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Reconhecido
em 21/08/1968
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de julho de 2008 | Economia
Salário aumentou em junho na
Grande Curitiba
Redação O Estado do Paraná
No mês de junho, o rendimento médio real habitualmente recebido
pelas pessoas ocupadas na Região Metropolitana de Curitiba foi de R$
1.157,00 (2,8 salários mínimos).
Este valor representa um
acréscimo de 7,8% em relação ao mesmo mês
do ano anterior. Os dados foram obtidos pela Pesquisa Mensal de
Emprego, feita pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico
e Social (Ipardes) em parceria com o IBGE.
Comparando o mês
de junho deste ano com o mesmo mês do ano passado, houve
aumento no rendimento médio real habitualmente recebido
pelos empregados do setor privado com e sem carteira assinada e,
também, pelos trabalhadores por conta própria.
O rendimento dos trabalhadores
com carteira foi de foi de R$ 1.079,40, apresentando um acréscimo
de 7,2%, já para os empregados do setor privado sem carteira
assinada esse valor foi de R$ 784,90, com aumento de 10,1% em relação
ao mês de junho de 2007.
Os trabalhadores por conta
própria apresentaram rendimento médio de R$ 1.136,70
no mês de junho de 2008, indicando acréscimo de 18,5%
em relação ao mesmo mês do ano passado.
Massa de rendimentos
A massa real de rendimentos
efetivamente recebidos pelas pessoas ocupadas diminuiu aproximadamente
90 milhões e 600 mil reais de maio para abril deste ano.
O número de pessoas
ocupadas foi estimado, em junho de 2008, em 1,525 milhão,
apresentando queda de menos de mil pessoas em relação
ao mês de maio, e crescimento de mais 133 mil pessoas (9,6%)
em relação a junho do ano anterior.
No setor privado, o número
de empregados com carteira assinada, estimado fem 711 mil, não
apresentou variação significativa em relação
ao mês de maio de 2008, assim como em relação
a junho de 2007.
O mesmo aconteceu com os
trabalhadores por conta própria, também sem variações.
Já o número de empregados do setor privado sem carteira
assinada, estimado em 172 mil, apresentou alta de 39,7% em relação
a junho de 2007.
A análise do número
de pessoas ocupadas segundo os grupos de atividade mostra que,
para junho de 2008, o grupo “serviços domésticos” apresentou
um acréscimo de 8,8% (mais 9 mil pessoas), em relação
ao mês anterior.
Em relação
a junho de 2007, tiveram destaque os grupos “indústria “ e “serviços
domésticos” que apresentaram variações
de 16,5% e 18,1%, representando um aumento de 44 mil e 17 mil pessoas,
respectivamente.
Desemprego
O número de pessoas
desocupadas e procurando trabalho no mês de junho de 2008
foi estimado em 102 mil pessoas, não apresentando variação
tanto em relação ao mês anterior quanto ao
mesmo mês do ano anterior.
A taxa de desocupação
foi estimada em 6,2% não apresentando variação
significativa tanto para o mês de maio de 2008 quanto para
junho de 2007 quando havia sido de 7,0%.
PIA
No mês de junho de
2008, o número de pessoas de 10 anos ou mais de idade e
que compõe a População em Idade Ativa na Região
Metropolitana de Curitiba, foi estimado em 2,646 milhões.
Este contingente apresentou
variação de 3,1% em relação ao mês
de junho de 2007, representando mais 79 mil pessoas. Deste total,
61,5% eram economicamente ativas (PEA) e 38,5% eram não
economicamente ativas (PNEA).
PEA
A População
Economicamente Ativa foi estimada, para o mês de junho
de 2008, em 1,626 milhão de pessoas, apresentando na comparação
com o mesmo mês de 2007, um acréscimo de 8,6%, correspondendo
a 129 mil pessoas.
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O ESTADO DO PARANÁ,
31 de julho de 2008 | Economia
Setor de serviços "girou" R$
500 bilhões em 2006
Lyrian Saiki e agências
O setor de serviços encerrou o ano de 2006 empregando 447.882 pessoas
no Paraná, distribuídas em 73.132 empresas. Juntas, elas movimentaram
R$ 29,2 bilhões e geraram salários, retiradas e outras remunerações
no total de R$ 4,5 bilhões.
Os números são
da Pesquisa Anual de Serviços (PAS), divulgada ontem pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
e não inclui os serviços financeiros.
A receita operacional líquida
obtida por essas empresas, em todo o País, somou R$ 501,1
bilhões, com valor adicionado no Produto Interno Bruto (PIB)
de R$ 278,2 bilhões.
Na comparação
com outros estados da região Sul, o Paraná esteve à frente
de Santa Catarina - onde o setor de serviços empregava 334,1
mil pessoas e movimentou R$ 18,4 bilhões - e atrás
do Rio Grande do Sul, onde o setor empregava 500 mil pessoas e
a receita bruta somou R$ 30,7 bilhões.
No Paraná, o setor
de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios
se destacou pelo faturamento (R$ 11 bilhões) e pelo grande
número de pessoas empregadas: cerca de 120 mil, a maior
parte delas (84,3 mil) atuando nas 9,3 mil empresas de transportes.
Destaque também para as agências de viagens e serviços
auxiliares aos transportes, que somavam 2,2 mil empresas e empregavam
23,1 mil pessoas.
Serviços de alojamento
e alimentação também empregaram um grande
contingente em 2006 no Estado: cerca de 83 mil pessoas, distribuídas
em aproximadamente 17,3 mil empresas. A atividade movimentou R$
2 bilhões.
Os serviços de informação,
que incluem atividades ligadas à informática e telecomunicações,
empregavam 29,2 mil pessoas no Estado e geraram em salários,
retiradas e outras remunerações R$ 545 milhões.
País
Em nível nacional,
o setor de serviços reunia 958.290 empresas em 2006, que
empregavam cerca de 8,2 milhões de pessoas e geravam salários,
retiradas e outras remunerações no total de R$ 95,1
bilhões. O salário médio mensal foi de 2,7
salários mínimos.
Os serviços de transportes,
serviços auxiliares aos transportes e correios geraram a
maior receita operacional líquida do setor (R$ 149,7 bilhões)
em 2006, enquanto o segmento de serviços prestados às
empresas (que tem crescido com a terceirização) obteve
a maior participação no valor adicionado (R$ 80,3
bilhões).
Os serviços prestados às
empresas foram o principal segmento, em termos de pessoal ocupado
(3 milhões de pessoas) e salários, retiradas e outras
remunerações (R$ 31,6 bilhões).
A pesquisa revela, também,
que entre os anos de 2000 e 2006, a participação
das grandes empresas no total do PIB do setor de serviços
não-financeiros aumentou, passando de 48,5% para 50,7%, “impulsionadas
pelo crescimento no segmento de serviços prestados às
empresas”, segundo o IBGE.
Dentro deste segmento,
a atividade de seleção, agenciamento e locação
de mão-de-obra temporária apresentou as elevações
mais expressivas dentre as grandes empresas.
No segmento de serviços
de informação, as atividades de informática
destacaram-se com a maior participação no número
de empresas (81,7%), pessoal ocupado (63,3%) e salários,
retiradas e outras remunerações (55,4%).
Por sua vez, telecomunicações,
com uma receita operacional líquida de R$ 88,8 bilhões,
em 2006, foi a atividade com maior participação na
receita do segmento (61,7%).
A pesquisa mostra ainda
que, em 2006, atuavam no País cerca de 3.206 empresas do
setor de serviços de investigação (também
parte de serviços prestados às empresas), segurança,
vigilância e transporte de valores, que geraram receita operacional
líquida de R$ 11,4 bilhões e empregaram cerca de
463 mil pessoas.
Já os serviços
técnico-profissionais (consultorias, agências de
publicidade, escritórios de advocacia e contabilidade,
serviços de engenharia e arquitetura) destacaram-se com
o maior salário médio mensal (4,6 salários
mínimos).
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Gazeta do Povo, 31 de Julho de 2008
Inflação
Aluguéis devem subir até 15%
Tradicionalmente usado nos contratos de
locação, o IGP-M acumula alta de 15,12% em doze meses
Quem precisa alugar um imóvel, ou já mora de aluguel, pode encontrar
valores até 15% mais altos na hora de assinar o contrato. O aumento
deve-se, principalmente, ao Índice Geral de Preços – Mercado
(IGP-M), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas ontem.
O índice – que avançou 15,12% nos últimos doze meses, é tradicionalmente
utilizado no reajuste destes tipos de contratos. Em julho, o índice
teve alta de 1,76%, um pouco mais baixo do que os 1,98% registrados no mês
anterior.
“ O aluguel é um dos fatores que vem puxando a inflação
para cima em Curitiba, tanto pelo IGP-M, quanto pela valorização
dos imóveis, e isso acaba refletindo no valor da locação”,
afirma o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Econômicos (Dieese-PR), Sandro Silva. Até o fim do ano, acredita
Silva, o IGP-M deve desacelerar e atingir 12,5%.
Segundo o vice-presidente de locação e administração
imobiliária do Sindicato de Habitação e Condomínios
do Paraná (Secovi-PR), Luiz Nardelli, os 15,12% do IGP-M devem ser aplicados
no valor do aluguéis sem causar grandes sustos. “Os aluguéis
em Curitiba subiram mais do que esse índice por causa da alta demanda”,
diz Nardelli. “Em 2002, sobravam imóveis e o aluguel era barato.
Como as correções nesse período foram baixas, os reajustes
que podem ser feitos estão dentro da realidade”, confirma o diretor-executivo
da Administradora de Imóveis Gonzaga, Roberto Gonzaga.
Alguns inquilinos, como a auxiliar industrial Elis Regina Szalbot, estão
apreensivos com a renovação do contrato. “Ainda não
me passaram o valor, mas, como o contrato é renovado em julho, deve
ter um acréscimo.” A dona de casa Rosana Célia Kritski
Baez está trocando de imóvel para tentar pagar um preço
mais justo e conseguir um imóvel com mais qualidade. Apesar de comunicar
problemas como infiltrações ao locatário, foi informada
que não teria os consertos reembolsados e que o valor subiria na renovação. “O
aumento é absurdo. Além disso, não consigo encontrar nenhum
imóvel do mesmo porte por menos de R$ 1,1 mil”.
De acordo com Gonzaga, o aluguel de um apartamento de 200 metros quadrados
em Curitiba está na faixa de R$ 1 mil – e pode baixar em R$ 200
em bairros mais afastados.
Orientação
É importante que o inquilino fique atento ao índice de reajuste
combinado no contrato. Algumas imobiliárias, como a Baggio Imóveis,
utilizam o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) nos reajustes,
que está em 5,84% em doze meses. “Já adotamos o IPC há muitos
anos e mudamos apenas quando o cliente exige.” Além disso, há possibilidade
de renegociar o valor com a imobiliária. “Se o inquilino não
suportar o pagamento, procuramos ouvir todas as partes e chegar a um consenso
satisfatório. Para o locatário, não é interessante
ficar com o imóvel parado”, enfatiza Gonzaga.
Para o economista do Dieese PR, Sandro Silva, o IGP-M não reflete a
realidade salarial atualmente. “As imobiliárias devem utilizar
um indicador mais real para locação, já que a compra da
casa própria está facilitada, tanto em juros quanto em prazo.
Muita gente irá preferir financiar um imóvel do que continuar
no aluguel.”
A orientação do advogado especialista em direito imobiliário,
Orlando Anzoategui, é tentar alterar o índice de reajuste no
contrato. “O valor não pode se tornar impagável. Procure
negociar com a imobiliária para conseguir um preço acessível.”
Índice deve desacelerar em
agosto
As perspectivas para o comportamento do Índice Geral de Preços
- Mercado (IGP-M) são bem mais otimistas para agosto e o indicador da
Fundação Getúlio Vargas (FGV) deverá apresentar
importante desaceleração no próximo mês em comparação à alta
de 1,76% observada em julho. A avaliação é do economista
do Unibanco Adriano Lopes, que projeta uma alta de 0,7% para o índice
do próximo mês. A explicação da alta é, principalmente,
o comportamento dos preços agrícolas do atacado.
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 31
de julho de 2008 | Opinião
O endurecimento da Justiça
com candidatos
O povo não é contra esse prejulgamento,
que bem melhor seria denominá-lo precaução
Perante o ordenamento jurídico, punir um candidato a cargo eletivo apenas
por suspeita de ilicitude é ''um linchamento moral'', como disse em
entrevista a este Jornal o presidente do Superior Tribunal Eleitoral, Carlos
Ayres Britto. Este é o entendimento, e o império da lei deve
prevalecer, ou será a desordem. Mas na história política
brasileira os que são investidos no poder pelo voto infringem com muita
frequência os preceitos legais, por isso a opinião pública
não condena o endurecimento da Justiça com candidatos que tenham
ficha suja - o termo ora em voga.
Para o povo, um postulante
acusado já é um suspeito e isto é suficiente
para torcer o nariz quando se trata de políticos. É da
voz popular que, se um parlamentar ou um administrador público
negam um delito, deve-se acreditar que ele aconteceu. Este é um
preço que a comunidade política paga pelo histórico
de tanta denúncia de falcatrua em seu meio. A sentença
popular, se por si só não tem amparo nos códigos, é uma
lei moral e esta precisa ser considerada. Eleição é uma
ebulição emocional, diz o ministro Ayres Britto, e
se o emocional coloca juízes ''no olho do furacão'',
conforme ainda as suas palavras, a ebulição da mente
do eleitorado tem idêntica intensidade.
Os cidadãos querem
esse rigor da Justiça Eleitoral, mesmo que um processo contra
o candidato ainda não tenha transitado em julgado, como se
diz na linguagem dos tribunais. Se o candidato é suspeito,
já nem deveria ser aprovado pelo partido político;
na sequência, devem os tribunais eleitorais ter a mesma vigilância;
e finalmente será a vez do eleitor. Porque este irá colocar
em postos de mando pessoas que irão gerir os negócios
públicos, de grande importância para a sociedade, e
também porque haverá em jogo muito dinheiro saído
do bolso popular e por isso deve ter sadia aplicação.
Se um candidato está sob suspeita, pode esperar a próxima
eleição, quando poderá se apresentar com ficha
limpa, se vier a provar isso.
Se no âmbito
do colégio eleitoral nem sempre os escolhidos são
os melhores, o povo não é contra esse prejulgamento,
que melhor seria denominá-lo precaução. É estreito
o limite entre prejulgar e precaver-se e, por via das dúvidas,
deve-se adotar a segunda opção. Se o eleitor, como
diz o ministro, deve conhecer a vida do candidato, um envolvimento
dele em denúncia já é um alerta e precisa
ser levado em conta. Um zelo tomado antes poupará um trabalho
mais difícil depois, caso se prove que um eleito era realmente
culpado no processo que o denunciava. Pode parecer perverso o veredicto
da opinião pública, mas com candidatos não
se pode facilitar as coisas.
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Folha de S.Paulo, 31
de Julho de 2008
Eleições têm 179
xarás do presidente Lula como candidatos em todo o país
RODRIGO VARGAS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE
Dados do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) mostram que pelo menos 179 candidatos em todo o país
pediram registro do apelido "Lula" para a disputa eleitoral.
A maior parte dos xarás do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva está em Pernambuco (53), sua terra natal. A maioria
(160) é de candidatos a vereador.
O PT tem o maior número de candidaturas nesse grupo (23), mas há também
registros de Lulas tucanos (10) e democratas (10). O agricultor Luiz Francisco
de Souza (DEM), por exemplo, candidato a vereador em Correntes (PE), vai disputar
como "Lula-lá" -refrão usado em campanhas presidenciais
do PT.
Os candidatos a vereador Luiz Inácio Lacerda Conceição
(PT), de Ipatinga (MG), e José Eurípedes Fradique, de Franca
(SP), subirão ao palanque como "Lulinha". Outros dez postulantes
fizeram a mesma opção.
Ainda foram inscritos o "Lula da Ambulância", o "Lula
da Capivara", o "Lula do Povo" e o "Lula vem aí".
Especialmente no Nordeste, Lula é um apelido comum para quem se chama
Luiz. Dos candidatos que pediram o registro, 121 compartilham esse primeiro
nome. É o caso dos seis "Lulas" de Recife (PE), a cidade que
concentra o maior número de candidatos com registro semelhante.
" Desde pequeno me chamam de Lula. Coincidiu de ser o nome do presidente",
diz o tucano Luiz Carlos Antônio da Silva, o "Lula Cal", que
não se importa em compartilhar o apelido com um adversário político. " O
presidente é um homem popular. Quando ouvir meu nome, o povo vai lembrar
dele."
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O ESTADO DO PARANÁ,
30 de junho de 2008 | Economia
Emprego registra alta recorde no Estado
Lyrian Saiki
O Paraná bateu recorde na geração de empregos formais
no primeiro semestre deste ano. Foram 109.162 vagas criadas de janeiro a junho
- crescimento de 5,61% sobre o estoque total de trabalhadores e de 14,65% na
comparação com igual período do ano passado, quando o
número de novos empregos chegou a 95,2 mil, até então
o melhor resultado da série histórica.
Só em junho, foram
gerados 13.944 novos postos de trabalho. Com isso, o número
estimado de trabalhadores com carteira assinada no Paraná é de
aproximadamente 2,057milhões.
Os dados são do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério
do Trabalho e Emprego, e foram divulgados ontem pelo Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos,
regional Paraná (Dieese-PR).
“A economia está aquecida.
Mesmo com o Banco Central aumentando os juros (taxa básica
de juros, a Selic) para desaquecê-la, os indicadores mostram
que ela continua crescendo”, apontou Cid Cordeiro, economista
do Dieese-PR.
Segundo ele, o crescimento
da economia está sendo sustentado principalmente pelo aumento
de crédito, da renda e do emprego, o que estaria impulsionando
a demanda. “Aumentaram as oportunidades de emprego”,
disse, lembrando que a economia segue aquecida desde o segundo semestre
do ano passado.
Setores
Três setores puxaram
a geração de empregos no Paraná no primeiro
semestre: a construção civil, com crescimento de 15,78%;
a agricultura e silvicultura, com alta de 11,51% e a indústria
de transformação, que cresceu 6,80%.
No caso da construção
civil, a facilidade no acesso ao crédito imobiliário,
a redução dos juros no financiamento, aumento da renda
e do nível de confiança fizeram com que maior número
de pessoas buscassem a casa própria.
As obras públicas,
que se intensificam em anos eleitorais, também aqueceram o
setor. Na agricultura, salientou Cordeiro, os preços agrícolas
em alta e a expansão da área levaram à contratação
de mais mão-de-obra.
Já na indústria
de transformação, o maior número de oportunidades
surgiu na indústria de alimentos e bebidas (18,8 mil vagas),
vestuário (4,4 mil vagas) e mecânica (3,5 mil vagas).
Também tiveram bom
desempenho o setor de serviços - com destaque para os serviços
em geral, com 9 mil vagas, e hotéis e restaurantes, com 7,1
mil - e o comércio, com saldo de 12,9 mil empregos só no
comércio varejista. “Importante ressaltar que nenhum
subsetor registrou queda no número de empregos”, apontou
o economista do Dieese-PR.
Na comparação
com outros estados, o Paraná ocupou a sétima posição
no primeiro semestre, com crescimento de 5,61% no nível de
emprego, atrás de Goiás (8,56%), Mato Grosso (8,39%),
Minas Gerais (7,01%), Mato Grosso do Sul (6,70%), São Paulo
(6,01%) e Tocantins (5,61%). Na média nacional, o crescimento
foi de 4,70%.
Interior
Com crescimento de 6,37%
no estoque de trabalhadores, o interior do Paraná foi o grande
responsável pela geração de empregos no primeiro
semestre: resultado do período de safra, quando os trabalhadores
são contratados como temporários.
Das 109 mil vagas criadas
entre janeiro e junho, 68% surgiram no interior, contra 32% da Região
Metropolitana de Curitiba. Na RMC, o nível de emprego cresceu
4,47%.
Ano
de 2008 deve ser o melhor
O ano de 2008 deve entrar para a história como o melhor na geração
de empregos. Até então, o melhor ano havia sido o de 2004, quando
foram criadas 122.648 vagas no mercado de trabalho.
“Pelo ritmo da economia,
o resultado deste ano deve superar o de 2004”, apontou o supervisor
técnico do Dieese-PR, Cid Cordeiro. No primeiro semestre daquele
ano, haviam sido criados 94.540 empregos; este ano, o número
chega a 109 mil.
De acordo com o economista,
vários indicadores apontam para um cenário mais positivo. É o
caso da inflação, que fechou em 7,60% em 2004; para
este ano, a previsão é de 6,50%.
A taxa de juros, apesar dos
recentes aumentos, continua menor: era de 12,25% em junho último,
contra 16% em junho de 2004. Já o crescimento do PIB (Produto
Interno Bruto) fechou em 5,7% naquele ano; para este, a expectativa é alcançar
4,80%.
De acordo com o economista,
a alta da taxa básica de juros deve impactar na geração
de empregos mas só no final do ano e, mais intensamente,
em 2009. “Em algum momento, o aumento dos juros pelo Banco
Central vai ter um impacto na economia. Isso ocorre, geralmente,
de seis a nove meses depois do início do movimento de alta.
No caso, no final do ano”, explicou Cordeiro. Para ele, a
geração de empregos vai continuar crescendo, porém
num patamar menor.
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FOLHA DE LONDRINA, 30
de julho de 2008 | Economia
8 cidades estão entre as 100
do País que mais empregaram
Curitiba - Oito municípios do Paraná estão entre os 100
do Brasil que mais criaram empregos no primeiro semestre deste ano. Curitiba
ocupa a quarta colocação com 22.652 vagas e Londrina está na
32 posição com 6.141 vagas. Maringá está em 25º lugar
com 7.134 vagas. São José dos Pinhais aparece com a 48 posição
(4.288 vagas) e Araucária está em 88º lugar com 2.811 empregos.
Também chamam atenção
as cidades de Paraíso do Norte, Bandeirantes e Colorado, localizados
no norte paranaense, que com menos de 40 mil habitantes ocupam a
77, 79 e 98 colocações, respectivamente. Os dados são
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Nesses três últimos
municípios a principal atividade econômica que contribuiu
para a geração de empregos foi o setor relacionado
ao plantio de cana-de-açúcar e produção
de álcool nas usinas da região. Paraíso do Norte,
com apenas 11.169 moradores, foi responsável pela geração
de 3.070 novos empregos. Em seguida aparece Bandeirantes, a cidade
de 32.290 habitantes, criou 3.030 novos postos de trabalho. Colorado,
que tem uma população de 21.049 pessoas, garantiu um
lugar na lista com 2.560 novos trabalhadores contratados.
Entre as grandes cidades,
Curitiba aparece em quarto lugar no ranking nacional, atrás
de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. (A.B.)
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Agência Diap, 30
de Julho de 2008
IMPOSTO DE RENDA
Receita já tem norma para
acabar com declaração de isento
A Receita Federal admitiu
que já tem pronta uma instrução normativa
para acabar com a Declaração de Isento e com isso
evitar transtornos e custos desnecessários, principalmente
para o cidadão de baixa renda que todos os anos tem que
prestar contas ao Fisco. A viabilidade técnica da medida
ainda está sendo analisada pelo secretário da Receita,
Jorge Rachid, e deve ser divulgada em breve.
O fim da declaração de Isento vem sendo debatido em reuniões
técnicas há algum tempo e ficou mais evidente a partir da unificação
das Receita Federal e Previdenciária quando a base de dados dos dois órgãos
permitiu melhor analise da situação dos contribuintes, segundo
fontes da Receita.
Mas essa não é a única base de dados que permite atualmente à Receita
Federal identificar os isentos do país. A Receita pode usar dados do
Cadastro Nacional de Informações Sociais, que contém informações
relativas ao período compreendido entre 1994 e 2008 de trabalhadores
empregados e contribuintes individuais, empregadores, vínculos empregatícios
e remunerações.
A Receita monitora ainda a movimentação financeira acima de R$
5 mil das pessoas físicas e acima de R$ 10 mil das pessoas jurídicas,
as compras de imóveis, as transações com cartão
de crédito e declaração de rendimentos dos empregados
fornecida anualmente pelos patrões.
Segundo as informações da Receita, existe interesse em unificar
os bancos de dados do governo para facilitar a vida dos cidadãos. Embora
já tenha ocorrido uma grande evolução, como no caso da
Receita Federal, é preciso que todos os sistemas informatizados “conversem
entre si”, além de permitir a interação dos diversos
sistemas de gerenciamento de banco de dados. A questão, segundo um dos
técnicos da Receita ouvidos, esbarra no custo que isso acarreta, mas é uma
tendência dentro do governo.
Tecnicamente, segundo os técnicos da Receita e da Previdência,
nada impede que o governo veja no Cadastro Nacional de Informações
Sociais a possibilidade de agregar informações e transformar
o cadastro numa espécie de “Social Security”, o cadastro
da previdência social dos Estados Unidos, que possibilita ao cidadão
obter emprego legalmente e outros serviços do governo.
O ministro da Previdência Social, José Pimentel, já anunciou
que quer integrar ao cadastro os registros de identidade civil. A medida irá permitir
aumentar a segurança e a qualidade do Cadastro Nacional de Informações
Sociais, que registra 430 milhões de vínculos empregatícios
de pessoas físicas e 26 milhões de registros de empresas de todo
o país, segundo informou a Datraprev, a empresa de tecnologia da informação
da Previdência Social.
No ano passado, segundo a Dataprev foram feitos testes em conjunto com a Polícia
Federal adotando técnicas de identificação biométricas
(como impressões digitais ou a íris) em caráter experimental
com 1.500 segurados de Curitiba, São Paulo e Brasília, com base
no Cadastro Nacional de Informações Sociais e nos registros de
identidade civil.
Inicialmente, a meta do Ministro José Pimentel, da Previdência,
segundo a assessoria da Dataprev é a inclusão previdenciária,
a melhoria dos serviços oferecidos aos segurados, a inclusão
dos microempreendedores no sistema previdenciário entre outras coisas
além de combater às fraudes, a falsificação e sonegação.
No caso da Receita Federal, a utilização de base de dados como
as do CNIS já permite tecnicamente que o Fisco possa identificar através
da tecnologia da informação que são os mais de 65 milhões
de brasileiros com renda anual até R$ 15.764,28 classificados como isentos.
Ou seja, aproximadamente os 35% da população brasileira que enviaram
informações através da internet ou tiveram que se descolar
até lotéricas, correspondentes bancários e Caixa Econômica
Federal e Banco do Brasil podem ficar tranqüilos que a Receita já tem
estudos para saber quem são eles. (Fonte: Agência Brasil)
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FOLHA DE LONDRINA, 30 de julho
de 2008 | Política
‘Foco não é sujar ninguém, é informar
o eleitor’
Para o presidente do TSE, Carlos Ayres
Britto, barrar candidatura de quem não tem condenação, é ‘linchamento
moral’
- O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres
Britto, apesar de contrário ao movimento que tenta impedir a candidatura
do ''ficha suja'', reforçou ontem a necessidade do eleitor conhecer
a vida dos candidatos. Para ele, barrar a candidatura daquele que ainda não
tem condenação, mesmo que responda a alguma ação
no Poder Judiciário, é ''linchamento moral''. O foco, segundo
ele, seria informar o eleitor, para que ele possa, com instrumentos próprios,
fazer uma ''escolha livre e consciente''.
''Eu não gosto de usar
a expressão 'ficha suja' porque acho estigmatizante, infeliz.
E coloca na mesma situação pessoas com um episódio
de processo contra si e outras com um avultado prontuário processual.
A expressão também antecipa um julgamento, um linchamento
moral. O foco não é esse. O foco não é 'sujar'
ninguém. O foco é orientar o eleitor, informar o eleitor,
para que ele faça o seu juízo de valor. Ninguém
quer votar pelo eleitor, substituir o eleitor'', afirmou ele.
Ayres Britto também
sinalizou que para o TSE, a ''vida pregressa do candidato não é condição
de elegibilidade''. O ministro ainda se reúne hoje à tarde
com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e com o presidente do
Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro, Roberto Wide,
para tratar do envolvimento de traficantes na campanha eleitoral do
Rio de Janeiro. ''Vamos estudar a questão para propormos medidas
corretivas. O nosso desafio é promover uma resposta à altura
da gravidade desse episódio''.
As declarações
do presidente do TSE foram feitas ontem durante sua passagem por Curitiba,
onde participou de um encontro de trabalho com os presidentes dos tribunais
regionais eleitorais da região Sul. Acompanhe trechos da entrevista
coletiva concedida à imprensa.
FOLHA - O Ministério
Público (MP) do Paraná recomendou que os promotores
eleitorais tentassem impugnar as candidaturas também daqueles
que respondem a ações (e não só daqueles
que já têm condenação). E, a pedido do
MP, um juiz eleitoral de Curitiba decidiu ontem (anteontem) impugnar
dois candidatos a partir da análise das suas vidas pregressas.
O que o senhor acha desses posicionamentos?
Ayres Britto - Não se
pode negar a independência dos promotores eleitorais, dos juízes
eleitorais, para interpretar o direito. Mas já se sabe que,
no TSE, há uma resposta formal a uma consulta concluindo que
vida pregressa do candidato não é condição
de elegibilidade. É uma diretriz, uma sinalização
de que, chegando o processo ao TSE, a possibilidade de confirmação
desse ponto de vista é muito grande. São dois lados de
uma questão que na vida do Poder Judiciário é muito
comum. Esse antagonismo faz parte do nosso dia-a-dia e nós sabemos
digerir.
Independente da atual
posição do TSE, é um assunto que deve ser retomado
nas próximas eleições até em função
da pressão de parte da sociedade civil e da Associação
dos Magistrados?
É um assunto que está na
ordem do dia. Se nesta eleição de 2008 a questão
da vida pregressa não se põe para o TSE como condição
de elegibilidade, quem sabe em 2010 o ponto de vista não seja
outro. E, quem sabe, os quatro projetos de lei que estão tramitando
no Congresso Nacional já estejam aprovados. Isso faz parte da
efervescência democrática. A população mais
e mais se conscientiza de seus direitos e da necessidade de ver o País
passado a limpo.
O TSE teria sido omisso
ao não tratar de ferramentes como Orkut e Youtube, bastante
utilizadas na eleição anterior?
Não é uma omissão.
Nós decidimos no TSE que, em matéria de internet, não
há como expedir regras. Nós vamos decidir caso a caso.
Vamos atuar quando recebemos representações de eventuais
abusos. O TSE trabalha com dados da realidade e a internet se tornou,
realmente, um espaço de comunicação, de informação,
de pesquisa, de propaganda, globalizado e caracterizado pela sua grande
economicidade. A internet é democrática, instantânea,
massiva, atrai a juventude. Então não convém regulamentar
em excesso um setor que apresenta muito mais aspectos favoráveis
do que desfavoráveis. Diante de eventuais abusos, nós
saberemos agir no plano da repressão. Por enquanto, o que se
decidiu foi isso, até porque outra característica da
internet é a sua extrema dificuldade de controle.
O Brasil vive uma situação ímpar
em relação às eleições no Rio
de Janeiro. O ministro da Justiça ofereceu tropas federais
para garantir a segurança do processo eleitoral em função
dos traficantes. Como é que o senhor percebe a questão?
A questão é muito
preocupante. Segmentos fora da lei, delinquentes, portanto, já não
se contentam em professar à margem do Estado, do lado de fora
do Estado. Eles ainda querem se tornar parte do Estado, membros do
Poder, disputando cadeiras parlamentares e executivas, e coagindo,
inibindo as comunidades. E ainda projetando uma falsa idéia
nas comunidades, de que é possível defasar o conteúdo
do voto, saber quem votou em quem, a despeito da urna eletrônica.
Eles, a um só tempo, impedem coletividades de votar livremente,
e dificultam, embaraçam o trabalho jornalístico, a liberdade
de imprensa.
No Paraná, mais
de 100 vereadores já foram cassados por infidelidade partidária.
Que efeito que as cassações terão no próximo
mandato eletivo?
Foi uma belíssima decisão
do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE, estabelecendo o dever da
fidelidade do candidato eleito ao seu partido. Isso faz respeitar o
desenho, o esquadro ideológico que sai de cada urna. Já se
sabe quem é situação, quem é oposição,
e inibe consideravelmente essa triste cultura brasileira de cooptação,
de captura pelo Poder Executivo de membros do Poder Legislativo. O
zigue-zague partidário já não se faz com facilidade
porque o candidato que sair de um partido arbitrariamente, atendendo
a interesses pessoais meramente subalternos, ele certamente vai perder
o mandato nas instâncias judiciárias e eleitorais.
Quais são os
próximos desafios do TSE no sentido de fortalecer o sistema
democrático brasileiro?
A Justiça Eleitoral
trabalha em campos específicos, um deles é velando pela
lisura, pela legalidade da propaganda eleitoral. Outro é impedindo
o chamado ''caixa 2'', que termina sendo uma ''caixa preta''. Porque
o financiador quer receber o seu dinheiro de volta e mantém
com o financiado uma relação de futuro assalto ao erário,
seguramente, direta ou indiretamente. Nós trabalhamos nesse
campo da inibição do abuso do poder econômico e
do abuso ou desvio da máquina administrativa. Saímos
em defesa do eleitor para que ele seja verdadeiramente soberano, livre,
consciente da escolha dos seus candidatos. E os desafios que surgem
são diários, porque eleição é uma
ebulição emocional, nós vivemos no olho do furacão
das emoções o tempo todo.
O senhor é a
favor do financiamento público de campanha eleitoral?
Sim. Eu acho que se a gente
proibir o ''caixa 1'', que é o financiamento direto e expontâneo
de campanha eleitoral por empresas, pelos cidadãos isoladamente,
dificultamos ainda mais o ''caixa 2''. E com o financiamento público
de campanha, exclusivamente, ou seja, campanha financiada com recursos
públicos mediante regras pré-definidas, poderemos até não
atuar no campo ideal, mas é o que se pode fazer. Porque, fora
do financiamento público de campanha com exclusividade, o que
se tem é a promiscuidade do ''caixa 1'' e, com mais razão
ainda, a promiscuidade do ''caixa 2''.
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/07/2008
TST envia ao STF esclarecimentos sobre
Súmula 228, suspensa por liminar
O presidente do Tribunal
Superior do Trabalho, ministro Rider Nogueira de Brito, encaminhou
ao Supremo Tribunal Federal, no dia 22 de julho, esclarecimentos
sobre a Súmula 228 do TST. As informações foram
solicitadas pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, após
conceder liminar que suspendeu a aplicação da Súmula
228, na parte em que permite a utilização do salário
básico para calcular o adicional de insalubridade.
A liminar foi concedida no
dia 15 de julho, em atendimento à Reclamação
Constitucional nº 6266, apresentada ao STF pela Confederação
Nacional da Indústria. A CNI sustenta, entre outras alegações,
que a Súmula 228 estaria em desacordo com a Súmula
Vinculante nº 4 do STF, que vedou a utilização
do salário mínimo como indexador de base de cálculo
de vantagem de servidor público ou de empregado, bem como
proibiu a sua substituição por decisão judicial.
Nas informações fornecidas ao STF, o ministro Rider de Brito
tece considerações sobre o posicionamento adotado na sessão
do Tribunal Pleno do dia 26 de junho, que aprovou a nova redação
da Súmula 228, com o objetivo de oferecer subsídios para o julgamento
da matéria pelo Supremo.
Em termos práticos,
fica suspensa a aplicação da Súmula 228 do TST,
até que o STF julgue o mérito da questão.
Ribamar Teixeira
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FOLHA DE LONDRINA, 29
de julho de 2008 | Economia
Cenário ajuda indústria
a manter nível de emprego
Rio - O crescimento da economia e dos investimentos fizeram a indústria
elevar a fatia de participação no número de ocupados nas
seis principais regiões metropolitanas do País, após recuos
que levaram o setor a passar de um porcentual de 17,6% dos empregados em 2003
para 17,1% no ano passado, perdendo espaço para os serviços.
O gerente da pesquisa mensal
de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, disse que a perda industrial nos últimos
anos respondeu a uma mudança estrutural resultante da maior
automação e do aumento de produtividade do setor e,
ainda, do aumento da terceirização no País.
Porém, com a forte
reação da economia a partir de 2007, a indústria
voltou a acelerar a geração de empregos e permaneceu
com a mesma fatia de 17,1% no primeiro semestre de 2008, interrompendo
a trajetória de queda. Mais que isso, o setor chegou a registrar
aumento na sua fatia de junho do ano passado (16,9%) para junho deste
ano (17,3%). Segundo Azeredo, a indústria está ''sustentando
a posição'' porque tem sido um dos setores com maior
impulso no novo ciclo de crescimento econômico.
Para o economista Marcelo
de Ávila, da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), o emprego industrial está crescendo mais rapidamente
e isso já se reflete no mercado de trabalho metropolitano.
Ele acredita que o aumento da fatia do setor em junho no total de
ocupados é um sintoma de ''maturação dos investimentos''.
O economista da CNI avalia,
ainda, que nos últimos anos, a indústria vinha interiorizando
o seu crescimento e, por isso, o mercado de trabalho do setor nas
maiores cidades sofreu efeito dessa desconcentração
regional. Porém, o recente crescimento vigoroso da economia
''é tal que contagiou as regiões metropolitanas, houve
um alastramento dos benefícios do crescimento''.
No processo de mudança
estrutural destacado por Azeredo, o setor de serviços prestados às
empresas, aluguel e intermediação financeira, embalado
pela expansão do processo de terceirização no
País, elevou a fatia no total de ocupados de 13,9% em 2003
para 14,9% no ano passado, mantendo-se também praticamente
estável (15%) no primeiro semestre de 2008. De junho do ano
passado para igual mês deste ano, também permaneceu
inalterado, em 15,1%.
Segundo Azeredo, a recente
mudança na participação da indústria
e dos serviços não é um sintoma de conclusão
do processo de mudança estrutural, mas responde aos bons resultados
do mercado de trabalho e da geração mais acelerada
de vagas em ambos os setores.
Os dados do IBGE mostram
também que, mesmo tendo perdido participação
na ocupação industrial nos últimos anos e registrado
crescimento no número de empregados bem inferior aos dos serviços,
a indústria elevou os salários em magnitude muito maior.
Além disso, o setor industrial vem reduzindo a distância
dos serviços no que diz respeito à geração
de postos.
Jacqueline Farid
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 29
de julho de 2008 | Política
‘Melhor remédio contra
inflação é aumento de produção’,
diz Lula
Durante o programa de rádio ''Café com
o Presidente'', Lula ainda destacou a abertura de quase 310 mil vagas
de trabalho no mês de junho
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem
que o melhor remédio para combater a inflação é aumentar
a produção no país. Para Lula, as altas de preços
dos alimentos no mundo ''tende a fluir rapidamente'' e não afetará o
crescimento.
