripe.
O maior impacto se deu nos shoppings centers, que chegaram a amargar,
nos sábados e domingos, um fluxo de pessoas semelhante
ao de segunda-feira, considerado o dia mais fraco da semana.
Em Cascavel, onde o comércio foi fechado durante um dia
por determinação das autoridades municipais, os
prejuízos são ainda maiores. As perdas, segundo
o diretor do Cascavel JL Shopping, João Luiz Felix, não
se limitaram ao dia em que o empreendimento deixou de funcionar.
“O problema é a insegurança e a boataria.
Nos outros dias, o fluxo de pessoas e as vendas caíram
50%.” Com 80 lojas, o empreendimento recebe cerca de 15
mil pessoas por dia.
Varejo
As grandes redes varejistas de eletroeletrônicos também
sentiram o efeito. “O movimento do Dia dos Pais foi menor
do que o esperado”, afirma o superintendente da MM Mercado
Móveis, Márcio Pauliki. A gripe também obrigou
a MM a adiar, para entre o fim de setembro e a metade de outubro,
a inauguração de quatro novas lojas no Paraná
e em Santa Catarina. As unidades estão prontas, com funcionários
já contratados. “Como fazemos muitas promoções,
os eventos de inauguração atraem muita gente. Foi
uma medida de precaução. Mas com ela adiamos também
o faturamento com as novas lojas.”
Segundo a presidente da Associação Comercial do
Paraná (ACP), Avani Slomp, no comércio de rua o
impacto foi no setor de alimentos, que sofreu os efeitos da opção
do consumidor de fazer suas refeições em casa. Mas
ela reconhece que a gripe reduziu o chamado consumo por impulso.
“As pessoas passaram a sair somente para comprar coisas
específicas. Aquela compra que ocorre durante o passeio
deixou de existir.”
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Folha de S.Paulo, 23
de agosto de 2009
Apoio de petistas a Sarney
é insustentável, diz Marina
Senadora compara disputa contra
candidatura do PT a luta entre Davi e Golias
Ela diz que nunca defendeu o criacionismo e,
ao falar da descriminalização do aborto, afirma
que questões de fé devem ser respeitadas
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um dos argumentos que a senadora Marina Silva (AC) ouviu para
não sair do PT foi que o lançamento de sua candidatura
à Presidência poderia inviabilizar o "projeto
histórico" do partido no qual militou por quase 30
anos. Lançou mão de personagens da Bíblia
para comparar a candidatura Dilma Rousseff e uma candidatura pelo
PV à luta entre o gigante Golias e Davi.
Na Bíblia, Davi vence. Marina, 51, insiste em que a decisão
sobre sua eventual candidatura só será anunciada
em 2010.
FOLHA - Antes de mudar de partido, a sra. mudou
de religião, de católica para evangélica.
No ano passado, equiparou a teoria da evolução de
Charles Darwin ao criacionismo, que atribui a origem da vida a
Deus. Entre fé e ciência, a sra. fica com a fé?
MARINA SILVA - Houve um completo mal-entendido.
Fui dar palestra em uma universidade adventista, que é
uma faculdade confessional. A legislação brasileira
permite as escolas e as faculdades confessionais, que têm
o direito de fazer a abordagem do ensino a partir da perspectiva
religiosa.
Um jovem me perguntou o que eu achava de as escolas adventistas
ensinarem o criacionismo. Respondi que, desde que ensine também
a teoria da evolução, não vejo problema.
A partir daí, as pessoas começaram a dizer que eu
estava defendendo o criacionismo. Sou professora, nunca defendi
essa tese e nem me considero criacionista. Porque o criacionismo
é uma tentativa de explicação como se fosse
científica para responder a questão da criação
em oposição ao evolucionismo.
Apenas acredito em Deus, é uma questão de fé.
Nunca tive dificuldade em respeitar e me relacionar com os ateus,
com pessoas que professam outras crenças ou outra forma
de pensar diferente da minha.
FOLHA - E essa fé a impede de discutir
questões como a descriminalização do aborto?
MARINA - Questões de fé e as convicções
de cada um devem ser respeitadas. Não me envergonho de
dizer que sou cristã e jamais tergiversaria sobre minha
fé para ganhar simpatia de quem quer que seja. Seria capaz
de perder todos os votos, de nunca mais ser eleita, mas nunca
faria um discurso fácil.
FOLHA - O PV já prepara festa para a
sua filiação no dia 30. A sra. já disse que
todos os partidos têm problemas. Qual é o maior do
PV?
MARINA - O primeiro deles é que o partido
teve de se abrir para evitar perder o registro. Algumas pessoas
se filiaram e até se elegeram sem identidade programática.
FOLHA - O presidente do PV disse ter feito o
convite à sra. para ser candidata ponderando que haveria
muitas limitações de dinheiro e de espaço
na televisão. Com quanto dinheiro se faz uma campanha?
MARINA - Não sou candidata ainda, isso
é em 2010. E tenho consciência dessas limitações.
Inclusive, quando alguns companheiros me perguntavam como eu me
sentiria se, porventura, a minha saída inviabilizasse o
projeto histórico do PT, sobretudo na questão da
inclusão social, eu dizia: acho que vocês estão
superestimando.
Se comparar o tempo de TV da candidatura do PT -o que significa
o Bolsa Família, o PAC, o Luz para Todos, o que significa
(o programa) Minha Casa, Minha Vida, ter um presidente com 80%
de credibilidade, ter palanques de A a Z em 5.000 municípios,
com uma militância de 1,6 milhão de filiados- com
a de um partido pequeno, com menos de dois minutos na TV, sem
palanques, é como se fosse uma luta de Golias contra Davi.
Como não imagino que a candidatura do PT é Golias
e nem tenho a pretensão de ser o Davi, só posso
imaginar que a minha funda vai se lançar contra o Golias
da desesperança, do pragmatismo. Tenho experiência
nisso. Se fosse fazer cálculo em termos pragmáticos,
nunca teria feito nada. O esforço é por aquilo que
significa em termos de semeadura.
FOLHA - O que não é sustentável
hoje no Brasil?
MARINA - O próprio modelo de desenvolvimento,
que tem origem numa visão equivocada de que os recursos
naturais eram infinitos. Temos de aprender a lidar com essa limitação
no sentido de criar novas práticas, novas oportunidades,
nova relação de produção e consumo.
FOLHA - É sustentável o apoio
do PT a José Sarney?
MARINA - Isso já se mostrou insustentável
por tudo o que está acontecendo com o Congresso, com o
governo, com o PT, e com o próprio presidente Sarney. No
meu entendimento, o melhor para a crise era o seu afastamento
temporário, inclusive como forma de preservar a figura
histórica de Sarney.
FOLHA - Como entram na agenda da sustentabilidade
os juros altos e a independência do Banco Central?
MARINA - Os juros altos não são
sustentáveis, obviamente, sobretudo em um país que
precisa continuar crescendo. O Banco Central, na realidade do
Brasil, já tem essa independência.
FOLHA - A hidrelétrica de Belo Monte
e BR-319 são sustentáveis?
MARINA - Belo Monte está passando por
um processo de licenciamento, que verificará se ela é
sustentável. A BR-319, eu considero economicamente, ambientalmente
e socialmente insustentável.
FOLHA - O programa nuclear brasileiro é
sustentável?
MARINA - Nós temos outras fontes de energia.
Alega-se que são caras. E, na verdade, são.
Mas a nuclear também é cara.
Com uma diferença: a energia eólica e da biomassa
são caras mas são seguras, a nuclear é cara
e não é segura.
FOLHA - Quão sustentável é
o Bolsa Família?
MARINA - É um programa importante na promoção
da inclusão social. O problema apontado, com razão,
é a questão da porta de saída, para que as
pessoas tenham uma integração produtiva e não
dependam da bolsa. Mas só é possível falar
em porta de saída porque teve porta de entrada.
Uma vez, uma pessoa reclamava que não quiseram fazer uma
faxina pelo valor que ela se dispunha a pagar. "A culpa é
dessa Bolsa Família", dizia. Fiquei feliz, porque,
se não tivesse o Bolsa Família, a pessoa se aviltava
a receber qualquer valor por seu trabalho.
FOLHA - O pré-sal é sustentável?
MARINA - Os combustíveis fósseis
são insustentáveis. O pré-sal tem de ser
visto com os cuidados para que não façamos a apologia
do recurso em si. É preciso que parte dos recursos obtidos
sejam drenados para compensar os danos ambientais das emissões
de CO2.
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Folha de S.Paulo, 23
de agosto de 2009
Banco público diminui
mais os juros
Diferença de taxas médias
de bancos públicos para privados chega a 14 pontos percentuais,
ante 9,8 no início da crise, diz estudo da Fiesp
Instituições controladas pelo
Estado têm mais crédito consignado e custo menor
para a captação de recursos, o que ajuda a reduzir
taxas
VERENA FORNETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Com a agressividade dos bancos públicos no crédito
durante a crise, a diferença entre as taxas de juros dos
bancos privados e as das instituições do governo
quase triplicou nos empréstimos a empresas.
Em junho, os juros médios nas instituições
públicas foram sete pontos percentuais mais baixos que
os dos bancos privados nas linhas para pessoas jurídicas.
Quando a crise chegou ao Brasil, em outubro de 2008, a diferença
entre as instituições era de 2,4 pontos.
Considerando o crédito tanto para as pessoas físicas
quanto para as jurídicas, o descompasso foi de 14,1 pontos
percentuais em junho. Em outubro, a diferença estava em
9,8 pontos.
A conclusão integra estudo da Fiesp (Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo) baseado em
dados do Banco Central, que compara as taxas do Banco do Brasil
e da Caixa Econômica Federal com as dos cinco principais
bancos privados do país, segundo a participação
nas operações de crédito e no arrendamento
mercantil.
Segundo o estudo, entre outubro de 2008 e junho deste ano, os
bancos públicos reduziram seus juros médios anuais
para empresas e pessoas físicas em 8,5 pontos percentuais
(de 37,5% para 29%). Os privados cortaram as taxas em 4,2 pontos
(de 47,3% para 43,1%). A diferença nas taxas de juros em
linhas destinadas exclusivamente a pessoas físicas não
foi pesquisada pela entidade nesse levantamento.
Pressão sem efetividade
Segundo a Fiesp, a pressão do governo para elevar a competitividade
entre os bancos não foi efetiva para reduzir juros e "spreads"
nas instituições privadas. "Spread" é
a diferença entre o que as instituições pagam
para captar recursos e o que cobram dos clientes.
Paulo Skaf, presidente da entidade, afirma que os bancos privados
não acompanharam o movimento de redução de
juros iniciado pelas instituições do governo, mas
argumenta que os bancos privados serão forçados
a rever as suas políticas de crédito em razão
da diferença acentuada entre as taxas.
Segundo ele, pequenos e médios empresários ligados
à Fiesp começam a deixar os bancos privados e a
migrar para instituições do governo. "Aumentou,
sim, o interesse por bancos oficiais", afirma.
De acordo com o estudo, se tivessem pedido os recursos só
nas instituições privadas, todas as empresas que
tomaram empréstimos no país de outubro a junho teriam
pago, juntas, R$ 7,2 bilhões a mais em despesas com juros
do que se tivessem tomado emprestado só do Banco do Brasil
ou da Caixa Econômica Federal.
Diferença de perfil
O economista João Augusto Salles, da consultoria Lopes
Filho, observa que a carteira de crédito dos bancos públicos
e a dos privados têm características distintas, o
que permite que as instituições do governo tenham
taxas mais baixas.
Salles diz que a expressiva participação das linhas
de crédito consignado (em que as parcelas são descontadas
na folha de pagamento do cliente) na carteira dos bancos públicos
diminui o risco dos empréstimos. E isso contribui para
que, na média, as taxas nessas instituições
sejam menores.
Luís Miguel Santacreu, da consultoria Austin Rating, acrescenta
que o custo de captação dos bancos públicos
é menor, o que facilita a redução dos juros.
"Na prática, bancos públicos já poderiam
ter juros menores há um bom tempo."
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Folha de S.Paulo, 23
de agosto de 2009
Canteiro organizado reduz
custos da obra
Sem gestão de resíduos,
gasto com materiais aumenta em até 40%
CRISTIANE CAPUCHINHO
DA REPORTAGEM LOCAL
O monte de areia depositado diretamente na calçada ou
no terreno compõe uma cena comum nos canteiros de obra.
E é indicativo de um problema que aumenta em até
40% os gastos com material de construção: a falta
de gestão de resíduos, alerta o professor da Poli-USP
(Escola Politécnica da Universidade de São Paulo)
Ubiraci Lemes de Souza.
Nem sempre é necessário ter acompanhamento técnico
de um especialista para evitar desperdícios. Algumas precauções
simples, como o correto armazenamento dos materiais -a areia,
por exemplo, deve ficar sobre uma camada de brita (leia dicas
nos quadros)-, já ajudam a minimizar as perdas.
" Não há cuidado na hora de receber, armazenar
e carregar o material. Isso tudo significa perda", concorda
Lilian Sarrouf, diretora-executiva do CBCS (Conselho Brasileiro
da Construção Sustentável). A perda do material
no canteiro representa um gasto dobrado: a soma do preço
do item ao custo de transporte e de descarte dos resíduos.
