STICM Londrina SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE LONDRINA
Londrina/PR
   
 
 
Página Inicial
Fale Conosco
Reconhecido em 21/08/1968

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Filiado
CNTI
Fetraconspar

 
SINTRACOM EM AÇÃO, 04 de junho de 2008 | Eventos
Atrás das Grades
Detento do CDR vence concurso de redação

O dia 9 de junho de 2003 ficará, para sempre, na memória de Anderson Cândido de Sales, 26 anos de vida e nove de pena a cumprir no Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (CDR).

Naquele dia, Anderson descobriu o significado da palavra tragédia conforme conceituada pelos gregos. “Um tipo de drama onde um herói trágico luta contra um fator transcedental que controla o fluxo dos acontecimentos.”

“Tamanha é a força desse fator, que sempre chegamos em um final trágico, onde o herói sofre todas as conseqüências por tentar controlar o poderoso destino.”

Naquele 9 de junho, o fator transcedental a mudar, de forma trágica a vida de Anderson, foi quando ele se viu frente a frente com o ladrão que invadira e roubara inúmeros pertences da residência de sua mãe, dona Rosa.

Junto com o filho enraivecido pelo ato criminoso cometido contra sua genitora estava um amigo. O amigo estava armado com um revolver e também tinha lá suas quizilas com o bandido, figura conhecida no bairro pelos atos de violência que costumava praticar contra os moradores do União da Vitória.

O bandido foi abatido e Andeson foi preso, julgado e condenado por ter participado do homicídio. Cinco anos depois, o jovem morador do Conjunto União da Vitória II, como o herói trágico criado pelos gregos antigos, tenta controlar seu destino (Fado) e dar a volta por cima.

Uma das formas encontradas pelo detento para se reintegrar à sociedade, foi empenhar-se nos estudos. Ele está matriculado no CEEBJA – Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos “Professor Manuel Machado”, que funciona no CDR.

Mas não é só isso. Anderson foi o melhor colocado nas provas do ENEM de 2007 e, amanhã, recebe o prêmio pelo primeiro lugar conquistado no 2º Concurso de Redação do Sintracom-Londrina – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Londrina.

Assim como os quase 400 participantes do Concurso, Anderson escreveu sobre Democracia – o voto que muda a vida da gente. No texto ele destaca a importância do voto e ressalta o poder do eleitor citando o impeachment do ex-presidente Collor e a cassação do ex-prefeito Antonio Belinati.

DROGAS – No dia em que conversou com a assessoria de imprensa do Sintracom-Londrina, Anderson contou a história de sua vida. Uma vida comum, cheia de altos e baixos como a da maioria dos brasileiros pobres.

Nascido no Jardim Ângela, bairro localizado no Capão Redondo, São Paulo-SP, e conhecido pela violência que aterroriza seus moradores, Anderson chegou em Londrina aos 10 anos e foi direto para o União da Vitória.

Seu pai, Norival, trabalhou em uma empresa de construção e recebeu cheques sem fundo como pagamento. “Ficamos seis meses comendo arroz e cebola frita”, lembra. Descontente, o pai resolveu voltar pra São Paulo e a mãe ficou em Londrina com os filhos.

De dificuldade em dificuldade, Anderson acabou se envolvendo com as drogas. “Na passagem dos 17 para os 18 anos, durante seis meses, consumi todo tipo de droga que você possa imaginar”, confessa.

Nesse tempo, também se envolvera com o Grêmio Estudantil do CAIC “Dolly Torresin”, Zona Sul, e essa foi a sua salvação em relação ao uso de entorpecentes. “Passei a desenvolver projetos de HIP-HOP com recursos da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Kellogg”, lembra.

Numa noite em que se apresentava no Centro da Cidade recebeu um telefonema da mãe. “Ela me ligou e contou que estava apavorada porque nossa casa tinha sido invadida por um ladrão”, relata.

DHIOVANA – Durante a conversa, Anderson se mostrou uma pessoa afável e tranqüila. Contou sobre as inscrições para vestibulares em várias instituições e sobre o sonho de se tornar advogado.

“Quero ajudar as famílias de presos, para não serem vítimas de maus advogados, como o que pegou R$ 5,5 mil de minha mãe, com a promessa de me livrar da prisão e, depois, simplesmente desapareceu”, disse.

Ele só não conseguiu manter o controle quando o assunto foi a filha Dhiovana, 7 anos. Anderson chorou feito criança ao lembrar que, por conta de sua condenação, vê a filha apenas uma vez por mês.

“É muito triste. Acabei perdendo a possibilidade de ver minha filha crescer e ajudar na educação dela”, avalia. Depois, enxugou as lágrimas e seguiu falando de seus planos para quando estiver “fora da casa dos mortos.”

Mais informações com Mario Fragoso 9123-8943 ou Denílson Pestana 9924-600


1º Colocado
Aluno: Anderson Cândido Sales
Escola: CEEBJA Professor Manoel Machado

 

Leia a íntegra da redação
 
GALERIA DE IMAGENS


MATÉRIAS RELACIONADAS
 
FOLHA DE LONDRINA: Detento vence concurso de redação
 
JORNAL DE LONDRINA: Detento recebe prêmio por melhor redação
 
O ESTADÃO DO NORTE: Detento vence concurso de redação
 
GLOBO.COM (PORTAL G1): Detento vence concurso de redação no Paraná
 
GAZETA DO POVO: Detento recebe prêmio por melhor redação
 
JORNAL O GLOBO: Detento vence concurso de redação no Paraná
 
 

Rua Sergipe, n.º 598 - 1º andar - Sala 107 - Res. Tókio | Fone: (43) 3324-4022
CEP 86.010-913 - Londrina/Paraná
Desenvolvimento: Claudemir Andrade | Daniel Pereira
© 2008 - SINTRACOM LONDRINA - Todos os direitos reservados