''Eu acredito que a economia
brasileira está demonstrando firmeza, demonstrando sustentabilidade;
e eu penso que nós vamos continuar crescendo, até porque
essa inflação causada por alimentos no mundo inteiro,
ela tende a fluir rapidamente'', disse, no programa de rádio
''Café com o Presidente'', transmitido ontem.
Na semana passada, a Confederação
Nacional da Indústria (CNI) informou que com a inflação
mais alta, a perda de poder aquisitivo e mais dívidas afetaram
o otimismo do consumidor brasileiro no segundo trimestre do ano.
A pesquisa trimestral da confederação mostrou que o Índice
Nacional de Expectativa do Consumidor recuou 1,6% na comparação
com o registrado em março e 1,2% na comparação
com junho de 2007. O indicador está em 109,8 pontos (valores
acima de 100 pontos indicam expectativa ainda positiva).
''O consumidor brasileiro
voltou a se assustar com a inflação e isso fez com
que o otimismo em relação à economia recuasse
no segundo trimestre deste ano'', diz a CNI.
Empregos
O presidente destacou os
dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de
junho, que mostraram a abertura de 309.442 vagas no mercado de trabalho
- melhor resultado para um mês na história do país.
O recorde anterior era abril de 2007 (301.991 vagas). No primeiro
semestre do ano foram gerados 1,361 milhão de novos postos
de trabalho, um aumento de 24,3% em relação ao primeiro
semestre de 2007. O número acumulado em 12 meses também
foi recorde e chegou a 1,883 milhão de empregos.
Para o presidente, o fato
de que a expansão na abertura de vagas foi expressiva na construção
civil e no interior do país é positivo. ''As empresas
vão para as cidades do interior porque têm mais tranquilidade,
porque é tudo muito mais fácil e porque a agricultura
está crescendo e porque têm muitas obras do governo
contratadas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)'',
disse.
''Estou muito feliz com o
crescimento na construção civil, porque havia 20 anos
que a construção civil não crescia. Quando nós
entramos no governo, nós fizemos várias mudanças
na legislação brasileira, melhoramos o crédito
e hoje a construção civil bate recorde atrás
de recorde na geração de empregos'', acrescentou Lula.
Em junho, Petrolina foi a
cidade do interior que mais gerou vagas formais: foram 5.356 novos
postos, uma alta de 14,25%, respondendo por 47% de todos os empregos
gerados no Estado no mês.
Folhapress
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CONTAS ABERTAS, 29 de
julho de 2008
Bolsa Família supera PAC em
R$ 1 bilhão
O governo federal gastou mais de R$ 5,9 bilhões com o Programa Bolsa
Família (PBF) entre janeiro e julho de 2008, cerca de R$ 900 milhões
a mais do que o aplicado no mesmo período do ano passado. O montante
ainda supera em R$ 1 bilhão o orçamento desembolsado até 24
de julho no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que
por ser um programa amplo de investimento em todo o país, tem dificuldades
no gerenciamento dos recursos (veja quadro comparativo). No ano passado, entre
as aplicações nos dois programas, considerados carros-chefe do
governo Lula, a diferença era ainda maior. Até julho de 2007,
o Bolsa Família superava o PAC em R$ 2,6 bilhões. Vale lembrar
que esses dados do PAC são relativos às obras e projetos passíveis
de acompanhamento no orçamento da União, o que exclui investimentos
das estatais e da iniciativa privada.
O Bolsa Família, instrumento
governamental de transferência direta de renda para famílias
em situação de pobreza ou miséria, beneficia
cerca de 11 milhões de famílias, com o repasse de aproximadamente
R$ 840 milhões mensais. A folha de pagamento de agosto prevê o
benefício para 10,9 milhões de famílias em todo
o Brasil. Considerando uma média de quatro membros por família,
isso equivale a 45,8 milhões de pessoas, ou seja, 25% da população
brasileira.
Do total gasto pelo programa
Bolsa Família, R$ 3 bilhões (51%) são destinados
exclusivamente à região nordeste. Mas a cota pode ser
alterada para mais, já que os serviços de gestão,
administração e manutenção do programa
são discriminados apenas como nacionais. (veja tabela). O
estado da Bahia tem o maior número de famílias beneficiadas.
De acordo com o Sistema de Benefícios ao Cidadão, da
Caixa Econômica Federal, mais de 1,4 milhão de famílias
serão contempladas em agosto de 2008, o que corresponde a
5,7 milhões de pessoas ou 40% da população baiana.
Além da Bahia, outros
estados como São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco também
contam com os maiores índices de famílias cadastradas
no programa Bolsa Família. Uma pesquisa encomendada pela Secretaria
de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Governo de Pernambuco,
divulgada em março deste ano, revela também que 43%
da população pernambucana é beneficiária
do programa.
Segundo o diretor especialista
em avaliação de programa sociais e professor da Universidade
de Brasília, Elimar Nascimento, esses índices revelam
a situação de pobreza e miséria desses estados. “Isso
reflete a já tão conhecida desigualdade regional do
Brasil. Os índices são absolutamente compreensíveis”,
diz ele. O professor afirma que a iniciativa de qualificar profissionalmente
os beneficiários do Bolsa Família, anunciada na semana
passada pelo governo, é o início de uma transformação
que altera o conteúdo do programa. Para ele, é agora
que o Bolsa Família deve tornar possível o desenvolvimento
social de seus cadastrados.
O especialista garante ainda
que existem outras medidas que o governo poderia utilizar. “A
criação de cooperativas específicas e os microcréditos,
por exemplo, poderiam ser outra porta de saída do Bolsa Família
para a independência”, diz Nascimento. Ele ainda acredita
que o montante aplicado no PAC e no Bolsa Família sejam justificáveis. “Estrategicamente,
o Brasil precisa de educação e infra-estrutura para
se desenvolver, mas é, emergencialmente, necessário
articular os recursos para tirar as pessoas da miséria”,
conclui.
PAC como porta de saída
A partir da segunda quinzena
de setembro, o governo deverá capacitar cerca de 200 mil beneficiários
do Bolsa Família para atuarem na área da construção
civil, por meio do Plano Setorial de Qualificação (Planseq
Bolsa Família). A iniciativa pretende estimular a participação
dos beneficiários em obras ligadas ao PAC, em ocupações
como mestre de obras, eletricista, operador de trator, pintor, encanador
e outros.
Ao oferecer a qualificação
profissional atrelada à obtenção de um emprego
para beneficiários do Bolsa Família, o Planseq acredita
abrir a porta de saída do programa e fazer com que os beneficiários
dispensem a ajuda do governo.
A idade mínima para
fazer o curso é 18 anos. É preciso ter concluído
pelo menos a 4ª série do ensino fundamental. O governo
vai reservar 30% das vagas para mulheres. Os cursos serão
oferecidos em 240 municípios e a duração será de
200 horas, 80 teóricas e 120 práticas. O edital de
contratação das escolas formadoras será lançado
nas próximas semanas, com investimento estimado de R$ 145
milhões.
Como funciona o PBF
O PBF foi criado em 2004
para apoiar famílias mais pobres e garantir a elas o direito à alimentação
e o acesso à educação e à saúde,
por meio da transferência de renda para acesso a serviços
essenciais. Desde então, o PBF já custou R$ 40,5 bilhões
aos cofres públicos, em valores atualizados. O programa reúne
outras quatro ações sociais: o Bolsa Escola, o Cartão
Alimentação, o Bolsa Alimentação e o
Auxílio Gás.
A execução
da transferência de renda é feita pelos municípios
e cabe às prefeituras realizarem o cadastramento das famílias,
por meio do Cadastro Único dos Programas Sociais do Governo
Federal, o CadÚnico. A seleção das famílias,
no entanto, é feita pelo Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome (MDS). Segundo o ministério,
o Bolsa Família contribuiu para a queda de mais de 21% na
desigualdade do país entre 2001 e 2005.
Os valores pagos pelo Bolsa
Família variam de R$ 20 a R$ 182, de acordo com a renda mensal
por pessoa da família e o número de crianças
e adolescentes até 17 anos (veja tabela) e pode ser pago por
meio de três tipos de benefícios. O benefício
básico, de R$ 62,00 pago às famílias com renda
per capita mensal de até R$ 60,00; o benefício variável,
de R$ 20,00, pago às famílias com renda mensal de até R$
120,00 desde que tenham crianças e adolescentes de até 15
anos. Cada família pode receber até três benefícios
variáveis, ou seja, até R$ 60,00; e o benefício
variável vinculado ao adolescente, de R$ 30,00 pago a todas
as famílias do PBF que tenham adolescentes de 16 e 17 anos
freqüentando a escola. Cada família pode receber até dois
benefícios variáveis vinculados ao adolescente, ou
seja, até R$ 60,00.
Ao entrar no PBF, a família
se compromete a cumprir as condições do programa, tais
como manter a freqüência escolar das crianças e
adolescentes e cumprir os cuidados básicos em saúde.
A presença na escola deve atingir 85% para crianças
e adolescentes entre 6 e 15 anos e 75% para adolescentes entre 16
e 17 anos. Os pais também devem assumir a responsabilidade
de manter constante acompanhamento do estado de saúde da criança,
além de prestar informação semestralmente sobre
o crescimento e desenvolvimento das crianças menores de sete
anos, pré-natal das gestantes e acompanhamento das nutrizes.
Reajuste
O ministro do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, anunciou em junho
o reajuste de 8% nos benefícios do Bolsa Família. A
iniciativa, que gerou diversas críticas por ter sido aplicado
em ano eleitoral, passou a vigorar na folha de pagamento de julho,
paga a partir do dia 18.
O MDS estima que a recomposição
terá um custo adicional de R$ 419 milhões no orçamento
de 2008. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a
aplicação do reajuste à crise global de aumento
dos preços dos alimentos.
Milton Júnior
Do Contas Abertas
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Agência Diap, 29
de julho de 2008
A explosão dos acidentes de
trabalho
Por: Altamiro Borges*
Em 27 de julho é lembrado
o Dia da Prevenção dos Acidentes de Trabalho. Infelizmente,
porém, não há o que comemorar no mundo e no
Brasil. Segundo dados da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), em média, cinco mil pessoas morrem por
dia em decorrência da negligência das empresas capitalistas – que
abusam na exploração e não investem na segurança
nos ambientes de trabalho. No Brasil, segundo o Instituto Nacional
de Seguridade Social (INSS), cerca de 500 mil trabalhadores foram
vítimas de acidentes laborais no ano passado, resultando
em 2.708 mortes.
Estes números sequer refletem a realidade. O próprio INSS calcula
que somente 20% dos casos são notificados através da Comunicação
de Acidentes de Trabalho (CAT). Muitos trabalhadores, temendo perder o emprego,
evitam notificar incidentes mais leves; já as empresas, preocupadas
com sua imagem e avarentas por lucros, preferem ocultar os acidentes; e uma
parte dos médicos do trabalho contribui para esta grave omissão
das informações, submetendo-se à lógica patronal.
Terceirização e informalidade
Os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais tiveram um crescimento
vertiginoso nos anos 90 devido ao tsunami neoliberal, que precarizou ainda
mais as condições de trabalho. A chaga da terceirização
e o aumento das horas extras, congeladas pelo nefasto banco de horas, ocasionaram
elevação sem precedentes na história do número
de acidentes. Com a explosão da informalidade, no qual os trabalhadores
não possuem qualquer direito trabalhista ou acesso à previdência
social, este drama passou a lembrar as trágicas estatísticas
de mortos e feridos nas guerras.
Na fase mais recente, com a tímida retomada do crescimento econômico,
as empresas passaram a exigir maior produção. Além dos
acidentes visíveis, o ritmo acelerado de trabalho e o excesso de horas
extras intensificaram o estresse ocupacional, o que gerou novas doenças
psicopatológicas, como a depressão e a angústia, e patológicas,
como úlceras, hipertensão arterial e as lesões por esforço
repetitivo e os distúrbios osteomoleculares relacionados ao trabalho
(LER-Dort). Até agora, são poucas as ações efetivas
dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para superar este criminoso
drama social. Mesmo os sindicatos pouco se debruçam sobre este tema
crucial.
Um tema candente e estratégico
Entre as medidas positivas, mas brandas, adotadas pelo governo do presidente
Lula – ele próprio um acidentado no trabalho – encontram-se
a implantação da Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde
do Trabalhador (Renast), em 2003, e a realização da Conferência
Nacional de Saúde do Trabalhador, em 2005. Nela foi aprovada a integração
entre os ministérios da Saúde, Trabalho e da Previdência
Social e a criação de uma Política Nacional de Saúde
e Segurança no Trabalho, que visa superar a compartimentação
das ações governamentais no enfrentamento do problema.
A Federação dos Metalúrgicos da Bahia, que dedicou seu
segundo congresso ao tema e sempre priorizou o assunto, considera que estas
iniciativas foram positivas, mas aquém da gravidade do problema. “Embora
a conferência tenha ajudado a despertar esse interessante debate, na
prática o que se verificou foi a formação de uma ‘colcha
de retalhos’, com cada instância preocupada em responder a partir
do problema da sua área de atuação”. Em síntese,
o poder público não cumpre o seu papel na fiscalização
e na exigência de ambientes mais seguros, e as empresas capitalistas
continuam negligenciando as condições de trabalho na busca de
mais produtividade e lucros.
Ao comemorar o Dia Nacional de Prevenção dos Acidentes de Trabalho
seria fundamental que o sindicalismo intensificasse a pressão contra
os acidentes e as doenças ocupacionais. Entre outras reivindicações,
os metalúrgicos baianos listaram o fim da terceirização
da perícia médica, maior capacitação dos cipeiros
sobre o tema e abertura de postos de trabalho às vítimas de acidentes
e doenças ocupacionais. Sem perder a perspectiva do socialismo, como única
forma de superar a barbárie capitalista, também apontaram como
bandeiras imediatas a luta pela redução da jornada e pelo fim
do entulho regressivo imposto por FHC, como a terceirização e
o banco de horas.
(*) Jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As
encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/07/2008
Operários da Vale ajuízam
dissídio contra fim de turnos de revezamento
O Tribunal Superior do Trabalho
realiza hoje (29), às 14h, audiência de conciliação
e instrução de dissídio coletivo suscitado por
três sindicatos de trabalhadores contra a Companhia Vale do
Rio Doce.
Com o dissídio, de
natureza jurídica, os sindicatos pretendem obter do TST interpretação
de norma interna da Vale que, de acordo com a inicial, transformou
a jornada de trabalho de todos os empregados submetidos a turnos
de revezamento de seis horas para turnos fixos. A medida, ainda segundo
os sindicatos, entrará em vigor no dia 11 de agosto e atinge
cerca de seis mil trabalhadores em mais de 30 municípios dos
Estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
A audiência será conduzida
pelo vice-presidente do TST, ministro Milton de Moura França.
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JB ONLINE, 28 de julho
de 2008 | Economia
Economia tem conseguido mostrar resultados
positivos, diz Lula
SÃO PAULO, 28 de julho de 2008 - O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva afirmou nesta manhã, em seu programa de rádio semanal "Café com
o Presidente", que a economia brasileira tem demonstrado firmeza, apesar
do cenário internacional, influenciado pela alta nos preços dos
alimentos e a ameaça da inflação em alguns países.
Lula acredita que o avanço
dos preços causado pelos alimentos no mundo inteiro tende
a fluir rapidamente. "No Brasil, nós tomamos a decisão
de que o melhor remédio para combater a inflação é aumentar
a produção", disse o presidente.
Outro fator importante foi
o resultado de empregos formais gerados no mês de junho, que
totalizou 309.442. De acordo com Lula, esse é o melhor resultado
desde 1992, um crescimento de 1,3% ante maio e de 70% em relação
a junho do ano passado, com destaque para o setor de construção
civil.
"A construção
civil bate recorde atrás de recorde na geração
de empregos", disse o presidente, justificando o forte crescimento
da construção civil e de empregos no interior do país,
apontados pela pesquisa do Caged (Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados).
Lula atribuiu o crescimento
da construção civil e da geração de empregos
em decorrência das obras do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento). Além disso, o presidente afirmou que o programa
Bolsa Família vai qualificar 185 mil beneficiários
na área da construção civil.
(Redação
- InvestNews)
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NCST, 28 de julho de
2008
Bolsa Família vai capacitar
cerca de 185 mil beneficiários para a construção
civil
Cerca de 185 mil beneficiários do Programa Bolsa Família serão
capacitados em áreas da construção civil a partir de setembro,
em 12 regiões metropolitanas do país. Os cursos vão formar
profissionais em ocupações como pintor, azulejista, encanador,
carpinteiro, mestre de obras, operador de trator, eletricista e gesseiro.
As propostas dos cursos começam
a ser apresentadas hoje (28) aos gestores do Bolsa Família,
inicialmente nas regiões metropolitanas de Rio de Janeiro,
São Paulo e Fortaleza. Esses gestores vão receber informações
sobre os cursos para poderem orientar os beneficiários durante
a capacitação.
Segundo a diretora de Gestão
do Bolsa Família, Camile Mesquita, a idéia é,
depois da capacitação de aproximadamente 200 horas,
contratar os beneficiários para trabalhar nas obras do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC).
"Desde o início
do Programa [Bolsa Família] a gente tem buscado trabalhar
com a articulação de outras políticas públicas
para desenvolver capacidades de beneficiários do Programa".
A diretora afirmou que essa é a primeira ação de maior
escala, mas o programa tem outras iniciativas, como a ampliação
de escolaridade dos beneficiários, por meio de uma articulação
com o Brasil Alfabetizado, ações de microcrédito e de
inclusão bancária.
"Com isso, o Programa
passa a atuar de forma também importante, na redução
das desigualdades sociais, levando oportunidades para todas essas
famílias que são mais vulnerabilizadas e mais pobres".
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AGÊNCIA DIAP, 28
de julho de 2008
ELEIÇÕES 2008
Para especialistas, coibir campanha
na web é impossível
A resolução do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que limita a campanha eleitoral
na Internet deve levantar polêmica nestas eleições
municipais, não só por cercear a liberdade de expressão,
mas principalmente pela incapacidade que as autoridades terão
para fiscalizar eventuais irregularidades. A previsão é feita
por diversos especialistas no assunto, que alegam que a resolução
foi lançada sem que se fosse levado em conta como as autoridades
poderão fiscalizar ações na rede.
''É inaplicável
essa resolução porque ela gera as aplicações
mais variadas possíveis. É uma resolução
de aplicação absurda e arbitrária porque cada
juiz de cada TRE fará sua interpretação distinta
dos casos'', explica o professor Sérgio Amadeu, doutor em
Ciência Política e ex-membro do Comitê Gestor
da Internet no Brasil.
O perito de informática
da Polícia Federal, Paulo Quintiliano, reconhece a dificuldade
que as autoridades terão para monitorar possíveis abusos
na Internet.
Quintiliano explica que outros
países que tentaram adotar as mesmas regras em período
de eleição viveram situações mal sucedidas.
Isso porque, de acordo com ele, qualquer candidato pode realizar
sua campanha utilizando provedores de outros países e desta
forma poderá escapar da legislação brasileira.
''A questão é bastante
complexa, porque como a Internet não tem fronteiras, pode
acontecer de o candidato publicar as suas informações
de campanha em provedores estrangeiros, que estão fora do
domínio da legislação brasileira, e o conteúdo
poderá ser acessado normalmente'', explica.
Um exemplo da complicação
em torno do tema, mencionado pelo professor Sérgio Amadeu,
ocorreu na última semana quando dois candidatos receberam
ordem da justiça eleitoral para retirar vídeos da Internet.
As determinações
da Justiça eleitoral atingiram as campanhas de Geraldo Alckmin
(PSDB), que concorre à prefeitura de São Paulo, e de
Manuela D'Ávila (PCdoB), candidata a prefeita de Porto Alegre
(RS).
Em São Paulo, o juiz
Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral, determinou
que o candidato retire de sua página de campanha na internet
vídeos veiculados no site YouTube e deixe de instalar links
para que o usuário possa acessar essas imagens.
Em Porto Alegre, a liminar
da Justiça eleitoral determinou a retirada de uma comunidade
do Orkut e de um vídeo do YouTube relacionados à candidata
Manuela d'Ávila por considerar que veiculam material de campanha
da deputada à prefeitura.
Segundo o professor, o caso
revela as lacunas da resolução do TSE, pois em dois
estados de um país casos semelhantes tiveram interpretação
distinta pelos juízes que os avaliaram.
''O caso comprova a ambigüidade
da lei. Em São Paulo a decisão foi mais dura do que
no RS, são interpretações diferentes para um
mesmo país'', contesta.
A deputada Manuela d'Ávila
explica que ficou sem saber o que fazer já que nem ela nem
seus assessores têm domínio das informações
publicadas em sites como o Orkut ou o YouTube.
''Sou contra a resolução,
mas a partir do momento que virou lei, temos que cumprir. A questão é:
como eu posso ter controle das informações sobre mim
que qualquer pessoa pode colocar na rede? Quero orientação
do Poder Judiciário sobre como devo proceder, eu não
tenho como controlar coisas postadas por outras pessoas sobre mim,
nem coisas positivas nem negativas'', diz a candidata.
Para muitos, a resolução
do TSE foi tomada por pessoas que não possuem pleno conhecimento
de como realmente funciona a internet e que não sabem como
o internauta pode agir de forma oculta em diversos sites de relacionamentos.
O professor Sérgio
Amadeu, no entanto, interpreta a decisão da Justiça
Eleitoral de outra forma.
Na visão dele, por
trás de tal determinação, está o verdadeiro
desejo que algumas autoridades brasileiras têm de transformar
a internet num meio de comunicação semelhante ao rádio
ou a televisão.
''Não se pode tratar
a internet como um meio de comunicação comum, no rádio
e na TV as propagandas são pagas enquanto na internet qualquer
candidato, seja rico ou pobre, terá o mesmo espaço
gratuito'', pondera.
Procurado por nossa
reportagem, o TSE alegou que está em recesso e que nenhum
ministro estaria presente para falar sobre o assunto. O Tribunal
ressaltou ainda que as informações relativas ao assunto
estão disponíveis na Internet no site: www.tse.gov.br,
na resolução 22.718. (Fonte: Terra)
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AGÊNCIA DIAP, 28
de julho de 2008
Dois “não” e dois “sim”
Por: João Guilherme Vargas
Netto*
A indústria anda bombando,
com o aumento da produção, da capacidade instalada,
das vendas e dos lucros. O setor automobilístico, nas palavras
do presidente da Associação Nacional de Fabricantes
de Veículos (Anfavea) cresceu, no primeiro semestre de 2008,
25% ou 30% em relação à 2007, ano que já atingira
o recorde em todos os quesitos.
A produtividade alta – quatro
vezes maior que os ganhos reais de salários – garante
a possibilidade de reajustes salariais que recomponham o poder de
compra dos trabalhadores com aumentos reais, sem pressão inflacionária.
Isto tem acontecido. Em São Paulo, por exemplo, os trabalhadores
do doce, balas e chocolate conseguiram reajuste de 9% com ganho real
de 3,5%.
Todos queremos a continuidade
do desenvolvimento econômico, com criação de
empregos formais e distribuição de renda e o ataque
concentrado aos focos inflacionários (alimentos) com maior
oferta de produtos.
Portanto, nos colocamos frontalmente
contra a escalada de juros do Banco Central que deu um empurrão
neles de 13%. Este desatino freia a economia, a produção,
o consumo e dificulta a vida de todo mundo; dos empresários
porque faz arrefecer o ímpeto de investimento; dos trabalhadores
porque diminui a possibilidade de ganhos salariais, de compras, de
melhoria de vida.
As centrais sindicais unidas
(a CUT não compareceu, alegando, na última hora, “problemas
internos”) realizaram na última quarta-feira, 23 de
julho, uma concentração em frente à sede do
Banco Central na avenida Paulista quando gritaram dois fortes “não” e
dois fortes “sim”:
• não aos juros
altos
• não à inflação
• sim ao desenvolvimento
• sim ao emprego e
aos salários.
De todo modo os trabalhadores
unidos não tolerarão “pagar o pato” dos
descalabros do Copom e do Banco Central.
(*) Membro do corpo técnico
do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores
em São Paulo
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NCST, 28 de julho de
2008
Passagens rodoviárias de linhas
semi-urbanas ficam mais caras em todo o país
As passagens de linhas semi-urbanas de transporte rodoviário em todo
o país ficaram mais caras. O reajuste de 8,19% foi autorizado pela Agência
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com resolução publicada
no Diário Oficial da União, na última sexta-feira (25).
De acordo com a ANTT, o aumento é decorrente da variação
de 6,2% nos preços dos insumos durante os últimos 12 meses, além
de outros 1,87% acrescidos por conta da aquisição de novos veículos
para a prestação do serviço.
A influência maior
no reajuste dos preços das passagens, de acordo com o órgão,
foi provocada pelo aumento do preço do óleo diesel
que, durante o mesmo período, chegou a 9,85%. O insumo representa
um terço do custo operacional total do sistema de transporte
semi-urbano. O último reajuste do óleo diesel, concedido
em julho do ano passado, foi de 4,67%.
As linhas semi-urbanas
de transporte rodoviário são aquelas que ligam dois
estados e possuem até 75 quilômetros de extensão.
Pela proximidade com os estados de Goiás e de Minas Gerais,
o Distrito Federal, sozinho, concentra cerca de 90% das linhas.
A maior tarifa – que corresponde a um percurso de 80 quilômetros
de extensão – passará de R$ 3,95 para R$ 4,30
e a menor tarifa – que corresponde a um percurso de 16,8
quilômetros de extensão – passará de
R$ 0,95 para R$ 1.
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CONSULTOR JURÍDICO,
28 de julho de 2008
Prazo de prescrição
Súmula Vinculante 8 acaba com
aberração previdenciária
por Ricardo Castilho
Foi aprovada pelo Supremo
Tribunal Federal, na sessão plenária de 11 de junho
de 2008, a Súmula Vinculante 08, que pôs termo a longa
discussão acerca de quais seriam os prazos de prescrição
e de decadência das contribuições financiadoras
da Seguridade Social.
Repetindo entendimento já esposado
em julgamentos recentes, tanto da própria Corte quanto do
Superior Tribunal de Justiça, o STF declarou inconstitucional
o dispositivo contido no artigo 45 da Lei 8.212/91, que estipula
terem os órgãos arrecadadores, sob pena de decadência,
dez anos para apurar e constituir, mediante lançamento, os
créditos relativos às contribuições de
Seguridade Social. O mesmo tratamento foi dispensado ao artigo 46
do mesmo diploma legal, que preceitua igual prazo — desta feita
de natureza prescricional — para que o Fisco execute judicialmente
os créditos previdenciários formalmente constituídos.
O levante dos contribuintes
contra os mencionados prazos decenais fundara-se na assertiva de
que a Lei 8.212/91 não poderia, em decorrência de sua
natureza de Lei Ordinária, suplantar os prazos qüinqüenais
de decadência e de prescrição do Código
Tributário Nacional, previstos, respectivamente, em seus artigos
173 e 174.
A nova orientação
do STF dá cabo de uma das mais gritantes aberrações
previdenciárias então em voga. Com efeito, as contribuições
que ajudam a sustentar o sistema de Seguridade Social, de há muito,
são entendidas como espécies de tributo, estando, por
conseguinte, sujeitas às regras gerais contidas no capítulo
que trata do Sistema Tributário Nacional. Esta visão,
como consolidado pelo próprio STF, parte da constatação
de que as contribuições típicas da Seguridade
Social estão incluídas no rol trazido pelo artigo 149
da Carta Magna, abarcadas pelo vocábulo “contribuições
sociais”.
Decorre disso, nos termos
do artigo 146, inciso III, alínea b, da Constituição
Federal, que os prazos de decadência e de prescrição
a elas relativos só poderiam ser definidos, pela União,
mediante a promulgação de Lei Complementar, e jamais
por meio de mera Lei Ordinária. Os artigos 45 e 46 da Lei
8.212/91, portanto, padecem de flagrante inconstitucionalidade formal,
na medida em que dispõem sobre matéria reservada a
espécie de ato normativo diversa.
O prazo decadencial para
o lançamento de créditos relativos às contribuições
de Seguridade Social, assim, é de cinco anos, tal qual qualquer
espécie de crédito tributário. No mesmo diapasão,
depois de realizado o lançamento - por qualquer forma - abre-se
ao órgão arrecadador o interregno equivalente a um
qüinqüênio para a inscrição na Dívida
Ativa da União e a posterior promoção da execução
fiscal.
A nova orientação,
que, antes de se encontrar consubstanciada na súmula vinculante
recém elaborada, já havia sido esposada pelos tribunais
superiores em julgados esparsos, encontra enorme resistência
do INSS, que persiste na propositura de execuções fiscais
e no lançamento de débitos relativos a períodos
que superam o prazo decadencial e prescricional do CTN.
No que atine especificamente
a execuções já em andamento, nas quais estejam
sendo cobrados montantes já prescritos, mune-se o contribuinte
da possibilidade de interposição da exceção
de pré-executividade, instrumento processual regulado na Lei
6.830/80 e que se mostra hábil para contestar o débito
fiscal, não obstante a presunção de liquidez
e de certeza das Certidões da Dívida Ativa (conforme
artigo 204 do CTN).
A declaração
da inconstitucionalidade dos prazos decenais não dá azo,
entretanto, a que sejam pedidas restituições de eventuais
valores de contribuições já recolhidos, cobrados
mediante execução fiscal e que sejam anteriores a cinco
anos do início do processo. Segundo estimativas apresentadas
pela Fazenda Pública, os cofres do INSS sofreriam um revés
de aproximadamente R$ 96 bilhões, caso fosse a autarquia federal
obrigada a devolver aos contribuintes todos os valores cobrados com
amparo nas normas declaradas inconstitucionais, desde a promulgação
da Lei 8.212/91.
O STF, no intuito de evitar
estas distorções, decidiu que só serão
admitidos requerimentos de restituição se, até a
data da publicação da súmula vinculante, já tiver
o contribuinte questionado a constitucionalidade da cobrança
das contribuições vencidas há mais de um qüinqüênio,
seja mediante a processo judicial, seja mediante a processo administrativo
fiscal.
Resta aguardar para
ver se a novel súmula vinculante será obedecida de
imediato pelo INSS ou, ao contrário, se o contribuinte será obrigado
a suportar desarrazoadas tentativas de lançamento ou de
execução de contribuições previdenciárias
já decaídas ou prescritas.
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JORNAL AGORA, 28 de julho
de 2008
Justiça dá contagem extra
no benefício especial
STJ diz que INSS deve considerar um tempo
maior, até final de 1997, como trabalho especial sem o laudo
técnico
O STJ (Superior Tribunal de Justiça),
em decisão, diz que o INSS (Instituto Nacional de Seguro Social)
deve reconhecer o trabalho especial feito até 10 de dezembro
de 1997, mesmo sem laudo técnico específico. Segundo
a Justiça, apenas o laudo SB-40 serve como prova do tempo
especial.
De acordo com o consultor
previdenciário Marco Anflor, a decisão pode fazer a
aposentadoria aumentar em até 6%. Além disso, também
permite que se conte até um ano a mais no tempo de serviço.
O INSS, de acordo com o
consultor, costuma aceitar o laudo SB-40 como prova do tempo especial
até 28 de abril de 1995. Porém, para comprovar exposição
a ruído, é preciso ter, também, um laudo técnico
ambiental.
O Ministério da Previdência
informou que a contagem especial sem laudo técnico, com exceção
da comprovação de ruído, vale até 13
de outubro de 1996. A pasta informou que uma medida provisória
entrou em vigor nessa data, obrigando a apresentação
de um laudo ambiental a partir de então. Em dezembro de 1997,
a lei 9.828 entrou em vigor, substituindo a medida.
O laudo técnico é aceito
para comprovação do tempo especial se for emitido até 2003.
Depois, só o formulário PPP (Perfil Profissiográfico
Previdenciário), emitido pela empresa, é aceito.
O STJ, porém, decidiu
que até 10 de dezembro de 1997 o segurado que tiver o laudo
SB-40 não precisa de outro documento. O TRF 3 (Tribunal Regional
Federal da 3ª Região) tem o mesmo entendimento. Para
a comprovação de exposição a ruído
ou calor, a Justiça entende que a apresentação
de um laudo ambiental é devida. A decisão vale tanto
para quem já se aposentou como para quem ainda não
pediu o benefício.
Quem pode pedir
Quem trabalha ou já trabalhou
em locais que oferecem risco à saúde física
ou mental podem reduzir o tempo exigido para a aposentadoria. A exposição
a fatores nocivos dá direito a uma contagem especial de tempo
para se aposentar após 15 anos, 20 anos ou 25 anos. Em geral,
o tempo de contribuição para conseguir a aposentadoria é de
35 anos.
Para conseguir a contagem
especial, a condição de trabalho nocivo deve ser reconhecida
pelo INSS ou pela Justiça. Segundo o advogado previdenciário
Daisson Portanova, há quatro formas aceitas para converter
o tempo de serviço em atividade especial: prova direta, prova
indireta ou por semelhança, emprestada ou por semelhança
de atividade. Todas dependem do formulário PPP (Perfil Profissiográfico
Previdenciário).
A prova direta ocorre
quando o segurado tem um laudo que prove que sua atividade é insalubre.
A prova indireta pode ser usada quando a empresa em que o segurado
trabalhava fechou ou melhorou as condições de trabalho.
O laudo será feito em uma outra empresa, com condições
de trabalho semelhantes. O INSS não comenta decisões
judiciais.
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Revista
Consultor Jurídico, 27 de julho de 2008
Coação trabalhista
Carteira não pode ter registro
de ação de ex-empregado
A anotação na carteira de trabalho de que o trabalhador move uma
ação trabalhista contra um empregador constitui abuso de direito,
gera dano moral e é passível de indenização. O entendimento é da
3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul, ao acolher
o recurso de um trabalhador demitido que pedia correção de valores
de uma reclamatória trabalhista. Cabe recurso.
Para os desembargadores, houve apontamento desnecessário na
carteira de trabalho do autor, excedendo manifestamente o direito que
era conferido ao empregador. Segundo o tribunal, a Constituição
Federal impõe o direito de indenizar a ofensa à moral
ou imagem.
“A anotação da existência de reclamatória
trabalhista não se constitui em registro desabonador, porque
relata o efetivo exercício de um direito constitucional do trabalhador,
que é ajuizar ação judicial para efetivar seus
direitos. Entretanto, sabe-se que o mercado de trabalho está atento
a qualquer informação, além da nefasta realidade
das chamadas listas negras, que desempenham importante papel na obstrução
da efetividade da dignidade do trabalhador e sua recolocação
no mercado de trabalho, quando atingido pelo desemprego”, afirmou
o desembargador relator Luiz Alberto de Vargas.
A decisão reforma a sentença da 1ª Vara do Trabalho
de Passo Fundo (RS). A trabalhadora pedia para aumentar a indenização
devida pelo ex-empregador por danos morais. O valor foi corrigido para
se basear no salário que a trabalhadora recebia à época
do desligamento da empresa.
Processo 00759-2005-661-04-00-2
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Folha
de S.Paulo, 27 de julho de 2008
Aumento salarial é maior no
setor público
Economia mais aquecida e decisões
políticas levam salário do funcionalismo a
se recuperar mais rápido que o do setor privado
Para sindicalista, rotatividade nas
empresas privadas achata rendimento, o que não ocorre
no setor público, por causa da estabilidade no emprego
CLAUDIA ROLLI
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
O crescimento da economia, a melhora nas finanças
públicas e a decisão política dos
governos em conceder reajustes ao funcionalismo resultaram
em uma recuperação dos salários dos
empregados do setor público nos últimos seis
anos não constatada com a mesma intensidade no setor
privado.
Ao se compararem os rendimentos dos trabalhadores dos dois setores em maio
deste ano com maio de 2002, há inclusive perda salarial para quem trabalha
na iniciativa privada. O rendimento médio real do trabalhador no setor
público cresceu 2,3% nesse período -passou de R$ 1.824,84 para
R$ 1.866,79. No setor privado, caiu 2,8% -foi de R$ 1.111,16 para R$ 1.079,69.
Os dados são da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE realizada em
seis regiões metropolitanas -São Paulo, Rio, Belo Horizonte,
Salvador, Recife e Porto Alegre- e levam em conta os rendimentos de servidores
dos funcionalismos federal, estadual e municipal.
" Com mais dinheiro em caixa em razão do aumento na arrecadação
pública, o Estado tomou uma decisão política: melhorar a
relação com o setor público com a concessão de maiores
reajustes", diz Anselmo Luis dos Santos, economista do Cesit (Centro de
Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da Unicamp.
Durante o governo FHC (1995-2002), o trabalhador no setor público ficou
praticamente oito anos sem ter aumento real de salário. O baixo crescimento
do país e o desemprego elevado dificultaram as negociações
salariais, segundo o economista da Unicamp.
Os ganhos reais nos salários do setor público começaram
a ficar mais evidentes a partir de 2005, impulsionados pelo crescimento econômico.
Desde então, os rendimentos só cresceram mês após
mês na comparação com igual período do ano anterior.
O maior aumento real foi de 12,2% em outubro de 2006 sobre o mesmo mês
de 2005. A situação somente se inverteu em maio deste ano, quando
o rendimento médio real no setor público caiu 0,1% ante igual
período de 2007.
No setor privado, a recuperação dos salários foi mais
expressiva a partir de 2006. Em abril, o aumento real no salário do
trabalhador privado foi de 6,9% em relação a igual mês
de 2005. Em maio deste ano, a queda no rendimento real foi de 0,9% ante igual
mês de 2007.
" O rendimento no setor público está em um patamar mais elevado
do que o no setor privado. Enquanto no setor privado os rendimentos são
de R$ 800 a R$ 1.100 mensais no emprego com e sem carteira, no setor público
os rendimentos estão entre R$ 1.800 e R$ 2.000 por mês", diz
Cimar Azeredo Pereira, gerente da PME do IBGE.
As perdas no rendimento de quem trabalha no setor privado com ou sem carteira
assinada chegaram a 4,7% e 3,1%, respectivamente, na comparação
de maio deste ano com o mesmo mês de 2002. "O processo de terceirização
de serviços nas empresas tem impacto negativo nos rendimentos dos trabalhadores",
diz Azeredo Pereira.
O que pode explicar essa diferença de ganhos entre
os trabalhadores da iniciativa privada e do funcionalismo é a
rotatividade adotada pelas empresas, com a substituição
de empregados que ganham mais pelos que recebem menos,
segundo João Carlos Gonçalves, secretário-geral
da Força Sindical.