" Os principais [responsáveis por perdas na obra]
são os serviços que envolvem moldagem, como revestimentos
de gesso. Toda vez que o material endurece antes da aplicação,
vira resíduo", exemplifica Souza. No caso de cimentos
e argamassas, só deve ser preparada a quantidade a ser
usada em uma hora e meia. Depois disso, o material perde parte
de sua capacidade de aderência, explica o professor Souza.
Gambiarras nas partes elétrica e hidráulica usadas
durante a obra também são comuns e geram perda.
Uma mangueira velha com vazamentos ou uma ligação
elétrica com fios descascados no decorrer da construção
custam mais do que a adequação das instalações.
No caso da eletricidade, o uso de um só ponto "sobrecarrega
a instalação e gera perda de energia com o calor
criado, além de ser perigoso", afirma Sarrouf.
Prevenção
Grande parte do desperdício pode ser evitada no projeto
da construção: ele deve prever os tamanhos das peças
utilizadas segundo os produtos à venda no mercado. Paredes
e cômodos requerem um planejamento que leve em conta os
múltiplos tamanhos de blocos e peças de cerâmica.
Tamanhos como um quarto e um oitavo de bloco são opções
existentes. Apesar de mais caros do que a fração
a que se referem, representam economia em relação
ao bloco completo e ganho de tempo na obra.
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AREIA
Para que não haja contaminação da areia com
terra, coloque uma camada de brita antes de despejar o material.
Faça uma baia de madeirite em torno dele para que não
se espalhe
SACARIA
Cimentos e argamassa devem ser estocados em local seco e sem contato
com o solo. O ideal é colocá-los sobre uma plataforma
de madeira, protegidos da umidade
POEIRA
Materiais em pó, como cimento, devem ser preparados em
local ventilado. A obra requer limpeza diária, com varrição;
umedecer a poeira já melhora a qualidade do ar
RECICLAR
Embalagens de papel e de plástico devem ser separadas de
demais resíduos. Para incentivar esse cuidado entre operários,
faça uma festa financiada pela venda desse material
REÚSO
Batentes, portas, esquadrias e cerâmicas antigos podem ser
reutilizados. A cerâmica pode servir em outro espaço
ou como mosaico, para manter a memória da edificação
SUJEIRA
Na reforma de um cômodo, para que o uso do resto da casa
não seja muito afetado, é necessário vedar
portas e janelas com plástico e espuma. Além disso,
a obra deve ter entrada separada da casa
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Agência Brasil,
23 de agosto de 2009
Governo retoma debate sobre
criação da Contribuição Social para
a Saúde
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A retomada dos debates para concluir a votação
do Projeto de Lei Complementar 306/08, que regulamenta a Emenda
Constitucional 29 – responsável por definir percentuais
de recursos a serem aplicados pela União, estados e municípios
na área de saúde –, ocorre em função
da dificuldade financeira enfrentada pelo setor. O presidente
da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio
Perondi (PMDB-RS), alerta que sem novos recursos o Sistema Único
de Saúde (SUS) “não se sustenta, principalmente
agora que o país vive uma série crise no setor de
saúde”.
Para 2010, a correção do orçamento do SUS
será de 5 %, “bem abaixo dos 12 % registrados em
média nos últimos anos”, segundo o deputado.
De acordo com o parlamentar, o fim da votação da
matéria, com a criação da Contribuição
Social para a Saúde (CSS), deverá injetar algo em
torno de R$ 12,5 bilhões a mais no setor da saúde
pública no Brasil por ano, a partir do no que vem.
Se depender do PMDB, a regulamentação da Emenda
29 vai ocorrer no início do mês de setembro. Decisão
nesse sentido foi tomada em reunião nesta semana entre
a bancada do maior partido da Câmara e o ministro da Saúde,
José Gomes Temporão. A reunião era para falar
das ações do ministério no enfrentamento
da influenza A (H1N1) – gripe suína – e a necessidade
de mais recursos para o SUS.
Mas, a conversa caminhou no sentido da necessidade de viabilizar
mais recursos para a saúde, o que seria possível
com a conclusão da aprovação da CSS, cujos
recursos, caso aprovada a contribuição, serão
exclusivos para a saúde. O ministro Temporão afirmou
aos peemedebistas que o Ministério não tem recursos
suficientes para fechar o ano. Segundo ele, serão necessários,
pelo menos mais R$ 2,1 bilhões, sem contar os recursos
exclusivos para combate da doença, cerca de R$ 1 bilhão.
Só que a regulamentação da Emenda 29 encontra
muita resistência na Casa, primeiro porque cria mais impostos
para o cidadão, segundo porque a criação
de impostos em véspera de eleição é
um assunto considerado delicado até por parlamentares da
base governista. A regulamentação da Emenda 29 já
foi aprovada pelo Senado, através do PLP 306/08, de autoria
do senador Tião Viana (PT-AC).
Na Câmara, o projeto original dos senadores foi muito alterado
pelos parlamentares da base governista, que decidiram incluir
no texto a criação de uma contribuição
sobre movimentação financeira destinada exclusivamente
para ajudar no financiamento da saúde. Essa contribuição
é uma espécie de Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF), que foi rejeitada
no Senado Federal.
Mesmo com toda movimentação dos partidos de oposição
e protestos de vários setores empresariais e dos contribuintes,
os deputados da base governista conseguiram aprovar, de forma
apertada, a criação da CSS. Foram 259 votos favoráveis
e 159 contrários e duas abstenções.
A oposição retirou, através de destaque,
do texto o dispositivo que trata da base de cálculo para
a cobrança da CSS. Desde junho do ano passado, os aliados
do governo tentam um bom momento para votar a matéria e
reincluir no texto do projeto o dispositivo. Para rejeitar o destaque
da oposição, o governo precisa de pelos menos 257
votos favoráveis. Do contrário, fica criada a CSS,
mas sem poder ser cobrada, porque não tem base de cálculo.
Outro motivo que dificulta a votação é a
insatisfação de parlamentares da base aliada que
não querem votar mais nada até verem suas emendas
orçamentárias liberadas.
Ainda há um outro problema para a regulamentação
da Emenda 29 com a criação da CSS. Isto porque o
projeto teve origem no Senado e como ele está sendo alterado
pelos deputados, o projeto terá que retornar ao Senado
para novas discussões e votação.
Com a crise no Senado e uma base governista menor do que a da
Câmara, corre-se o risco de os senadores rejeitarem o texto
aprovado pelos deputados e retornarem o texto original, que trata
apenas da regulamentação da Emenda 29. Se isso ocorrer,
será encaminhado à sanção o texto
dos senadores, uma vez que a matéria não retornará
à Câmara.
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Agência Diap,
22 de agosto de 2009
Projeto da taxa assistencial
é aprovado em comissões; vai ao plenário
Crise no Senado solapa bancada
do PT; dois deixam o partido
Crises à parte, esta semana foi muito produtiva para o
movimento sindical no Senado.
Por pressão das entidades que compõem o Fórum
Sindical dos Trabalhadores (FST), a Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) do Senado rejeitou as emendas apresentadas ao PLS
248/06, que regulamenta a cobrança da taxa assistencial
em favor dos sindicatos em razão da assinatura da convenção
coletiva de trabalho.
Agora, o projeto vai ao exame do plenário. A batalha do
movimento sindical é pautar o projeto no plenário
e votá-lo, pois a Casa vive em estado de inação
no plenário, em razão da crise que prejudica a produção
legislativa desde que José Sarney (PMDB/AP) assumiu a Presidência
da Casa.
Esta crise afeta sobremodo a bancada do PT, dividida entre o
apoio a Sarney e contra sua permanência na principal cadeira
do Senado.
As primeiras baixas são de Marina Silva (AC), que sai
do partido para se filiar ao PV e concorrer à Presidência
da República sob a bandeira dos "verdes", em
defesa do meio ambiente. A outra baixa é do senador Flávio
Arns (PR), que desembarca da legenda sob a argumentação
que o partido não segue seus preceitos éticos.
Hoje, depois de conversar com Lula, o senador Aloizio Mercadante
(SP) fica na liderança do PT, que ele ameaçava deixar
em razão de o partido ter votado pelo arquivamento dos
processos contra Sarney no Conselho de Ética.
Merece destaque ainda a disputa na Câmara pela redução
da jornada de trabalho. Esta semana os empresários resolveram
se movimentar contra a proposta. Esta semana foi divulgada pesquisa
que mostra confiança do brasileiro no Governo para superar
a crise.
Caged mostra que emprego formal na indústria aumentou
em julho; e desemprego se estabiliza, segundo IBGE. Na Câmara,
proposta que desconstitucionaliza direitos recebe parecer favorável
na Comissão de Constituição e Justiça,
onde aguarda votação.
Jornada de trabalho
Toda vez que surge no cenário nacional proposta que pode
melhorar a vida dos assalariados e do povo de modo geral, imediatamente
patrões e empresários partem para o ataque dizendo
que tal medida trará crise, desemprego e quebradeira geral.
Confiança do brasileiro
A confiança do brasileiro no Governo para lidar com os
efeitos da crise financeira internacional está alta, superando
a média mundial, segundo revela pesquisa divulgada na última
quinta-feira (20) pelo WiN (Worldwide Independent Network of Market
Research). De acordo com o estudo, em uma escala que varia de
1-10, onde 10 representa maior satisfação, o Brasil
atingiu 6,1 pontos, número 1,3 ponto a mais do que média
global, de 4,8.
Emprego formal na indústria
A indústria contratou 17.354 trabalhadores em julho, mês
que registrou o melhor desempenho do ano na criação
de empregos, mas nem todos os segmentos tiveram saldo positivo
entre demissões e contratações. O Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostrou que ainda
houve redução do emprego no mês passado nas
indústrias produtoras de borracha, fumo e couros (-3.906),
nas metalúrgicas (-1.077) e nas de materiais de transporte
(-468).
Desemprego estabiliza
A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas
do País ficou em 8% no sétimo mês do ano de
2009, o que mostra certa estabilidade em relação
a junho e julho de 2008, quando a taxa era de 8,1%. De acordo
com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
que divulgou a "Pesquisa Mensal de Emprego", na quinta-feira
(20), essa é a menor taxa para meses de julho desde o início
da série da pesquisa, que começou em 2002.
Desconstitucionalização de direitos
Escondida atrás de uma discussão doutrinária
a respeito do tamanho da Constituição brasileira,
as conquistas da Carta Política de 1988 poderão
ser anuladas, caso venha a ser aprovada a Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) 341/09, do deputado Regis de
Oliveira (PSC/SP), que desconstitucionaliza todos os direitos
e garantias sociais, como os direitos trabalhistas, previdenciários,
dos servidores, sindicais, entre outros.
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Correio do Brasil, 22
de agosto de 2009
Empresários lançam
manifesto pela inovação na economia nacional
Um grupo de industriais brasileiros divulgou um manifesto
no qual defendem o aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
O evento aconteceu durante o 3º Congresso Brasileiro de
Inovação na Indústria, que reúne,
em São Paulo, 600 empresários, representantes do
governo e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), Luciano Coutinho.
No documento, os empresários assinalam, também,
o empenho de todos no esforço de inovar.
No texto, há uma meta de duplicação do número
de empresas que apostam em inovação, em quatro anos.
Hoje, haveria cerca de seis mil empresas na área de inovação
tecnológica.
Eles reclamam ainda que poucos jovens chegam às universidades
com a intenção de fazer cursos voltados para a área
tecnológica, diminuindo a oferta de mão de obra
na área de Pesquisa e Desenvolvimento.
Com o objetivo de tirar as promessas do plano das intenções,
será criada uma equipe para colocar metas e cobrar resultados,
no âmbito da CNI.
Entre os empresários que participam do congresso estão
Adilson Primo, da Siemens, Pedro Luiz Barreiros Passos, da Natura,
Pedro Wongtchowski, do Grupo UItra, José Wilmar de Mello
Justo Filho, da Thyssenkrupp, Pedro Suarez, da Dow, Ricardo Pelegrini,
da IBM, Rolf-Dieter Acker, da Basf, e Wilson Ferreira Júnior,
da CPFL.
Também estarão presentes Jorge Gerdau Johanpetter,
do Grupo Gerdau, Cledorvino Belini, da Fiat, Michel Vale, da 3M,
e Luiz Fernando Furlan, da Sadia.
Clique aqui
veja o documento
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Terra Magazine, 22 de
agosto de 2009
Ciro quer Presidência
mas não descarta chapa com Dilma
O ex-ministro Ciro Gomes admitiu nesta sexta-feira (21), em Teresina
(PI), a possibilidade de uma chapa com a ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência
da República. "Tudo é possível",
afirmou. O deputado concedeu entrevista coletiva, na qual afirmou
que as pesquisas eleitorais favorecem uma dobradinha Ciro e Dilma
e que vê com naturalidade essa chapa. Mas reafirmou sua
disposição de ser candidato à Presidência
da República.
