| Abril-2007
Introdução
Quando
se formou um grupo de oposição à direção
do Sintracom-Londrina, no final da década de 1980, afora a
questão salarial, a bandeira de luta que mais mobilizou os
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e
do Mobiliário de Londrina foi a da segurança no ambiente
do trabalho. E com razão, pois naquele período, raro
era o mês em que não acontecia um acidente fatal, principalmente
no setor da Construção. Assim,
o “Piquetão”, como era denominado o grupo
de oposição, centrou fogo na luta por melhores salários
e por condições de segurança que não
colocassem em risco a integridade física dos trabalhadores.
Foi um trabalho árduo, mas, após alguns anos, os acidentes
fatais tornaram-se raros. Do final dos anos 1990 até meados
dos anos 2000, por exemplo, foi possível contabilizar cinco
anos sem morte por acidente de trabalho. É bem verdade que o advento, em 1995, da Norma Regulamentadora
18, a qual trata da segurança no ambiente de trabalho, muito
contribuiu para melhorar as condições de segurança
nos canteiros de obras. A luta pelo fornecimento obrigatório
de Equipamentos de Proteção Individual e a utilização
de ferramentas, máquinas e equipamentos seguros tornou-se,
então, palavra de ordem no Sintracom-Londrina. Com
o passar do tempo, o ambiente de trabalho inseguro deixou de
ser a “regra” vigente e tornou-se a exceção.
O que não quer dizer que o Sintracom-Londrina tenha se desobrigado
de fiscalizar, diuturnamente, o cumprimento das leis vigentes e das
Convenções Coletivas de Trabalho. Pelo contrário,
esse trabalho foi intensificado e complementado com a conscientização
do trabalhador. Nesse
sentido, a idealização e realização
do Menssat – Mês de Saúde e Segurança do
Trabalhador, desde 1992, tornou-se peça chave no processo
de luta para que o trabalhador retorne à sua residência
após a jornada de trabalho, todos os dias, da mesma forma
como saiu logo às primeiras horas da manhã. O
risco de acidente de trabalho tornou-se mínimo nas categorias
representadas pelo Sintracom-Londrina, mas, ainda hoje, existem empresas
que insistem em agir como se estivessem nos séculos 18 e 19.
Por isso, nesse ano o Sintracom-Londrina decidiu iniciar uma guerra
contra o equipamento que ainda fere, mutila e mata trabalhadores – a
serra de mesa, popularmente conhecida como serra circular. Objetivo Como
a saúde e a segurança dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção e do Mobiliário é questão
de honra para o Sintracom-Londrina, a diretoria da entidade entende
ser inadmissível a insistência de muitas empresas em
utilizarem a serra circular sem as devidas condições
de segurança – coifa protetora na lâmina, cutelo
divisor e cobertura nas correias. Por isso, será deflagrada
a campanha pela correta utilização de tal equipamento,
a fim de reduzir o número de acidentes com amputações
que ocorrem em nosso setor. A
diretoria do Sindicato compreende a necessidade da utilização
da serra circular, tanto no canteiro de obras quanto nas serrarias
e fábricas de móveis. Daí a campanha contra
o mau uso desse equipamento. O que se objetiva, então, não é a
condenação pura e simples desta ferramenta, mas, sim,
do uso do equipamento em condições irregulares. Não por acaso, o boletim de epidemiologia da Secretaria
de Estado da Saúde do Paraná, publicado no mês
de março de 2007, ressaltava na matéria intitulada “Perfil
dos trabalhadores que sofreram acidentes de trabalho com amputação
- Paraná - 1998 a julho de 2001”, que “os
acidentes fatais e as amputações representam a face mais dramática
da insegurança nos ambientes de trabalho”. Não existem dados nacionais sobre o número de amputações
que ocorrem anualmente. No Paraná, a análise dos dados
das Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT) evidencia
a ocorrência de cerca de 300 casos por ano, apenas no mercado
formal de trabalho. Os
casos de óbito e amputação ocorridos no
trabalho vêm sendo investigados no Estado, pelo Sistema Único
de Saúde, através das equipes de vigilância sanitária
municipais e das 22 Regionais de Saúde, desde 1998. Naquele
ano ocorreu a criação do Comitê Estadual
de Investigação de Óbitos e Amputações
Relacionados com o Trabalho, que é integrado por instituições
governamentais com atuação na área de Saúde
do Trabalhador, pelo Ministério Público (Federal e
Estadual) e por representações de trabalhadores.


Foram
analisadas informações sobre o sexo, a idade
e a ocupação do trabalhador, o ramo de atividade da
empresa, a causa dos acidentes e o município de ocorrência
dos mesmos.