" A rotatividade que ocorre nas empresas do setor privado achata os salários.
No setor público, isso não se verifica até por causa da
estabilidade."
Artur Henrique da Silva Santos, presidente da CUT (Central Única dos
Trabalhadores), diz que o governo Lula abriu espaço para as negociações. "As
entidades sindicais de servidores públicos souberam usar esse espaço.
Incentivar a formação de mesas de negociação estava
no programa de Lula. Mas, se não houvesse mobilização,
os números obtidos de reajustes reais não seriam esses."
José de Campos Ferreira, diretor da Fenasps (Federação
Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência
e Assistência Social), afirma que o governo Lula abriu espaço
para negociação, mas errou ao não estabelecer uma política "global" de
reestruturação das carreiras e de recuperação do
salários.
" As greves [de servidores e funcionários de estatais] ainda são
instrumentos necessários. O governo senta à mesa, mas vem com as
propostas prontas. É surdo para os problemas que os servidores enfrentam
em suas condições de trabalho, como no caso dos funcionários
do INSS", afirma Ferreira.
Negociações favorecidas
O avanço da economia brasileira e a queda da inflação
favoreceram as negociações salariais, avalia o presidente da
CUT. "No ano passado, 87,7% dos acordos salariais firmados incorporaram
reajustes acima da inflação. É como negociar com uma metalúrgica.
Se a fábrica está vendendo e lucrando mais, as negociações
tendem a ter resultados melhores. O nosso argumento também é que
o governo precisa valorizar o servidor e o serviço dele", afirma
o sindicalista.
No setor privado, não existe a cultura de repassar ganhos para os trabalhadores,
ressalta o presidente da CUT. As empresas preferem complementar salários
concedendo participação nos lucros e nos resultados -benefício
que não é incorporado aos salários. "Nós queremos
mais ganhos reais de salários", diz Silva Santos.
Apesar dos aumentos reais de salários, a participação
da soma da remuneração do trabalhador sobre o PIB (Produto Interno
Bruto) brasileiro continua estabilizada há anos, em torno de 39% a 40%. "Isso
mostra que os ganhos de produtividade não são repassados na totalidade
para o conjunto de trabalhadores", afirma o presidente da CUT.
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O Estado
do Paraná, 27 de julho de 2008
Marco histórico da educação:
piso salarial do magistério público
Edésio Passos
Este texto é em memória do dr. Célio de Castro, dirigente
sindical, médico, deputado federal, prefeito de Belo Horizonte, mas, antes
de tudo, um humanista. Orgulho-me de ter, como parlamentar e amigo, participado
com ele das jornadas de luta por uma sociedade justa, solidária, fraterna
e igualitária.
A instituição do piso salarial profissional nacional
para os profissionais do magistério público da educação
básica de R$ 950 está regulamentado pela Lei n.º 11.738,
de 16/7/2008 (DOU 17/7/2008), em face o art.60, alínea e, do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(EC n.º 53, de 19/12/2006) e da Lei n.º 11.494/2007. A nova
Lei é oriunda do PL 619/07, do Executivo, e PL 7.431/06 do senador
Cristovão Buarque. Tanto a lei do piso salarial, como as demais
sobre a questão educacional que foram sancionadas, se constituem
em um marco na história da educação brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “o
que foi produzido pelas duas Casas e que eu sancionei é a semente
de um novo ser humano que vamos ver nascer no País. Nada é mais
digno para uma nação que ela seja destacada pelo seu
alto índice de educação. As estatísticas
vão mostrar nos próximos anos a importância do
conjunto de medidas implantadas hoje na área de educação”.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Educação, Roberto Franklin de Leão, afirmou: “Estamos
entrando agora numa nova etapa. Sabemos que a adoção
do novo piso nos estados e municípios não será uma
luta fácil. Precisamos ficar atentos para que a lei seja cumprida
na forma como foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo
presidente Lula”. A Lei foi sancionada com veto que se refere à retroatividade,
ou seja, o piso começará a valer só a partir de
janeiro de 2009 e o reajuste será sobre os R$ 950,00. O presidente
da CNTE lamentou o veto, mas considerou que “a nova lei é um
passo importante para a valorização do professor”.
E acrescentou que “o veto não é um determinante
que vai prejudicar o dia histórico que a educação
brasileira vive hoje, uma vez que o princípio do piso está preservado.
Quem ganha com a criação do piso nacional é a
sociedade que terá um profissional mais valorizado e qualificado.
A luta no próximo ano será mais árdua, porque
temos que estar preparados para eventuais dificuldades nos estados
e municípios”.
Piso salarial
Quando entrar em vigor, o novo piso salarial beneficiará diretamente
cerca de um milhão e meio de educadores, pela projeção
do MEC e, indiretamente, quarenta e seis milhões de alunos das
redes públicas brasileiras. Cerca de 40% dos professores em
início de carreira, principalmente aqueles que trabalham no
interior dos estados do Norte e do Nordeste, recebem salários
inferiores a R$ 950. “O piso é mais do que a luta de uma
categoria, ele resgata o papel e a missão histórica daqueles
que lidam com nossas crianças e nossos jovens”, afirmou
o ministro da Educação, Fernando Haddad. A fixação
do piso salarial para o magistério é uma reivindicação
histórica da categoria. Estados e municípios terão
18 meses, até 2010, para pagar o valor integral de R$ 950 a
partir de reajustes anuais.
49 mil cargos
A partir da sanção presidencial, passa a valer também
a lei que cria cerca de 49 mil cargos de professores e técnicos,
necessários para dar sustentação ao Programa de
Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais (Reuni) e à expansão da rede federal
da educação profissional e tecnológica. O Reuni
prevê a duplicação de vagas nas universidades federais.
Para isso, a lei institui 3.375 cargos no âmbito do MEC, destinados à redistribuição
para as instituições federais de ensino superior. Desses,
2,3 mil são cargos efetivos de professor para a carreira do
magistério superior e 1.075 de técnicos administrativos
para diversas áreas. As universidades federais também
farão concursos públicos para preencher 13.264 vagas
de docentes e 10.656 de técnicos administrativos. Com o aumento
do número de técnicos e professores, será possível
consolidar o ensino a cerca de um milhão de alunos a mais no
ensino superior em quatro anos. “Esse é um processo de
expansão de um grande sistema de aperfeiçoamento do magistério
público brasileiro”, afirmou Haddad. Já as instituições
federais de educação profissional e tecnológica
disporão de 9.430 cargos de técnico administrativo e
12,3 mil cargos de professor de ensino fundamental e médio.
Os profissionais serão fundamentais para fortalecer a formação
de trabalhadores qualificados no Brasil.
O ensino regular e o técnico
Além de pessoal de qualidade para a educação
profissional e tecnológica, a modalidade passará a funcionar
de maneira mais atrelada à educação básica
com a sanção pelo presidente de alterações à Lei
de Diretrizes e Bases (LDB). Entre outras medidas, define que o ensino
médio, atendida a formação geral do estudante,
prepare para o exercício de profissões técnicas.
Assim, a articulação entre ensino regular e técnico
deve ser feita de forma integrada (matrícula única, na
mesma escola) ou concomitante (matrículas distintas, na mesma
ou em outra instituição, para quem ingressa ou já cursa
o ensino médio). Outra ação vai beneficiar, ainda,
a educação profissional e tecnológica. O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou o projeto de lei que cria
os 38 Institutos Federais de Educação, Ciência
e Tecnologia (Ifets). O projeto prevê institutos em todos os
estados com a oferta de ensino médio integrado, cursos superiores
de tecnologia, bacharelado em engenharias e licenciaturas. Para orientar
as escolas que oferecem cursos técnicos de nível médio,
o presidente assinou uma portaria que institui um novo Catálogo
Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio. O
texto altera as diretrizes curriculares desta modalidade de ensino
e oferece um mapeamento da oferta da educação técnica
de nível médio. O presidente Lula também encaminhou
projeto de lei ao Congresso Nacional criando a universidade Fronteira
do Sul (informações do site da Presidência da República).
Regulamentação do piso
O piso salarial está assim regulamentado: “Art. 1.º Esta
Lei regulamenta o piso salarial profissional nacional para os profissionais
do magistério público da educação básica
a que se refere a alínea “e” do inciso III do Art.
2.º O piso salarial profissional nacional para os profissionais
do magistério público da educação básica
será de R$ 950,00 (novecentos e cinqüenta reais) mensais,
para a formação em nível médio, na modalidade
Normal, prevista no art. 62 da Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro
de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação
nacional. § 1.º O piso salarial profissional nacional é o
valor abaixo do qual a União, os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios não poderão fixar o vencimento
inicial das Carreiras do magistério público da educação
básica, para a jornada de, no máximo, 40 (quarenta) horas
semanais. § 2.º Por profissionais do magistério público
da educação básica entendem-se aqueles que desempenham
as atividades de docência ou as de suporte pedagógico à docência,
isto é, direção ou administração,
planejamento, inspeção, supervisão, orientação
e coordenação educacionais, exercidas no âmbito
das unidades escolares de educação básica, em
suas diversas etapas e modalidades, com a formação mínima
determinada pela legislação federal de diretrizes e bases
da educação nacional. § 3.º Os vencimentos
iniciais referentes às demais jornadas de trabalho serão,
no mínimo, proporcionais ao valor mencionado no caput deste
artigo. §§ 4.º Na composição da jornada
de trabalho, observar-se-á o limite máximo de 2/3 (dois
terços) da carga horária para o desempenho das atividades
de interação com os educandos. § 5.º As disposições
relativas ao piso salarial de que trata esta Lei serão aplicadas
a todas as aposentadorias e pensões dos profissionais do magistério
público da educação básica alcançadas
pelo art. 7.º da Emenda Constitucional n.º 41, de 19 de dezembro
de 2003, e pela Emenda Constitucional n.º 47, de 5 de julho de
2005”.
Integralização progressiva
A implantação do piso salarial será progressiva,
como fixado em lei: “Art. 3.º O valor de que trata o art.
2.º desta Lei passará a vigorar a partir de 1.º de
janeiro de 2008, e sua integralização, como vencimento
inicial das Carreiras dos profissionais da educação básica
pública, pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios
será feita de forma progressiva e proporcional, observado o
seguinte: I (Vetado); II a partir de 1.º de janeiro de 2009, acréscimo
de 2/3 (dois terços) da diferença entre o valor referido
no art. 2.º desta Lei, atualizado na forma do art. 5.º desta
Lei, e o vencimento inicial da Carreira vigente; III a integralização
do valor de que trata o art. 2.º desta Lei, atualizado na forma
do art. 5.º desta Lei, dar-se-á a partir de 1.º de
janeiro de 2010, com o acréscimo da diferença remanescente. § 1.º A
integralização de que trata o caput deste artigo poderá ser
antecipada a qualquer tempo pela União, Estados, Distrito Federal
e Municípios. § 2.º Até 31 de dezembro de 2009,
admitir-se-á que o piso salarial profissional nacional compreenda
vantagens pecuniárias, pagas a qualquer título, nos casos
em que a aplicação do disposto neste artigo resulte em
valor inferior ao de que trata o art. 2.º desta Lei, sendo resguardadas
as vantagens daqueles que percebam valores acima do referido nesta
Lei”.
Complementação pela União
A nova Lei também dispõe das condições
de complementação de recursos pela União: “Art.
4.º A União deverá complementar, na forma e no limite
do disposto no inciso VI do caput do art.60 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias e em regulamento, a integralização
de que trata o art. 3.º desta Lei, nos casos em que o ente federativo,
a partir da consideração dos recursos constitucionalmente
vinculados à educação, não tenha disponibilidade
orçamentária para cumprir o valor fixado. § 1.º O
ente federativo deverá justificar sua necessidade e incapacidade,
enviando ao Ministério da Educação solicitação
fundamentada, acompanhada de planilha de custos comprovando a necessidade
da complementação de que trata o caput deste artigo. § 2.º A
União será responsável por cooperar tecnicamente
com o ente federativo que não conseguir assegurar o pagamento
do piso, de forma a assessorá-lo no planejamento e aperfeiçoamento
da aplicação de seus recursos”.
Atualização do piso salarial
A atualização do valor do piso salarial está fixado
na Lei nas seguintes condições: “Art. 5.º O
piso salarial profissional nacional do magistério público
da educação básica será atualizado, anualmente,
no mês de janeiro, a partir do ano de 2009. Parágrafo único.
A atualização de que trata o caput deste artigo será calculada
utilizando-se o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo
por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano,
definido nacionalmente, nos termos da Lei n.º 11.494, de 20 de
junho de 2007. Art. 6.º A União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios deverão elaborar ou adequar seus
Planos de Carreira e Remuneração do Magistério
até 31 de dezembro de 2009, tendo em vista o cumprimento do
piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério
público da educação básica, conforme disposto
no parágrafo único do art. 206 da CF/88”.
Adicional de insalubridade
As Confederações dos Metalúrgicos da Força
Sindical e da CUT ingressarão com agravo regimental nos autos
da Reclamação 6.266, ajuizada pela Confederação
Nacional da Indústria contra a Súmula 228 do TST que
desvinculou o cálculo do adicional de insalubridade do salário
mínimo, tomando por base o salário básico, ou
salário mais vantajoso fixado em instrumento normativo, seguindo
os efeitos da Súmula Vinculante n.º 4 do STF. O presidente
do STF ministro Gilmar Mendes concedeu liminar suspendendo os efeitos
da Súmula 228 e o agravo regimental pretende questionar, no
Pleno do STF, esta liminar. Para o ministro do STF “a nova redação
estabelecida para a Súmula 228/TST revela aplicação
indevida da Súmula Vinculante n.º 4, porquanto permite
a substituição do salário mínimo pelo salário
básico no cálculo do adicional de insalubridade sem base
normativa”, ou seja sem lei regulamentadora ou norma coletiva.
Para a CNI, com a liminar, “a base de cálculo para o adicional
continua sendo o salário mínimo”. Caso a Reclamação
seja indeferida, estará formado passivo trabalhista a partir
da edição da Súmula 228 pelo TST.
O ministro, o rapaz e o cordão de ouro
O ministro presidente do STF Gilmar Mendes foi assaltado na manhã do
dia 29 de junho na avenida Beira-Mar, área nobre de Fortaleza,
Ceará. Tentaram roubar-lhe o cordão de ouro. Um dos assaltantes,
rapaz de 18 anos, Jefferson Hermínio Coelho Monteiro, foi preso
pelos seguranças e policiais militares. Seu advogado, dr. Oliveira
Brito, ingressou com habeas corpus, denegado pelo juiz da sexta Vara
Criminal de Fortaleza, dr. Eduardo de Castro Neto. É provável
que o acusado esteja hoje em liberdade, pois seu advogado pediria reconsideração
da decisão, baseado nos argumentos da própria vítima,
o presidente do STF, manifestados em face de habeas corpus que concedeu
a liberdade para Dantas, Naha, Pitta e demais indiciados pela Polícia
Federal. Em especial, por se tratar de ato que se configurou em apenas
ser tentativa, do objeto ser apenas um cordão, do assaltante
ser apenas um rapaz primário, do rapaz apenas viver com o pai,
a madrasta e dois irmãos. Enfim, segundo dona Antonia Raimunda,
sua madrasta, porque apenas “não sei se foi aventura ou
brincadeira de mau gosto”. Mas, pelo sim ou pelo não,
o promotor de justiça qualificou o ato de Jefferson de ser apenas
assalto qualificado e o juiz de direito não concedeu a liberdade
apenas por ser um ato grave e ainda por ter não interrogado
o acusado. Afinal, estes são apenas fatos corriqueiros da vida
brasileira que não mereceriam sequer esta nota sumária,
a não ser o fato de que a vítima é o presidente
do STF e o cordão, de ouro.
Salvador Allende, 100 anos
O médico socialista Salvador Allende, presidente do Chile de
1970/73, nasceu em 26 de junho de 1908 e morreu no Palácio de
La Moneda no dia 11 de setembro de 1973, defendendo heroicamente a
revolução e seu governo democrático-popular, resistindo
ao golpe militar fascista apoiado pelos Estados Unidos. Tomás
Hirsch, do Partido Humanista do Chile, afirma: “Comete-se um
erro quando se olha para trás para recordar Allende. Por sua
obra, por seu projeto, seus sonhos, por suas lutas, Allende está no
futuro. E, hoje em dia, seu legado também é o da esperança
para todo o povo latino-americano”. (in jornal Brasil de Fato,
3-6/7/2008).
Edésio Passos é advogado e ex-deputado
federal (PT/PR). edesiopassos@terra.com.br
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Vermelho,
27 de julho de 2008
Pochmann prioriza ''reforma tributária
que onere os ricos''
''Uma reforma tributária que onere os ricos'', é, ao lado da reforma
agrária, a prioridade defendida para o Brasil pelo economista Marcio Pochmann.
Desde o ano passado à frente do Ipea ( Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), e encarregado pelo governo Lula de fazer um planejamento de médio
prazo para o desenvolvimento nacional, o professor da Unicamp voltou a defender
este rumo nesta sexta-feira (25), em Brasília, para um público
de 825 sindicalistas bancários de todo o país.
Pochmann: ''Só com tensão dos partidos, sindicatos''
''O Brasil tem estrutura agrária pior que de 1950. O Brasil
não fez e tem que fazer: reforma agrária e tributária'',
sublinhou o economista, convidado a expor suas idéias na 10ª Conferência
Nacional dos Bancários. E apresentou números arrasadores
para demonstrar sua tese.
''Convergência política'' desenvolvimentista
Os 10% mais pobres no Brasil vivem com R$ 70 mensais e gastam 50%
desse valor com impostos. Enquanto os 10% mais ricos ganham mais de
R$ 4 mil ao mês e comprometem somente 20% da renda.
''Temos que fazer uma reforma tributária e fazer um fundo
público para os jovens iniciarem mais tarde no mercado de trabalho:
uma profunda alteração na escola, com educação
para a vida toda. Mas isso só vai acontecer se houver tensão
dos partidos, dos sindicatos'', disse Pochmann, ressaltando que vivemos
uma crise de sociabilidade, numa sociedade de massa em que impera o
individualismo.
''Tudo que os trabalhadores têm hoje é fruto de sua
luta, da capacidade de lutar para alterar'', lembrou Pochmann à sua
platéia de sindicalistas, indicando o vínculo entre as
propostas que defendeu e a necessidade de construir ''uma convergência
política em nome do desenvolvimento''.
O Brasil ontem e hoje: avanços e amarras
Pochmann traçou um comparativo entre o Brasil de hoje e de
outros tempos, destacando avanços, mas apontando também
o quanto o país ainda está preso a uma série de
amarras que impedem seu desenvolvimento e a promoção
da igualdade.
O economista lembrou que apesar de uma nova rodada de partidos de
centro-esquerda ter assumido os governos dos países latino-americanos
nos últimos anos, o momento guarda diferenças com as
décadas de 1950, 60 e 70. Aqueles eram tempos de expansão
econômica, crescimento de 7% ao ano e mudança de uma sociedade
agrária para urbana. Para Pochmann, os atuais governos têm
uma especificidade: resultaram do fracasso do projeto neoliberal na
América Latina.
''Estamos tratando de governos de sociedades totalmente desestruturadas'',
disse o presidente do Ipea, ressaltando que os anos de avanço
neoliberal fizeram com que duas regiões fossem condenadas: América
Latina e África. ''O Brasil era a 8ª economia do mundo
em 80, caiu para a 14ª em 90 e hoje está na 10ª posição''.
A época da produção imaterial
Pochmann lembrou que o momento é de decadência da hegemonia
dos EUA. A guerra contra o Iraque resultou num aumento do petróleo
que então valia 20 dólares o barril e hoje bate na casa
dos 120 dólares.
''Há necessidade de pensarmos novas bases para um projeto
de desenvolvimento nacional em uma sociedade pós-industrial:
de cada 10 empresas, 7 a 8 estão no setor de serviços.
Essa forma de organização da atividade econômica
precariza o trabalho e provoca o deslocamento dos parâmetros
das negociações. É o fim da produtividade física'',
salientou o economista, explicando que não se mede mais a produtividade
pelo número de carros produzido por trabalhador ou o número
de cheques processados. ''Cada vez mais a produtividade é imaterial.
Um trabalho não tangível que está sendo executado
para além do local de trabalho, com metas de vendas e novos
métodos de gestão que mantêm o trabalhador plugado
24 horas por dia'', disse Pochmann. ''É uma fase do capitalismo
de profunda concentração de riqueza.''
O PIB do mundo é de 50 trilhões de dólares.
A riqueza imaterial produzida é de 200 trilhões de dólares,
concentrada em clãs de 1,2 milhão de famílias,
num mundo com 1,5 bilhão de famílias. ''Não haverá mais
que 500 grandes corporações transnacionais a dominar
os negócios no mundo.'' Pochmann deu exemplos dessa concentração
de riqueza: o faturamento da Petrobras é maior que o PIB da
Argentina. O PIB brasileiro é igual às três maiores
corporações do mundo. O orçamento do BNDES, maior
banco público do mundo, é superior ao do Banco Mundial.
Novo padrão civilizatório à vista
De acordo com o presidente do Ipea, essa sociedade dos serviços,
do conhecimento, permite construir um novo padrão civilizatório.
Ele deu o exemplo da trajetória de muitos países hoje
desenvolvidos ao longo do século 19: a luta dos trabalhadores
alterou a jornada de 16 horas para 8 horas diárias, as crianças
deixaram de ingressar no mercado de trabalho aos 5 anos e só começavam
aos 15 anos. O tempo livre passou a ser usado para os estudos. Foram
feitas as reformas agrária e tributária - que passou
a tributar quem tinha dinheiro - e em muito contribuíram para
alterar essa realidade.
''Estamos num momento espetacular para avançar nessa luta.
Não há razão técnica para trabalhar mais
que 12 horas por semana. Os filhos dos ricos, por exemplo, só ingressam
no mercado de trabalho aos 25 anos de idade, após completar
a graduação e para ocupar postos chave no mercado de
trabalho.''
''Ttrabalhadores são vítimas da inflação
e não vilões''
O presidente do Ipea encerrou sua exposição falando
da necessidade de fazer uma convergência política em nome
do desenvolvimento. ''A única convergência que existe
defende a estabilidade econômica. O economista criticou ainda
a argumentação de que a inflação é causada
pelos reajustes com ganho real conquistados pelos trabalhadores. ''Os
trabalhadores são vítimas da inflação e
não vilões''.
''Temos possibilidade de fazer transitar o dinheiro do setor financeiro
para o setor produtivo'', disse o economista, falando da preferência
dos detentores do capital pela liquidez (ou seja, quanto maior o taxa
de juro mais dinheiro permanece no banco) e pela eficiência do
capital investido (quanto o capitalista espera ganhar com o que investe)
''É preciso haver garantia política de que haverá crescimento,
investimento em estrutura, que está sendo feito com o Plano
de Aceleração do Crescimento (PAC)'', explicou Pochmann,
lembrando que durante o governo neoliberal 2,5 milhões de empregos
públicos foram destruídos.
''É fundamental ter política de orientação
para grandes empresas, com uma política do BNDES para o desenvolvimento
produtivo. E um plano de desenvolvimento para a educação.
''Esse governo fez a maior construção da história
de escolas técnicas. É pouco quando se compara ao desejo
nacional, mas muito diante do que se tinha.''
Lacerda defende democratização do
CMN
O presidente da Funcef (fundo de pensão da Caixa Econômica
Federal), Guilherme Narciso Lacerda, também particiou do debate,
que visou capacitar a categoria dos bancários para a próximna
campanha salarial. Lacerda ressaltou, em sua palestra, que a política
de juros imposta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) penaliza
a sociedade brasileira tanto quanto a inflação.
''É errado pensar que os juros são a única maneira
de fazer os ajustes necessários'', sentenciou. Como alternativas,
Lacerda citou o controle e restrição dos movimentos financeiros
especulativos e o aumento da oferta por meio de medidas relacionadas à tributação
e aos financiamentos.
O palestrante também criticou o fato de a classe trabalhadora
e o setor produtivo não terem representantes junto ao CMN. Para
Lacerda, em vez de ter como foco apenas a estabilidade dos preços,
o Banco Central deve privilegiar também o crescimento econômico,
a geração de empregos e renda e o aumento de crédito
para o setor produtivo.
Guilherme Lacerda expôs alguns índices favoráveis
no cenário econômico atual do país. Destacou o
crescimento brasileiro em torno de 5% ao ano, a balança comercial
com 40,1 milhões de superávit, a reserva internacional
em 200 milhões de dólares, o crescimento do crédito
bancário, a queda da taxa de desemprego (7,8%) e da dívida
do setor público e melhorias na distribuição de
renda.
Com informações da Rede de Comunicação
dos Bancários,
Cláudia Motta/Seeb (São Paulo) e Patrícia Meyer/Seeb (Curitiba)
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Vermelho,
27 de julho de 2008
Crescimento ajuda trabalhador,
inflação e juros ameaçam
Em geral, o resultado das campanhas salariais que já foram
ou estão sendo fechadas neste ano, especialmente no segundo semestre,
revelam que muitas categorias estão conquistando acordos relativamente
bons, com reajustes acima da inflação e mesmo redução
da jornada de trabalho sem redução de salários.
O acordo que o Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul (RS)
acaba de assinar com o patronato, prevendo um reajuste acima do INPC
acumulado em 12 meses, de 9,4%, bem como o dos químicos paulistas
do setor farmacêutico, que conquistaram a redução
da jornada para 40 horas semanais, sem prejuízo para os salários,
são dois exemplos eloqüentes neste sentido.
Por Umberto Martins, no Portal da CTB*
É , basicamente, em função do crescimento
da economia nacional que os ventos favorecem os interesses dos assalariados,
o que revela como é importante para a classe trabalhadora
a bandeira do desenvolvimento com valorização do trabalho.
Todavia, a aceleração do processo inflacionário
e a alta dos juros são dois fatores que prometem sabotar o
bom desempenho da economia e dos salários, mudando (para pior)
as perspectivas da conjuntura.
Arrocho silencioso
A evolução do rendimento real dos trabalhadores ocupados
nas seis principais regiões metropolitanas do país
em junho (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador
e Porto Alegre) já revela uma desaceleração
no crescimento da renda do trabalho, de acordo com a gerente da pesquisa
mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), Cimar Azeredo
Na comparação com maio, a renda média real
dos trabalhadores e trabalhadoras caiu 0,3%. Este desempenho já reflete,
em parte, a ação corrosiva da inflação
em alta, na opinião da economista do IBGE, que poderá também
a ação de outros fatores, como as novas contratações
por salários inferiores aos dos que já estavam ocupados.
Redistribuição da renda
A inflação é um instrumento silencioso e perverso
de redistribuição da renda entre as classes sociais
e a experiência histórica demonstra, com fartura, que
suas maiores vítimas são os trabalhadores. Os salários
perdem poder de compra diariamente, pois não acompanham a
disparada dos preços, que de resto afeta principalmente os
alimentos. Isto significa que a inflação, hoje, é maior
precisamente para os mais pobres.
Para preservar o valor real dos salários ou minorar as perdas,
algumas categorias já estão reivindicando redução
do prazo de reajustes (atualmente de uma vez a cada ano) ou alguma
espécie de ''gatilho'' para garantir a correção
da remuneração toda vez que a alta dos preços
alcançar certo patamar.
Risco para o crescimento
A alta das taxas de juros, promovida a pretexto de combater a inflação,
também funciona contra os interesses da classe trabalhadora,
pois provoca uma redução do consumo e dos investimentos,
sacrificando o crescimento da economia. A redução da
taxa de crescimento e a possibilidade de estagnação
econômica tendem a se desdobrar em aumento do nível
de desemprego e redução da renda do trabalho.
No curto prazo, a ameaça proveniente da política monetária
do Banco Central (que acaba de elevar em 0,70%, para 13% ao ano,
a taxa básica de juros) ainda não se transformou em
realidade. Porém, poucos duvidam de que o resultado em médio
prazo será o desaquecimento do consumo e da atividade produtiva.
Trabalho de Sísifo**
As categorias terão de intensificar os esforços de
mobilização e luta seja contra os efeitos corrosivos
da inflação seja contra a política monetária
do Copom, pois do contrário a modesta recuperação
do valor dos salários irá por água abaixo ao
longo dos próximos meses ou anos, afogando ou adiando a esperança
de desenvolvimento com valorização do trabalho.
As estatísticas divulgadas pelo IBGE revelam que o rendimento
médio real dos assalariados nas seis maiores regiões
metropolitanas, de R$ 1.216,50 em junho, sequer chegou ao patamar
do valor registrado em igual mês do ano de 2002, que foi de
R$ 1.269,45. Será preciso muita luta para evitar que a classe
trabalhadora brasileira seja condenada ao trabalho de Sísifo.
* Jornalista, editor do Portal da CTB; fonte:
http://portalctb.org.br
** Nota: Sísifo é um personagem
da mitologia grega, que a exemplo de Prometeu foi encarado como um
inimigo de Zeus (o deus dos deuses olímpicos) e condenado,
depois de morto, por toda a eternidade, a rolar uma grande pedra
de mármore com as próprias mãos até o
cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando
o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto
de partida. Por isto, esforços inúteis ou tarefas destinadas
ao fracasso passaram a ser consideradas como ''trabalho de Sísifo''.
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O Estado do Paraná, 26 de julho
de 2008
Feijão sobe mais de 200%
nos últimos oito anos
Estudo elaborado pelo economista André Braz, do Instituto Brasileiro
de Economia (IBRE), da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra
que dois dos principais itens da feijoada, prato preferido da maioria dos brasileiros,
superaram a inflação dos últimos oito anos. Segundo Braz,
enquanto o Índice de Preços ao Consumidor-Brasil (IPC-BR) subiu
69,41% entre 2001 e 2008, o feijão preto acumulou nesse período
alta de 248,42% e o arroz de 146,76%.
Nos últimos 12 meses, contados entre julho de 2007 a junho
de 2008, a variação média dos ingredientes da
feijoada foi de 24,46%, superando o IPC acumulado de 5,96%. De acordo
com o economista, essa é a maior elevação desde
2003, quando os 13 itens analisados subiram 35,96% em média
e a inflação atingiu 16,12%.
Em entrevista à Agência Brasil, Braz disse que a pesquisa
serviu para mostrar que produtos essenciais no dia-a-dia do brasileiro
também tiveram uma alta expressiva nesse último período.
O economista destacou que muitas pessoas que acompanham os números
da inflação pela televisão e pelos jornais não
se identificam com eles, porque a taxa divulgada pelos institutos
de pesquisa é uma média da população,
não é a inflação do indivíduo. "E
muitas vezes há aquela afirmação de que essa
inflação não existe: Eu paguei muito mais caro
pelos meus produtos este mês".
Ele explicou que na pesquisa, foi feita uma seleção
menor de itens importantes na cesta de consumo das famílias,
o que acaba aproximando os números da inflação
da realidade da maioria dos consumidores. "Então, dá para
ver que um produto extremamente popular, composto por itens que fazem
parte das compras mensais das famílias, teve um aumento expressivo
nos últimos 12 meses, principalmente quando se compara com
igual período dos últimos anos".
Braz destacou que o estudo demonstra que, ao longo do período
2001-2008), os produtos essenciais, que também são
os mais baratos no preparo e no acompanhamento da feijoada, foram
os que mais subiram: arroz, feijão e farinha de mandioca.
A farinha de mandioca aumentou 120,69%. Já a carne defumada,
a lingüiça e o lombinho, normalmente mais caros, subiram
menos (55,98%, 51,07% e 67,10%, respectivamente) do que a inflação
acumulada pelo IPC.
Para o economista, os aumentos no preço do feijão
vão depender, entre outras coisas, da qualidade da nova safra. "O
feijão subiu muito no ano passado. Este ano, até começou
a ensaiar uma queda no preço, mas agora em junho começou
a mostrar novamente tendência de alta". Braz não
acredita que em 2008 o feijão suba, mas admite que "vai
pressionar a inflação".
Quanto ao arroz, ele disse que a inflação foi provocada
pelo aumento da demanda no mercado internacional, o que desviou o
produto brasileiro para outros mercados, fazendo o preço interno
subir. Braz acredita, porém, que esse movimento não
vá continuar. "Como foi só uma questão
de maior demanda internacional, essa demanda esfriando, como já vem
acontecendo, a tendência é de o preço não
subir tanto. E até cair no médio prazo".
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Gazeta do Povo, 26 de julho de 2008
Habitação
Caixa finaliza Cartão Aluguel
Os cerca de 6,5 milhões de brasileiros que moram de aluguel
no país vão ganhar mais uma opção na
hora de locar um imóvel. A Caixa Econômica Federal finalizou
o projeto do Cartão Aluguel, que virá para substituir
o fiador, cheque-caução ou seguro-fiança. O
locatário que optar por ele receberá um cartão
de crédito para pagar o aluguel todos os meses.
Se atrasar, o banco acerta, mas depois cobra, com juros. O proprietário
nem fica sabendo do problema. Por conta de ajustes técnicos, a data
de lançamento não está definida.
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NCST, 26 de julho de 2008
Fiscalização tira da
informalidade mais de 12 mil trabalhadores no Paraná
As ações de fiscalização da Superintendência
Regional do Trabalho e Emprego no Paraná (SRTE/PR) resultaram na retirada
de 12.135 trabalhadores da informalidade, no primeiro semestre deste ano. De
acordo com balanço divulgado hoje (25) pela Seção de Inspeção
do Trabalho (Seint), foram fiscalizadas aproximadamente cinco mil empresas – o
que resultou em cerca de quatro mil autuações.
Segundo o chefe da seção, José Leo Lazarus, cerca de duas
mil empresas apresentaram irregularidades quanto à contratação
e ao registro de trabalhadores menores de dezoito anos. “Entretanto,
dos 422 jovens encontrados em situação irregular, 404 já foram
regularizados a partir da ação fiscal”, explicou.
Lazarus afirma que a maioria das denúncias são referentes à falta
de registro profissional ou atraso de salários. Nenhuma fiscalização é previamente
avisada, e o fator surpresa, segundo ele, é imprescindível
para que os fiscais possam fazer uma análise justa da situação
dos trabalhadores.
“Os fiscais chegam à empresa e pedem o livro de registro
dos empregados, os atestados médicos e os cartões de
ponto. É obrigação da empresa ter essa documentação
pronta. Se a empresa não apresentar, já pode ser feita
a primeira autuação”.
A falta da documentação obrigatória pedida
pelos fiscais foi responsável pela maioria das 3.055 autuações
emitidas somente na área trabalhista. Também houve
305 autuações por deixar de registrar os empregados.
Das cerca de duas mil empresas que deixaram de formalizar as contratações,
1.638 já foram regularizadas sob ação fiscal.
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Agência Diap, 26 de julho de 2008
IMPOSTO DE RENDA
Receita diz que lei não isenta
pagamento do IR sobre 13º salário
Restituição do Imposto de Renda retido na
fonte sobre o 13º salário, formulados indevidamente
por servidores públicos com base em interpretação
equivocada da Lei 8.852/1994, não estabelece qualquer isenção
do IR (Imposto de Renda). A informação é da
Receita Federal do Brasil que, por ter recebido grande número
de pedidos de restituição em todas as suas unidades,
preferiu tornar pública a explicação.
Por meio de nota, a Receita esclareceu que os rendimentos recebidos
a título de 13º salário estão sujeitos à incidência
do imposto exclusivamente na fonte com base na tabela progressiva
e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário.
Essa tributação está prevista no artigo 150
da Constituição Federal, no artigo 43 do Código
Tributário Nacional (Lei 5.172/66) e no artigo 638 do Regulamento
do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99).
Orientações detalhadas sobre o assunto constam do
Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual
e do Perguntas e Respostas do Imposto de Renda Pessoa Física
que estão disponíveis para consulta e download no site
da Receita Federal do Brasil.
Para evitar prejuízos e expectativas frustradas aos requerentes,
a Receita também alertou que todos os pedidos de restituição
do IR sobre o 13º salário, formulados com base na Lei
8.852/1994, são indevidos e serão indeferidos. (Fonte: Última
Instância)
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Agência Diap, 26 de julho de 2008
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Déficit previdenciário
anual deve cair pela 1ª vez desde 1995
Projeções apresentadas, na última quinta-feira
(24), pelo secretário de Políticas de Previdência
Social, Helmut Schwarzer, indicam que haverá redução
no déficit previdenciário em 2008. Será a
primeira vez que o déficit não crescerá em
relação ao ano anterior desde 1995, quando a Previdência
passou a ter resultados negativos entre o que gasta e arrecada.
Segundo Schwarzer, a diferença entre receitas e despesas
do órgão não deve ultrapassar R$ 40 bilhões
neste ano, 18,4% a menos do que os R$ 46 bilhões de déficit
totalizados em 2007.
O secretário acredita que a necessidade de financiamento
da Previdência pode ser ainda menor. “Fizemos uma revisão
de déficit para este ano e estamos calculando que podemos
contar com um déficit inferior a R$ 40 bilhões. Isso
porque estou sendo cauteloso, pois os nossos modelos de projeções
permitiriam falar inclusive em R$ 38,5 bilhões”, afirmou.
Ele disse ainda que, em 2007, o déficit da Previdência
já poderia ter apresentado queda, mas a antecipação
do pagamento dos benefícios do mês de janeiro deste
ano para dezembro no ano passado provocou distorção
dos valores.
Para o secretário, as principais razões para redução
do déficit da Previdência são o aumento do emprego
formal, a formalização do mercado de trabalho e a adoção
de medidas de gestão.
"A Receita Federal do Brasil está fortalecendo a fiscalização,
a cobrança de contribuições para a Previdência
e estamos tendo resultados bastante favoráveis na parte de
administração de benefícios. Os benefícios
por incapacidade, auxílios doenças, aposentadoria por
invalidez estão sendo geridos com mais critério e mais
profissionalismo”, disse Schwarzer.
Schwarzer ressaltou que, na Previdência urbana, a tendência é de
que as contas fiquem equilibradas em dois anos. “Podemos calcular
que, na área urbana, em 2010, já consigamos reverter
do vermelho para o azul”, destacou.