Ciro Gomes disse que esta é a fase das especulações
e política é um pouco arte também. "Neste
momento o PSB tem muitas clarezas. Somos convergentes ao projeto
estratégico de país que o presidente Lula hoje lidera.
O partido entende que tem que apresentar sua própria cara,
seu próprio rosto, seu próprio projeto, suas próprias
ideias ao conjunto da sociedade brasileira, apresentando a minha
candidatura a presidente da República", afirmou.
"Mas uma coisa casada com a outra, nos obriga a conversar.
Na conversa, como as pessoas fazem, conversam aqui e contam ali,
o que é especulação, às vezes parece
plano. Tem cogitação do Governo de São Paulo,
mas não é o que eu desejo. Eu desejo ser candidato
a presidente da República. Tem cogitação
de vice e não é o que eu desejo. Mas qualquer pessoa
se sentiria honrada em servir ao país nestas circunstâncias.
O importante é que chamemos o povo para discutir e revitalizar
a política brasileira", destacou.
"O que posso anunciar é que o meu plano é
servir o povo brasileiro como presidente", afirmou. "Eu
faço política por ideal e não meio de vida.
Não vou deixar que o poder volte para os barões,
que não se doem com as dores do povo mais pobre."
Ciro Gomes disse que atualmente é um homem "maduro"
e que já deu "muitos murros em ponta de faca".
"Não é valente quem dá murros em ponta
de faca. É temerário", afirmou. "Eu já
dei muitos murros em ponta de faca. Todas as vezes, a minha mão
furou."
Para Ciro, a miséria não gera violência e
citou exemplo da cidade de Salitre, no Ceará, com menor
renda percapita e passa dois anos sem registro de um único
homicídio. Ele disse que o Brasil tem o 4º maior juro
do planeta e afirmou que o “Piauí vai explodir de
riqueza” com os investimentos nos Cerrados.
Marina Silva
O deputado cearense disse ainda que Marina Silva é uma
"grande amiga" e uma "irmãzinha querida"
e que a possibilidade da candidatura da senadora à Presidência
muda o cenário.
"Vejo a presença dela como uma coisa boa para o debate
no Brasil. Eu não a vejo, em qualquer parada que eu esteja,
a gente se atrapalhando", disse Ciro. "Eu vejo a gente
se ajudando mutuamente."
Relação PT-PMDB
Durante a coletiva, Ciro disse que existe muita imundíce
e sujeira na política brasileira, e que devem ser espanada
para revitalizar e renovar a política. Ele afirmou que
o PT cometeu um grave erro político ao entregar ao PMDB
a hegemonia moral e intelectual ."O PT está em contradição.
Sempre cultivou a ética e agora tem que engolir, com casca
e tudo, o que há de pior na política brasileira",
analisou o deputado.
Louis Vuitton
Ciro Gomes esteve em Teresina participando de um congresso médico
e para fazer reuniões políticas com o PSB do Estado,
que tem o vice-governador Wilson Martins como candidato a governador
em 2010.
Aos médicos, Ciro Gomes anunciou que está fazendo
campanha contra a marca francesa Louis Vuitton. Para ele, a bolsa,
que é uma das mais caras do mundo, é "cafona"
e representa a segregação social.
" A bolsa Louis Vuitton é cafona. Perdão se
alguém não saiba da minha campanha contra ela e,
eventualmente, esteja carregando uma aqui", disse para mais
de 500 médicos. "Mas a bolsa Louis Vuitton é
apenas uma bolsa. Só que ela é tão cara,
exorbitantemente, que ela tem um sentido: destacar a senhora ou
a moça que pode portá-la para fazer uma referência
de êxodo social."
O ex-ministro falou ainda sobre os “preconceitos ideológicos”
de mercado, polícia, juros, economia e disse que o câmbio
rege tudo. Ele disse ainda que ir a Miami é mais barato
do que ir ao Delta do Piauí. Segundo ele, é uma
pena, pois o Delta é “muito mais bonito” e
ainda fez propaganda do Ceará. “Depois do Delta,
ele por ir até Jeriguaguara”.
Ciro defendeu uma política de desenvolvimento com “começo,
meio e fim” para o Brasil, e que é preciso investimento
em tecnologia e capital humano para ter um País mais produtivo.
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Gazeta do Povo, 22 de
agosto de 2009
matérias-primas
Após retração,
indústria ensaia alta de preços
Segmentos de plástico, siderurgia
e material de construção têm aumento da demanda
e preparam reajustes
São Paulo - Depois de meses de retração
nas vendas, alguns setores da indústria estão sendo
beneficiados pela retomada da economia mundial e pela redução
gradual dos estoques, e já ensaiam aumentos nos preços
dos seus produtos em busca de recomposição de margens.
Os setores de plásticos, produtos siderúrgicos e
materiais para construção estão obtendo sucesso
nesta estratégia, embora os preços ainda estejam
muito abaixo dos níveis anteriores à crise, no primeiro
semestre do ano passado.
O aumento de preços das resinas para produção
de plásticos chegou a 20% entre julho e agosto deste ano
devido ao movimento de volta às compras, após a
redução dos estoques. Na siderurgia, a alta ainda
é restrita ao segmento de chapas grossas, usadas pela indústria
naval e tubos de petróleo e gás, mas os outros tipos
de aços planos, utilizados no setor automotivo e na linha
branca, também devem seguir esta tendência até
o fim do ano, sustentados pela alta dos preços no exterior.
Dentre os materiais de construção, o produto que
já apresentou altas foi o de louças sanitárias,
que deve ser acompanhado por reajustes também em metais
sanitários.
No setor de transformados plásticos, a elevação
das cotações no exterior e a expansão da
demanda doméstica permitiram que as fabricantes de resinas
termoplásticas promovessem dois reajustes consecutivos
em julho e agosto. Esses resinas são usadas na fabricação
de plásticos em geral, inclusive para embalagens. Os mais
de 11 mil transformadores de plástico, que compõem
a terceira geração da cadeia petroquímica,
não têm condições de absorver a alta
de quase 20% e, por isso, devem repassar grande parte do aumento
para seus clientes.
Petroquímica
O momento para os reajustes da indústria petroquímica
não poderia ser mais propício. Diante da ainda escassa
oferta de linhas de crédito para empresas de menor porte,
os transformadores se viram obrigados a consumir seus estoques.
Com isso, ingressaram no segundo semestre com a necessidade de
manter um ritmo acelerado de compras. “Registramos recuperação
da demanda mês a mês. Julho está melhor do
que junho, que havia sido melhor do que maio”, destacou
o presidente da Braskem, Bernardo Gradin.
O volume de vendas de resinas do setor no segundo trimestre deste
ano foi 18% superior aos três primeiros meses de 2009, segundo
estimativas da Braskem, a maior fabricante do setor na América
Latina. A previsão para o terceiro trimestre é de
nova alta nas vendas, puxada pela recuperação da
economia brasileira.
Diante desse cenário, os transformadores devem encontrar
menor dificuldade para repassar aos clientes os aumentos das petroquímicas.
Essas, por sua vez, prometem manter a política de ajustar
os preços internos às cotações praticadas
no exterior. Desde março, informou na semana passada a
Braskem, a alta nos preços de polietilenos, polipropileno
e PVC varia entre 18% e 19%. Essa recuperação, no
entanto, não repõe metade da queda dos preços
registrada entre setembro de 2008 e março passado. Por
isso, sinaliza a companhia, ainda há espaço para
novos reajustes.
Outro setor que começou a articular uma recuperação
nos preços foi o de siderurgia. Além de reduzir
os descontos que eram concedidos, esta indústria já
fala na possibilidade de praticar aumentos de preço até
o fim do ano. Segundo fontes do mercado e distribuidores de aço,
a Usiminas elevou o preço da chapa grossa, material usado
pela indústria naval e de tubos para petróleo e
gás, em 10% neste mês, depois de reduzir o preço
do produto em 35% neste ano, e deve ser seguida por outras empresas.
De acordo com Christiano da Cunha Freire, presidente da Frefer,
segunda maior distribuidora independente de aço do Brasil,
o mercado espera uma alta de cerca de 10% no preço dos
aços planos para os próximos meses. Este tipo de
produto é usado pela indústria automotiva e pela
linha branca. Desde o início do ano, os preços dos
aços planos caíram em média 22,9% no mercado
interno.
O setor de materiais para construção também
ensaia alguns reajustes no segmento de louças e metais
sanitários. O cenário de retomada da atividade econômica
e de aumento da demanda de materiais de construção
pelas incorporadoras e construtoras em função do
programa habitacional Minha Casa, Minha Vida devem permitir um
aumento no uso da capacidade instalada das indústrias do
setor no segundo semestre, segundo a consultora da FGV Projetos,
Ana Maria Castelo. Ela destacou, no entanto, que justamente porque
ainda existe capacidade ociosa, não necessariamente haverá
aumentos de preços generalizados de materiais.
Dados da Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção (Abramat) apontam que,
em agosto, o uso da capacidade instalada do setor era de 83%.
Em outubro do ano passado, a utilização da capacidade
atingiu o máximo, de 88%. “O uso da capacidade instalada
caiu até chegar a 78% em junho, mas agora voltou a subir”,
afirma a consultora da FGV Projetos.
Análise
Esse movimento de recomposição de margens das empresas,
no entanto, está longe de significar uma ameaça
de alta da inflação Segundo economistas, o aumento
nos preços destes setores da indústria não
é suficiente para gerar pressões inflacionárias
porque trata-se apenas de uma pequena recomposição
parcial de rentabilidade que não será acompanhada
por um expressivo aumento da demanda interna. “Do ponto
de vista dos custos também não há pressão
porque o câmbio se apreciou”, afirmou o economista
da RC Consultores, Fábio Silveira.
O coordenador da Pesquisa de Preços da Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Antonio Evaldo
Comune, destacou que o aumento dos preços só deve
se traduzir em inflação ao consumidor caso ocorra
de forma mais acentuada e atinja também outros setores
da economia. “Teria de ser um movimento mais generalizado
para repercutir nas cadeias produtivas e atingir o consumo das
empresas e famílias”, afirmou.
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Folha de S.Paulo, 22
de agosto de 2009
Para empresários,
corte de gasto público evitaria nova CPMF
Problema na saúde é
mais "de gestão do que de dinheiro", diz Paulo
Skaf, presidente da entidade
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reação ao empenho do ministro José Gomes
Temporão (Saúde) e de alguns partidos da base aliada
do governo em criar uma nova CPMF, o presidente da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf,
disse ontem que o problema do setor "é muito mais
de gestão do que de dinheiro".
A entidade diz que, caso a contribuição, batizada
agora de CSS (Contribuição Social para a Saúde)
com a alíquota de 0,1%, seja aprovada pelo Congresso, as
pequenas e médias empresas correm risco de não conseguir
se recuperar da crise. A Fiesp afirma ainda que a nova CPMF atingiria
toda a cadeia produtiva, trazendo impacto para os produtos finais.
Números da federação mostram que, no primeiro
semestre de 2009, somando os gastos com pessoal, previdência
e custeio, as despesas do governo federal aumentaram em mais de
10%, cerca de R$ 24 bilhões (descontada a inflação),
em relação ao primeiro semestre de 2008. "O
governo deveria melhorar a gestão e cortar gastos públicos
onde cabe. CSS é, na verdade, "Contra o Seu Salário'",
disse Skaf.
Ele lembrou também que a participação da
arrecadação federal no PIB saltou de 22%, há
20 anos, para 38%, atualmente. "E a sociedade ainda paga
mais, de maneira particular, por saúde, educação,
previdência e segurança. Isso é pouco? Por
que aumentar os impostos?"
A posição da Fiesp, uma das principais articuladoras
pela derrubada da CPMF, recebeu o apoio da OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil), por exemplo. Em nota, o presidente da Ordem, Cezar
Britto, disse que o "país precisa é, na verdade,
melhorar, por meio de uma reforma política, a qualidade
dos seus representantes para que eles percam de vez a fome de
arrecadação e deixem de jejuar no cumprimento de
suas missões". "É a lógica de punir
o cidadão porque não se consegue conter a compulsão
pelos gastos excessivos", afirmou.
Ele não descarta a possibilidade de a OAB ingressar no
STF (Supremo Tribunal Federal) com uma Ação Direta
de Inconstitucionalidade contra a medida, caso ela venha a ser
aprovada pelo Congresso.
O Ministério da Saúde admitiu, por meio da assessoria
de imprensa, que o problema do setor é também de
gestão, mas reafirmou que falta dinheiro. Segundo dados
do ministério, os investimentos do Brasil em saúde
correspondem a cerca de 7% dos gastos de países como Canadá
e Reino Unido. O Brasil também fica atrás de países
como Costa Rica, Panamá, Argentina e México, diz
o ministério.
A recriação da CPMF está sendo rediscutida
pelos líderes partidários na Câmara com a
regulamentação da emenda nº 29, que destina
mais recursos para a saúde.