Após três anos de implantação das investigações,
observou-se que dos 399 municípios do Estado, 187 (46,8%)
foram solicitados a desenvolver ações de vigilância
nos ambientes de trabalho - investigação do acidente
de trabalho e adoção das medidas necessárias
para correção do ambiente. Neste período foram
encaminhados para investigação 1.422 acidentes, sendo
que 762 (53,6%) eram casos de amputação.
Observou-se
que 92,8% dos trabalhadores que sofreram amputação
são do sexo masculino e 46,3% trabalham na Região Metropolitana
de Curitiba, 8,7% na região de Cascavel e 8,3% na região
de Londrina. Os
Auxiliares de produção responderam por 29,8% dos
casos de amputação, seguidos pelos operadores de máquinas
(14,4%), carpinteiros/marceneiros (8,0%), pedreiros e serventes
de pedreiro (6,0%) e trabalhadores rurais (4,6%). Quanto
ao ramo de atividade da empresa, foi constatado que 24% dos casos
informados ocorreram com trabalhadores da Indústria
da Madeira e do Mobiliário, 11% com trabalhadores da Agricultura,
seguida da Indústria de Produtos Alimentícios (9,0%)
e o setor de Metalurgia e a Construção Civil (9,0%). As
máquinas para serrar foram as principais causadoras de
amputação (18,1%) dos casos e dentre elas a
serra circular foi responsável por 15% de todas as amputações
investigadas. Seguiram-se as máquinas para cortar/talhar,
como as guilhotinas (7,7%) e as frezas (6,6%). O
Sintracom-Londrina acredita que, pelos levantamentos realizados
pelo Comitê de Óbito e Amputação e pela
Secretaria Estadual da Saúde, a situação no
Paraná é extremamente grave. Só os setores da
Construção e da Madeira e Mobiliário, juntos,
são responsáveis por mais de 30% das amputações
ocorridas de 1998 a 2001 no Estado. Diante
de tal constatação, entendemos que se não
forem tomadas medidas radicais para combater a falta de segurança
nesse tipo de equipamento, no médio prazo muitos trabalhadores
perderão dedos, mãos, visão e, em casos limites,
a vida. O
que se pretende, com essa campanha, é que os empresários
tomem consciência de que a serra circular em condições
inadequadas coloca em risco a integridade física e a vida
de seus empregados. Parceiros Na
empreitada contra a utilização da serra circular
sem equipamentos de proteção, o Sintracom-Londrina
quer contar com a decisiva participação da Delegacia
Regional do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho,
do Comitê Estadual de Investigação de Óbitos
e Amputações Relacionados com o Trabalho, do Centro
de Referência em Saúde do Trabalhador, das entidades
sindicais patronais e da Fetraconspar (Federação dos
Trabalhadores nas Indústrias da Construção e
do Mobiliário do Estado do Paraná), entidade que tem
atuação muito forte na área.
Ações
a serem desenvolvidas O
Sintracom Londrina, através de sua equipe de segurança
no trabalho, a qual realiza fiscalização cotidiana
das condições de segurança e saúde nos
locais de trabalho, priorizará a questão da verificação,
nas 34 cidades da base territorial da entidade, das condições
de uso das serras de circulares e serras-fitas utilizadas pelas industrias
da construção e da madeira e do mobiliário. Após a constatação das irregularidades serão
tomadas as seguintes medidas de prevenção: 1) Falta de coifa protetora e cutelo divisor - solicitar ao Ministério
do Trabalho a interdição do equipamento;
2) Falta de proteção nas correias - solicitar ao Ministério
do Trabalho a interdição do equipamento;
3) Instalações elétricas precárias e
sem aterramento - solicitar ao Ministério do Trabalho a interdição
do equipamento;
4) Falta de equipamentos de proteção individual (óculos,
avental e protetor auricular) e de sinalização de segurança
- solicitar a imediata regularização das irregularidades;
e,
5) Falta de treinamento para os operadores da serra circular solicitar
a interdição do equipamento e a imediata substituição
do operador; Quantos
aos itens 1 e 2, serão feitas denúncias ao
Ministério Público do Trabalho para que este ingresse
com ações visando a abertura de inquérito policial
para responsabilizar, criminalmente, os proprietários de obras,
engenheiros, construtores e empresas do setor da Madeira e do Mobiliário.
Com
estas medidas, acreditamos estar dando a nossa contribuição
para que os operários das Indústrias da Construção
e da Madeira e do Mobiliário possam desenvolver suas atividade laborais
em ambiente seguro. SINTRACOM LONDRINA
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