Por outro lado, Schwarzer defendeu o caráter social da Previdência
rural, que, em junho, teve déficit de R$ 2,6 bilhões,
frente a R$ 168 milhões da urbana. “Na área rural,
nenhum país do mundo tem um sistema previdenciário
superavitário. A Previdência Social é uma ferramenta
extremamente importante de política social. Ela não
tem apenas uma dimensão fiscal, tem importância macroeconômica
e fiscal, mas ela tem também um papel social muito relevante
na redução da pobreza no Brasil”, argumentou. (Fonte:
Agência Brasil)
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CONTAS ABERTAS, 25 de
julho de 2008
Governo gasta meio bilhão para
integrar o Brasil ao mundo
Em média, o Brasil gasta R$ 500 milhões anualmente a título
de “cooperação internacional”. Neste ano, o país
já desembolsou R$ 272,9 milhões e ainda conta com a autorização
de mais R$ 300,7 milhões do Orçamento Geral da União para
o aperfeiçoamento da gestão das políticas internacionais
e, principalmente, para garantir a participação em organismos
internacionais (veja
aqui a tabela). De 2001 para cá, R$ 3,5 bilhões já saíram
do Brasil rumo a programas de cooperação internacional. Corrigidos
pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI)
da Fundação Getúlio Vargas, este valor corresponderia,
hoje, a R$ 4,8 bilhões.
O órgão público
federal que mais colabora com os fundos internacionais é o
Ministério das Relações Exteriores (MRE), que
até julho de 2008 utilizou R$ 147,2 milhões de seus
recursos para a manutenção de pactos internacionais.
Este orçamento é superior ao aplicado, por exemplo,
no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil que,
no mesmo período, recebeu R$ 117,6 milhões. Em segundo
lugar no ranking de maiores colaboradores está o Ministério
da Defesa, com R$ 33,3 milhões enviados para Intercâmbio
e Cooperação Internacional Militar, participação
brasileira em Missões de Paz e outros projetos.
O programa de Gestão
da Participação em Organismos Internacionais é o
que mais repassou verba para o exterior a título de contribuições
financeiras, um montante de R$ 209,3 milhões até agora – 77%
do total de cooperações executadas (veja
a relação de programas). Nesse programa, incluem-se
as contribuições à Organização
das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco), ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), à Organização
das Nações Unidas (ONU) e à Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
Segundo informou a assessoria
de imprensa do MRE, a participação do Brasil nessas
organizações constitui importante instrumento de integração
entre os países membros, o que promove um fluxo comercial
mais intenso. “Isso garante uma relação de trocas
e interesses mútuos entre as partes”, diz a assessoria. “A
associação de um país numa organização
como a ONU é, também, fundamental para a subsistência
daquele organismo internacional”, explica.
Outros programas estão
sob o abrigo das cooperações internacionais, como os
de Concessão de Bolsas para Cooperação Internacional,
Desenvolvimento Científico e Inovação, que tem
a verba prevista de R$ 46,2 milhões para 2008. A assessoria
do MRE assegura que esses projetos permitem compartilhar esforços
e benefícios, transferir conhecimentos, experiências
e tecnologias entre os países. Para o ministério, as
atividades de cooperação contribuem ainda para a capacitação
de recursos humanos e fortalecimento das instituições
do país receptor, além de produzirem benefícios
em outros importantes setores como transportes, energia, mineração,
meio ambiente, agricultura e saúde.
De acordo com o cientista
político e professor da Universidade de Brasília, Antônio
Flávio Testa, as contribuições internacionais
buscam credenciar o país para aumentar sua participação
no jogo do poder externo. “É importante para o país
participar de processos cooperativos, isso amplia seu nível
de relacionamento e abre, pelo menos em tese, novas possibilidades”,
afirma Testa. Segundo o professor, a imagem do país pode ser
melhorada se essas ações forem bem feitas e gerenciadas
com uma perspectiva de marketing institucional profissional.
Quanto aos valores, Testa
acredita não serem exagerados, se sua aplicação
trouxer bons retornos para o Brasil. Para ele, o montante depende
daquilo que o governo quer priorizar. “A questão é saber
como serão gerenciados esses recursos, quem os fiscalizará e
como o governo divulgará os resultados”, conclui.
Milton Júnior
Do Contas Abertas
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ARTIGO, 25 de julho de 2008
Ficha Suja e o controle dos grupos
econômicos privados sobre as cidades
Ao assistir ao debate sobre a publicização das listas das fichas
sujas dos candidatos nas eleições, conclui pela limitação
do debate. Aprendi com Douglas North, prêmio Nobel de Economia de 1993,
que os países que mais se desenvolveram na história foram os
que construíram os melhores sistemas jurídicos. E discutir
apenas a questão de um mecanismo do sistema jurídico eleitoral
como o uso da analise da ficha suja, sabendo dos caminhos protelatórios
do sistema processual e de controle patrimonial brasileiro, sabemos que isto
apenas não basta. Pois não adianta olharmos a questão
apenas na ótica pessoal do candidato com ficha suja, se o resto do
sistema continua permitindo a sua existência.
Assim sendo, não adianta verificar se a ficha esta suja, se o processo
de eleição dos membros das Câmaras Municipais e as Prefeituras
continuam sob financiamento e controle paralelo dos grupos econômicos
privados. Não adianta verificar se a ficha esta suja, se o sistema
de concessão de transporte coletivo continua sem licitação
pública e o conselho de transporte coletivo continua sem o controle
da sociedade e a participação dos sindicatos de trabalhadores,
para verificar preço e qualidade.
A exemplo das concessões públicas dos meios de comunicação
que não oferecem contrapartida em favor da nação e da
liberdade. Não adianta olhar se a ficha esta suja, se o plano diretor
da cidade está sendo conduzido para valorizar a propriedade da terra
de posse de grandes empreiteiras e imobiliárias. Não adianta
verificar se o candidato tem ficha suja, se o sistema de licitação
das empresas de coleta de lixo, das empresas que fazem obra e vendem produtos
e serviços para as prefeituras continuam viciados e dirigidos. Não
adianta verificar se a ficha está suja, se a aplicação
dos recursos das aposentadorias dos servidores municipais está sendo
dirigido aos bancos privados sem taxa de retorno para os contribuintes do
sistema. Não adianta olhar se a ficha está suja, se empresas
particulares continuam sendo contratados para fazer concursos frios para
aprovarem parentes. Não adianta olhar se a ficha está suja,
se as vigilâncias sanitárias, ambientais e do trabalho continuam
sendo orientadas para serem omissas para favorecer maus empresários.
Assim, discutir apenas o tema ficha suja, sem discutir o sistema jurídico
que permite o financiamento e o controle de grupos privados sobre o processo
de eleição dos membros das Câmaras Municipais e Prefeituras é muitíssimo
limitado. É hora sim de ampliarmos este debate.
Sabemos da evolução do processo democrático da gestão
pública. A melhoria do sistema de controle com o fortalecimento do
MPE, o aperfeiçoamento do TCE, a criação de Ouvidorias,
a adoção da prática de orçamento participativo,
a criação dos conselhos municipais de saúde, educação,
meio ambiente, industrial, trabalho entre outros, mesmo que ainda, com sistemas
de eleição dirigidos.
Sabemos que quando as vigilâncias sanitárias, ambientais e do
trabalho municipal não funciona, temos congêneres estadual e
federal que suprem a omissão. Mas sabemos que se não aprofundarmos
o debate destes outros temas para ter melhores sistemas de controle democrático,
continuaremos a evoluir de forma lenta e gradual. Por isso, além de
debater a questão da pessoa do candidato ter ou não ficha suja, é preciso
debater a implantação do financiamento público das campanhas
eleitorais e mecanismos jurídicos de controle de gestão, como
por exemplo, a regulamentação das formas de democracia direta
através da consulta popular, como o referendo e o plebiscito.
Para isso precisamos lutar pela aprovação do projeto de lei
nº4718/2004, proposto pela OAB, com apoio da CNBB e do MST, em favor
da ampliação da democracia direta e participativa, tirando
das mãos do poder legislativo e executivo a exclusividade das decisões,
para libertarmos as cidades do controle dos grupos econômicos privados
e colocá-las a serviço de toda a sociedade.
Geraldo Serathiuk - Advogado
especializado em direito tributário pelo IBEJ/Pr.
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Agência Diap, 25
de julho de 2008
ELEIÇÕES MUNICIPAIS
Cai o número de jovens candidatos
em 2008
De acordo com os dados recebidos,
até esta quinta-feira (24), pelo Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), os pedidos de registro de candidatura feitos por jovens interessados
em disputar cargos para prefeito, vice-prefeito e vereador nas eleições
deste ano diminuiu em relação ao registrado nas eleições
municipais de 2004. Há quatro anos, o total de jovens com
idade entre 18 e 24 anos inscritos para a disputa de um cargo eletivo
era de 13.066 candidatos, contra 12.177 registrados este ano na Justiça
Eleitoral.
Segundo a estatística dos pedidos de registro de candidaturas, em 2008
são 2.846 possíveis candidatos entre 18 e 20 anos de idade e
9.331 entre 21 e 24 anos. Nas últimas eleições eram 2.757
candidatos na faixa etária dos 18 aos 20 anos e 10.309 na faixa de 21
a 24 anos.
Vale ressaltar que os jovens candidatos com idade entre 18 e 20 anos somente
podem disputar cargo para vereador, conforme estabelece a Constituição
Federal. Já os jovens com idade acima de 21 anos já podem ser
candidatos para os cargos de prefeito e vice-prefeito.
Se por um lado o número de candidatos jovens diminuiu nos últimos
quatro anos, por outro a quantidade de pedidos de registro para candidatos
com idade superior a 60 anos aumentou de 26.705 em 2004 para 29.750 este ano.
Como a legislação não prevê idade máxima
para que um cidadão possa se candidatar a cargos eletivos, este ano
há 24.943 pedidos de registro de pessoas com idade entre 60 e 69 anos,
outros 4.378 para faixa etária de 70 a 79 anos e 429 possíveis
candidatos com idade superior aos 79 anos.
O quadro completo com a divulgação das candidaturas está disponível
na página do Tribunal Superior Eleitoral, no link Divulgação
de Candidaturas. (Fonte: TSE)
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FOLHA DE LONDRINA, 25
de julho de 2008 | Política
Infidelidade atinge 332 câmaras
do Paraná
Vereadores de 83,2% dos legislativos
respondem a processos de perda de mandato por terem trocado de partido
Curitiba - Das 399 câmaras
municipais do Paraná, 332 (83,2%) têm registro de vereadores
que respondem a processos de perda de mandato eletivo por terem trocado
de legenda partidária após o dia 27 de março
do ano passado, limite imposto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Naquela data, o TSE, provocado por uma consulta, respondeu que o
mandato eletivo pertence ao partido político, e não
ao eleito. A resposta do TSE, que depois foi fortalecida pelo Supremo
Tribunal Federal (STF), bastou para que partidos políticos,
suplentes de vereadores e Ministério Público Eleitoral
(MPE) fossem aos tribunais regionais eleitorais em todo o País
pedindo ''de volta'' os mandatos daqueles que trocaram de sigla.
No Tribunal Regional Eleitoral
(TRE) do Paraná, foram protocolados mais de mil representações
do tipo somente contra vereadores. Só o MPE foi autor de cerca
de 650 representações. Entre os partidos políticos,
o PPS e o PMDB foram os que mais solicitaram mandatos de vereadores.
Do início do ano até agora, cerca de 400 ações
já foram apreciadas no TRE.
Do total de ações
já analisadas, 154 foram extintas sem apreciação
de mérito por decisões monocráticas (de apenas
um membro do TRE) e o restante foi levado à corte do TRE.
Das representações que foram julgadas pelos membros
da corte, 128 acabaram na cassação de vereadores, 72
foram consideradas improcedentes (ou seja, os vereadores foram ''absolvidos'')
e outras 48 também acabaram extintas. O TRE não soube
informar quantos dos cassados optaram por recorrer ao TSE.
Por conta do número
de representações, algumas câmaras que enfrentam
situações curiosas. É o caso do município
de Conselheiro Mairinck (61 km ao sul de Jacarezinho): dos nove vereadores
eleitos, seis tiveram seus nomes incluídos na lista de ''infiéis''
do TRE. Um deles é o presidente da Casa, Dinovan Viana e Silva,
que trocou o PSDB pelo PMDB no final do ano passado. A representação
contra ele no TRE foi proposta pelo MPE, mas o seu caso ainda aguarda
análise da corte.
Dinovan conta que agora o
assunto ''infidelidade partidária'' já não recebe
a mesma atenção na Casa. ''No início foi aquela
confusão, mas depois o fogo apagou. Os processos foram demorando
para ser julgados no TRE.'' Entre os vereadores que respondem a representações
em Conselheiro Mairinck, dois já foram cassados, José Aparecido
da Silva (que trocou o DEM pelo PR) e Edivaldo Manoel de Barros (que
trocou o PT pelo PSC). No lugar de José Aparecido da Silva,
entrou a suplente Abia Alves de Siqueira (DEM). Já Edivaldo
Manoel de Barros renunciou ao mandato antes mesmo de ser cassado
de fato. Segundo o presidente da Câmara, ''ele desistiu do
processo e optou por tentar a reeleição''.
Apesar das cassações,
nada impede que o ''infiel'' tente novamente a eleição
que ocorre em outubro. Dinovan conta que a atenção
dos vereadores agora está voltada justamente para o novo pleito.
''O pessoal está concentrado nos pedidos de impugnação
de candidaturas'', admite ele, cuja inscrição na disputa
está sendo questionada por um outro político, que o
acusa de não ter se desincompatibilizado do Conselho Fiscal
de uma associação no prazo definido por lei.
Dinovan disse que não
teme perder votos por conta do processo relativo à infidelidade
partidária. Ele acredita que a troca partidária não
tem ''peso'' na campanha eleitoral. ''O município é muito
pequeno. Não há uma consciência sobre o que é oposição
e o que é situação. Hoje, aqui, o PT está junto
com o DEM.'' Ele saiu do PSDB porque, segundo ele, sofria pressões
de correligionários. ''Eles queriam que eu fosse oposição
ao prefeito de qualquer jeito, mas meu voto eu decido de acordo com
o que for melhor para o município.''
Catarina Scortecci
Equipe da Folha
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CONSULTOR JURÍDICO,
25 de julho de 2008
Acidente de trabalho
Empresas são acionadas pelo
governo em Londrina
A Procuradoria Seccional Federal de Londrina (PR), unidade da Procuradoria-Geral
Federal, acionou duas empresas para pedir o reembolso de R$ 42 mil. O valor
foi pago pelo INSS em pensão à família de um funcionário
que morreu em acidente de trabalho.
A ação regressiva
de indenização foi proposta a partir do artigo 120
da Lei 8.213/91, que estabelece que “nos casos de negligência
quanto às normas padrão de segurança e higiene
do trabalho indicados para a proteção individual e
coletiva, a Previdência Social proporá ação
regressiva contra os responsáveis”.
De acordo com os autos, o
funcionário trabalhava na Metalforte Assessoria e Administração
de Obras Ltda, que prestava serviços à Sipal Indústria
e Comércio Ltda.
A Metalforte fazia a escavação
de um poço de 10 metros de profundidade, quando um deslizamento
de terra soterrou o funcionário. A PSF sustenta que o acidente
ocorreu porque as empresas foram negligentes e descumpriram uma série
de normas-padrão de segurança de trabalho para a proteção
individual e coletiva dos funcionários.
Laudo do Instituto de Criminalística
da Polícia Científica do Estado do Paraná indicou
que o desmoronamento ocorreu quando a profundidade da escavação
era de seis metros e que “não se observou qualquer elemento
de escoramento do talude que viesse a garantir a estabilidade das
escavações e, conseqüentemente a segurança
dos trabalhadores”.
O documento pericial
informa, ainda, que no momento do acidente, não havia escadas
ou rampas que possibilitassem a saída rápida da escavação,
em caso de emergência. Finaliza apontando que o funcionário
não trajava nenhum equipamento de proteção.
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Agência Diap, 24 de julho de 2008
OPINIÃO
Quem tem medo da liberdade sindical?
Denise Motta Dau*
A CUT não tem medo da liberdade sindical, muito pelo contrário,
por ela luta. Prestes a completar 25 anos de idade, a jovem CUT continua lutando
para ser livre. Foi assim que ela nasceu, formou-se, criou-se e consolidou-se,
defendendo em sua concepção e prática a liberdade e autonomia
sindical. Esta luta nos tornou, atualmente, a central sindical com maior representatividade
na classe trabalhadora brasileira e da América Latina.
A nossa batalha em defesa da liberdade teve como apoio a luta cotidiana e estratégica
nos locais de trabalho. Sim foi lá, nas fábricas, escolas, hospitais,
bancos e no campo, por meio dos sindicatos portadores das sementes do chamado
novo sindicalismo que a idéia de uma livre organização
sindical construiu o seu pilar de sustentação.
As ricas ações de organização dos trabalhadores
e trabalhadoras a partir de seus locais de trabalho nasce da mobilização – e
das greves – visando melhorar a realidade local, resistir ao autoritarismo
gerencial, conquistar a negociação de conflitos relacionados às
condições de saúde e segurança, jornada, ritmo
de trabalho e salários, mas também articuladas à campanha
salarial da categoria como um todo, ou mesmo aos temas de interesse da classe
trabalhadora, como greves gerais contra a inflação e pela democratização
do país.
Sem dúvida, a organização sindical no local de trabalho
cumpre um papel fundamental no enraizamento e acúmulo de forças
do sindicalismo para a disputa entre capital e trabalho, seja visando simplesmente
democratizar as relações de trabalho onde o poder patronal é exercido
mais diretamente, seja inserida no enfrentamento das questões nacionais.
Segundo Loguércio, “as comissões de empresa ou de fábrica,
não são uma novidade surgida nos anos 80, no Brasil. Vários
estudos apontam a existência de formas organizativas, no interior das
fábricas, desde 1919. O que se nota é que o surgimento de uma
representação, no interior da empresa, sempre esteve combinado:
a) com a ausência, no plano do Direito Positivo, de uma representação
no local de trabalho; b) com períodos de redemocratização
política no País. No entanto, nenhuma experiência de comissão
de fábrica foi tão rica de significados para o questionamento
da estrutura sindical e para a criação de um novo sujeito, no
campo das relações de trabalho no Brasil, como as comissões
surgidas a partir das greves de 1978 no ABC paulista (1)”.
Além das experiências do setor metalúrgico do ABC, outras
experiências de organização nos local de trabalho foram
se implantando a partir da década de 80 em diversos setores, tanto no
setor público (em especial na saúde e educação)
como no setor privado, bancários, eletricitários, químicos
e rurais. A denominação é variada: comissão, representante
de base, delegado sindical de base, conselheiro, mas o sentido de dar cara
e livre voz a organização sindical desde o local de trabalho é a
mesma. Essas experiências vieram para ficar e crescer e são elas
que dão expressão ao sindicalismo cutista, sempre impulsionado
por mobilização e resistência, combinado ao processo de
negociação.
É claro que precisamos, e muito, avançar para uma estrutura sindical
com maior liberdade e que regulamente na lei para além do Artigo 11 da
Constituição Federal e da Ratificação da Convenção
87 da OIT, questões fundamentais que acumulamos nos debates do Fórum
Nacional do Trabalho, como punição para práticas anti-sindicais,
direito a organização no local de trabalho com estabilidade de
seus representantes, negociação coletiva permanente e financiamento
democrático e autônomo do sindicalismo. Porém, independentemente
da lei, podemos avançar, pois foi na prática que a CUT consolidou-se
até o recente reconhecimento legal em 2007.
Sabemos que muito ainda deve ser feito para ampliar a implantação
das OLTs. Sem elas, não teremos sindicatos fortes enraizados desde o
local de trabalho até o nível superior como as federações
e confederações, entidades com real poder de pressão e,
portanto, de negociação diante dos empregadores, pois a força
necessária para a consolidação do sindicato é extraída
não só do seu número de sócios, mas também
de sua representatividade junto aos trabalhadores na inserção
e diálogo local.
Neste sentido, precisamos formar política e ideologicamente novos quadros,
romper com a velha cultura equivocada, de que a OLT "disputa" com
o sindicato. Devemos também priorizar categorias mais frágeis
e com maior rotatividade, implantando experiências de OLTs, exigir nos
acordos coletivos cláusulas pertinentes ao direito de organização
desde o local de trabalho e criar novas, ou mesmo, atualizar nossas experiências
de OLTs acumuladas ao longo da história do movimento sindical, adequando-as às
mudanças do mundo do trabalho, que nos desafiam cotidianamente, colocando
frente a frente pessoas de diversas profissões, raças, idades,
gêneros, orientações sexual, muitas vezes, com formas de
contratação precarizadas - tais como a terceirização
- gerando diferenças de direitos e deveres; trabalhadores estes que
mais que nunca precisam de uma organização sindical unificada
pois a CUT além de LIVRE é classista e democrática!
(*) Secretária Nacional
de Organização da CUT
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Nota
(1) Loguércio, José Eymard. Pluralidade Sindical: da legalidade à legitimidade
no sistema sindical brasileiro. São Paulo LTr, 2000.
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JORNAL A TARDE/ MINAS
GERAIS, 24 de julho de 2008 | Economnia
Lupi: alta do emprego permitirá receita
recorde do FGTS
Agencia Estado
O forte crescimento do emprego formal este ano permitirá uma arrecadação
recorde do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia por
Tempo de Serviço (FGTS), anunciou hoje o ministro do Trabalho, Carlos
Lupi. Segundo ele, depois de quatro anos consecutivos, o aumento da arrecadação
do FAT em 2008 deve superar o crescimento das despesas, como o pagamento de
abono salarial e do seguro-desemprego.
Os dados do primeiro semestre
e as novas projeções para o ano devem ser divulgados
pelo ministério nos próximos dias. Lupi lembrou que
a previsão feita no final de 2007 era de que haveria uma "queda
grave" na arrecadação do FAT este ano, "mas,
com o crescimento forte da empregabilidade desde o ano passado, já está se
invertendo esta tendência", assinalou. O ministro do Trabalho
lembrou a importância dos recursos do FAT e do FGTS no financiamento
de projetos de infra-estrutura e habitação popular.
De acordo com Lupi, até meados
de agosto o governo decide se repassará mais R$ 10 bilhões
do FGTS ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES). Confirmou haver divergências entre os técnicos
do governo e o BNDES sobre a taxa de remuneração que
o banco pagará ao Fundo. "O FGTS tem uma meta de ter
uma margem de lucratividade para o dinheiro do trabalhador. O grande
desafio é encontrar solução que não diminua
a lucratividade do FGTS", afirmou. Sem citar números,
revelou que o BNDES considera elevadas as taxas sugeridas pelos técnicos
do governo.
O ministro do Trabalho disse
haver ainda uma discussão se os novos recursos irão
para o fundo de investimento de infra-estrutura (FI-FGTS) que já opera
com dinheiro do FGTS. Segundo ele, os recursos podem ser emprestados
com uma taxa de juros mais rentável. "O governo vai achar
uma solução. O BNDES está com uma fila de pedidos
de empréstimos e já apresenta déficit em relação
ao que já foi aprovado", concluiu.
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REVISTA VEJA, 24 de julho de
2008 | Brasil
Economia
Setores pedem cortes de gastos, após
alta de juro
Representantes da indústria, do
comércio, da construção civil e também
das centrais sindicais reagiram negativamente à alta de 0,75
ponto porcentual na taxa básica de juros, anunciada nesta quarta-feira
pelo Banco Central (BC), que elevou os juros para 13% ao ano – maior
valor desde janeiro de 2007. Ante à alta, que superou as expectativas
do mercado, que esperava um aumento de meio ponto porcentual, os representantes
daqueles setores pediram cortes de gastos por parte do governo, como
forma de combater a inflação.
A redução nas despesas públicas
foi apontada como uma “ação crucial” em
um ambiente de “incerteza inflacionária” pelo
presidente da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro Neto. O presidente da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) defendeu
que a política monetária do governo venha acompanhada
de uma melhor gestão fiscal: “Quando isso não
existe, o custo para a sociedade acaba sendo muito maior. De que
adianta subir juro se o governo não controla o gasto público?”,
disse Paulo Skaf, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo
desta quinta-feira.
A Federação do Comércio
do Estado de SP (Fecomercio) foi mais dura. Diante do quadro econômico,
a instituição previu “o fim de um período
de crescimento robusto do PIB para o retorno aos desempenhos medíocres,
iguais ou inferiores a 3% ao ano, a partir de 2009”. Para a
federação, o governo deveria ter “aproveitado
a bonança para fazer uma política de contenção
dos gastos”.
O presidente do Sindicato da Indústria
da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP),
João Claudio Robusti, classificou a decisão do BC de “exagero”.
Ele afirma que o novo aumento dos juros pode afetar o desempenho
da construção civil neste ano, além de comprometer
as projeções de crescimento para 2009.
Mais críticas à política
do BC vieram da alas sindicalistas. Para a Força Sindical,
a decisão do Copom dificultará as negociações
salariais e trará “efeitos danosos” à economia
e ao emprego. Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT),
a pressão inflacionária sobre os alimentos deve ser
combatida com o fortalecimento do apoio à agricultura familiar.
Entre os poucos comentários que destoaram
da crítica, está a opinião da Associação
Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento
e Investimento (Acrefi), que elogiou “o comprometimento do
BC em combater a inflação de modo implacável”.
Para a entidade, a elevação dos juros é “essencial
para conter pressões de demanda e trazer a inflação
para o centro da meta já no próximo ano”.
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CONSULTOR JURÍDICO,
24 de julho de 2008
Força feminina
Em 41 cidades, as mulheres são
as únicas candidatas
Quarenta e uma cidades terão apenas mulheres concorrendo ao cargo de
prefeito nas eleições de 5 de outubro. Em dez municípios,
há apenas uma candidata. A informação é do Tribunal
Superior Eleitoral. O número ainda pode mudar porque os pedidos de registros
de candidaturas na Justiça Eleitoral estão em andamento.
Paraíba é o
estado com o maior número de cidades onde só existem
candidatas. São sete municípios. Em seguida vem São
Paulo, com cinco cidades nesta situação. Piauí,
Bahia e Rio Grande do Norte têm quatro cada e Minas Gerais
e Alagoas, três.
O número de
mulheres candidatas nas eleições deste ano é de
1.580, enquanto há 13.677 homens candidatos. No Brasil,
existem 5.563 cidades.
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Agência Câmara,
24 de julho de 2008
Proposta limita validade de sentença
trabalhista no INSS
A Câmara analisa o Projeto de Lei 3451/08, do Poder Executivo, que proíbe,
para fins previdenciários, o reconhecimento de tempo de serviço
referente a relações de emprego confirmadas na Justiça
do Trabalho com base em prova testemunhal. Pela proposta, esse tempo só será computado
para aposentadoria se o empregador tiver recolhido as contribuições
previdenciárias correspondentes ao Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) e hoje arrecadadas pela Receita Federal do Brasil.
Ainda segundo o texto, o
tempo de trabalho anterior a período de cinco anos antes do
ajuizamento da ação também não poderá ser
computado, mesmo que haja reconhecimento desse tempo de serviço
na sentença trabalhista. A justificativa é que o trabalhador
perde os direitos referentes ao período por ocorrência
da prescrição trabalhista. Os direitos só podem
ser reclamados dentro de dois anos após o encerramento do
contrato de trabalho e só podem se referir aos últimos
cinco anos, contados do ajuizamento da ação.
Jurisprudência
O ex-ministro da Previdência Luiz Marinho, que assina a mensagem de encaminhamento
do projeto, afirma que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF)
e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é no sentido de que o
tempo de contribuição, salvo casos excepcionais, não pode
ser comprovado por meio de prova testemunhal. Apesar disso, a Justiça
Federal tem admitido a comprovação de tempo de serviço
reconhecido pela Justiça do Trabalho.
Na prática, o projeto
limita a eficácia das decisões trabalhistas frente à Previdência.
De acordo com a proposta, as decisões proferidas pela Justiça
do Trabalho que reconheçam tempo de serviço serão
acatadas como "início de prova" pelo INSS se fundamentadas
em provas documentais da época da prestação
de serviço ou se baseadas em provas testemunhais, desde que
comprovados os recolhimentos e que o período laboral não
esteja prescrito.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; de Seguridade Social e Família; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
- PL-3451/2008
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GAZETA DO POVO, 23 de julho
de 2008 | Economia
Emprego
Interior do PR é o terceiro que
mais abriu vagas
No atual cenário aquecido
do mercado de trabalho brasileiro, as cidades do interior têm
gerado mais empregos do que as regiões metropolitanas. No primeiro
semestre, as contratações de empregados com carteira
assinada no interior somaram 60,2% do total de vagas abertas em todo
o país: foram 825,3 mil postos de trabalho de um total de 1,36
milhão de vagas abertas no período, segundo dados do
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem.
O Paraná ficou em terceiro no ranking de geração
de empregos no interior entre os nove estados pesquisados. Foram criados
no estado 13.944 empregos em junho de 2008, um aumento de 0,68% em
relação ao mesmo período do ano passado (8.466).
Nos primeiros seis meses do
ano, o emprego cresceu 6,43% no interior, contra 3,68% nas grandes
metrópoles. Somente em junho, a estatística oficial,
do Ministério do Trabalho, registra 164,6 mil novas admissões
com carteira assinada no interior dos nove estados brasileiros (Pará,
Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) que mais se destacaram na
oferta de empregos nesse mês. Esse saldo foi 49,3% mais alto
que as 83,6 mil novas ocupações formais abertas nas capitais
e áreas metropolitanas desses mesmos locais.
A maior oferta de trabalho
com carteira assinada tem sido explicada pelo crescimento econômico.
Já a descentralização não é um fenômeno
novo. Ela tem seguido a lógica das empresas de buscar locais
alternativos para se instalar. Mas, os resultados de alguns setores,
como o agropecuário, reforçam essa tendência.
De acordo com o Caged,
a influência sazonal do ciclo agrícola foi decisiva
para o incremento de empregos no interior de Minas Gerais e São
Paulo, por exemplo. Em junho, graças às colheitas das
safras de café e frutas cítricas, houve novas contratações
de 63,2 mil e de 62,2 mil trabalhadores, respectivamente.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
23 de julho de 2008 | Dinheiro
Governo desiste de acabar com autonomia
do Sistema S
Sob pressão, Planalto acerta regras para
apenas parte dos recursos das entidades | Acordo prevê que Senai
e Senac deverão destinar percentuais crescentes das receitas para
custear vagas gratuitas em cursos técnicos
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Temendo o embate político
com setores empresariais da indústria e do comércio,
o governo desistiu de acabar com a autonomia do Sistema S na gestão
de R$ 4,8 bilhões, que hoje são aplicados livremente
pelas entidades. Ontem, foi firmado acordo entre governo e confederações
patronais estabelecendo regras para o uso de apenas uma parte desses
recursos.
A partir do ano que vem, os serviços de aprendizagem da indústria
(Senai) e do comércio (Senac) deverão destinar percentuais crescentes
de suas receitas líquidas para bancar vagas gratuitas em cursos técnicos.
No caso dos serviços sociais de cada setor (Sesi e Sesc) uma parcela
também crescente da receita deverá ser aplicada em educação
básica e ações educativas.
O acordo estabelece que Senai e Senac deverão passar a investir, até 2014,
66,6% de sua receita na gratuidade. Para a indústria, o ponto de partida é 50%
dos recursos a partir de 2009. Para o comércio, é 20% (veja quadro
ao lado).
Ao final da transição, porém, um terço da receita
dessas entidades continuará sem regras para aplicação.
No acordo, o governo também deixou de lado outras entidades que integram
o sistema, como as ligadas a transportes e agricultura.
Reforma
Em março, o governo havia anunciado proposta mais abrangente de reforma
do Sistema S. A idéia era disciplinar, com a criação de
um fundo, a aplicação de 40% da receita do sistema, que deverá contar
neste ano com um total de R$ 8 bilhões. Um projeto seria enviado ao
Congresso para fixar as diretrizes para o uso do dinheiro.
Desde os anos 40, quando foi criado, o sistema não passa por mudanças.
Todas as tentativas de reformá-lo foram barradas pelo lobby das confederações
patronais. Com o anúncio do governo, a proposta do presidente Lula também
passou a ser bombardeada por líderes empresariais. A CNI (Confederação
Nacional da Indústria) chegou a classificar as mudanças de "estatizantes" e "intervencionistas".
Os defensores do sistema não se cansaram de repetir que o próprio
presidente havia se diplomado torneiro mecânico pelo Senai.
A Folha apurou que, diante da pressão e para evitar o confronto político
no Congresso, o governo buscou conciliar interesses e recuou nos planos de
promover mudanças na legislação. A saída foi fechar
um acordo sem alterações profundas.
Tabu
"Isso não é fruto de concessão por nenhuma das partes.
Ninguém abriu mão de princípios "imovíveis".
O acordo foi feito sobre o que foi possível compatibilizar", disse
ontem o ministro Fernando Haddad (Educação). O governo considera,
porém, que obteve uma vitória nas negociações porque
conseguiu derrubar o tabu de que o Sistema S era "imexível".
"Prevaleceu o bom senso. Medidas que partem de um modelo intervencionista às
vezes não produzem os resultados esperados", também comemorou
o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto.
"Agora a gratuidade será compulsória. Antes queríamos
aplicar a gratuidade, mas tínhamos dificuldades porque as entidades regionais
não permitiam", declarou o presidente da CNC (Confederação
Nacional do Comércio), Antônio de Oliveira Santos.
Haddad afirmou que o acordo com o sistema representa apenas o começo
de uma nova agenda que o governo conduzirá em relação às
entidades.
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AGÊNCIA DIAP, 23
de julho de 2008
DEBATE INSTITUCIONAL
Lula pede prioridade para reforma política
de consenso
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva pediu prioridade para as discussões da reforma
política após as eleições municipais
de outubro, mas recomendou que a proposta não deve ser "carimbada" como
iniciativa do Planalto, e sim um debate institucional com participação
do Congresso, dos partidos e de toda a sociedade. A questão
foi tratada na reunião de coordenação política,
nesta terça-feira (22), em Brasília.
Lula determinou que os ministros
de Relações Institucionais, José Múcio,
e da Justiça, Tarso Genro, procurem os presidentes da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT/SP), e do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN),
as direções e as lideranças das bancadas dos
partidos para estimular o diálogo em torno da reforma política.
Além de Múcio e Tarso, participaram da reunião
os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda),
Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência).
Em 207, uma tentativa de
reforma política, nascida no Congresso e acompanhada pelo
Governo com simpatia, mas sem engajamento, terminou abortada. Uma
votação no plenário da Câmara derrubou
a proposta reformista, que propunha inovações modernizadoras
e moralizadoras, como o voto em listas fechadas de partidos e financiamento
público das campanhas eleitorais.
Os movimentos sociais, que
apoiaram o projeto mesmo admitindo seus limites, tiraram da derrota
a conclusão de que seria necessária uma maior participação
política da sociedade civil para garantir as mudanças.
Na área econômica,
Lula cobrou mais visibilidade para os investimentos e obras do
governo federal, destacando projetos de hidrelétricas e
siderúrgicas.. O objetivo é indicar à população
que há razões para otimismo e as ações
estão sendo executadas. Segundo a imprensa, o presidente
afirmou durante a reunião semanal que há uma desaceleração
do processo inflacionário. (Fonte: Vermelho)
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CONGRESSO EM FOCO, 23
de julho de 2008
AMB divulga lista de candidatos com "ficha
suja"
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou há pouco
a relação dos candidatos para as próximas eleições
municipais que respondem a ações penais públicas e improbidade
administrativa. (confira
a relação dos candidatos com ficha suja)
De acordo com a instituição,
o deputado Paulo Maluf (PP-SP), candidato à prefeitura de
São Paulo, é o que mais responde a ações:
são quatro penais e três por improbidade administrativa.
A candidata a vice na chapa de Maluf, a também deputada federal
Aline Corrêa (PP-SP), responde a uma ação penal
por formação de quadrilha, entre outras acusações.
A ex-prefeita paulistana e ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy
(PT), que também concorre à prefeitura de São
Paulo, também foi citada na lista divulgada pelos magistrados.
Ficam de fora da lista ações
penais privadas e os inquéritos policiais. Dessa forma, dentre
350 candidatos, apenas 15 apresentam “ficha suja”.
Desses 15, nove são
candidatos a prefeito e seis a vice. A AMB divulgará a relação
completa sobre os candidatos a vereador nas capitais até o
final de agosto. A associação ressalta que o banco
de dados “será periodicamente alimentado, tão
logo os juízes eleitorais de todo o Brasil encaminhem as informações
referentes às suas zonas/municípios”.
Segundo o secretário-geral
da AMB, Paulo Henrique Machado, a divulgação da lista “não
está ferindo a presunção de inocência” dos
candidatos. “Mesmo não existindo condenação, é um
dado público”, afirmou.
“Todos os dados
disponibilizados foram rigorosamente checados para evitar que informações
incorretas venham a prejudicar qualquer candidato. A intenção
da AMB é apenas facilitar o acesso da população
e da imprensa a informações públicas, que
podem balizar e fundamentar a escolha dos eleitores e, assim, contribuir
para que as eleições de 2008 transcorram da maneira
mais transparente possível”, destaca a entidade. (Sofia
Fernandes e Rodolfo Torres)
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FOLHA DE LONDRINA, 23
dee julho de 2008 | Curitiba
Trabalho escravo preocupa
Quando começou a atuar no Ministério Público do Trabalho
(MPT), o procurador Gláucio de Oliveira se surpreendeu com a quantidade
de casos de escravidão encontrados no Paraná. De acordo com o
Ministério do Trabalho, em 2007, 129 trabalhadores foram resgatados
no Estado, em 2006 foram 40. ''Pensávamos que esse tipo de coisa só existia
no Norte do País'', lembra Oliveira.
Segundo ele, a maioria esmagadora
dessas ocorrências está ligada à cultura do pinus.
Para burlar a legislação trabalhista, os proprietários
de terras terceirizam o plantio e a derrubada das árvores
através de empreiteiros conhecidos como ''gatos'', que se
encarregam de recrutar os trabalhadores rurais para executar esses
serviços.
Uma vez contratados, eles
são levados a alojamentos em meio às florestas, onde
geralmente se constata a ''condição degradante'', que
caracteriza o trabalho escravo.
''Tem muita gente que acha
que trabalho escravo é só a pessoa trabalhar de graça,
ou presa. Mas não é só isso'', explica o procurador.
O artigo 149 do Código Penal tipifica o crime de ''redução à condição
análoga de escravo'' como submeter uma pessoa a trabalhos
forçados, ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições
degradantes, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção
em razão de dívida contraída com o empregador
preposto.
Ao serem obrigados a trabalhar
em alojamentos improvisados, sem água potável, nem
banheiros, muito menos condições de segurança
e higiene e sem as relações trabalhistas estabelecidas
conforme a lei vigente, caracteriza-se o regime de escravidão.