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BEM PARANÁ, 21
de agosto de 2009 | Trabalho & Negócios
Emprego
Cai proporção de trabalhadores
sem carteira assinada, informa Dieese
Cerca de 20% das admissões ainda
são informais
Agência Brasil
O número de pessoas
que trabalham sem carteira assinada no comércio ainda é
expressivo em algumas capitais do país, mas, proporcionalmente
ao universo empregado, a informalidade vem caindo. A constatação
é de pesquisa divulgada hoje (20) pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Cerca de 20% das admissões
ainda são informais, embora tenha crescido o número
de empregados que têm assegurados todos os direitos constantes
na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), entre
os quais aposentadoria, seguros previdenciários e 13º
salário.
O quadro, referente ao
período que vai de 1998 a 2008, consta da quarta edição
do Boletim Trabalho no Comércio, feito com base em dados
da Relação Anual de Informações Sociais
(Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, e em informações
da Pesquisa de Emprego e Desemprego do Dieese/Seade. Nesse período,
o comércio abriu 14.949.931 vagas em caráter formal
e, a cada 10 trabalhadores contratados, seis tiveram carteira
assinada.
São Paulo foi a
cidade com maior proporção de comerciários
sem amparo legal, 21,5% do total de 1,028 milhão. No ano
passado, 220 mil vagas foram preenchidas por trabalhadores que
não tiveram o registro na carteira profissional. Esse total,
em termos absolutos, ficou acima do de 1998 (174 mil). Proporcionalmente
ao total de contratados com ou sem carteira, incluindo ainda outras
formas de vínculo empregatício, houve, entretanto,
queda da informalidade, passando de 21,5% para 24%. Ao mesmo tempo,
as contratações com carteira aumentaram 55,6%. Eram
459 mil em 1998 e subiram para 715 mil.
À exceção
de Porto Alegre, onde a proporção dos sem carteira
aumentou de 13,2% para 14%, todas as demais capitais pesquisadas
apresentaram melhora das condições para o trabalhador.
Na capital gaúcha, os contratos informais aumentaram 58,9%,
de 18 mil para 29 mil.
Salvador aparece em segundo
lugar na informalidade, mas, comparativamente a 1998, o percentual
baixou de 25,3% para 19,4% .No ano passado, dos 139 mil trabalhadores
admitidos na capital baiana, 19,4% não contavam com os
direitos da CLT, o que representava 27 mil pessoas ante 26 mil,
em 1998. Mas, há dez anos, o universo empregado era de
101 mil e, desses, 25,3% estavam fora da CLT..
Em Recife, a proporção
caiu de 23,8% para 18,1%, com um total de 29 mil trabalhadores,
07% mais do que há dez anos. Em Belo Horizonte, houve alta
de 12,1% em termos absolutos, com 36 mil contratos ante 32 mil,
mas, em relação ao total, o percentual caiu de 23,8%
para 18,1% .
No Distrito Federal, a
proporção passou de 23% para 16,1%, com aumento
de 31,3% em termos absolutos. Há dez anos, 16 mil contratos
eram informais e subiram para 21 mil. Só que em 1998, 23%
do total de contratados estavam sem registro.
Análise técnica
do Dieese diz que o comércio usa a informalidade para baixar
custos, mas a considera "uma prática antiética,
que chega a ultrapassar os limites legais”. Isso, conforme
a análise, leva a uma situação de precariedade,
em que o trabalhador sem registro acaba recebendo salário
menor e cumprindo jornadas mais ampla do que os que têm
carteira assinada. Além disso, os que não têm
registro permanecem menos tempo na empresa.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de agosto de 2009 | Economia
Ipardes analisa efeitos da crise
nos 399 municípios do Paraná
AE Notícias
Análise feita pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento
Econômico e Social (Ipardes) e divulgada nesta quinta-feira
(20) mostra que - de setembro de 2008, início da crise
financeira mundial, a junho deste ano - 242 municípios
dos 399 do Paraná obtiveram saldos positivos ou permaneceram
estáveis na geração de empregos.
Os demais 157 municípios
tiveram saldo negativo. Os impactos, tanto negativos quanto positivos,
foram mais intensos nos municípios menores. Os dados foram
extraídos da Relação Anual de Informações
Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) do Ministério do Trabalho.
No período analisado,
o Paraná teve saldo de empregos. Aproximadamente 80% do
saldo positivo foi gerado em 43 municípios, com destaque
para Curitiba (5.087), Maringá (2.952), Araucária
(2.255), Londrina (2.192), Rondon (1.783), Cascavel (1.449), Campo
Mourão (1.225), Foz do Iguaçu (919) e Pato Branco
(838). Em sua grande maioria eram municípios de maior porte.
Mais de um terço
dos municípios (157) do Estado obtiveram saldo negativo,
totalizando -21.295 postos de trabalho. Destes, cerca de 80% concentraram-se
em 34 municípios, em sua maioria diferentes daqueles que
inicialmente foram mais afetados pela crise, destacando-se Telêmaco
Borba (-1.535), Toledo (-1.410), Ibaiti (-1.157), São José
dos Pinhais (-988) e Pinhais (-888).
O município que
mais sentiu os efeitos negativos da crise sobre o mercado de trabalho
foi Curiúva. O saldo negativo atingiu 27% do total de empregos
formais do município, principalmente em atividades de apoio
à produção florestal e ao desdobramento de
madeira.
Também chamou
atenção a repercussão negativa da crise nos
mercados de trabalho dos municípios de Reserva, Cidade
Gaúcha, Sengés, Ibaiti, Lupionópolis, Mato
Rico, Ivaté, Flórida, Nova América da Colina,
Ventania, Santa Mariana, Bituruna, São José da Boa
Vista e Telêmaco Borba. São municípios que
dependem, em grande medida, do comportamento de poucas unidades
fabris ou atividades econômicas.
Na ponta oposta, o município
de Rondon destacou-se em relação ao crescimento
do mercado de trabalho. O saldo de postos de trabalho observado
no período, especialmente à produção
de álcool, representava aproximadamente 41,4% do seu mercado
de trabalho em junho de 2009.
O estudo destaca ainda
o bom desempenho dos municípios de Porecatu, Amaporã,
Bom Sucesso do Sul, Tijucas do Sul, Campo Magro, Diamante do Sul,
Campo do Tenente, Centena´rio do Sul, Nova Aliança
do Ivaí, Serranópolis do Iguaçu, Três
Barras do Paraná e São João.
Início da crise
De setembro a novembro
de 2008, o Paraná apresentou saldo positivo na geração
de empregos. O único mês de saldo negativo ocorreu
em dezembro. Para o analista de conjuntura do Ipardes, Eron Maranho,
este resultado já era esperado independentemente da crise
econômica. "Podemos atribuir estes números ao
comportamento sazonal do mercado de trabalho paranaense e às
adversidades climáticas que afetaram negativamente as atividades
agrícolas do Estado", afirmou.
Cerca de 42 municípios
foram responsáveis por aproximadamente 80% da redução
dos postos de trabalho, destacando-se os municípios de
Paraíso do Norte (-2.976), Colorado (-2.397), Astorga (-1.269),
Tapejara (-1.117) e Cambará (-1.018) onde estão
instaladas destilarias e usinas de álcool que normalmente
reduzem o número de trabalhadores contratados neste período,
além de Curitiba (-1.298), Paranaguá (-957) e Paranavaí
(-932).
O desempenho positivo
de 168 municípios (42,1%) resultou em aumento de 7.907
postos de trabalho, insuficiente para contrapor os saldos negativos
dos demais municípios. Aproximadamente 80% deste crescimento
foi gerado em cerca de 40 municípios, podendo-se ressaltar
Colombo (+878), Ponta Grossa (+680), Campo Mourão (+635),
Guaratuba (+559) e Campo Magro (+430).
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BEM PARANÁ,
21 de agosto de 2009 | Economia
Carteira
SRTE altera forma de registro
profissional
A Superintendência Regional do Trabalho
e Emprego no Paraná (SRTE/PR) opera desde o dia 1º
de agosto um sistema inédito
A Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE/PR) opera
desde o dia 1º de agosto um sistema inédito para efetuar
o registro profissional nas Carteiras de Trabalho e Previdência
Social (CTPS). Ele agora é expedido em forma de etiqueta,
no prazo máximo de dez dias. O sistema é pioneiro
no Brasil e já possibilitou a expedição de
360 registros nos últimos 15 dias. Antes do novo sistema
entrar em operação, foram emitidos 233 registros
profissionais em um mês e o tempo médio de emissão
podia chegar a 40 dias.
Até a primeira
quinzena de agosto já foram feitos 1.901 novos registros,
contra 1.306 no mesmo período do ano passado.
De acordo um dos
criadores do sistema, o servidor Jonathan Felippe Agner, as etiquetas
foram criadas para diminuir o número de processos atrasados
e agilizar a elaboração de futuros protocolos. Além
de possuir o nome do profissional — a forma antiga não
continha essa informação — a etiqueta tem
um sistema de segurança criptografado, o que permite uma
rápida confirmação dos dados repassados pelo
trabalhador.
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BEM PARANÁ, 21
de agosto de 2009 | Brasil
Para o sucessor
PAC deixará pendência
de R$ 115 bi, diz estudo
Até agora só 10% dos recursos
foram efetivamente desembolsados pelo Estado
Agência Estado
O Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) deixará para o sucessor de Lula uma
pendência de R$ 115 bilhões não gastos até
2010 no setor de logística. O cálculo foi feito
pelo professor da Coppead/UFRJ Paulo Fleury, diretor do Instituto
de Logística e Supply Chain (Ilos), com base no último
balanço do programa. Segundo o trabalho, até agora
só 10% dos recursos foram efetivamente desembolsados pelo
Estado. “Nesse ritmo, o governo só terminaria de
gastar todo o dinheiro em 2034”, prevê Fleury.
Ele explica que o governo
planejava deixar para o seu sucessor compromisso de investimentos
de apenas R$ 36 bilhões - montante referente a parte dos
projetos do Trem de Alta Velocidade (TAV), que vai custar R$ 34
bilhões, e da Ferrovia Oeste-Leste, na Bahia, de R$ 6 bilhões.
“Mas o que temos visto até agora não vai nesse
caminho. Se nada for feito para dar celeridade ao processo no
máximo o PAC terminará com 12,7% dos recursos gastos”,
diz o professor.
Lançado em janeiro
de 2007 como o mais importante programa de investimentos em infraestrutura
dos últimos anos, o PAC vive aos trancos e barrancos, com
enorme dificuldade para acelerar o ritmo das obras. Dos 37 projetos
de logística levantados por Fleury, 32% tiveram o cronograma
prorrogado e apenas 14% foram concluídos. Em apenas 3%
dos casos, o governo conseguiu antecipar a conclusão da
obra.
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FOLHA DE LONDRINA, 21
de agosto de 2009 | Política
Parceria de Lula com PMDB tem custo
alto ao PT
O mais nítido triunfo dos peemedebistas
foi obter o controle político do Congresso em troca de
apoio em 2010
Brasília - Se a
parceria com o PMDB é considerada decisiva pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva para um bom resultado nas eleições
de 2010, seu custo para o PT tem sido alto. Desde que, no início
do ano, Lula resolveu bancar a parceria preferencial com o PMDB
em troca da possibilidade de coligação em torno
da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, cada
triunfo político dos peemedebistas têm produzido
um resultado amargo para os petistas, dentro dessa relação.
Apenas com a perspectiva
de fechar a aliança eleitoral com o PT, os peemedebistas
já conseguiram claras vantagens. O primeiro e mais nítido
triunfo foi obter o controle político do Congresso. Nos
últimos anos, nenhum partido comandava simultaneamente
Câmara e Senado, justamente para não acumular tanta
força. Com apoio de Lula, porém, o PMDB conseguiu
eleger Michel Temer (PMDB-SP) e José Sarney (PMDB-AP) para
as presidências de Câmara e Senado, respectivamente.
No caso do Senado, a situação
foi pior porque a bancada petista chegou a lançar uma candidatura
própria, com o senador Tião Viana (PT-AC). Apesar
disso, Lula defendeu abertamente a candidatura de Sarney e trabalhou
para que ele fosse eleito, derrotando o nome apoiado pelos senadores
de seu partido.
O peso da aliança
com o PMDB provocou outro estrago grave para os senadores petistas.
Eles foram obrigados por Lula e pelo presidente do partido, deputado
Ricardo Berzoini (SP), a defenderem Sarney das acusações
que sofreu por suposto envolvimento em irregularidades. A bancada
petista chegou a fechar uma posição pública
defendendo a abertura de investigação contra Sarney
dentro do Conselho de Ética.
Apesar disso, Lula e o
PT instruíram que o partido desse seus três votos
dentro do Conselho a favor do arquivamento de todos os pedidos
de investigação, contrariando a decisão da
bancada. O saldo dessa pressão foi o anúncio da
desfiliação do senador Flávio Arns (PR),
a aceleração da ida da senadora Marina Silva (AC)
para o PV e a predisposição do líder da bancada,
Aloizio Mercadante (SP) de abandonar seu posto.
Para o PMDB, no sentido
inverso, essa movimentação foi um sucesso. Graças
aos votos petistas serviram para blindar Sarney na condição
de presidente do Senado. Sem esse apoio, o senador teria que passar
por investigação no Conselho e colocaria em risco
sua posição de presidente da Casa.