Como os ''gatos'' não
tem idoneidade financeira, muito menos condições de
pagar uma indenização trabalhista, as ações
do MPT têm como alvo os donos da terra, que são os verdadeiros
beneficiados por essa prática. Os fazendeiros optam por esse
sistema para reduzir os custos trabalhistas. Com isso o que se vê são
pessoas trabalhando sem as mínimas condições
de segurança nem garantia social. ''Já peguei até caso
de criança operando motosserra'', conta o procurador.
Submeter uma pessoa
a regime de escravidão tem pena de reclusão de dois
a oito anos e multa, sendo que essa pena pode ser acrescida da
metade se o crime é cometido contra uma criança.
A grande maioria dos casos encontrados no Paraná foram resolvidos
com acordos entre os trabalhadores e os fazendeiros. (A.A.)
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AGÊNCIA DIAP, 22
de julho de 2008
EMPREGO
Construção civil bate
a marca de 2 milhões de trabalhadores
A indústria da construção
civil vem registrando recordes sucessivos em 2008. Segundo levantamento
do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção
Civil do estado de São Paulo) e da FGV Projetos, no mês
de maio, o setor ultrapassou pela primeira vez, desde 1995 quando
a metodologia do estudo foi reformulada, a marca de 2 milhões
de trabalhadores com carteira assinada.
De acordo com a pesquisa,
o estoque de mão-de-obra da construção civil
em todo o Brasil já é de 2,020 milhões. Somente
nos primeiros cinco meses de 2008, foram criadas 185,3 mil vagas
formais, número que está bem próximo aos 206,6
postos de trabalho gerados em todo o ano de 2007.
No acumulado do ano até maio,
o crescimento registrado é de 10,1%. Em comparação
ao mesmo mês do ano anterior, o aumento do total de trabalhadores
do setor é ainda maior, de 17,5%. Na variação
mensal de maio ante abril é de 1,6%.
“O governo esqueceu
a construção civil por mais de 20 anos, mas a partir
de 2004 o governo federal entendeu a importância do setor para
o desenvolvimento econômico e social do País”,
declara o presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti. “Acreditamos
que esse crescimento deve perdurar por muitos anos com os investimentos
em infra-estrutura, a expansão do credito imobiliário
e uma taxa de juros mais equilibrada no longo prazo”, completa.
No estado de São Paulo,
foram contratados 52,8 mil trabalhadores nos primeiros cinco meses
de 2008 – equivalente a uma elevação de 10,2%
no ano. Nos últimos 12 meses terminados em maio, o crescimento é de
21% e na variação entre abril e maio a alta registrada é de
0,6%. Com esse desempenho, o estoque de mão-de-obra da construção
civil em São Paulo atingiu o patamar de 568,9 mil.
Na capital paulista,
o índice avançou 10,6% este ano com as 26,4 mil novas
vagas formais preenchidas até maio. Em relação
ao mesmo mês de 2007, a alta chega a 23,8% e, em maio sobre
abril, de 0,8%. Com isso, a cidade de São Paulo concentra
273,6 mil trabalhadores com carteira assinada na construção
civil.

Regiões do Brasil
A região Centro-Oeste
foi que apresentou o maior crescimento proporcional no acumulado
do ano – de janeiro a maio a alta é de 15,2%. Em seguida
está o Sudeste, que no mesmo período teve elevação
de 10,7% no índice.
Já na variação
mensal, em maio, o destaque é a região Norte, que cresceu
3,1% em relação a abril. O Centro-Oeste aparece novamente
com destaque e teve elevação de 2,6% mês a mês.
As regiões Sul (+1,7%),
Nordeste (+1,6%), e Sudeste (+1,3%) também apresentaram resultados
positivos na comparação de maio e abril deste ano.

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Gazeta do Povo, 22 de julho de 2008
Educação
Governo desiste de alterar regras
sobre uso de recursos do Sistema S
O governo fechou um acordo com o Sistema S e desistiu de enviar ao Congresso
projeto de lei para alterar as regras de repartição e uso dos
recursos. O ministro da Educação, Fernando Haddad, deve assinar
hoje protocolo com a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
As entidades prometem aumentar a oferta de vagas gratuitas em cursos técnicos
do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Parte dos recursos destinados ao
Serviço Social da Indústria (Sesi) e ao Serviço Social
do Comércio (Sesc), cujo foco atual são ações sociais,
também deverá ser gasta em atividades de educação.
Segundo o MEC, as entidades do Sistema S arrecadam R$ 8 bilhões por
ano em contribuições pagas pelas empresas sobre a folha de pessoal.
O MEC entende que esses recursos são públicos e, portanto, só deveriam
financiar cursos gratuitos. Hoje, no entanto, as entidades cobram mensalidades
dos alunos. Além disso, o governo queria inverter a repartição
de verbas – atualmente 60% vão para os serviços sociais
e só 40% para os de aprendizagem.
Um esboço do texto, que ainda pode sofrer alterações,
prevê que 66,6% das vagas em cursos do Senac sejam gratuitas em 2014.
O documento fixa um cronograma, determinando que 20% das vagas sejam gratuitas
a partir do ano que vem. Esse porcentual sobe para 25% em 2010; 35% em 2011;
45% em 2012; e 55% em 2013, até atingir 66,6% em 2014.
Receita
Da mesma forma, o Sesc passará a destinar mais recursos para a área
de educação. Pelo menos 10% de sua receita em 2009, até atingir
33,3% em 2014.
No Senai, o compromisso será de aplicar 66,6% de sua receita em cursos
gratuitos a partir de 2014. O Sesi também destinará mais recursos
para o ensino. Em São Paulo, segundo a CNI, o Sesi já aplica
70% em educação. Com o protocolo, outros estados deverão
aumentar a participação do ensino nas atividades do Sesi.
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Congresso em Foco, 22
de julho de 2008
Tô nem aí
Senadores faltam a quase 180 votações
sem justificativas
Presidente da Casa e outros dois senadores
deixam 31 faltas sem justificativa, apesar das facilidades de se
explicar a ausência à Mesa Diretora

Plenário do Senado vazio, há oito dias. Parlamentares
elevaram um pouco o nível de faltas de 2007
Sofia Fernandes
Nos seis primeiros meses de 2008, nenhuma votação no Senado conseguiu
reunir todos os 81 senadores. E apesar da facilidade com que a Casa costuma
agir na aprovação de licenças, 60 senadores deixaram de
justificar 179 faltas nesse primeiro semestre. No topo dos que não se
deram ao trabalho de abonar suas faltas, estão três senadores,
incluindo o presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Os três
faltaram 31 vezes sem motivo. É o que revela levantamento exclusivo
do Congresso em Foco.
O presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), não
justificou 13 faltas. Foi o senador que deixou mais ausências sem licença,
seguido de Francisco Dornelles (PP–RJ) e Garibaldi Alves Filho (PMDB–RN).
Os dois deixaram, cada um, nove faltas sem justificativa.
O site também constatou que outros cinco senadores faltaram mais que
o percentual permitido (33%), mas conseguiram justificativas para abonar a
maioria das faltas, todas aprovadas sem dificuldades pela Mesa Diretora do
Senado. E entre os dez mais faltosos, outras 23 faltas também ficaram
sem explicação.
OS
SENADORES MAIS FALTOSOS
clique
para ver detalhes
TABELAS
COMPLETAS
Mais
faltosos
Mais
faltosos injustificadamente
Bancadas
estaduais mais faltosas
O gabinete de Leomar Quintanilha disse que o senador não tem o hábito
de justificar suas faltas, embora todas tenham um motivo razoável. Os
auxiliares do parlamentarr garantiram que, quando ele não está no
plenário, comparece a algum compromisso político em Tocantins,
sua base eleitoral, ou está envolvido em um motivo pessoal muito forte,
como o falecimento da mãe.
A assessoria de imprensa do senador Francisco Dornelles informou que o parlamentar
não justifica todas as faltas porque muitas vezes ele está em
seu estado exercendo alguma atividade pessoal, para a qual não cabe
licença.
O gabinete do senador Garibaldi Alves Filho afirma que, por ser presidente
do Senado, sua agenda é acompanhada de perto pela Mesa Diretora. Por
isso, não precisa justificar suas faltas, a maioria delas motivadas
pelos compromissos oficiais que o seu cargo demanda.
Sem transparência
Neste levantamento exclusivo do Congresso em Foco, foram analisadas todas as
listas de presença das sessões deliberativas publicadas pelo
Diário do Senado, de 12 de fevereiro a 19 de junho. Também foram
analisados todos os pedidos de licença requeridos pelos senadores, mês
a mês, de fevereiro a junho, registrados nas resenhas mensais das sessões
deliberativas. É a segunda vez que o site faz um levantamento como esse. A
primeira foi em dezembro de 2007.
A página do Senado na internet não fornece esses dois dados organizados,
o que exigiu um trabalho exaustivo para verificar quais faltas foram justificadas,
por quais motivos e em que períodos houve o maior fluxo de pedidos.
Ao contrário da Câmara, que publica os dados sobre a assiduidade
na página de cada um dos deputados, o Senado não dá transparência
a essas informações.
A Constituição Federal determina que o senador deve comparecer
a, no mínimo, dois terços das sessões ordinárias.
A exceçãosão as licenças, que podem ser justificadas
por motivo de saúde, interesse particular ou missão política.
No primeiro semestre de 2008, os senadores aproveitaram as licenças
582 vezes: 424 por missão política, 96 por licença médica
e 63 dias por interesse particular.
Festa das licenças nos feriados
Uma característica marca o fluxo desses requerimentos de justificativas.
Nas vésperas de feriado, durante o período analisado, o número
de pedidos de licença aumenta espantosamente. O exemplo mais destacado é o
da véspera da Páscoa. Em 19 de março, a quarta-feira que
antecedeu o feriado católico, foram 30 pedidos: cinco licenças
médicas, seis de interesse particular e 19 para missão política.
Na quarta-feira anterior, 12 de março, apenas seis licenças foram
requeridas.
Em 21 de maio, quarta-feira, véspera do feriado de Corpus Christi, os
senadores fizeram 25 pedidos de licença à Mesa Diretora do Senado:
duas por motivo de saúde, três por interesse particular e 20 por
missão política. Na quarta-feira anterior, 14 de maio, foram
cinco os pedidos de licença.
No dia dos namorados, outro pico. Foram 26 pedidos acatados pela Mesa Diretora
do Senado, entre eles 24 por missão política. Na quinta-feira
anterior, 5 de junho, os senadores fizeram 13 pedidos de licença.
Sem burocracia
Apesar de o regimento interno do Senado determinar que pedidos de licença
devem ser prévios, vários requerimentos são feitos posteriormente,
inclusive por interesse pessoal. “Eventualmente pode acontecer de o senador
não poder apresentar antes o pedido; não significa que ele não
estava de licença”, diz Cláudia Lyra, secretária
geral da Mesa do Senado.
A justificativa de ausência deve ser escrita em papel e entregue à Mesa
com antecedência, exceto em ocasiões não previsíveis,
como em alguns casos de doença. Toda licença médica deve
conter um laudo de inspeção de saúde. A licença
para tratar de interesses particulares não pode ultrapassar 120 sessões
legislativas e os dias de afastamento não podem ser remunerados.
Mas, segundo Cláudia Lyra, é necessário bem menos burocracia
para se obter uma licença. O pedido do parlamentar se limita a um papel
com a justificativa por escrito. O senador só precisa comprovar os motivos
da licença quando a sua ausência implica ônus para o Senado,
como em caso de viagem oficial.
Quando a licença é por interesse particular, ou missão
político-cultural sem financiamento direto da Casa, ou até mesmo
licença médica, não é exigido do senador que prove
com documentos os motivos da sua retirada. Sua palavra basta. “O senador
só precisa mencionar o fundamento. Não tem que comprovar”,
explica Cláudia Lyra.
Mais de 17% de ausências
Os parlamentares marcaram 765 ausências para 3.605 marcações
de presença no primeiro semestre de 2008. Esses números significam
que houve 17,5% de ausência durante o período analisado. A Mesa
Diretora do Senado recebeu e aprovou sem votação 296 pedidos
de licença, o que mostra uma postura permissiva da Casa para abonar
essas faltas.
Os números aumentam a média do último
levantamento feito pelo site, quando se apurou 16,05% de ausência
no ano de 2007. Houve 1.545 faltas e 8.081 anotações de presença
em 119 sessões. Durante todo o ano legislativo de 2007, apenas duas
sessões deliberativas conseguiram reunir todos os 81 senadores. Foram
as que livraram da cassação o agora ex-presidente do Senado Renan
Calheiros (PMDB-AL).
O número máximo de senadores em uma sessão com votação
nos primeiros seis meses de 2008 foi de 77. Em 19 de março, quarta-feira,
véspera de Páscoa, o Senado registrou a lista mais curta de presença:
apenas 43 senadores participaram da sessão deliberativa do dia. Enquanto
isso, mais da metade dos faltosos justificou a ausência por motivo de
missão política e licença médica.
Senadores mais ausentes
O senador João Durval (PDT–BA) esteve por dois meses sob licença
médica. Como todo parlamentar só tem direito a suplente quando
licenciado por mais de 120 dias e nos casos de morte, renúncia ou cassação,
a bancada da Bahia foi a mais desfalcada no primeiro semestre de 2008. Durval
foi o mais ausente. Faltou a 28 das 54 sessões, um total de 51,8%. Lista
completa dos mais faltosos.
O senador Lobão Filho (DEM–MA) herdou do pai o cargo, mas não
o hábito. Edison Lobão, substituído pelo filho suplente
em 31 de janeiro deste ano, quando assumiu o Ministério das Minas e
Energia, foi um dos senadores mais assíduos em 2007, segundo levantamento
anterior do Congresso em Foco.
Lobão Filho compartilha com o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
o segundo lugar na lista dos menos assíduos. Os dois estiveram ausentes
a 21 sessões deliberativas, 38,9% de falta.
Lobão Filho justificou 19 faltas com licença médica, missão
política e oito delas por interesse particular. Deixou outras duas faltas
sem nenhuma justificativa. Segundo sua assessoria de imprensa, o senador teve
problema na coluna e precisou ser deslocado para São Paulo, o que o
afastou do plenário do final de fevereiro ao início de março.
Mozarildo Cavalcanti justifica que a baixa freqüência ao Senado
se deve a compromissos político-partidários e a licenças
médicas. Em abril, ele diz ter acompanhado oficialmente a operação
da Polícia Federal Upatakon III, para a retirada de não-índios
e produtores de arroz na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, o que consumiu
sua presença em seis sessões deliberativas. Apesar das licenças
e do compromisso em Roraima, o senador do PTB deixou ainda uma ausência
sem justificativa.
“Outras funções legislativas”
Logo atrás, no "pódio" dos mais faltosos, está a
senadora Patrícia Saboya (PDT-CE). Faltou a 20 das 54 sessões
deliberativas, 37% de faltas, todas justificadas por motivos de saúde
e missão política.
A senadora justifica sua ausência e ao mesmo tempo critica o Senado por
estar quase sempre trancado por medidas provisórias, o que impede o
curso do trabalho do Legislativo. "Eu estava presente a todas as votações
de maior importância e não deixei de comparecer a nenhuma sessão
em que se tomassem decisões de relevância. Em momento algum deixei
de atender minha responsabilidade e minhas prerrogativas”, diz Saboya.
Rosalba Ciarlini (DEM/RN) faltou a 19 sessões no primeiro semestre.
Todas as faltas são justificadas, entre elas dez por interesse pessoal.
O restante, por motivo de missão política.
A senadora explica que faltou a cinco sessões para acompanhar o nascimento
da neta, na Alemanha, de 11 de março a 21 de abril, e esteve representando
o Senado em viagem oficial à Antártida. “Não são
faltas, são ausências justificadas pela Mesa do Senado.” A
senadora defende que a atividade do parlamentar não se limita ao plenário. “Muitos
estão ausentes em função de outras atividades legislativas”,
diz a senadora.
Entre os dez mais faltosos, estão também o Marcelo Crivella (PRB-RJ),
com 18 faltas, duas delas não justificadas, Fátima Cleide (PT-RO),
com 18 faltas, quatro sem justificativa, Renan Calheiros, 17 faltas, cinco
sem justificativa, José Sarney (PMDB-AP), 17 faltas, seis sem justificativa,
João Tenório (PSDB-AL), 17 faltas, quatro sem justificativa.
BANCADAS ESTADUAIS MAIS FALTOSAS
clique
para ver detalhes

A Bahia é o estado mais ausente nas sessões deliberativas do
Senado. No primeiro semestre de 2008, compareceu a 72,2% das sessões.
Um ponto desfavorável à assiduidade do estado foi a licença
médica do senador João Durval, do PDT, que esteve dois meses
afastado por conta de uma labirintite.
Na série dos estados menos assíduos, o Rio de Janeiro está em
segundo lugar, com 73,6% de presença. O senador Marcelo Crivella, o
mais ausente da bancada carioca, faltou a 18 das 54 sessões deliberativas,
ou seja, a um terço das votações do primeiro semestre.
Ele pediu e conseguiu licença para 16 faltas, 13 por estar em missão
política e três por interesse pessoal.
Apesar de viverem perto do Congresso Nacional, os senadores do Distrito Federal
não conseguiram colocar a bancada no primeiro lugar da lista das mais
assíduas no primeiro semestre de 2008. Ficou em sétimo lugar,
com 87% de presença. Os senadores do distante Rio Grande do Sul, com
93,2% de presença, e do Paraná, com 92,6%, foram os mais assíduos.
Lista da assiduidade por estado.
Mais assíduos
Gim Argello (PTB-DF) foi o senador mais assíduo no primeiro semestre
de 2008. Trabalhar em Brasília, sua base eleitoral, o favoreceu nesse
sentido. “Não sofro com compromisso em outros estados, com atrasos
de avião”, comenta o senador, que emenda: “Encontrar todo
mundo disponível é muito difícil. Tudo bem, é apenas
terça, quarta e quinta, mas há vários compromissos além
do plenário”.
Fernando Collor, o senador mais ausente em 2007, segundo pesquisa anterior
do Congresso em Foco, ficou entre os 30 senadores mais assíduos. Faltou
a sete sessões deliberativas no primeiro semestre de 2008, todas justificadas
por missão política.
PARTIDOS MENOS ASSÍDUOS

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Agência Câmara,
22 de julho de 2008
PEC torna serviço militar facultativo
Luiz Alves
A Câmara analisa a Proposta de
Emenda à Constituição 264/08, do deputado Marcelo
Serafim (PSB-AM), que torna o serviço militar facultativo
no Brasil em tempos de paz. Atualmente, o serviço militar é obrigatório
a todos os brasileiros ao completarem 18 anos. O comprovante da prestação
ou dispensa do serviço é requisito para o exercício
de vários direitos, como o ingresso no serviço público,
a emissão de passaportes ou o ingresso em universidades públicas.
Serafim argumenta que a realidade
que levou o Brasil a adotar o serviço militar obrigatório
mudou. Segundo ele, foi importante o movimento nacional pela obrigatoriedade,
como forma de levar educação e cidadania para jovens
que estavam excluídos do desenvolvimento brasileiro. Outras
políticas públicas, no entanto, segundo ele, cumprem
hoje esse papel. "Atualmente, na maioria das nações
desenvolvidas, o alistamento militar é facultativo, e a carreira
militar é escolhida por aqueles que são vocacionados
para a atividade", afirma.
Seleção
criteriosa
Além disso, segundo o deputado, o enorme excedente de contingente entre
os alistados no Brasil tem dificultado a seleção criteriosa de
quais jovens realmente têm essa vocação. Para ele, a mudança
nos critérios de seleção é necessária em
razão da nova realidade da carreira militar, que exige mão-de-obra
especializada,principalmente na área de tecnologia.
O deputado argumenta que
a decisão sobre o alistamento deve ser pessoal, e não
uma imposição. Alguns jovens simplesmente não
têm vocação para o militarismo e deveriam, em
sua avaliação, ter assegurado o direito de escolher
seu futuro profissional. "Nossa proposta também visa à garantia
da liberdade individual", ressalta.
Tramitação
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
vai analisar a admissibilidade da PEC. Se for admitida, a proposta será examinada
por uma comissão especial, antes de ser votada em dois turnos pelo Plenário.
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Agência Câmara,
22 de julho de 2008
Projeto inclui empregados em conselho
de empresa pública
O Projeto de Lei 3407/08, do Executivo, muda as regras dos conselhos de administração
das empresas públicas e sociedades de economia mista e demais empresas
em que a União, direta ou indiretamente, detém a maioria do capital
social com direito a voto. O texto prevê a participação
no conselho de representantes dos empregados, escolhidos pelo voto destes,
em eleição direta, organizada pela empresa, em conjunto com as
entidades sindicais que os representam. A proposta altera as Lei das Sociedades
Anônimas (6.404/76) e a Lei 10.303/01, que modificou a anterior.
Pelo projeto, somente as
empresas com mais de 200 empregados poderão eleger diretamente
um representante para o conselho de administração,
assegurado o direito da União de ter a maioria de seus integrantes.
O escolhido deverá preencher todos os requisitos previstos
em lei e no estatuto da empresa, como os demais conselheiros.
Limitações
A proposta proíbe que o representante dos empregados no conselho participe
de discussões e deliberações sobre temas que envolvam
relações sindicais, remuneração, benefícios
e vantagens, inclusive matérias de previdência complementar e
assistenciais, para que não haja interesse conflitante com o da empresa.
A proposta garante ainda
ao acionista majoritário a maioria no conselho de administração,
ficando autorizado, se necessário, o aumento do número
de conselheiros para assegurar o direito do acionista controlador
de eleger a maioria dos conselheiros.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões de Trabalho,
de Administração e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
- PL-3407/2008
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FOLHA DE SÃO PAULO,
21 de julho de 2008 | Dinheiro
BNDES poderá pegar até R$
10 bi no FGTS
Governo estuda usar recursos do fundo para engordar
orçamento do banco estatal pagando taxas de juros mais baixas
| Operação pode causar perdas ao fundo de garantia, no
qual 28,5 milhões de trabalhadores têm dinheiro depositado
LEANDRA PERES
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Uma disputa política
entre a direção do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) e representantes do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) poderá acabar em prejuízo
para o fundo, no qual 28,5 milhões de trabalhadores têm
dinheiro depositado. O governo brasileiro discute usar até R$
10 bilhões de recursos do FGTS para engordar o orçamento
do banco estatal pagando taxas de juros menores do que a mínima
exigida pelo fundo.
Uma das alternativas em estudo é montar uma operação em
que o BNDES emitiria títulos, que passariam a ser carregados pelo FI-FGTS
(fundo de investimento em infra-estrutura com recursos do FGTS).
A proposta, no entanto, prevê que esses papéis sejam corrigidos
pela TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), atualmente em 6,25% ao ano. Esse
percentual é inferior ao rendimento mínimo exigido pelo FGTS
para financiar obras de infra-estrutura estimadas para este ano, em cerca de
7,6% ao ano.
Subsídio
ao BNDES
Esse descasamento faria com que houvesse, na verdade, um subsídio ao
BNDES e um prejuízo aos trabalhadores. O impacto, no entanto, ainda
não pode ser estimado porque depende do tempo que o BNDES ficará com
os recursos do FGTS em caixa e da variação dos juros pagos ao
fundo.
Uma eventual mudança no rumo do FI-FGTS contradiz todo o discurso do
governo sobre o fundo. Desde que criou o mecanismo, um dos principais argumentos
que vêm sendo usados para defendê-lo é que não implica
risco para o patrimônio do trabalhador.
A disputa que vem sendo travada nos bastidores do governo tem origem num problema
político. Sem dinheiro suficiente para emprestar às grandes empresas,
o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, convenceu o presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, a aumentar a dotação orçamentária
do banco.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou encarregado de arrumar a fonte
de recursos. Como a Fazenda já colocou R$ 12,5 bilhões no BNDES
neste ano, não quer pôr mais dinheiro diretamente e está buscando
outras fontes, inclusive no FGTS.
Fortalecido pelo respaldo do presidente Lula, Coutinho ganhou força,
e as outras áreas do governo envolvidas na discussão -Caixa Econômica
Federal, Ministérios do Trabalho e das Cidades e representantes de trabalhadores
e empregadores- têm tido dificuldade em barrar a pressão.
Infra-estrutura
O FI-FGTS é a única porta de entrada do BNDES para abocanhar
dinheiro do fundo. Criado com o objetivo de financiar os setores de habitação
e saneamento, o FGTS passou a ter outro destino para suas aplicações
somente no ano passado, com o FI-FGTS.
Uma nova lei -considerada um dos pilares do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento)- permitiu que o dinheiro dos trabalhadores passasse a ser investido
em projetos de infra-estrutura. O valor total reservado para os projetos de
infra-estrutura é próximo de R$ 17 bilhões.
Apresentado ao Comitê de Investimentos do FI-FGTS em uma reunião
na última quarta-feira, o projeto do BNDES foi bombardeado tanto por
representantes do governo como por líderes sindicais. De acordo com
participantes da reunião, a engenharia financeira montada pelo BNDES é "inaceitável".
Além do prejuízo para o FGTS, há impedimentos legais que
só seriam contornados com eventuais mudanças nas atuais normas
de administração do fundo.
Atualmente, é vedado que o FI-FGTS seja um mero repassador de recursos.
Para que o BNDES pudesse receber o dinheiro, seria necessário mudar
esse regulamento.
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AGÊNCIA DIAP, 21
de julho de 2008
COMBATE À INFLAÇÃO
Centrais confirmam protesto contra
juros altos para o dia 23
Em reunião realizada na
sede nacional da CTB, na cidade de São Paulo, na última
sexta-feira (18), representantes da Força Sindical, UGT, CGTB
e NCST decidiram promover um ato em frente à sede paulista
do Banco Central (BC) no dia 23 de julho. A CUT não enviou
representante, mas será contatada e provavelmente participará do
ato.
A data foi escolhida por
ser o dia em que o Comitê de Política Monetária
(Copom) anunciará a decisão de sua reunião para
definir a taxa básica de juros, a Selic. O ato será na
Avenida Paulista, 1.804, às 11 horas.
Há uma convicção
no pensamento político e econômico brasileiro avançado
de que o Brasil vive uma rara oportunidade de adentrar em um ciclo
de desenvolvimento duradouro, com ritmos e índices compatíveis
com seu porte e necessidades. Esse mesmo pensamento faz o alerta
de que esta oportunidade está sendo sufocada pela vigência
de uma política macroeconômica que, ao fixar juros estratosféricos,
superávits fiscais elevados e uma política cambial
nociva às exportações, obstaculiza o desenvolvimento
duradouro.
A principal ferramenta desta
tendência conservadora é a manipulação
da taxa básica de juros, a Selic, pelo BC, que ameaça
manter o país preso ao velho círculo vicioso de crescimento,
contração e estagnação. Este alerta é emitido
de toda parte — exceto dos banqueiros, dos especuladores nacionais
e estrangeiros, que multiplicam a cada ano seus ganhos fabulosos.
Os juros altos afetam a demanda por produtos, a capacidade de financiamento
da indústria e a decisão de investimento.
Mesmo diante desse vigoroso
coro nacional pelo desenvolvimento, o "mercado" já pré-anuncia,
por meio da mídia, que o Copom vai, uma vez mais, aumentar
a taxa de juros. A justificativa do "mercado" e do Copom
para tais aumentos já deixou de ser, de tão surrada,
argumento para se tornar uma ladainha. A cada reunião da "autoridade
monetária", ela eleva os juros "devido o aumento
dos preços", aos riscos de não se cumprir as metas
de inflação.
A
chantagem do Copom
De nada tem adiantado a opinião de inúmeros economistas que demonstram
cabalmente que os juros altos servem para combater a "inflação
de demanda" (causada pela falta de produtos no mercado ou pelo excesso
na capacidade de compra da população).
Como se sabe, é evidente
que no Brasil atual nem há falta de produtos, tampouco a população
anda com os bolsos cheios para provocar uma febre de consumo. Segundo
diferentes estudos, a pressão inflacionária não é de
demanda, e sim causada por diferentes outros fatores — principalmente
de natureza externa, como a alta dos alimentos e do petróleo,
além da queda dólar.
O Copom chantageia com o
risco nunca tecnicamente descartado de volta da inflação.
Explora o imaginário de um povo traumatizado pela carestia. "Fabrica" uma
dicotomia entre expansão econômica e estabilidade. Mas
tal discurso vai revelando sua inconsistência. As metas de
inflação, ditas por vozes gabaritadas como exageradas,
vão se apresentando como uma cortina de fumaça. A questão é:
o Copom está de olho nas metas de inflação ou
com corpo inteiro atado "às metas da banca, ao apetite
insaciável dos especuladores?"
Trabalhadores não podem
se calar
Na prática, essa política
de juros altos serve apenas aos interesses de uma minoria — os
20 mil clãs de famílias que especulam com os títulos
da dívida, segundo revelou, em 2005, um estudo do economista
Marcio Pochmann.
Nos últimos 20 anos,
afirma, "houve a transferência acumulada de R$ 1,2 trilhão
ao ciclo da financeirização por intermédio do
pagamento de juros aos ricos que detêm a posse dos títulos
públicos", diz ele. “As decisões do Copom
são tomadas por apenas oito pessoas, nenhuma delas detentora
de mandato conferido pelo povo”, afirma Wagner Gomes, presidente
da CTB.
O Copom foi fundado no Governo
Fernando Henrique Cardoso (FHC), em junho de 1996. Desde então
tem se mantido como reduto do fundamentalismo monetarista, prejudicando
o desenvolvimento nacional em nome de um suposto rigor no combate à inflação.
“O Governo Lula
não mudou esta orientação: a diferença é que
agora o monetarismo exacerbado do BC choca-se diretamente com a
ala do governo que deseja acelerar o crescimento”, explica
Wagner Gomes. “Os trabalhadores são os mais penalizados
e não podem se calar diante desta realidade”, diz. "É importante
um esforço em todo o país para fazer grandes atos
no dia 23", finaliza o presidente da CTB. (Fonte: Portal da
CTB/Osvaldo Bertolino)
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de julho de 2008 | Política
Paraná tem 20 cidades com candidatos únicos
a prefeito
Elizabete Castro
Em pelo menos vinte cidades do Paraná, os registros do Tribunal Regional
Eleitoral (TRE) mostram que a eleição terá caráter
plebiscitário.
Nestes municípios,
existe apenas um candidato a prefeito, sem adversários diretos
pela frente. A situação é privilegiada, mas
nem por isso, a falta de um palanque adversário é garantia
de vida fácil na campanha.
É o que garante o
atual prefeito de Douradina, José Carlos Pedroso (PMDB). “Tem
que pedir votos da mesma forma. Tenho que distribuir meus santinhos. É como
se tivesse um adversário”, disse Pedroso. Ele é candidato único à reeleição,
apoiado por uma coligação que juntou o PMDB, PDT, PTB
e PP.
Mesmo sem concorrentes, esses
candidatos têm que fazer 50% mais um dos votos da cidade. “Às
vezes é até mais difícil”, observou a
presidente do PMDB de Douradina, vereadora Ivone Toenhi de Souza,
que está ajudando a organizar a campanha de Pedroso.
Ivone citou que os demais
partidos organizados na cidade - o PSDB, PT, DEM e PV -não
lançaram candidato a prefeito, mas montaram uma chapa de candidatos
a vereador que fazem o contraponto da campanha de Pedroso. Embora
não ataquem diretamente o candidato único, os vereadores
também não pedem votos para ele, explicou a presidente.
Mas o prefeito acha que se
não falar mal dele já está de bom tamanho. “Eles
são todos meus amigos. A campanha está mais tranqüila”,
avaliou Pedroso, que também citou um efeito importante da
candidatura única: a campanha fica mais barata.
Unanimidade
Mais tranqüilos estão
os candidatos a prefeito de Paraíso do Norte, Carlos Alberto
Vizzoto (PT), e de Bom Jesus do Sul, Paulo Deola (PDT). Os dois conseguiram
montar uma aliança que reúne todas as forças
políticas locais. Atual vice-prefeito, Vizzoto tem o apoio
do PMDB, PSB, PSDB, DEM e PTB e do PR, que indicou a candidata a
vice-prefeita, professora Eledir.
Os sete partidos fizeram
três coligações para a Câmara e todas as
três chapas pedem votos para Vizzoto. “Esse entendimento
foi construído ao longo dos quatro anos. O que facilitou muito
foi o atendimento que tivemos do governo federal, que mandou muitos
recursos para cá. Todos os partidos reconheceram que seria
bom para a cidade continuar juntos”, disse o petista.
Mesmo com tudo a favor, Vizzoto
ainda resiste a se considerar eleito. “Eu trabalho como se
tivesse oposição porque depois que o Fernando Henrique
se sentou na cadeira do Jânio Quadros antes da eleição,
já achando que estava eleito e levou bomba, é melhor
a gente ser prudente”, ponderou.
O pedetista Deola também
não baixa a guarda. Deola, atual prefeito, tem no seu palanque
DEM, PSDB, PT, PP, PTB, PSC, PSB, PR e PMDB. Mesmo assim, acha que
não é possível dispensar o corpo a corpo com
o eleitor.
“Aqui, em todas as
campanhas, a gente visita as famílias e pede voto. Desta vez,
vai ser do mesmo jeito. Essa candidatura única foi resultado
de um entendimento político, mas a população
também tem que aprovar”, explicou.
Em Bom Jesus do Sul, a composição
de todas as forças políticas locais já é antiga,
disse o prefeito pedetista. “Esse apoio não é de
agora. Vem desde o primeiro dia da minha gestão porque a administração
não trabalha para um partido só, mas para toda a cidade”,
justifica.
Na Câmara Municipal,
são doze vereadores. Quatro eram de oposição.
Agora, na campanha deste ano, todos estão do mesmo lado, pedindo
votos para o pedetista.
Na lista fornecida
pelo TRE, também aparecem as seguintes cidades e candidatos únicos:
Arapuã - Deodato Matias (PMDB), Cafeara - Mário Aparecido
Bega (PMDB), Carlópolis - Lázaro Alves - (PV) , Congoinhas
- Osmar Bueno de Melo Filho (DEM), Cruz Machado, Elclides Bibi
Pasa (PDT), Inajá - Nilson Camargo Monteiro (PMDB), Itaúna
do Sul - Tomas Antonio Bajo Polo (PTB), Jardim Olinda - Fernando
Jorge Siroti (PMDB), Loanda - Álvaro de Freitas (PR), Miraselva
- João Marcos Ferrer - (PTB), Nova Esperança do Sudoeste
- Norberto Goedert (PMDB), Paula Freitas - Paulo Henrique Mattos
de Almeida ( PTB), Prado Ferreira - Dirceu da Silva Alves (PMDB),
Quinta do Sol - Antônio Roberto de Assis ( PPS), Salto do
Lontra - Luiz Carlos Gotardi (PMDB), Três Barras do Paraná -
Gerso Francisco Gusso ( DEM), Tupãssi - José Carlos
Mariussi - (DEM) e Uraí - Donizete Ruiz Pinha - (PSB).
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de julho de 2008 | Política
Homens são maioria na disputa
eleitoral de 2008
Roger Pereira
Homem, casado, agricultor, com ensino médio completo e idade entre 45
e 59 anos. Esse é o perfil médio do candidato paranaense nas
eleições municipais deste ano, incluindo os postulantes para
prefeito, para vice-prefeito e para uma cadeira na Câmara Municipal de
suas cidades. O perfil é feito a partir das estatísticas divulgadas
ontem pela Justiça Eleitoral sobre os candidatos registrados até agora
para as disputas de outubro nos 399 municípios do estado.
Por enquanto - os números
podem sofrer alteração até o final de agosto
- serão 25.410 candidatos em todo o estado, sendo 1.045 candidatos
a prefeito, 1.045 candidatos a vice-prefeito e 23.320 candidatos
a vereador.
Se nas estatísticas
do eleitorado o número de mulheres já supera o de homens,
entre os candidatos o cenário que predomina ainda é machista.
Oitenta por cento dos postulantes a um cargo eletivo neste ano são
homens. O número de candidatas mulheres sequer atinge a cota
mínima estabelecida para cada partido, 30%. Sem mulheres candidatas,
muitas legendas acabam tendo de abrir mão de algumas candidaturas.
Segundo as estatísticas
disponibilizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a grande
maioria dos candidatos é casada (71%). Os candidatos têm
dezenas de ocupação, mas merece destaque o fato de
3.019 serem agricultores e 996 serem vereadores tentando reeleição
ou a Prefeitura. Outro dado interessante é o fato de 2.098
candidatos serem servidores públicos. Os servidores públicos
que disputam eleição têm a possibilidade de se
licenciar do trabalho durante a campanha eleitoral. Quatro candidatos
registrados no TRE são analfabetos, enquanto a maioria dos
concorrentes tem ensino médio completo (9.131). A maioria
dos candidatos (10.280) está na faixa etária de 45
a 59 anos. A segunda faixa com maior incidência é a
anterior, dos 35 aos 44, que tem 8,617 candidatos. Nos extremos,
203 candidatos têm menos de 20 anos e 21 deles têm mais
de 79.
Partidos
O TRE também divulgou
as estatísticas quanto ao número de candidatos por
partido. O PMDB, maior partido do estado, mantém seu gigantismo
sendo a sigla que lançou o maior número de candidatos.
São 247 peemedebistas concorrendo a prefeituras, 173 a vice
e 3.295 candidatos a vereador. O PT, partido do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva é o que tem o segundo maior número de
candidatos, 2.446. São 11 candidatos a prefeito, 109 a vice
e 2.226 a vereador.
Os outros dois partidos com
mais de cem candidatos a prefeito são o PSDB (107) e o PDT
(102). Eles também são os únicos, além
de PT e PMDB, com mais de dois mil candidatos a vereador: 2.123 para
os tucanos e 2.083 para os pedetistas.

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VERMELHO, 21 de julho
de 2008 | Colunas
A burocracia profissionalizada, uma
conquista do Brasil
por Antônio Augusto de Queiroz*
Em palestra sobre o funcionamento
do governo costumo dizer, ''de modo simplista'', que se alguém
quiser resolver um problema na Administração Pública
Federal deve procurar um funcionário de carreira em posto
de comando. Se quiser tirar uma foto deve procurar o ministro ou
presidente da empresa ou órgão. De preferência
deve fazer as duas coisas.
O Governo - qualquer governo
- possui a mesma lógica de funcionamento. Os ocupantes dos
cargos de primeiro escalão falam para fora do governo, anunciando
e sustentando as decisões políticas, enquanto o segundo
escalão fala para dentro, dando efetividade às decisões
políticas, cujo cumprimento depende da credibilidade deste
perante seus pares.
De fato, a área técnica
ou a burocracia profissionalizada, que formula, valida e implementa
as políticas, como regra, só coloca em prática
uma ordem se estiver convencida de seu respaldo legal ou se tiver
certeza da credibilidade e legitimidade do ordenador, em geral um
profissional de carreira com legitimidade perante a burocracia do órgão.
As políticas públicas
podem ser decididas na cúpula ou nascer nos escalões
intermediários da burocracia. No primeiro caso, para serem
colocadas em prática, necessitam do respaldo técnico,
sem o qual dificilmente são implementadas ou mesmo transformadas
em ato legal. No segundo, as sugestões já chegam para
a decisão política com análise de impacto e
em harmonia com as diretrizes governamentais.
Essa referência ao
método de atuação dos governos vem a propósito
da notícia (às vezes apresentada sob a forma de denúncia)
de que os governos estão sendo aparelhados por pessoas vinculadas
a partidos e sem qualificação para o exercício
de funções públicas. A burocracia profissionalizada
- e a do Brasil é das mais competentes e preparadas do mundo
- tem sido um bom antídoto para esse tipo de situação.
Existem exemplos, inclusive
na área econômica, de dirigentes que ocupam cargos no
Governo cujas idéias e propostas, mesmo contestadas pelos
escalões intermediários e técnicos de carreira,
ganham corpo, e, graças à pressão política
ou à ânsia do titular em mostrar serviço, findam
sendo incluídas em projetos de lei ou medidas provisórias.
Mas isto é exceção. É o chamado efeito
inibitório. Mas quem faz uso desse tipo de expediente, em
geral, paga um preço alto, além de ganhar fama de mau
gestor.
A verdade, entretanto, é que
enquanto houver o presidencialismo de coalizão, no qual o
presidente da República precisa compartilhar a gestão
para arregimentar base parlamentar, continuará essa prática
de trazer gente de fora para assumir postos de comando no Poder Executivo.
Trazer de fora não é o principal problema, mas trazer
gente sem qualificação. O suposto aparelhamento, entretanto,
produz bem menos estragos do que a oposição e a imprensa
noticiam. Os controles existentes sobre os gestores - de carreira
ou de livre provimento - são rigorosos, tanto pela CGU - Controladoria
Geral da União, quanto pelo TCU - Tribunal de Contas da
União.
É claro que pode haver
casos de incompetência e até de corrupção
- em governo de esquerda e de direita - mas ambas serão rapidamente
detectadas e denunciadas aos órgãos encarregados da
orientação ou da aplicação de punição,
seja penal ou civil. O importante é que haja mudança
da cultura política e cada vez mais funcionários de
carreira, sensíveis ao comando político mas capazes
de dizer ''não'', estejam próximos do poder de decisão
e ocupem cargos de alta direção sem serem tachado de
inimigos do povo ou de ''herança maldita''.
As carreiras de Estado -
que aguardam atualização salarial compatível
com suas atribuições, importância e responsabilidade
- são formadas por profissionais competentes e comprometidos
com os ideais republicanos, estando em perfeitas condições
de assumir as responsabilidades próprias da alta direção.
Entre elas merecem destaque, no Poder Executivo, a carreira de auditoria,
os analistas e técnicos do Banco Central, da CGU, do Tesouro
Nacional e os gestores governamentais. No Legislativo, os analistas
e técnicos do TCU e os consultores legislativos, analistas
e técnicos da Câmara e do Senado. No Judiciário
e no Ministério Público, além dos membros, os
analistas e técnicos.
A Administração
Pública, pelo menos no plano federal, já deu significativos
passos no sentido da profissionalização, a ponto de,
como regra, nenhum gestor, de carreira ou de livre provimento, tomar
decisões sem respaldo técnico de funcionários
de carreira e sem a manifestação dos respectivos órgãos
jurídicos. Apesar das resistências localizadas e de
algumas tentativas de criação de ''trens da alegria'',
o sistema de mérito tem avançado e a política
de remuneração também avança no sentido
da valorização e retenção desses quadros
no serviço público.
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*Antônio Augusto de Queiroz, Jornalista
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VERMELHO, 21 de julho
de 2008 | Colunas
A democracia nas entidades sindicais
por Augusto César Petta*
O golpe militar de 64 promoveu
um grande ataque contra as entidades sindicais brasileiras comprometidas
com a luta dos trabalhadores. Aproximadamente 10 mil sindicalistas
foram banidos do movimento sindical. Até 76, as iniciativas
tomadas pela reconstrução do movimento sindical foram
duramente reprimidas (por exemplo, as greves de Contagem e Osasco,
ocorridas em 1968).
Simultaneamente, cerca de
20 mil sindicalistas, estimulados por órgãos estadunidenses,
fizeram cursos, inclusive muitos deles, nos EEUU. Aprenderam a combater
as idéias marxistas e aplicar a concepção tradeunionista,
de conciliação entre capital e trabalho, transformando
os sindicatos em órgãos assistencialistas.
A partir de 1976,com a ditadura
apresentando sinais de desgaste e com o avanço do nível
de consciência política dos trabalhadores, inicia-se
a possibilidade de organização e mobilização
sindical tendo como objetivo básico a luta por melhores salários
e condições de trabalho, objetivo este que desembocaria
um pouco mais à frente na crítica ao regime ditatorial
e na luta que se expressou no “Abaixo a ditadura”.
Foi exatamente em 1976 que
um grupo de professores – do qual tive a oportunidade de participar – começou
a se reunir para discutir os problemas de salário e de condições
de trabalho enfrentados pela categoria.
E numa destas reuniões,
deliberamos buscar conhecer o Sindicato dos Professores de Campinas,
que era completamente omisso e funcionava quase de maneira clandestina
(não em função da repressão da ditadura,
mas sim para não ser “importunado” pelos professores).
Encontramos uma entidade
que reproduzia o regime ditatorial vigente: número pequeno
de sindicalizados (por volta de 5% da categoria), controle rígido
das decisões nas mãos do presidente e de outros dois
diretores, assembléias divulgadas com letras minúsculas
(entre os “classificados”) em jornais pouco lidos por
professores, ausência de mecanismos democráticos para
aferir opiniões da categoria, impedimento de acesso às
listas de sindicalizados, exigências de mais de 10 documentos
para se sindicalizar. Este esquema funcionou por mais de 15 anos.
Crescia o movimento pela democratização do poder político
no Brasil. As grandes greves do ABC, lideradas pelo atual Presidente da República,
trouxeram um novo alento aos trabalhadores. Voltavam à cena política,
os operários, protagonistas fundamentais do modo de produção
capitalista,sobretudo aqueles que ocupavam lugar de destaque no coração
do capitalismo no Brasil, o ABC paulista.
Depois de cinco anos de
persistente luta diária, assumimos a direção
do Sindicato dos Professores. Fruto dos estudos e da experiência
de luta pela democracia no sindicato e no país , é que
ouso apresentar aos leitores algumas idéias que possam contribuir
para que as nossas entidades sindicais sejam as mais amplamente democráticas
possíveis:
1. As instâncias
de deliberação do sindicato (congressos, assembléias,
reuniões de diretorias) devem decidir as políticas,
orientações fundamentais da atividade sindical e não
qualquer dos seus membros individualmente. Deve existir a permanente
possibilidade de opiniões divergentes e contribuições
individuais de cada um. O trabalho coletivo é dinâmica
permanente no desenvolvimento do sindicato e decorre da compreensão
de que o conjunto das atividades se deve aos esforços conjugados
de todos.
2. Direito à participação
nas correntes sindicais e nos partidos políticos: evidentemente
todo o membro da categoria (e portanto , inclusive os diretores do
sindicato) tem direito a manifestar, nas instâncias de deliberação
da entidade sindical, suas concepções políticas
e sindicais e respectivas propostas. Através do voto, decidem-se
quais as táticas, estratégias, atividades que a entidade
sindical irá adotar. A chamada “partidarização
da entidade” ocorre quando o presidente ou a diretoria desrespeitam
a maioria e impõem autoritariamente suas idéias e práticas à atividade
sindical.
3. Democracia
nas entidades sindicais implica em:
a. Garantir o funcionamento
adequado das instâncias de deliberação da entidade,
criando condições objetivas para a participação
dos diretores e da categoria.
b. Eleger e garantir o funcionamento do trabalho dos delegados sindicais e
das organizações por local de trabalho.
c. Socializar as informações com a categoria de forma mais eficiente
possível, utilizando os meios mais avançados que a tecnologia
oferece.
d. Realizar Planejamento Estratégico e Situacional (PES) para estabelecer,
em conjunto, prioridades e, como conseqüência, uma distribuição
adequada de recursos financeiros.
e. Formar sindical e politicamente os diretores e a categoria, buscando elevar
o nível de consciência política e democrática.
f. Estimular a participação dos diretores e da categoria nas
campanhas salariais e nas lutas mais gerais dos trabalhadores, na busca da
democracia e do desenvolvimento econômico com valorização
do trabalho e distribuição de renda.
g. Realizar eleições livres, com regras claras, com ampla divulgação
de todo o processo, com permissão de acesso às listas de votantes,
com tratamentos semelhantes às chapas inscritas, enfim com todas as
medidas que caracterizam um processo democrático.
h. Manter relação aberta com os funcionários da entidade,
respeitando os seus direitos e possibilitando a participação
deles em determinadas atividades da entidade.
i. Estabelecer um processo de avaliação do trabalho desenvolvido
na entidade de acordo com as determinações do Planejamento Estratégico
e Situacional.
Ao participar deste rico processo nas entidades, os diretores coletivamente
irão se formando política e administrativamente. Neste sentido,
a participação sindical tem uma dimensão educativa que
se reflete por um lado no crescimento intelectual, emocional e social dos diretores
e por outro, no crescimento dos membros da categoria. Dialeticamente, podemos
afirmar que estes seres irão se formando e adquirindo melhores condições
para o exercício de novas funções que a vida política
impõe.
Concluímos que o processo de democratização das entidades
não é simples. Nem mesmo o processo mais geral de democratização
que o país atravessa nos últimos anos, conseguiu romper barreiras
culturais enraizadas na estrutura do sindicalismo. Ao lado de sindicatos que
conseguiram determinados passos significativos rumo à construção
de uma estrutura interna mais dinâmica e democrática, convivem
entidades extremamente fechadas e burocratizadas, centralizadas fortemente
nas mãos de 1 ou 2 diretores.
Mas mesmo entre aqueles que avançaram no terreno da democracia, ainda
há um largo caminho a percorrer... Cabe a nós, sindicalistas
classistas, a tarefa de continuarmos perseguindo objetivos democráticos,
mas tendo consciência que a verdadeira democracia só será viável
quando o capitalismo for superado e substituído pelo socialismo.
Bibliografia
Antunes, Ricardo – O que é Sindicalismo – Coleção
Primeiros Passos – Círculo do Livro S. A. – São
Paulo – 1996.
Cunhal, Álvaro – O Partido com paredes de vidro – Edições
Avante – Lisboa – 2002.
Koval, Boris – História do Proletariado Brasileiro – Editora
Alfa-Ômega – São Paulo – 1982.
Lênin, Vladimir I. – Sobre os sindicatos – Editora Pólis – São
Paulo – 1979.
Jornal do SINPRO/Campinas – Campinas – SP.
Nota
Esse artigo foi publicado
inicialmente na Revista Debate Sindical. Para esta publicação,
foram introduzidas algumas modificações.
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FOLHA DE LONDRINA, 21
de julho de 2008 | Opinião
Raras reversões de sentenças
trabalhistas
Se a Justiça investiga e pune reclamantes
por má-fé contra instituições beneficentes,deve
contemplar empresas por igual
É raro a Justiça do Trabalho não dar ganho de causa a quem
aciona uma empresa. E mais, que puna um trabalhador. Mas agora aconteceu, por
despacho do juiz Julio de Paula Amaral, da 3 Vara do Trabalho de Londrina. Um
reclamante foi investigado, por determinação do magistrado, e constatou-se
que ele agira de má-fé. Por isso, além de nada receber,
foi condenado a pagar multa à instituição reclamada, o Hospital
de Câncer. Quando o juiz atuava em Paranavaí já havia revertido
processos e assim favorecido instituições do gênero.
Mas empresas convencionais
não têm contado com o benefício de idêntica
e minuciosa investigação nas decisões trabalhistas,
embora na semana passada tenha sido confirmada pela 4 Turma do Tribunal
Regional do Trabalho uma decisão que levou não apenas à absolvição
da reclamada mas condenou o trabalhador, por mentira. Porque descobriu-se
que o autor faltara com a verdade ao dizer que fôra vítima
de um tiro, no trabalho, mas isto aconteceu durante briga num bar.
Se diligências mais
aprofundadas fossem feitas pela Justiça em todos os casos,
se veria que situações semelhantes são muitas,
podendo-se afirmar a maioria, pelo que se ouve de empresários
e de advogados que os defendem. O oportunismo está muito presente
nesses casos, porque basta um empregado ser despedido, por justa
causa ou não, que logo tentará buscar alguma indenização.
E esta é sempre pesada. Mesmo que um empregado tenha recebido
em dia seus salários, férias, horas extras, descanso
semanal remunerado e todos os demais benefícios, ainda assim
ele raramente perde a oportunidade de ingressar com ação
trabalhista. Isto tem levado empresas a quase falência e mesmo
a fechar as portas, pelo peso das sentenças.
Entre os mais duramente atingidos é comum
ouvir-se que um juiz do Trabalho, para qualificar-se à função
deveria, entre outros requisitos, haver gerido uma empresa por no
mínimo cinco anos. São as empresas que movem a economia
e proporcionam empregos e impostos, portanto elas são - assim
como a classe trabalhadora - igualmente beneficiadoras da nação.
Com toda a certeza os juízes trabalhistas sabem que muitíssimas
reclamações são desprovidas de fundamento.
Por conta dos despachos
frequentes em favor de reclamantes sabidamente oportunistas, a
causa do emprego perde. A boa investigação sobre
ações contra instituições beneficentes
deve estender-se aos casos que envolvem empresas convencionais.
Uma questão de igualdade de direito. Os juízes podem
cooperar para a implantação da moralidade nessa área.
As decisões ora tomadas contra trabalhadores de má-fé são
precedentes para induzir a uma mais severa diligência e assim
diminuir a conhecida indústria da ação trabalhista.
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Gazeta
do Povo, 20 de julho de 2008
Reajustes salariais
Até agora, negociações
foram “generosas”
As negociações salariais entre sindicatos trabalhistas
e patronais garantiram recomposição com reajuste
real acima da inflação para a maioria das categorias
com data-base no primeiro semestre.
Mas ,como a inflação é uma preocupação
comum a todos, patrões e empregados concordam que os reajustes
devem continuar sendo feitos nos termos da negociação,
descartando uma volta da indexação da economia.
A demanda aquecida possibilitou uma negociação
mais generosa para os trabalhadores da construção
civil, e a convenção coletiva do setor, com data
base em junho, garantiu reajuste salarial de 9,73% para a categoria,
com ganho real de 2,5 pontos porcentuais acima da inflação.
A opção pelo aumento foi uma obrigação
imposta às construtoras por uma lógica de mercado.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção
Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR), Hamilton Franck,
em tempos de mão de obra escassa, a única forma de
segurar ou atrair operários é pagando-se bons salários.
Ainda assim, as construtoras alegam que a mão-de-obra representa
mais de 50% do custo de uma construção e que o setor
enfrenta uma pressão inflacionária com o aumento
generalizado nos preços internacionais de insumos básicos.
Desde o início do ano, o aço, por exemplo, foi reajustado
em 28%, existindo a expectativa de um novo aumento de 10% para
os próximos meses.
Com este cenário, o sindicalista diz ser impossível
não haver aumento no preço final dos imóveis,
mas descarta a contaminação do mercado por aumentos
especulativos. “Falar em gatilho inflacionário é irresponsabilidade.
Quem aumenta preço dá um tiro no pé e perde
compradores”, avalia Frank.
O carpinteiro Bento Dreher trabalha na construção
civil desde os 11 anos de idade. Sindicalizado de carteirinha,
ele teve o salário reajustado este ano de R$ 840 para R$
1.150. Para isso, valeu a experiência de negociação
adquirida em 27 anos de trabalho. “O salário subiu
mais que o aumento do sindicato porque eu e meus colegas conversamos
com o patrão”, conta. “O aumento valeu a pena.
Com esse dinheiro a mais, estou conseguindo terminar um sobrado.”
Já o operário Vital Pereira de Lima, que teve o
salário reajustado de R$ 470 para R$ 515, diz que não
sentiu muita diferença. “O salário subiu, mas
as mercadorias subiram mais do que ele”, reclama. Segundo
o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil
do Paraná (Sintracon-PR), a categoria vem obtendo ganhos
reais entre 1,5% e 2,5% desde 2003.
Sala de aula
O Sindicato dos Professores no Estado do Paraná (Sinpropar),
que reúne 30 mil profissionais do ensino fundamental ao
ensino superior, negociou um aumento de 6,5%, com ganho real de
1,07 pontos porcentuais acima da inflação. “Estranhamente,
a negociação deste ano foi mais suave que as dos últimos.
O [sindicato] patronal aceitou nossa proposta inicial após
poucas rodadas de negociações”, explica o diretor
tesoureiro do Sinpropar, Francisco Simão.
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de
Ensino do Paraná (Sinepe-PR), José Manoel de Macedo
Caron Júnior, diz que a negociação deste ano
manteve a tradição de reposição média
em torno de 1%. “A negociação salarial não é um
evento isolado, que vale para apenas um ano. Não adianta
querer levar vantagem em um ano, que no próximo vem o troco.”
Caron Júnior explica que as escolas não podem repassar
os custos diretamente para o valor das mensalidades, que são
definidas no início de cada ano. “No comércio é mais
fácil remarcar preços. As escolas têm que trabalhar
com base nas planilhas de custo, com uma projeção
precisa da inflação do próximo ano. Quem passa
do ponto de equilíbrio acaba perdendo mercado.”
Vigilantes
Os vigilantes e seguranças de Curitiba e região
metropolitana conquistaram o terceiro ano consecutivo com aumentos
reais. Desde fevereiro, o piso salarial da categoria teve reajuste
de 6,21% e chegou a R$ 890, o adicional de risco de R$ 50 passou
para R$ 67 (+34%) e o vale refeição foi de R$ 8 para
R$ 10 – um aumento total de 8,14%.
Porcentagem idêntica ao reajuste repassado às mensalidades
das empresas de segurança privada. “Somos um segmento
que basicamente administra mão-de-obra. Não fazemos
estoques de produtos e não temos como segurar. Os reajustes
já são previstos em contrato”, diz o diretor-tesoureiro
do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Paraná (Sindesp-PR),
Sandro Maurício Smaniotto.
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Gazeta
do Povo, 20 de julho de 2008
Reajustes salariais
Empresas e trabalhadores em queda-de-braço
Enfrentando alta de juros e de custos, empresários
vão brigar para evitar aumentos muito acima da inflação
Embora os ganhos reais obtidos nos últimos anos pelos trabalhadores
tenham variado, em sua maioria, entre 1% e 2%, os sindicatos levarão às
convenções do segundo semestre a proposta de reajustes
de 3% a 5% maiores que a inflação – já admitindo
que a queda-de-braço será acirrada. “É um
cenário diferente. Temos de volta o fantasma da inflação,
mas a expectativa da categoria é a manutenção
do aumento real”, diz o presidente do Sindicato dos Bancários
de Curitiba, Otávio Dias.
Do outro lado, os altos índices de preços no país
e o constante aumento de juros pelo Banco Central têm impactado
as finanças das empresas, que irão resistir a reajustes
muito elevados. “O aumento dos juros significa mais despesas
e menor demanda ali na frente. Os empresários sabem que
vão ter dificuldades e terão de repassar os reajustes
salariais para os preços”, explica o economista da
PUC-Rio, José Márcio Camargo.
O vice-presidente da Associação Brasileira de Indústrias
Químicas, Nelson dos Reis, comenta que a alta da inflação
nos últimos meses provocou o aumento de custos no setor,
principalmente com os benefícios dos funcionários,
e que um reajuste salarial elevado comprometeria a saúde
financeira das empresas do ramo, que não costumam repassar
o aumento de gastos para os preços devido à alta
competitividade desta indústria.
Por outro lado, o aumento da inflação é também
um fator de reivindicação de aumentos pelos trabalhadores,
que querem recuperar a perda do poder de compra provocado pela
inflação alta. Além disso, para os sindicatos,
os vistosos índices de crescimento de alguns setores da
economia são a prova de que é possível conceder
reajustes sem que isso represente um ônus às empresas. “O
que nos interessa é quanto as empresas estão faturando,
e todos os indicadores nos mostram que elas cresceram mais do que
no ano anterior”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba (SMC), Sérgio Butka.
Os reajustes finais, para a economista-chefe do Banco Real, Zeina
Latif, devem ser moderados, pois tanto os empresários quanto
os trabalhadores sabem que, se cometerem exageros, o Banco Central
elevará os juros com maior intensidade.
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Gazeta
do Povo, 20 de julho de 2008
Reajustes salariais
Salários: alimento para a inflação?
Os trabalhadores com data-base no segundo
semestre avisam: vão lutar por ganhos reais. O receio dos
economistas e do Banco Central, no entanto, é que os aumentos
criem uma nova pressão inflacionária e resgatem o fantasma
da indexação
De nada adiantou a sugestão do presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles. No início deste mês, o homem-forte
da política monetária brasileira, temendo novas pressões
inflacionárias, pediu que os trabalhadores não exigissem
aumentos salariais, e convocou “toda a sociedade” a
fazer sua parte do combate à inflação. O discurso
pouco teve efeito entre os sindicatos, que já começaram
a se mobilizar para as convenções coletivas do segundo
semestre e avisam: os reajustes exigidos serão maiores do
que a inflação, a fim de repor perdas salariais e
aumentar o poder de compra dos trabalhadores – fato de arrepiar
os poucos cabelos do presidente do Banco Central e que pode elevar
ainda mais a já alta previsão de inflação
para 2008.
Ao menos quatro categorias de peso terão data-base nos
próximos meses: metalúrgicos, químicos, bancários
e petroleiros – empregados de setores que exibem recordes
de lucros e produção, como as montadoras, as indústrias
químicas e os bancos. Apesar de os sindicalistas alegarem
que os reajustes propostos estão abaixo do aumento da produtividade
dos trabalhadores, e que isso evitaria pressões inflacionárias,
o possível impacto das negociações na inflação
corre aos burburinhos no meio econômico. Quando confrontados
com essa hipótese, porém, os sindicatos são
categóricos: a inflação são outros
quinhentos. “Essa não é, de forma nenhuma,
uma preocupação, porque o que tem puxado a inflação é o
setor alimentício e o mercado financeiro mundial”,
comenta o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba,
Otávio Dias.
Para muitos economistas, no entanto, apontar quem é o
vilão pela alta dos preços já não é suficiente
para combater ou impedir a escalada da inflação no
país. “A idéia de isolar as diferentes causas
da inflação é ingênua”, diz o
economista e professor da Pontifícia Universidade Católica
do Rio de Janeiro (PUC-Rio), José Márcio Camargo.
Segundo ele, a inflação é provocada por pequenas
pressões, que se acumulam e dão origem a uma grande
pressão. “Cada um desses aspectos não é significativo
por si só, mas, quando todos se juntam, a pressão
se torna significativa.” Ele não hesita em afirmar
que reajustes salariais substanciais poderiam, sim, provocar uma
pressão inflacionária, pois alavancariam a inflação
de demanda. Trocando em miúdos: quanto mais dinheiro no
bolso, maior o poder de consumo da população, mais
dinheiro circulando e maior a inflação.
Os sindicalistas reforçam, no entanto, que há outras
razões para que os reajustes salariais sejam maiores do
que a inflação, como explica o diretor-presidente
do Sindicato dos Químicos do Estado do Paraná (Siquim),
Elton Marafigo. “A nossa maior preocupação é com
a reposição salarial, pois temos uma perda acumulada
nos últimos anos. Os salários estão defasados.” De
prancheta em punho, o economista do Dieese (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Sandro
Silva, confirma: de 1998 a 2003, a perda de poder aquisitivo dos
salários dos trabalhadores chegou a 30% – e os últimos
anos têm sido um momento de recuperação.
Em 2007, asseguram as planilhas do Dieese, 88% dos trabalhadores
conseguiram reajustes salariais acima da inflação.
A porcentagem, que era de apenas 19% em 2003, veio aumentando progressivamente
nos últimos cinco anos, e é mais um argumento dos
trabalhadores a favor dos ganhos reais. “O salário
tanto não pressiona a inflação que temos tido
aumento real há anos seguidos e em nenhum momento o índice
disparou. Esse discurso não cola”, argumenta o presidente
da Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR),
Roni Barbosa.
O economista do Dieese reforça que o ganho real dos trabalhadores,
que foi de 1% a 2% ao ano nos últimos acordos, ainda é “insignificante” em
relação ao crescimento da economia – 5,4% em
2007 – e da produtividade brasileiras. “Tudo isso está indo
para as empresas, e agora querem frear a recuperação
da renda do trabalhador com a desculpa de que vamos acelerar a
inflação?”, questiona Silva.
Espiral inflacionária
Para os economistas, no entanto, a preocupação com
os reajustes salariais vai além de uma desculpa. O grande
medo do Banco Central é que as negociações
impulsionem uma espiral inflacionária, como explica o professor
do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
Luciano Nakabashi. “Se você aumenta o salário
dos trabalhadores, você eleva os custos das empresas e elas
podem repassar esse ônus para os preços” – tal
como ocorreu com algumas negociações salariais no
primeiro semestre, quando a maioria das categorias teve ganho real
entre 1% e 2%.
De repasse em repasse, a inflação brasileira tomou
vida própria e, dos aumentos iniciais nos preços
dos alimentos e do petróleo, se estendeu aos serviços
e produtos – por isso o receio de Meirelles e dos economistas
com relação aos aumentos salariais. “Quando
começarem os reajustes, a inflação pode ir
a uma terceira geração, e aí vai se auto-alimentando”,
diz a professora do Instituto Superior de Administração
e Economia (Isae/FGV), Virene Matesco.
Para ela, a capacidade de difusão da inflação
no Brasil é alta. “Ninguém quer ficar atrás
quando o assunto é inflação: se aumentou o
preço da alface, eu vou aumentar o preço do automóvel.
Nós temos essa cultura da indexação”,
diz Virene, referindo-se à prática de reajuste automático
dos preços diante de um aumento nos índices da inflação.
Ninguém se arrisca a dizer qual será, de fato, o
impacto das negociações salariais na inflação
do segundo semestre ou de 2009 – até porque os próprios índices
de reajuste ainda não foram definidos em convenções
coletivas –, mas é consenso entre os economistas que
os aumentos criarão, sim, uma pressão inflacionária.
A bola de cristal só é consultada sem pudores quando
se trata de quais serão as medidas tomadas pelo Banco Central:
aumento progressivo de juros – o que deve tornar as negociações
salariais ainda mais acirradas.
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Congresso
em Foco, 20 de julho de 2008
Vitória em SP tornaria Marta
presidenciável em 2010
Dilma perderia força na corrida pelo
Planalto caso a ex-ministra do Turismo assumisse agora a prefeitura
da maior cidade do país
Tatiana Damasceno
A possibilidade de a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy (foto)
vencer em São Paulo pode torná-la imbatível
como candidata petista em 2010. Esta é a avaliação
de cientistas políticos ouvidos pelo Congresso em Foco.
O cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo
Barreto afirma que, apesar do presidente Lula dar sinais de que a ministra
da Casa Civil, Dilma Rousseff, pode ser sua sucessora, ela não é uma
escolha do partido. “A Dilma é uma escolha do Lula, mas não
do PT. Se Marta ganhar em São Paulo ela é, automaticamente, a
candidata para presidência. Ficaria muito difícil para o Lula
e para o próprio PT sugerir o nome de outra pessoa”, diz ele.
Essa opinião é compartilhada por Leôncio Martins Rodrigues,
professor titular de Ciência Política das universidades de São
Paulo (USP) e Campinas (Unicamp). Ele acredita que uma vitória de Marta
em São Paulo tornará difícil a escolha de outro nome petista
para 2010.
“ Marta, como Dilma, não faz parte das bases históricas da
formação do PT. Contudo, se obtivesse uma vitória retumbante
na disputa pela capital paulista, como seria derrotar no primeiro turno o PSDB
e o DEM, seria difícil duvidar de que seja a candidata petista ‘natural’ para
concorrer ao lugar de Lula”, afirma Rodrigues. “Todas facções
petistas (sindicalistas e ex-revolucionários) teriam que engolir seu nome."
O professor considera contraditórias as demonstrações
públicas de Lula em mostrar Dilma como sua candidata em 2010. “Embora
me pareça que seja o próprio Lula que ganha mais popularidade,
não deixa de ser estranho, pelos padrões históricos petistas,
a escolha de alguém que só aderiu ao PT em 2001”, diz Rodrigues.
Ele afirma que a melhor opção para o PT em 2010, apesar das fortes
resistências, é tentar um terceiro mandato para Lula. “Será muito
doloroso para Lula e sua base de apoio ver os companheiros petistas e aliados
de um governo com tanto apoio do povo serem substituídos por tucanos
apenas em respeito à democracia burguesa formal.” Rodrigues pondera: “Para
a efetivação do projeto continuísta, há muitas
dificuldades a serem superadas”.
PT e PSDB
A tentativa de aproximação entre PT e PSDB em Belo Horizonte
não deve, na opinião dos cientistas políticos, ser um
ensaio para 2010. Adversários no campo nacional, as duas siglas já se
coligaram em eleições municipais passadas, prova de que a aproximação
não seria tão esdrúxula quanto muitos imaginam.
Em 2004, na cidade de Anápolis (GO), o candidato petista a prefeitura,
o hoje deputado federal Rubens Otoni, contou com o apoio do PSDB do então
governador, o atual senador Marconi Perillo, que indicou o vice. No segundo
turno, a chapa tucano-petista perdeu para Pedro Sahium, do PSB.
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o prefeito de Belo
Horizonte, Fernando Pimentel (PT), costuraram um acordo para lançar
o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Márcio
Lacerda (PSB), como cabeça de chapa e o deputado estadual Roberto Carvalho
(PT) como candidato a vice.
Mas a intenção barrou na Executiva Nacional do PT, que vetou
a coligação com tucanos, apesar de liberar a aliança com
a oposição em outros municípios. Por exemplo, os petistas
autorizaram a união do partido com o PSDB em Aracaju (SE), com o DEM
em Porto Velho (RO) e Volta Redonda (RJ) e com o PPS em Manaus (AM).
O apoio tucano à candidatura de Lacerda virou informal, já que,
oficialmente, apenas o PT está na coligação do ex-secretário
de Aécio.
Um acordo PT-PSDB, para além das montanhas mineiras, hoje não
soa factível a petistas históricos lotados em São Paulo. “O
PT paulista e o PSDB paulista possuem um peso desproporcional em relação
ao restante do país. As brigas entre os dois partidos dentro de São
Paulo impediram que os dois se aproximassem no plano nacional até agora”,
acredita Leonardo Barreto.
Ele mostra que a insistência de Aécio em mostrar o entendimento
entre os dois agrupamentos políticos é uma estratégia
para penetrar no grupo decisório tucano. “O que é gente
está vendo são movimentos na periferia do PT e PSDB motivados
por políticos que querem descentralizar e talvez dividir esse poder
que hoje está concentrado em São Paulo”, avalia Barreto.
O governador mineiro atuou pensando na sua própria pré-candidatura
a presidente em 2010, no entender do cientista político. “Quando
o Aécio sugeriu aquela aliança lá em Minas, ele queria
jogar esta discussão na mídia e no próprio partido para
conseguir penetrar nesse núcleo paulista e ter condições
de impor seu nome.”
Partido de elite
Além da questão do nome para disputar a presidência de
2010, Barreto afirma que PSDB terá que buscar uma forma de se comunicar
com a parcela mais pobre do eleitorado se quiser ter sucesso no próximo
pleito. “O PSDB ganhou a pecha de ser um partido elitista. E ele não é homogêneo
no país. Hoje isso é um problema muito sério para eles”,
analisa o cientista político.
Em entrevista ao Congresso em Foco no ano passado, o presidente do PSDB, senador
Sérgio Guerra (PE), respondeu que a intenção do partido
era se direcionar cada vez mais à esquerda. “O partido se desloca
cada vez mais para o centro, para o centro-esquerda e para uma posição
progressista, que é a sua origem e que vai ser o seu futuro”,
afirmou. (confira a íntegra da entrevista)
Na avaliação do cientista político e conselheiro do Movimento
Voto Consciente, Humberto Dantas, as eleições municipais divergem
totalmente dos pleitos majoritários. O que domina, acima das questões
ideológicas e partidárias, são os acordos locais.
“ Tenho a mais absoluta certeza de que só prevalecem os acordos
locais, com raríssimas exceções, por exemplo, o caso de
Belo Horizonte, porque tem um respingo de 2010. O resto vai casar do jeito de
tiver que casar, mesmo porque, em cidades pequenas, os partidos sequer existem,
do ponto de vista das suas idéias”, afirma.
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Agência
Diap, 20 de julho de 2008
ENTENDIMENTO
Acordo entre ministro e sindicalistas
deve encerrar greve dos Correios
Uma reunião de sete horas do ministro Hélio
Costa (Comunicações), diretores da Empresa Brasileira
de Correios e Telégrafos (ECT) e líderes sindicais,
neste sábado (19), terminou com um acordo que pode acabar
com a greve dos Correios.
O acordo será submetido às assembléias
de funcionários com orientação dos líderes
para o encerramento da greve. Na segunda-feira (21), o acordo
será levado ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para
a ratificação.
O ministro fez o anúncio do acordo dizendo esperar a
volta ao trabalho dos funcionários na segunda-feira (21)
ainda pela manhã. De acordo com Costa, foi fechado um
entendimento para não haver o desconto do salário
pelos dias parados. “Vamos substituir as horas paradas
por um banco de horas”.
O acordo contempla ainda as gratificações para
os funcionários. Os carteiros receberão uma gratificação
de 30% do salário, enquanto os atendentes e os motoristas
receberão R$ 260. O impacto é de R$ 10 milhões
por mês. Os sindicatos seguirão discutindo com os
Correios o Plano de Cargos, Carreiras e Salários, que é outra
reivindicação da categoria.
De acordo com o secretário-geral da Federação
Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios (Fentect),
Manoel Cantoara, o acordo ainda é verbal. “Precisa
colocar no papel, aí vamos submeter às assembléias
com recomendação para encerrar a greve”.
Os funcionários dos Correios estão em greve desde
1° de julho. Segundo balanço divulgado pela empresa,
a adesão é de 17,5% dos empregados e de 25,5% dos
carteiros. Funcionários de 21 estados e do Distrito Federal
aderiram à greve.
O presidente do sindicato no DF (Sintect), Moysés Leme
disse que 50% da categoria paralisou suas atividades em mais
de 23 estados, o que atende a determinação do Tribunal
Superior do Trabalho (TST). Segundo ele, a greve chegando ao
fim, há um compromisso de os trabalhadores providenciar “o
mais rápido possível” o envio de mais de
150 milhões correspondências retidas nas sedes dos
Correios de todo o País. (Com G1)
|
Folha
de S.Paulo, 19 de julho de 2008
VINICIUS MOTA
O terceiro mandato já começou
SÃO PAULO - O lulismo continuará no poder em 2011, não importa
o vencedor das eleições presidenciais do ano anterior. Quem busca
elucidar esse enigma nas movimentações de granadeiros petistas
de baixa patente, como o folclórico deputado Devanir Ribeiro, erra o alvo.
A resposta está diante dos olhos, em operações como a compra
da Brasil Telecom pela Oi, financiada e permitida por um mutirão governista
capitaneado pelo Planalto. Com R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil e R$
2,6 bilhões do BNDES, mais da metade da necessidade de capital para a
transação será garantida pela gestão Lula. O governo
também entra com mão-de-obra normativa -vai mudar o decreto que
impede fusões- e a boa vontade de acionistas como fundos de pensão
e, de novo, o BNDES.
Tanto empenho há de ser recompensado. A influência, no "big
business" telefônico, de diversos núcleos políticos
e quadros partidários hoje no governo vai perdurar por longos anos. Na
dúvida, consultem-se diretorias e conselhos administrativos e fiscais
de grandes empresas beneficiárias das privatizações, da
política de juros ou da normatização ("regulação")
dos anos FHC. Muitos fernandistas estão firmes em seu quarto mandato.
A queda de Palocci, adepto das relações preferenciais com os bancos,
coincidiu com uma mudança de estilo do governo Lula nesse quesito. O apetite
para intervir em grandes negócios público-privados deu um salto
sob Dilma Rousseff, mãe do PAC e musa dos empreiteiros.
O governo patrocina a reorganização do capital na telefonia, na
petroquímica e em outros setores da economia, aprofundando e estendendo
no tempo a confluência estatal, sindical e partidária no mundo dos
negócios. A simbiose crescente entre principais partidos, sindicatos e
empresas do país, sob fiança do erário, é a principal
ameaça à capacidade do Estado de arbitrar conflitos a favor do
interesse público.
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Folha
de Londrina, 19 de julho de 2008
SEU DIREITO
FÉRIAS E COMISSÕES
Trabalho como vendedora e recebo salário
fixo além das comissões. Quando eu sair de férias,
como será feito o cálculo dos pagamentos das comissões?
As férias foram prestigiadas pela Consolidação
das Leis Trabalhistas visando desenvolver meios necessários
ao empregado para que ele pudesse recuperar as condições
físicas e mentais despendidas no trabalho.
As férias representavam, inicialmente, um descanso remunerado
só com o valor do salário mensal. Mais modernamente
contam com um adicional constitucional correspondente a 1/3 do
valor do cálculo das férias, permitindo assim que
o empregado goze seu período com condições
financeiras.
Para auferir o valor que receberá relativo às comissões,
deve-se somar os valores das 12 últimas comissões
e dividi-las por 12, desta forma, encontra-se a média mensal
das comissões recebidas. Este será o valor recebido
nas férias com relação às comissões.
Do valor da média das comissões soma-se o salário-base,
do valor auferido acrescenta-se o 1/3 constitucional, chegando
por final ao valor das férias.
Para exemplificar, vamos usar um empregado que aufere R$ 900 de
salário-base e que a soma das 12 últimas comissões
chega-se ao valor de R$ 3.600. Ao dividir esta quantia por 12,
encontra-se a média de comissões no valor de R$ 300.
A este montante será acrescido o salário-base, que
neste exemplo usamos o valor de R$ 900. Somando-se a média
das comissões mais o salário-base (R$ 300 + R$ 900),
chega-se ao total de R$ 1.200. Deste valor, acrescenta-se o 1/3
constitucional, que no caso seria de R$ 400.