Além disso, nos
últimos meses, o PMDB conseguiu fortalecer ainda mais sua
participação na gestão de áreas estratégicas
dentro do governo. Desde que foi nomeado ministro de Minas e Energia,
o senador Edison Lobão (PMDB-MA) só aumentou sua
participação na discussão sobre a exploração
de petróleo na camada do pré-sal.
Por sua influência,
o PMDB conseguiu emplacar na semana passada o peemedebista José
Lima de Andrade na presidência da BR Distribuidora, no lugar
do petista José Eduardo Dutra, que deixou o comando da
estatal para disputar a presidência nacional do PT. O problema
é que os petistas desejavam fazer a sucessão de
Dutra e manter sua hegemonia na empresa, mas não tiveram
força política para derrotar a indicação
feita pelo PMDB.
Marcelo de Moraes
Agência Estado
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Folha de S.Paulo,
21 de agosto de 2009
Oposição diz
que vai barrar a nova CPMF no Congresso
Parlamentares do PSDB e DEM dizem
que não há garantia de que recursos obtidos serão
de fato aplicados na saúde A Diante das críticas,
governo agora já cogita dividir a arrecadação
entre Estados e municípios para ganhar apoio dos oposicionistas
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Líderes de partidos
da oposição afirmaram ontem que são contrários
à criação da nova CPMF, batizada de CSS (Contribuição
Social para a Saúde), e farão de tudo para barrá-la
no Congresso.
A proposta começa a ser rediscutida na Câmara, mas,
para o DEM e o PSDB, ela é apenas uma forma de o governo
colocar dinheiro em caixa em um momento de queda da arrecadação
de tributos. Defendida pelo ministro José Gomes Temporão
(Saúde) e com o apoio do PMDB e do PT, a nova CPMF teria
alíquota de 0,1% sobre as movimentações financeiras
e seria direcionada para a saúde.
"Não temos segurança de que o dinheiro vai
todo para a saúde. Esse é um jogo para empurrar
para o Parlamento o ônus de criar um novo imposto",
disse o líder do PSDB na Câmara, deputado José
Aníbal (SP).
"Não só sou contra como vamos fazer uma grande
movimentação para barrar isso", completou o
líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO). O ministério
estima arrecadar com a CSS cerca de R$ 10 bilhões por ano,
dinheiro que seria destinado apenas para a União. Para
tentar convencer oposicionistas, o governo já fala, no
entanto, na possibilidade de dividir a arrecadação
com os Estados e os municípios.
De acordo com o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza
(SP), a partilha ficaria em 40% para a União, 30% para
Estados e outros 30% para os municípios. Como o projeto
que tramita na Câmara não pode ser mais alterado
e destina tudo para o ministério, o governo acena com a
possibilidade de, neste momento, passar mais dinheiro para os
municípios.
Depois, fala em enviar outro projeto, em caráter de urgência,
regulamentando a divisão dos recursos. A proposta de recriação
da CPMF foi incluída pela Câmara no projeto que regulamenta
a emenda constitucional 29, destinando mais recursos para a saúde.
Para Januário Montone, secretário municipal da Saúde
de São Paulo, o setor realmente precisa de mais dinheiro,
"mas não é adequado juntar as duas coisas [regulamentação
da emenda com a CSS]".
Dados do ministério mostram que toda a regulamentação
da emenda 29 destinará à área mais R$ 15
bilhões por ano. O Conselho Nacional dos Secretários
Municipais de Saúde tem reunião marcada para o próximo
dia 25, em Brasília, para discutir o assunto. Já
o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP),
disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que levará
o tema para a próxima reunião de líderes
e colocará o assunto na pauta se for a vontade da maioria.
Entidades
A recriação da CPMF também foi criticada
por entidades de classe. A Fecomercio SP (Federação
do Comércio de São Paulo) vê na CSS uma "artimanha"
do governo para aumentar a arrecadação. "Com
a redução da taxa Selic, o governo tem uma sobra
de recursos que, em vez de pagar os juros, podem ser usados na
saúde", disse o economista da Fecomercio Guilherme
Dietze. Segundo ele, a entidade vai entregar ao governo e ao Congresso
na semana que vem um documento expressando sua oposição
à medida.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) vai rediscutir
o assunto. O secretário-geral da entidade, Quintino Severo,
disse que um novo imposto não deve ser criado "por
fora" da reforma tributária. Ele afirma, no entanto,
que, se criada, a nova CPMF terá de cumprir sua finalidade.
Já o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT-SP), afirmou que não é possível
aceitar um novo imposto. "Este é um péssimo
momento para aumentar a tributação." Ele disse
que fará manifestações contra a medida se
a vontade do governo vingar.
Com PAULO DE ARAUJO, colaboração
para a Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 21
de agosto de 2009 | Economia
INSS: novo cálculo para auxílios-doença
e invalidez
Mudança vai beneficiar segurados
que ainda não cumpriram a exigência de terem 60%
das contribuições exigidas como carência
Brasília - O Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) mudou a fórmula de cálculo
dos valores finais dos novos auxílios-doença e das
aposentadorias por invalidez, favorecendo os trabalhadores que
precisam receber esses benefícios por causa de doenças
ou acidentes que os impedem temporariamente ou permanentemente
de trabalhar. A mudança vai beneficiar aqueles segurados
que, quando precisarem requerer os auxílios, ainda não
cumpriram a exigência de terem feito no mínimo 60%
das contribuições exigidas como carência.
Antes da edição
do decreto presidencial, publicado na edição de
ontem do Diário Oficial, nesses casos, o INSS fazia o cálculo
pela média aritmética simples das contribuições
feitas até então. Agora, seguirá a mesma
regra das demais situações, levando em conta 80%
das maiores contribuições feitas desde julho de
1994. Isso, em algumas situações, acabará
elevando o valor final dos benefícios, pois desconsidera
as contribuições de menores valores.
De acordo com o Ministério
da Previdência, a mudança foi feita para reduzir
o número de ações judiciais que eram apresentadas
contra o INSS e que, invariavelmente, o órgão perdia.
Com isso, o gasto posterior acabava sendo maior, pois o INSS tinha
que pagar retroativamente e corrigir o novo valor determinado
pela justiça. As despesas com ações judiciais
perdidas estão crescendo entre os gastos previdenciários
totais. Para 2009, por exemplo, o governo estima que gastará
R$ 6,2 bilhões para honrar os precatórios judiciais.
Isabel Sobral
Agência Estado
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/08/2009
Carro fornecido pela empresa não
é salário, diz TST
O veículo fornecido
pela empresa para uso em serviço não pode ser considerado
salário in natura, mesmo quando utilizado pelo empregado
para fins particulares. Esse entendimento, consagrado na Súmula
nº 367 do Tribunal Superior do Trabalho, foi aplicado recentemente
pela Oitava Turma do TST no julgamento do recurso de revista da
Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga.
A questão começou
a ser debatida quando um ex-auxiliar de vendas da Ipiranga, demitido
sem justa causa, após quase oito anos de serviços
prestados, entrou com ação trabalhista na 4ª
Vara do Trabalho de Vitória, no Espírito Santo.
O trabalhador requereu, entre outros créditos, a integração
do carro fornecido pela empresa ao salário, com reflexos
no 13º salário, horas extras, férias, aviso
prévio, repouso semanal remunerado e FGTS.
O ex-empregado sustentou
que usava o automóvel da empresa em tempo integral. Com
a ajuda de testemunha, provou que o carro permanecia com ele nos
fins de semana e no período de férias. Tanto o juiz
de primeiro grau quanto o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª
Região (ES) concordaram que o veículo era fornecido
não só para o trabalho, mas também pelo trabalho,
caracterizando, portanto, salário utilidade.
O TRT esclareceu ainda
que o percentual de 5% do salário mensal recebido pelo
empregado (que era de R$ 2.578,58), estipulado como valor do salário
in natura correspondente ao veículo, era razoável.
Isso por que o artigo 458, parágrafo 1º, da CLT limita
o percentual máximo do salário utilidade habitação
e alimentação, por exemplo, respectivamente, a 25%
e 20% do salário do trabalhador. No entanto, no caso da
modalidade transporte, não há limitação
legal.
Durante o julgamento do
recurso de revista na Oitava Turma, o advogado do trabalhador
defendeu que a decisão do Regional não poderia ser
reformada porque implicaria no reexame de fatos e provas –
atribuição vedada ao TST. Só que, na avaliação
da relatora do processo, ministra Dora Maria da Costa, de fato,
a decisão regional era conflitante com a jurisprudência
do TST, conforme sustentou a Companhia Ipiranga.
Segundo a relatora,
o caso em discussão se enquadrava perfeitamente nos termos
da Súmula nº 367, inciso I, do TST, que estabelece
que o veículo fornecido ao empregado para a realização
do trabalho, mesmo quando utilizado em atividades particulares,
não tem natureza salarial. ( RR – 811/1999-004-17-00.7)
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Agência Diap,
20 de agosto de 2009
Lupi: ministro do Trabalho
é contra desonerar folha de pagamento
O ministro do Trabalho,
Carlos Lupi afirmou, nesta quarta-feira (19), que é contra
a proposta de desoneração da folha de pagamento,
iniciativa já prometida pelo Ministério da Fazenda
e amplamente defendida por empresários brasileiros.
Em entrevista à
Reuters, Lupi disse opor-se a qualquer projeto que mexa nos direitos
do trabalhador. A Fazenda chegou a prometer apresentar uma proposta
ainda este ano, sem antecipar o modelo da redução
de impostos.
"Eu não defendo
a desoneração da folha de pagamento. Defendo uma
reforma tributária que não signifique perda de direito
para o trabalhador", argumentou o ministro.
Segundo ele, os tributos
atuais são fundamentais para garantir benefícios,
como aposentadoria, pensão e seguro-desemprego.
"Como vamos desonerar
fundo de garantia, por exemplo?", questionou o ministro.
Presidente licenciado do PDT, herdeiro direto do PTB de Getúlio
Vargas, Lupi mostra-se menos sensível aos apelos por um
ambiente de negócios mais atrativo.
Declarando-se um "otimista",
Lupi fez previsões sobre a economia. Disse que a taxa de
desemprego no Brasil ficará entre 7,6% e 7,7% este ano,
patamar próximo do período pré-crise - por
volta de 7,5%, de acordo com ele.
Para o ministro, a taxa
de julho - que será divulgada nesta quinta-feira - ficará
entre 7,9% e 8%, ante 8,1% em junho.
"Pelos dados que
eu tenho, acredito que continue caindo", disse o ministro.
"Há muito tempo que o pior (da crise) já passou
- disse.
Ele afirmou que buscará
adeptos no Congresso à proposta de reduzir a jornada de
trabalho no País para 40 horas semanais, frente às
atuais 44 horas. Diversos projetos versam sobre o tema no Congresso,
todos apresentados por parlamentares ligados à política
de esquerda.
Apesar da polêmica,
o governo pode usar sua folgada maioria para aprovar o projeto
na Câmara. O problema, porém, está no Senado,
onde a base governista é mais frágil.
"Estou pagando para
ver um senador votando contra o trabalhador", afirmou Lupi.
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Agência Brasil,
20 de agosto de 2009
Crise já passou, mas
recuperação pode demorar, diz professor da Unicamp
"A crise econômica no Brasil já passou, mas
o país ainda precisará de cerca de seis meses para
voltar a conquistar os empregos e a produção que
perdeu no período". A opinião é do professor
Júlio Sérgio Gomes Almeida, da Universidade de Campinas
(Unicamp).
"Digamos que, pela
dinâmica da economia, a crise passou. Mas temos de ter alguns
cuidados. Por exemplo: não vamos pensar que está
tudo bem, que vamos voltar a contratar 1 milhão de pessoas.
É um processo. Segundo o professor, isso significa dizer
que a economia reencontrou um eixo para voltar a crescer.
"Como perdeu muito
devido à crise, até recuperar o que perdeu vai levar
um tempo. Vai dar uma sensação de que a economia
está crescendo, mas ainda não voltou ao nível
que era", disse Almeida.
O professor comparou esse
tempo de recuperação da economia brasileira àquele
trabalhador que perdeu metade do seu salário durante a
crise e que, mês a mês, vai recuperando o seu rendimento.
Almeida afirmou que ainda
vai levar uns seis meses para que se tenha de novo o emprego,
a produção da indústria, o Produto Interno
Bruto (a soma de bens e serviços produzidos no país)
que foram perdidos por conta desse processo de crise.
"Digamos que, olhando
para o período como um todo, significa que o Brasil, mesmo
saindo bem dessa crise, vai ficar um ano procurando recuperar
o que perdeu devido ao impacto da crise", afirmou.
Apesar da perspectiva
positiva de cenário para o ano que vem - ele acredita em
taxa de crescimento em torno de 4% ou 4,5% no País -, Almeida
ressaltou que o Brasil deve ter duas grandes preocupações
para esse período de recuperação: as exportações
e o desejo de outras economias pelo nosso mercado interno.
Mercado
interno
"O Brasil perdeu muito a exportação, especialmente
nos seus setores industriais. A exportação de calçados
caiu 40%, foi de quase 50% a queda na exportação
de automóveis e de aço e, em alguns setores de bens
de capital, a queda pode ter chegado a 60%. É muita coisa",
disse.