Assim, soma-se R$ 1.200 + R$ 400, chegando-se a um total de R$
1.600, valor este final das férias a serem recebidas.
João Felipe Barros de Albuquerque,
advogado
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Congresso
em Foco, 19 de julho de 2008
Não basta ser pai...
Dentre as obrigações do pai,
estão assistência médica e psicológica,
alimentação especial e todos os custos clínicos
Fábio Góis
Está nas mãos do presidente Lula um projeto de lei
que torna ainda mais abrangente o direito das mães à pensão
alimentícia. Trata-se do Projeto de Lei 7.376/06, de autoria
do ex-senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA), que estabelece obrigatoriedade
do pai em compartilhar com a mulher gestante, na proporção
dos recursos de ambos, todas as despesas decorrentes do período
da gravidez, desde a concepção até o momento
do parto.
Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado, em 15 de julho, a matéria seguiu para Câmara
e, sem alarde, foi aprovada por unanimidade e em caráter terminativo
(ou conclusivo, sem necessidade de ir plenário ou a alguma
outra comissão) na CCJ da Câmara, onde tramitou em regime
de prioridade. Agora, a proposição aguarda apenas a
sanção presidencial, o que deve acontecer nos próximos
dias.
Segundo o texto do relator, deputado Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ),
entre as obrigações do pai estão – além
da prioritária, que é o fornecimento de alimentos gravídicos – assistência
médica e psicológica, alimentação especial
e todos os custos clínicos (exames de praxe, medicamentos,
internações, parto).
Polêmica, a matéria altera artigos do Código
de Processo Civil. A única diferença entre o projeto
e a lei que determina o pagamento de pensão alimentícia,
além de esta ser executada depois do nascimento do filho, é que
a mãe também deve custear parte das despesas adicionais
do período da gestação. Para o relator, a proposição
assegura e amplia os preceitos constitucionais do direito à saúde
e à vida.
“Esse não é um projeto que quer apenas modificar
um texto na Constituição, mas destacar a mulher como
uma pessoa que precisa ter mais apoio e uma assistência melhor,
durante o período da gestação. No momento em
que ela manifestar a gravidez e que esta gravidez for atestada por
um médico ou órgão competente, o indivíduo
considerado o pai já estará obrigado a dar a assistência
alimentícia à grávida”, justificou o deputado,
por meio de sua assessoria de imprensa.
O deputado acredita que a matéria será especialmente
festejada pelas mulheres. "Acho que a expansão do prazo
de pagamento da pensão alimentícia vai ao encontro
dos direitos e interesses da mulher brasileira”, opinou, lembrando
que a proposição aumenta a responsabilidade do pai. “Certamente
irá tornar muitos homens mais responsáveis no trato
a suas companheiras, entendendo que também a gestação é de
responsabilidade dos dois."
Amparo ao feto
Em seu parecer, Pastor Manoel Ferreira alega que a matéria “traz
inovações benéficas, permitindo que a mulher
gestante seja assistida de forma adequada, já a partir da
concepção”. Segundo o deputado, a mãe
não é a única beneficiada, mas também
o feto.
“Os alimentos não podem ser fornecidos contemplando
apenas as necessidades básicas da gestante. Tratando-se de
uma situação em que a mulher precisa de outros cuidados,
(...) a prestação alimentar deve incluir esses itens,
sem os quais a mulher e o feto ficariam desamparados”, acrescenta
o petebista.
Aos homens que tenham dúvidas em relação à paternidade,
o projeto faz uma ressalva: garante indenização, ou
ressarcimento, pelos danos causados ao réu (no caso, o suposto
pai, questionado pela gestante junto à Justiça) “no
caso de demonstração negativa de paternidade”.
A possibilidade de indenização se refere à quantia
empregada, para o custeio dos benefícios à gestante,
pelo pai equivocadamente responsabilizado pela gestação.
Precisão
Na descrição dos procedimentos judiciais para o requerimento
da “pensão gestante”, o projeto reza que “a
parte autora indicará as circunstâncias em que a concepção
ocorreu e as provas que dispõe para provar o alegado, apontando,
ainda, o suposto pai, sua qualificação e quanto ganha
aproximadamente ou os recursos de que dispõe, e exporá suas
necessidades”. O réu acionado terá cinco dias
para apresentar sua resposta ao juiz competente, a partir do dia
do ajuizamento da petição solicitando o benefício.
No caso de a gestante descobrir posteriormente a gravidez, caberá ao
juiz estabelecer um critério de cálculo para a reposição
dos gastos adicionais efetuados pela mulher, de forma retroativa.
Assim, faz-se necessária a apresentação de certificado
médico que defina e comprove o início da concepção,
para efeito de cálculo.
Já diante de indícios ou da certeza acerca da paternidade,
o juiz fixará alimentos gravídicos que deverão
ser providenciados por pai e mãe até o nascimento da
criança, de acordo com as necessidades maternas e as condições
financeiras do pai. Depois do nascimento, o “parágrafo único” do
projeto define que a provisão de tais alimentos sejam automaticamente
convertidos em pensão alimentícia convencional, em
favor do menor, até que uma das partes requeira a revisão
da mesma.
Segundas intenções
Médico de formação, o senador Tião Viana
(PT-AC) falou ao Congresso em Foco sobre o projeto do ex-senador
Rodolpho Tourinho (DEM-BA). Para ele, é preciso cuidado com
temas relativos à questão social. “Eu sou muito
comedido quando o assunto em questão envolve uma rede de proteção
que extrapola o papel do Estado”, declarou o petista.
De acordo com o senador do Acre, o projeto pode ter alguma importância,
mas precisa eliminar alguns riscos – como a má fé eventual
de uma mãe que use a gravidez indevidamente, alegando falsamente
a paternidade em razão de interesses menores.
“Em um primeiro momento, eu respeito a proposição
do autor. Existe a polêmica de que, se uma mãe está subnutrida,
o seu filho terá problemas no futuro”, afirmou Tião. “Mas
todas essas medidas – que envolvem a questão previdenciária
e uma rede de proteção social – envolvem esse
risco.”
Procurado pela reportagem para comentar os pontos polêmicos
do projeto, o ex-senador Rodolpho Tourinho, que atualmente é servidor
da Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo, não foi localizado. De acordo com sua assessoria, ele
está “incomunicável” por estar em viagem
ao interior do estado.
Excesso de PAs
Depois do caso extraconjugal – entre outros “delitos” – do
senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que quase levou à sua cassação,
o tema das pensões alimentícias esteve à baila
no Senado em boa parte do ano passado. Renan foi acusado de receber
dinheiro de um lobista para pagar pensão alimentícia à jornalista
Mônica Veloso, com quem teve uma filha fora do casamento.
Caso a lei estivesse em vigor, o senador licenciado Gilvan Borges
(PMDB-AP) teria aumentado em muito o valor que teria de pagar às
respectivas mães, se a nova proposição estivesse
em vigor à época das concepções. Responsável
por 12 pensões alimentícias, não raro ele profere
declarações, digamos, desconcertantes – e não
importa o lugar em que esteja.
Em junho do ano passado, em pleno Conselho de Ética do Senado,
Borges justificou da seguinte maneira o fato de ter tido filho com
12 mulheres: devido ao fato de ser um homem do povo e transitar “livremente”,
tem muitas relações interpessoais. “Eu, por ser
um homem do povo e transitar livremente, não prestava atenção
no serviço”, disse o senador, levando seus pares às
gargalhadas. Detalhe: ele comparou as pensões a uma cooperativa
e disse ainda que assumia as de eleitores presos por não terem
dinheiro para pagá-las.
Outras declarações de Borges, membro do Conselho de Ética,
são igualmente polêmicas. Ao defender o nepotismo (empregar
parents em cargos públicos) e explicar o fato de ter mãe
e esposa trabalhando em seu gabinete, ele se saiu com esta: “Uma
me pariu e outra dorme comigo”. A propósito: dono de
um império do setor de comunicações no Amapá (duas
emissoras de TV na capital, Macapá, e várias emissoras
de rádio em quase todos os municípios do estado), Borges
defende a anexação da Guiana Francesa pelo governo
brasileiro e a eutanásia.
O Congresso em Foco tentou contatar o senador amapaense, mas sua
assessoria de imprensa informou que ele está, a exemplo de
Rodolpho Tourinho, “incomunicável” em viagem ao
interior do Amapá.
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Vermelho,
19 de julho de 2008
Congresso da Conlutas aprova unificação
com a Intersindical
Em seu 1º Congresso, realizado de 3 a 6 de julho, em
Betim, Minas Gerias, a Coordenação Nacional de Lutas
(Conlutas) - entidade que reúne, em sua maioria, dirigentes
e militantes do PSTU nos movimentos socais - foi aprovada a unificação
com a Intersindical. Segundo a organização do congresso,
cerca de 3 mil pessoas, entre delegados, convidados e observadores
participaram do evento.
Atnágoras Lopes, dirigente do Sindicato da Construção
Civil de Belém (PA), foi um dos que mais defenderam a unificação
com a Intersindical. Ele criticou os que, em nome da unidade, atuam pela divisão.
"Muito se falou em unidade. Estiveram aqui companheiros do
MTL, que pautaram a unidade em nome da humildade, mas o movimento
que fizeram, de ruptura com esse congresso a poucos dias de sua
realização, foi no sentido oposto ao fortalecimento
de uma alternativa de direção", afirmou.
"Construir a unidade para além desse ginásio é a
tarefas de nossas vidas", defendeu o dirigente operário. "Quando
a classe trabalhadora fala em unidade, não é retórica,
mas uma necessidade concreta na luta contra o capitalismo",
disse Cyro Garcia, do PSTU e da Oposição Bancária
no Rio de Janeiro.
Cyro chamou a formação de uma alternativa única
que una os setores combativos da classe trabalhadora. "Apesar
de todas as vitórias que a Conlutas conquistou, como na
construção civil de Fortaleza e na Revap de São
José dos Campos, assim como na GM, na luta contra o banco
de horas, ainda somos poucos. Para avançar na luta, fazemos
um claro chamado à Intersindical, apontando a realização
de um congresso de unificação", defendeu Cyro.
Os delegados aprovaram o chamado à unidade com a Intersindical
e medidas concretas para isso, como a retomada do Fórum
Nacional de Mobilizações e uma atividade no próximo
Fórum Social Mundial. Além disso, a unidade será buscada
nas lutas cotidianas, no trabalho com as oposições
sindicais e nas campanhas salariais.
Fonte: Colutas
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Vermelho,
19 de julho de 2008
Receita do FMI contra inflação
livra a cara dos países ricos
Em relatório divulgado nesta quinta-feira,
17-7, o Fundo Monetário Internacional (FMI) comunicou a revisão
de suas previsões para a inflação mundial em 2008.
A projeção para os países mais ricos subiu de
2,6% para 3,4%. Para os mais pobres e os chamados "emergentes",
a estimativa passou de 7,4% para 9,1%.
Por Umberto Martins*
A conjuntura econômica colocou os bancos centrais do mundo
entre a cruz e a espada, já que o combate à inflação
sugere a necessidade de aumentar as taxas de juros, mas uma política
nesta direção pode agravar a crise econômica,
irradiada a partir dos EUA, empurrando as economias para o precipício
da recessão.
Dois pesos e duas medidas
O FMI avalia que nos países desenvolvidos o aumento dos
juros ainda não se faz necessário, mas não tem
dúvidas em receitar o remédio amargo para os pobres.
Neste caso, o órgão afirma que será preciso "haver
um ajuste da política monetária e uma disciplina orçamentária
rigorosa", o que significa sacrificar o desenvolvimento no altar
da recessão.
É um despropósito, que evidencia o uso de dois pesos
e duas medidas pela instituição, que continua subserviente
ao Departamento de Estado dos EUA e às potências capitalistas. É sabido
que o desalinhamento dos preços tem a ver com a crise financeira
e os desequilíbrios da economia norte-americana, destacadamente
com a persistente queda do dólar.
Ajuste nos EUA
Por que o Fundo não recomenda um ajuste econômico
nos EUA, cuja sociedade consome bem mais do que produz, incorrendo
num endividamento assustador e corrompendo, com tal parasitismo,
os fundamentos do padrão dólar? Será que também
não é hora de debater a necessidade de um profundo
rearranjo da ordem monetária vigente, tendo em vista o esgotamento
do papel do dólar como moeda internacional? Os pobres devem
pagar sozinhos pela crise do capitalismo internacional?
Convém lembrar que, recentemente, o francês Dominique
Strauss-Kahn, diretor gerente do FMI, recomendou o arrocho generalizado
dos salários como forma de combater a inflação
na América Latina. Destacou que é preciso impedir reajustes
para recompor o poder de compra dos salários, corroído
pela alta de preços, principalmente do funcionalismo público.
Evidentemente, ele não teve coragem de propor o mesmo para
os EUA e os países ricos. Embora apresentados à opinião
pública como argumentos técnicos e científicos,
essas prelações pouco ou nada têm a ver com a
ciência econômica. No fundo, apenas servem aos interesses
das transnacionais, da banca internacional e das potências
capitalistas.
De todo modo, as opiniões transmitidas pelos economistas
do Fundo não devem ser consideradas como palavras ao vento.
Movidos por uma orientação econômica conservadora,
muitos governos de países economicamente mais débeis
e dependentes tendem a adotar as políticas ditadas pela instituição,
que como já vimos por aqui prenunciam (na teoria e na prática)
recessão, desemprego e arrocho salarial. A tentativa de impor à classe
trabalhadora a conta da inflação também tem
o apoio dos grandes capitalistas e banqueiros e vai demandar maior
mobilização e luta dos sindicatos e outras organizações
populares.
Crescimento maior
Para o crescimento mundial do PIB (Produto Interno Bruto), o FMI
revisou sua projeção para 4,1% em 2008, contra os 3,7%
estimados em abril. De acordo com a instituição, a
projeção mudou porque "a desaceleração
econômica no primeiro trimestre foi menos acentuada" do
que o previsto.
Para os Estados Unidos, o FMI estima que o PIB deva registrar um
crescimento de 1,3% em 2008, contra os 0,5% projetados anteriormente.
Para a zona do euro, a revisão foi modesta e passou de 1,4%
em abril para 1,7% na projeção atual. Ao longo dos
próximos meses será possível perceber se não
há uma dose excessiva de otimismo nessas projeções.
* Umberto Martins, jornalista, é assessor
da CTB
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Agência Diap, 18
de julho de 2008
CARTEIRA ASSINADA
Brasil tem maior geração
de empregos formais de sua história
O mês de junho apresentou
recorde no saldo de empregos com carteira assinada. De acordo com
os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
estatística do Ministério do Trabalho e Emprego, foram
309.442 trabalhadores que passaram a fazer parte do mercado formal.
Com sua carteira profissional assinada, o trabalhador passa a desfrutar não
só de salário — mas também de benefícios
e direitos básicos como férias, 13º, INSS e FGTS. O número
de contemplados é inédito: o resultado do sexto mês de
2008 foi o melhor da série histórica do Caged, em termos absolutos
e relativos, com crescimento de 1,03% em relação ao estoque de
maio.
Para termos de comparação, junho de 2007 gerou 181.667 postos
de trabalho. O resultado do mesmo mês de 2008 é 70% superior ao
registrado no ano passado, mostrando comportamento inédito do emprego
formal para o mês de junho, que tradicionalmente registra desaceleração
da geração de empregos em relação ao mês
de maio.
Assim, é a primeira vez que ocorre o recorde de formalização
de trabalhadores neste mês. O saldo de emprego no mês de junho
de 2008 foi 48,85% maior que o recorde anterior, em junho de 2004 (+207.895
postos), e 2,47% superior ao recorde da série histórica do Caged
observado em abril de 2007 (+301.991 postos). O Caged costuma apresentar picos
de criação de vagas nos meses de abril, maio e setembro.
" Esse resultado só reforça a minha expectativa de que 2008
vai terminar com mais de 1,8 milhão de novos postos de trabalho. O desempenho
de junho me faz acreditar além. Vamos gerar o recorde histórico
de 2 milhões de empregos formais", disse o ministro do Trabalho e
Emprego, Carlos Lupi, durante entrevista coletiva de anúncio dos números
do Caged, nesta tarde (17), em Brasília.
No primeiro semestre do ano, o estoque de empregos formais cresceu 4,7%, representando
o incremento de 1.361.388 postos de trabalho, o maior saldo registrado no período.
Nos últimos 12 meses, a variação acumulada atingiu 6,62%
ou 1.883.277 novos postos, resultado que se revelou mais favorável que
o ocorrido no mesmo período do ano anterior (+5,12%, ou +1.400.391 empregos
formais). Brasil tem hoje 30,37 milhões de pessoas com a carteira assinada.
As causas do crescimento
O excelente desempenho do emprego em junho de 2008 decorreu da elevação
quase generalizada de todos os subsetores de atividade econômica. Em
termos absolutos, os setores que mais contribuíram para o resultado
verificado foram: a Agropecuária (influenciada por fatores sazonais
relacionados ao cultivo do café e frutas cítricas), os Serviços,
a Indústria de Transformação, o Comércio e a Construção
Civil.
A exceção foi o segmento de Ensino, que por motivos sazonais,
relacionados ao ciclo escolar (período de férias), registrou
redução de 1.718 postos de trabalho (-0,15%), resultado, porém,
menor que a queda observada em junho de 2007 (-3.338 postos ou -0,31%).
" Não há bolha de crescimento em um ou outro setor. O crescimento
do emprego com carteira assinada no Brasil é forte, homogêneo e
em todas as áreas, demonstrando a força da economia do país",
destacou Carlos Lupi.
O setor agrícola respondeu pelo incremento de 92.580 postos de trabalho
ou crescimento de 5,67% no estoque de emprego, resultados recordes para o período.
Note-se que o saldo de empregos gerados em junho de 2008 situou-se em 40% superior
ao verificado em idêntico período do ano anterior (+66.312 postos
ou +4,02%).
Serviços, com a criação de 73.436 empregos, também
obteve um desempenho recorde (+0,62%), que pode ser creditado, primordialmente,
aos segmentos de Serviços de Comércio e Administração
de Imóveis (+28.999 postos ou +0,96%), Serviços de Alojamentos
e Alimentação (+19.801 postos ou +0,47%) e Serviços de
Transporte e Comunicação (+13.549 postos ou +0,85%), cujos saldos
foram os maiores já registrados no período.
" Em meio à crise mundial de alimentos, o Brasil é o ponto
forte internacional. Somos os maiores exportadores de alimentos, temos muita
terra para produzir e a característica continental favorece a isso. Quando
o Sul sai da safra, o Nordeste, por exemplo, entra; garantindo um crescimento
total do emprego. E o empregador só contrata com carteira assinada porque
sabe que vai ter lucro", afirmou o ministro.
Regiões
A geração de empregos também foi recorde em todas as Regiões
do país: Sudeste (+194.732 postos ou + 1,16%), Nordeste (+39.972 postos
ou +0,95%), Sul (+30.575 postos ou +0,55%), Centro-Oeste (+28.735 postos ou
+1,35%) e Norte (+15.428 postos ou +1,26%).
Quanto às unidades da federação, verifica-se elevação
quase generalizada, com 18 delas registrando o maior saldo do período,
merecendo destaque, em termos absolutos, São Paulo (+102.726 postos
ou +1,02%), Minas Gerais (+73.660 ou +2,26%) e Rio de Janeiro (+17.121 postos
ou +0,59%). A exceção ficou por conta de Roraima (-202 postos
ou -0,75%), em razão do desempenho desfavorável dos setores da
Construção Civil (-95 postos) e Serviços de Utilidade
Pública (-80 postos).
Em junho, o conjunto das nove áreas metropolitanas apresentou crescimento
de 0,67% em relação ao mês anterior, resultante da criação
de 83.635 postos de trabalho, saldo recorde para o período. Tal desempenho
decorreu da expansão generalizada do emprego nesses espaços geográficos.
Em razão da influência sazonal do ciclo agrícola, o interior
dos estados desses aglomerados urbanos registrou um comportamento mais favorável
em relação ao conjunto das áreas metropolitanas, ao responder
pela geração de 164.650 empregos ou aumento de 1,47%. Em termos
absolutos, no interior dos estados de Minas Gerais (+63.149 postos ou +3,10%)
e de São Paulo (+62.172 postos ou +1,29%) verificou-se o melhor desempenho.
No caso das áreas metropolitanas, as que mais se sobressaíram
foram as de São Paulo (+40.554 postos ou +0,77%) e de Belo Horizonte
(+10.511 postos ou +0,86%). (Fonte: Ministério
do Trabalho)
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Agência Diap, 18
de julho de 2008
A inflação preocupa,
mas não amedronta
Por: João Guilherme Vargas
Netto*
A inflação
preocupa porque tem sido insidiosa, tem poderosas causas mundiais
(consumo mundial, valorização de produtos como o petróleo
e desordem financeira norte-americana)...
Atinge os brasileiros mais pobres e as regiões mais pobres do Brasil
(podendo até mesmo prejudicar a distribuição de renda)
e suscita especulação e histerismo nos rentistas e seus comentaristas
de plantão.
A inflação não amedronta porque é baixa, localizada,
não se acelera e acontece em um ambiente menos favorável a sua
propagação.
Os trabalhadores odeiam a inflação porque perdem com ela e nem
querem ouvir falar em gatilho ou indexação.
Enfrentam o mal-estar inflacionário com duas orientações
estratégicas essenciais:
1) é preciso manter o ritmo do desenvolvimento e garantir a continuidade
de ganhos reais de salários;
2) pode-se enfrentar os focos inflacionários localizados (alimentos,
por exemplo) com o choque de oferta e não com restrição
ao consumo.
Nas campanhas salariais deve-se levar em conta muito mais que a inflação,
a produtividade do trabalho que se mantém alta (de três a quatro
vezes maior que a média de ganhos reais) e a capacidade produtiva instalada.
Na indústria, por exemplo, o aumento da produção (decorrente
do consumo) tem acontecido com o aumento da fabricação e compra
de máquinas, o que mantém estável em 85% essa capacidade.
(*) Membro do corpo técnico do Diap
e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São
Paulo
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FOLHA DE LONDRINA, 18
de julho de 2008 | Política
Número de candidatos a vereador
em Curitiba e Londrina é recorde
Na capital, o número de postulantes
a uma vaga na Câmara Municipal aumentou mais de 50% em relação
a 2004; em Londrina, acréscimo foi de 13,6%
Curitiba - O número de candidatos a vereador em Curitiba e em Londrina
neste ano é recorde em relação aos três últimos
pleitos. Na capital, o crescimento de candidaturas foi de mais de 50% em relação
aos números das eleições proporcionais de 2004. Em Londrina,
409 registraram candidatura este ano, contra 360 nas últimas eleições
municipais, diferença de 13,6%. O crescimento do número de postulantes
a uma vaga de vereador nas duas cidades vai na contra-mão do total de
candidatos registrado no Estado para este pleito. Em 2004, concorreram ao cargo
de vereador 24.230 pessoas em todo o Paraná contra 23.267 candidatos
neste ano.
Em Curitiba, o aumento no
número de candidatos também é bem maior proporcionalmente
ao crescimento do eleitorado. Em 2004 havia um candidato para cada
2.083 eleitores. Neste ano, esta relação é de
1.472 eleitores para cada candidato. Em Londrina, o número
de eleitores passou de 328.693 para 341.908, entre 2004 e 2008. Percentualmente,
isso significa que a procura por vagas na Câmara subiu 13,61%
contra 4% do eleitorado.
Para o cientista social e
professor da Universidade Federal do Paraná, Fabrício
Tomio, o grande número de candidatos se deve a uma estratégia
dos partidos para eleger a maior quantidade possível de vereadores.
Ele considera que o número de candidatos seria ainda maior
se não fosse limitado pela legislação. ''Hoje
o número de candidatos para partidos sem coligação é no
máximo igual ao número de vagas existentes na Câmara
do município, mais 50% '', diz.
O professor explica que a
própria legislação estimula esse grande número
de candidatos. ''Como os vereadores são eleitos pelo sistema
proporcional, quanto mais candidatos o partido tiver, mais votos
ele poderá conseguir e maior será o número de
cadeiras.''
Nesse sistema, o número
total de votos válidos é dividido pelo número
de cadeiras existentes. Por este cálculo fica-se sabendo quantos
votos ''vale'' cada cadeira. A partir daí, calcula-se o total
de votos que cada partido ou coligação obteve e quantas
cadeiras ele terá direito. Finalmente, essas cadeiras são
preenchidas pelos candidatos mais votados de cada partido. Assim,
por exemplo, se o número de votos por cadeira for 10 mil,
um partido que obteve 100 mil votos terá direito a 10 vereadores.
Estão eleitos então, os dez vereadores mais votados
deste partido ou coligação.
Um outro motivo para que
os partidos lancem um grande número de candidatos, segundo
Tomio, é uma questão cultural. ''Como o eleitor prefere
a proximidade com o candidato, seja por bairro ou por representar
um setor específico como as categorias profissionais, por
exemplo, ao lançar um grande número de candidatos o
partido pretende abranger o máximo de setores da sociedade.''
Para o professor esse sistema
eleitoral, com votação nominal, é positivo para
os eleitores. Embora ele discorde das coligações para
as eleições proporcionais por acreditar que possam
confundir o eleitorado no momento de votar. ''O eleitor tem direito
a essa personalização do voto, mas a maior parte das
pessoas votou em alguém que não foi eleito e isso cria
uma desvinculação muito grande entre o eleitor e seu
representante''. Tomio alega que nos casos da coligação
esse fator se estende ao partido, uma vez que o voto do eleitor pode
ajudar a eleger um candidato de um partido com o qual ele não
tem afinidade.
Os dados justificam a posição
do professor. Em 1996, os curtitibanos eleitos receberam pouco mais
de 263 mil votos de cerca de 622 mil votos nominais. Em 2000, os
votos nominais para os candidatos eleitos foram 322.740 de um total
de 709.739. Em 2004 essa relação se manteve estável.
Pouco mais de 353 mil eleitores escolheram nas urnas um candidato
que foi eleito. Mais de 467 mil eleitores votaram em candidatos que
não tiveram sucesso.
Karla Losse Mendes
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 18
de julho de 2008 | Cidades
Ações trabalhistas beneficiam
entidades
Fábio Ciquini
O resultado de uma ação trabalhista de Londrina, tornada pública
nesta semana, chama a atenção pela condenação aplicada
pelo juiz. Ao invés de beneficar a parte contrária do processo,
no caso a empresa, o juiz Júlio Ricardo de Paula Amaral, da 3 Vara do
Trabalho de Londrina, optou por condenar o trabalhador a pagar uma multa ao
Hospital do Câncer por considerar que ele agiu de má-fé.
''Quando atuava junto à Vara
do Trabalho de Paranavaí (entre início de 2003 e final
de 2005), já determinava a reversão da multa em benefício
de instituições daquela localidade. As entidades beneficiadas
sequer sabem a razão que as levou a receber quantias em dinheiro
provenientes do Poder Judiciário ou em decorrência de
processos'', afirma o juiz.
Em 2007, em Londrina, um
trabalhador entrou com uma ação reinvindicando direitos
trabalhistas contra a empresa onde atuava. Ele alegou ter sido alvo
de um tiro durante o trabalho. Segundo a justiça, descobriu-se
que o autor da ação não estava trabalhando e
que o tiro foi em consequência de uma briga em bar. Por causa
disso, o juiz de primeiro grau aplicou multa por litigância
de má-fé ao empregado e a decisão foi confirmada
nesta semana pela 4 Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
''Quando se fala em litigância
de má-fé de uma das partes, sempre estará relacionado
ao fato de a parte tratar de questões que eventualmente possam
lhe trazer benefício, e, nesse caso, seria um benefício
injusto ou indevido'', declara.
No caso do trabalhor, o juiz
entendeu que o mesmo alterou a verdade dos fatos e, por isso, a grande
parte lesionada pelo ato praticado pelo empregado foi a sociedade
em geral. ''A parte que litiga de má-fé não
causa prejuízos apenas à parte contrária, mas
a toda a coletividade, já que essas causas poderiam ser resolvidas
de forma mais simples e sem exigir um investimento maior da União
Federal. Essa verba poderia ser aplicada em programas sociais, especialmente
em benefício dos mais carentes'', explica.
A gestora administrativa
do Hospital do Câncer, Kelly Soloviov Sordi, afirma que essa
será a primeira vez que a entidade será beneficiada
por uma ação trabalhista e defende este tipo de penalidade.
''Qualquer doação é bem-vinda, principalmente
quando se sobrevive quase que da ajuda da comunidade'', afirma.
Outra entidade que também
foi beneficiada porque o juiz Amaral entendeu que houve um litigância
de má-fé à coletividade por parte de um sindicato
foi a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais
de Londrina (Apae). O valor da multa foi de R$ 1 mil.
Atendendo cerca de 330 alunos,
a Apae de Londrina conta com o dinheiro das multas para investir
em materiais escolares e de atendimento clínico. Segundo Ângela
Mendes, do Departamento Financeiro, essa não é a primeira
vez que a instituição é beneficiada pela Justiça.
''Não é algo habitual, mas posso dizer que pelo menos
uma vez por mês estamos recebendo este tipo de ajuda'', afirma.
Micaela Orikasa
Reportagem Local
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STF, 18 de julho de 2008
Liminar suspende Súmula do TST
sobre pagamento de insalubridade
Na última terça-feira (15),
o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes,
concedeu liminar pedida pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI) e suspendeu a aplicação de
parte da Súmula 228, do Tribunal Superior do Trabalho (TST),
sobre pagamento de adicional de insalubridade.
A Súmula do TST permite a substituição
do salário mínimo pelo salário básico
no cálculo do adicional de insalubridade, salvo se houver
critério mais vantajoso fixado por meio de convenção
coletiva. Mendes suspendeu a parte do dispositivo que permite a utilização
do salário básico no cálculo do adicional.
A CNI alegou que a súmula do TST afronta
a Súmula nº 4, editada pelo STF no início do ano.
Para Mendes, a argumentação “afigura-se plausível”.
A confederação contesta o dispositivo em uma Reclamação
(RCL 6266), instrumento jurídico próprio para preservar
decisões da Suprema Corte e impedir desrespeito às
súmulas vinculantes.
Em abril, o STF editou a Súmula Vinculante
nº 4 para impedir a utilização do salário
mínimo como base de cálculo de vantagem devida a servidor
público ou a empregado, salvo nos casos previstos na Constituição.
A decisão foi tomada no julgamento de processo que tratava
sobre o pagamento de adicional de insalubridade para policiais militares
paulistas.
Em seguida, o TST modificou a Súmula
228, determinando que, a partir da vigência da Súmula
Vinculante nº 4, em maio deste ano, o adicional de insalubridade
poderia de ser calculado sobre o salário básico, salvo
se houvesse critério mais vantajoso fixado por meio de convenção
coletiva.
Para Gilmar Mendes, “a nova redação
estabelecida para a Súmula 228/TST revela aplicação
indevida da Súmula Vinculante nº 4, porquanto permite
a substituição do salário mínimo pelo
salário básico no cálculo do adicional de insalubridade
sem base normativa”.
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FOLHA DE LONDRINA, 17
de julho de 2008 | Economia
O lado legal da economia informal
Dificuldade de conseguir emprego em um mercado
saturado leva muitos brasileiros à informalidade; revendedoras
de cosméticos e roupas despontam como opções
''Eu comprava das revendedoras junto com a minha tia. No terceiro colegial,
vi uma menina vendendo para as amigas da sala. Foi aí que eu liguei
para uma empresa, consegui um catálogo e comecei oferecendo para os
meus parentes''. Lessandra Maikuma, estudante de Medicina Veterinária
da Uel, ingressou assim como revendedora há seis anos. Vender cosméticos
foi uma maneira de conciliar uma fonte de renda com a carga horária
do seu curso integral.
O papel das revendedoras
de cosméticos é um aliado forte da autonomia feminina
no mercado de trabalho na última década. Muitas deixam
pendurados na parede o diploma universitário e embarcam nesta
atividade, considerada informal por conta da ausência de vínculo
empregatício, e que movimentou R$ 16 bilhões em 2007,
segundo a Associação Brasileira de Venda Direta (Abevd).
''Minha primeira relação com os cosméticos foi
como consumidora. Eu comprava da minha professora de ginástica.
Daí comecei a mostrar o catálogo para as minhas amigas.
Tudo que ganhava, revertia em produtos para mim'', relembra Lucinéia
Costa, promotora de vendas da multinacional brasileira Natura.
''Concluí a faculdade
e logo em seguida fui trabalhar na minha loja de roupas no shopping.
Na época, eu também era consultora até que a
Natura abriu um concurso na região para contratar uma promotora.
Para exercer essa atividade a pessoa precisa ter curso superior.
Depois que eu passei na seleção eu só me dedico
a isso. Gostava da loja, mas hoje eu gosto muito mais do que faço.'',
revela a responsável por treinar as consultoras de Londrina
e Cambé, função que exerce registrada pela multinacional
há 5 anos.
O trabalho informal é uma
saída para quem não consegue arrumar emprego no concorrido
mercado formal. A flexibilidade de horários e as atrativas
margens de ganho são os principais estímulos. ''O salário
das consultoras variam de R$ 200 até R$ 10 mil. Depende da
estratégia de cada uma. Mas na média, a maioria fatura
entre R$ 600 e R$ 1mil'', revela Lucinéia. Segundo a Associação
Brasileira da Empresas de Venda Direta (Abved), hoje, há cerca
de 1,87 milhão de revendedoras ativas no país. Houve
um aumento de 18% com relação ao ano anterior e, na
região metropolitana de Londrina, são 2.200 da Natura.
Do montante total faturado,
88% das vendas são atribuídas aos produtos de cuidados
pessoais, categoria que engloba os cosméticos e a perfumaria,
de acordo com a Abevd. ''Eu também trabalho com Herbalife
e Vituria, além dos cosméticos. Na verdade sou uma
revendedora de produtos da venda direta. Isso também dá para
conciliar com o escritório onde trabalho e exponho os produtos'',
revela uma vendedora que prefere não ter o nome revelado.
Ela possui um cadastro de 390 clientes com 150 ativos. Formada em
publicidade, não exerce sua profissão, e revelou que
no mês de maio vendeu mais de 300 unidades e ganhou 'perto
de R$ 1 mil'.
A legalidade na qual ocorre
o trabalho das revendedoras é o ponto forte da informalidade
da venda direta. Segundo o contabilista José Joaquim Ribeiro,
essa é uma área saudável da informalidade. ''Normalmente
essas empresas são organizadas porque fazem triagens e oferecem
treinamentos na área de vendas. É uma atividade destinada às
horas vagas e é feito geralmente por quem tem outro emprego
fixo. Apesar de eu conhecer muitas que, em função da
formação de uma clientela boa, deixou o emprego formal
para vender cosméticos'', argumenta.
Renato Oliveira
Especial para a FOLHA
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NCST, 17 de julho de
2007
Inflação já provoca
reduções na lista de compras das famílias
mais pobres
A lista de compras ficou menor para 880 mil famílias brasileiras este
ano. Pressionados pela alta dos preços nas prateleiras, cerca de 2%
dos 44 milhões de domicílios foram obrigados a cortar um ou mais
itens da cesta nesse primeiro quadrimestre de 2008, consumindo menos em relação
ao mesmo período do ano passado. Os primeiros da lista foram os produtos
básicos, os mais afetados pela inflação mundial de alimentos,
como o arroz, leite, óleo, açúcar, pães e extrato
de tomate, segundo estudo divulgado terça-feira pela LatinPanel, maior
empresa de pesquisa de consumo domiciliar da América Latina.
Segundo Patrícia Berti
Menezes, gerente da Latin Panel, o consumidor passou a fazer suas
compras mais conscientemente com o objetivo de enfrentar a alta nos
preços, que chegou a 9% nos produtos básicos da cesta
de alimentos, bebidas, higiene pessoal e limpeza. Os básicos
subiram quatro pontos percentuais a mais que os não básicos
(creme de leite, adoçante, maionese, requeijão, sopas,
sucos prontos, condicionadores pós-banho e limpadores multiuso),
que registraram elevação de 5% de janeiro a abril,
frente a igual período do ano anterior. “Existe uma
grande preocupação do consumidor em racionalizar o
bolso e fazer com que tudo o que cabia no seu bolso no ano passado
continue cabendo, mas ele se recusa a pagar o dobro do preço
por alguns produtos”, afirma.
A pesquisadora alerta que
não se pode dizer que o consumo tenha recuado a patamares
anteriores a 2007, já que o país não registrou
um grande movimento de queda em volume de compras este ano. “O
que está havendo é uma racionalização
no consumo em relação ao período anterior, em
que a economia ia muito bem e o brasileiro atingiu uma condição
de vida melhor”, compara. A alta dos preços puxou o
gasto médio das famílias, que passaram a desembolsar
em média 5% a mais com as compras de alimentos e bebidas,
4% a mais com produtos de limpeza e 3% com itens de higiene pessoal.
Do total das 65 categorias
avaliadas pela LatinPanel, 30 (46,2%) tiveram reajustes acima da
média da inflação. A pesquisa comprovou que
o impacto da inflação vai ficando maior na medida em
que o orçamento das famílias vai apertando. Nas classes
A e B, 44,6% dos 65 itens mais consumidos tiveram seus preços
reajustados acima da média da inflação, o que
representa 29 categorias. No nível intermediário da
classe C, 47,7% dos produtos (31 categorias) sofreram aumentos acima
da média. Nas classes D e E, o sufoco é maior. Mais
da metade das categorias consumidas (52,3% ou 34 itens) subiu acima
da média da inflação, caso da lata de óleo
(35%), leite em pó (37%) e leite pasteurizado (17%). “A
inflação dos grãos pesa mais na baixa renda,
que consome mais produtos básicos e já faz milagre
com o seu orçamento”, lembra.
No Supermercado Sempre
Bom, que atende as comunidades do Morro das Pedras e Santa Maria,
o movimento caiu de 5% a 8% até junho, segundo o proprietário
Wálter Otoni Gomes, de 29 anos. “Os clientes já vão
direto ao fundo da loja pegar o arroz, o feijão e o óleo
para garantir o almoço e o jantar. Só depois eles
circulam na loja para buscar os supérfluos”, conta
ele, acrescentando que a queda no consumo foi generalizada, do
básico aos supérfluos. Segundo Gomes, o cliente hoje
compra um arroz de marca inferior, que passou de R$ 5,99 a R$ 9,99,
valor que era cobrado pelo produto de primeira linha em janeiro. “Tudo
subiu de preço, o óleo subiu muito e a carne nem
se fala. Fui obrigada a trocar a marca do xampu e a reduzir as
verduras, mas não passo sem batata”, diz a cliente
Maria Pinheiro de Oliveira, de 38 anos, doméstica, com sete
filhos. Ela ainda faz pesquisa em quatro supermercados antes de
fazer a lista do mês.
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FOLHA DE LONDRINA, 17
de julho de 2008 | Geral
Congresso cria pensão alimentícia
para gestante
Brasília- O Congresso criou uma espécie de pensão alimentícia
para a gestante. Pela proposta, aprovada na noite de ontem, a mulher pode pedir
na Justiça que o suposto pai de seu filho contribua em despesas de alimentação,
exames médicos, remédios e parto.
É preciso, porém,
que a mãe reúna provas de que o indicado é pai
da criança. Caso ele negue a paternidade, seria preciso fazer
''exame pericial pertinente'', o que pode ser lido como teste de
DNA. O procedimento é desaconselhado por médicos.
Antes de virar lei, o texto
precisa esperar um prazo de recurso na Câmara, onde foi avaliado
por último, e ser sancionado pelo presidente Lula.
Se de fato regulamentado,
pai e mãe teriam de compartilhar os custos decorrentes da
gravidez. A contribuição de cada um seria proporcional às
rendas.
Segundo o autor do projeto,
o ex-senador Rodolpho Tourinho (DEM-BA), os objetivos maiores são
''assegurar à mulher grávida direitos, uma gravidez
saudável, e que a criança nasça também
saudável''.
O relator da matéria
na última comissão -a CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) da Câmara -, deputado Manoel Ferreira (PTB-RJ),
afirma que o projeto atinge mães, geralmente jovens, que ficam
muitas vezes abandonadas. ''Fica aquela lenga-lenga, e a mãe
fica sofrendo.''
Folhapress
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O ESTADO DO PARANÁ,
17 de julho de 2008 | Nacional
Aposentados receberão 50% do
13º salário em setembro
Agência Estado
O ministro da Previdência Social, José Pimentel, acertou nesta
quarta-feira (16) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o pagamento
antecipado de metade do 13º salário para os segurados do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). Um decreto presidencial deverá ser
publicado no Diário Oficial da União (D.O.U) nos próximos
dias oficializando a antecipação, informou a assessoria do Ministério
da Previdência.
É a terceira vez que
os beneficiários da previdência social recebem antecipadamente
parte do décimo terceiro. A outra metade será paga
em dezembro, juntamente com o valor do benefício daquele mês.
O pagamento da primeira parcela do 13º salário será feito
na folha de agosto, depositada entre os cinco últimos dias úteis
do mês que vem e os cinco primeiros dias úteis de setembro.
Com a antecipação, o ministério calcula que
serão injetados na economia cerca de R$ 7 bilhões.
A maioria dos 22 milhões
de aposentados e pensionistas receberá 50% do valor do benefício,
com exceção dos segurados que passaram a receber aposentadorias
ou pensões depois de janeiro deste ano. Neste caso, o valor
será calculado proporcionalmente.
A primeira vez que
o governo antecipou parte do décimo terceiro foi em 2006.
A medida faz parte do acordo firmado com as entidades representativas
dos aposentados. Pelo acordo, a antecipação do 13º será mantida
até 2010, último ano do governo do presidente Lula.
A cada ano será editado novo decreto estabelecendo a antecipação.
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CONSULTOR JURÍDICO,
17 de julho de 2008
Questão de competência
Justiça trabalhista não
julga causa jurídico-estatutária
Estão suspensas ações trabalhistas apresentadas por servidores
temporários contra município de Luiziânia, em Goiás.
A determinação é do presidente do Supremo Tribunal Federal,
ministro Gilmar Mendes. Ele acolheu pedido de liminar do município por
entender que não cabe à Justiça do Trabalho julgar causas
de vínculo jurídico-estatutário.
O município recorreu
ao Supremo para contestar decisão do juiz da Vara do Trabalho
de Luiziânia que beneficiou 19 servidores temporários
que foram credenciados nos programas nacionais de agentes comunitários
de saúde e de saúde da família para trabalhar
no combate a dengue. Esses servidores buscavam na Justiça
receber verbas trabalhistas e o juiz determinou a citação
do município e convocou uma audiência no próximo
dia 23 de julho.
Na reclamação,
o município sustentou que a decisão da Justiça
trabalhista contrariou entendimento do STF na Ação
Direta de Inconstitucionalidade 3.395. Ao julgar esta ADI, o STF
decidiu que não cabe à Justiça do Trabalho julgar
causas entre o poder público e seus servidores estatutários.
O município lembrou,
ainda, que o Ministério Público do Trabalho entrou
com Ação Civil Pública na qual contesta a contratação
dos servidores por tais programas. Essa ação foi suspensa
liminarmente por decisão do ministro Eros Grau, do STF, na
Reclamação 4.940.
Acrescenta que tanto a Ação
Civil Pública quanto as reclamações trabalhistas
têm o mesmo objetivo, que é contestar os contratos administrativos
e transformá-los em contrato de trabalho. Como conseqüência,
o município seria condenado a pagar as verbas trabalhistas
correspondentes, nos termos da CLT (Consolidação das
Leis do Trabalho).
O ministro Gilmar Mendes
ressaltou que a decisão dada pelo juízo trabalhista,
em liminar, parece afrontar o entendimento do STF de que não
cabe à Justiça do Trabalho julgar causas de vínculo
jurídico-estatutário e concedeu a liminar para suspender
as reclamações trabalhistas até decisão
definitiva do Supremo sobre o caso.
Rcl 6.271
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FOLHA DE LONDRINA, 16 de julho de 2008 | Política
MPE pede impugnação
de 16 candidatos
Promotores eleitorais seguiram recomendação de barrar
os postulantes à Câmara e à Prefeitura com pendências
na Justiça
Sob o argumento da análise da vida judicial pregressa dos
analisados, o Ministério Público Eleitoral (MPE)
pediu ontem a impugnação dos registros de quatro
candidaturas à Prefeitura de Londrina e de 12 à Câmara
de Vereadores. A iniciativa foi protocolada pelos promotores Miguel
Sogaiar, Leila Voltarelli, Solange Vicentin, Sônia de Melo
Rosa e Cláudia Pionezan à juíza da 41 Zona
Eleitoral, Denise Hammerschmidt.
Entre os concorrentes ao Executivo
municipal, os pedidos atingem o deputado federal André Vargas (PT), o deputado estadual
Antônio Belinati (PP), o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida
(PMDB), e o advogado Marcos Colli (PV). Já entre os candidatos
ao Legislativo, a maior parte dos que tiveram o registro contestado
pela Promotoria eleitoral é composta por personagens do atual
escândalo na Casa, iniciado em janeiro com a prisão
do então vereador Henrique Barros (sem partido). Figuram,
por exemplo, os nomes dos vereadores afastados Luiz Carlos Tamarozzi
e Sidney de Souza (ambos do PTB), Pastor Renato Lemes (PRB), Gláudio
Renato de Lima (PT) e Renato Araújo (PP), além de Jamil
Janene (PMDB), no posto, todos denunciados em supostos esquemas de
corrupção na Câmara em ações penais
e ações civis públicas do Grupo de Atuação
Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Além dos vereadores investigados e dos afastados que tentam
a reeleição, o MPE ainda pediu a impugnação
das candidaturas (a maioria, ainda sem sentença condenatória)
de mais três concorrentes às 19 vagas do Legislativo:
dos ex-vereadores Jacy Aguiar (PSC) e Carlos Kita (PDT), do vereador
Antenor Ribeiro (PP) - que assumiu a vaga de Barros - e as de Alfonso
Alves dos Santos (PSL), Josias de Albuquerque (PP) e Waldir Azolini
(PV).
Em conversa com a imprensa, os promotores,
que preferiram não
conceder entrevista, explicaram que desde a última quinta-feira
as mais de 400 candidaturas à Câmara e ao Executivo
têm sido analisadas. O critério para os pedidos de impugnação,
de acordo com eles, foi a existência de ações
civis públicas por ato de improbidade ou ações
penais que, de alguma forma, tenham relação com condutas
que afrontem a administração ou a fé públicas
- de um modo geral, atitudes administrativas ou não que impliquem
em atos de inelegibilidade conforme a lei 64/90. Recomendação
expedida pelo MP do Paraná, semana passada, solicitava aos
promotores que barrassem os chamados candidatos ''ficha suja'' nas
eleições de outubro.
Conforme o calendário estabelecido para o pleito de 2008
pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a juíza tem até o
dia 16 de agosto para fazer os julgamentos. Segundo Denise, os julgamentos
devem ocorrer até, no máximo, o final deste mês.
A partir de hoje, ela deve notificar os citados nos pedidos para
que, em sete dias, apresentem a contestação. ''A grande
maioria dos pedidos tem a ver com essa questão da vida pregressa,
que é um conceito aberto'', afirmou. O fato de nem todos os
candidatos terem julgamento de mérito nos processos será objeto
de análise? ''Isso será ponderado também'',
resumiu.
Janaina Garcia
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Folha de S.Paulo, 16 de julho de 2008
Orçamento
Congresso aprova LDO que
prevê mínimo de R$ 453,97
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Congresso Nacional aprovou, ontem, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias)
com o valor que deve ser tornar o piso para as negociações de
reajuste do salário mínimo no ano que vem. Pelo projeto, o mínimo
de 2009 será de R$ 453,97, um reajuste de 9,4% a partir de fevereiro
em relação ao atualmente em vigor.
O vice-líder do governo no Congresso, deputado Gilmar Machado (PT-MG),
no entanto, já fala num mínimo de R$ 460,00. Segundo ele, esse
valor poderia ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para cada R$1,00 de aumento que o governo concede ao salário mínimo
custa cerca de R$ 600 milhões.
A relatora da LDO, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), utilizou a fórmula
proposta pelo Executivo, que prevê correção com base na
inflação do ano anterior e a variação do PIB (Produto
Interno Bruto) de dois anos anteriores, para recalcular o valor do salário
mínimo. No projeto original do governo, o mínimo era de R$ 449,67.
O valor incluído na LDO não é mandatório. Para
definir o salário mínimo que vigorará no ano que vem, é preciso
um projeto de lei ou MP (medida provisória) tratando do assunto. Mas
tradicionalmente, o mínimo estabelecido na LDO torna-se um piso para
as negociações.
Isso porque esse valor é usado para projetar as despesas do governo
que são vinculadas ao mínimo, como Previdência Social e
benefícios assistenciais. Com a despesa já programada, é difícil
para o Executivo argumentar falta de recursos.
A pressão por reajustes mais elevados do salário mínimo
no ano que vem já faz parte do cenário traçado pelo mercado
financeiro. O economista Sérgio Vale, da MB Associados, diz que com
a inflação em alta, o governo terá argumentos para corrigir
o mínimo além da fórmula proposta originalmente, uma tentação
em ano eleitoral.
" Acredito que o salário mínimo será uma das fontes
importantes de aumentos de gastos no ano que vem", afirma Vale.
A LDO foi aprovada em votação simbólica depois de um acordo
da liderança do governo com a oposição. A senadora Roseana
Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Congresso, concordou em retirar
do projeto de lei o artigo que permitia às estatais realizar investimentos
antes da aprovação do Orçamento.
Pela regra atual, as empresas do governo só podem gastar depois de aprovada
a lei orçamentária anual. Se há atrasos na votação,
como houve em 2008, os investimentos podem atrasar. A LDO permitia que as estatais
gastassem o equivalente a um-dozeavo de sua dotação por mês
até que a conclusão da votação.
A oposição não concordou com essa flexibilização
e ameaçava obstruir a votação. Com a retirada do artigo,
as estatais, assim como o resto do governo, continuará tendo que esperar
o Orçamento anual para realizar seus investimentos.
O plenário do Congresso também aprovou crédito extraordinário
de R$ 85 milhões para o Rio de Janeiro financiar o projeto para candidatura
da cidade à Olimpíada de 2016, condição imposta
pela bancada do Estado para votar a LDO.
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FOLHA DE SÃO PAULO
(ON LINE), 16 de julho de 2008 | Dinheiro
Crescimento do emprego na indústria
não tem mesmo vigor de 2007, diz Fiesp
FERNANDO ANTUNES
Colaboração para a Folha Online
A alta dos índices
de inflação, causada principalmente pela elevação
dos preços internacionais dos alimentos e petróleo,
reduz o ritmo de crescimento da indústria em 2008. Apesar
disso, segundo Paulo Francini, diretor do departamento de economia
da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo), a atividade industrial ainda não está ruim.
"Mas aquele vigor que
observamos no ano passado já não existe mais. A demanda
em alguns setores mostra um sinal de cansaço", explicou
Francini.
Segundo a Fiesp, a taxa de
crescimento do emprego industrial deve ficar entre 3,5% e 4% este
ano. Em 2007, a entidade registrou expansão 5,01%, com a geração
de 104 mil vagas.
Nesta terça-feira,
a Fiesp divulgou que o nível de emprego da indústria
de transformação do Estado de São Paulo subiu
0,21% (5.000 vagas criadas) em junho na comparação
com o mês anterior, segundo dados sem ajuste sazonal. Em maio,
a alta sobre abril tinha sido de 0,35%, com abertura de 8 mil vagas.
Considerando os dados com
ajuste sazonal, que elimina características específicas
de cada período, a alta no emprego no mês passado foi
de 0,19%. No acumulado do primeiro semestre, o nível de emprego
está 6,48% maior que no mesmo período do ano passado,
com 141 mil novas vagas abertas. O setor que mais contratou foi o
sucroalcooleiro, com 34.002 vagas.
Juros
Para Francini, a inflação
e as elevações dos juros básicos no país
geram expectativas dos industriais quanto ao emprego no ano que vem.
"O empresário
não toma decisões lendo jornal mas conforme a demanda
da sua empresa. "[A preocupação] sobre a taxa
de crescimento se volta mais para 2009 que este ano", disse.
Porém, ao contrário
do que ocorre normalmente, a Fiesp não critica a atual política
de elevação da taxa Selic do Banco Central para combater
a inflação. "Nós achamos que a luta contra
o crescimento da inflação tem de ser tomada. Acreditamos
que vai crescer ainda mais a taxa de juros", argumentou Francini.
Para a Fiesp, a alta da inflação é maior
para a população de menor renda, pois essa faixa gasta
a maior parte do salário com o consumo de alimentos, retraindo
a demanda para outras coisas.
Setores
No levantamento de junho,
o setor de máquinas para escritórios e equipamentos
de informática, principalmente, teve crescimento de 10,75%
no emprego. Francini afirmou que a redução de tributos
para a área de informática, com a redução
da informalidade, reflete positivamente em todas as empresas do setor.
"A demanda por produtos
de informáticas cresce na proporção de dois
dígitos", informou.
Apesar de apresentar redução
no emprego em junho, com variação negativa de 2,84%
em relação a maio, o setor de Coque, Petróleo,
Combustíveis nucleares e Álcool ainda lidera a geração
de vagas no acumulado do ano, com 34,99%, seguido por alimentos e
bebidas, com 28,50%.
Nos dois setores, segundo
a Fiesp, a plantação e colheita da cana-de-açúcar
têm grande influência e é normal que a contratação
de novos empregados fique estabilizada até o fim do ano.
"O campo já está com
os empregos que iria gerar [neste ano] e até o fim de 2008
o emprego na indústria deve estabilizar", informou
Francini. Segundo o diretor da Fiesp, os meses de fevereiro, março,
abril e maio serão utilizados para a contratação
de mão-de-obra, e em novembro, dezembro e janeiro esses
empregos temporários desaparecem.
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Agência Diap, 16
de julho de 2008
Luta reduz diferença salarial
Por: Paulo Pereira da Silva*
Os salários dos trabalhadores
mais pobres subiram quatro vezes mais do que os rendimentos mais
altos. A constatação é do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), que estudou os salários recebidos
de 2002 a 2007.
Com isso, houve uma diminuição considerável da desigualdade
de renda entre os ocupados. A mudança do cenário entre maiores
e menores salários deve-se, é lógico, ao crescimento econômico, à estabilidade
do País, ao crescimento da massa salarial e à elevação
da oferta de emprego.
Mas também está intimamente relacionada com as políticas
sociais do governo federal, como o Bolsa Família, e principalmente com
a luta dos trabalhadores liderada pelos Sindicatos e pelas Centrais Sindicais.
A unidade destas entidades produziu excelentes acordos com os patrões.
No ano passado, por exemplo, mais de 90% dos acordos coletivos garantiram no
mínimo a reposição integral da inflação.
O acordo do salário mínimo, assinado pelo governo federal e Centrais
Sindicais com validade até 2023, vai recuperar o poder de compra de
quem recebe o Piso, como pensionistas, aposentados, trabalhadores domésticos
e funcionários de prefeituras, entre outros.
Ainda por causa da ação das Centrais a tabela do Imposto de Renda
tem sido corrigida todo o ano.
Não é à toa que os Sindicatos têm sido bem vistos
pelos trabalhadores brasileiros. Apesar da propaganda contrária, capitaneada
pela mídia nacional, os Sindicatos de trabalhadores gozam da confiança
de 55% da sociedade, conforme pesquisa encomendada pela Associação
dos Magistrados Brasileiros (AMB), que entrevistou 1.500 pessoas no País.
Nossa tarefa agora é acelerar a mobilização dos trabalhadores
que têm data-base neste segundo semestre porque a inflação
está aumentando e os preços dos alimentos já subiram muito.
Já sabemos que os patrões vão chorar bastante e endurecer
as negociações. Por isso, precisamos estar unidos, mobilizados
e provavelmente teremos de fazer greves para conseguirmos bons acordos coletivos.
(*) Deputado federal (PDT/SP) e presidente
da Força Sindical
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FOLHA DE LONDRINA, 16
de julho de 2008 | Política
Mulheres mantêm a maioria no
eleitorado
Dos mais de 130 milhões de eleitores
inscritos perante a Justiça Eleitoral e aptos a votar este
ano, 51,7% são do sexo feminino
São Paulo - O Brasil é cada vez mais feminino, revela estatística
divulgada ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A maioria - 51,7% do
universo de mais de 130 milhões de eleitores registrados no banco de
dados da Corte - é formada por mulheres. Esta tendência vem se
consolidando pelo menos desde a eleição de 2000, quando o eleitorado
feminino superou o masculino, totalizando 50,48% do total de eleitores que
participaram daquele pleito.
De acordo com o TSE, existem
no país exatos 130.469.549 de brasileiros, regularmente inscritos
perante a Justiça Eleitoral e, portanto, aptos a elegerem
seus representantes no Executivo e Legislativo municipais. Deste
total 67.483.419 são mulheres e 62.824.986 são homens.
Apenas nos Estados do Mato
Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins esta realidade é invertida,
com colégios eleitorais marcados pela predominância
masculina. Em compensação, no Estado do Rio de Janeiro,
53,29% do eleitorado é feminino com percentual bem acima da
média nacional. Pernambuco, Ceará e São Paulo
também possuem eleitorados femininos expressivos, com mais
de 52% de participação das mulheres nos números
totais.
Os dados foram apresentados
ontem pelo secretário de Tecnologia da Informação
do TSE, Giuseppe Dutra Janino.
Grau de Instrução
Apesar de o alistamento eleitoral
ser facultativo para os analfabetos, 8.097.513 brasileiros nessa
condição tiraram seu título e estão aptos
para votar em outubro. Mas a maior fatia do eleitorado possui primeiro
grau incompleto - 44.456.754, ou 34,07% do total. Sabem ler e escrever
20.367.757 e 10.129.580 concluíram o primeiro grau.
Com segundo grau incompleto
estão inscritos 23.618.098 eleitores (18,10% do total). Outros
15.799.474 (12,10%) concluíram o segundo grau, atualmente
denominado ensino médio.
Apenas 3,49% do universo
de eleitores brasileiros concluiu o ensino superior - 4.558.845.
Outros 3.277.167 chegaram ao nível superior, mas não
chegaram a se diplomar.
Com relação
ao eleitorado total de seus estados, Rio de Janeiro (5,41%), São
Paulo (5,03%), Rio Grande do Sul (4,14%) e Santa Catarina (4,01%)
são os que possuem a maior proporção de eleitores
com nível superior. Já Maranhão (0,93%) e Piauí (1,34%)
são os Estados com menor percentual de eleitores formados.
Faixa Etária
Mais uma mostra do crescente
interesse do brasileiro em se integrar ao processo eleitoral vem
do público jovem. Exatos 2.922.432 eleitores inscritos para
votarem nas próximas eleições têm 16 ou
17 anos. Nesta faixa etária, o alistamento eleitoral é facultativo.
E do outro lado, no que vem
sendo chamada de a melhor idade, 2.609.959 eleitores (2% do total)
possuem mais de 79 anos, e continuam participando ativamente da vida
pública do país.
Com relação à idade
média, o eleitorado é formado em sua imensa maioria
por pessoas entre 25 e 59 anos, faixas etárias que juntas
representam mais de 66% do eleitorado brasileiro. São 31.620.929
de eleitores entre 25 a 34 anos; 26.030.548 com 35 a 44 anos; e 28.678.555
entre 45 e 59 anos.
Seções
As eleições
de 2008 serão realizadas em mais de 400 mil seções
espalhadas pelos 5.563 municípios onde devem ser escolhidos
prefeitos, vices e vereadores nas eleições de 5 de
outubro. Para fins de estatística são computados 5.565
''municípios'', dados que incluem o Distrito Federal e Fernando
de Noronha (que é um Distrito Estadual de Pernambuco), onde
não há eleição municipal. São
93.906 locais de votação em 3.010 zonas. São
Paulo, o Estado mais populoso do Brasil, com quase 30 milhões
de eleitores, conta com o maior numero de seções 73.316,
ou 18,31% do total nacional. Em Roraima menor colégio eleitoral
do Brasil, com 247.792 eleitores, estão localizadas apenas
894 seções.
Distrito Federal
O Distrito Federal, que tem
1.663.720 eleitores inscritos, não realiza eleições
em 2008, tendo em vista o fato de não contar - em sua estrutura
administrativa - com prefeitos ou vereadores. Dessa forma, dos mais
de 130 milhões de eleitores que constam do banco de dados
do TSE, excluídos os registrados no DF, 128.805.829 milhões
de cidadãos devem ir às urnas em 5 de outubro para
escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores dos 5.563 municípios
brasileiros.
Folhapress
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Gazeta do Povo, 16 de julho de 2008
Dissídio
TST começa a julgar greve
nos Correios
Negociação fracassa. Prazo
para acordo entre trabalhadores e empresa termina amanhã
Brasília - A greve dos funcionários dos Correios, que entrou
ontem no 16º dia, começou a ser julgada pelo ministro do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), Maurício Godinho Delgado, escolhido para
relatar o processo de dissídio da categoria. Isso significará uma
tomada de posição do TST sobre a legalidade ou não da
paralisação. A escolha do relator ocorreu após mais uma
tentativa frustrada de conciliação entre a diretoria da Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e a Federação
Nacional dos Trabalhadores da ECT (Fentect).
O presidente do TST, ministro Rider Nogueira de Brito, fez ontem nova proposta
de acordo e deu prazo até amanhã, ao meio-dia, para que as partes
respondam se aceitam ou não. Permanecendo o impasse, Brito marcará a
data do julgamento do processo quando o relator submeterá seu voto aos
demais ministros.
O secretário-geral da Fentect, Manoel Cantoara, disse que a estatal
deveria ceder mais na negociação. “Acreditamos que a direção
da empresa poderia vir discutir todos os pontos do plano de carreira”,
afirmou. A avaliação inicial da Fentect é que a proposta
do presidente do tribunal é insuficiente, mas ele disse que a entidade
aguardará o resultado das assembléias estaduais.
Já a ECT, por meio de sua assessoria, informou que está analisando
a proposta, mas como ela é bem semelhante à anterior, que já tinha
sido aceita pela estatal, tudo indica que isso se repetirá. A nova proposta
que tenta pôr fim à greve prevê o pagamento definitivo de
gratificação de 30% aos carteiros, a ser calculada sobre o salário-base
de cada um e paga proporcionalmente às horas trabalhadas em serviços
externos de coleta e entrega.
A reivindicação dos sindicatos é que o cálculo
inclua as horas de trabalho interno na triagem das cargas. O TST ainda propõe
que os carteiros sejam excluídos do plano de cargos, carreiras e salários
da empresa, mas os grevistas alegam que todos os funcionários, e não
apenas carteiros, estão insatisfeitos com o plano.
A proposta do TST ainda inclui pagamento de 50% dos dias parados e proibição
de demissões pelo prazo de 60 dias, a partir de 18 de julho. De acordo
com a assessoria da estatal, até ontem, 19% dos empregados da ECT estavam
em greve e 28% dos carteiros estavam parados. Nesse período de duas
semanas de paralisação, mais de 100 milhões de correspondências
e encomendas deixaram de ser entregues.
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SINTRACOM LONDRINA, 15 de julho de 2008 | Campanha
Salarial 2008/2009
Construção Civil: Sintracom Londrina, FETRACONSPAR e
sindicatos concluem negociação com SINDUSCON Norte
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Londrina – SINTRACOM Londrina, juntamente
com os sindicatos de trabalhadores da região, realizaram na
tarde de hoje (15/07), na sede Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Norte do Paraná – SINDUSCON
NORTE, sito à Av. Maringá, 2400 - Jd. Maringá,
Londrina/PR, 5ª Rodada de negociações
para renovação
da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2008/2009.
A data base da categoria é no mês de junho.
A reunião foi entre a Comissão de Negociação
formada por diretores da FETRACONSPAR e dos Sindicatos de Trabalhadores
da Região Norte (Sintracom Londrina, Sintracom Arapongas,
Sintracom Ponta Grossa, Sintracom Telêmaco Borba e Sintracom
Jataizinho/Ibiporã), com os representantes do SINDUSCON NORTE.
O SINTRACOM Londrina esteve
representado pelos companheiros: Denilson Pestana da Costa (Presidente),
José Aparecido Martins (Secretário
de Finanças), Antonio José Lino do Nascimento (Secretário
de Finanças Adjunto) e Valdir de Oliveira (Secretario Geral).
A reunião foi entre
a Comissão de Negociação
formada por diretores da FETRACONSPAR e dos Sindicatos de Trabalhadores
da Região, com os representantes do SINDUSCON NORTE.
Na ocasião foi concluída a negociação,
para melhores informações clique
aqui ou entre em contato
com o sindicato pelo fone (43) 3324-4022.
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Congresso em Foco, 15
de julho de 2008
Gilmar Mendes — normal, absolutamente
normal
Bajonas Teixeira de Brito Junior
*
A situação criada no Judiciário com as últimas
ações do presidente do Supremo preocupam, sobretudo porque aparecem
como uma Hidra, dadas suas muitas cabeças ou, mais precisamente, seus
muitos habeas corpus. Digo isso porque alguns acontecimentos em torno do ministro
têm sido objeto de murmúrios de desagrado, quando não de
gritos mesmo de indignação. No caso dos 130 juízes da
3ª Região, foi um manifesto de indignação e clara
discordância, como eles próprios afirmam, frente à atitude
de Gilmar Mendes. Dizem os signatários, em defesa do juiz federal Fausto
de Sanctis, que “não se vislumbra motivação plausível
para que um juiz seja investigado por ter um determinado entendimento jurídico”.
Gilmar Mendes, como noticiou-se
no sábado, dia 12, disse considerar "absolutamente normal" a
reação dos juízes, e que de sua parte teria
feito apenas um registro ao notificar o Conselho Nacional de Justiça
(CNJ). Já o professor de direito José Ribas Vieira,
por quem tive a honra de ser orientado em minha monografia de conclusão
de curso na Universidade Federal Fluminense (UFF), discorda. “Tecnicamente,
o registro feito à corregedoria do CNJ equivale a um pedido
de investigação”, afirmou em entrevista ao Estadão.
E certamente ele tem razão, e tem razão também
o juiz De Sanctis ao sentir-se intimidado.
Mas tem mais. Não faz muito tempo, o presidente da Comissão Nacional
de Defesa da República e da Democracia da OAB-SP, Fábio Konder
Comparato, escrevia estas palavras no Painel do Leitor da Folha de S. Paulo:
" Este jornal estampou, em sua edição de 8/6, anúncio
da revista Serafina contendo entrevista com o atual ministro-presidente do Supremo
Tribunal Federal. Sua Excelência, fotografado em trajes domésticos
e em postura descontraída, revela que manteve relações de
amizade com a esposa durante 30 anos antes do casamento. É consternante
ter que lembrar, nos dias de hoje, que a proteção do recato da
vida privada constitui preceito ético elementar dos agentes públicos,
notadamente dos magistrados."
Que resposta Gilmar Mendes daria a essa indignação e a esse consternamento?
Creio que simplesmente a de sempre: “Absolutamente normal”. Tiro
essa conclusão a partir de um outro assunto que, como uma peça
de quebra-cabeça (de Hidras), parece encaixar-se perfeitamente no figurino.
O caso da demarcação de forma contínua da reserva Raposa
Serra do Sol. Parecendo se perfilar ao lado dos chamados “produtores
rurais” da região, isto é, dos invasores das terras indígenas,
afirmou o presidente do STF que a demarcação de grandes áreas
de forma contínua pode, em tese, “causar problemas”.
Certamente, muitos se perguntaram se, em tese, dada a tensão na região
e a violência dos invasores contra a população indígena,
não seria o caso de o presidente manter-se em silêncio. Mas parece
que sua intenção foi a melhor possível, tanto que falou
em “julgamento técnico” e em “desideologizar o debate”,
só não especificando se em tese ou fora de tese. De todo modo,
não é só a sua afirmação, de que manter
a demarcação contínua pode trazer problemas, que parece
prenunciar uma inclinação aos interesses dos latifundiários.
Não. As coisas não terminam ai. Questionado sobre as conseqüências
de uma possível decisão do STF contra a demarcação
contínua, afirmou, segundo os jornais, que "o tribunal, por ser
uma corte suprema, tem que lidar com as conseqüências dos seus julgados.
Nós lidamos com isso com grande tranqüilidade e sabemos lidar com
os efeitos políticos das nossas decisões". Portanto, nesse
caso também, tudo muito tranqüilo. Absolutamente normal.
Por fim, recordo aqui o caso,
lembrado ontem (14 de julho) em artigo de Mauro Santayana no Jornal
do Brasil: o professor Dalmo Dallari, entre as razões que
invocou contra a nomeação de Gilmar Mendes para o STF,
arrolou o fato de que “a Advocacia Geral da União, cujo
titular era Gilmar, havia pago R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense
de Direito Público, do qual o atual presidente do STF era
um dos proprietários, a fim de que seus subordinados ali fizessem
cursos”. Gilmar Mendes garante tratar-se de uma instituição
científica. Normal. Absolutamente normal.
Mas, indo lá e dando
uma olhada nos convênios institucionais do IDP, espantei-me
ao não encontrar universidades e institutos de renome, mas
apenas o Ministério da Justiça, o Tribunal Regional
do Trabalho, o Tribunal Superior Eleitoral, diversas associações
de funcionários públicos etc. Caso existam, que motivo
teria o instituto para ocultar seus convênios institucionais
com reconhecidos centros de excelência, deixando à mostra
apenas seus convênios com instituições públicas
e associações civis?
Pergunto-me aqui, por
fim, o que pensaria Gilmar Mendes se um grupo de cidadãos
preocupados com a defesa da democracia e do Estado de Direito,
como Fábio Konder Comparato, e com a qualidade dos juizes
do STF, como Dalmo Dallari, resolvessem pedir o seu impeachment
através de um manifesto enviado ao Supremo Tribunal Federal,
ao Conselho Nacional de Justiça, ao Senado Federal e à Presidência
da República. De fato, não sei o que ele diria, mas
eu, que já assinei a petição, responderia
simplesmente o seguinte: normal, absolutamente normal.
* Bajonas Teixeira de Brito Junior é professor
universitário e doutor em Filosofia, autor do ensaio, traduzido
pelo filósofo francês Michael Soubbotnik, Aspects historiques
et logiques de la classification raciale au Brésil (Cf. na
internet), e do livro Lógica do disparate.
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FOLHA DE LONDRINA, 15
de julho de 2008 | Política
Jucá barra projeto que veta
candidatos ‘ficha suja’
Romero Jucá (PMDB-RR): ''É mais
do que inquisição, porque a inquisição
era uma decisão do tribunal''
Brasília - Única iniciativa adotada este ano pelo Congresso para
barrar os candidatos com ficha suja, o substitutivo aprovado na Comissão
de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) não sairá do
papel. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), brecou
o texto, que nem deverá ser examinado em plenário, alegando que
os termos da proposta equiparam-se a ''um linchamento individual'', ao tornar
inelegível os candidatos condenados em primeira ou única instância.
''Aí é a inquisição,
aliás, é mais do que inquisição, porque
a inquisição era uma decisão do tribunal'',
alegou. Jucá não descarta a possibilidade de o governo
assumir, no próximo ano, a paternidade de medidas para moralizar
as eleições, como parte de um pacote encabeçado
pela reforma política.
''A reforma política
precisa ser feita, mudando as regras das eleições e
aí você pode endurecer as regras da inelegibilidade,
mas endurecer dentro de um mecanismo lógico e justo, que tenha
direito de defesa'', afirmou. ''Não se pode simplesmente transferir
a um juizado de primeiro grau a discussão de alguém
ficar inelegível, cassar ou não o mandato. Quer dizer,
seria muita fragilidade, o caminho não é este, não é fragilizar
o mandato popular.''
A reação do
líder, já evidenciada na CCJ pela líder do bloco
do governo, Ideli Salvatti (PT-SC), só se tornou conhecida
depois da aprovação do substitutivo na comissão.
E meses depois de o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN),
ter pedido ao senador Demóstenes Torres (DEM -GO) que preparasse
um substitutivo, com base nas propostas existentes na Casa sobre
o assunto.
Para Demóstenes, o
líder age de má-fé, ao ignorar a intenção
do Legislativo de regulamentar a Lei de Inelegibilidade quanto à vida
pregressa do candidato. ''Não pode ser analfabetismo, porque
o Jucá não é analfabeto, o que falta a ele é espírito
público, ele é mal intencionado e está dando
vazão a isso'', criticou. O senador lembrou que, ''até mesmo
para se contratar uma empregada doméstica, é preciso
conhecer sua vida passada''.
''E um político condenado
depois de passar pelas mãos do delegado, do promotor e do
juiz, com certeza não merece estar na vida pública''.
Quanto ao breque do governo, Demóstenes afirma que tampouco
a oposição tem intenção de aprovar o
substitutivo. ''A oposição se junta ao governo, que
já deixou claro sua posição favorável
aos ficha-suja e se o governo não quer, com certeza a matéria
não anda, será mais uma esquecida no gavetão
do Garibaldi'', afirmou, referindo-se à praxe adotada pelo
presidente do Senado de não incluir na pauta matérias
que contrariem o governo.
Garibaldi minimizou a intenção
do líder governista de paralisar a tramitação
da proposta, alegando que não haveria tempo para adotar as
novas regras nas eleições deste ano. Segundo ele, é o
Congresso, e não o governo, que deve ser encarregar, não
só desta lei, mas também de outras leis. Jucá é categórico
quanto à sua posição: ''Não se pode depender
de um juiz de primeiro grau determinar que alguém fique inelegível
por oito anos'', insistiu.Não é a solução
que foi votada na CCJ que vai resolver a questão''.
Rosa Costa
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
15 de julho de 2008 | Política
Novo prefeito de Curitiba terá o
maior salário das capitais
Roger Pereira
O candidato que vencer as eleições
de outubro para a prefeitura de Curitiba terá o maior salário
entre todos os prefeitos de capitais do país. Os R$ 24,5
mil aprovados pela Câmara Municipal para os vencimentos do
novo prefeito são inclusive maiores que o dobro do salário
do presidente Lula, que recebe R$ 11,4 mil. O Estado ouviu todos
os candidatos à Prefeitura da capital, que concordaram que
os valores são muito altos, mas divergiram sobre a possibilidade
de adequa-los.
Desde que soube que seu salário
era o mais alto do Brasil, o prefeito Beto Richa (PSDB) vem doando
22% de seus vencimentos para a conta da Prefeitura. Ele disse que
não poderia intervir na votação da Câmara,
que tem o dever constitucional de definir os salários do Executivo
e do Legislativo municipal, mas garantiu que, se reeleito, manterá a
doação nos mesmos percentuais.
A alternativa da doação,
usada por Beto Richa, foi admitida pelos candidatos Fábio
Camargo (PTB), Ricardo Gomyde (PC do B) Maurício Furtado (PV)
e Lauro Rodrigues (PT do B). “O correto é equilibrar
o salário com os de capitais do mesmo padrão, e também
usar como referencial os vencimentos dos funcionários de carreira
da prefeitura. Como o prefeito eleito não poderá resolver
isso de imediato, a doação para contas da própria
prefeitura é uma alternativa razoável”, disse
Maurício Furtado. “A alternativa da doação é interessante,
já que o salário é decidido pela legislatura
anterior”, comentou Lauro Rodrigues.
Alguns deles, no entanto,
questionaram o percentual doado por Beto e o fato de os salários
terem chegado a esse valor. “É inaceitável que
o prefeito de Curitiba ganhe quase o dobro do que recebe o prefeito
de São Paulo, maior cidade da América do Sul e metrópole
conhecida pelo seu alto custo de vida. Se eleito, abrirei mão
de 50% do valor do salário de prefeito e repassarei o montante à Fundação
de Ação Social (FAS)”, disse Fábio Camargo. “A
atitude de doar para a própria prefeitura está correta.
Mas vale lembrar que o prefeito tem ampla maioria na Câmara
e poderia fazer valer sua vontade, não permitindo esse reajuste.
No nosso governo, além do prefeito, o vice e todos os secretários
também devolverão o montante que a sociedade julgar
excedente de um salário adequado”, declarou Ricardo
Gomyde.
Já os candidatos Gleisi
Hoffmann (PT), Carlos Moreira (PMDB) e Bruno Meirinho (PSOL) criticaram
a postura do prefeito. “O caso da doação de parte
do valor do altíssimo salário do prefeito Beto Richa
soa como hipocrisia, porque esta atitude foi tomada apenas depois
que reportagens denunciaram que era praticado na capital paranaense
o maior salário dentre os prefeitos do Brasil”, questionou
Meirinho. “O fato de doar ou devolver não é a
forma correta de se tratar o salário do gestor público,
que tem de ser regulado de forma transparente como o salário
do trabalhador. Essa regulação não pode ficar
sujeita a artimanhas”, disse Gleisi, lembrando que a bancada
do PT da Câmara apresentou emendas para que o reajuste do prefeito
fosse calculado em cima do valor que Beto Richa recebe descontando
a doação.
Já Moreira,
apes | |