Almeida destacou que isso
foi reflexo da dos mercados internacionais.
"Mas vamos imaginar
que amanhã esses mercados voltem a crescer e já
tenha algum sinal nessa direção, também devagar.
Há um desafio. Seremos nós que vamos de novo abastecer
esses mercados na dimensão que fazíamos? Esse é
um jogo ainda a ser jogado", afirmou.
Quanto ao mercado interno,
Almeida acredita que o desafio seria tentar controlar a ambição
das outras economias do mundo.
"Significa um desafio
para o Brasil porque, com esse padrão mundial de muito
excesso de capacidade, uma parcela dessa produção
adicional vem para cá sob a forma de importações
maiores. Tem muita gente querendo entrar no Brasil e participar
desse mercado interno. Isso pode subtrair condição
de abastecimento por parte da nossa indústria", advertiu.
Crédito
Para o professor, o que pode afetar o Brasil não depende
de um processo interno, mas da ocorrência de uma "nova
rodada da crise internacional", o que ele vê como uma
possibilidade, mas não acredita que vá acontecer.
"Quando se fala que
a crise no Brasil acabou é porque as forças internas
deram a volta por cima, restabeleceram o dinamismo, é um
fator muito interno. Mas o Brasil pertence a um conjunto internacional
e pode voltar a sofrer os impactos caso a crise lá fora
volte a afetar o mundo. Eu não acredito nisso, mas é
uma possibilidade", disse.
Almeida lembrou que no
exterior a crise ainda não mostrou superação
completa.
"Ela recuperou, ela
melhorou em função de gasto público, de programas
oficiais de investimento na área de crédito, mas
a prova dos nove, de uma recuperação maior da economia
mundial, só virá quando o crédito se restabelecer,
quando a confiança das pessoas se restabelecer, quando
o desemprego (que baixou) mas ainda é muito grande, diminuir
mais intensamente o seu ritmo", afirmou.
A população
brasileira, no entanto, só perceberá que a crise
passou ou que está no caminho da melhora quando o país
voltar a recuperar o emprego que foi perdido.
"A crise só
vai ser superada quando nós recuperarmos aquele emprego
e o produto que perdemos durante a crise. E isso vai levar um
certo tempo", disse o professor.
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Jornal da Band, 20
de agosto de 2009
Pesquisa Vox Populi: Serra
30%, Dilma 21%, Ciro 17%
O Jornal da Band da noite
desta terça-feira (18) divulgou os resultados de uma pesquisa
do Vox Populi em que o governador de São Paulo, José
Serra (PSDB), tem 30% dos votos para presidente da República
em 2010; e a ministra Dilma Rousseff tem 21%. É a primeira
vez que um instituto de pesquisa aponta apenas 9 pontos de distância
entre Serra e Dilma.
No mesmo cenário,
Ciro Gomes (PSB) aparece em terceiro, com 17%, e Heloisa Helena
(PSOL) tem 12%. Com entrevistas coletadas entre 31 de julho e
4 de agosto, a pesquisa não testou o nome da senadora Marina
da Silva, que anunciou hoje seu desligamento do PT e deve se candidatar
à Presidência pelo PV.
Em um segundo cenário,
sem Ciro, Serra alcança 36%, Dilma 24%, e Heloisa Helena
16%.
Dilma Rousseff aparece
em primeiro lugar, com 25% das intenções de voto,
quando o candidato tucano é o governador de Minas Gerais,
Aécio Neves (PSDB). Aécio fica em segundo, com 21%,
seguido por Heloisa Helena, com 18%
Em um cenário com
Aécio e Ciro, Dilma aparece com 21%, em um empate técnico
com Ciro, que tem 20%. Outros 17% dos entrevistados preferem Aécio,
e 12%, Heloísa Helena.
A margem de erro da pesquisa
encomendada pela Band é de 2,2 pontos percentuais. Dois
mil eleitores foram ouvidos em 24 Estados. Por ser a primeira
pesquisa da série, não é possível
apontar tendências ao recuo ou avanço das intenções
de voto em cada candidato.
A pesquisa Datafolha,
publicada pela Folha de S.Paulo no último domingo (16)
– porém com entrevistas coletadas há menos
tempo, entre os dias 11 e 13 – mostra os presidenciáveis
nas mesmas posições, porém com números
bem diferentes.
No cenário com
Serra, Dilma, Ciro e Heloísa, o governador paulista aparece
com 37% (7 pontos a mais que no Vox Populi) e a ministra com 16%
(5 pontos a menos). Ciro figura com 15% (2 pontos a menos). Apenas
Heloísa Helena tem os mesmos 12% nas pesquisas dos dois
institutos. O Datafolha ouviu os eleitores sobre dois cenários
em que aparece o nome de Marina, que tevem em ambos 3% das intenções
de voto.
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Folha de S.Paulo,
20 de agosto de 2009
PMDB e PT apoiam criação
de nova CPMF
Bancada do PMDB fecha posição
após reunião com o ministro Temporão pela
criação de contribuição específica
para a saúde | Alíquota da CSS seria de 0,1%; gasto
com gripe suína é usado para justificar nova contribuição,
em momento de queda na arrecadação
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Num momento em que a arrecadação
de tributos federais está em queda, o PMDB, maior partido
do Congresso e principal aliado do governo, decidiu apoiar a recriação
da CPMF, batizada agora de CSS (Contribuição Social
para a Saúde). Em reunião com o ministro José
Gomes Temporão (Saúde), ontem, no Congresso, toda
a bancada peemedebista fechou questão favorável
ao término da votação do projeto que regulamenta
a emenda constitucional 29, destinando mais recursos para a saúde
e que ao mesmo tempo cria a CSS, com alíquota de 0,1%.
No ano passado, o governo chegou a votar o texto base do projeto,
mas, correndo o risco de derrota, decidiu deixar o último
destaque, apresentado pelo DEM -que suprime o artigo que estabelece
a base de cálculo da contribuição-, para
depois. Agora, o discurso oficial do PMDB é que a saúde
precisa de mais recursos devido à gripe suína. O
compromisso do partido, que conta com o apoio também do
PT, é votar a proposta no máximo até setembro
na Câmara. Caso passe, o texto ainda segue para votação
no Senado.
Foi lá que foi barrada, no final de 2007, a prorrogação
da CPMF, cuja alíquota de 0,38% deixou de ser cobrada em
1º de janeiro do ano passado.
"Desta vez vamos aprovar porque o quadro da saúde
piora. Essa é a última alternativa para salvar o
SUS. Temos muita necessidade, ainda mais com os gastos excepcionais
com a gripe. Se o presidente Lula não acordar, a saúde
será o maior desgaste desta gestão", afirmou
o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), coordenador da Frente
Parlamentar da Saúde.
A oposição é contra a recriação.
Caso a CPMF volte, eles ameaçam ir à Justiça,
alegando ser inconstitucional criar um novo imposto dessa forma,
por meio de projeto de lei -a antiga contribuição
foi criada e prorrogada por meio de emenda à Constituição.
Alíquota
menor
Caso venha a ser aprovado, o novo tributo, com alíquota
de 0,1% sobre as movimentações financeiras, seria
integralmente repassado para a saúde. Com esse argumento,
procura-se vencer a natural resistência dos parlamentares
em aprovar um novo tributo a menos de um ano das eleições.
Dados do ministério mostram que toda a regulamentação
da emenda 29 destinará à área mais R$ 15
bilhões por ano, o equivalente a pelo menos um quarto do
orçamento atual da pasta.
Desse montante, R$ 10 bilhões viriam da União por
meio da CSS. Os R$ 5 bilhões restantes viriam dos cofres
estaduais, já que a regulamentação da emenda
dirá o que pode e o que não pode ser considerado
gasto em saúde.
A Constituição estabelece que os Estados devem gastar
12% do seu orçamento na área, mas, atualmente, muitos
Estados contabilizam como investimento em saúde despesas
com planos de saúde do funcionalismo e assistência
social, por exemplo. De acordo com análise do Ministério
da Saúde, 18 Estados usaram expedientes como esse em 2006.
O orçamento atual da pasta é de R$ 54 bilhões,
um aumento de 9,5% sobre os R$ 49,3 bilhões do ano passado.
Receita em queda
Na primeira tentativa de recriar a CPMF, no primeiro semestre
do ano passado, a base governista perdeu o argumento da necessidade
de recursos para a saúde -afinal, mesmo sem a contribuição,
a arrecadação federal batia recordes mensais sucessivos.
Desde o agravamento da crise econômica global, em setembro,
porém, a receita passou a cair.
A receita esperada com a CSS é pequena diante do impacto
da recessão nas contas públicas: o Orçamento
deste ano, que originalmente contava com R$ 805 bilhões,
já sofreu uma redução na casa dos R$ 60 bilhões.
Dados prestes a serem divulgados pela Receita Federal indicam
nova queda na arrecadação tributária federal
no mês de julho.
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Congresso em Foco, 20
de agosto de 2009
Depois de Marina, Flávio
Arns diz que deixa o PT
Fábio Góis
“Envergonhado”
com o comportamento dos companheiros de partido, o senador Flávio
Arns (PT-PR) anunciou há pouco que se desfiliará
da legenda. Para Arns, o fato de que seus correligionários
tenham ajudado o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP),
a se salvar da degola no Conselho de Ética foi o que faltava
para sacramentar a decisão.
"As pessoas às
vezes me perguntam se eu estou nervoso, ou aborrecido. Eu digo
que não estou nem nervoso, nem triste, nem aborrecido:
eu estou envergonhado, que é muito mais forte e difícil
de ser dito, mas o que a gente tem de sentir nessa hora",
desabafou o senador.
Mais cedo, a ex-ministra
do Meio Ambiente e atualmente senadora Marina Silva também
anunciou que deixará a legenda.
“Pretendo sair do
PT, e vou entrar na Justiça para esta finalidade”,
adiantou Arns, que pretende criar jurisprudência ao consultar
o Tribunal Superior Eleitoral com o objetivo de se desligar do
PT graças a divergências ideológicas. “Que
a Justiça possa analisar no sentido de que a fidelidade
tem que ser do parlamentar com o partido, sem dúvida alguma,
mas também do partido com seu ideário.”
Logo após a confirmação
do arquivamento de todos os pedidos de investigação
contra Sarney, com votos de senadores do PT, Arns classificou
como “uma vergonha” o fato de petistas terem, por
mais de uma vez, assinado nota de bancada pedindo o afastamento
de Sarney e, na audiência de hoje, votarem favoravelmente
ao peemedebista.
“Como podemos confiar
em pessoas que têm um posicionamento no documento e outro
quando é para colocar em prática ?”, questionou
o senador. "Eu entrei no partido acreditando que certas bandeiras,
como a da ética e do diálogo com a sociedade, seriam
obedecidas."
Ao Congresso em Foco,
o senador paranaense disse que esperava outro resultado no Conselho
de Ética, uma vez que seguidas reuniões da bancada
petista foram realizadas - e todas com o consenso, ao menos oficialmente,
em torno do afastamento de Sarney. "Tivemos reuniões
demoradas no Partido dos Trabalhadores, notas por escrito dizendo
'olha, [Sarney] tem de ser afastado e tem de investigar', ninguém
queria colocar culpa antes da investigação. Achava
que os senadores seriam fiéis àquilo que foi deliberado
dentro do partido", reclamou Arns, com críticas direcionadas
ao comando da legenda.
"O que me estranhou
mais ainda foi o próprio presidente do partido [Ricardo
Berzoini] orientar pelo arquivamento", disse Arns, em referência
à nota assinada por Berzoini e apresentada aos membros
do Conselho de Ética (veja íntegra abaixo). "As
coligações, as eleições, o ano eleitoral...
Nós estamos subvertendo, infelizmente, valores no Brasil.
O PT sairia muito mais forte desse episódio dizendo não."
Leia a íntegra nota
do PT:
"A crise
do Senado e os recursos no Conselho de Ética
A crise política
pela qual passa o Senado Federal tem raízes em práticas
administrativas inaceitáveis, que colidem com princípios
constitucionais que fundamentam a administração
pública.
Nos últimos
meses, tomamos conhecimento de uma série de distorções
que demonstram que a necessária estrutura de garantia da
ação parlamentar converteu-se em uma série
de privilégios e desmandos que exigem reparação
e mudanças na estrutura da Casa.
É urgente a
reformulação da gestão do Senado Federal,
criando mecanismos modernos de gestão e instrumentos regulares
de transparência. Também é necessária
a apuração das irregularidades que se referem aos
atos praticados por servidores e parlamentares que tenham ferido
a legislação. Para tanto, Ministério Público
e Polícia Federal, que já estão investigando,
têm instrumentos e metodologia apropriados para apurar de
forma isenta as irregularidades apontadas.
No entanto, não
podemos ignorar que essa mesma crise é alimentada pela
disputa política relacionada às eleições
de 2010. A forma como as denúncias concentram-se no presidente
do Senado, José Sarney, não deixa dúvidas
de que, mais que apurar e reformar, a pretensão é
incidir nas relações entre partidos, que apoiam
o governo ou que podem constituir alianças para as eleições
nacionais e estaduais do próximo ano. Ignoram ou minimizam
ilegalidades graves de determinados parlamentares ou partidos
e concentram na desconstituição do presidente da
mesa, como se ele tivesse responsabilidade exclusiva pelos problemas
de todo o Senado.
O PT apresentou ao
Senado a candidatura do senador Tião Viana para presidir
a instituição, com uma plataforma de reformas que
poderiam ser um passo adiante. Nossa candidatura não foi
vencedora e reconhecemos o resultado.
Por entender que essa
crise tem raízes reais, mas é manipulada de forma
hipócrita para interesses eleitorais, e por defender a
estabilidade política e o estado democrático de
direito, como bases para um funcionamento pleno da democracia,
não há como reconhecer no Conselho de Ética,
com os ânimos da radicalização política
atual, condições para encaminhar uma investigação
isenta e equilibrada, seja sobre o senador Sarney ou sobre o Senador
Virgílio, sem falar em outros casos sobre os quais caberia
representação ao órgão.
Ricardo Berzoini
Presidente Nacional do PT"
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/08/2009
Oitava Turma confirma legitimidade
de sindicato em Franca (SP)
O Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias de Calçados do Município de
Franca, no interior paulista, é o legítimo representante
dos empregados do setor na região. Na prática, esse
é o resultado do julgamento da Oitava Turma do Tribunal
Superior do Trabalho ao rejeitar (não conhecer) recurso
de revista do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
de Calçados e Confecções de Roupas, Saltos,
Solas, Formas, Bolsas, Cintos e Vestuário de Franca e Região
contra decisão regional que admitiu a representação
do novo sindicato da categoria.
De acordo com a relatora
do processo e presidente da Turma, ministra Maria Cristina Peduzzi,
a Constituição consagra três princípios
básicos em matéria de direito sindical: liberdade,
autonomia e democracia interna. Se, por um lado, a Constituição
Federal proíbe a ingerência do Estado na organização
dos sindicatos, por outro impõe a criação
de uma única entidade por categoria numa mesma base territorial
(artigo 8º). No entanto, explicou a relatora, a existência
da unicidade sindical não impede o desmembramento territorial
de um sindicato para a formação de outro, com área
de atuação menor.
Ainda segundo a ministra,
o Supremo Tribunal Federal julgou conflitos semelhantes e concluiu
que a regra da unicidade sindical não garante à
entidade já constituída a intangibilidade de sua
base territorial. Ao contrário, a jurisprudência
do STF está consolidada no sentido de que é possível
o desmembramento territorial de um sindicato para constituir outro
desde que o território de ambos não seja reduzido
a área inferior à de um município.
No caso analisado, a ministra
lembrou que o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) reformou a sentença da 2ª Vara do Trabalho
de Franca para considerar legítima a representação
da categoria pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria
de Calçados do Município de Franca e autorizar o
resgate dos depósitos de contribuições sindicais
recolhidas. O TRT concordou com o desmembramento com base em acórdão
do Tribunal de Justiça de São Paulo, que verificara
que o novo sindicato era exclusivo dos trabalhadores da indústria
calçadista, enquanto que o antigo, fundado há mais
de 60 anos, englobava diversos segmentos, como o de confecção
de roupas.
Por essas razões,
a relatora concluiu que não houve desrespeito ao artigo
8º da Constituição, como alegara o Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados e Confecções
de Roupas, Saltos, Solas, Formas, Bolsas, Cintos e Vestuário
de Franca e Região. Assim, na opinião da ministra,
o recurso de revista do sindicato nem merecia ser conhecido, ou
seja, ter o mérito analisado. Esse entendimento foi acompanhado,
por unanimidade, pelos ministros da Oitava Turma. Contra esta
decisão, o sindicato já interpôs embargos
declaratórios, que serão julgados pela mesma Turma
( RR-1.756/1997-076-15-01.8)
(Lilian Fonseca)
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de agosto de 2009 | Economia
Paraná gera 6,9 mil empregos
formais no mês de julho
AE Notícias
O Paraná gerou 6.922 empregos formais em julho e, pelo
sétimo mês consecutivo, registrou resultado positivo
na série 2009 do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged). Os números foram divulgados nesta terça-feira
(18) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Agora, sobe
para 47.433 o total de trabalhadores contratados com carteira
assinada no ano.
Com o resultado, o Paraná
passa a responder ao equivalente a 68% dos 69.552 postos de trabalho
abertos na Região Sul do país desde janeiro. Santa
Catarina registrou 16.856 novas contratações nos
primeiros sete meses do ano e o Rio Grande do Sul gerou 5.263
oportunidades de trabalho.
Em julho, mais uma vez,
o desempenho paranaense superou o apresentado pelos Estados do
Sul. A economia gaúcha apresentou sinais de desaceleração
e 481 pessoas foram demitidas. Em Santa Catarina, depois de resultados
negativos em maio e março, cerca de 5,1 vagas de trabalho
foram abertas.
Segundo o secretário
estadual do Trabalho, Emprego e Promoção Social,
Nelson Garcia, o resultado indica que processo de recuperação
do emprego formal, em tempos de crise financeira mundial, está
em evolução no Paraná.
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Folha de S.Paulo,
19 de agosto de 2009
Indústria e construção
puxam emprego
Emprego formal tem melhor resultado do
ano em julho, com saldo de 138 mil vagas criadas e recuperação
da indústria | Dado de julho ainda é 32% menor que
o registrado no mesmo mês de 2008; Mantega vê criação
de até 600 mil postos no ano todo
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No melhor resultado do
ano, o mercado de trabalho formal registrou em julho a criação
de 138.402 vagas, sob influência principalmente da recuperação
do emprego na indústria -setor mais afetado pela crise
mundial- e do aumento das contratações na construção
civil. O resultado, no entanto, é 32% inferior ao do mesmo
mês de 2008.
Os dados, que fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados), foram motivo de comemoração ontem
no governo, pois seria o primeiro sinal corroborando as expectativas
de que o emprego formal apresentará forte reação
neste semestre, indicando o fim do ciclo de retração
na economia.
Para o ministro Carlos Lupi (Trabalho), neste mês deverão
ser gerados mais de 150 mil postos. "Isso mostra que o segundo
semestre vai ser muito melhor e que vamos chegar a 1 milhão
de empregos até o final do ano. Estamos olhando a crise
para trás. O Brasil está indo no rumo do crescimento."
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi mais contido:
"A minha expectativa é um pouco mais modesta que a
do ministro Lupi: entre 500 mil e 600 mil empregos. Num ano de
crise, já está muito bom. Mas eu espero que ele
esteja certo, e não eu".
O saldo de vagas acumulado até julho é de 437.908
postos. O número é quase um terço do saldo
de vagas criadas nos sete primeiros meses de 2008, antes do impacto
da crise global. No total de 2008, o emprego formal registrou
a marca de 1,452 milhão de postos gerados.
Obras
No mês de julho, o setor que se destacou pelo maior saldo
de vagas criadas foi a construção civil. Foram gerados
32.175 postos, o melhor resultado do setor para meses de julho
e o segundo maior da série do Caged, que foi criado em
1992.
Na comparação com outros setores, o número
da construção civil em julho destoa dos dados históricos,
pois o setor tradicionalmente fica atrás do comércio,
serviços e indústria. No mês também
surpreendeu o resultado da indústria. De 2.001 postos criados
em junho deste ano, o setor pulou para um saldo de vagas de 17.354.
O aumento das contratações nas áreas de têxteis,
química e de calçados garantiu a recuperação
do emprego industrial, embora o setor ainda esteja cauteloso com
a recuperação. No acumulado do ano, porém,
a indústria continua no vermelho, com fechamento de 127.123
postos. "Aí está o nó [na indústria].
Esse é o primeiro crescimento forte, e definitivamente
a indústria saiu da crise", comentou Lupi.
O emprego na indústria extrativa mineral e no setor de
calçados também acumula resultado negativo no ano,
mas o ministro acha que isso será superado já no
Caged deste mês. O setor com o maior saldo positivo em 2009,
até agora, é o de serviços (263.090 vagas).
Para Lupi, embora o mercado tenha mostrado maior vigor em julho,
o governo precisa continuar adotando medidas para permitir o aumento
da oferta de emprego. "Os juros precisam continuar baixando.
Isso é fundamental. Também é preciso continuar
o monitoramento da indústria e adotar novas medidas, se
necessário."
Colaborou JULIANA ROCHA, da
Sucursal de Brasília
Gráfico:
Gazeta do Povo, 19/08/2009
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Agência Diap,
19 de agosto de 2009
Instalada comissão
sobre proposta que amplia licença-maternidade
Foi instalada nesta terça-feira
(18), a comissão especial criada para analisar a Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) 30/07, da
deputada Angela Portela (PT/RR), que aumenta o período
obrigatório de licença-maternidade para seis meses.
Após a instalação
do colegiado, a deputada Cida Diogo (PT/RJ) foi eleita presidente,
e a deputada Rita Camata (PMDB/ES) designada relatora da proposição.
A data para a próxima
reunião do colegiado ainda não foi definida.
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Agência Diap,
19 de agosto de 2009
PLS 248/06: CAS vota nesta
quarta-feira (19) duas emendas de plenário
Já aprovado pela
CAS, projeto retorna à Comissão porque teve duas
emendas de plenário rejeitadas pela CAE na semana passada.
Assim, essas precisam ser submetidas ao colegiado
Após aprovação
na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do parecer
do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE) ao PLS 248/06, que
regulamenta a taxa a ser descontada em favor dos sindicatos, em
razão da negociação da Convenção
Coletiva de Trabalho, será submetido a mais uma votação,
agora na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.
Embora já tenha
sido aprovado pela CAS, o projeto retorna à Comissão
porque teve duas emendas de plenário rejeitadas pela CAE
no início da semana passada. Sendo assim, essas precisam
ser submetidas ao colegiado.
Depois, o texto será
votado no plenário da Casa, antes de ser remetido à
Câmara.
Emendas
As duas emendas foram apresentadas pelo senador Flexa Ribeiro
(PSDB/PA). A primeira abre a possibilidade de oposição
à taxa pelos não-sindicalizados.
A segunda prevê
que a contribuição será devida somente uma
vez ao ano, em percentual não superior a 1% e sobre o salário-base
do trabalhador.
Parecer
do relator
O relator, senador Inácio Arruda (PCdoB/CE), rejeitou ambas
as emendas sob o argumento no caso da primeira que "descaracterizaria
o projeto e permitiria que, muitos empregados auferissem vantagem
decorrente das negociações coletivas, sem oferecer
aos sindicatos uma compensação mínima pelos
gastos havidos durante o processo [negocial]".
Em relação
à segunda, o relator entende que os detalhes sobre a cobrança
da taxa serão "melhor definidos em assembléias
sindicais".
E acrescentou: "Afinal,
ninguém melhor que os próprios trabalhadores para
saber os valores necessários de contribuição
assistencial e a periodicidade de sua cobrança".
As emendas serão
examinadas em sessão da Comissão, nesta quarta-feira
(19), às 11h30, na Sala Florestan Fernandes, plenário
9, Ala Senador Alexandre Costa.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/08/2009
TST julga processo sem autos
em papel
A Seção
Especializada em Dissídios Individuais – SDI-2 do
Tribunal Superior do Trabalho julgou hoje (18), pela primeira
vez, um processo sem autos físicos, em papel. O processo
foi integralmente digitalizado e estava disponível para
julgamento no computador de cada ministro. Iniciada às
9h, a sessão foi encerrada às 10h57, após
julgar todos os 95 processos da pauta, sem pedidos de vistas regimentais
ou adiamentos.
Foram julgados, entre
outros, recursos ordinários em ações rescisórias
e em mandados de segurança. A novidade tecnológica
- um agravo de instrumento em recurso ordinário com todos
os documentos disponíveis para visualização
eletrônica -, desenvolvida pela Secretaria de Tecnologia
da Informação (SETIN) do TST, mereceu o registro
do ministro Pedro Paulo Manus, que ressaltou o avanço que
representa o uso do recurso nas salas de sessão. Em seguida,
foi a vez do ministro João Oreste Dalazen, vice-presidente
do TST, que presidiu a sessão de hoje da SDI-2, se congratular
com a secretaria, com os servidores e a presidência do Tribunal
“pela consecução dessa meta bastante auspiciosa”.
(AIRO-189/2007-000-17-40.7)
“Ordinarização”
das ações recisórias
Outro processo, um recurso
ordinário em ação rescisória proposto
pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN),
deu origem a discussão sobre a grande quantidade de ações
rescisórias propostas inadequadamente. O ministro Barros
Levenhagen questionou a utilização da rescisória
como mais um recurso para reexaminar fatos e provas, “na
qual a parte perde e entra com ação rescisória
como se ela fosse outro recurso para obter aquilo que não
obteve antes, propondo novamente questões já examinadas
pelo Judiciário”. O ministro Dalazen denominou o
fato de “ordinarização” da ação
rescisória, que é, segundo ele, “um remédio
excepcional de estrito cabimento”. (ROAR-3/2008-000-12-00.3)
Precatórios
Um recurso ordinário
em mandado de segurança interposto pelo Estado do Espírito
Santo levantou a questão sobre a forma de pagamento da
Fazenda Pública aos exequentes substituídos por
sindicato: se deveria ser considerado o valor individual ou o
valor global. Em ações plúrimas (vários
autores numa mesma ação), pequenos valores podem
ser pagos individualmente. Mas no caso do valor total, o pagamento
é feito por precatório. A Fazenda Pública
estadual alegou direito líquido e certo para pagar a dívida
por precatório aos substituídos processualmente
pelo Sindicato dos Enfermeiros no Estado do Espírito Santo,
e obteve êxito em seu recurso. A SDI-2 entendeu que o tratamento
a ser dado à ação proposta por sindicato,
como substituto processual, é diferente das ações
plúrimas, e o valor da execução não
pode ser repartido. Determinou, então, que a execução
seja processada por precatório. (ROMS –264/2008-000-17-00.6)
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19/08/2009
TST mantém dano moral em razão
de assalto
A Primeira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão da Justiça
do Trabalho do Maranhão que reduziu de R$ 1 milhão
para 260 salários mínimos o valor da indenização
por dano moral a ser paga pelo Bradesco S/A (na qualidade de sucessor
do BEM – Banco do Estado do Maranhão) a uma empregada
lotada na agência de Imperatriz (MA) que sofreu quatro assaltos.
A bancária recorreu ao TST pedindo o restabelecimento do
valor fixado na sentença de primeiro grau, mas não
obteve êxito. Segundo ela, a quantia “ínfima”
arbitrada pelo TRT/MA - 260 salários mínimos, levando-se
em conta o valor vigente (R$ 260,00) à época da
propositura da ação (23/11/2004), o que totaliza
R$ 67.600,00 – não é suficiente para reparar
os danos morais sofridos, que lhe causaram sérios transtornos
de saúde , como depressão, insônia, síndrome
do pânico, taquicardia, e dependência química
(alcoolismo).
Mas, de acordo com o relator
do recurso, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, a indenização
foi fixada em valor suficiente a não provocar instabilidade
financeira ao negócio e capaz de produzir efeitos pedagógico
e disciplinar, na intenção de prevenir e reparar
situações desse tipo. O ministro afirmou, em seu
voto, que a decisão do TRT/MA foi tomada “com sensatez,
equanimidade, imparcialidade e aplicabilidade dos critérios
a serem observados no tocante à pessoa do ofendido e do
ofensor, na fixação do valor indenizatório,
dentro dos parâmetros da razoabilidade”. Para o TRT/MA,
o valor de R$ 1 milhão fixado pela Vara do Trabalho de
Imperatriz foi exorbitante e traria à trabalhadora enriquecimento
sem causa, o que é vedado pelo ordenamento jurídico
vigente.
A bancária requereu
a revisão do valor a partir da observância dos critérios
concernentes ao grau de culpa do banco, como sua negligência
quanto à adoção de medidas de segurança.
O acórdão do TRT/MA afirmou não restarem
dúvidas de que a bancária foi gravemente afetada
em sua saúde pelos fatos ocorridos nas dependências
do banco e necessitou de tratamento psiquiátrico, acompanhamento
psicossocial por tempo indeterminado e medidas socioterápicas,
como terapia ocupacional e desenvolvimento de habilidades sociais
com vistas a sua recuperação médica e psicossocial,
conforme recomendado no parecer médico anexado aos autos.
Mas, para o Regional, a condenação em danos morais
não pode ser nem em valor ínfimo, a ponto de parecer
desprezível ao ofensor, nem tão elevada, a ponto
de comprometer a saúde financeira da empresa.
Na ação
na qual pediu a indenização de R$ 1 milhão,
a bancária contou que nos três primeiros assaltos
exercia a função de caixa (em 1995, 1997 e 1998)
e foi abordada diretamente por bandidos armados. No quarto assalto
(em 2000), na condição de supervisora de posto (PAB)
em Vila Nova dos Martírios (MA), foi abordada em sua residência
e levada ao posto pelos ladrões. Em nenhuma das quatro
oportunidades havia porta giratória nos locais de trabalho.
Em um dos assaltos, ocorrido no PAB do BEM na Prefeitura de Imperatriz,
não havia sequer vigilante próprio do banco, mas
tão somente o vigia da Prefeitura. Ela relatou que, após
os assaltos, não houve qualquer alteração
na estrutura de vigilância das agências, de modo a
evitar os crimes. ( RR 2999/2005-012-16-00.7)
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BEM PARANÁ, 18 de agosto de 2009
| Trabalho & Negócios
Emprego
PR tem 14 municípios entre
os 200 que mais geram empregos formais
Os números são baseados
no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
AEN
Entre as 200 cidades brasileiras que mais
geraram empregos formais no primeiro semestre de 2009, 14 são
paranaenses. Curitiba, Paraíso do Norte, Maringá,
Colorado, Araucária, Londrina, Cascavel, Rondon, Cambará,
Astorga, Rolândia, Porecatu, Tapejara e Jandaia do Sul estão
no ranking do Ministério do Trabalho.
Os números são baseados
no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram
divulgados nesta segunda-feira (17) pela Secretaria Estadual do
Trabalho, Emprego e Promoção Social.
Os municípios do Paraná
com menos de 30 mil habitantes se destacaram na abertura de novos
postos de trabalho e ocuparam oito posições na listagem.
Para o secretário Nelson Garcia, o resultado é reflexo
do desenvolvimento regional sustentável, promovido por
políticas públicas adotadas nos últimos seis
anos.
CIDADES: Paraíso
do Norte, com pouco mais de 10 mil habitantes, gerou 3.211 empregos
formais no período e ficou na 21ª colocação
na listagem nacional. Foi o segundo melhor resultado entre as
cidades paranaenses, atrás apenas de Curitiba, que tem
aproximadamente 1,8 milhão de moradores.
A Capital registrou 6.385 contratações
nos primeiros seis meses do ano, ocupou a 11ª posição
do país em abertura de postos de trabalho e lidera a lista
estadual no acumulado de 2009.
Com 2.941 vagas ofertadas, Maringá,
teve o terceiro melhor resultado paranaense entre os meses janeiro
e junho. A cidade da Região Norte do Estado ficou a 25ª
posição do ranking nacional
Colorado, que tem 22.424 habitantes, aparece
em 30º lugar na lista brasileira com 2.665 postos de trabalho
abertos. A cidade ficou mais bem colocada que cidades com população
superior a 100 mil habitantes, como Araucária (35ª
posição), Londrina (41ª), e Cascavel (56ª).
O ranking de empregos no país tem,
ainda, o município de Rondon, Noroeste do Estado, na 61ª
colocação. A cidade de 8.438 moradores teve alta
de 1.839 carteiras assinadas no semestre.
Cambará, região Norte, registrou
1.365 novos empregos formais no período e garantiu a 99ª
posição na lista nacional. O município tem
23 mil habitantes.
A relação tem ainda as cidades
de Astorga, com cerca de 24,5 mil moradores, no 115º lugar
(1.219 empregos) e Rolândia, 55.750 habitantes, na 117ª
posição (1.201 postos de trabalho abertos).
Fecham a lista os município de
Porecatu (quase 15 mil moradores e 914 novas contratações);
Tapejara (13.906 habitantes e 851 empregos gerados) e Jandaia
do Sul (população de 20,4 mil pessoas e 823 vagas
ofertadas). Eles ocupam as 174ª, 193ª e 200ª colocações,
respectivamente.
Posição dos municípios
do Paraná entre os 200 que mais geraram empregos formais
no País no primeiro semestre:
Curitiba (6.385 empregos) – 11º
lugar
Paraíso do Norte (3.211 empregos) – 21º lugar
Maringá (2.941 empregos) – 25º lugar
Colorado (2.665 empregos) –30º lugar
Araucária (2.450 empregos) – 35º lugar
Londrina (2.359 empregos) – 41º lugar
Cascavel (1.894 empregos) – 56º lugar
Rondon (1.839 empregos) – 61º lugar
Cambará (1.365 empregos) – 99º lugar
Astorga (1.219 empregos) – 115º lugar
Rolândia (1.201 empregos) – 117º lugar
Porecatu (914 empregos) – 174º lugar
Tapejara (851 empregos) – 193º lugar
Jandaia do Sul (823 empregos) – 200º lugar
Fonte: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) - MTE
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Gazeta do Povo,
18 de agosto de 2009
Agenda
Indústria quer reformas
para ser competitiva
Em congresso anual, Fiep apresenta temas
mais importantes para o setor, como alterações
no sistema tributário e nas leis trabalhistas
A necessidade de uma
reforma tributária e críticas à proposta
de redução da jornada de trabalho foram os principais
pontos levantados durante a abertura do Congresso Paranaense
da Indústria 2009, realizada ontem, em Curitiba. Na visão
do empresariado do estado, esses são temas fundamentais
para a manutenção da competitividade da indústria
no mercado global.
Em uma reunião
a portas fechadas que durou mais de duas horas e meia com o
presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP),
e representantes da bancada paranaense, o presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo
da Rocha Loures, entregou um manifesto pedindo o encaminhamento
das questões consideradas “emergenciais”
para o setor.
O documento, formulado
com base em 18 fóruns setoriais promovidos pela Fiep,
pede a atenção do legislativo federal a pontos
como a simplificação e redução da
carga tributária, a modernização da legislação
trabalhista e a rejeição da proposta de emenda
constitucional que trata da redução da jornada
de trabalho de 44 para 40 horas. A diminuição
da burocracia, a ampliação dos investimentos em
infraestrutura e logística, a facilitação
do acesso ao crédito por pequenas e médias empresas
e a reforma política também fazem parte da pauta.
Integração
Para o diretor financeiro
da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
Alexandre Furlan, a agenda proposta pela Fiep está integrada
à agenda da indústria nacional. “O Brasil
vem enfrentando há décadas um debate em torno
de reformas inconclusas. É preciso avançar em
uma agenda propositiva que sirva para toda a sociedade”,
avalia.
No caso da reforma tributária,
Temer afirmou que a ideia é levar o projeto ao plenário
em breve, “se possível ainda em setembro”.
Segundo o presidente da Câmara, mesmo sem agradar todos
os setores interessados, a proposta que tramita no Congresso
traz alguns elementos de avanço, como a simplificação
de tributos e redução da carga tributária.
Para Furlan, da CNI,
ainda que não solucione definitivamente a questão,
a aprovação da reforma como está representaria
um primeiro passo importante. “Com a reforma podemos sair
de um discurso que já dura décadas e partir para
a ação”, comenta.
Homenagens
Durante a abertura do
Congresso, a Fiep e a CNI prestaram homenagem a três empresários
locais por suas contribuições ao setor. A Fiep
também aproveitou a ocasião para comemorar os
65 anos de fundação da entidade. A data foi lembrada
com uma exposição temática contando a trajetória
dos nove sindicatos setoriais que se uniram para fundar a Federação
em 1944 – da madeira, do mate, da indústria gráfica,
de cacau e balas, da panificação, alfaiataria,
metalúrgica e mecânica, de laticínios e
couro.
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Gazeta do Povo, 18
de agosto de 2009
Imóveis
Crédito habitacional cresce
acima da média
Setor teve incremento de 17% no volume
de financiamentos e compradores têm alternativas que vão
além das linhas da Caixa
O financiamento habitacional
tem crescido mais do que todas as outras operações
de crédito do sistema financeiro, segundo o Banco Central.
Enquanto o saldo total das operações de crédito
no primeiro semestre cresceu 4,2%, o crédito imobiliário
subiu 17,1%, somando R$ 74 bilhões em todas as instituições
financeiras.
Além das linhas
com incentivos do governo criadas neste ano e operadas pela Caixa
Econômica Federal, o crescimento também é
explicado pelas opções de parcelamento que vêm
sendo aperfeiçoadas pelo mercado e que podem ser interessantes
de acordo com as necessidades do comprador. Um dos alvos dessas
modalidades é facilitar a compra para quem não dispõe
de recursos de FGTS, carteira assinada em regime CLT, ou mesmo
de comprovantes de renda fixa mensal.
É o caso do financiamento
direto com a construtora, que possibilita o financiamento da entrada
do imóvel enquanto ele ainda está sendo construído.
O consultor da Brain Inteligência Corporativa Fábio
Araújo destaca duas principais vantagens dessa modalidade:
uma é parcelar o valor de entrada financiando o imóvel
ainda na planta. Ele ressalta que para assumir um financiamento
em banco é preciso que o imóvel já tenha
sido construído e aprovado pelas autoridades municipais
e estaduais.
O outro benefício
é que o comprador pode se beneficiar desse relacionamento
com a construtora como um cartão de visitas na hora de
financiar o restante do imóvel. “As construtoras
podem agir como facilitadoras na hora de o cliente tomar crédito.
Auxiliam na parte burocrática, de avaliação
de crédito, e podem conseguir também melhores taxas,
porque elas trabalham em parceria com os bancos”, diz Araújo.
Outra opção
do mercado é o consórcio imobiliário. Hoje
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